DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

A DITADURA DA MAIORIA

Por Tiago Barbosa Mafra

O discurso corrente na atualidade é que a humanidade, mais especificamente o homem ocidental, alcançou o modelo mais perfeito de governo: a democracia. Diante de algumas questões da política brasileira e afirmações lançadas recente e continuamente na mídia, cabem certas analises. O que é democracia? Estará ela tomada por idiotas? O objetivo deste artigo é fazer uma breve reflexão a partir do artigo de Luiz Felipe Pondé, sobre como o modelo econômico vigente atrelado aos meios de comunicação, contribuem para a apatia política do país, e paralelamente, para um entrave na busca por uma democracia verdadeira e efetiva.

O que é democracia, afinal? Utilizando simplesmente a etimologia, é o governo do povo, para o povo, pelo povo. É, portanto, a população governando a si mesma, visando sempre sanar os problemas da vida cotidiana e atender às necessidades da maioria, do coletivo, na busca da garantia da sua sobrevivência justa e digna.

Em contrapartida, o que assistimos hoje, segundo o texto de Luiz Felipe Pondé veiculado na Folha em 08/06/09, “A ciência idiota da política”, é a democracia confundida com a relação entre opinião pública (moldada) e a vontade popular. Segundo o texto, a soberania popular tem continuamente sido tomada como sendo a opinião pública veiculada pela estrutura midiática que proclama saber “o que o povo pensa”.

Tal discussão ganha força frente a rumores de um possível terceiro mandato do presidente Luís Inácio da Silva (o qual já descartou a possibilidade), que intriga e confunde favoráveis e contrários à medida. O texto em questão afirma que o modelo presidencialista de governo “(…) corre maior risco de cair na armadilha personalista e populista do executivo” (1). Para demonstrar que a causa do rebuliço não é a permanência do presidente Lula, como querem os “idiotas”, e muito menos a defesa da “estrutura democrática” das mazelas da personificação do poder, faz-se necessário atentar para os seguintes pontos, que descobrem a verdadeira inquietação.

Primeiramente é preciso contextualizar o que chamamos de “democracia brasileira”. Vive-se atualmente em uma profunda “apatia política” (2). A maioria do povo, outrora ligado a partidos ou a ideologias e que utilizavam tais instrumentos como canalizadores da vontade popular, não mais se envolvem em qualquer atividade de reivindicação ou condução popular. “A política está fora da realidade das pessoas” (3).

É nessa lacuna criada pela apatia política, que se consolida o primado dos interesses econômicos sobre o interesse político popular. Vivendo em um modelo econômico que se baseia na propriedade privada, na exploração do trabalho e na concentração de renda por grandes monopólios e oligopólios, resta à massa trabalhadora a corrida constante pela garantia da sobrevivência, pouco importando a atuação política que nada de material, pelo menos imediatamente, lhe trás. Torna-se escasso até mesmo o tempo de reflexão sobre a conjuntura do poder no país. Porém, nesse momento, se encaixam os meios de comunicação.

A mídia, que não está suspensa da realidade, comunga com o povo do mesmo modelo capitalista e em grande parte, a ele serve. Por serem os meios de comunicação, acima de tudo, propriedades privadas, atuam portanto de acordo com os interesses de seus proprietários, optando por orientar o enfoque sobre determinadas questões de maneira que lhes é mais conveniente e economicamente viável. O povo então, desprovido de pensamento próprio e acreditando em uma neutralidade dos meios de comunicação (que não existe e nunca existirá), adota como seu pensamento que não lhe é autêntico.

Já é perceptível o discurso contra os “idiotas” que defendem a possibilidades de um terceiro mandato. Sim, por que nos últimos anos à medida que cresce a Participação popular no exercício do poder, ou os fins da atividade estatal se dirigem de preferência para o atendimento dos clamores de melhoria e reforma social, erguidos pelas classes mais impacientes da sociedade, cresce concomitantemente o prestígio dos partidos, e se firma como Consenso geral a convicção de que ele é imprescindível à democracia em seu estado atual, e com ela se identifica quanto a tarefas, fins e propósitos almejados (4).

Durante os dois mandatos do presidente Lula, o que é visível é uma tentativa, mesmo que paulatina, de transformação das estruturas de distribuição de renda (5) . Contrariando expectativas de intelectuais e trabalhadores, o governo do presidente atual, partidário de uma organização política que estatutariamente se declara socialista, é mais reformista do que revolucionário. Entretanto, mesmo as “reformas”, não agradam as elites do país por colocarem em risco a relativa tranquilidade que já gozam a tempos. Portanto, não é a continuidade da pessoa, o populismo, não é a raiz do problema, mas sim a continuidade do projeto de construção de um Estado que utiliza dos instrumentos da máquina pública para o fortalecimento do próprio Estado e o benefício do povo. Aliás, nada mais justo do que a estrutura pública a serviço do povo.

Esclarecida a questão, resta então o ponto mais importante: a construção de uma verdadeira democracia, desvinculada do padrão contemporâneo exposto por Eduardo Bittar:

“Seria a associação entre capitalismo, liberalismo e democracia uma espécie de bastião transformador da realidade política contemporânea, ou simples aparato ideológico de expansão do ideário moderno, progressista e acumulador de riquezas de alguns países industrializados? (6)”

Para que essa verdadeira democracia concretize-se é indispensável e determinante um cidadão educado politicamente, capaz de interpretar e se posicionar frente as condições políticas que lhe são postas, sem que seja impulsionado a “comprar” uma idéia que não é sua, ou seja, compartilhar da opinião pública forjada sob interesses daqueles que controlam a mídia. Isso só será possível com a transformação do súdito da ditadura da maioria burra em cidadão atuante e consciente, que busque a construção da verdadeira democracia , onde, como foi definido no começo deste texto, impere o interesse coletiva sobre o interesse particular, findando o primado da economia sobre a política.

Tão idiotas quanto os que creem na continuidade do presidente Lula como solução das mazelas brasileiras, são também os que esperam que unicamente a rotatividade no poder garanta a sobrevivência da democracia brasileira nos moldes tradicionais. Para finalizar, não é possível passar em branco a alfinetada de Pondé quando este escreva: “Qualquer pessoa que seja favorável a um terceiro mandato de Lula (…) tem sonhos eróticos com (…) a ‘monarquia popular de Fidel (7)” . Para tanto, e encerrando, cito Frei Betto:

“Cuba resiste como único exemplo latino americano de democracia social e econômica (…) Quem considera que democracia se reduz a eleições periódicas não deve esquecer que em Cuba não há massacres do tipo Carandiru, grupos de extermínio, sequestros, desaparecimentos, assassinatos de crianças, aposentados desassistidos e extorsão financeira para acesso a saúde e a educação, que são gratuitas. (…) Por isso Cuba incomoda que acredita que encher urnas é mais importante que encher barrigas. Mesmo por que essa gente nunca passou fome. No máximo, teve apetite, com direito a couvert. (8)”


1 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.

2 Olhemos ao nosso redor. Nas democracias mais consolidadas assistimos impotents ao fenômeno da apatia política, que frequentemente chega a envolver cerca de metade dos que têm direito ao voto. Do ponto de vista da cultura política, estas são pessoas que não estão orientadas nem para os output nem para os input. Estão simplesmente desinteressadas daquilo que, como se diz na Itália com uma feliz expressão, acontece no “palácio”. Sei bem que também podem ser dadas interpretações benévolas da apatia política. Mais inclusive as interpretações mais benévolas não conseguem tirar-me da mente que os grandes escritores democráticos recusar-se-iam ao reconhecer na renúncia ao uso do próprio direito um benéfico fruto da educação para a cidadania. – BOBBIO, N.. “O futuro da democracia”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986: 32.

3 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 32.

4 “A democracia”, 277.

5 Exemplo é a medida do ultimo dia 16/06/2009, Terça Feira, em que ficou determinada a compra de 30% da merenda escolar de todo o país de pequenos proprietários agrícolas, que se organizam no modelo de agricultura familiar.

6 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 34.

7 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.

8 Texto de Frei Betto citado no jornal O Estado de São Paulo em 05/04/1995.

Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DESMANTELAR O EDIFICO DE ILUSÕES-CHOMSKY

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Para Chomsky, é preciso "desmantelar o edifício de ilusões"
Embora eu seja leitor assíduo e admirador da produção intelectual e política de Noam Chomsky, não me lembro de já ter postado nenhum artigo do (ou sobre o) intrépido ativista, lingüista e filósofo estadunidense. Então corrijo, agora, tamanha falha.

Por David Brooks/La Jornada

[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7169]

Quando se fala da "crise", quase todos se referem à financeira, visto que afeta diretamente os ricos, mas a crise dos bilhões de seres humanos que passam fome - entre eles cerca de 40 milhões nos Estados Unidos - não é a que tem mais urgência, porque todos os que a sofrem são pobres, afirmou Noam Chomsky.


Com voz tranquila, Chomsky cuidadosamente destruiu os mitos do chamado mercado livre, e documentou de maneira sintética as muitas situações de crise - a econômica e a financeira, a do militarismo, a do ambiente e a alimentar, entre outras - e as suas ligações comuns, construindo uma radiografia de um sistema que se mascara de "democracia", mas cujo objetivo final é socializar os prejuízos, privatizar os lucros e defender o privilégio de uma cada vez mais reduzida minoria rica, com consequências cada vez mais sinistras para as maiorias e para o próprio planeta.


É necessário "desmontar o edifício de ilusões" que se vende como democracia de mercado livre para que o ser humano sobreviva, e para isso exige-se um confronto com o modelo que visa proteger os interesses da "minoria da opulência contra as maiorias", afirmou.

"O povo paga os custos"

Chomsky discursou na passada sexta-feira, perante cerca de 1.500 pessoas, do pódio da famosa igreja Riverside, o mesmo em que Martin Luther King Jr. proferiu o seu histórico discurso de 1967 contra a guerra do Vietnã e o sistema imperial dos Estados Unidos, onde também se escutou Nelson Mandela e, mais recentemente, Arundhati Roy - num evento organizado pelo Fórum Brecht, um centro de investigação independente de esquerda.


"As crises de hoje estão interligadas de diversas formas", afirmou, e algumas são mais prioritárias que outras, pela simples razão expressa por Adam Smith de que "os principais arquitetos das políticas garantem que os seus próprios interesses são os que predominam, sem se importarem com os custos".

E Chomsky, como sempre, deu exemplo atrás de exemplo, documentando a história. Falou sobre a história do Haiti, desde os franceses e a invasão dos EUA de Woodrow Wilson, até à manipulação feita por Washington do desafio de Jean Bertrand Aristide, tanto pelo republicano George Bush (pai) como pelo democrata Bill Clinton, impondo o modelo neoliberal, com o resultado inevitável de "destruir a soberania econômica" deste país, que está agora nas linhas da frente da crise alimentar.


"Esta história é muito parecida em todo o mundo", acrescentou, apontando o Bangladesh e dezenas de exemplos mais.

"A raiz comum das crises de hoje no Sul e no Norte é a mudança para o neoliberalismo que se dá nos anos setenta", declarou. Isto marcou o fim do crescimento sustentável da era do pós-guerra, conhecida como a "era dourada do capitalismo", com o seu Estado-providência e os seus aumentos a nível de rendimentos e de direitos.

Hoje em dia, "o livre fluxo de capital cria um Senado virtual que realiza um referendo instantâneo que veta tentativas de beneficiar as maiorias à custa dos seus interesses".


Agora, com a atual crise que afeta os ricos, adota-se a mesma estratégia de sempre: "a população paga os prejuízos e assume o risco, enquanto os lucros são privatizados".

Do púlpito da igreja Riverside em Nova York, Noam Chomsky disse no fim-de-semana que perante as crises existentes, o sistema neoliberal protege as minorias abastadas em detrimento das maiorias.

Também se focou no plano da política externa, dizendo que Washington não pretende abandonar tão rapidamente o Iraque, e advertiu que a nova abordagem sobre o Paquistão e o Afeganistão é um jogo muito perigoso, uma vez que ameaça a paz mundial e a sobrevivência humanas, por causa das armas nucleares aí existentes.

Acrescentou que é alarmante que um "assassino membro das forças especiais de olhos enlouquecidos", o general Stanley McChrystal, tenha sido nomeado comandante das forças norte-americanas no Afeganistão.

Por outro lado, assinalou que agora é o momento-chave para definir a sobrevivência humana perante a crise climática.

"Temos de enfrentar talvez o mais importante: a forma de inverter o modelo corporativo-estatal estabelecido durante o pós-guerra", promovido por empresas de automóveis, petrolíferas, entre outras, que levou a esta crise ambiental e outras.

Na sua análise das crises do mundo, disse que para impor políticas que não reflitam o interesse das maiorias nos Estados Unidos e noutros países, recorreu-se menos à força do que "ao controle da opinião pública através da indústria de relações públicas, com o objetivo de criar consenso".

Mas impera sempre, desde os inícios desta república, a noção de proteger os "interesses da minoria abastada" contra todos os demais, com conceitos de que "uma minoria inteligente tem que governar uma maioria ignorante e intrometida". Agora isto é manejado por uma "elite tecnocrática", mas com a mesma doutrina.

Destacou a resistência popular para enfrentar o projeto da elite, e sublinhou que as rebeliões dos anos 60 "tiveram um efeito civilizador". Acrescentou que sempre se lançaram "ataques da elite contra a democracia" e que o modelo do mercado livre corporativo continua a ser o "obstáculo à eficiência e à tomada racional de decisões racionais".

"Não há nenhuma razão para permanecerem passivos", disse ele à sua audiência de esquerda. "Por que não ocupar uma fábrica (em referência aos cortes da General Motors) para a converter em centro de produção de transportes de massa? Não é uma questão exótica. Que os trabalhadores controlem as suas fábricas é tão tipicamente americano como a torta de maçã".

Na verdade, acrescentou, parte do objetivo dos administradores do sistema atual é "apagar todas as memórias das lutas" sociais, mas advertiu que suspeita que estas tendências "continuam latentes" nos mais desfavorecidos e "podem ser despertadas".

Este é um momento propício para o fazer".

A tarefa é superar o "déficit democrático", acrescentou, e "promover uma sociedade democrática, que funcione na realidade." Entre as chaves para o conseguir identificou a renovação dos sindicatos, a luta educativa e cultural e a necessidade de "desmantelar o edifício de ilusões" pela minoria que governa nas chamadas democracias formais.

A crise fundamental de hoje é, talvez, a do "déficit democrático", resumiu, esse fosso que existe entre os interesses das grandes maiorias e as políticas dos governantes.

Tradução de Rui Maio para o Esquerda.net. [http://www.esquerda.net/]
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:39

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MENSAGEM A UMA FILHA

19/06/09

Minha querida Nelma:

Recebi sua belíssima mensagem sobre a passagem do tempo em nossas existências. Ao experimentarmos tempo melhores - infância, juventude, adolescência e puberdade - não nos passam pela cabeça que um dia tudo isso acabará, como havia sido sempre e, quiçá, eternamente. Achamo-nos donos do mundo, das verdades, das conquistas amorosas, dos empregos melhores e de relacionamentos a outros grupos de pessoas uma maravilhosa experiência. E é! Uma experiência que deve ser vivenciada de maneira total por ser passageira e enganosa muitas vezes, mas rica em sentimentos que podem e devem ser divididos com os nossos amigos, namorados, esposos, companheiros sem esquecermos, contudo, que existem uns "atores" que chegaram ao máximo de seus papéis na comédia da Vida e que, por decidia ou por outra falta qualquer, se sentem relegados, esquecidos, muitos abandonados, e aos quais os mais novos não desejam quaisquer conselhos, orientação de vida, ralhos, críticas ou suas influências mais em seus comportamentos.
Na verdade, esses "atores e atrizes" têm muito a dar e nada pedir, a não ser uma parcela mínima de suas atenções, suas presenças vez por outra aos seus lados, um sorriso e umas palavras carinhosas, paciência e muito amor. Ficamos como o bagaço da cana que, espremida diversas vezes, não tem como dar mais o sumarento liquido doce como a Vida jovem.
Chegamos à fase do desconforto, dos achaques naturais, das dores nas juntas, das colunas torturantes, da falta de audição e da visão enfraquecida. Por nós, estaríamos sempre em forma. Mas outros males mais sérios nos assaltam tomando o nosso Tempo em visitas a consultórios médicos, clínicas, hospitais. É natural que lutemos por nos manter "espertos", bem humorados, capazes de serviços que, então, nos pesam como a uma cruz sobre os nossos ombros, cujos ossos já não têm as mesmas características dos jovens. Olhamos os espelhos e nos descobrimos velhos! E quem deseja, entre os jovens ou moços, a presença de "incapazes gagás", surdos, lentos, mal humorados, cansados? Vemo-nos forçados a tudo levar de vencida, estoicamente, quando não mais suportamos as tarefas comuns diárias que se nos deparam frontalmente. Só recolhemos impaciência aos mais jovens, intolerância e indiferença.
Mas a Vida tem uma estrada comum a todos os seres humanos, iguais situações, chegada ao mais alto cume da energia e seu desiderato com a chegada do "inverno" humano e, por fim, a consumação dos dias, o adeus e a partida solitária. Só escapam às cenas cansativas do teatro Vida os que partem cedo sem esperar, sem prever e sem prevenir.
Essa sua mensagem arrancou muitas lágrimas aos meus olhos, contudo ainda me sinto capaz de servir, de me doar e de entender a posição dos mais jovens ou dos que trilham estradas um pouco mais ásperas. Só e apenas desejamos, secretamente em nossa alma eterna, que vocês tenham atalhos diferenciados, ricos em oportunidades e longevos como as grandes catedrais ou os milenares carvalhos, dispensando os exageros. Obrigado. Que as suas vidas sejam abonadas por muitas bênçãos, por análises próprias à ajuda íntima, a se descartarem da dor, do sofrimento e das ansiedades tão comuns hoje em dia. Abraçamo-os e os beijamos muito, assim como Léia sente igualmente. Têm o nosso intenso amor.
papai

quinta-feira, 18 de junho de 2009

PERU, IRÃ, LULA, A MIDIA E A INVEJA

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O Peru está sendo sacudido por uma onda de violência e resistência que já vitimou um sem número de camponeses e alguns policiais, tendo sua gênese nos protestos pacíficos promovidos por grupos indígenas contra a implementação no seu habitat histórico do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o Peru e os Estados Unidos, que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério na região. Estamos falando da região amazônica do Peru, portanto muito próxima da fronteira com o Brasil. Mais, estamos também falando de um tratado visando privatizar a floresta amazônica e o presidente peruano Alan Garcia, num gesto típico de autoritarismo, procurou impor aos camponeses o acordo, sem consultá-los, ato totalmente ilegal, já que infringe o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo qual o Estado deve informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejam apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru inclusive ratificou o referido Convênio da OIT em 1993, mas Garcia, aliado incondicional de Washington, simplesmente ignorou o fato optando pela violência.

Enquanto tudo isso acontece no subcontinente sul-americano, a nossa mídia mazombeira tem se ocupado intensamente nos últimos, dentro do noticiário internacional, a repercutir o que a grande mídia estrangeira tem feito, ou seja, atacar as eleições iranianas. Não importa se para tanto não possuem nenhuma prova substancial de que realmente houve fraudes durante o pleito no país persa. Sobre o assunto recomendo o ótimo artigo de Daniel Lopes para o Amálgama [http://www.amalgama.blog.br/06/2009/a-reeleicao-de-ahmadinejad-e-a-hipocrisia-de-israel/#more-390]


E como o presidente Lula, numa entrevista rápida, explicitou isso, o fato de inexistirem provas de que as eleições iranianas foram manipuladas, a midiazona não perdeu tempo e, outra vez, descarregou sua metralhadora contra o presidente brasileiro. Chegou inclusive a dizer que a declaração de Lula sobre as eleições iranianas não faria qualquer diferença em qualquer parte do mundo.

Só que mais uma vez o castigo veio a cavalo. Enquanto desprezam o nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante, ele é tratado, naquilo que a nossa porca elite chama de primeiro-mundo, com o respeito que nenhum outro presidente brasileiro jamais teve.

Em viagem pela Europa – rumo à Rússia, onde participa em Ecaterimburgo da reunião de cúpula do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) –, Lula participou em Genebra da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Teve ainda encontro com sindicalistas e compareceu à 98ª Conferência Internacional do Trabalho. Na Suíça, o chefe-de-estado brasileiro teve a oportunidade de denunciar à recente campanha da direita européia contra imigrantes e foi aplaudido e ovacionado de pé, por membros da OIT e do Conselho de Direitos Humanos. Entre outras coisas disse: "Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país". Continuou, "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país." E ainda completou, "Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."

No mais Lula pôs novamente o dedo na ferida: "Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer"

Alguém se lembra quando FFHH num gesto de cafonice sem tamanho gastou seu francês discursando na Assembléia Nacional em Paris e a mídia oligopolizada se derreteu toda gritando em coro “esse é meu presidente”.

Quanto a Lula, o tratamento dado é o de sempre, esconder e boicotar a todo o custo o sucesso mundial e a liderança latino-americana do (repito) nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante.

E o pior é que isso não é novidade. Mês passado o nome de Lula foi confirmado para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008. O prêmio dado pela UNESCO e que homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO.

Ao anunciar a decisão, o integrante do júri do prêmio e ex-presidente de Portugal Mario Soares declarou: “Decidimos conceder o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias”.

Também houve pouca, ou quase nenhuma repercussão, a matéria do diário espanhol El País sobre o desejo de Barak Obama de que Lula assuma o Banco Mundial. Segundo o jornal madrileno representantes do presidente estadunidense teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria “honrado”.

Claro, presidir o Banco Mundial está muito longe de ser algo realmente importante, talvez seja até incoerente, para alguém cuja trajetória política de certo modo se confunde com a luta das esquerdas brasileiras desde fins da década de 1970. Entretanto o que direita tupiniquim não aceita é não ser um de próceres o preferido por Obama. Isso deixa nítido o quão incompetentes são e o pouco respeito que desfrutam entre sues pares ideológicos do hemisfério norte, ou pior ainda, o quanto atrasados estão em relação a seus congêneres nos EEUU e na Europa Ocidental.

Sinceramente, não sei ao certo o que move nossa mídia oligopolizada, que por sua vez é reflexo de nossa elite retrograda, se é apenas desprezo (Lula representa o “povinho”) ou inveja pura, por saberem que nunca chegaram aonde Lula chegou.

Fontes:

http://www.brasilia.unesco.org/noticias/ultimas/unesco-homenageia-lula-com-premio-pela-paz

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090615_lulagenebra_pu_ac.shtml

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/06/02/ult581u3276

quinta-feira, 11 de junho de 2009

TUCANOS MODUS OPERANDI

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Tucanus Modus Operandi
O jeitinho tucano de lidar com os movimentos sociais e com atores políticos antagônicos, nos assusta mais e mais a cada dia. José Serra, Yeda Crusius e Aécio Neves transformaram os estados onde governam em feudos, cuja lei e direitos humanos são balizados pelos interesses deles próprios.

Semana passada postei aqui uma excelente matéria do diário britânico The Economist sobre a falta de qualidade na educação pública brasileira e o pouco (ou nenhum) empenho de nossos governantes para reverter tal quadro catastrófico. (Especialmente em São Paulo, estado mais rico da federação e governado há 15 anos ininterruptos pelo PSDB, tempo mais que suficiente para colocar em prática projetos educacionais de longo prazo e que de fato visassem à melhoria do ensino público.)

Mas o tratamento que José Serra deu aos grevistas e alunos da USP, está há anos luz de ser apenas descaso com a educação, é atrocidade. Um governo estadual, em pleno estado democrático de direito, mandar a Tropa de Choque da PM invadir um campus universitário! E ainda dando aval para utilizar da truculência, que é própria da corporação, usando cães, lançando bombas de gás lacrimogêneo, atirando balas de borracha e espancando estudantes com porretes, transformando o Campus da maior universidade do Brasil em praça de guerra! Sinceramente, isso me pareceria impensável há bem pouco tempo atrás.

A atrocidade, ou infâmia, ou quem sabe, terrorismo de estado, cometida pelo chefe do executivo paulista, Sr. José Serra, pelo seu secretário de Educação, Sr. Paulo Renato de Souza, e o secretário de Segurança Pública, Sr. Antônio Ferreira Pinto, não pode passar imune aos olhos da sociedade e impune perante a Justiça.

No Rio Grande do Sul enquanto Yeda Crusius se afoga num mar de lama, os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados.

Há aproximadamente 1 ano a governadora determinou ao então recém empossado comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, que reprimisse duramente manifestações contra o governo estadual. E o coronel não demorou a colocar a orientação em prática. Na manhã de 11 de junho de 2008 pelo menos dezessete pessoas foram feridas e outras 17 detidas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.

A ação violenta da Brigada Militar começou quando integrantes da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Movimento Nacional da Luta pela Moradia, além de estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas e gases lacrimogêneo e pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano.

Em Minas Gerais, na base da virulência e brutalidade obviamente, entre meados e fim do mês de maio último, Aécinho deu ordens para que cerca de 150 famílias de sem-terras fossem expulsas do único acampamento do MST existente no Sul de Minas. O acampamento localizado no município de Campo do Meio, dentro do latifúndio da antiga Usina Adrianópolis, viu PMs e jagunços derrubarem todos os barracos, muitos cobertos com telhas e feitos à base de cimento e tijolos - sem deixar qualquer possibilidade de reutilização.

Durante a expulsão das famílias, animais de criação foram lançados na vastidão da área e as cercas de arames destruídas por um trator da Prefeitura de Campo do Meio, sendo este operacionalizado por funcionários (ou jagunços?) da ex-usina Adrianópolis. A barbárie imperou de tal modo ali, naquele recanto do Brasil, que os relatos que nos chegam faz doer o peito e refletir sobre a miserável condição humana.

Nessa região está em curso uma disputa por território. De um lado, latifundiários do café, o atual prefeito, testas de ferro da ex-Usina, grandes plantadores de sorgo e tomate. Do outro lado, sem-terras do MST lutando por reforma agrária, por agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Não há exagero algum em afirmar que estamos na iminência de um massacre de camponeses em Minas Gerais.

Por isso, e infelizmente muito mais, hoje compartilho com Regina Duarte daquele sentimento de medo mostrado pela atriz global durante a campanha presidencial de 2002. Só que meu medo reside na chance, ainda longínqua, do retorno ao poder dos tucanos. Pois parece que a violência e repressão a todos que não comungam de suas idéias tornou-se modus operandi desse grupo elitista e conservador.

ALÔ MINHA QUERIDA "NOQUINHA"

0/06/09

Alô minha querida Noquinha:

Você nos visitava pouco e nós pouco também a visitávamos, contudo esses vazios momentâneos não deslustraram o nosso AMOR.

Agora, querida, você vai estar mais ausente, todavia a teremos em nossos corações, e perdoada estará por sua ausência compulsória. Entendemos sua ausência, mas jamais a sua falta. Vi em seus olhos aquele brilho dos vivos; e você está VIVA, agora mais do que nunca! Obrigado por você ter vindo ao nosso convívio no dia 20 de janeiro de 1962, se não me engana, num domingo de muito sol.

Abraço-a profusamente prometendo num próximo encontro botar em dia todas as nossas palavras que não tivemos a oportunidade de trocar. Você viajou, mas eu não a espero; você é que deverá me esperar. Receba os muitos beijos que deixei de lhe dar, por somenos. Ainda somos pai e filha. Você viajando e eu pronto a seguir o mesmo caminho. Talvez eu demore um pouquinho. Paciência é coisa que eu não pedirei a você, que tem toda a eternidade para me aguardar.

Estou saudoso, mas isto é coisa que dá e passa. Passa como nós passamos: eu ao chão, mas você passarinha. Com muito amor. Beijos.

Papai.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A INVASÃO DA USP

Segunda-feira, 1 de Junho de 200

COMUNICADO URGENTE:

REITORIA DA USP E GOVERNO SERRA MANDAM POLÍCIA CONTRA A GREVE DE TRABALHADORES

Desde a madrugada de hoje, 01 de junho, nós, trabalhadores da USP, estamos sofrendo mais um ato de repressão inadmissível. A universidade amanheceu completamente sitiada pela polícia. Em cada unidade da universidade há pelo menos uma viatura, e em frente ao prédio da reitoria há uma concentração de dezenas de policiais. Os policiais estão com uma atitude provocativa frente aos trabalhadores, arrancando as faixas dos grevistas, buscando abertamente causar incidentes. Isso se dá justamente após a reitoria, apoiada pelo governo do estado, ter suspendido as negociações com os trabalhadores de maneira completamente arbitrária.

Nós, trabalhadores da USP estamos em greve desde o dia 5 de maio por aumento de salário, em defesa de 5 mil trabalhadores que tem seus postos de trabalho ameaçados, pelas demandas do hospital universitário, e outras pautas específicas, e pela reintegração de Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP demitido. A demissão de Claudionor Brandão é produto da perseguição política aos trabalhadores e ao sindicato, protagonizada pela reitoria e pelo governo Serra. Trata-se de uma política marcada pela prática anti-sindical e anti-democrática que abre um gravíssimo precedente para todos os trabalhadores brasileiros. Não podemos permitir que os trabalhadores da USP e sua legítima mobilização em defesa da democracia na universidade sofram esta coerção policial.

Chamamos todos os meios de comunicação, ativistas dos direitos humanos, sindicatos, organizações políticas, estudantes e integrantes dos movimentos sociais a se unirem a nós e impedirem esta ofensiva, que é parte da escandalosa criminalização dos movimentos sociais, prática que tem se generalizado pelo país. Chamamos todos a enviarem moções de repudio para a reitoria da USP, exigindo a retirada imediata dos efetivos policiais, e a se concentrarem na frente da reitoria, e cercar de solidariedade os trabalhadores da USP em greve há 27 dias.

Claudionor Brandão
Comando de Greve da USP
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:36

sexta-feira, 29 de maio de 2009

A DERROCADA DAS CIVILIZAÇÕES

Considerações rápidas


A História da Humanidade se acha eivada de exemplos nocivos de como não se deve comportar uma Nação livre ou conquistadora. Civilizações se seguiram a Civilizações, em períodos mais ou menos longos. Os egípcios foram uns povos que alcançaram o mais elevado grau de evolução na arquitetura, nas artes e em outros ramos como o da medicina. Já se fazia operações de catarata e de outros problemas visuais mercê a instrumentos sofisticados em seu período de prestígio no mundo antigo. Nem se negavam a abrir crânios para retirada de tumores malignos. Do papiro fizeram o seu papel para o uso da escrita criptografada (origem grega), transferida às tumbas e às grandes edificações de templos religiosos. O ouro era usado com muita propriedade, suas armas de guerras eficientes e sua cultura floresciam entre as castas mais elevadas do Império de Faraós. Adoravam deuses para cada situação econômica e social. Sujeitaram-se ao Império Romano dos Césares e se contaminaram no contato íntimo aos romanos. Como foi para esses últimos, os egípcios experimentaram a decadência de sua civilização. A depravação, seguida de corrupção, foi determinante para os seus fins.

Eis um dos fatores por que Roma se viu à deriva entre as nações ricas e poderosas de sua época. Depois a Grécia a seguiu no mesmo diapasão - civilização corrompida demais perde toda a sua estrutura moral, política e financeira. Desagregou-se todo o princípio que dá suporte a uma sociedade coesa, o que determina o fim dessa civilização. Não teve volta. Assim funcionam as sociedades putrefatas por situações anatematizadas pela História, e esta cobra aos homens e lhes condenam. A Natureza, hoje em dia, está reagindo às intempéries humanas - o desrespeito pela manutenção do mínimo de padrão natural com milhões de anos gerenciados em equilíbrio. Os homens - a Humanidade toda - contribuem sistematicamente para a derrocada geral e total. Não ficará pedra sobre pedra, e só restará à Humanidade beber a cicuta por ela própria elaborada nos cadinhos das indiferenças e dos desamores.

O homem parou de raciocinar; embebedou-se com as conquistas mais inimagináveis de seus feitos; atingiu o "trono" de Deus e o seu Templo, que é o Universo, e em seus adros sagrados largou seus lixos espaciais, seus sobejos técnicos, fazendo o pior a Terra em que vive. Sodoma e Gomorra foram os maiores exemplos da corrupção total e da prevaricação geral. A História se repete no Tempo e no Espaço. É isso meu amigo, acredite você ou não. Não podemos esquecer a Babilônia e as suas derrocadas – moral, artística e econômica – arrastando toda uma conjuntura de mentes doentes e sem mais rumos da Corte Imperial. Nabucodonosor, tão rico e poderoso, foi pastar de quatro pelos campos do Império Babilônico, como gado. Isto são fatos Históricos não fatos religiosos. As Eras estão lotadas de exemplos similares. Povos e mais povos foram varridos da face da Terra, sem que nada se soubesse deles a não ser vestígios de suas existências precárias e efêmeras.

Riqueza, Poder & Corrupção – os componentes de um “prato” indigesto. As atuais
Civilizações do mundo caminham a passos largos para o seu desidério, sem socorro. Ou se mudam as suas posturas éticas ou irão se juntar ao rosário de outros milhares delas.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

"NÃO REELEJA NINGUÉM"

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
“Não reeleja ninguém” é uma campanha burra e alienada
Pelo Professor Idelber Avelar no seu ótimo blog:

http://www.idelberavelar.com/


Acho que não uso a palavra “alienação” desde minha época de militância trotskista. Mas não há outro termo para definir essa irresponsável campanha disseminada na internet por Daniela Thomas e Marcelo Tas. É a alienação e o conformismo em sua típica versão Morumbi-Leblon: quero mudar tudo o que está aí, desde que eu não tenha que me dar ao trabalho de procurar informação ou tirar as pantufas. "Não reeleja ninguém" significa: Tire todos os 513 deputados de lá e coloque outros 513 que exercerão seus mandatos sem serem incomodados. Assim você poderá passar mais quatro anos vociferando indignação vazia e repetindo a cantilena de que todos os políticos são corruptos, enquanto fura mais uma filinha, sonega mais um imposto e joga mais uma embalagem de Doritos pela janela do seu Toyota Camry.

Fiz uma busca no Google. Há 6.650 ocorrências da sandice. A única coisa coerente que encontrei foi o texto de Marcelo Soares, Saiba por que a campanha “Não reeleja ninguém” é de uma burrice atroz. O resto é bateção de lata sem qualquer raciocício que vá além do quero acabar com todos esses políticos que estão aí.

Um jornalista esportivo adere à campanha. Logo depois, demonstra ter mais de dois neurônios lançando a pergunta: se não reelegermos ninguém, vamos eleger quem? Não consegue encontrar uma resposta para a pergunta que ele próprio formulou, mas mesmo assim mantém o selinho da campanha. É o retrato da pobreza política da nossa classe média.

Um profissional da área de Direito adere à campanha. Tampouco demonstra convicção, mas afirma que isso compensaria a decisão do STF que permitiu a candidatura de políticos com “ficha-suja”. O que se está chamando “ficha-suja” aqui não é a existência de sentenças condenatórias transitadas em julgado. É a existência de um processo em trâmite. Era só o que nos faltava: proibir a candidatura de quem está sendo processado. Se você quisesse eliminar a candidatura de alguém, bastaria inventar um motivo e processar o sujeito. Até que você perdesse o processo, a candidatura estaria impugnada. Como é possível que um profissional do Direito seja incapaz de fazer esse raciocínio?

Como afirmei no Twitter, a campanha “Não reeleja ninguém” é típica de quem não se lembra em quem votou. Minha Deputada Federal, Jô Moraes (PC do B), não está revolucionando a Câmara, mas está honrando seu mandato. Recebo semanalmente um informativo detalhado. Ela trabalha agora na emenda à Constituição 438/01, que expropria terras onde houver trabalho escravo. O escritório político de Jô em Belo Horizonte fica ali no Santo Agostinho, na Rua Araguari, 1685/05. Está em funcionamento permanente. Nunca deixo de ser atendido pela sua assessora de imprensa, Graça Gomes. Qual desses indignados sabe o que anda fazendo o seu Deputado? Qual desses indignados lembra-se sequer em quem votou?

Que tal, indignados, lançar a campanha "Não reeleja nenhum membro da bancada ruralista"? Que tal "Não reeleja donos de concessões de rádio e televisão"? Que tal, Daniela Thomas, uma campanha "Não reeleja membros da bancada evangélica", esse grupo em guerra permanente contra a saúde das mulheres? Ah, isso dá muito trabalho, né? Tem que pesquisar, ir atrás, essas coisas. É mais fácil vociferar contra tudo o que está aí.

A campanha “Não reeleja ninguém” ganhou bastante ímpeto com o colapso do gabeirismo. Despolitizado até a medula, o gabeirismo só tinha o discurso da “ética” -- entre aspas e em minúscula, claro, porque não há nada ali que tenha que muito que ver com esse ramo da Filosofia. Com a história das passagens aéreas, o que mais se encontra nas caixas de comentários do “Não reeleja ninguém” é gabeirista desiludido. Não lhes ocorre pensar que o problema não é Gabeira, nem Zé Dirceu, nem Delúbio, e sim um modelo de compreensão da política que a reduz completamente à cantilena moralizante.

Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza.

Comentário meu: Também votei na Jô Moraes, também sigo o seu trabalho na Câmara dos Deputados e até aqui não vi, ou soube de nada, que pudesse desaboná-la.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:29

sábado, 23 de maio de 2009

NARRADO POR MARIANO BEM

Excerto de “Longe é o Paraíso”


Embornal ta vazio e assim anda por dias. Não enxergo nada no horizonte, que é uma linha que dizem imaginárias. Será? Neste mundão de terras secas, esgotado pela falta de chuva, o que esperar? Nada dá se não se plantar, se não regar – aí precisa de água, a, pois – para o gênero alimentício aparecer. Não há que ter mágica. Mágica se vê nos circos. Mágica chinfrim e boba que só. To indo pro meu destino, que não sei donde será. Caminhos eu tenho todos na minha frente. Há um magote deles. Uns, acho cá comigo e com os meus botões, me levam pra modo da morte nas caatingas. Passei outro dia nos rumos da antiga vila de Canudos. Tava tudo por lá no chão rasteiro. Nunca que vi coisa igual antes, jamais! Tudo sapecado de negridão com carroças... Quero dizer: restos de carroças de pernas pro ar. Os ventos fortes batiam nas sobras de rodas e aquilo girava numa canção dolorosa. De noitinha, aquilo espantava as pessoas que se iam pra a igreja. Cabanas tostadas e planas como o chão seco e negro, com cheiro ainda de pólvora. Que grande desgraça se deu por ali! Sim. Posso garantir isso, pois que eu estive lá. Contei não?
Assim, e fuçando tudo num cantinho de terreno, achei um botão dourado jeitoso de conservado. Pelo jeito era de farda da soldadesca do governo republicano. De algum companheiro meu. Quem sabe de Chico Danado, que se finou no último dia de encarniçada luta? Contam por aí pelos sertões brabos que se finou foi gente. Contam, mas eu não careço de saber. Eu vi, com estes olhos já cansados, gente morta de todas as idades e tamanhos. Bichinho pequeno e graúdo foi tudo à terra rasa! Não tinha isso de guri – isto são coisas da gauchada – moleque quieto ou endiabrado; as balas passavam cantando e furando as cabeças pequenininhas. Elas morriam com as armas nas mãos bem seguras, provando que deram nos gatilhos até os seus finalmente.
Os dedinhos ali nos gatilhos sem mais precisão. Sim senhor, tu podes crer. Vou inventar pra quê? Um homem que nem eu se inventar histórias perde a confiança dos demais. Já se viu coisa pior que não ser acreditado por outros iguais? Menino, senhor meu, venha de lá o teu cumprimento e a minha confissão de que é tudo verdadeiro. E o negócio do coronel que estaquearam num pé de pau de umbu sem a sua devida cabeça? Hein? Não foi umbu não? Então, que foi? Angico? Que fosse! Que tal essa? Não me crês? Tu estavas lá? Ó chiste, e então? Ah... Lesses! E por que não? Só por ter saído de boca de Mariano Bem, esse cá seu excomungado? É? Contes tu ai uma verdade, pois. A gente racha as duas histórias e divide as crenças ao meio.
Tem nada não senhor. Pro modo de ser acreditado ando até sobre braseiro de São João. Nem precisa esperar a noite da festa do Santo dos fogos. Arme-se uma fogueira no terreiro e vamos lá! Pimba! Atravesso, que nem o Diabo de preto me pára. Quer testemunho? Procure seu Dadinho na birosca onde só se serve o bom do caldo de cana caiana. Ta aí coisinha boa! Docezinho da alma. Doçurinha pro corpo...
Vai daí provo eu que não tenho medo de nada não senhor.
Quem? Eu? Medo de assombração e vá lá o que seja? É de se me vendo correr, eu, desembestado por causo de fantasmas. Quero é me ver...

PETROBRAS - A OPOSIÇÃO SEM RUMO

Sábado, 23 de Maio de 2009

Leandro Fortes deu uma boa definição para a aventura que os demos, tucanos, liquidacionistas, e toda a sorte de entreguistas e privateiros estão fazendo ao promoverem uma CPI da Petrobras. “Uma cruzada ao fundo do poço”, segundo o jornalista da carta Capital.

Diria eu que, melhor ainda, trata-se duma epopéia. Ou talvez, autoflagelo, um tiro de bazuca dado no próprio pé – essa expressão é do Locatelli.

A oposição conseguiu aquilo que vínhamos pedindo desde 2003, ou seja, ver o povo nas ruas para defender os interesses e a soberania nacional. A direita conseguiu, quem diria, resgatar os movimentos sociais, sindicatos e organizações populares da letargia a qual se encontravam. Só tem um probleminha, para a direita obviamente, esses movimentos saíram às ruas no ímpeto de denunciar as manobras entreguistas e politiqueiras da própria direita.

Essa aventura está sendo também didática. Afinal uma sucessão de declarações e atitudes da direita, mostram perfeitamente o corolário desse grupo de políticos antipovo. Como por exemplo, a ameaça de obstruir as votações no plenário do Senado caso o povo continue a sair às ruas contra a CPI da Petrobras. Assim tornam publico, mais uma vez, o desprezo e ojeriza que sentem pelo povão.

Os grandes jornais da mídia oligopolizada, aliados incondicionais da direita, não perderam tempo e correram a publicar editorias defendendo a emocionante epopéia entreguista. O Otavinho Frias afirmou com todas as letras que, nenhuma empresa no Brasil, ainda mais uma estatal, pode estar imune a investigação de uma CPI. Concordo plenamente com ele. Inclusive lhe sugiro que nos próximos editoriais defenda uma CPI sobre a fusão entre Sadia e Perdigão, e enfim, possamos tomar conhecimento sobre quantos trabalhadores perderão o emprego e quais unidades serão fechadas. Ou então, sobre outra fusão, a do Itaú com o Unibanco, como serão as relações trabalhistas num setor onde já é notória a degradação da qualidade de trabalho, e, ainda, qual o impacto que essa fusão terá diretamente sobre os ditames das escorchantes taxas cobradas pelos bancos na Terra de Santa Cruz. O publisher da Folha poderia propor também uma CPI que investigasse a conduta do Grupo Folha durante a ditadura militar – ditadura a qual Otavinho prefere chamar de ditabranda –, como se deu inicio ao apoio logístico daquele grupo, cujas peruas eram cedidas para o transporte de presos políticos. A sociedade brasileira tem curiosidade em elucidar tal relação.

Hoje li na Folha Online mais uma das perolas da oposição farisaica. O senador Arthrur Virgílio afirmou ao rebater críticas da ministra Dilma Rousseff sobre a CPI instalada, que a Petrobras “está dominada por políticos derrotados”. Isso, na visão do nobre senador amazonense, é indigno e os ocupantes do primeiro escalão da estatal são incompetentes por natureza.

Acho que o senador Arthur Virgílio estava em Marte nos últimos 7 anos, ou então, pelo menos desde 2006, estava ocupado contanto a enormidade de votos que recebeu para o governo do Amazonas, 5%. Então só pra informá-lo.

A Petrobras valia, a preço de mercado, pouco mais de 50 bilhões de dólares em 2002, hoje vale cerca de 460 bilhões. Durante esse período não tivemos sequer um único acidente que lembrasse de longe o derramamento de óleo que ocorreu nas baías de Guanabara ou Paranaguá, e tampouco algo similar ao afundamento da P36. O barril do petróleo foi ao patamar histórico de US$145,00 na Bolsa de Nova York, no entanto, no mercado interno, o preço da gasolina, do óleo diesel e outros derivados, se manteve praticamente estável nesse período. Mais, a Petrobras se tornou a maior empresa da America Latina, descobriu uma das maiores reservas de petróleo do mundo na chamada camada do Pré-Sal. É sinônimo de tecnologia de ponta em extração de petróleo em alto-mar, e em 2006 o Brasil se tornou um dos poucos países do mundo – pelo menos do que eu vivo, não sei ao certo quanto ao senador Virgílio e seus colegas de oposição – auto-suficiente em petróleo. Além de tudo isso, a empresa estatal tem tido papel relevante como impulsionadora da economia nacional ao tocar projetos do porte de refinarias e gasodutos. É de suma importância salientar que seus acionistas, incluindo àqueles brasileiros que usaram o FGTS e compraram ações durante o governo FFHH, estão muito satisfeitos com o desempenho da empresa na bolsa de valores.

Agora, se é pra ter uma CPI da Petrobras, por que não começar investigando a dinheirama torrada pra trocar o nome da empresa para “Petrobrax”, os desastres ambientais causados pelos derramamentos da década de 1990, e o afundamento da P36?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 12:40

terça-feira, 19 de maio de 2009

RESPOSTA A UM BLOGUEIRO ANÔNIMO

19/05/09

Para Anônimo (por que o anonimato?)

Reafirmo a minha peroração anterior: graças a Deus, e ao meu bom juízo,não tenho simpatia por nem um desses amontoados de corruptos, que apelidam de PARTIDOS. Sou, repito, apartidário, queira ou não o senhor crer. Não perco o meu tempo nem minha cidadania votando em quadrilheiros que enchem a Câmara Federal e o
Senado;
Para o seu governo, declaro que o senhor cometeu uma leviandade sem perdão ao afirmar que o Divino, que fez o mundo em 6 dias, criou essa figuraça que leva o codnome Lula. Deus não fez o mundo em 6 dias, como propalado pelas religiões; e ainda que o tivesse feito, nesse curto período lendário, não teria um milionésimo de micro segundo para criar um elemento nefasto como Lula. Criações mais importantes teria ele em Sua Divina Mente a dar à Luz; Já nos basta a figura mitológica de Satanás. Por que mais um?
Com relação ao governo de FHC, foi dos piores, porém o atual presidente corre na mesma pista, e tenho certeza de que ele vencerá como o mais "palrador", o mais "viajado", o mais "capcioso", o mais "deslumbrado" e o mais "mentiroso! Essa desculpa de mazelas de 500 anos já não surte mais o efeito que lhe quer atribuir cidadão como Va.Sa. Investigado? Esse governo? Ele, matreiramente, não permite que as CPIs se formem! E qual é o papel do Poder Legislativo? É justamente o de investigar, desnudar atos corruptos, por às claras tudo de podre do Executivo. Agora, está aí a CPI da Petrobras. "Eles", aflitos, já se mexem para ficar com os mais importantes "cargos" da referida CPI. Por quê? Repito: Por quê? Qual é o MEDO que eles têm? Tá tudo limpo? Não há corrupção? Então que se deixe correr livremente para que toda a NAÇÃO saiba que são apenas "boatos" de detratores de última hora. Procure ler o artigo de Waldo Luiz Viana - antigo funcionário da Petrobrás que se desligou da multi para ter tempo de estudar economia na Faculdade Gama Filho, em Piedade, Rio. Ele nos dá uma excelente orientação sobre o estado de corrupção dentro da mega Empresa. Agora, para encerrar: não disse ser pau de arara. Disse, tão somente, que vivi no nordeste (Natal,RN,)e corri quase todas as cidades interioranas daquele estado, algumas da Paraiba, Alagoas e Pernambuco. Já morei desde o Rio Grande do Sul ao outro extremo - Rio Grande do Norte, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro (minha terra natal)Juiz de Fora,MG.
PS. Notei que Va.Sa. estava sem nenhum controle emocional, ao encerrar o seu comentário. "Fique assim não" (como dizem os nordestinos cabras machos de verdade), guarde sua revolta para quando esse governo for "deletado" do Poder.
Com todo o meu respeito.
Morani
19.5.09




























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AÉCIO VICE DE SERRA?

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Improvável
Ainda estou digerindo a informação, correta ou equivocada, sobre uma chapa puro sangue tucano.

Sinceramente acho pouco provável Aécinho entrar de vice. Aécinho tem uma eleição garantida pro Senado, e de lá, com Serra presidente, pode negociar seu apoio tendo em troca o antigo jeitinho brasileiro de usar o poder da caneta para empossar aliados no primeiro, segundo, terceiro, quarto... escalão. Poderá também pleitear a presidência da Casa ou algum ministério estratégico e de grande visibilidade. No entanto, caso aceite ser vice de Serra o apoio já é intrínseco, e a barganha tende a ser menor.

Aécinho deve levar em conta também outras coisas numa eventual presidência Serra. Qual a garantia de que Serra não disputará a reeleição? Um acordo entre ambos parece estar condicionado ao fim da reeleição, todavia, imagine o caro leitor a pressão que governadores e prefeitos farão contra o fim de tal instituto, e mesmo muitos parlamentares que vislumbram para si a oportunidade de se encastelar por 8 anos a frente do executivo. Outra coisa, caso o governo Serra naufrague e tenha uma avaliação negativa – coisa não muito improvável, pois sempre será comparado ao seu antecessor imediato, ou alguém imagina que mesmo com apoio da mídia oligopolizada Serra igualará os recordes de popularidade de Lula? – ele próprio (Aécinho) sendo seu vice, também pagará o ônus.

Agora, consumada a chapa pura sangue, fica espaço aberto para outras candidaturas. O DEMO passa por uma crise de identidade, na verdade escassez de votos, muito grande, e num cenário assim pode lançar César Maia, só pra marcar terreno, ajudar alguns candidatos ao governo estadual e ao Congresso e divulgar a sigla. Mas, bom mesmo para o PT seria ver um cenário pulverizado, com muitas candidaturas, uma mais a esquerda (PSOL). Uma mais a direita, qualquer nome do DEMO, ou então Paulo Maluf (PP) roubando votos do Serra em São Paulo e entre os mais conservadores. E outra de centro(?) com o PMDB lançando algum nome, quem sabe Hélio Costa pra tirar votos dos tucanos em Minas, ou Roberto Requião no Sul. Um desses dois também seria um bom vice – se for o Costa, haja pragmatismo, mas vá lá, dentro da atual conjuntura é melhor isso a entregar o Estado nas mãos dos privateiros.

O certo é que ainda está cedo, e como se diz aqui em Minas, muita água há de passar por debaixo da ponte.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 20:45

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A MÍDIA TUPINIQUIM E ÁLVARO URIBE

O Senado da Colômbia começará a discutir amanhã (14/05/2009), e talvez até coloque em votação, a mudança na Constituição a fim de permitir um terceiro mandato consecutivo a Álvaro Uribe. A mídia oligopolizada tupiniquim simplesmente se omitiu de tratar do assunto, gerando, assim, um nítido contraste com as recentes coberturas que tem feito sobre acontecimentos políticos na também vizinha Venezuela.

Ambas, Venezuela e Colômbia, são países fronteiriços com o Brasil. A Colômbia possuí a terceira maior população da América Latina, 44.379.598 habitantes. Já a população da Venezuela não passa de 27.934.783 habitantes (62% menor). A comparação entre o PIB colombiano, US$422.483 bilhões, com o venezuelano, US$223.430 bilhões (portanto 89% menor), e a renda per capita, na Colômbia, US$8.891 e na Venezuela, US$8.125 (9,42% menor), mostram um pouco das diferenças entre os dois países, e caso nossa mídia fosse realmente isenta e imparcial como tanto propagandeia, em qual dos dois deveria estar mais atenta.

Não bastassem todos esses números, há ainda outros nuances difíceis de passar despercebidos.

A personagem atendida diretamente pela provável mudança constitucional, o atual presidente Álvaro Uribe Vélez, é desde os tempos do Cowboy Bush um dos principais aliados da política de controle de drogas dos EEUU, e com certeza o maior aliado da Casa Branca na América do Sul. Todavia, antes de galgar tal posto, teve na década de 1980 seu nome incluído em uma lista negra da CIA por envolvimento com os cartéis de drogas. Outra notícia, nada auspiciosa para as instituições colombianas, trata do fato de muitos congressistas, funcionários do alto escalão e nomes da confiança do presidente da República, estarem buscando refúgio em outros países, fugindo dessa forma da justiça de seu país que lhes julga, ou, em muitos casos, os condenou por ligações com narcotráfico e grupos paramilitares de direita – esquadrões da morte como são conhecidos cá no Brasil. E, ao que tudo indica, o próprio Uribe possuí fortes laços com esses segmentos nada legais ou democráticos.

Também é bom lembrar que o Congresso estadunidense ainda não aprovou o TLC, acordo de livre comércio entre EEUU e Colômbia, porque, segundo os congressistas norte-americanos,o nível de violência contra integrantes de sindicatos na Colômbia tem aumentado a cada ano, e não se vê disposição do atual governo em reverter tal quadro. Aliás, a Colômbia detêm o recorde mundial de perseguição e assassinato à trabalhadores organizados.

Como fiquei sabendo sobre a tramitação do projeto de re-reeleição na Colômbia através da revista Fórum, tapei o nariz e fui dar uma vasculhada nos principais sites de notícias da mídia oligoplizada. Resultado, Globo, Folha, Estadão, Veja, Ricardo Barriga Noblat, Reinaldo Boca-de-Esgoto Azevedo, nenhum deles tocou no assunto, ainda que fosse superficialmente. Nada, nadica de nada (isto hoje à tarde).

Acho que é até desnecessário fazer qualquer comparação a forma como tratam Hugo Chávez – coronel, ditador, tirano... – com a complacência que têm por Uribe. Se isso não mostrar engajamento ideológico, então que raio é?

A matéria que segue foi pescada do site da Revista Fórum

[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=6960]

Senado colombiano votará lei que permite reeleição de Álvaro Uribe


O projeto de lei que poderá permitir a segunda reeleição do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, será discutido em plenária pelo Senado amanhã, 14, com grandes chances de ser aprovado rapidamente.

Caso a medida seja ratificada, as autoridades deverão convocar um referendo sobre o tema. Como o Senado é amplamente dominado por setores alinhados ao presidente, espera-se que o aval seja dado em pouco tempo, talvez amanhã mesmo.

O debate sobre um possível terceiro mandato de Uribe, que chegou ao governo em 2002, teve início no ano passado, quando grupos simpáticos a ele começaram a recolher assinaturas para impulsionar uma nova mudança na Constituição. De lá para cá, mais de cinco milhões de firmas foram reunidas.

Para que pudesse concorrer ao segundo mandato, Uribe já fora beneficiado, em 2004, por uma outra emenda constitucional.

Desta vez, com as assinaturas em mãos, os promotores da campanha pela nova reeleição levaram, no dia 11 de setembro de 2008, um projeto de lei ao Legislativo. Em dezembro, o dispositivo foi aprovado pela Câmara dos Deputados, onde também a maioria é governista.

Após retornar do período de recessão, em 16 de março, o Congresso voltou a discutir o assunto, que agora chega ao Senado. Depois, bastará uma reunião final entre as duas casas parlamentares e o último aval da Corte Constitucional.

Sempre quando é questionado sobre a possibilidade de permanecer no poder, Uribe adota um tom evasivo. Diz que o mais importante é insistir no processo de pacificação do país iniciado por seu governo.

A oposição, porém, chama a atenção para as denúncias de violações dos direitos humanos, que teriam se intensificado durante os anos da gestão Uribe, quando as Forças Armadas ampliaram suas ações para combater grupos armados e narcotraficantes, muitas vezes afetando a população civil.

Cientes de que o projeto de lei deve passar com facilidade pelo Senado, os setores críticos ao governo já preparam uma campanha para um eventual referendo. A ideia é esvaziar a votação.

De acordo com uma pesquisa da consultoria Invamer Gallup divulgada no dia 8 de maio, 59% dos consultados disseram estar dispostos a participar do referendo e, desta porcentagem, 84% votarão a favor de Uribe.

O presidente possui um alto índice de popularidade, que beira os 70%, número expressivo para um governante que chega ao fim do segundo mandato.

Para participar das eleições, marcadas para maio de 2010, os partidos devem apresentar com até seis meses de antecedência seus candidatos.

Isto quer dizer que, caso Uribe pretenda mesmo concorrer, é preciso que a emenda constitucional seja sancionada até o fim do ano.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:25 4 comentários
Domingo, 10 de Maio de 2009
Por Uma Verdadeira Reforma Política – Parte I
Temo que por detrás da onda de denuncismo que acomete o Congresso Nacional – trazendo umas denúncias justas, outras nem tanto – esteja à tentativa nada disfarçada de desmoralizar a atividade política dando

RIO POTENGI - NATAL - 1825 DIAS

RIO POTENGI – NATAL – 1825 DIAS

"O rio corre indiferente ao que se passa às suas margens. Ele é como o espelho onde nos miramos e descobrimos todas as nossas imperfeições"





O Rio é largo e caudaloso.Tranqüila são as suas águas, algumas vezes; outras vezes, bravias. Banha a cidade de Natal desde o Forte dos Reis Magos e de passagem abandona a Redinha – praia local – e o cais do porto, antigo como o Tempo. Passa pela Ribeira e vai além do Alecrim, se perdendo nem sei aonde. A mim, ele morria logo após o Arsenal da Marinha de Guerra, pois de lá jamais ultrapassei todos os limites que se nos abriam. Peixes? Abundava, ali, a vida píscea, mas era do mar alto que os pescadores os traziam. Era uma doçura ver os barcos com as velas enfunadas pelos ventos singrando as águas escuras do Potengi. Que força a dos ventos! Mas era com carinho que eles conduziam os empanturrados barcos de tantos peixes.
À margem esquerda, a quem vem da boca da barra ao interior de seu caminho, ficam as casas humildes com as suas varandas de madeira, como trapiches, debruçadas sobre as águas que as vão lamber carinhosamente. Amontoam-se casas de pescadores, de operários ferroviários e de desempregados. Quase todas com cortinados de plástico, em janelas que lembram seteiras. Singelos, no entanto, são os vasinhos esmaltados com plantas sobre os peitoris dessas janelas escancaradas aos ventos salobros. Redes em balanços rangentes, nos alpendres sinuosos, fazem sonhar crianças e adultos.
Na outra margem o manguezal com as suas raízes, quais esqueletos, por sobre as águas e lamas podres como se tivessem nojo ao local onde vivem. Bandos de aves de rapina sobrevoam por sobre as copas, à cata de restos de peixes e de crustáceos.
À outra margem, onde nos colocávamos, Seu Aristão mantinha a sua oficina de fabricar barcos de pequeno calado. Nós vínhamos quais exércitos de adolescentes, também em bandos, à direção às margens do Potengi para mergulhar de cima dos batelões apodrecidos – aqueles esqueletos de madeira que outrora singravam o mesmo rio e que então dormitavam á luz soalheira. Dava-me pena vê-los ali sem mais uso e esquecidos propositalmente pelos velhos pescadores sem meios de os consertarem. Cada qual tinha uma história, o seu roteiro sentimental ou lembranças das batalhas em alto mar - suas comédias ou suas tragédias. Pelos trilhos da antiga estrada de ferro, já não “singravam” os comboios. O capim alto tomava conta de tudo. Aquilo fazia parte do patrimônio pessoal do Seu Aristão que nos avisava: “Não pulem ao rio. Hoje temos cações ao largo!” E obedecíamos. Encarrapitados aos galhos das mangueiras, demorávamos chupando as frutas doces como um beijo. Velho Rio Potengi... Em suas águas os valentes índios potiguares navegavam em suas canoas, para pescas ou para as batalhas contra os invasores. Você nos serviu nos nossos dias de vagabundagens escolares até que o Sol se escondesse por detrás das dunas. Que belas tardes aquelas! Que lembranças dormem nos esconsos de nossas almas aflitas... Rio Potengi... Sua voz estará perto a mim, exercendo sua atração sem resposta. Morrerei eu, mas você continuará para todo do sempre.

terça-feira, 12 de maio de 2009

PARTE I - POR UMA VERDADEIRA REFORMA POLÍTICA

Domingo, 10 de Maio de 2009

Temo que por detrás da onda de denuncismo que acomete o Congresso Nacional – trazendo umas denúncias justas, outras nem tanto – esteja à tentativa nada disfarçada de desmoralizar a atividade política dando margem a idéias como a redução do número de parlamentares, insinuando a inutilidade das agremiações consideradas pequenas, minando qualquer discussão sobre financiamento público, e desqualificando a participação de movimentos sociais, ONGs e organizações populares no processo eleitoral – muito embora esses atores sociais não possam disputar diretamente eleições, sempre se posicionaram a favor ou contra determinados partidos, candidatos ou projetos, propondo e auxiliando de forma democrática inúmeros deputados e governos.

O papel da mídia tem sido o de trabalhar incessantemente através de seus “analistas” a fim de encontrar soluções fáceis e práticas para tirar o Congresso Nacional do lodaçal em que se encontra. Mais, para os “formadores de opinião” da midiazona o Congresso Nacional se constitui em obstáculo para avanços de que o Brasil necessita. Para dar razão as suas pretensões – da midiazona, porta voz dos interesses burgueses – num primeiro momento cria-se uma sensação de unanimidade, na qual a sociedade não aceita mais ser representada pelo atual parlamento, porque esse contem vícios irrecuperáveis. Num segundo momento a estratégia é justamente disseminar tal visão pela opinião pública, fazendo a nação crer que é preferível o modelo vendido pelos “formadores de opinião”.

Nessa nova investida da midiazona sobre o Congresso, não há debate real sobre transparência ou mudança do status-quo vigente, há apenas a tentativa torpe de desqualificar o mandato parlamentar por si só. Obviamente há inúmeros equívocos, irregularidades, atitudes pouco, ou nada, éticas, e imorais sendo cometidas por muitos de nossos parlamentares, contudo, a pretexto de denunciar e investigar tais vícios, o que a mídia oligoploizada deseja é diminuir o grau de representatividade do nosso parlamento, extirpando dele aqueles que não se colocam a soldo do capital. Ao defender a redução do número de deputados e o financiamento privado (puro) tornam-se despudoradamente adeptos do elitismo e da segregação social.


Um das soluções que têm sido levantadas para resgatar a imagem do Congresso e dar-lhe mais agilidade – segundo alguns formadores de opinião empregados na midiazona – é a redução pela metade do número de deputados federais – me parece que há um projeto nesse sentido transitando pela Câmara. Ora, me pergunto, por que afinal de contas reduzir pela metade? Por que não reduzir os atuais 514 deputados para apenas 100, 50 ou então meia dúzia? De onde surgiu o fantástico número de 257deputados? Quem nos garantirá que com essa redução os males brasileiros serão erradicados?

De fato, o que ocorre, é que o grau de representatividade no Brasil já é bastante acanhado se comparado ao de outras democracias liberais.

Em termos de grau de representatividade, ou seja, a proporção entre número de habitantes e o número de cadeiras no parlamento nacional, o Brasil conta hoje com 1 representante para cada grupo de 368.896,52 habitantes. Na Suécia essa proporção é de 1 para 26.312,11, na Finlândia 1 para 26.457,58, na Áustria 1 para 44.812,19.

Alguém poderá dizer que esses são Estados-Nação com população muito pequena, e, portanto, a proporção tende a ser melhor que a nossa. Então darei outros exemplos. Na vizinha Argentina essa proporção é de 1 para 154.652,19; lá são257 deputados para uma população de 39.745.613 habitantes.Na Itália, que conta com uma população de 58.863.156 habitantes, são 619 cadeiras no parlamento e a proporção é de 1 para 95.093,95. Já a Alemanha, a maior população da Europa Ocidental, 83.438.000 habitantes, a proporção é de 1 para 124.163,69, com 672 cadeiras no atual Reichstag.

E por que afinal de contas é importante termos um parlamento com um número maior de cadeiras do que as atuais 514? Ora, porque, é exatamente através de um grau de representatividade mais justo que se garantirá a pluralidade, o choque dos contraditórios, um melhor reflexo da sociedade representada, além de resguardar o próprio parlamento de pressões corporativistas e de interesses específicos de grandes grupos econômicos. Ademais, num país de dimensões continentais, com uma população na casa dos 190 milhões de habitantes, com enormes diferenças culturais ao longo do seu território, além de nossa reconhecida desigualdade social ¬– tanto entre classes, quanto entre as diversas regiões – o grau de representatividade em nosso parlamento é insatisfatório.

Outrem poderá contestar minhas afirmações contra-argumentando que nos EEUU a proporção entre representante e habitantes é de 1 para 704.078,16. E que, trata-se os EEU, também, de um país de dimensão continental e com uma população de 306.274.000 (quase 60% maior que a brasileira), conquanto a House of Representatives tem apenas 435 cadeiras (cerca de 18,5% menor que Câmara dos Deputados do Brasil).

Para esse outrem, é preciso salientar que nos EEUU, tanto estados membros da União, quanto suas divisões administrativas (condados, municípios, cities, town...) tem certo grau de autonomia, bem diferente da realidade brasileira. A Constituição norte-americana dá a cada estado autonomia para legislar em questões determinadas como a tipificação de infrações, delitos, contravenções, crimes e legislação eleitoral. Ou quanto ao aborto, descriminalização de drogas, união civil estável entre pares do mesmo sexo. Cada estado é livre para legislar sobre o sistema educacional, previdenciário ou sobre transportes. Cada estado possuí sua própria justiça e sua própria Suprema Corte. E ainda, é impossível desconsiderar as tradicionais consultas populares (plebiscitos, referendos, recall, etc) sobre temas locais, onde a população tem o poder de definir políticas públicas e alterações no código penal ou na Constituição estadual.

Por isso tudo, inclusive, faz certo sentido o sistema de voto distrital adotado naquele país e a eleição via colégio eleitoral do presidente da República, assim como a baixa representatividade nacional na Casa dos Representantes (House of Representatives).

Dessa forma, deveríamos analisar a proporção entre representantes e representados dentro dos estados, nas respectivas casas legislativas. Em New Hampshire, por exemplo, temos uma população não superior a 1.316.000, enquanto o seu parlamento possuí 400 cadeiras. A proporção ali é de 1 para 3.289,52.

Em outros estados a proporção fica assim:

Califórnia, 80 representantes para 36.756.666 habitantes ; ou 1 representante para cada grupo de 459.458,32 habitantes

Texas, 150 representantes para 24.326.974 habitantes ou 1 representante para cada grupo de 162.179,82 habitantes

Pensilvânia, 203 representantes para 12.448.279 habitantes ou 1 representante para cada grupo de 61.321,71 habitantes

Flórida, 120 representantes para 18.328.340 habitantes ou 1 representante para cada grupo de 152.736,16 habitantes

Ohio, 99 representantes para 11.485.910 habitantes ou 1 para cada grupo de 116.019,99 habitantes

Massachussets, 160 representantes para 6.497.967 habitantes ou 1 para cada grupo de 40.612,29 habitantes.

Não tenho a pretensão de ditar aos meus patrícios o número apropriado de representantes que um país com as singularidades brasileiras deveria ter. Todavia, penso que uma Câmara dos Deputados com cerca de 750 deputados, cuja proporção seria em torno de 252.817, estaria próximo do razoável. Mesmo assim esse grau ainda estaria abaixo de qualquer outro país supracitado, a exceção, claro, dos EEUU.

Já quanto ao Senado Federal brasileiro, esse sim, deveria ter sua necessidade discutida seriamente. O Senado Federal, antro de conspurcação do conservadorismo nacional e representante-mor das oligarquias brasileiras, tem na sua gênese o intuito de barrar os movimentos mais bruscos da sociedade civil organizada. Nele está presente todos os genes do reacionarismo e elitismo. Faz-se importante salientar que no Brasil nunca houve de fato uma tradição federalista e que o Senado existente durante o Império não passava de peça alegórica onde desfilavam a fidalguia e a nobreza de então, pois constitucionalmente, o Brasil Império tratava-se dum estado “uno”.

É com o advento da República e de um federalismo imposto a fim de conciliar (acomodar) as oligarquias regionais que surgiu a idéia do senado representando os entes federados. No mais, no caso brasileiro, há uma nítida sobreposição de funções entre Senado e Câmara dos Deputados, enquanto, há também, uma centralização cada vez maior em termos de legislação, arrecadação e políticas públicas pela União. Numa conjuntura assim, fica difícil defender a necessidade-validade duma Câmara Alta.

No parte II de Por uma verdadeira reforma política discutiremos o financiamento público (puro) de campanha, o voto em lista e outras idéias
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas à

sexta-feira, 8 de maio de 2009

M Ã E

M Ã E


Apenas três letras que unidas nos dão toda a sensação de segurança, de amor incondicional, de paciência e de destemor.
Essa palavra pequena, todavia grande em seu significado, reverbera lá no fundo do meu ser como uma passagem que se suavizou por si mesma, sem estardalhaço, sem agonias, sem saudades doloridas, mas servindo, ainda, de coluna mestra de uma construção em que os tijolos nada mais foram que pequenas palavras dulcíssimas caídas dos lábios de uma pequena criatura, todavia gigante nos cuidados aos filhos, por mais insignificantes fossem os machucados.
Uma brincadeira, uma queda, um joelho ralado, eram bastante para pô-la em movimento rápido e lágrimas aos olhos. Pensava-os com gestos tão delicados que mal sentíamos qualquer agonia ao toque do chumaço de algodão embebido de iodo. Em seguida os cobria de gaze e esparadrapo. Estávamos salvos! Mas conselhos não nos faltavam:
–Mais cuidado, da próxima vez.
E lá se ia aos cuidados de cerzir meias usando uma ferramenta que existia à época – um ovo de madeira que introduzia aos pés das meias, para conserto. E a agulha trabalhava igual a essas dos teares cerzindo tão bem quanto àquelas fabricavam os tecidos. Eram seus dedos mágicos e pacientes transformando os gastos em novos.
Chegando do colégio, era a primeira pessoa que buscávamos sem mais delongas.
Os lanches nos caíam à frente, como num passe de mágica.
–Antes, querido, lave as suas mãos. Jamais coma, tendo-as sujas.
Quanta atenção, quantos detalhes nos cuidados, quanta argúcia na observação.
E eu pensava um dia tê-la aos braços como se fosse uma criança, de novo, então a precisar de minhas atenções e de meus cuidados, sem ralhos. As cãs, recamadas de borralhos de neve, seriam os primeiros sinais de advertência para que eu desenvolvesse, em futuro próximo, o sentimento materno sobrepujando o machismo do eu adulto.
Ledo engano. Conquanto seus cabelos estivessem prateados, não ficaram brancos. Minha mãe não virou criança e eu não era ainda adulto. Era um sábado de carnaval do Rio. Tempo copioso de chuvinha miúda e fria. Alertaram-nos: “Eis mamãe que chega!” Da casa vizinha corri à varanda da nossa para recebê-la. Mas, quieta e muda, ela não podia nos abraçar nem nós a ela. Guardava-a um porta-jóias ao seu tamanho. E lá se foi ela, debaixo de chuva forte, dormindo, qual princesa das histórias, aconchegada ao seio da Terra-mãe. E o adulto morreu ali, ainda criança.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

O DISCURSO DE MAHMOU AHMADINEJAD

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009
O Discurso de Mahmoud Ahmadinejad
O amigo Nizar El Khatib, companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas, me enviou por email o tão famoso discurso do presidente Mahmoud Ahmadinejad durante a conferência antirracismo da ONU (Durban II) em Genebra. Ao ler o discurso fica nítido a hipocrisia da direita mundial, da mídia oligopolizada e daqueles que recebem soldo do lobby sionista.

Ahmadinejad cancelou na última segunda-feira uma visita que faria ao Brasil e a outros países da América Latina após protestos realizados contra sua vinda ao Brasil. É claro que todo e qualquer segmento da sociedade tem o direito de se manifestar publicamente contra ou a favor de uma causa, ideologia ou interesse. O problema nesse caso específico é o discurso deliberadamente equivocado que alguns grupos organizados teimam em fazer ao acusar o presidente iraniano de fascista, ao passo que se omitem diante dos crimes de guerra perpetrados por Israel na Faixa de Gaza, pra não dizer em todo o Oriente Médio.

Se há um estado hoje que conjuga belicismo e terrorismo, além de ser fonte de desestabilização naquela região do planeta, esse estado é Israel, fruto direto de ações terroristas.

No mais, afirmar que o sionismo é sinônimo de racismo, não é inventar, distorcer, sofismar ou simplesmente mentir. É ter coragem de dizer a verdade com todas as letras.

Obrigado Nizar por compartilhar conosco um discurso tão belo e humanista.

Discurso do Presidente Ahmadinejad na Conferência Antirracinsmo – Durban II

Tradução: Caia Fittipaldi

Ilustre presidente da Conferência, ilustre secretário-geral da ONU, ilustre Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos. Senhoras e senhores.

Estamos reunidos para dar prosseguimento à Conferência de Durban contra o racismo e a discriminaçao racial, para definir mecanismos que permitam pôr em ação nossas campanhas humanitárias e religiosas.

Ao longo dos últimos séculos, a humanidade tem passado por grandes sofrimentos e dores terríveis. Na Idade Média, condenavam-se à morte pensadores e cientistas. Depois se seguiu um período em que se praticaram a escravidão e o comércio de seres humanos. Inocentes eram capturados aos milhões, separados de suas famílias e entes queridos, para serem levados à Europa e à América, sob as piores condições. Período de trevas, em que a humanidade também conheceu a ocupação, a pilhagem e os massacres de inocentes.

Muitos anos passaram-se antes de que as nações erguessem-se e lutassem pela liberdade, pela qual sempre pagaram preço muito alto. Perderam-se milhões de vida na luta para expulsar os ocupantes e estabelecer governos nacionais independentes. Mas não demorou para que saqueadores do poder político impusessem duas guerras à Europa, que também varreram como praga parte da Ásia e África. Essas guerras terríveis custaram a vida de 100 milhões de pessoas e provocaram devastação massiva em todo o mundo. Se a humanidade tivesse aprendido o que havia a aprender daquelas ocupações, dos horrores e crimes daquelas guerras, já haveria um raio de esperança para o futuro.

Os poderes então vitoriosos autodesignaram-se conquistadores do mundo, ignorando ou subvalorizando direitos de outras nações e impondo leis de opressão e de arranjos internacionais.

Senhoras e senhores, consideremos por um momento o Conselho de Segurança da ONU, que é uma das heranças deixadas pelas duas guerras mundiais.

Que lógica há em o Conselho de Segurança assegurar apenas a alguns o direito de veto? Como essa lógica se harmonizaria com valores humanitários ou espirituais? Não seria lógica sempre discrepante dos princípios de justiça, de igualdade de todos ante a lei, do amor e da dignidade humana? O direito de veto não lhes parece sempre discriminatório e injusto, não implica sempre violação de direitos humanos e humilhação da maioria das nações e países?

O Conselho é o mais alto corpo político de decisões do planeta, para salvaguardar a paz e a segurança mundiais. Mas como se pode esperar que realize a justiça e a paz, se a discriminação está ali convertida em lei e a própria a lei é constituída mediante coerção e arbítrio, não pela justiça e respeito aos direitos de todos?

A coerção e a arrogância estão na origem da opressão e das guerras. Embora hoje muitos racistas condenem em seus discursos e slogans a discriminação racial, alguns países muito poderosos tem sido autorizados a decidir sobre suas políticas, baseados apenas em seus interesses e no próprio juízo. Assim têm podido facilmente violar todas as leis e todos os valores humanitários.

Logo depois da II Guerra Mundial, alguns daqueles países recorreram à agressão militar para arrancar de suas casas toda a população de uma nação inteira, sob o pretexto de que os judeus sofriam horrivelmente; aquelas nações enviaram migrantes refugiados para toda a Europa, para os EUA e para outras partes do mundo, e estabeleceram um governo totalmente racista na Palestina ocupada [2]. De fato, em compensação pelas terríveis consequências do racismo na Europa, ajudaram a implantar no poder, na Palestina, o mais cruel e repressivo regime racista.

O Conselho de Segurança ajudou a estabilizar o regime ocupante e apoiou-o durante os últimos 60 anos, dando-lhe pleno direito de cometer todos os tipos de atrocidades. É lamentável sob todos os aspectos, que alguns governos ocidentais e o governo dos EUA tenham-se comprometido na defesa desses racistas genocidas, enquanto a consciência dos homens e mulheres livres em todo o mundo condenavam a agressão, as brutalidades e o bombardeio contra civis em Gaza, Palestina. Os apoiadores de Israel têm defendido esses crimes e têm silenciado contra esses crimes.

Amigos, ilustres delegados, senhoras e senhores. Onde estão as causas radicais dos ataques dos EUA contra o Iraque ou da invasão do Afeganistão?

Não é outro o motivo que levou à invasão do Iraque, se não a arrogância do então governo dos EUA e a pressão crescente dos mais ricos e poderosos que visam sempre a expandir sua esfera de influência. Aí estão os interesses da poderosa indústria de armamento, destruindo uma cultura de mil anos, nobre em todos os sentidos, de longuíssima história. Tentam eliminar a potência e a ameaça direta que os países muçulmanos impõem hoje ao regime sionista, ao mesmo tempo em que defendem o regime sionista e querem assenhorear-se das fontes de energia do povo iraquiano?

Por quê, afinal, quase um milhão de seres humanos foram mortos ou feridos e mais outros milhões foram convertidos em exilados e refugiados? Por que, agora, o povo iraquiano sofre perdas que já alcançam as centenas de bilhões de dólares? E por que o povo dos EUA teve de ver consumirem-se bilhões de seus dólares, como custo dessas ações militares? A ação militar contra o Iraque não terá sido planejada pelos sionistas e seus aliados no governo dos EUA, cúmplices todos dos países fabricantes de armas e dos senhores da riqueza do mundo? A invasão do Afeganistão terá, por acaso, restaurado a paz, a segurança e o bem-estar econômico naquele país?

Os EUA e seus aliados fracassaram na missão de conter a produção de drogas no Afeganistão. O cultivo de narcóticos multiplicou-se, depois da invasão. A pergunta necessária é "quem responderá pelo que fizeram o então governo nos EUA e seus aliados, naquela parte do mundo?"

Representavam ali os países do mundo? Receberam de alguém algum mandato? Foram autorizados pelos povos do mundo a interferir em todos os lugares do globo – e sempre mais frequentemente na nossa região? Não são a invasão e a ocupação exemplos claros de autocentrismo, racismo, discriminação e violência contra a dignidade e a independência de tantas nações?

Senhoras e senhores, quem é responsável pela crise econômica pela qual passa o mundo? Onde começou a crise? Na África? Na Ásia? Ou começou nos EUA, contaminando em seguida toda a Europa e os aliados dos EUA?

Por longo tempo, usaram seu poder político para impor regulações econômicas desiguais na economia internacional. Impuseram um sistema financeiro e monetário sem adequado mecanismo de supervisão internacional sobre nações e governos que nada podiam, no sentido de conter tendências ou políticas. Sequer permitiram que outros povos supervisionassem ou monitorassem suas próprias políticas financeiras. Introduziram leis e regulações que agrediam todos os valores morais, exclusivamente para proteger interesses dos senhores da riqueza e do poder.

Mais ainda, apresentaram uma definição de economia de mercado e competição que nega muitas das oportunidades econômicas que poderiam ser acessíveis para outros países do mundo. Também transferiram seus problemas a outros, enquanto ondas de crises repercutiam sobre a própria economia, gerando milhares de bilhões de déficit no orçamento. E hoje, estão injetando centenas de bilhões de dólares tirados de seu próprio povo e de outras nações, para ajudar bancos, companhias e instituições financeiras falidas, o que torna a situação cada vez mais complicada para sua própria economia e para seu próprio povo. Estão pensando simplesmente em manter o poder e a riqueza. Não dão nenhuma atenção aos povos do mundo, sequer ao próprio povo.

Senhor presidente, senhoras e senhores.

O racismo nasce da falta de conhecimento sobre as raízes da existência do homem como criaturas escolhidas por Deus. Também é produto de desvio do verdadeiro caminho da vida humana e das obrigações da humanidade na criação do mundo, que leva a falhar nos deveres de conscientemente servir a Deus; nasce tambem de não saber pensar sobre a filosofia da vida ou o caminho da perfeição que são os principais ingredientes dos valores divinos e humanitários. Assim, essas ignorâncias restringiram o horizonte do olhar humano, tornando-o superficial, e tomando, como instrumento de sua ação, só os interesses mais limitados. É por isso que o poder do mal ganhou forma e expandiu seu domínio, ao mesmo tempo em que privou outros de todas as oportunidades justas e igualitárias de desenvolvimento.

O resultado foi o surgimento de um racismo sem limites que é hoje a mais grave ameaça que pesa sobre a paz internacional e tem comprometido todos os esforços para construir a coexistência pacífica em todo o mundo. Sem dúvida, o racismo é o principal símbolo da ignorância; tem raízes históricas e, de fato, é signo de que o desenvolvimento de uma sociedade humana foi frustrado.

É, portanto, crucialmente importante denunciar as manifestações de racismo em todas as ocasiões e em todas as sociedades nas quais prevaleçam a ignorância e pouca sabedoria. A consciência e a compreensão geral da filosofia da existência humana é o principal objetivo e princípio da luta contra manifestações de racismo. E revela a verdade: os seres humanos são o centro da criação do universo. A chave para resolver o problema do racismo é o retorno aos valores espirituais e morais e, afinal, implica voltar a servir a Deus Todo-Poderoso.

A comunidade internacional têm de iniciar movimentos que visem a ampliar a consciência coletiva, sobretudo nas sociedades em que o racismo e a ignorância prevaleçam; só assim pôr-se-á fim ao avanço dos danos causados pelo racismo, que é perverso.

Caros amigos. Hoje, a comunidade humana enfrenta um tipo de racismo que macula a imagem de toda a humanidade, no início do terceiro milênio.

O sionismo mundial personifica o racismo que é falsamente atribuído a religiões mas, de fato, abusa dos sentimentos religiosos para esconder sua horrenda face de ódio. Contudo, é importante que não percamos de vista os objetivos políticos de alguns dos poderes mundiais, dos que controlam os imensos recursos econômicos e os lucros, no mundo. Mobilizam todos os recursos, inclusive a influência econômica e política – e a mídia em todo o mundo –, para tentar ganhar apoio para o regime sionista e para ocultar a indignidade e a desgraça daquele regime.

Não se trata aqui de simples questão de ignorância. Ninguém pode pôr termo a esses horrores mediante campanhas consulares e diplomáticas. É preciso trabalhar com muito empenho para deter os abusos praticados pelos sionistas e seus apoiadores políticos e internacionais, e para fazer respeitar o desejo e as aspirações dos povos. Os governos antissionistas devem ser encorajados e apoiados com vistas a erradicar esse racismo bárbaro e para que se reformem os mecanismos internacionais hoje existentes.

Não há qualquer dúvida de que todos os senhores aqui presentes têm perfeito conhecimento da conspiração movida por alguns governos e pelos círculos sionistas contra as metas e os objetivos dessa conferência.

Infelizmente, houve declarações e declarações de apoio aos sionistas e seus crimes. É dever e responsabilidade dos respeitáveis representantes de todas as nações desmascarar essa campanha que corre na direção oposta a todos os valores e princípios humanitários.

Deve-se reconhecer e declarar que boicotar uma reunião como essa, e tentar degradar a excepcional capacidade política internacional que aqui se acumula, é perfeita manifestação de apoio aos racistas e é escandaloso exemplo de racismo. Para defender direitos humanos, é fundamentalmente importante, em primeiro lugar, defender os direitos de todas as nações do mundo, de participar em condições de igualdade no processos de tomar toda e qualquer decisão, sem qualquer tipo de pressão que venha de apenas alguns poderes mundiais.

Em segundo lugar, é necessário reestruturar as organizações internacionais existentes e suas respectivas constituições e acordos. Essa conferência, portanto, é como um campo de testes. A opinião pública, hoje e no futuro, julgará nossas ações e nossas decisões.

Senhor presidente, senhoras e senhores. O mundo está passando por mudanças profundas e muito rápidas. Relações de poder consideradas estáveis já se mostram frágeis, muito fracas. Ouve-se o "crack" dos pilares dos sistemas mundiais. As principais estruturas políticas e econômicas estão em ponto de colapso. No horizonte, já aparecem crises políticas e de segurança. O agravamento da crise da economia mundial, para a qual não se vê futuro melhor, demonstra que estamos sob a força de uma maré de mudanças globais. Tenho repetido e enfatizado que é necessário que o mundo abandone a rota errada em que caminhou por tanto tempo, e na qual ainda insiste.

Também tenho alertado repetidas vezes contra as terríveis consequências de qualquer desatenção a essa responsabilidade crucial.

Aqui, nessa importante conferência, entendo que já possa declarar a todos os líderes do mundo, aos pensadores e a todos os povos de todas as nações do planeta aqui representados, e que anseiam por paz e bem-estar econômico, que aquela ordem injusta que comandou o mundo já chega, hoje, ao fim de sua caminhada. É fatal que aconteça, porque a lógica desse poder imposto sempre foi a lógica da opressão.

A lógica do governo compartilhado e dos negócios planetários deve-se basear nos mais nobres anseios que há em todos os seres humanos e na supremacia de Deus Todo-Poderoso. Portanto, operará tão mais eficientemente quanto mais se façam ouvir todas as vozes de todas as nações. A vitória do bem sobre o mal e a construção de um sistema mundial justo é promessa que Deus e seus mensageiros fizeram à humanidade. Esse sistema mundial justo tem sido objetivo partilhado de todos os seres humanos e de todas as sociedades ao longo da história. Realizar esse futuro depende de conhecer o espírito da criação e a força da fé dos crentes.

Construir uma sociedade global é, afinal, alcançar o alto objetivo de estabelecer um sistema global comum do qual participem todas as nações do mundo, ouvidos todos em todos os processos de decisão, com vistas a esse mesmo objetivo.

Capacidades científicas e técnicas e tecnologias de comunicações criaram novas vias de entendimento para a sociedade mundial, entendimento partilhado e disseminado; essa é a base essencial para um sistema comum. Cabe, doravante, aos intelectuais, pensadores e construtores de políticas, em todo o mundo, assumir a responsabilidade de cumprir esse seu papel histórico, com firme crença de que esse é o caminho a seguir.

Quero também destacar o fato de que o liberalismo e o capitalismo ocidentais não se mostraram suficientemente potentes para perceber a verdade do mundo e dos homens como são. Sempre tentaram impor objetivos e rumos que eram só deles, a todos. Sem qualquer atenção a valores humanos e divinos de justiça, liberdade, amor e fraternidade; sempre viveram em intensa competição, pensando mais, sempre, em interesses materiais, individuais e corporativos.

É tempo de aprender com a experiência e iniciar esforços coletivos para enfrentar os desafios que aí estão. Nessa mesma linha de argumento, quero chamar-lhes a atenção ainda para duas questões importantes.

Primeiro, que é absolutamente possível melhorar a situação em que o mundo vive hoje. Mas deve-se observar que, para tanto, é indispensável que todos os povos e países cooperem, com vistas a construir mundo melhor para todos, fazendo render o máximo possível, para todos, todas as capacidades e os recursos com que o mundo conta hoje.

Participo hoje, presente nessa conferência, porque tenho a firme convicção de que as questões que aqui se discutem são importantes. E porque é dever de todos, e é responsabilidade comum de todos, defender os direitos de todas as nações contra o racismo sinistro, aqui, e solidários aos melhores pensadores do mundo.

Em segundo lugar, considerada a ineficácia do sistema político, econômico e de segurança hoje vigentes, é indispensável voltar a considerar os valores humanos e divinos, a verdadeira definição do homem e da humanidade, baseada na justiça e no respeito aos valores de todos os povos, em todo o mundo. Para isso, é necessário denunciar os erros e vícios dos sistemas que até hoje governaram o mundo; e é necessário que tomemos medidas coletivas para reformar as estruturas existentes.

Para tanto, é crucialmente importante reformar imediatamente a estrutura do Conselho de Segurança, com imediata eliminação do discriminatório direito de veto; e é preciso mudar os sistemas financeiro e monetário mundiais. Claro que, quanto menos se compreenda a urgente necessidade de mudar, mais nos custarão os adiamentos e atrasos.

Caros amigos. Andar na direção da justiça e da dignidade humana é como seguir o fluxo rápido das águas de um rio. Tenhamos sempre em mente a potência do amor e do afeto. O futuro prometido para todos os seres humanos é patrimônio valiosíssimo. Temos de nos manter unidos para construir outro mundo possível.

Para que o mundo seja melhor lugar, cheio de amor e bênçãos, mundo onde não haja nem ódio nem pobreza, mundo abençoado por Deus Todo-Poderoso, que levará à realização de todas as perfeições dos seres humanos, temos de nos dar as mãos em amizade e solidariedade, e trabalhar para realizar esse mundo melhor.

Agradeço ao presidente da Conferência, ao secretário-geral e a todos os ilustres participantes, a paciência com que me ouviram. Muito obrigado.



NOTAS DE TRADUÇÃO


* 21-24/4/2009. É "conferência de revisão", prosseguimento da "World Conference against Racism, Racial Discrimination, Xenophobia and Related Intolerance" que foi iniciada em Durban, África do Sul, em 2001, chamadas respectivamente "Durban I" e, agora, "Durban II". A conferência de revisão foi organizada para estimular a ativação do que ficou definido como objetivos, na "Durban Declaration and Programme of Action"; visa a estimular o prosseguimento de ações, iniciativas e soluções práticas. Sobre a Conferência de Revisão, ver http://www.un.org/durbanreview2009/. Em http://www.un.org/durbanreview2009/pdf/Draft_outcome_document_Rev.2.pdf pode-se ler a versão de documento a ser discutido nessa conferência de revisão.

Interessante observar que, entre 2001 e 2009, o mundo mudou muito dramaticamente. Em 2001, ainda não havia no mundo a clara consciência de que Israel opera como Estado racista, no coração do Oriente Médio. Hoje, o assunto já está em discussão, de fato, em todo o planeta – sobretudo depois do massacre de Gaza pelos israelenses e da ascensão ao governo de Israel, em eleições recentes, de partidos e políticos que manifestam clara ideologia racista. Nesse contexto é que se deve entender o 'boicote' à conferência de revisão. Os EUA de Obama e vários aliados europeus dos EUA 'boicotaram' a reunião. O presidente do Irã atacou diretamente o racismo sionista. Todas essas circunstâncias fazem desse discurso documento histórico importante.

[2] Hoje, a FSP publica versão diferente desse trecho: "Após a Segunda Guerra, eles recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto". Essa versão está publicada em FSP, 21/4/2009, "Ahmadinejad tumultua conferência da ONU", matéria assinada por Marcelo Ninio, de Genebra, em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2104200901.htm [só para assinantes]).
Também na nota publicada hoje em O Globo (em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/21/governo-brasileiro-externara-reprovacao-ao-discurso-de-ahmadinejad-contra-israel-755364490.asp), e que, segundo o jornal, teria sido divulgada pelo Itamaraty, há referência a comentário sobre o Holocausto, que haveria nesse discurso. Na versão publicada pela PressTV (BBC no Irã), em inglês, aqui traduzida, não há qualquer referência ao Holocausto.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:51 1 comentários
Sábado, 2 de Maio de 2009elated Intolerance" que foi iniciada em Durban, África do Sul, em 2001, chamadas respectivamente "Durban I" e, agora, "Durban II". A conferência de revisão foi organizada para estimular a ativação do que ficou definido como objetivos, na "Durban Declaration and Programme of Action"; visa a estimular o prosseguimento de ações, iniciativas e soluções práticas. Sobre a Conferência de Revisão, ver http://www.un.org/durbanreview2009/. Em http://www.un.org/durbanreview2009/pdf/Draft_outcome_document_Rev.2.pdf pode-se ler a versão de documento a ser discutido nessa conferência de revisão.

Interessante observar que, entre 2001 e 2009, o mundo mudou muito dramaticamente. Em 2001, ainda não havia no mundo a clara consciência de que Israel opera como Estado racista, no coração do Oriente Médio. Hoje, o assunto já está em discussão, de fato, em todo o planeta – sobretudo depois do massacre de Gaza pelos israelenses e da ascensão ao governo de Israel, em eleições recentes, de partidos e políticos que manifestam clara ideologia racista. Nesse contexto é que se deve entender o 'boicote' à conferência de revisão. Os EUA de Obama e vários aliados europeus dos EUA 'boicotaram' a reunião. O presidente do Irã atacou diretamente o racismo sionista. Todas essas circunstâncias fazem desse discurso documento histórico importante.

[2] Hoje, a FSP publica versão diferente desse trecho: "Após a Segunda Guerra, eles recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto". Essa versão está publicada em FSP, 21/4/2009, "Ahmadinejad tumultua conferência da ONU", matéria assinada por Marcelo Ninio, de Genebra, em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2104200901.htm [só para assinantes]).
Também na nota publicada hoje em O Globo (em http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/21/governo-brasileiro-externara-reprovacao-ao-discurso-de-ahmadinejad-contra-israel-755364490.asp), e que, segundo o jornal, teria sido divulgada pelo Itamaraty, há referência a comentário sobre o Holocausto, que haveria nesse discurso. Na versão publicada pela PressTV (BBC no Irã), em inglês, aqui traduzida, não há qualquer referência ao Holocausto.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às

sábado, 2 de maio de 2009

AO BLOG DO MELLO

02/05/09

Ao blog do Mello:

Postei, mais cedo, um comentário neste espaço que acredito democrático (confesso a minha aversão a esse termo), e até o presente momento não o vi publicado. O meu, o blogdomorani.blogspot.com, recebe qualquer comentário, de quaisquer blogueiros, seja a favor ou contrário a esse governo Lula. Justamente o comentário por mim solicitado à sua entrada neste blog era de crítica ao atual mandatário e à sua Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que está contaminada pelo "vírus" Lula, portanto, deve permanecer em "quarentena demorada". Não vejo nem um só laivo ofensivo à pessoa do senhor Lula, que inclusive foi meu candidato na sua primeira eleição. Todavia, nele perdi minha total confiança e esperança de um governo do povo, pelo povo e para o povo, mas governa para a elite branca, para o FMI - de quem era inimigo ferrenho - para os africanos e para o endividados com a Receita Federal. E agora sonha com Jogos Olímpicos, ou o que o valha, no Rio de Janeiro. Não estamos com tanto dinheiro assim, parece-me, pois não dá assistência à rede pública de hospitais; às escolas, às rodovias federais, em estado de miséria, ao Projeto Luz pra Todos, Primeiro Emprego, etc., etc., etc. O interessante passe de magia é que sobra dinheiro para "DAR" ao FMI (tantas vezes pedida por ele uma devassa nas Contas de Pagamento das nossas Dívidas), e não sobra para os aposentados, relegados por sua política desumana. E dizer que ele é originário do sertão nordestino... Lá onde a miséria é grande e onde ele viveu e conviveu a ela! E as "promessas" da primeira campanha? Só nos falta ele vir a público pedir que ESQUEÇAMOS DELAS, ASSIM COMO O SEU ANTECESSOR, O FAMIGERADO FHC!
Não use do mesmo expediente, por favor, usado por Paulo Henrique Amorim, com relação aos meus comentários. Lá só se publicavam os a favor do governo Lula; contudo, permitiam alguns eivados de palavras de baixo calão, imorais e desrespeitosos ao seu próprio site e aos seus leitores! Cortei-o de minhas relações virtuais, e, pouco depois, se viu cortado no seu espaço na IG.

Meus cumprimentos.
Morani
2.5.09

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O BRASIL DE SEMPRE

Desde que tomei conhecimento da existência da TV Senado, tenho o costume incontrolável de não tirar os olhos da “telinha” que nos revela o grande e confortável plenário onde os nossos representantes se sentam em poltronas espaçosas. Só deixo de assistir aos debates quando o Presidente da mesa encerra os trabalhos do dia, ou quando não há trabalhos diretamente de lá.
Exerço assim, no recôndito da minha casa, a minha cidadania, por não me negar enviar e-mails a alguns parlamentares. Dessa forma, demonstro que sou um fiel assistente a todos os debates que soem acontecer naquela Casa. Sejam discursos dos situacionistas ou os dos oposicionistas. Digo-lhes, com tais e-mails: “Estou atento aos seus movimentos; anoto o que dizem; eu os cobrarei, com meu voto.”
Alguns deles parecem dissociados totalmente dos acalorados debates sobre a atual situação vergonhosa evidenciada nas duas Casas do Congresso em que tratam de corrupção no Parlamento.
Sobem às tribunas com assuntos totalmente fora do contexto atual: as passagens aéreas para as suas sedes dentro do país e para o exterior. Porém, estendem o “Trem da Alegria” a parentes, amigos, funcionários e, pasmem, até aos times de futebol! Outras práticas obscenas são geradas pela famigerada “Verba Indenizatória” e, mais recentemente, os Planos de Saúde vitalícios aos senhores senadores e aos que já não o são, engrossados por seus familiares. A última, mais recente: a remessa de 300 “vetos” presidenciais para votação. Dentre eles, embutido nos esconsos dos muitos vetos, de anos, o que dava um sonoro “NÃO” aos reajustes aos aposentados com mais de um salário-mínimo em seus ganhos. Felizmente, o plenário assumiu o seu compromisso com os idosos abandonados e esquecidos pelo governo LULA que dá uma de “bonzinho” ao FMI com empréstimos de valores que bem poderiam ser canalizados para cobrir aqueles pagamentos previstos na Constituição de 1988.
O vergonhoso é ver como alguns senadores têm pendores às artes cênicas, pois choram copiosamente quando usam as tribunas para suas defesas, ao serem alcançados por denúncias de péssimo uso de imóveis que nós, trabalhadores da ativa e dos aposentados, patrocinamos com cinco meses de trabalho, ao ano, só para pagarmos impostos. Mas na hora de se expressarem a favor dos injustiçados, ficam em cima do “muro”, e dóceis às ordens do Palácio do Planalto. Vemos que nem fedem, nem cheiram, só fedem. Defendem-se, entre si, com todo o denodo. Não querem sujar os dedos em suas “porcarias” e nas de seus pares. Jogam água fria na fervura dos pronunciamentos daqueles que lá vão para expor os “podres” do Poder, ou melhor: do Governo! São amorfos. São crisálidas fechadas em seus casulos, ignorando - por quê? - a situação de uma corrupção putrefata que campeia desavergonhadamente na capital da República.