Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Há anos venho pesquisando sobre o significado da federação no Brasil. Acompanhei pela mídia no início do governo Lula as conversas de Zé Dirceu com alguns cientistas políticos a fim de se elaborar novas formas de divisão, ou subdivisão, federativa, a exemplo do que ocorre na maioria dos países. No entanto o projeto não andou.
Já não bastasse a divisão entre os Três Poderes levada ao pé da letra, o presidencialismo capenga adotado pela Constituição de 1988, os mecanismos que impedem projetos de iniciativa popular e a nossa falta de tradição em consultas populares fora do pleito eleitoral, ainda somos obrigados a conviver com essa aberração que é a pseudo-federação brasileira.
É impossível continuarmos insistindo com unidades federativas tão dispares entre si, com direitos e deveres praticamente idênticos. Essa é inclusive uma das causas de nossa baixa participação popular e empecilho a uma democracia mais avançada. Tratar como iguais o estado de São Paulo e o Piauí, ou então, e pior, o município de São Paulo e Anhangüera-GO com apenas 5 mil habitantes se configura em verdadeiro acinte a democracia.
Uma das propostas que venho formulando é a de abolir as atuais divisões administrativas (estados e municípios) e criar novas com atribuições especificas de acordo com a população e recursos de cada localidade. Assim teríamos, num exemplo aleatório, subdivisões: cidade, freguesia, região metropolitana, sede. E divisões: distritos, que seriam na verdade a federação entre as subdivisões.
Os estados no Brasil foram criados com o intuito de aplacar a sede de poder das oligarquias regionais, não levando em conta as reais necessidades da República. Ao contrário, acabou afastando da população valores republicanos. O sistema de pesos e contrapesos defendido pelos federalistas estadunidenses nunca foi aplicado no Brasil de forma a combater disputas entre facções dentro da União. Estados e Senado sempre usaram pesos e contrapesos contra as reivindicações populares, uma vez que a oligarquia nacional se manteve razoavelmente homogênea ao longo de nossa história. A federação, no caso do Brasil, é algo artificial e sintoma apenas do medo de desintegração do país após a queda do Império, uma vez que não houve participação popular na derrubada do antigo regime e os interesses oligárquicos passaram a ser o interesse do novo regime.
Estados, municípios e Senado Federal formam o mesmo lado da mesma moeda, ou seja, a dos interesses oligárquicos. O pseudo-federalismo brasileiro além de tratar como iguais os diferentes, como já citei acima, também não passa de pseudo por concentrar, de fato, poder e decisões no âmbito da União, castrando os demais entes.
Por tudo isso, acredito que o debate sobre uma reforma política necessariamente tem de ir para muito além de mera reforma eleitoral, mas sim buscar uma reforma na estrutura do Estado brasileiro, realizando concomitante a reforma eleitoral, as reformas administrativa e federativa.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:39 1 comentários
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
No Portal Luis Nassif
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo
DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014
Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
MEU COMENTÁRIO SOBRE "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA" de HUDSON L.V.BOAS
Blogger Blog do Morani disse...
31/07/09
Nada como a sabedoria, fruto de pesquisas aprofundadas de um sociólogo, como o amigo de Poços de Caldas, que se joga de corpo e alma nos intrincados meandros de uma pseudo-Federação Brasileira.
Não sou dado à pesquisas por me faltarem meios e normas de como conduzí-las, porém, concordo com tudo o que o amigo disse em seu comentário "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA".
Para se alcançar o seu pensamento, não precisamos nos ombrear aos seus conhecimentos.
Que precisa haver mudanças, não há a menor sombra de dúvida, mesmo que se use de meios drásticos e impositivos - não ditatoriais- mas, antes, é preciso mudar a " cabeça" desse nosso povo infeliz.
31/07/09
Nada como a sabedoria, fruto de pesquisas aprofundadas de um sociólogo, como o amigo de Poços de Caldas, que se joga de corpo e alma nos intrincados meandros de uma pseudo-Federação Brasileira.
Não sou dado à pesquisas por me faltarem meios e normas de como conduzí-las, porém, concordo com tudo o que o amigo disse em seu comentário "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA".
Para se alcançar o seu pensamento, não precisamos nos ombrear aos seus conhecimentos.
Que precisa haver mudanças, não há a menor sombra de dúvida, mesmo que se use de meios drásticos e impositivos - não ditatoriais- mas, antes, é preciso mudar a " cabeça" desse nosso povo infeliz.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
POSTADA NO PORTAL LUIZ NASSIF
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo associado João Sidney Pontes:
"Eu sou a favor de mudar o sistema bicameral para unicameral,extinguindo o senado federal, já imaginou a economia por ano para o país? Que poderia ser revertido para a educação, saúde, infraestrutura e outras áreas."
Curta resposta deixada por mim:
O problema não são apenas os bilhões que custam à manutenção do Senado Federal. Um regime democrático não é barato, no entanto é mais transparente que qualquer ditadura. O problema está sim no que representa o Senado. Numa federação como os EEUU com forte tradição de autonomia entre os entes federativos e onde a própria União foi resultado, a princípio, dos interesses políticos das Treze ex-Colônias recém independentes da Inglaterra (vale lembrar que as Treze Colônias não possuíam vínculo político entre si) o sistema bicameral, com a Câmara dos Representantes representando o povo e o Senado Federal representando os estados, faz todo o sentido. Mas no Brasil onde primeiro foi estabelecido o Estado e esse se incumbiu de criar os entes federativos, não faz qualquer sentido. Os estados brasileiros foram criados com o intuito de arrefecer as disputas pelo poder central ao mesmo tempo em que garantiam força às oligarquias regionais. Desde o Império não temos nenhuma tradição federativa, basta ver nas seguidas Constituições o que de fato cabe aos estados (à época do Império províncias) e o que cabe à União. Sempre fomos um Estado com o poder fortemente centralizado. Os poucos aspectos que poderiam nos dar um caráter federativo são insuficientes e raquíticos. Portanto qual a verdadeira finalidade de se manter um sistema bicameral? Poderia se afirmar que nossa Câmara Alta trata-se na verdade duma casa revisora com poderes alheios aos da Câmara Baixa. O que é mentira, pois na verdade há uma sobreposição de funções entre ambas. No mais, por sua gênese, o Senado brasileiro se configura cada vez mais em trava às demandas populares e mais progressistas, o ranço das oligarquias continua vivo. Vemos no Brasil duas casas distintas. Uma, Câmara dos Deputados com todos os problemas que lhe são pertinentes, mais propensa ao debate e aos anseios populares ou de grupos da sociedade civil organizada. Outra, Senado Federal, conservadora e fiel mantedora dos vícios oligárquicos e corporativistas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:21
"Eu sou a favor de mudar o sistema bicameral para unicameral,extinguindo o senado federal, já imaginou a economia por ano para o país? Que poderia ser revertido para a educação, saúde, infraestrutura e outras áreas."
Curta resposta deixada por mim:
O problema não são apenas os bilhões que custam à manutenção do Senado Federal. Um regime democrático não é barato, no entanto é mais transparente que qualquer ditadura. O problema está sim no que representa o Senado. Numa federação como os EEUU com forte tradição de autonomia entre os entes federativos e onde a própria União foi resultado, a princípio, dos interesses políticos das Treze ex-Colônias recém independentes da Inglaterra (vale lembrar que as Treze Colônias não possuíam vínculo político entre si) o sistema bicameral, com a Câmara dos Representantes representando o povo e o Senado Federal representando os estados, faz todo o sentido. Mas no Brasil onde primeiro foi estabelecido o Estado e esse se incumbiu de criar os entes federativos, não faz qualquer sentido. Os estados brasileiros foram criados com o intuito de arrefecer as disputas pelo poder central ao mesmo tempo em que garantiam força às oligarquias regionais. Desde o Império não temos nenhuma tradição federativa, basta ver nas seguidas Constituições o que de fato cabe aos estados (à época do Império províncias) e o que cabe à União. Sempre fomos um Estado com o poder fortemente centralizado. Os poucos aspectos que poderiam nos dar um caráter federativo são insuficientes e raquíticos. Portanto qual a verdadeira finalidade de se manter um sistema bicameral? Poderia se afirmar que nossa Câmara Alta trata-se na verdade duma casa revisora com poderes alheios aos da Câmara Baixa. O que é mentira, pois na verdade há uma sobreposição de funções entre ambas. No mais, por sua gênese, o Senado brasileiro se configura cada vez mais em trava às demandas populares e mais progressistas, o ranço das oligarquias continua vivo. Vemos no Brasil duas casas distintas. Uma, Câmara dos Deputados com todos os problemas que lhe são pertinentes, mais propensa ao debate e aos anseios populares ou de grupos da sociedade civil organizada. Outra, Senado Federal, conservadora e fiel mantedora dos vícios oligárquicos e corporativistas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:21
terça-feira, 28 de julho de 2009
A MÍDIA E A BANALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
“Ninguém escapa da educação”, nos recorda e alerta Carlos Rodrigues Brandão (1). Acompanhamos diariamente um discurso, que se torna cada vez mais discurso, tanto na mídia como na política, a temática: Educação. Educação como aporte para um futuro melhor. E sabemos disso. Sabemos o quanto uma educação progressista, humanista, libertadora e de qualidade é capaz de tirar as amarras e as vendas da juventude brasileira.
No entanto, a mídia que se diz apoiadora de uma educação qualitativa, em contrapartida, a apresenta em horário nobre da TV aberta brasileira com o estereótipo de uma “escola muito louca”.
Levei este debate para a sala de aula. Meus alunos, do primeiro ano do Ensino Médio, não gostaram das comparações. Afinal, o que esta escola muito louca quer mostrar? Será que nossa educação é assim? É essa a imagem da Educação brasileira? Se for, estamos fadados ao fracasso...
Ao apresentar uma escola desta forma, a mídia brasileira mais uma vez (Escolinha do Professor Raimundo, Escolinha do Golias), não está contribuindo em nada para a melhoria da educação. Aliás, penso eu, banaliza.
Um bando de alunos idiotas (opinião minha e de meus alunos), respondem a questionários pedagogicamente sem sentido. Os tipos são mal representados. O atleta, o funkeiro e o marginal. Banalizam as mulheres: muito corpo, pouca roupa e pouco cérebro. O chinês é o contrabandista, além do CDF, é claro.
O barato é fazer rir. Rir do professor, classe profissional que luta diariamente para recuperar seu prestígio na sociedade. Sidney Magal nos representa, e encerra sua aula dizendo: “eu poderia só cantar...”, como se educar fosse um passatempo, uma tarefa aparte. O que pensaria nosso grande mestre Paulo Freire...
Não possuímos uma educação perfeita, temos muito que melhorar. E muitos professores comprometidos lutam diariamente para isso. Para tanto, a grande mídia, que se diz tão incentivadora de uma educação de qualidade, poderia abrir espaços para debates consistentes e produções criativas sobre os mais diversos temas, e não nos apresentar como um bando de tolos.
Não somos assim; e o perigo se encontra na formação de opinião. Eles têm esse poder manipulador. E se querem nos apresentar desta forma, lutaremos contra; sempre.
Professores e alunos comprometidos com uma EDUCAÇÃO de qualidade, uni-vos!
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG
marceloffoliveira@hotmail.com
(1) Brandão, Carlos Rodrigues. O que é educação – SP: Brasiliense; 2005
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:17
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
“Ninguém escapa da educação”, nos recorda e alerta Carlos Rodrigues Brandão (1). Acompanhamos diariamente um discurso, que se torna cada vez mais discurso, tanto na mídia como na política, a temática: Educação. Educação como aporte para um futuro melhor. E sabemos disso. Sabemos o quanto uma educação progressista, humanista, libertadora e de qualidade é capaz de tirar as amarras e as vendas da juventude brasileira.
No entanto, a mídia que se diz apoiadora de uma educação qualitativa, em contrapartida, a apresenta em horário nobre da TV aberta brasileira com o estereótipo de uma “escola muito louca”.
Levei este debate para a sala de aula. Meus alunos, do primeiro ano do Ensino Médio, não gostaram das comparações. Afinal, o que esta escola muito louca quer mostrar? Será que nossa educação é assim? É essa a imagem da Educação brasileira? Se for, estamos fadados ao fracasso...
Ao apresentar uma escola desta forma, a mídia brasileira mais uma vez (Escolinha do Professor Raimundo, Escolinha do Golias), não está contribuindo em nada para a melhoria da educação. Aliás, penso eu, banaliza.
Um bando de alunos idiotas (opinião minha e de meus alunos), respondem a questionários pedagogicamente sem sentido. Os tipos são mal representados. O atleta, o funkeiro e o marginal. Banalizam as mulheres: muito corpo, pouca roupa e pouco cérebro. O chinês é o contrabandista, além do CDF, é claro.
O barato é fazer rir. Rir do professor, classe profissional que luta diariamente para recuperar seu prestígio na sociedade. Sidney Magal nos representa, e encerra sua aula dizendo: “eu poderia só cantar...”, como se educar fosse um passatempo, uma tarefa aparte. O que pensaria nosso grande mestre Paulo Freire...
Não possuímos uma educação perfeita, temos muito que melhorar. E muitos professores comprometidos lutam diariamente para isso. Para tanto, a grande mídia, que se diz tão incentivadora de uma educação de qualidade, poderia abrir espaços para debates consistentes e produções criativas sobre os mais diversos temas, e não nos apresentar como um bando de tolos.
Não somos assim; e o perigo se encontra na formação de opinião. Eles têm esse poder manipulador. E se querem nos apresentar desta forma, lutaremos contra; sempre.
Professores e alunos comprometidos com uma EDUCAÇÃO de qualidade, uni-vos!
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG
marceloffoliveira@hotmail.com
(1) Brandão, Carlos Rodrigues. O que é educação – SP: Brasiliense; 2005
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:17
sexta-feira, 24 de julho de 2009
O GRANDE CIRCO DA DEMOCRACIA
Blogger Blog do Morani disse...
O Senado é um palco onde todo dia é "ensenado" um espetáculo circense; palhaços não faltam ao sucesso da mostra, pelo contrário: sobram. A Câmara é o "camarim" onde se prepara os futuros "clowns" do Congresso. O dinheiro do povo paga muitíssimo bem a esses galhofeiros; uns se fazem eternos: não largam os bastidores por nada deste mundo. Claro... Por que deixar uma "carniça" com a qual outras hienas podem se fartar até que se empanturrem a mais não poder?
PODER? Eis o vinho embriagador à disposição das imensa "troupe".
Será um circo, uma arena de combates pérfidos ou um carroção de saltimbancos ridículos, esse Senado? O Reizinho deveria ir para o calabouço dessa Casa de Horrores. Lá a sua voz não serviria como ensino a nenhum só brasileiro. Implodamos o Congresso e construamos no local uma nova Bastilha e, defronte, uma Praça da Guilhotina; que se comece uma nova Revolução, com centenas de cabeças a rolar para o cesto do lixo. É a saída para o momento atual. Quem não achar essa uma boa solução, que continue a co-participar de uma farsa sem termo.
24 de Julho de 2009 19:51
O Senado é um palco onde todo dia é "ensenado" um espetáculo circense; palhaços não faltam ao sucesso da mostra, pelo contrário: sobram. A Câmara é o "camarim" onde se prepara os futuros "clowns" do Congresso. O dinheiro do povo paga muitíssimo bem a esses galhofeiros; uns se fazem eternos: não largam os bastidores por nada deste mundo. Claro... Por que deixar uma "carniça" com a qual outras hienas podem se fartar até que se empanturrem a mais não poder?
PODER? Eis o vinho embriagador à disposição das imensa "troupe".
Será um circo, uma arena de combates pérfidos ou um carroção de saltimbancos ridículos, esse Senado? O Reizinho deveria ir para o calabouço dessa Casa de Horrores. Lá a sua voz não serviria como ensino a nenhum só brasileiro. Implodamos o Congresso e construamos no local uma nova Bastilha e, defronte, uma Praça da Guilhotina; que se comece uma nova Revolução, com centenas de cabeças a rolar para o cesto do lixo. É a saída para o momento atual. Quem não achar essa uma boa solução, que continue a co-participar de uma farsa sem termo.
24 de Julho de 2009 19:51
quinta-feira, 23 de julho de 2009
OS RESQUÍCIOS DE UM INFERNO
Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Por Tiago Barbosa Mafra
Em 20 de Julho de 1944 o Coronel Conde Claus von Stauffenberg, oficial do exército alemão em guerra, malogrou na mais famosa entre tantas tentativas de assassinato a Hitler. Era o sinal de que nem todo o povo alemão estava de acordo com as atrocidades colocadas em prática antes e durante o conflito. Pouco menos de um ano depois estava acabada a guerra na Europa e Hitler suicidou-se. Mas morreu com ele o nazismo?
Infelizmente é perceptível que não. Com a fuga dos políticos e militares sobreviventes, ou mesmo através de obras escritas propagadas indevida e ilegalmente pelo mundo, tem-se uma continuidade das idéias racistas, discriminatórias e intolerantes em relação a tudo considerado diferente do padrão “branco alemão”, o ariano puro.
Até mesmo no Brasil, nos meios de comunicação virtual atuais, milhares e milhares de portais virtuais e blogs difundem idéias que se esperava estivessem esquecidas. E pasmem leitores: aqui mesmo em nossa cidade, Poços de Caldas, vivenciei esta semana a facilidade com que esses verdadeiros crimes se mantêm em andamento.
Ao buscar algumas obras de interesses para minhas pesquisas, me deparei com dois exemplares do livro Holocausto: judeu ou alemão?, de Siegfried Ellwager Castan, conhecido e repudiado no meio acadêmico como S. E. Castan. Desde 1986, Castan é denunciado pelos Movimentos Populares Anti-Racismo do Rio Grande do Sul, sendo que em 1991 o Ministério Público determinou a busca e apreensão de todos os títulos publicados pela Editora Revisão (da qual Castan é proprietário), incluindo o livro acima citado.
O que não consigo compreender é como essas obras ilegais e revisionistas, de cunho nazista, continuam à disposição da população e principalmente e mais preocupante, ao alcance da juventude, em uma das maiores bibliotecas do município, a Biblioteca Centenário, locada no prédio da Urca.
Encaminhei um pedido de retirada dos livros para a administração das bibliotecas e creio que as devidas medidas estejam sendo tomadas. O que mais me assusta, como cidadão e educador, é saber que em tempos de crises e dificuldades, propostas de soluções rápidas e eficazes sempre fascinam a juventude. E o que nós menos precisamos agora é dotar o povo, já massificado pelos meios de comunicação e obrigados a pensar mais rápido e não a pensar melhor, com posicionamentos intolerantes, de aversão a tudo que não é considerado superior.
Todo cuidado é pouco. O chefe da propaganda nazista dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Foi assim que eles procederam. E é contra essas mentiras que devemos lutar.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:43 2 comentários
Por Tiago Barbosa Mafra
Em 20 de Julho de 1944 o Coronel Conde Claus von Stauffenberg, oficial do exército alemão em guerra, malogrou na mais famosa entre tantas tentativas de assassinato a Hitler. Era o sinal de que nem todo o povo alemão estava de acordo com as atrocidades colocadas em prática antes e durante o conflito. Pouco menos de um ano depois estava acabada a guerra na Europa e Hitler suicidou-se. Mas morreu com ele o nazismo?
Infelizmente é perceptível que não. Com a fuga dos políticos e militares sobreviventes, ou mesmo através de obras escritas propagadas indevida e ilegalmente pelo mundo, tem-se uma continuidade das idéias racistas, discriminatórias e intolerantes em relação a tudo considerado diferente do padrão “branco alemão”, o ariano puro.
Até mesmo no Brasil, nos meios de comunicação virtual atuais, milhares e milhares de portais virtuais e blogs difundem idéias que se esperava estivessem esquecidas. E pasmem leitores: aqui mesmo em nossa cidade, Poços de Caldas, vivenciei esta semana a facilidade com que esses verdadeiros crimes se mantêm em andamento.
Ao buscar algumas obras de interesses para minhas pesquisas, me deparei com dois exemplares do livro Holocausto: judeu ou alemão?, de Siegfried Ellwager Castan, conhecido e repudiado no meio acadêmico como S. E. Castan. Desde 1986, Castan é denunciado pelos Movimentos Populares Anti-Racismo do Rio Grande do Sul, sendo que em 1991 o Ministério Público determinou a busca e apreensão de todos os títulos publicados pela Editora Revisão (da qual Castan é proprietário), incluindo o livro acima citado.
O que não consigo compreender é como essas obras ilegais e revisionistas, de cunho nazista, continuam à disposição da população e principalmente e mais preocupante, ao alcance da juventude, em uma das maiores bibliotecas do município, a Biblioteca Centenário, locada no prédio da Urca.
Encaminhei um pedido de retirada dos livros para a administração das bibliotecas e creio que as devidas medidas estejam sendo tomadas. O que mais me assusta, como cidadão e educador, é saber que em tempos de crises e dificuldades, propostas de soluções rápidas e eficazes sempre fascinam a juventude. E o que nós menos precisamos agora é dotar o povo, já massificado pelos meios de comunicação e obrigados a pensar mais rápido e não a pensar melhor, com posicionamentos intolerantes, de aversão a tudo que não é considerado superior.
Todo cuidado é pouco. O chefe da propaganda nazista dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Foi assim que eles procederam. E é contra essas mentiras que devemos lutar.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:43 2 comentários
TUDO PODE SE REPETIR
Blogger Blog do Morani disse...
Cappacete, não é assim tão fácil. A Alemanha - pré-Hitler - de 1914/1918 - estava arrasada e sob o rígido contrôle de um Tratado de Versalhes imposto pelos aliados vitoriosos.
Fruto de um governo fraco na Alemanha pós-guerra, Adolf Hitler surgia para o mundo político através de um golpe inteligente dentro de uma cervejaria da Bavaria. Os nacionais-socialistas conseguiram impor aquele austríaco como Ministro e, posteriormente, Primeiro Ministro. Ele se cercou de homens fiéis e prontos a agirem como lhes ordenava o do bigodinho famoso. Um deles se chamava Himmler - seu diretor de propaganda à implantação do nazismo no governo de Hitler. O Brasil anda de tal modo capenga com escândalos semanais, patifarias, locupletação de ganhos extraordinários, sub-emprego e desemprego, falta de moradia e com um PAC mal administrado, com mentiras e máscaras blindáveis àqueles escândalos, que cheiram muito mal, que pode se tornar presa de um grupo de jovens sonhadores como o são esses neo-nazistas. Himmler não era homem de bela estatura, não impressionava por sua beleza ariana nem por sua verve, que era tímida, mas fez o que fez: de um pesadêlo um grande sonho de uma Alemanha dominando o mundo por 1000 anos. Seria a raça ariana a única a sobreviver por aquele período. No dia em que esses jovens sonhadores neo-nazistas tocarem na ferida do povo brasileiro, milhares e milhões se denominarão "brancos puros"ou "elite privilegiada" exigindo mudanças e engrossando esse sonho que poderá se tornar pesadêlo, mas, pesadêlo por pesadêlo, nós já vivemos, há muito, pesadêlos sem termo. Eis o coquetel para a implantação de uma filosofia de "cara nova", que começa entre os jovens e se espalha pelos infelizes sem quaisquer esperanças a uma vida digna.
23 de Julho de 2009 18:34
Cappacete, não é assim tão fácil. A Alemanha - pré-Hitler - de 1914/1918 - estava arrasada e sob o rígido contrôle de um Tratado de Versalhes imposto pelos aliados vitoriosos.
Fruto de um governo fraco na Alemanha pós-guerra, Adolf Hitler surgia para o mundo político através de um golpe inteligente dentro de uma cervejaria da Bavaria. Os nacionais-socialistas conseguiram impor aquele austríaco como Ministro e, posteriormente, Primeiro Ministro. Ele se cercou de homens fiéis e prontos a agirem como lhes ordenava o do bigodinho famoso. Um deles se chamava Himmler - seu diretor de propaganda à implantação do nazismo no governo de Hitler. O Brasil anda de tal modo capenga com escândalos semanais, patifarias, locupletação de ganhos extraordinários, sub-emprego e desemprego, falta de moradia e com um PAC mal administrado, com mentiras e máscaras blindáveis àqueles escândalos, que cheiram muito mal, que pode se tornar presa de um grupo de jovens sonhadores como o são esses neo-nazistas. Himmler não era homem de bela estatura, não impressionava por sua beleza ariana nem por sua verve, que era tímida, mas fez o que fez: de um pesadêlo um grande sonho de uma Alemanha dominando o mundo por 1000 anos. Seria a raça ariana a única a sobreviver por aquele período. No dia em que esses jovens sonhadores neo-nazistas tocarem na ferida do povo brasileiro, milhares e milhões se denominarão "brancos puros"ou "elite privilegiada" exigindo mudanças e engrossando esse sonho que poderá se tornar pesadêlo, mas, pesadêlo por pesadêlo, nós já vivemos, há muito, pesadêlos sem termo. Eis o coquetel para a implantação de uma filosofia de "cara nova", que começa entre os jovens e se espalha pelos infelizes sem quaisquer esperanças a uma vida digna.
23 de Julho de 2009 18:34
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A DEMOCRACIA DA MINORIA
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
A Democracia da Minoria
Por Marcelo Fonseca
A organização social e política do Brasil, que fora e continua sendo ideologicamente construída, possui vestígios de uma sociedade que, segundo Marilena Chauí, “é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social (...) fortemente verticalizado”. Ou seja, as relações entre os grupos sociais são e estão estabelecidas da seguinte forma: “um superior que manda e um inferior que obedece”. (1)
Raymundo Faoro, salienta que o poder efetivo de comando prevalece a mercê de uma pequena parcela da sociedade. Diz: “o estamento, quadro administrativo e estado-maior de domínio, configura o governo de uma minoria (...), o efetivo comando da sociedade, não se determina pela maioria, mas pela minoria, que a pretexto de representar o povo, o controla, deturpa e sufoca”. (2)
Vivemos em pleno o século XXI, o ranço de uma herança senhorial, marcada pelo conservadorismo paternalista da minoria. E o povo? Percebemos historicamente, a mínima participação das camadas populares nos eventos econômicos, sociais e políticos do Brasil. Juntamente com a escravidão, são fatores, que de certa forma, nortearão a formação do Estado Nacional Brasileiro. Vejamos alguns exemplos na História.
Revoltas ocorridas no Brasil nos séculos XVII e XVIII, nativistas ou separatistas, como Beckman, Mascates, Felipe dos Santos, foram lideradas pela elite colonial. Emilia Viotti da Costa nos mostra que “entre os Inconfidentes, a maioria era composta de proprietários e altos funcionários”. Na Conjuração Baiana, a participação popular foi um pouco mais numerosa, porem, o grupo dominante era “constituído por elementos instruídos e de recursos, e figuras importantes da sociedade”. (3)
Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no inicio do século XIX, a autoridade política dos grandes proprietários aumenta. Por estarem geograficamente afastados do núcleo político nacional, a cidade do Rio de Janeiro, controlavam e direcionavam o poder local. Segundo Maria Isaura de Queiroz, “os senhores de engenho do Nordeste e os fazendeiros do Vale do Paraíba, estabelecidos há mais tempo na política, detinham o poder”. (4) A aristocracia brasileira comandava as Câmaras Municipais, controlavam a vida de seus subordinados e faziam leis em beneficio próprio.
As vésperas da Independência, diante das contradições e do choque de interesses dos controladores do poder, prevaleceram segundo Caio Prado Junior, as intenções do Partido Brasileiro. Para o autor, o Partido Brasileiro “representava as classes superiores da colônia, grandes proprietários e seus aliados”. (5) E o povo?
Durante a Proclamação da República o povo assistia a tudo “bestializado”; (6) na chamada República Velha, fraudes e interesses econômicos mantinham a elite no poder. Quando reformas de base estavam previstas, militares, com discurso de defender a honra da pátria contra o comunismo, mas aliados a burguesia nacional, assumem o poder. Adeus reformas... Adeus democracia.... E o povo?
Percebemos, a partir desta pequena amostra, que nos principais momentos da História do Brasil, a participação popular fora diminuta. A camada mais baixa da população esteve e está suprimida em nome dos interesses de uma minoria. Interesses disfarçados de democracia, mas para quem? Revoltas populares ocorreram, porem eram localizadas e facilmente controladas.A dominação social prevalece. A política local, principalmente no interior ainda é controlada por oligarquias que dominam determinadas regiões do Brasil. O trânsito de tais oligarquias na capital federal é livre; manda e desmandam. Sarneys, Magalhães.....Vivemos orquestrados sob a batuta da democracia de poucos. Poucos podem, poucos fazem. Eles regem nossa vida, e se dizem democráticos; fazem leis em benéfico próprio e desrespeitam o primeiro artigo de nossa Constituição: “Todo poder emana do povo”.
CHAUÍ, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária – São Paulo: Perseu Abramo; 2007.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro – São Paulo: Globo, 1997. vol 1.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia a República: momentos decisivos – São Paulo: Brasiliense, 1994
QUEIROZ, Maria Isaura. O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios – São Paulo: Alfa - Omega, 1976
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos – São Paulo: Brasilense, 1994
CARVALHO, Jose Murilo. Os bestializados – São Paulo: Companhia das Letras, 1987
Marcelo Fonseca é professor de História e Geografia, e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
A Democracia da Minoria
Por Marcelo Fonseca
A organização social e política do Brasil, que fora e continua sendo ideologicamente construída, possui vestígios de uma sociedade que, segundo Marilena Chauí, “é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social (...) fortemente verticalizado”. Ou seja, as relações entre os grupos sociais são e estão estabelecidas da seguinte forma: “um superior que manda e um inferior que obedece”. (1)
Raymundo Faoro, salienta que o poder efetivo de comando prevalece a mercê de uma pequena parcela da sociedade. Diz: “o estamento, quadro administrativo e estado-maior de domínio, configura o governo de uma minoria (...), o efetivo comando da sociedade, não se determina pela maioria, mas pela minoria, que a pretexto de representar o povo, o controla, deturpa e sufoca”. (2)
Vivemos em pleno o século XXI, o ranço de uma herança senhorial, marcada pelo conservadorismo paternalista da minoria. E o povo? Percebemos historicamente, a mínima participação das camadas populares nos eventos econômicos, sociais e políticos do Brasil. Juntamente com a escravidão, são fatores, que de certa forma, nortearão a formação do Estado Nacional Brasileiro. Vejamos alguns exemplos na História.
Revoltas ocorridas no Brasil nos séculos XVII e XVIII, nativistas ou separatistas, como Beckman, Mascates, Felipe dos Santos, foram lideradas pela elite colonial. Emilia Viotti da Costa nos mostra que “entre os Inconfidentes, a maioria era composta de proprietários e altos funcionários”. Na Conjuração Baiana, a participação popular foi um pouco mais numerosa, porem, o grupo dominante era “constituído por elementos instruídos e de recursos, e figuras importantes da sociedade”. (3)
Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no inicio do século XIX, a autoridade política dos grandes proprietários aumenta. Por estarem geograficamente afastados do núcleo político nacional, a cidade do Rio de Janeiro, controlavam e direcionavam o poder local. Segundo Maria Isaura de Queiroz, “os senhores de engenho do Nordeste e os fazendeiros do Vale do Paraíba, estabelecidos há mais tempo na política, detinham o poder”. (4) A aristocracia brasileira comandava as Câmaras Municipais, controlavam a vida de seus subordinados e faziam leis em beneficio próprio.
As vésperas da Independência, diante das contradições e do choque de interesses dos controladores do poder, prevaleceram segundo Caio Prado Junior, as intenções do Partido Brasileiro. Para o autor, o Partido Brasileiro “representava as classes superiores da colônia, grandes proprietários e seus aliados”. (5) E o povo?
Durante a Proclamação da República o povo assistia a tudo “bestializado”; (6) na chamada República Velha, fraudes e interesses econômicos mantinham a elite no poder. Quando reformas de base estavam previstas, militares, com discurso de defender a honra da pátria contra o comunismo, mas aliados a burguesia nacional, assumem o poder. Adeus reformas... Adeus democracia.... E o povo?
Percebemos, a partir desta pequena amostra, que nos principais momentos da História do Brasil, a participação popular fora diminuta. A camada mais baixa da população esteve e está suprimida em nome dos interesses de uma minoria. Interesses disfarçados de democracia, mas para quem? Revoltas populares ocorreram, porem eram localizadas e facilmente controladas.A dominação social prevalece. A política local, principalmente no interior ainda é controlada por oligarquias que dominam determinadas regiões do Brasil. O trânsito de tais oligarquias na capital federal é livre; manda e desmandam. Sarneys, Magalhães.....Vivemos orquestrados sob a batuta da democracia de poucos. Poucos podem, poucos fazem. Eles regem nossa vida, e se dizem democráticos; fazem leis em benéfico próprio e desrespeitam o primeiro artigo de nossa Constituição: “Todo poder emana do povo”.
CHAUÍ, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária – São Paulo: Perseu Abramo; 2007.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro – São Paulo: Globo, 1997. vol 1.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia a República: momentos decisivos – São Paulo: Brasiliense, 1994
QUEIROZ, Maria Isaura. O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios – São Paulo: Alfa - Omega, 1976
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos – São Paulo: Brasilense, 1994
CARVALHO, Jose Murilo. Os bestializados – São Paulo: Companhia das Letras, 1987
Marcelo Fonseca é professor de História e Geografia, e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
A DEMOCRACIA DAS ELITES BRASILEIRAS
16/07/09
Raymundo Faoro analisa e adverte aos que passam à Vida as brancas nuvens da indiferença desligados aos elos das acuradas atenções aos fenômenos impostos pela minoria. Concordo plenamente! É outra maneira de expressar o pensamento lúcido de Marilena Chauí, e a de secundar o pensamento geral do autor - Marcelo Fonseca.
O 5°. tópico tem seu "espírito" abordado exaustivamente por José Lins do Rego em suas obras do ciclo da cana-de-açucar - magistralmente -, assim como as de Mario Palmério e as de outros autores contemporâneos, igualmente belíssimos na abordagem de tão relevante problema.
O Povo? O que é o Povo? Joguete de interesses, só lembrado em épocas eleitorais. Aí conclama-se essa grei, apelidada "Povo", exacerbadamente, em todos os canais da mídia-elite a que não esqueça de exercer sua cidadania a favor da democracia vigente.
Que democracia?
A do "Polvo", nomeada elite? Só uma grande revolução popular para combater essa "Virose", que vem desde a "democrática" Grécia, passando por Roma dos Césares, pela Grã-Bretanha dos lordes, pela França, das opulentas cortes, por Portugal, dos senhores das quintas, e aportando ao Brasil em 1805 com a arribada da Imperial Corte Lusitana fugindo à avalanche dos exércitos napoleônicos.
Eis em que se baseou o nosso insípido "Estado democrático".
16 de Julho de 2009 05:25
Raymundo Faoro analisa e adverte aos que passam à Vida as brancas nuvens da indiferença desligados aos elos das acuradas atenções aos fenômenos impostos pela minoria. Concordo plenamente! É outra maneira de expressar o pensamento lúcido de Marilena Chauí, e a de secundar o pensamento geral do autor - Marcelo Fonseca.
O 5°. tópico tem seu "espírito" abordado exaustivamente por José Lins do Rego em suas obras do ciclo da cana-de-açucar - magistralmente -, assim como as de Mario Palmério e as de outros autores contemporâneos, igualmente belíssimos na abordagem de tão relevante problema.
O Povo? O que é o Povo? Joguete de interesses, só lembrado em épocas eleitorais. Aí conclama-se essa grei, apelidada "Povo", exacerbadamente, em todos os canais da mídia-elite a que não esqueça de exercer sua cidadania a favor da democracia vigente.
Que democracia?
A do "Polvo", nomeada elite? Só uma grande revolução popular para combater essa "Virose", que vem desde a "democrática" Grécia, passando por Roma dos Césares, pela Grã-Bretanha dos lordes, pela França, das opulentas cortes, por Portugal, dos senhores das quintas, e aportando ao Brasil em 1805 com a arribada da Imperial Corte Lusitana fugindo à avalanche dos exércitos napoleônicos.
Eis em que se baseou o nosso insípido "Estado democrático".
16 de Julho de 2009 05:25
domingo, 12 de julho de 2009
LULA E A VERGONHA DA ELITE MAZOMBEIRA
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Lula e a vergonha da elite mazombeira
E não é que o pingaiada analfabeto está deixando nossa mídia mazombeira mordendo os cotovelos!!!
É claro que vivemos numa sociedade de consumo (cada vez mais exacerbado), mas, as loas que a mídia joga para o futebolista Ronaldo como sinônimo de superação são inversamente opostas à omissão que a própria mídia dá aos feitos internacionais, e nacionais, de Lula.
É obvio que eu sei bem o que Ronaldo representa numa sociedade consumista, e por isso não importa a sua futilidade ao dizer que não leva malas em viagens, simplesmente compra o necessário (e muitas vezes o não-necessário também) onde está. Não importa se Ronaldo prefere que seu filho brinque com garotos europeus e considere os curumirins má influência. Não importa se Ronaldo é flagrado em festas onde o álcool rola solto, mesmo sendo ele um atleta profissional. Não estou pegando no pé de Ronaldo, se ele pretende levar a vida da maneira mais fútil o possível é uma opção feita por ele. O que me irrita é o fato da mídia fechar os olhos pra tudo isso só (sic) porque atrás dele estão grandes marcas internacionais. É o reflexo da sociedade atual, o que importa não é a pessoa, mas sim o que ela tem.
Para mim Lula “é” e ao mesmo tempo “tem”. Simbolicamente Lula é o trabalhador brasileiro. O alto índice de aprovação ao seu governo se deve muito em parte por esse simbolismo. O trabalhador, principalmente o mais humilde, enxerga no presidente Lula um homem simples, que veio debaixo, que não esquece suas raízes. Não é à toa que Lula usa tantas metáforas, é a forma como o homem simples se comunica e explica determinadas situações, faz parte recorrente do arcabouço intelectual dos brasileiros comuns. Lula é o intelectual orgânico de Gramsci. E Lula tem. Tem o cacife de estar à frente do maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Sul. Partido esse que se tornou escola para a esquerda nacional. Tem a história a seu lado, pois as greves lideradas por ele durante a década de 1970 iniciaram o último capítulo da ditadura militar. Tem o prestígio de um governo responsável e que luta para alterar a face dum país tão desigual. Tem ao seu lado o respeito da comunidade internacional. Tem ao seu lado a multidão, o trabalhador, o povo brasileiro que não pensaria duas vezes em dar-lhe um terceiro mandato consecutivo.
O governo Lula pode até ser marcado por ambigüidades e contradições, mas, já escrevi isso antes, representa em primeiro lugar uma quebra de paradigma numa sociedade marcada pelo elitismo e pelo progresso conservador, pelos acordos entre as classes mais abastadas e a (quase) exclusão do povo no processo histórico. Em segundo lugar, trouxe para o primeiro plano os direitos sociais (positivos). Se é um governo onde o limite para as transformações está no consenso e não no embate acirrado, por outro lado também é verdade que servirá pedagogicamente no futuro, talvez não tão distante, como forma de avaliar o conservadorismo de nossa elite e a necessidade de movimentos sociais mais fortes.
De qualquer modo, a elite tupiniquim não aceita ser representada por um retirante nordestino, analfabeto, pingaiada e vagabundo. Não importa para essa elite se Lula enfrentou a difícil luta contra a fome (e venceu), se saiu da condição de mero operário para transformar-se em líder sindical, enfrentou os militares quando quem se dispunha a tanto era cassado, preso, torturado e exilado, quando não assassinado.
Quem nesse país representa melhor o espírito de superação?
Lula reunia todas as condições para morrer de subnutrição, de sede, de fome, ou então para levar uma vida comum, como a de milhões de retirantes nordestinos que vieram para o “sul maravilha”, no entanto, na noite de ontem recebeu o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco – e que ainda pode ser o ponta-pé para o prêmio Nobel da Paz. Talvez seja por isso que nossa elite mazombeira ficou calada e fingiu não saber e não ver nada. Para ela, bom mesmo, seria um Bornhausen ou um Alckmin, e não um Silva, ser o primeiro brasileiro a receber tal prêmio. De certa forma o sucesso do ex-retirante os envergonha.
Quanto à classe trabalhadora, não apenas não se sente representada pela elite nacional, como acaba por ter vergonha dela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:52
Lula e a vergonha da elite mazombeira
E não é que o pingaiada analfabeto está deixando nossa mídia mazombeira mordendo os cotovelos!!!
É claro que vivemos numa sociedade de consumo (cada vez mais exacerbado), mas, as loas que a mídia joga para o futebolista Ronaldo como sinônimo de superação são inversamente opostas à omissão que a própria mídia dá aos feitos internacionais, e nacionais, de Lula.
É obvio que eu sei bem o que Ronaldo representa numa sociedade consumista, e por isso não importa a sua futilidade ao dizer que não leva malas em viagens, simplesmente compra o necessário (e muitas vezes o não-necessário também) onde está. Não importa se Ronaldo prefere que seu filho brinque com garotos europeus e considere os curumirins má influência. Não importa se Ronaldo é flagrado em festas onde o álcool rola solto, mesmo sendo ele um atleta profissional. Não estou pegando no pé de Ronaldo, se ele pretende levar a vida da maneira mais fútil o possível é uma opção feita por ele. O que me irrita é o fato da mídia fechar os olhos pra tudo isso só (sic) porque atrás dele estão grandes marcas internacionais. É o reflexo da sociedade atual, o que importa não é a pessoa, mas sim o que ela tem.
Para mim Lula “é” e ao mesmo tempo “tem”. Simbolicamente Lula é o trabalhador brasileiro. O alto índice de aprovação ao seu governo se deve muito em parte por esse simbolismo. O trabalhador, principalmente o mais humilde, enxerga no presidente Lula um homem simples, que veio debaixo, que não esquece suas raízes. Não é à toa que Lula usa tantas metáforas, é a forma como o homem simples se comunica e explica determinadas situações, faz parte recorrente do arcabouço intelectual dos brasileiros comuns. Lula é o intelectual orgânico de Gramsci. E Lula tem. Tem o cacife de estar à frente do maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Sul. Partido esse que se tornou escola para a esquerda nacional. Tem a história a seu lado, pois as greves lideradas por ele durante a década de 1970 iniciaram o último capítulo da ditadura militar. Tem o prestígio de um governo responsável e que luta para alterar a face dum país tão desigual. Tem ao seu lado o respeito da comunidade internacional. Tem ao seu lado a multidão, o trabalhador, o povo brasileiro que não pensaria duas vezes em dar-lhe um terceiro mandato consecutivo.
O governo Lula pode até ser marcado por ambigüidades e contradições, mas, já escrevi isso antes, representa em primeiro lugar uma quebra de paradigma numa sociedade marcada pelo elitismo e pelo progresso conservador, pelos acordos entre as classes mais abastadas e a (quase) exclusão do povo no processo histórico. Em segundo lugar, trouxe para o primeiro plano os direitos sociais (positivos). Se é um governo onde o limite para as transformações está no consenso e não no embate acirrado, por outro lado também é verdade que servirá pedagogicamente no futuro, talvez não tão distante, como forma de avaliar o conservadorismo de nossa elite e a necessidade de movimentos sociais mais fortes.
De qualquer modo, a elite tupiniquim não aceita ser representada por um retirante nordestino, analfabeto, pingaiada e vagabundo. Não importa para essa elite se Lula enfrentou a difícil luta contra a fome (e venceu), se saiu da condição de mero operário para transformar-se em líder sindical, enfrentou os militares quando quem se dispunha a tanto era cassado, preso, torturado e exilado, quando não assassinado.
Quem nesse país representa melhor o espírito de superação?
Lula reunia todas as condições para morrer de subnutrição, de sede, de fome, ou então para levar uma vida comum, como a de milhões de retirantes nordestinos que vieram para o “sul maravilha”, no entanto, na noite de ontem recebeu o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco – e que ainda pode ser o ponta-pé para o prêmio Nobel da Paz. Talvez seja por isso que nossa elite mazombeira ficou calada e fingiu não saber e não ver nada. Para ela, bom mesmo, seria um Bornhausen ou um Alckmin, e não um Silva, ser o primeiro brasileiro a receber tal prêmio. De certa forma o sucesso do ex-retirante os envergonha.
Quanto à classe trabalhadora, não apenas não se sente representada pela elite nacional, como acaba por ter vergonha dela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:52
terça-feira, 30 de junho de 2009
O NOME DO ATRASO
O Nome do Atraso
Nos estertores da ditadura militar antes que manifestações populares começassem a dar ojeriza aos grupos políticos civis mais ligados ao estado de exceção, ACM, Jorge Bornhausen, Aureliano Chaves e Marco Maciel formaram uma dissidência dentro do PDS no intuito exclusivo de não perderem os anéis. Mudaram de barco e apoiaram Tancredo Neves, político liberal-conservador, da confiança dos militares e que significava o fim negociado da ditadura. A chamada Frente Liberal garantiria a eleição do mineiro à presidência e lhe daria o nome do vice, o senador maranhense José Sarney. Sarney era até pouco tempo presidente da Arena e posteriormente do seu herdeiro, o PDS. Fez carreira política defendendo os militares e aos 45 minutos do segundo tempo trocou de time e tornou-se um democrata convicto. Tínhamos aí uma chapa com a “Raposa das Alterosas” e o “Senhor do Maranhão”.
Tancredo morreu (sem sequer tomar posse) e Sarney assumiu à presidência da república fazendo um governo no mínimo catastrófico, isso todos sabemos e esse período da História do Brasil, por tão denso e rico que é, fica pra outro post.
O que interessa aqui é o fato de Sarney, após sair da presidência da República em 1990 sentar pela terceira vez na cadeira de presidente do Senado Federal – as outras duas foram respectivamente nos biênios 1995/96 e 2003/04, sempre com o apoio declarado do Palácio do Planalto (FFHH e Lula).
Ninguém nesse país consegue politicamente personificar melhor o atraso, as oligarquias, a política mais vil e baixa – genuinamente franciscana, do é dando que se recebe –, mais velhaca, mais rastaqüera, distante do cheiro do povão, enfim, mais antidemocrática, clientelista e fisiológica do que o senhor do Maranhão. Em suma, para descrevê-lo fico com o publicado pela revista britânica The Economist, “nos grotões do Brasil ainda prevalece o semi-feudalismo”.
A forma como Sarney trata o Maranhão, a política de bastidores na qual é especialista, o costume de recorrer ao tapetão quando perde nas urnas e de lá sair triunfante – haja visto o que ocorreu com Jackson Lago e João Capiberibe – além do fato de ocupar freqüentemente a presidência do Senado dão razão ao The Economist. Sendo assim, subentende-se qualquer vitória de Sarney como derrota para a democracia brasileira.
Agora o governo Lula está na mesma enrascada em que se viu há dois anos, quando defendeu o indefensável. Ou seja, ontem Renan Calheiros, hoje José Sarney. E, possivelmente, o PT levará outra facada nas costas. Quem não se lembra de Ideli Salvati, então líder do PT no Senado, defendendo o quanto podia o senador alagoano. Ano e meio depois teve o gosto amargo de vê-lo empossar Collor na presidência da Comissão de Infra-Estrutura (cargo que ela disputou com o caçador de marajás). E o pior, Collor ganhou a Comissão de Infra-Estrutura na barganha em troca do apoio ao grupo de Sarney e Calheiros contra a postulação de Tião Viana à presidência do Senado. Sarney havia jurado de pés juntos que não concorreria uma terceira vez a cadeira mais alta do Senado e que trabalharia em prol da vitória de Viana. Mudou de planos ao fechar um grande leque de alianças entre partidos governistas e da oposição.
Além disso a dupla Sarney/Calheiros tem outro objetivo, derrubar Tarso Genro, ministro petista da Justiça, e porem no seu lugar outro aliado, Nelson Jobim.
No atual exercício de presidente da Câmara Alta, Sarney vem sendo bombardeado por diversos setores e é impossível desvinculá-lo de toda a sorte de escândalos que atingem aquela instituição.
O Senado por si só e pela gênese é uma instituição arcaica e oligárquica, além de ser politicamente anacrônica. Todavia não passaria incólume à presença de Sarney, Renan Calheiros, Agripino Maia, Heráclito Fortes, Jarbas Vasconcelos, Jader Barbalho, Demóstenes Torres, Fernando Collor, Marconi Perillo, Mozarildo Cavalcanti, Romeu Tuma, Francisco Dornelles, Kátia Abreu, Hélio Costa e o suplente Wellington Salgado, e em tempos nem tão priscos assim a ACM, etc..etc... Portanto, o estranho é que só agora a imprensa tenha resolvido levantar o tapete e ver quanta sujeira há por debaixo dele. Se Sarney representa o que há de mais atrasado, não só na política tupiniquim, mas também em toda a sociedade (e eu não tenho duvidas de que ele representa isso) será que a mídia oligopolizada nunca se deu conta disso?
Óbvio que não sou ingênuo o bastante para crer que a mídia oligopolizada está apenas desempenhando o papel de investigação imparcial. Fosse isso já teria há muito mostrado os podres, e bota podre nisso, e os negócios escusos do “Senhor” do Maranhão e Amapá. Sarney sempre foi portador do péssimo hábito de não saber diferenciar o público do privado e acha que sua família é ungida pelos céus para ocupar todos os cargos de relevância na política e justiça maranhense.
Claro que a tentativa de derrubar Sarney parte, nesse momento, dos interesses de José Serra em implodir a construção duma aliança PT/PMDB e criar dificuldades para o término do governo Lula. Porém a maldita governabilidade e/ou alianças com fins exclusivamente eleitorais não podem servir como visto de permanência eterna na vida pública de figuras iguais a Sarney.
Durante quase todo o governo Lula o PT tem sido refém da governabilidade, e por ela pode inclusive abdicar à indicação de candidatos fortes em alguns estados, no entanto a hora parece propicia para arrancar Sarney da presidência do Senado, mesmo sendo difícil prever quem o sucederia. Contudo para a democracia brasileira seria um enorme passo adiante.
Que respeito pode merecer um homem que há mais de quarenta anos controla feito um feudo o estado mais miserável do Brasil? Caso o Maranhão fosse uma república independente (para os Sarney seria melhor monarquia) seu IDH estaria próximo ao do Haiti.
Por isso tudo, e não precisamos de mais, é dever dos movimentos populares e democráticos pedir explicações aos mandos e desmandos ocorridos no Senado Federal e lutar para erradicar Sarney da vida pública. O dano que esse senhor já fez ao Brasil é incalculável, assim como não dá pra calcular a miséria e a fome como a que vivem milhões de maranhenses.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28
Nos estertores da ditadura militar antes que manifestações populares começassem a dar ojeriza aos grupos políticos civis mais ligados ao estado de exceção, ACM, Jorge Bornhausen, Aureliano Chaves e Marco Maciel formaram uma dissidência dentro do PDS no intuito exclusivo de não perderem os anéis. Mudaram de barco e apoiaram Tancredo Neves, político liberal-conservador, da confiança dos militares e que significava o fim negociado da ditadura. A chamada Frente Liberal garantiria a eleição do mineiro à presidência e lhe daria o nome do vice, o senador maranhense José Sarney. Sarney era até pouco tempo presidente da Arena e posteriormente do seu herdeiro, o PDS. Fez carreira política defendendo os militares e aos 45 minutos do segundo tempo trocou de time e tornou-se um democrata convicto. Tínhamos aí uma chapa com a “Raposa das Alterosas” e o “Senhor do Maranhão”.
Tancredo morreu (sem sequer tomar posse) e Sarney assumiu à presidência da república fazendo um governo no mínimo catastrófico, isso todos sabemos e esse período da História do Brasil, por tão denso e rico que é, fica pra outro post.
O que interessa aqui é o fato de Sarney, após sair da presidência da República em 1990 sentar pela terceira vez na cadeira de presidente do Senado Federal – as outras duas foram respectivamente nos biênios 1995/96 e 2003/04, sempre com o apoio declarado do Palácio do Planalto (FFHH e Lula).
Ninguém nesse país consegue politicamente personificar melhor o atraso, as oligarquias, a política mais vil e baixa – genuinamente franciscana, do é dando que se recebe –, mais velhaca, mais rastaqüera, distante do cheiro do povão, enfim, mais antidemocrática, clientelista e fisiológica do que o senhor do Maranhão. Em suma, para descrevê-lo fico com o publicado pela revista britânica The Economist, “nos grotões do Brasil ainda prevalece o semi-feudalismo”.
A forma como Sarney trata o Maranhão, a política de bastidores na qual é especialista, o costume de recorrer ao tapetão quando perde nas urnas e de lá sair triunfante – haja visto o que ocorreu com Jackson Lago e João Capiberibe – além do fato de ocupar freqüentemente a presidência do Senado dão razão ao The Economist. Sendo assim, subentende-se qualquer vitória de Sarney como derrota para a democracia brasileira.
Agora o governo Lula está na mesma enrascada em que se viu há dois anos, quando defendeu o indefensável. Ou seja, ontem Renan Calheiros, hoje José Sarney. E, possivelmente, o PT levará outra facada nas costas. Quem não se lembra de Ideli Salvati, então líder do PT no Senado, defendendo o quanto podia o senador alagoano. Ano e meio depois teve o gosto amargo de vê-lo empossar Collor na presidência da Comissão de Infra-Estrutura (cargo que ela disputou com o caçador de marajás). E o pior, Collor ganhou a Comissão de Infra-Estrutura na barganha em troca do apoio ao grupo de Sarney e Calheiros contra a postulação de Tião Viana à presidência do Senado. Sarney havia jurado de pés juntos que não concorreria uma terceira vez a cadeira mais alta do Senado e que trabalharia em prol da vitória de Viana. Mudou de planos ao fechar um grande leque de alianças entre partidos governistas e da oposição.
Além disso a dupla Sarney/Calheiros tem outro objetivo, derrubar Tarso Genro, ministro petista da Justiça, e porem no seu lugar outro aliado, Nelson Jobim.
No atual exercício de presidente da Câmara Alta, Sarney vem sendo bombardeado por diversos setores e é impossível desvinculá-lo de toda a sorte de escândalos que atingem aquela instituição.
O Senado por si só e pela gênese é uma instituição arcaica e oligárquica, além de ser politicamente anacrônica. Todavia não passaria incólume à presença de Sarney, Renan Calheiros, Agripino Maia, Heráclito Fortes, Jarbas Vasconcelos, Jader Barbalho, Demóstenes Torres, Fernando Collor, Marconi Perillo, Mozarildo Cavalcanti, Romeu Tuma, Francisco Dornelles, Kátia Abreu, Hélio Costa e o suplente Wellington Salgado, e em tempos nem tão priscos assim a ACM, etc..etc... Portanto, o estranho é que só agora a imprensa tenha resolvido levantar o tapete e ver quanta sujeira há por debaixo dele. Se Sarney representa o que há de mais atrasado, não só na política tupiniquim, mas também em toda a sociedade (e eu não tenho duvidas de que ele representa isso) será que a mídia oligopolizada nunca se deu conta disso?
Óbvio que não sou ingênuo o bastante para crer que a mídia oligopolizada está apenas desempenhando o papel de investigação imparcial. Fosse isso já teria há muito mostrado os podres, e bota podre nisso, e os negócios escusos do “Senhor” do Maranhão e Amapá. Sarney sempre foi portador do péssimo hábito de não saber diferenciar o público do privado e acha que sua família é ungida pelos céus para ocupar todos os cargos de relevância na política e justiça maranhense.
Claro que a tentativa de derrubar Sarney parte, nesse momento, dos interesses de José Serra em implodir a construção duma aliança PT/PMDB e criar dificuldades para o término do governo Lula. Porém a maldita governabilidade e/ou alianças com fins exclusivamente eleitorais não podem servir como visto de permanência eterna na vida pública de figuras iguais a Sarney.
Durante quase todo o governo Lula o PT tem sido refém da governabilidade, e por ela pode inclusive abdicar à indicação de candidatos fortes em alguns estados, no entanto a hora parece propicia para arrancar Sarney da presidência do Senado, mesmo sendo difícil prever quem o sucederia. Contudo para a democracia brasileira seria um enorme passo adiante.
Que respeito pode merecer um homem que há mais de quarenta anos controla feito um feudo o estado mais miserável do Brasil? Caso o Maranhão fosse uma república independente (para os Sarney seria melhor monarquia) seu IDH estaria próximo ao do Haiti.
Por isso tudo, e não precisamos de mais, é dever dos movimentos populares e democráticos pedir explicações aos mandos e desmandos ocorridos no Senado Federal e lutar para erradicar Sarney da vida pública. O dano que esse senhor já fez ao Brasil é incalculável, assim como não dá pra calcular a miséria e a fome como a que vivem milhões de maranhenses.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28
sábado, 27 de junho de 2009
AO BRASIL E AOS BRASILEIROS
Bom dia, Brasil e brasileiros:
E como nada muda em nosso cenário político - o que mais está em evidência hoje -, mas apenas no cenário artístico com mortes atrás de mortes de nossos melhores atores e atrizes do mundo da 7ª Arte, esse UNIVERSO com muitos rostos facciosos, que já se faz podre desde há muito tempo, continua a nos dar espetáculos de primeiríssima grandeza. Já transbordou a podridão; já fede o excremento que solapa a cabeça de muitos desses engravatados; oferecem-nos a cicuta, que mata dolorosa e demoradamente, que corre nas veias dessa camarilha putrefata que se instalou em Brasília, a começar pela própria construção da cidade no planalto goiano. Mas, jamais poderíamos imaginar que ali fosse se formar um ninho de urubus, e que eles próprios se transformariam em carniça tempos depois, e, ainda, que um dia, por um capricho do destino, um nordestino de cabeça vazia, para coisas sérias e nacionais, tivesse acesso ao mais alto cargo público do país e usasse de suas prerrogativas para distribuir NOSSO DINHEIRO às nações vizinhas em detrimento ao povo que aqui labuta e lhes enche a "burra" de reais.
Há que se construir um PAREDÃO DE CONCRETO ARMADO E AÇO para nele enfileirarmos esses "MÃOS LEVES" - QUE SÓ TRABALHAM ÁS ESCONDIDAS, NO SILÊNCIO DOS ENCERRAMENTOS DAS FÉRIAS HODIERNAS, SIM, POR QUE O CONGRESSO É UM PARQUE DE DIVERSÕES ONDE HÁ MAIS "GERENTES" QUE TRABALHADORES, COMO NUM VERDADEIRO CAMPUS DE FÉRIAS - e fuzilarmos a todos sem pena, não deixando nem o sangue dessa raça sujar mais ainda o solo brasiliense. Está tudo INFECTADO, e nem o vírus da gripe SUÍNA mete tanto medo como nos metem as decisões "PARTICULARES E ÍNTIMAS" desses postulantes ao PAREDON! Pena deles? Jamais! Pergunte-se a qualquer deles se têm pena do Brasil e dos brasileiros? O POVO não existe para os nobres e elegantes cidadãos de uma ESTIRPE ELEVADA. O POVO tem sido meio de galgarem mais um degrau na escala política, que mais se enlameia a cada legislatura, a cada reunião e em todas as CPIs - deveriam colocar mesas, pratos e talheres para comerem as "PIZZAS" que saem dos fornos da insensatez, ali mesmo, no plenário, onde se reúnem para "BRINCAR DE INVESTIGAÇÕES"! - e estaria tudo resolvido para eles e seus iguais! Brasília é uma IMENSA POCILGA! O PALÁCIO PRESIDENCIAL é a sua porta de entrada, a sua ANTESALA e a sua CÂMARA DE TORTURA, onde são esmagados os anseios de toda uma população esquecida e jogada para um lado como BAGAÇO SEM OUTRO USO A NÃO SER O DE SERVIR-LHES DE "ALIMENTO". Não estamos lidando com PORCOS? Esperar o que mais?
E como nada muda em nosso cenário político - o que mais está em evidência hoje -, mas apenas no cenário artístico com mortes atrás de mortes de nossos melhores atores e atrizes do mundo da 7ª Arte, esse UNIVERSO com muitos rostos facciosos, que já se faz podre desde há muito tempo, continua a nos dar espetáculos de primeiríssima grandeza. Já transbordou a podridão; já fede o excremento que solapa a cabeça de muitos desses engravatados; oferecem-nos a cicuta, que mata dolorosa e demoradamente, que corre nas veias dessa camarilha putrefata que se instalou em Brasília, a começar pela própria construção da cidade no planalto goiano. Mas, jamais poderíamos imaginar que ali fosse se formar um ninho de urubus, e que eles próprios se transformariam em carniça tempos depois, e, ainda, que um dia, por um capricho do destino, um nordestino de cabeça vazia, para coisas sérias e nacionais, tivesse acesso ao mais alto cargo público do país e usasse de suas prerrogativas para distribuir NOSSO DINHEIRO às nações vizinhas em detrimento ao povo que aqui labuta e lhes enche a "burra" de reais.
Há que se construir um PAREDÃO DE CONCRETO ARMADO E AÇO para nele enfileirarmos esses "MÃOS LEVES" - QUE SÓ TRABALHAM ÁS ESCONDIDAS, NO SILÊNCIO DOS ENCERRAMENTOS DAS FÉRIAS HODIERNAS, SIM, POR QUE O CONGRESSO É UM PARQUE DE DIVERSÕES ONDE HÁ MAIS "GERENTES" QUE TRABALHADORES, COMO NUM VERDADEIRO CAMPUS DE FÉRIAS - e fuzilarmos a todos sem pena, não deixando nem o sangue dessa raça sujar mais ainda o solo brasiliense. Está tudo INFECTADO, e nem o vírus da gripe SUÍNA mete tanto medo como nos metem as decisões "PARTICULARES E ÍNTIMAS" desses postulantes ao PAREDON! Pena deles? Jamais! Pergunte-se a qualquer deles se têm pena do Brasil e dos brasileiros? O POVO não existe para os nobres e elegantes cidadãos de uma ESTIRPE ELEVADA. O POVO tem sido meio de galgarem mais um degrau na escala política, que mais se enlameia a cada legislatura, a cada reunião e em todas as CPIs - deveriam colocar mesas, pratos e talheres para comerem as "PIZZAS" que saem dos fornos da insensatez, ali mesmo, no plenário, onde se reúnem para "BRINCAR DE INVESTIGAÇÕES"! - e estaria tudo resolvido para eles e seus iguais! Brasília é uma IMENSA POCILGA! O PALÁCIO PRESIDENCIAL é a sua porta de entrada, a sua ANTESALA e a sua CÂMARA DE TORTURA, onde são esmagados os anseios de toda uma população esquecida e jogada para um lado como BAGAÇO SEM OUTRO USO A NÃO SER O DE SERVIR-LHES DE "ALIMENTO". Não estamos lidando com PORCOS? Esperar o que mais?
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A DITADURA DA MAIORIA
Por Tiago Barbosa Mafra
O discurso corrente na atualidade é que a humanidade, mais especificamente o homem ocidental, alcançou o modelo mais perfeito de governo: a democracia. Diante de algumas questões da política brasileira e afirmações lançadas recente e continuamente na mídia, cabem certas analises. O que é democracia? Estará ela tomada por idiotas? O objetivo deste artigo é fazer uma breve reflexão a partir do artigo de Luiz Felipe Pondé, sobre como o modelo econômico vigente atrelado aos meios de comunicação, contribuem para a apatia política do país, e paralelamente, para um entrave na busca por uma democracia verdadeira e efetiva.
O que é democracia, afinal? Utilizando simplesmente a etimologia, é o governo do povo, para o povo, pelo povo. É, portanto, a população governando a si mesma, visando sempre sanar os problemas da vida cotidiana e atender às necessidades da maioria, do coletivo, na busca da garantia da sua sobrevivência justa e digna.
Em contrapartida, o que assistimos hoje, segundo o texto de Luiz Felipe Pondé veiculado na Folha em 08/06/09, “A ciência idiota da política”, é a democracia confundida com a relação entre opinião pública (moldada) e a vontade popular. Segundo o texto, a soberania popular tem continuamente sido tomada como sendo a opinião pública veiculada pela estrutura midiática que proclama saber “o que o povo pensa”.
Tal discussão ganha força frente a rumores de um possível terceiro mandato do presidente Luís Inácio da Silva (o qual já descartou a possibilidade), que intriga e confunde favoráveis e contrários à medida. O texto em questão afirma que o modelo presidencialista de governo “(…) corre maior risco de cair na armadilha personalista e populista do executivo” (1). Para demonstrar que a causa do rebuliço não é a permanência do presidente Lula, como querem os “idiotas”, e muito menos a defesa da “estrutura democrática” das mazelas da personificação do poder, faz-se necessário atentar para os seguintes pontos, que descobrem a verdadeira inquietação.
Primeiramente é preciso contextualizar o que chamamos de “democracia brasileira”. Vive-se atualmente em uma profunda “apatia política” (2). A maioria do povo, outrora ligado a partidos ou a ideologias e que utilizavam tais instrumentos como canalizadores da vontade popular, não mais se envolvem em qualquer atividade de reivindicação ou condução popular. “A política está fora da realidade das pessoas” (3).
É nessa lacuna criada pela apatia política, que se consolida o primado dos interesses econômicos sobre o interesse político popular. Vivendo em um modelo econômico que se baseia na propriedade privada, na exploração do trabalho e na concentração de renda por grandes monopólios e oligopólios, resta à massa trabalhadora a corrida constante pela garantia da sobrevivência, pouco importando a atuação política que nada de material, pelo menos imediatamente, lhe trás. Torna-se escasso até mesmo o tempo de reflexão sobre a conjuntura do poder no país. Porém, nesse momento, se encaixam os meios de comunicação.
A mídia, que não está suspensa da realidade, comunga com o povo do mesmo modelo capitalista e em grande parte, a ele serve. Por serem os meios de comunicação, acima de tudo, propriedades privadas, atuam portanto de acordo com os interesses de seus proprietários, optando por orientar o enfoque sobre determinadas questões de maneira que lhes é mais conveniente e economicamente viável. O povo então, desprovido de pensamento próprio e acreditando em uma neutralidade dos meios de comunicação (que não existe e nunca existirá), adota como seu pensamento que não lhe é autêntico.
Já é perceptível o discurso contra os “idiotas” que defendem a possibilidades de um terceiro mandato. Sim, por que nos últimos anos à medida que cresce a Participação popular no exercício do poder, ou os fins da atividade estatal se dirigem de preferência para o atendimento dos clamores de melhoria e reforma social, erguidos pelas classes mais impacientes da sociedade, cresce concomitantemente o prestígio dos partidos, e se firma como Consenso geral a convicção de que ele é imprescindível à democracia em seu estado atual, e com ela se identifica quanto a tarefas, fins e propósitos almejados (4).
Durante os dois mandatos do presidente Lula, o que é visível é uma tentativa, mesmo que paulatina, de transformação das estruturas de distribuição de renda (5) . Contrariando expectativas de intelectuais e trabalhadores, o governo do presidente atual, partidário de uma organização política que estatutariamente se declara socialista, é mais reformista do que revolucionário. Entretanto, mesmo as “reformas”, não agradam as elites do país por colocarem em risco a relativa tranquilidade que já gozam a tempos. Portanto, não é a continuidade da pessoa, o populismo, não é a raiz do problema, mas sim a continuidade do projeto de construção de um Estado que utiliza dos instrumentos da máquina pública para o fortalecimento do próprio Estado e o benefício do povo. Aliás, nada mais justo do que a estrutura pública a serviço do povo.
Esclarecida a questão, resta então o ponto mais importante: a construção de uma verdadeira democracia, desvinculada do padrão contemporâneo exposto por Eduardo Bittar:
“Seria a associação entre capitalismo, liberalismo e democracia uma espécie de bastião transformador da realidade política contemporânea, ou simples aparato ideológico de expansão do ideário moderno, progressista e acumulador de riquezas de alguns países industrializados? (6)”
Para que essa verdadeira democracia concretize-se é indispensável e determinante um cidadão educado politicamente, capaz de interpretar e se posicionar frente as condições políticas que lhe são postas, sem que seja impulsionado a “comprar” uma idéia que não é sua, ou seja, compartilhar da opinião pública forjada sob interesses daqueles que controlam a mídia. Isso só será possível com a transformação do súdito da ditadura da maioria burra em cidadão atuante e consciente, que busque a construção da verdadeira democracia , onde, como foi definido no começo deste texto, impere o interesse coletiva sobre o interesse particular, findando o primado da economia sobre a política.
Tão idiotas quanto os que creem na continuidade do presidente Lula como solução das mazelas brasileiras, são também os que esperam que unicamente a rotatividade no poder garanta a sobrevivência da democracia brasileira nos moldes tradicionais. Para finalizar, não é possível passar em branco a alfinetada de Pondé quando este escreva: “Qualquer pessoa que seja favorável a um terceiro mandato de Lula (…) tem sonhos eróticos com (…) a ‘monarquia popular de Fidel (7)” . Para tanto, e encerrando, cito Frei Betto:
“Cuba resiste como único exemplo latino americano de democracia social e econômica (…) Quem considera que democracia se reduz a eleições periódicas não deve esquecer que em Cuba não há massacres do tipo Carandiru, grupos de extermínio, sequestros, desaparecimentos, assassinatos de crianças, aposentados desassistidos e extorsão financeira para acesso a saúde e a educação, que são gratuitas. (…) Por isso Cuba incomoda que acredita que encher urnas é mais importante que encher barrigas. Mesmo por que essa gente nunca passou fome. No máximo, teve apetite, com direito a couvert. (8)”
1 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.
2 Olhemos ao nosso redor. Nas democracias mais consolidadas assistimos impotents ao fenômeno da apatia política, que frequentemente chega a envolver cerca de metade dos que têm direito ao voto. Do ponto de vista da cultura política, estas são pessoas que não estão orientadas nem para os output nem para os input. Estão simplesmente desinteressadas daquilo que, como se diz na Itália com uma feliz expressão, acontece no “palácio”. Sei bem que também podem ser dadas interpretações benévolas da apatia política. Mais inclusive as interpretações mais benévolas não conseguem tirar-me da mente que os grandes escritores democráticos recusar-se-iam ao reconhecer na renúncia ao uso do próprio direito um benéfico fruto da educação para a cidadania. – BOBBIO, N.. “O futuro da democracia”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986: 32.
3 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 32.
4 “A democracia”, 277.
5 Exemplo é a medida do ultimo dia 16/06/2009, Terça Feira, em que ficou determinada a compra de 30% da merenda escolar de todo o país de pequenos proprietários agrícolas, que se organizam no modelo de agricultura familiar.
6 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 34.
7 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.
8 Texto de Frei Betto citado no jornal O Estado de São Paulo em 05/04/1995.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
O discurso corrente na atualidade é que a humanidade, mais especificamente o homem ocidental, alcançou o modelo mais perfeito de governo: a democracia. Diante de algumas questões da política brasileira e afirmações lançadas recente e continuamente na mídia, cabem certas analises. O que é democracia? Estará ela tomada por idiotas? O objetivo deste artigo é fazer uma breve reflexão a partir do artigo de Luiz Felipe Pondé, sobre como o modelo econômico vigente atrelado aos meios de comunicação, contribuem para a apatia política do país, e paralelamente, para um entrave na busca por uma democracia verdadeira e efetiva.
O que é democracia, afinal? Utilizando simplesmente a etimologia, é o governo do povo, para o povo, pelo povo. É, portanto, a população governando a si mesma, visando sempre sanar os problemas da vida cotidiana e atender às necessidades da maioria, do coletivo, na busca da garantia da sua sobrevivência justa e digna.
Em contrapartida, o que assistimos hoje, segundo o texto de Luiz Felipe Pondé veiculado na Folha em 08/06/09, “A ciência idiota da política”, é a democracia confundida com a relação entre opinião pública (moldada) e a vontade popular. Segundo o texto, a soberania popular tem continuamente sido tomada como sendo a opinião pública veiculada pela estrutura midiática que proclama saber “o que o povo pensa”.
Tal discussão ganha força frente a rumores de um possível terceiro mandato do presidente Luís Inácio da Silva (o qual já descartou a possibilidade), que intriga e confunde favoráveis e contrários à medida. O texto em questão afirma que o modelo presidencialista de governo “(…) corre maior risco de cair na armadilha personalista e populista do executivo” (1). Para demonstrar que a causa do rebuliço não é a permanência do presidente Lula, como querem os “idiotas”, e muito menos a defesa da “estrutura democrática” das mazelas da personificação do poder, faz-se necessário atentar para os seguintes pontos, que descobrem a verdadeira inquietação.
Primeiramente é preciso contextualizar o que chamamos de “democracia brasileira”. Vive-se atualmente em uma profunda “apatia política” (2). A maioria do povo, outrora ligado a partidos ou a ideologias e que utilizavam tais instrumentos como canalizadores da vontade popular, não mais se envolvem em qualquer atividade de reivindicação ou condução popular. “A política está fora da realidade das pessoas” (3).
É nessa lacuna criada pela apatia política, que se consolida o primado dos interesses econômicos sobre o interesse político popular. Vivendo em um modelo econômico que se baseia na propriedade privada, na exploração do trabalho e na concentração de renda por grandes monopólios e oligopólios, resta à massa trabalhadora a corrida constante pela garantia da sobrevivência, pouco importando a atuação política que nada de material, pelo menos imediatamente, lhe trás. Torna-se escasso até mesmo o tempo de reflexão sobre a conjuntura do poder no país. Porém, nesse momento, se encaixam os meios de comunicação.
A mídia, que não está suspensa da realidade, comunga com o povo do mesmo modelo capitalista e em grande parte, a ele serve. Por serem os meios de comunicação, acima de tudo, propriedades privadas, atuam portanto de acordo com os interesses de seus proprietários, optando por orientar o enfoque sobre determinadas questões de maneira que lhes é mais conveniente e economicamente viável. O povo então, desprovido de pensamento próprio e acreditando em uma neutralidade dos meios de comunicação (que não existe e nunca existirá), adota como seu pensamento que não lhe é autêntico.
Já é perceptível o discurso contra os “idiotas” que defendem a possibilidades de um terceiro mandato. Sim, por que nos últimos anos à medida que cresce a Participação popular no exercício do poder, ou os fins da atividade estatal se dirigem de preferência para o atendimento dos clamores de melhoria e reforma social, erguidos pelas classes mais impacientes da sociedade, cresce concomitantemente o prestígio dos partidos, e se firma como Consenso geral a convicção de que ele é imprescindível à democracia em seu estado atual, e com ela se identifica quanto a tarefas, fins e propósitos almejados (4).
Durante os dois mandatos do presidente Lula, o que é visível é uma tentativa, mesmo que paulatina, de transformação das estruturas de distribuição de renda (5) . Contrariando expectativas de intelectuais e trabalhadores, o governo do presidente atual, partidário de uma organização política que estatutariamente se declara socialista, é mais reformista do que revolucionário. Entretanto, mesmo as “reformas”, não agradam as elites do país por colocarem em risco a relativa tranquilidade que já gozam a tempos. Portanto, não é a continuidade da pessoa, o populismo, não é a raiz do problema, mas sim a continuidade do projeto de construção de um Estado que utiliza dos instrumentos da máquina pública para o fortalecimento do próprio Estado e o benefício do povo. Aliás, nada mais justo do que a estrutura pública a serviço do povo.
Esclarecida a questão, resta então o ponto mais importante: a construção de uma verdadeira democracia, desvinculada do padrão contemporâneo exposto por Eduardo Bittar:
“Seria a associação entre capitalismo, liberalismo e democracia uma espécie de bastião transformador da realidade política contemporânea, ou simples aparato ideológico de expansão do ideário moderno, progressista e acumulador de riquezas de alguns países industrializados? (6)”
Para que essa verdadeira democracia concretize-se é indispensável e determinante um cidadão educado politicamente, capaz de interpretar e se posicionar frente as condições políticas que lhe são postas, sem que seja impulsionado a “comprar” uma idéia que não é sua, ou seja, compartilhar da opinião pública forjada sob interesses daqueles que controlam a mídia. Isso só será possível com a transformação do súdito da ditadura da maioria burra em cidadão atuante e consciente, que busque a construção da verdadeira democracia , onde, como foi definido no começo deste texto, impere o interesse coletiva sobre o interesse particular, findando o primado da economia sobre a política.
Tão idiotas quanto os que creem na continuidade do presidente Lula como solução das mazelas brasileiras, são também os que esperam que unicamente a rotatividade no poder garanta a sobrevivência da democracia brasileira nos moldes tradicionais. Para finalizar, não é possível passar em branco a alfinetada de Pondé quando este escreva: “Qualquer pessoa que seja favorável a um terceiro mandato de Lula (…) tem sonhos eróticos com (…) a ‘monarquia popular de Fidel (7)” . Para tanto, e encerrando, cito Frei Betto:
“Cuba resiste como único exemplo latino americano de democracia social e econômica (…) Quem considera que democracia se reduz a eleições periódicas não deve esquecer que em Cuba não há massacres do tipo Carandiru, grupos de extermínio, sequestros, desaparecimentos, assassinatos de crianças, aposentados desassistidos e extorsão financeira para acesso a saúde e a educação, que são gratuitas. (…) Por isso Cuba incomoda que acredita que encher urnas é mais importante que encher barrigas. Mesmo por que essa gente nunca passou fome. No máximo, teve apetite, com direito a couvert. (8)”
1 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.
2 Olhemos ao nosso redor. Nas democracias mais consolidadas assistimos impotents ao fenômeno da apatia política, que frequentemente chega a envolver cerca de metade dos que têm direito ao voto. Do ponto de vista da cultura política, estas são pessoas que não estão orientadas nem para os output nem para os input. Estão simplesmente desinteressadas daquilo que, como se diz na Itália com uma feliz expressão, acontece no “palácio”. Sei bem que também podem ser dadas interpretações benévolas da apatia política. Mais inclusive as interpretações mais benévolas não conseguem tirar-me da mente que os grandes escritores democráticos recusar-se-iam ao reconhecer na renúncia ao uso do próprio direito um benéfico fruto da educação para a cidadania. – BOBBIO, N.. “O futuro da democracia”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986: 32.
3 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 32.
4 “A democracia”, 277.
5 Exemplo é a medida do ultimo dia 16/06/2009, Terça Feira, em que ficou determinada a compra de 30% da merenda escolar de todo o país de pequenos proprietários agrícolas, que se organizam no modelo de agricultura familiar.
6 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 34.
7 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.
8 Texto de Frei Betto citado no jornal O Estado de São Paulo em 05/04/1995.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
quinta-feira, 25 de junho de 2009
DESMANTELAR O EDIFICO DE ILUSÕES-CHOMSKY
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Para Chomsky, é preciso "desmantelar o edifício de ilusões"
Embora eu seja leitor assíduo e admirador da produção intelectual e política de Noam Chomsky, não me lembro de já ter postado nenhum artigo do (ou sobre o) intrépido ativista, lingüista e filósofo estadunidense. Então corrijo, agora, tamanha falha.
Por David Brooks/La Jornada
[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7169]
Quando se fala da "crise", quase todos se referem à financeira, visto que afeta diretamente os ricos, mas a crise dos bilhões de seres humanos que passam fome - entre eles cerca de 40 milhões nos Estados Unidos - não é a que tem mais urgência, porque todos os que a sofrem são pobres, afirmou Noam Chomsky.
Com voz tranquila, Chomsky cuidadosamente destruiu os mitos do chamado mercado livre, e documentou de maneira sintética as muitas situações de crise - a econômica e a financeira, a do militarismo, a do ambiente e a alimentar, entre outras - e as suas ligações comuns, construindo uma radiografia de um sistema que se mascara de "democracia", mas cujo objetivo final é socializar os prejuízos, privatizar os lucros e defender o privilégio de uma cada vez mais reduzida minoria rica, com consequências cada vez mais sinistras para as maiorias e para o próprio planeta.
É necessário "desmontar o edifício de ilusões" que se vende como democracia de mercado livre para que o ser humano sobreviva, e para isso exige-se um confronto com o modelo que visa proteger os interesses da "minoria da opulência contra as maiorias", afirmou.
"O povo paga os custos"
Chomsky discursou na passada sexta-feira, perante cerca de 1.500 pessoas, do pódio da famosa igreja Riverside, o mesmo em que Martin Luther King Jr. proferiu o seu histórico discurso de 1967 contra a guerra do Vietnã e o sistema imperial dos Estados Unidos, onde também se escutou Nelson Mandela e, mais recentemente, Arundhati Roy - num evento organizado pelo Fórum Brecht, um centro de investigação independente de esquerda.
"As crises de hoje estão interligadas de diversas formas", afirmou, e algumas são mais prioritárias que outras, pela simples razão expressa por Adam Smith de que "os principais arquitetos das políticas garantem que os seus próprios interesses são os que predominam, sem se importarem com os custos".
E Chomsky, como sempre, deu exemplo atrás de exemplo, documentando a história. Falou sobre a história do Haiti, desde os franceses e a invasão dos EUA de Woodrow Wilson, até à manipulação feita por Washington do desafio de Jean Bertrand Aristide, tanto pelo republicano George Bush (pai) como pelo democrata Bill Clinton, impondo o modelo neoliberal, com o resultado inevitável de "destruir a soberania econômica" deste país, que está agora nas linhas da frente da crise alimentar.
"Esta história é muito parecida em todo o mundo", acrescentou, apontando o Bangladesh e dezenas de exemplos mais.
"A raiz comum das crises de hoje no Sul e no Norte é a mudança para o neoliberalismo que se dá nos anos setenta", declarou. Isto marcou o fim do crescimento sustentável da era do pós-guerra, conhecida como a "era dourada do capitalismo", com o seu Estado-providência e os seus aumentos a nível de rendimentos e de direitos.
Hoje em dia, "o livre fluxo de capital cria um Senado virtual que realiza um referendo instantâneo que veta tentativas de beneficiar as maiorias à custa dos seus interesses".
Agora, com a atual crise que afeta os ricos, adota-se a mesma estratégia de sempre: "a população paga os prejuízos e assume o risco, enquanto os lucros são privatizados".
Do púlpito da igreja Riverside em Nova York, Noam Chomsky disse no fim-de-semana que perante as crises existentes, o sistema neoliberal protege as minorias abastadas em detrimento das maiorias.
Também se focou no plano da política externa, dizendo que Washington não pretende abandonar tão rapidamente o Iraque, e advertiu que a nova abordagem sobre o Paquistão e o Afeganistão é um jogo muito perigoso, uma vez que ameaça a paz mundial e a sobrevivência humanas, por causa das armas nucleares aí existentes.
Acrescentou que é alarmante que um "assassino membro das forças especiais de olhos enlouquecidos", o general Stanley McChrystal, tenha sido nomeado comandante das forças norte-americanas no Afeganistão.
Por outro lado, assinalou que agora é o momento-chave para definir a sobrevivência humana perante a crise climática.
"Temos de enfrentar talvez o mais importante: a forma de inverter o modelo corporativo-estatal estabelecido durante o pós-guerra", promovido por empresas de automóveis, petrolíferas, entre outras, que levou a esta crise ambiental e outras.
Na sua análise das crises do mundo, disse que para impor políticas que não reflitam o interesse das maiorias nos Estados Unidos e noutros países, recorreu-se menos à força do que "ao controle da opinião pública através da indústria de relações públicas, com o objetivo de criar consenso".
Mas impera sempre, desde os inícios desta república, a noção de proteger os "interesses da minoria abastada" contra todos os demais, com conceitos de que "uma minoria inteligente tem que governar uma maioria ignorante e intrometida". Agora isto é manejado por uma "elite tecnocrática", mas com a mesma doutrina.
Destacou a resistência popular para enfrentar o projeto da elite, e sublinhou que as rebeliões dos anos 60 "tiveram um efeito civilizador". Acrescentou que sempre se lançaram "ataques da elite contra a democracia" e que o modelo do mercado livre corporativo continua a ser o "obstáculo à eficiência e à tomada racional de decisões racionais".
"Não há nenhuma razão para permanecerem passivos", disse ele à sua audiência de esquerda. "Por que não ocupar uma fábrica (em referência aos cortes da General Motors) para a converter em centro de produção de transportes de massa? Não é uma questão exótica. Que os trabalhadores controlem as suas fábricas é tão tipicamente americano como a torta de maçã".
Na verdade, acrescentou, parte do objetivo dos administradores do sistema atual é "apagar todas as memórias das lutas" sociais, mas advertiu que suspeita que estas tendências "continuam latentes" nos mais desfavorecidos e "podem ser despertadas".
Este é um momento propício para o fazer".
A tarefa é superar o "déficit democrático", acrescentou, e "promover uma sociedade democrática, que funcione na realidade." Entre as chaves para o conseguir identificou a renovação dos sindicatos, a luta educativa e cultural e a necessidade de "desmantelar o edifício de ilusões" pela minoria que governa nas chamadas democracias formais.
A crise fundamental de hoje é, talvez, a do "déficit democrático", resumiu, esse fosso que existe entre os interesses das grandes maiorias e as políticas dos governantes.
Tradução de Rui Maio para o Esquerda.net. [http://www.esquerda.net/]
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:39
Para Chomsky, é preciso "desmantelar o edifício de ilusões"
Embora eu seja leitor assíduo e admirador da produção intelectual e política de Noam Chomsky, não me lembro de já ter postado nenhum artigo do (ou sobre o) intrépido ativista, lingüista e filósofo estadunidense. Então corrijo, agora, tamanha falha.
Por David Brooks/La Jornada
[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7169]
Quando se fala da "crise", quase todos se referem à financeira, visto que afeta diretamente os ricos, mas a crise dos bilhões de seres humanos que passam fome - entre eles cerca de 40 milhões nos Estados Unidos - não é a que tem mais urgência, porque todos os que a sofrem são pobres, afirmou Noam Chomsky.
Com voz tranquila, Chomsky cuidadosamente destruiu os mitos do chamado mercado livre, e documentou de maneira sintética as muitas situações de crise - a econômica e a financeira, a do militarismo, a do ambiente e a alimentar, entre outras - e as suas ligações comuns, construindo uma radiografia de um sistema que se mascara de "democracia", mas cujo objetivo final é socializar os prejuízos, privatizar os lucros e defender o privilégio de uma cada vez mais reduzida minoria rica, com consequências cada vez mais sinistras para as maiorias e para o próprio planeta.
É necessário "desmontar o edifício de ilusões" que se vende como democracia de mercado livre para que o ser humano sobreviva, e para isso exige-se um confronto com o modelo que visa proteger os interesses da "minoria da opulência contra as maiorias", afirmou.
"O povo paga os custos"
Chomsky discursou na passada sexta-feira, perante cerca de 1.500 pessoas, do pódio da famosa igreja Riverside, o mesmo em que Martin Luther King Jr. proferiu o seu histórico discurso de 1967 contra a guerra do Vietnã e o sistema imperial dos Estados Unidos, onde também se escutou Nelson Mandela e, mais recentemente, Arundhati Roy - num evento organizado pelo Fórum Brecht, um centro de investigação independente de esquerda.
"As crises de hoje estão interligadas de diversas formas", afirmou, e algumas são mais prioritárias que outras, pela simples razão expressa por Adam Smith de que "os principais arquitetos das políticas garantem que os seus próprios interesses são os que predominam, sem se importarem com os custos".
E Chomsky, como sempre, deu exemplo atrás de exemplo, documentando a história. Falou sobre a história do Haiti, desde os franceses e a invasão dos EUA de Woodrow Wilson, até à manipulação feita por Washington do desafio de Jean Bertrand Aristide, tanto pelo republicano George Bush (pai) como pelo democrata Bill Clinton, impondo o modelo neoliberal, com o resultado inevitável de "destruir a soberania econômica" deste país, que está agora nas linhas da frente da crise alimentar.
"Esta história é muito parecida em todo o mundo", acrescentou, apontando o Bangladesh e dezenas de exemplos mais.
"A raiz comum das crises de hoje no Sul e no Norte é a mudança para o neoliberalismo que se dá nos anos setenta", declarou. Isto marcou o fim do crescimento sustentável da era do pós-guerra, conhecida como a "era dourada do capitalismo", com o seu Estado-providência e os seus aumentos a nível de rendimentos e de direitos.
Hoje em dia, "o livre fluxo de capital cria um Senado virtual que realiza um referendo instantâneo que veta tentativas de beneficiar as maiorias à custa dos seus interesses".
Agora, com a atual crise que afeta os ricos, adota-se a mesma estratégia de sempre: "a população paga os prejuízos e assume o risco, enquanto os lucros são privatizados".
Do púlpito da igreja Riverside em Nova York, Noam Chomsky disse no fim-de-semana que perante as crises existentes, o sistema neoliberal protege as minorias abastadas em detrimento das maiorias.
Também se focou no plano da política externa, dizendo que Washington não pretende abandonar tão rapidamente o Iraque, e advertiu que a nova abordagem sobre o Paquistão e o Afeganistão é um jogo muito perigoso, uma vez que ameaça a paz mundial e a sobrevivência humanas, por causa das armas nucleares aí existentes.
Acrescentou que é alarmante que um "assassino membro das forças especiais de olhos enlouquecidos", o general Stanley McChrystal, tenha sido nomeado comandante das forças norte-americanas no Afeganistão.
Por outro lado, assinalou que agora é o momento-chave para definir a sobrevivência humana perante a crise climática.
"Temos de enfrentar talvez o mais importante: a forma de inverter o modelo corporativo-estatal estabelecido durante o pós-guerra", promovido por empresas de automóveis, petrolíferas, entre outras, que levou a esta crise ambiental e outras.
Na sua análise das crises do mundo, disse que para impor políticas que não reflitam o interesse das maiorias nos Estados Unidos e noutros países, recorreu-se menos à força do que "ao controle da opinião pública através da indústria de relações públicas, com o objetivo de criar consenso".
Mas impera sempre, desde os inícios desta república, a noção de proteger os "interesses da minoria abastada" contra todos os demais, com conceitos de que "uma minoria inteligente tem que governar uma maioria ignorante e intrometida". Agora isto é manejado por uma "elite tecnocrática", mas com a mesma doutrina.
Destacou a resistência popular para enfrentar o projeto da elite, e sublinhou que as rebeliões dos anos 60 "tiveram um efeito civilizador". Acrescentou que sempre se lançaram "ataques da elite contra a democracia" e que o modelo do mercado livre corporativo continua a ser o "obstáculo à eficiência e à tomada racional de decisões racionais".
"Não há nenhuma razão para permanecerem passivos", disse ele à sua audiência de esquerda. "Por que não ocupar uma fábrica (em referência aos cortes da General Motors) para a converter em centro de produção de transportes de massa? Não é uma questão exótica. Que os trabalhadores controlem as suas fábricas é tão tipicamente americano como a torta de maçã".
Na verdade, acrescentou, parte do objetivo dos administradores do sistema atual é "apagar todas as memórias das lutas" sociais, mas advertiu que suspeita que estas tendências "continuam latentes" nos mais desfavorecidos e "podem ser despertadas".
Este é um momento propício para o fazer".
A tarefa é superar o "déficit democrático", acrescentou, e "promover uma sociedade democrática, que funcione na realidade." Entre as chaves para o conseguir identificou a renovação dos sindicatos, a luta educativa e cultural e a necessidade de "desmantelar o edifício de ilusões" pela minoria que governa nas chamadas democracias formais.
A crise fundamental de hoje é, talvez, a do "déficit democrático", resumiu, esse fosso que existe entre os interesses das grandes maiorias e as políticas dos governantes.
Tradução de Rui Maio para o Esquerda.net. [http://www.esquerda.net/]
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:39
sexta-feira, 19 de junho de 2009
MENSAGEM A UMA FILHA
19/06/09
Minha querida Nelma:
Recebi sua belíssima mensagem sobre a passagem do tempo em nossas existências. Ao experimentarmos tempo melhores - infância, juventude, adolescência e puberdade - não nos passam pela cabeça que um dia tudo isso acabará, como havia sido sempre e, quiçá, eternamente. Achamo-nos donos do mundo, das verdades, das conquistas amorosas, dos empregos melhores e de relacionamentos a outros grupos de pessoas uma maravilhosa experiência. E é! Uma experiência que deve ser vivenciada de maneira total por ser passageira e enganosa muitas vezes, mas rica em sentimentos que podem e devem ser divididos com os nossos amigos, namorados, esposos, companheiros sem esquecermos, contudo, que existem uns "atores" que chegaram ao máximo de seus papéis na comédia da Vida e que, por decidia ou por outra falta qualquer, se sentem relegados, esquecidos, muitos abandonados, e aos quais os mais novos não desejam quaisquer conselhos, orientação de vida, ralhos, críticas ou suas influências mais em seus comportamentos.
Na verdade, esses "atores e atrizes" têm muito a dar e nada pedir, a não ser uma parcela mínima de suas atenções, suas presenças vez por outra aos seus lados, um sorriso e umas palavras carinhosas, paciência e muito amor. Ficamos como o bagaço da cana que, espremida diversas vezes, não tem como dar mais o sumarento liquido doce como a Vida jovem.
Chegamos à fase do desconforto, dos achaques naturais, das dores nas juntas, das colunas torturantes, da falta de audição e da visão enfraquecida. Por nós, estaríamos sempre em forma. Mas outros males mais sérios nos assaltam tomando o nosso Tempo em visitas a consultórios médicos, clínicas, hospitais. É natural que lutemos por nos manter "espertos", bem humorados, capazes de serviços que, então, nos pesam como a uma cruz sobre os nossos ombros, cujos ossos já não têm as mesmas características dos jovens. Olhamos os espelhos e nos descobrimos velhos! E quem deseja, entre os jovens ou moços, a presença de "incapazes gagás", surdos, lentos, mal humorados, cansados? Vemo-nos forçados a tudo levar de vencida, estoicamente, quando não mais suportamos as tarefas comuns diárias que se nos deparam frontalmente. Só recolhemos impaciência aos mais jovens, intolerância e indiferença.
Mas a Vida tem uma estrada comum a todos os seres humanos, iguais situações, chegada ao mais alto cume da energia e seu desiderato com a chegada do "inverno" humano e, por fim, a consumação dos dias, o adeus e a partida solitária. Só escapam às cenas cansativas do teatro Vida os que partem cedo sem esperar, sem prever e sem prevenir.
Essa sua mensagem arrancou muitas lágrimas aos meus olhos, contudo ainda me sinto capaz de servir, de me doar e de entender a posição dos mais jovens ou dos que trilham estradas um pouco mais ásperas. Só e apenas desejamos, secretamente em nossa alma eterna, que vocês tenham atalhos diferenciados, ricos em oportunidades e longevos como as grandes catedrais ou os milenares carvalhos, dispensando os exageros. Obrigado. Que as suas vidas sejam abonadas por muitas bênçãos, por análises próprias à ajuda íntima, a se descartarem da dor, do sofrimento e das ansiedades tão comuns hoje em dia. Abraçamo-os e os beijamos muito, assim como Léia sente igualmente. Têm o nosso intenso amor.
papai
Minha querida Nelma:
Recebi sua belíssima mensagem sobre a passagem do tempo em nossas existências. Ao experimentarmos tempo melhores - infância, juventude, adolescência e puberdade - não nos passam pela cabeça que um dia tudo isso acabará, como havia sido sempre e, quiçá, eternamente. Achamo-nos donos do mundo, das verdades, das conquistas amorosas, dos empregos melhores e de relacionamentos a outros grupos de pessoas uma maravilhosa experiência. E é! Uma experiência que deve ser vivenciada de maneira total por ser passageira e enganosa muitas vezes, mas rica em sentimentos que podem e devem ser divididos com os nossos amigos, namorados, esposos, companheiros sem esquecermos, contudo, que existem uns "atores" que chegaram ao máximo de seus papéis na comédia da Vida e que, por decidia ou por outra falta qualquer, se sentem relegados, esquecidos, muitos abandonados, e aos quais os mais novos não desejam quaisquer conselhos, orientação de vida, ralhos, críticas ou suas influências mais em seus comportamentos.
Na verdade, esses "atores e atrizes" têm muito a dar e nada pedir, a não ser uma parcela mínima de suas atenções, suas presenças vez por outra aos seus lados, um sorriso e umas palavras carinhosas, paciência e muito amor. Ficamos como o bagaço da cana que, espremida diversas vezes, não tem como dar mais o sumarento liquido doce como a Vida jovem.
Chegamos à fase do desconforto, dos achaques naturais, das dores nas juntas, das colunas torturantes, da falta de audição e da visão enfraquecida. Por nós, estaríamos sempre em forma. Mas outros males mais sérios nos assaltam tomando o nosso Tempo em visitas a consultórios médicos, clínicas, hospitais. É natural que lutemos por nos manter "espertos", bem humorados, capazes de serviços que, então, nos pesam como a uma cruz sobre os nossos ombros, cujos ossos já não têm as mesmas características dos jovens. Olhamos os espelhos e nos descobrimos velhos! E quem deseja, entre os jovens ou moços, a presença de "incapazes gagás", surdos, lentos, mal humorados, cansados? Vemo-nos forçados a tudo levar de vencida, estoicamente, quando não mais suportamos as tarefas comuns diárias que se nos deparam frontalmente. Só recolhemos impaciência aos mais jovens, intolerância e indiferença.
Mas a Vida tem uma estrada comum a todos os seres humanos, iguais situações, chegada ao mais alto cume da energia e seu desiderato com a chegada do "inverno" humano e, por fim, a consumação dos dias, o adeus e a partida solitária. Só escapam às cenas cansativas do teatro Vida os que partem cedo sem esperar, sem prever e sem prevenir.
Essa sua mensagem arrancou muitas lágrimas aos meus olhos, contudo ainda me sinto capaz de servir, de me doar e de entender a posição dos mais jovens ou dos que trilham estradas um pouco mais ásperas. Só e apenas desejamos, secretamente em nossa alma eterna, que vocês tenham atalhos diferenciados, ricos em oportunidades e longevos como as grandes catedrais ou os milenares carvalhos, dispensando os exageros. Obrigado. Que as suas vidas sejam abonadas por muitas bênçãos, por análises próprias à ajuda íntima, a se descartarem da dor, do sofrimento e das ansiedades tão comuns hoje em dia. Abraçamo-os e os beijamos muito, assim como Léia sente igualmente. Têm o nosso intenso amor.
papai
quinta-feira, 18 de junho de 2009
PERU, IRÃ, LULA, A MIDIA E A INVEJA
Quarta-feira, 17 de Junho de 2009
O Peru está sendo sacudido por uma onda de violência e resistência que já vitimou um sem número de camponeses e alguns policiais, tendo sua gênese nos protestos pacíficos promovidos por grupos indígenas contra a implementação no seu habitat histórico do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o Peru e os Estados Unidos, que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério na região. Estamos falando da região amazônica do Peru, portanto muito próxima da fronteira com o Brasil. Mais, estamos também falando de um tratado visando privatizar a floresta amazônica e o presidente peruano Alan Garcia, num gesto típico de autoritarismo, procurou impor aos camponeses o acordo, sem consultá-los, ato totalmente ilegal, já que infringe o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo qual o Estado deve informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejam apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru inclusive ratificou o referido Convênio da OIT em 1993, mas Garcia, aliado incondicional de Washington, simplesmente ignorou o fato optando pela violência.
Enquanto tudo isso acontece no subcontinente sul-americano, a nossa mídia mazombeira tem se ocupado intensamente nos últimos, dentro do noticiário internacional, a repercutir o que a grande mídia estrangeira tem feito, ou seja, atacar as eleições iranianas. Não importa se para tanto não possuem nenhuma prova substancial de que realmente houve fraudes durante o pleito no país persa. Sobre o assunto recomendo o ótimo artigo de Daniel Lopes para o Amálgama [http://www.amalgama.blog.br/06/2009/a-reeleicao-de-ahmadinejad-e-a-hipocrisia-de-israel/#more-390]
E como o presidente Lula, numa entrevista rápida, explicitou isso, o fato de inexistirem provas de que as eleições iranianas foram manipuladas, a midiazona não perdeu tempo e, outra vez, descarregou sua metralhadora contra o presidente brasileiro. Chegou inclusive a dizer que a declaração de Lula sobre as eleições iranianas não faria qualquer diferença em qualquer parte do mundo.
Só que mais uma vez o castigo veio a cavalo. Enquanto desprezam o nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante, ele é tratado, naquilo que a nossa porca elite chama de primeiro-mundo, com o respeito que nenhum outro presidente brasileiro jamais teve.
Em viagem pela Europa – rumo à Rússia, onde participa em Ecaterimburgo da reunião de cúpula do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) –, Lula participou em Genebra da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Teve ainda encontro com sindicalistas e compareceu à 98ª Conferência Internacional do Trabalho. Na Suíça, o chefe-de-estado brasileiro teve a oportunidade de denunciar à recente campanha da direita européia contra imigrantes e foi aplaudido e ovacionado de pé, por membros da OIT e do Conselho de Direitos Humanos. Entre outras coisas disse: "Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país". Continuou, "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país." E ainda completou, "Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."
No mais Lula pôs novamente o dedo na ferida: "Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer"
Alguém se lembra quando FFHH num gesto de cafonice sem tamanho gastou seu francês discursando na Assembléia Nacional em Paris e a mídia oligopolizada se derreteu toda gritando em coro “esse é meu presidente”.
Quanto a Lula, o tratamento dado é o de sempre, esconder e boicotar a todo o custo o sucesso mundial e a liderança latino-americana do (repito) nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante.
E o pior é que isso não é novidade. Mês passado o nome de Lula foi confirmado para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008. O prêmio dado pela UNESCO e que homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO.
Ao anunciar a decisão, o integrante do júri do prêmio e ex-presidente de Portugal Mario Soares declarou: “Decidimos conceder o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias”.
Também houve pouca, ou quase nenhuma repercussão, a matéria do diário espanhol El País sobre o desejo de Barak Obama de que Lula assuma o Banco Mundial. Segundo o jornal madrileno representantes do presidente estadunidense teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria “honrado”.
Claro, presidir o Banco Mundial está muito longe de ser algo realmente importante, talvez seja até incoerente, para alguém cuja trajetória política de certo modo se confunde com a luta das esquerdas brasileiras desde fins da década de 1970. Entretanto o que direita tupiniquim não aceita é não ser um de próceres o preferido por Obama. Isso deixa nítido o quão incompetentes são e o pouco respeito que desfrutam entre sues pares ideológicos do hemisfério norte, ou pior ainda, o quanto atrasados estão em relação a seus congêneres nos EEUU e na Europa Ocidental.
Sinceramente, não sei ao certo o que move nossa mídia oligopolizada, que por sua vez é reflexo de nossa elite retrograda, se é apenas desprezo (Lula representa o “povinho”) ou inveja pura, por saberem que nunca chegaram aonde Lula chegou.
Fontes:
http://www.brasilia.unesco.org/noticias/ultimas/unesco-homenageia-lula-com-premio-pela-paz
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090615_lulagenebra_pu_ac.shtml
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/06/02/ult581u3276
O Peru está sendo sacudido por uma onda de violência e resistência que já vitimou um sem número de camponeses e alguns policiais, tendo sua gênese nos protestos pacíficos promovidos por grupos indígenas contra a implementação no seu habitat histórico do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o Peru e os Estados Unidos, que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério na região. Estamos falando da região amazônica do Peru, portanto muito próxima da fronteira com o Brasil. Mais, estamos também falando de um tratado visando privatizar a floresta amazônica e o presidente peruano Alan Garcia, num gesto típico de autoritarismo, procurou impor aos camponeses o acordo, sem consultá-los, ato totalmente ilegal, já que infringe o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo qual o Estado deve informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejam apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru inclusive ratificou o referido Convênio da OIT em 1993, mas Garcia, aliado incondicional de Washington, simplesmente ignorou o fato optando pela violência.
Enquanto tudo isso acontece no subcontinente sul-americano, a nossa mídia mazombeira tem se ocupado intensamente nos últimos, dentro do noticiário internacional, a repercutir o que a grande mídia estrangeira tem feito, ou seja, atacar as eleições iranianas. Não importa se para tanto não possuem nenhuma prova substancial de que realmente houve fraudes durante o pleito no país persa. Sobre o assunto recomendo o ótimo artigo de Daniel Lopes para o Amálgama [http://www.amalgama.blog.br/06/2009/a-reeleicao-de-ahmadinejad-e-a-hipocrisia-de-israel/#more-390]
E como o presidente Lula, numa entrevista rápida, explicitou isso, o fato de inexistirem provas de que as eleições iranianas foram manipuladas, a midiazona não perdeu tempo e, outra vez, descarregou sua metralhadora contra o presidente brasileiro. Chegou inclusive a dizer que a declaração de Lula sobre as eleições iranianas não faria qualquer diferença em qualquer parte do mundo.
Só que mais uma vez o castigo veio a cavalo. Enquanto desprezam o nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante, ele é tratado, naquilo que a nossa porca elite chama de primeiro-mundo, com o respeito que nenhum outro presidente brasileiro jamais teve.
Em viagem pela Europa – rumo à Rússia, onde participa em Ecaterimburgo da reunião de cúpula do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) –, Lula participou em Genebra da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Teve ainda encontro com sindicalistas e compareceu à 98ª Conferência Internacional do Trabalho. Na Suíça, o chefe-de-estado brasileiro teve a oportunidade de denunciar à recente campanha da direita européia contra imigrantes e foi aplaudido e ovacionado de pé, por membros da OIT e do Conselho de Direitos Humanos. Entre outras coisas disse: "Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país". Continuou, "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país." E ainda completou, "Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."
No mais Lula pôs novamente o dedo na ferida: "Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer"
Alguém se lembra quando FFHH num gesto de cafonice sem tamanho gastou seu francês discursando na Assembléia Nacional em Paris e a mídia oligopolizada se derreteu toda gritando em coro “esse é meu presidente”.
Quanto a Lula, o tratamento dado é o de sempre, esconder e boicotar a todo o custo o sucesso mundial e a liderança latino-americana do (repito) nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante.
E o pior é que isso não é novidade. Mês passado o nome de Lula foi confirmado para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008. O prêmio dado pela UNESCO e que homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO.
Ao anunciar a decisão, o integrante do júri do prêmio e ex-presidente de Portugal Mario Soares declarou: “Decidimos conceder o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias”.
Também houve pouca, ou quase nenhuma repercussão, a matéria do diário espanhol El País sobre o desejo de Barak Obama de que Lula assuma o Banco Mundial. Segundo o jornal madrileno representantes do presidente estadunidense teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria “honrado”.
Claro, presidir o Banco Mundial está muito longe de ser algo realmente importante, talvez seja até incoerente, para alguém cuja trajetória política de certo modo se confunde com a luta das esquerdas brasileiras desde fins da década de 1970. Entretanto o que direita tupiniquim não aceita é não ser um de próceres o preferido por Obama. Isso deixa nítido o quão incompetentes são e o pouco respeito que desfrutam entre sues pares ideológicos do hemisfério norte, ou pior ainda, o quanto atrasados estão em relação a seus congêneres nos EEUU e na Europa Ocidental.
Sinceramente, não sei ao certo o que move nossa mídia oligopolizada, que por sua vez é reflexo de nossa elite retrograda, se é apenas desprezo (Lula representa o “povinho”) ou inveja pura, por saberem que nunca chegaram aonde Lula chegou.
Fontes:
http://www.brasilia.unesco.org/noticias/ultimas/unesco-homenageia-lula-com-premio-pela-paz
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090615_lulagenebra_pu_ac.shtml
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/06/02/ult581u3276
quinta-feira, 11 de junho de 2009
TUCANOS MODUS OPERANDI
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Tucanus Modus Operandi
O jeitinho tucano de lidar com os movimentos sociais e com atores políticos antagônicos, nos assusta mais e mais a cada dia. José Serra, Yeda Crusius e Aécio Neves transformaram os estados onde governam em feudos, cuja lei e direitos humanos são balizados pelos interesses deles próprios.
Semana passada postei aqui uma excelente matéria do diário britânico The Economist sobre a falta de qualidade na educação pública brasileira e o pouco (ou nenhum) empenho de nossos governantes para reverter tal quadro catastrófico. (Especialmente em São Paulo, estado mais rico da federação e governado há 15 anos ininterruptos pelo PSDB, tempo mais que suficiente para colocar em prática projetos educacionais de longo prazo e que de fato visassem à melhoria do ensino público.)
Mas o tratamento que José Serra deu aos grevistas e alunos da USP, está há anos luz de ser apenas descaso com a educação, é atrocidade. Um governo estadual, em pleno estado democrático de direito, mandar a Tropa de Choque da PM invadir um campus universitário! E ainda dando aval para utilizar da truculência, que é própria da corporação, usando cães, lançando bombas de gás lacrimogêneo, atirando balas de borracha e espancando estudantes com porretes, transformando o Campus da maior universidade do Brasil em praça de guerra! Sinceramente, isso me pareceria impensável há bem pouco tempo atrás.
A atrocidade, ou infâmia, ou quem sabe, terrorismo de estado, cometida pelo chefe do executivo paulista, Sr. José Serra, pelo seu secretário de Educação, Sr. Paulo Renato de Souza, e o secretário de Segurança Pública, Sr. Antônio Ferreira Pinto, não pode passar imune aos olhos da sociedade e impune perante a Justiça.
No Rio Grande do Sul enquanto Yeda Crusius se afoga num mar de lama, os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados.
Há aproximadamente 1 ano a governadora determinou ao então recém empossado comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, que reprimisse duramente manifestações contra o governo estadual. E o coronel não demorou a colocar a orientação em prática. Na manhã de 11 de junho de 2008 pelo menos dezessete pessoas foram feridas e outras 17 detidas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.
A ação violenta da Brigada Militar começou quando integrantes da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Movimento Nacional da Luta pela Moradia, além de estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas e gases lacrimogêneo e pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano.
Em Minas Gerais, na base da virulência e brutalidade obviamente, entre meados e fim do mês de maio último, Aécinho deu ordens para que cerca de 150 famílias de sem-terras fossem expulsas do único acampamento do MST existente no Sul de Minas. O acampamento localizado no município de Campo do Meio, dentro do latifúndio da antiga Usina Adrianópolis, viu PMs e jagunços derrubarem todos os barracos, muitos cobertos com telhas e feitos à base de cimento e tijolos - sem deixar qualquer possibilidade de reutilização.
Durante a expulsão das famílias, animais de criação foram lançados na vastidão da área e as cercas de arames destruídas por um trator da Prefeitura de Campo do Meio, sendo este operacionalizado por funcionários (ou jagunços?) da ex-usina Adrianópolis. A barbárie imperou de tal modo ali, naquele recanto do Brasil, que os relatos que nos chegam faz doer o peito e refletir sobre a miserável condição humana.
Nessa região está em curso uma disputa por território. De um lado, latifundiários do café, o atual prefeito, testas de ferro da ex-Usina, grandes plantadores de sorgo e tomate. Do outro lado, sem-terras do MST lutando por reforma agrária, por agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Não há exagero algum em afirmar que estamos na iminência de um massacre de camponeses em Minas Gerais.
Por isso, e infelizmente muito mais, hoje compartilho com Regina Duarte daquele sentimento de medo mostrado pela atriz global durante a campanha presidencial de 2002. Só que meu medo reside na chance, ainda longínqua, do retorno ao poder dos tucanos. Pois parece que a violência e repressão a todos que não comungam de suas idéias tornou-se modus operandi desse grupo elitista e conservador.
Tucanus Modus Operandi
O jeitinho tucano de lidar com os movimentos sociais e com atores políticos antagônicos, nos assusta mais e mais a cada dia. José Serra, Yeda Crusius e Aécio Neves transformaram os estados onde governam em feudos, cuja lei e direitos humanos são balizados pelos interesses deles próprios.
Semana passada postei aqui uma excelente matéria do diário britânico The Economist sobre a falta de qualidade na educação pública brasileira e o pouco (ou nenhum) empenho de nossos governantes para reverter tal quadro catastrófico. (Especialmente em São Paulo, estado mais rico da federação e governado há 15 anos ininterruptos pelo PSDB, tempo mais que suficiente para colocar em prática projetos educacionais de longo prazo e que de fato visassem à melhoria do ensino público.)
Mas o tratamento que José Serra deu aos grevistas e alunos da USP, está há anos luz de ser apenas descaso com a educação, é atrocidade. Um governo estadual, em pleno estado democrático de direito, mandar a Tropa de Choque da PM invadir um campus universitário! E ainda dando aval para utilizar da truculência, que é própria da corporação, usando cães, lançando bombas de gás lacrimogêneo, atirando balas de borracha e espancando estudantes com porretes, transformando o Campus da maior universidade do Brasil em praça de guerra! Sinceramente, isso me pareceria impensável há bem pouco tempo atrás.
A atrocidade, ou infâmia, ou quem sabe, terrorismo de estado, cometida pelo chefe do executivo paulista, Sr. José Serra, pelo seu secretário de Educação, Sr. Paulo Renato de Souza, e o secretário de Segurança Pública, Sr. Antônio Ferreira Pinto, não pode passar imune aos olhos da sociedade e impune perante a Justiça.
No Rio Grande do Sul enquanto Yeda Crusius se afoga num mar de lama, os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados.
Há aproximadamente 1 ano a governadora determinou ao então recém empossado comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, que reprimisse duramente manifestações contra o governo estadual. E o coronel não demorou a colocar a orientação em prática. Na manhã de 11 de junho de 2008 pelo menos dezessete pessoas foram feridas e outras 17 detidas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.
A ação violenta da Brigada Militar começou quando integrantes da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Movimento Nacional da Luta pela Moradia, além de estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas e gases lacrimogêneo e pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano.
Em Minas Gerais, na base da virulência e brutalidade obviamente, entre meados e fim do mês de maio último, Aécinho deu ordens para que cerca de 150 famílias de sem-terras fossem expulsas do único acampamento do MST existente no Sul de Minas. O acampamento localizado no município de Campo do Meio, dentro do latifúndio da antiga Usina Adrianópolis, viu PMs e jagunços derrubarem todos os barracos, muitos cobertos com telhas e feitos à base de cimento e tijolos - sem deixar qualquer possibilidade de reutilização.
Durante a expulsão das famílias, animais de criação foram lançados na vastidão da área e as cercas de arames destruídas por um trator da Prefeitura de Campo do Meio, sendo este operacionalizado por funcionários (ou jagunços?) da ex-usina Adrianópolis. A barbárie imperou de tal modo ali, naquele recanto do Brasil, que os relatos que nos chegam faz doer o peito e refletir sobre a miserável condição humana.
Nessa região está em curso uma disputa por território. De um lado, latifundiários do café, o atual prefeito, testas de ferro da ex-Usina, grandes plantadores de sorgo e tomate. Do outro lado, sem-terras do MST lutando por reforma agrária, por agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Não há exagero algum em afirmar que estamos na iminência de um massacre de camponeses em Minas Gerais.
Por isso, e infelizmente muito mais, hoje compartilho com Regina Duarte daquele sentimento de medo mostrado pela atriz global durante a campanha presidencial de 2002. Só que meu medo reside na chance, ainda longínqua, do retorno ao poder dos tucanos. Pois parece que a violência e repressão a todos que não comungam de suas idéias tornou-se modus operandi desse grupo elitista e conservador.
ALÔ MINHA QUERIDA "NOQUINHA"
0/06/09
Alô minha querida Noquinha:
Você nos visitava pouco e nós pouco também a visitávamos, contudo esses vazios momentâneos não deslustraram o nosso AMOR.
Agora, querida, você vai estar mais ausente, todavia a teremos em nossos corações, e perdoada estará por sua ausência compulsória. Entendemos sua ausência, mas jamais a sua falta. Vi em seus olhos aquele brilho dos vivos; e você está VIVA, agora mais do que nunca! Obrigado por você ter vindo ao nosso convívio no dia 20 de janeiro de 1962, se não me engana, num domingo de muito sol.
Abraço-a profusamente prometendo num próximo encontro botar em dia todas as nossas palavras que não tivemos a oportunidade de trocar. Você viajou, mas eu não a espero; você é que deverá me esperar. Receba os muitos beijos que deixei de lhe dar, por somenos. Ainda somos pai e filha. Você viajando e eu pronto a seguir o mesmo caminho. Talvez eu demore um pouquinho. Paciência é coisa que eu não pedirei a você, que tem toda a eternidade para me aguardar.
Estou saudoso, mas isto é coisa que dá e passa. Passa como nós passamos: eu ao chão, mas você passarinha. Com muito amor. Beijos.
Papai.
Alô minha querida Noquinha:
Você nos visitava pouco e nós pouco também a visitávamos, contudo esses vazios momentâneos não deslustraram o nosso AMOR.
Agora, querida, você vai estar mais ausente, todavia a teremos em nossos corações, e perdoada estará por sua ausência compulsória. Entendemos sua ausência, mas jamais a sua falta. Vi em seus olhos aquele brilho dos vivos; e você está VIVA, agora mais do que nunca! Obrigado por você ter vindo ao nosso convívio no dia 20 de janeiro de 1962, se não me engana, num domingo de muito sol.
Abraço-a profusamente prometendo num próximo encontro botar em dia todas as nossas palavras que não tivemos a oportunidade de trocar. Você viajou, mas eu não a espero; você é que deverá me esperar. Receba os muitos beijos que deixei de lhe dar, por somenos. Ainda somos pai e filha. Você viajando e eu pronto a seguir o mesmo caminho. Talvez eu demore um pouquinho. Paciência é coisa que eu não pedirei a você, que tem toda a eternidade para me aguardar.
Estou saudoso, mas isto é coisa que dá e passa. Passa como nós passamos: eu ao chão, mas você passarinha. Com muito amor. Beijos.
Papai.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A INVASÃO DA USP
Segunda-feira, 1 de Junho de 200
COMUNICADO URGENTE:
REITORIA DA USP E GOVERNO SERRA MANDAM POLÍCIA CONTRA A GREVE DE TRABALHADORES
Desde a madrugada de hoje, 01 de junho, nós, trabalhadores da USP, estamos sofrendo mais um ato de repressão inadmissível. A universidade amanheceu completamente sitiada pela polícia. Em cada unidade da universidade há pelo menos uma viatura, e em frente ao prédio da reitoria há uma concentração de dezenas de policiais. Os policiais estão com uma atitude provocativa frente aos trabalhadores, arrancando as faixas dos grevistas, buscando abertamente causar incidentes. Isso se dá justamente após a reitoria, apoiada pelo governo do estado, ter suspendido as negociações com os trabalhadores de maneira completamente arbitrária.
Nós, trabalhadores da USP estamos em greve desde o dia 5 de maio por aumento de salário, em defesa de 5 mil trabalhadores que tem seus postos de trabalho ameaçados, pelas demandas do hospital universitário, e outras pautas específicas, e pela reintegração de Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP demitido. A demissão de Claudionor Brandão é produto da perseguição política aos trabalhadores e ao sindicato, protagonizada pela reitoria e pelo governo Serra. Trata-se de uma política marcada pela prática anti-sindical e anti-democrática que abre um gravíssimo precedente para todos os trabalhadores brasileiros. Não podemos permitir que os trabalhadores da USP e sua legítima mobilização em defesa da democracia na universidade sofram esta coerção policial.
Chamamos todos os meios de comunicação, ativistas dos direitos humanos, sindicatos, organizações políticas, estudantes e integrantes dos movimentos sociais a se unirem a nós e impedirem esta ofensiva, que é parte da escandalosa criminalização dos movimentos sociais, prática que tem se generalizado pelo país. Chamamos todos a enviarem moções de repudio para a reitoria da USP, exigindo a retirada imediata dos efetivos policiais, e a se concentrarem na frente da reitoria, e cercar de solidariedade os trabalhadores da USP em greve há 27 dias.
Claudionor Brandão
Comando de Greve da USP
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:36
COMUNICADO URGENTE:
REITORIA DA USP E GOVERNO SERRA MANDAM POLÍCIA CONTRA A GREVE DE TRABALHADORES
Desde a madrugada de hoje, 01 de junho, nós, trabalhadores da USP, estamos sofrendo mais um ato de repressão inadmissível. A universidade amanheceu completamente sitiada pela polícia. Em cada unidade da universidade há pelo menos uma viatura, e em frente ao prédio da reitoria há uma concentração de dezenas de policiais. Os policiais estão com uma atitude provocativa frente aos trabalhadores, arrancando as faixas dos grevistas, buscando abertamente causar incidentes. Isso se dá justamente após a reitoria, apoiada pelo governo do estado, ter suspendido as negociações com os trabalhadores de maneira completamente arbitrária.
Nós, trabalhadores da USP estamos em greve desde o dia 5 de maio por aumento de salário, em defesa de 5 mil trabalhadores que tem seus postos de trabalho ameaçados, pelas demandas do hospital universitário, e outras pautas específicas, e pela reintegração de Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP demitido. A demissão de Claudionor Brandão é produto da perseguição política aos trabalhadores e ao sindicato, protagonizada pela reitoria e pelo governo Serra. Trata-se de uma política marcada pela prática anti-sindical e anti-democrática que abre um gravíssimo precedente para todos os trabalhadores brasileiros. Não podemos permitir que os trabalhadores da USP e sua legítima mobilização em defesa da democracia na universidade sofram esta coerção policial.
Chamamos todos os meios de comunicação, ativistas dos direitos humanos, sindicatos, organizações políticas, estudantes e integrantes dos movimentos sociais a se unirem a nós e impedirem esta ofensiva, que é parte da escandalosa criminalização dos movimentos sociais, prática que tem se generalizado pelo país. Chamamos todos a enviarem moções de repudio para a reitoria da USP, exigindo a retirada imediata dos efetivos policiais, e a se concentrarem na frente da reitoria, e cercar de solidariedade os trabalhadores da USP em greve há 27 dias.
Claudionor Brandão
Comando de Greve da USP
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:36
sexta-feira, 29 de maio de 2009
A DERROCADA DAS CIVILIZAÇÕES
Considerações rápidas
A História da Humanidade se acha eivada de exemplos nocivos de como não se deve comportar uma Nação livre ou conquistadora. Civilizações se seguiram a Civilizações, em períodos mais ou menos longos. Os egípcios foram uns povos que alcançaram o mais elevado grau de evolução na arquitetura, nas artes e em outros ramos como o da medicina. Já se fazia operações de catarata e de outros problemas visuais mercê a instrumentos sofisticados em seu período de prestígio no mundo antigo. Nem se negavam a abrir crânios para retirada de tumores malignos. Do papiro fizeram o seu papel para o uso da escrita criptografada (origem grega), transferida às tumbas e às grandes edificações de templos religiosos. O ouro era usado com muita propriedade, suas armas de guerras eficientes e sua cultura floresciam entre as castas mais elevadas do Império de Faraós. Adoravam deuses para cada situação econômica e social. Sujeitaram-se ao Império Romano dos Césares e se contaminaram no contato íntimo aos romanos. Como foi para esses últimos, os egípcios experimentaram a decadência de sua civilização. A depravação, seguida de corrupção, foi determinante para os seus fins.
Eis um dos fatores por que Roma se viu à deriva entre as nações ricas e poderosas de sua época. Depois a Grécia a seguiu no mesmo diapasão - civilização corrompida demais perde toda a sua estrutura moral, política e financeira. Desagregou-se todo o princípio que dá suporte a uma sociedade coesa, o que determina o fim dessa civilização. Não teve volta. Assim funcionam as sociedades putrefatas por situações anatematizadas pela História, e esta cobra aos homens e lhes condenam. A Natureza, hoje em dia, está reagindo às intempéries humanas - o desrespeito pela manutenção do mínimo de padrão natural com milhões de anos gerenciados em equilíbrio. Os homens - a Humanidade toda - contribuem sistematicamente para a derrocada geral e total. Não ficará pedra sobre pedra, e só restará à Humanidade beber a cicuta por ela própria elaborada nos cadinhos das indiferenças e dos desamores.
O homem parou de raciocinar; embebedou-se com as conquistas mais inimagináveis de seus feitos; atingiu o "trono" de Deus e o seu Templo, que é o Universo, e em seus adros sagrados largou seus lixos espaciais, seus sobejos técnicos, fazendo o pior a Terra em que vive. Sodoma e Gomorra foram os maiores exemplos da corrupção total e da prevaricação geral. A História se repete no Tempo e no Espaço. É isso meu amigo, acredite você ou não. Não podemos esquecer a Babilônia e as suas derrocadas – moral, artística e econômica – arrastando toda uma conjuntura de mentes doentes e sem mais rumos da Corte Imperial. Nabucodonosor, tão rico e poderoso, foi pastar de quatro pelos campos do Império Babilônico, como gado. Isto são fatos Históricos não fatos religiosos. As Eras estão lotadas de exemplos similares. Povos e mais povos foram varridos da face da Terra, sem que nada se soubesse deles a não ser vestígios de suas existências precárias e efêmeras.
Riqueza, Poder & Corrupção – os componentes de um “prato” indigesto. As atuais
Civilizações do mundo caminham a passos largos para o seu desidério, sem socorro. Ou se mudam as suas posturas éticas ou irão se juntar ao rosário de outros milhares delas.
.
A História da Humanidade se acha eivada de exemplos nocivos de como não se deve comportar uma Nação livre ou conquistadora. Civilizações se seguiram a Civilizações, em períodos mais ou menos longos. Os egípcios foram uns povos que alcançaram o mais elevado grau de evolução na arquitetura, nas artes e em outros ramos como o da medicina. Já se fazia operações de catarata e de outros problemas visuais mercê a instrumentos sofisticados em seu período de prestígio no mundo antigo. Nem se negavam a abrir crânios para retirada de tumores malignos. Do papiro fizeram o seu papel para o uso da escrita criptografada (origem grega), transferida às tumbas e às grandes edificações de templos religiosos. O ouro era usado com muita propriedade, suas armas de guerras eficientes e sua cultura floresciam entre as castas mais elevadas do Império de Faraós. Adoravam deuses para cada situação econômica e social. Sujeitaram-se ao Império Romano dos Césares e se contaminaram no contato íntimo aos romanos. Como foi para esses últimos, os egípcios experimentaram a decadência de sua civilização. A depravação, seguida de corrupção, foi determinante para os seus fins.
Eis um dos fatores por que Roma se viu à deriva entre as nações ricas e poderosas de sua época. Depois a Grécia a seguiu no mesmo diapasão - civilização corrompida demais perde toda a sua estrutura moral, política e financeira. Desagregou-se todo o princípio que dá suporte a uma sociedade coesa, o que determina o fim dessa civilização. Não teve volta. Assim funcionam as sociedades putrefatas por situações anatematizadas pela História, e esta cobra aos homens e lhes condenam. A Natureza, hoje em dia, está reagindo às intempéries humanas - o desrespeito pela manutenção do mínimo de padrão natural com milhões de anos gerenciados em equilíbrio. Os homens - a Humanidade toda - contribuem sistematicamente para a derrocada geral e total. Não ficará pedra sobre pedra, e só restará à Humanidade beber a cicuta por ela própria elaborada nos cadinhos das indiferenças e dos desamores.
O homem parou de raciocinar; embebedou-se com as conquistas mais inimagináveis de seus feitos; atingiu o "trono" de Deus e o seu Templo, que é o Universo, e em seus adros sagrados largou seus lixos espaciais, seus sobejos técnicos, fazendo o pior a Terra em que vive. Sodoma e Gomorra foram os maiores exemplos da corrupção total e da prevaricação geral. A História se repete no Tempo e no Espaço. É isso meu amigo, acredite você ou não. Não podemos esquecer a Babilônia e as suas derrocadas – moral, artística e econômica – arrastando toda uma conjuntura de mentes doentes e sem mais rumos da Corte Imperial. Nabucodonosor, tão rico e poderoso, foi pastar de quatro pelos campos do Império Babilônico, como gado. Isto são fatos Históricos não fatos religiosos. As Eras estão lotadas de exemplos similares. Povos e mais povos foram varridos da face da Terra, sem que nada se soubesse deles a não ser vestígios de suas existências precárias e efêmeras.
Riqueza, Poder & Corrupção – os componentes de um “prato” indigesto. As atuais
Civilizações do mundo caminham a passos largos para o seu desidério, sem socorro. Ou se mudam as suas posturas éticas ou irão se juntar ao rosário de outros milhares delas.
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
"NÃO REELEJA NINGUÉM"
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
“Não reeleja ninguém” é uma campanha burra e alienada
Pelo Professor Idelber Avelar no seu ótimo blog:
http://www.idelberavelar.com/
Acho que não uso a palavra “alienação” desde minha época de militância trotskista. Mas não há outro termo para definir essa irresponsável campanha disseminada na internet por Daniela Thomas e Marcelo Tas. É a alienação e o conformismo em sua típica versão Morumbi-Leblon: quero mudar tudo o que está aí, desde que eu não tenha que me dar ao trabalho de procurar informação ou tirar as pantufas. "Não reeleja ninguém" significa: Tire todos os 513 deputados de lá e coloque outros 513 que exercerão seus mandatos sem serem incomodados. Assim você poderá passar mais quatro anos vociferando indignação vazia e repetindo a cantilena de que todos os políticos são corruptos, enquanto fura mais uma filinha, sonega mais um imposto e joga mais uma embalagem de Doritos pela janela do seu Toyota Camry.
Fiz uma busca no Google. Há 6.650 ocorrências da sandice. A única coisa coerente que encontrei foi o texto de Marcelo Soares, Saiba por que a campanha “Não reeleja ninguém” é de uma burrice atroz. O resto é bateção de lata sem qualquer raciocício que vá além do quero acabar com todos esses políticos que estão aí.
Um jornalista esportivo adere à campanha. Logo depois, demonstra ter mais de dois neurônios lançando a pergunta: se não reelegermos ninguém, vamos eleger quem? Não consegue encontrar uma resposta para a pergunta que ele próprio formulou, mas mesmo assim mantém o selinho da campanha. É o retrato da pobreza política da nossa classe média.
Um profissional da área de Direito adere à campanha. Tampouco demonstra convicção, mas afirma que isso compensaria a decisão do STF que permitiu a candidatura de políticos com “ficha-suja”. O que se está chamando “ficha-suja” aqui não é a existência de sentenças condenatórias transitadas em julgado. É a existência de um processo em trâmite. Era só o que nos faltava: proibir a candidatura de quem está sendo processado. Se você quisesse eliminar a candidatura de alguém, bastaria inventar um motivo e processar o sujeito. Até que você perdesse o processo, a candidatura estaria impugnada. Como é possível que um profissional do Direito seja incapaz de fazer esse raciocínio?
Como afirmei no Twitter, a campanha “Não reeleja ninguém” é típica de quem não se lembra em quem votou. Minha Deputada Federal, Jô Moraes (PC do B), não está revolucionando a Câmara, mas está honrando seu mandato. Recebo semanalmente um informativo detalhado. Ela trabalha agora na emenda à Constituição 438/01, que expropria terras onde houver trabalho escravo. O escritório político de Jô em Belo Horizonte fica ali no Santo Agostinho, na Rua Araguari, 1685/05. Está em funcionamento permanente. Nunca deixo de ser atendido pela sua assessora de imprensa, Graça Gomes. Qual desses indignados sabe o que anda fazendo o seu Deputado? Qual desses indignados lembra-se sequer em quem votou?
Que tal, indignados, lançar a campanha "Não reeleja nenhum membro da bancada ruralista"? Que tal "Não reeleja donos de concessões de rádio e televisão"? Que tal, Daniela Thomas, uma campanha "Não reeleja membros da bancada evangélica", esse grupo em guerra permanente contra a saúde das mulheres? Ah, isso dá muito trabalho, né? Tem que pesquisar, ir atrás, essas coisas. É mais fácil vociferar contra tudo o que está aí.
A campanha “Não reeleja ninguém” ganhou bastante ímpeto com o colapso do gabeirismo. Despolitizado até a medula, o gabeirismo só tinha o discurso da “ética” -- entre aspas e em minúscula, claro, porque não há nada ali que tenha que muito que ver com esse ramo da Filosofia. Com a história das passagens aéreas, o que mais se encontra nas caixas de comentários do “Não reeleja ninguém” é gabeirista desiludido. Não lhes ocorre pensar que o problema não é Gabeira, nem Zé Dirceu, nem Delúbio, e sim um modelo de compreensão da política que a reduz completamente à cantilena moralizante.
Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza.
Comentário meu: Também votei na Jô Moraes, também sigo o seu trabalho na Câmara dos Deputados e até aqui não vi, ou soube de nada, que pudesse desaboná-la.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:29
“Não reeleja ninguém” é uma campanha burra e alienada
Pelo Professor Idelber Avelar no seu ótimo blog:
http://www.idelberavelar.com/
Acho que não uso a palavra “alienação” desde minha época de militância trotskista. Mas não há outro termo para definir essa irresponsável campanha disseminada na internet por Daniela Thomas e Marcelo Tas. É a alienação e o conformismo em sua típica versão Morumbi-Leblon: quero mudar tudo o que está aí, desde que eu não tenha que me dar ao trabalho de procurar informação ou tirar as pantufas. "Não reeleja ninguém" significa: Tire todos os 513 deputados de lá e coloque outros 513 que exercerão seus mandatos sem serem incomodados. Assim você poderá passar mais quatro anos vociferando indignação vazia e repetindo a cantilena de que todos os políticos são corruptos, enquanto fura mais uma filinha, sonega mais um imposto e joga mais uma embalagem de Doritos pela janela do seu Toyota Camry.
Fiz uma busca no Google. Há 6.650 ocorrências da sandice. A única coisa coerente que encontrei foi o texto de Marcelo Soares, Saiba por que a campanha “Não reeleja ninguém” é de uma burrice atroz. O resto é bateção de lata sem qualquer raciocício que vá além do quero acabar com todos esses políticos que estão aí.
Um jornalista esportivo adere à campanha. Logo depois, demonstra ter mais de dois neurônios lançando a pergunta: se não reelegermos ninguém, vamos eleger quem? Não consegue encontrar uma resposta para a pergunta que ele próprio formulou, mas mesmo assim mantém o selinho da campanha. É o retrato da pobreza política da nossa classe média.
Um profissional da área de Direito adere à campanha. Tampouco demonstra convicção, mas afirma que isso compensaria a decisão do STF que permitiu a candidatura de políticos com “ficha-suja”. O que se está chamando “ficha-suja” aqui não é a existência de sentenças condenatórias transitadas em julgado. É a existência de um processo em trâmite. Era só o que nos faltava: proibir a candidatura de quem está sendo processado. Se você quisesse eliminar a candidatura de alguém, bastaria inventar um motivo e processar o sujeito. Até que você perdesse o processo, a candidatura estaria impugnada. Como é possível que um profissional do Direito seja incapaz de fazer esse raciocínio?
Como afirmei no Twitter, a campanha “Não reeleja ninguém” é típica de quem não se lembra em quem votou. Minha Deputada Federal, Jô Moraes (PC do B), não está revolucionando a Câmara, mas está honrando seu mandato. Recebo semanalmente um informativo detalhado. Ela trabalha agora na emenda à Constituição 438/01, que expropria terras onde houver trabalho escravo. O escritório político de Jô em Belo Horizonte fica ali no Santo Agostinho, na Rua Araguari, 1685/05. Está em funcionamento permanente. Nunca deixo de ser atendido pela sua assessora de imprensa, Graça Gomes. Qual desses indignados sabe o que anda fazendo o seu Deputado? Qual desses indignados lembra-se sequer em quem votou?
Que tal, indignados, lançar a campanha "Não reeleja nenhum membro da bancada ruralista"? Que tal "Não reeleja donos de concessões de rádio e televisão"? Que tal, Daniela Thomas, uma campanha "Não reeleja membros da bancada evangélica", esse grupo em guerra permanente contra a saúde das mulheres? Ah, isso dá muito trabalho, né? Tem que pesquisar, ir atrás, essas coisas. É mais fácil vociferar contra tudo o que está aí.
A campanha “Não reeleja ninguém” ganhou bastante ímpeto com o colapso do gabeirismo. Despolitizado até a medula, o gabeirismo só tinha o discurso da “ética” -- entre aspas e em minúscula, claro, porque não há nada ali que tenha que muito que ver com esse ramo da Filosofia. Com a história das passagens aéreas, o que mais se encontra nas caixas de comentários do “Não reeleja ninguém” é gabeirista desiludido. Não lhes ocorre pensar que o problema não é Gabeira, nem Zé Dirceu, nem Delúbio, e sim um modelo de compreensão da política que a reduz completamente à cantilena moralizante.
Sim, é evidente que há muita coisa que se moralizar no Congresso. Discutir qual é a reforma política que nos possibilitaria ter partidos fortes e representativos, reduzindo assim o fisiologismo e as negociatas, são outros quinhentos. Para essa discussão, não contemos com as Danielas Thomas e Marcelos Tas. Eles não estão interessados nisso. Essa discussão dá muito trabalho e nela ninguém pode posar de vestal da pureza.
Comentário meu: Também votei na Jô Moraes, também sigo o seu trabalho na Câmara dos Deputados e até aqui não vi, ou soube de nada, que pudesse desaboná-la.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:29
sábado, 23 de maio de 2009
NARRADO POR MARIANO BEM
Excerto de “Longe é o Paraíso”
Embornal ta vazio e assim anda por dias. Não enxergo nada no horizonte, que é uma linha que dizem imaginárias. Será? Neste mundão de terras secas, esgotado pela falta de chuva, o que esperar? Nada dá se não se plantar, se não regar – aí precisa de água, a, pois – para o gênero alimentício aparecer. Não há que ter mágica. Mágica se vê nos circos. Mágica chinfrim e boba que só. To indo pro meu destino, que não sei donde será. Caminhos eu tenho todos na minha frente. Há um magote deles. Uns, acho cá comigo e com os meus botões, me levam pra modo da morte nas caatingas. Passei outro dia nos rumos da antiga vila de Canudos. Tava tudo por lá no chão rasteiro. Nunca que vi coisa igual antes, jamais! Tudo sapecado de negridão com carroças... Quero dizer: restos de carroças de pernas pro ar. Os ventos fortes batiam nas sobras de rodas e aquilo girava numa canção dolorosa. De noitinha, aquilo espantava as pessoas que se iam pra a igreja. Cabanas tostadas e planas como o chão seco e negro, com cheiro ainda de pólvora. Que grande desgraça se deu por ali! Sim. Posso garantir isso, pois que eu estive lá. Contei não?
Assim, e fuçando tudo num cantinho de terreno, achei um botão dourado jeitoso de conservado. Pelo jeito era de farda da soldadesca do governo republicano. De algum companheiro meu. Quem sabe de Chico Danado, que se finou no último dia de encarniçada luta? Contam por aí pelos sertões brabos que se finou foi gente. Contam, mas eu não careço de saber. Eu vi, com estes olhos já cansados, gente morta de todas as idades e tamanhos. Bichinho pequeno e graúdo foi tudo à terra rasa! Não tinha isso de guri – isto são coisas da gauchada – moleque quieto ou endiabrado; as balas passavam cantando e furando as cabeças pequenininhas. Elas morriam com as armas nas mãos bem seguras, provando que deram nos gatilhos até os seus finalmente.
Os dedinhos ali nos gatilhos sem mais precisão. Sim senhor, tu podes crer. Vou inventar pra quê? Um homem que nem eu se inventar histórias perde a confiança dos demais. Já se viu coisa pior que não ser acreditado por outros iguais? Menino, senhor meu, venha de lá o teu cumprimento e a minha confissão de que é tudo verdadeiro. E o negócio do coronel que estaquearam num pé de pau de umbu sem a sua devida cabeça? Hein? Não foi umbu não? Então, que foi? Angico? Que fosse! Que tal essa? Não me crês? Tu estavas lá? Ó chiste, e então? Ah... Lesses! E por que não? Só por ter saído de boca de Mariano Bem, esse cá seu excomungado? É? Contes tu ai uma verdade, pois. A gente racha as duas histórias e divide as crenças ao meio.
Tem nada não senhor. Pro modo de ser acreditado ando até sobre braseiro de São João. Nem precisa esperar a noite da festa do Santo dos fogos. Arme-se uma fogueira no terreiro e vamos lá! Pimba! Atravesso, que nem o Diabo de preto me pára. Quer testemunho? Procure seu Dadinho na birosca onde só se serve o bom do caldo de cana caiana. Ta aí coisinha boa! Docezinho da alma. Doçurinha pro corpo...
Vai daí provo eu que não tenho medo de nada não senhor.
Quem? Eu? Medo de assombração e vá lá o que seja? É de se me vendo correr, eu, desembestado por causo de fantasmas. Quero é me ver...
Embornal ta vazio e assim anda por dias. Não enxergo nada no horizonte, que é uma linha que dizem imaginárias. Será? Neste mundão de terras secas, esgotado pela falta de chuva, o que esperar? Nada dá se não se plantar, se não regar – aí precisa de água, a, pois – para o gênero alimentício aparecer. Não há que ter mágica. Mágica se vê nos circos. Mágica chinfrim e boba que só. To indo pro meu destino, que não sei donde será. Caminhos eu tenho todos na minha frente. Há um magote deles. Uns, acho cá comigo e com os meus botões, me levam pra modo da morte nas caatingas. Passei outro dia nos rumos da antiga vila de Canudos. Tava tudo por lá no chão rasteiro. Nunca que vi coisa igual antes, jamais! Tudo sapecado de negridão com carroças... Quero dizer: restos de carroças de pernas pro ar. Os ventos fortes batiam nas sobras de rodas e aquilo girava numa canção dolorosa. De noitinha, aquilo espantava as pessoas que se iam pra a igreja. Cabanas tostadas e planas como o chão seco e negro, com cheiro ainda de pólvora. Que grande desgraça se deu por ali! Sim. Posso garantir isso, pois que eu estive lá. Contei não?
Assim, e fuçando tudo num cantinho de terreno, achei um botão dourado jeitoso de conservado. Pelo jeito era de farda da soldadesca do governo republicano. De algum companheiro meu. Quem sabe de Chico Danado, que se finou no último dia de encarniçada luta? Contam por aí pelos sertões brabos que se finou foi gente. Contam, mas eu não careço de saber. Eu vi, com estes olhos já cansados, gente morta de todas as idades e tamanhos. Bichinho pequeno e graúdo foi tudo à terra rasa! Não tinha isso de guri – isto são coisas da gauchada – moleque quieto ou endiabrado; as balas passavam cantando e furando as cabeças pequenininhas. Elas morriam com as armas nas mãos bem seguras, provando que deram nos gatilhos até os seus finalmente.
Os dedinhos ali nos gatilhos sem mais precisão. Sim senhor, tu podes crer. Vou inventar pra quê? Um homem que nem eu se inventar histórias perde a confiança dos demais. Já se viu coisa pior que não ser acreditado por outros iguais? Menino, senhor meu, venha de lá o teu cumprimento e a minha confissão de que é tudo verdadeiro. E o negócio do coronel que estaquearam num pé de pau de umbu sem a sua devida cabeça? Hein? Não foi umbu não? Então, que foi? Angico? Que fosse! Que tal essa? Não me crês? Tu estavas lá? Ó chiste, e então? Ah... Lesses! E por que não? Só por ter saído de boca de Mariano Bem, esse cá seu excomungado? É? Contes tu ai uma verdade, pois. A gente racha as duas histórias e divide as crenças ao meio.
Tem nada não senhor. Pro modo de ser acreditado ando até sobre braseiro de São João. Nem precisa esperar a noite da festa do Santo dos fogos. Arme-se uma fogueira no terreiro e vamos lá! Pimba! Atravesso, que nem o Diabo de preto me pára. Quer testemunho? Procure seu Dadinho na birosca onde só se serve o bom do caldo de cana caiana. Ta aí coisinha boa! Docezinho da alma. Doçurinha pro corpo...
Vai daí provo eu que não tenho medo de nada não senhor.
Quem? Eu? Medo de assombração e vá lá o que seja? É de se me vendo correr, eu, desembestado por causo de fantasmas. Quero é me ver...
PETROBRAS - A OPOSIÇÃO SEM RUMO
Sábado, 23 de Maio de 2009
Leandro Fortes deu uma boa definição para a aventura que os demos, tucanos, liquidacionistas, e toda a sorte de entreguistas e privateiros estão fazendo ao promoverem uma CPI da Petrobras. “Uma cruzada ao fundo do poço”, segundo o jornalista da carta Capital.
Diria eu que, melhor ainda, trata-se duma epopéia. Ou talvez, autoflagelo, um tiro de bazuca dado no próprio pé – essa expressão é do Locatelli.
A oposição conseguiu aquilo que vínhamos pedindo desde 2003, ou seja, ver o povo nas ruas para defender os interesses e a soberania nacional. A direita conseguiu, quem diria, resgatar os movimentos sociais, sindicatos e organizações populares da letargia a qual se encontravam. Só tem um probleminha, para a direita obviamente, esses movimentos saíram às ruas no ímpeto de denunciar as manobras entreguistas e politiqueiras da própria direita.
Essa aventura está sendo também didática. Afinal uma sucessão de declarações e atitudes da direita, mostram perfeitamente o corolário desse grupo de políticos antipovo. Como por exemplo, a ameaça de obstruir as votações no plenário do Senado caso o povo continue a sair às ruas contra a CPI da Petrobras. Assim tornam publico, mais uma vez, o desprezo e ojeriza que sentem pelo povão.
Os grandes jornais da mídia oligopolizada, aliados incondicionais da direita, não perderam tempo e correram a publicar editorias defendendo a emocionante epopéia entreguista. O Otavinho Frias afirmou com todas as letras que, nenhuma empresa no Brasil, ainda mais uma estatal, pode estar imune a investigação de uma CPI. Concordo plenamente com ele. Inclusive lhe sugiro que nos próximos editoriais defenda uma CPI sobre a fusão entre Sadia e Perdigão, e enfim, possamos tomar conhecimento sobre quantos trabalhadores perderão o emprego e quais unidades serão fechadas. Ou então, sobre outra fusão, a do Itaú com o Unibanco, como serão as relações trabalhistas num setor onde já é notória a degradação da qualidade de trabalho, e, ainda, qual o impacto que essa fusão terá diretamente sobre os ditames das escorchantes taxas cobradas pelos bancos na Terra de Santa Cruz. O publisher da Folha poderia propor também uma CPI que investigasse a conduta do Grupo Folha durante a ditadura militar – ditadura a qual Otavinho prefere chamar de ditabranda –, como se deu inicio ao apoio logístico daquele grupo, cujas peruas eram cedidas para o transporte de presos políticos. A sociedade brasileira tem curiosidade em elucidar tal relação.
Hoje li na Folha Online mais uma das perolas da oposição farisaica. O senador Arthrur Virgílio afirmou ao rebater críticas da ministra Dilma Rousseff sobre a CPI instalada, que a Petrobras “está dominada por políticos derrotados”. Isso, na visão do nobre senador amazonense, é indigno e os ocupantes do primeiro escalão da estatal são incompetentes por natureza.
Acho que o senador Arthur Virgílio estava em Marte nos últimos 7 anos, ou então, pelo menos desde 2006, estava ocupado contanto a enormidade de votos que recebeu para o governo do Amazonas, 5%. Então só pra informá-lo.
A Petrobras valia, a preço de mercado, pouco mais de 50 bilhões de dólares em 2002, hoje vale cerca de 460 bilhões. Durante esse período não tivemos sequer um único acidente que lembrasse de longe o derramamento de óleo que ocorreu nas baías de Guanabara ou Paranaguá, e tampouco algo similar ao afundamento da P36. O barril do petróleo foi ao patamar histórico de US$145,00 na Bolsa de Nova York, no entanto, no mercado interno, o preço da gasolina, do óleo diesel e outros derivados, se manteve praticamente estável nesse período. Mais, a Petrobras se tornou a maior empresa da America Latina, descobriu uma das maiores reservas de petróleo do mundo na chamada camada do Pré-Sal. É sinônimo de tecnologia de ponta em extração de petróleo em alto-mar, e em 2006 o Brasil se tornou um dos poucos países do mundo – pelo menos do que eu vivo, não sei ao certo quanto ao senador Virgílio e seus colegas de oposição – auto-suficiente em petróleo. Além de tudo isso, a empresa estatal tem tido papel relevante como impulsionadora da economia nacional ao tocar projetos do porte de refinarias e gasodutos. É de suma importância salientar que seus acionistas, incluindo àqueles brasileiros que usaram o FGTS e compraram ações durante o governo FFHH, estão muito satisfeitos com o desempenho da empresa na bolsa de valores.
Agora, se é pra ter uma CPI da Petrobras, por que não começar investigando a dinheirama torrada pra trocar o nome da empresa para “Petrobrax”, os desastres ambientais causados pelos derramamentos da década de 1990, e o afundamento da P36?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 12:40
Leandro Fortes deu uma boa definição para a aventura que os demos, tucanos, liquidacionistas, e toda a sorte de entreguistas e privateiros estão fazendo ao promoverem uma CPI da Petrobras. “Uma cruzada ao fundo do poço”, segundo o jornalista da carta Capital.
Diria eu que, melhor ainda, trata-se duma epopéia. Ou talvez, autoflagelo, um tiro de bazuca dado no próprio pé – essa expressão é do Locatelli.
A oposição conseguiu aquilo que vínhamos pedindo desde 2003, ou seja, ver o povo nas ruas para defender os interesses e a soberania nacional. A direita conseguiu, quem diria, resgatar os movimentos sociais, sindicatos e organizações populares da letargia a qual se encontravam. Só tem um probleminha, para a direita obviamente, esses movimentos saíram às ruas no ímpeto de denunciar as manobras entreguistas e politiqueiras da própria direita.
Essa aventura está sendo também didática. Afinal uma sucessão de declarações e atitudes da direita, mostram perfeitamente o corolário desse grupo de políticos antipovo. Como por exemplo, a ameaça de obstruir as votações no plenário do Senado caso o povo continue a sair às ruas contra a CPI da Petrobras. Assim tornam publico, mais uma vez, o desprezo e ojeriza que sentem pelo povão.
Os grandes jornais da mídia oligopolizada, aliados incondicionais da direita, não perderam tempo e correram a publicar editorias defendendo a emocionante epopéia entreguista. O Otavinho Frias afirmou com todas as letras que, nenhuma empresa no Brasil, ainda mais uma estatal, pode estar imune a investigação de uma CPI. Concordo plenamente com ele. Inclusive lhe sugiro que nos próximos editoriais defenda uma CPI sobre a fusão entre Sadia e Perdigão, e enfim, possamos tomar conhecimento sobre quantos trabalhadores perderão o emprego e quais unidades serão fechadas. Ou então, sobre outra fusão, a do Itaú com o Unibanco, como serão as relações trabalhistas num setor onde já é notória a degradação da qualidade de trabalho, e, ainda, qual o impacto que essa fusão terá diretamente sobre os ditames das escorchantes taxas cobradas pelos bancos na Terra de Santa Cruz. O publisher da Folha poderia propor também uma CPI que investigasse a conduta do Grupo Folha durante a ditadura militar – ditadura a qual Otavinho prefere chamar de ditabranda –, como se deu inicio ao apoio logístico daquele grupo, cujas peruas eram cedidas para o transporte de presos políticos. A sociedade brasileira tem curiosidade em elucidar tal relação.
Hoje li na Folha Online mais uma das perolas da oposição farisaica. O senador Arthrur Virgílio afirmou ao rebater críticas da ministra Dilma Rousseff sobre a CPI instalada, que a Petrobras “está dominada por políticos derrotados”. Isso, na visão do nobre senador amazonense, é indigno e os ocupantes do primeiro escalão da estatal são incompetentes por natureza.
Acho que o senador Arthur Virgílio estava em Marte nos últimos 7 anos, ou então, pelo menos desde 2006, estava ocupado contanto a enormidade de votos que recebeu para o governo do Amazonas, 5%. Então só pra informá-lo.
A Petrobras valia, a preço de mercado, pouco mais de 50 bilhões de dólares em 2002, hoje vale cerca de 460 bilhões. Durante esse período não tivemos sequer um único acidente que lembrasse de longe o derramamento de óleo que ocorreu nas baías de Guanabara ou Paranaguá, e tampouco algo similar ao afundamento da P36. O barril do petróleo foi ao patamar histórico de US$145,00 na Bolsa de Nova York, no entanto, no mercado interno, o preço da gasolina, do óleo diesel e outros derivados, se manteve praticamente estável nesse período. Mais, a Petrobras se tornou a maior empresa da America Latina, descobriu uma das maiores reservas de petróleo do mundo na chamada camada do Pré-Sal. É sinônimo de tecnologia de ponta em extração de petróleo em alto-mar, e em 2006 o Brasil se tornou um dos poucos países do mundo – pelo menos do que eu vivo, não sei ao certo quanto ao senador Virgílio e seus colegas de oposição – auto-suficiente em petróleo. Além de tudo isso, a empresa estatal tem tido papel relevante como impulsionadora da economia nacional ao tocar projetos do porte de refinarias e gasodutos. É de suma importância salientar que seus acionistas, incluindo àqueles brasileiros que usaram o FGTS e compraram ações durante o governo FFHH, estão muito satisfeitos com o desempenho da empresa na bolsa de valores.
Agora, se é pra ter uma CPI da Petrobras, por que não começar investigando a dinheirama torrada pra trocar o nome da empresa para “Petrobrax”, os desastres ambientais causados pelos derramamentos da década de 1990, e o afundamento da P36?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 12:40
terça-feira, 19 de maio de 2009
RESPOSTA A UM BLOGUEIRO ANÔNIMO
19/05/09
Para Anônimo (por que o anonimato?)
Reafirmo a minha peroração anterior: graças a Deus, e ao meu bom juízo,não tenho simpatia por nem um desses amontoados de corruptos, que apelidam de PARTIDOS. Sou, repito, apartidário, queira ou não o senhor crer. Não perco o meu tempo nem minha cidadania votando em quadrilheiros que enchem a Câmara Federal e o
Senado;
Para o seu governo, declaro que o senhor cometeu uma leviandade sem perdão ao afirmar que o Divino, que fez o mundo em 6 dias, criou essa figuraça que leva o codnome Lula. Deus não fez o mundo em 6 dias, como propalado pelas religiões; e ainda que o tivesse feito, nesse curto período lendário, não teria um milionésimo de micro segundo para criar um elemento nefasto como Lula. Criações mais importantes teria ele em Sua Divina Mente a dar à Luz; Já nos basta a figura mitológica de Satanás. Por que mais um?
Com relação ao governo de FHC, foi dos piores, porém o atual presidente corre na mesma pista, e tenho certeza de que ele vencerá como o mais "palrador", o mais "viajado", o mais "capcioso", o mais "deslumbrado" e o mais "mentiroso! Essa desculpa de mazelas de 500 anos já não surte mais o efeito que lhe quer atribuir cidadão como Va.Sa. Investigado? Esse governo? Ele, matreiramente, não permite que as CPIs se formem! E qual é o papel do Poder Legislativo? É justamente o de investigar, desnudar atos corruptos, por às claras tudo de podre do Executivo. Agora, está aí a CPI da Petrobras. "Eles", aflitos, já se mexem para ficar com os mais importantes "cargos" da referida CPI. Por quê? Repito: Por quê? Qual é o MEDO que eles têm? Tá tudo limpo? Não há corrupção? Então que se deixe correr livremente para que toda a NAÇÃO saiba que são apenas "boatos" de detratores de última hora. Procure ler o artigo de Waldo Luiz Viana - antigo funcionário da Petrobrás que se desligou da multi para ter tempo de estudar economia na Faculdade Gama Filho, em Piedade, Rio. Ele nos dá uma excelente orientação sobre o estado de corrupção dentro da mega Empresa. Agora, para encerrar: não disse ser pau de arara. Disse, tão somente, que vivi no nordeste (Natal,RN,)e corri quase todas as cidades interioranas daquele estado, algumas da Paraiba, Alagoas e Pernambuco. Já morei desde o Rio Grande do Sul ao outro extremo - Rio Grande do Norte, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro (minha terra natal)Juiz de Fora,MG.
PS. Notei que Va.Sa. estava sem nenhum controle emocional, ao encerrar o seu comentário. "Fique assim não" (como dizem os nordestinos cabras machos de verdade), guarde sua revolta para quando esse governo for "deletado" do Poder.
Com todo o meu respeito.
Morani
19.5.09
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Para Anônimo (por que o anonimato?)
Reafirmo a minha peroração anterior: graças a Deus, e ao meu bom juízo,não tenho simpatia por nem um desses amontoados de corruptos, que apelidam de PARTIDOS. Sou, repito, apartidário, queira ou não o senhor crer. Não perco o meu tempo nem minha cidadania votando em quadrilheiros que enchem a Câmara Federal e o
Senado;
Para o seu governo, declaro que o senhor cometeu uma leviandade sem perdão ao afirmar que o Divino, que fez o mundo em 6 dias, criou essa figuraça que leva o codnome Lula. Deus não fez o mundo em 6 dias, como propalado pelas religiões; e ainda que o tivesse feito, nesse curto período lendário, não teria um milionésimo de micro segundo para criar um elemento nefasto como Lula. Criações mais importantes teria ele em Sua Divina Mente a dar à Luz; Já nos basta a figura mitológica de Satanás. Por que mais um?
Com relação ao governo de FHC, foi dos piores, porém o atual presidente corre na mesma pista, e tenho certeza de que ele vencerá como o mais "palrador", o mais "viajado", o mais "capcioso", o mais "deslumbrado" e o mais "mentiroso! Essa desculpa de mazelas de 500 anos já não surte mais o efeito que lhe quer atribuir cidadão como Va.Sa. Investigado? Esse governo? Ele, matreiramente, não permite que as CPIs se formem! E qual é o papel do Poder Legislativo? É justamente o de investigar, desnudar atos corruptos, por às claras tudo de podre do Executivo. Agora, está aí a CPI da Petrobras. "Eles", aflitos, já se mexem para ficar com os mais importantes "cargos" da referida CPI. Por quê? Repito: Por quê? Qual é o MEDO que eles têm? Tá tudo limpo? Não há corrupção? Então que se deixe correr livremente para que toda a NAÇÃO saiba que são apenas "boatos" de detratores de última hora. Procure ler o artigo de Waldo Luiz Viana - antigo funcionário da Petrobrás que se desligou da multi para ter tempo de estudar economia na Faculdade Gama Filho, em Piedade, Rio. Ele nos dá uma excelente orientação sobre o estado de corrupção dentro da mega Empresa. Agora, para encerrar: não disse ser pau de arara. Disse, tão somente, que vivi no nordeste (Natal,RN,)e corri quase todas as cidades interioranas daquele estado, algumas da Paraiba, Alagoas e Pernambuco. Já morei desde o Rio Grande do Sul ao outro extremo - Rio Grande do Norte, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro (minha terra natal)Juiz de Fora,MG.
PS. Notei que Va.Sa. estava sem nenhum controle emocional, ao encerrar o seu comentário. "Fique assim não" (como dizem os nordestinos cabras machos de verdade), guarde sua revolta para quando esse governo for "deletado" do Poder.
Com todo o meu respeito.
Morani
19.5.09
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AÉCIO VICE DE SERRA?
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Improvável
Ainda estou digerindo a informação, correta ou equivocada, sobre uma chapa puro sangue tucano.
Sinceramente acho pouco provável Aécinho entrar de vice. Aécinho tem uma eleição garantida pro Senado, e de lá, com Serra presidente, pode negociar seu apoio tendo em troca o antigo jeitinho brasileiro de usar o poder da caneta para empossar aliados no primeiro, segundo, terceiro, quarto... escalão. Poderá também pleitear a presidência da Casa ou algum ministério estratégico e de grande visibilidade. No entanto, caso aceite ser vice de Serra o apoio já é intrínseco, e a barganha tende a ser menor.
Aécinho deve levar em conta também outras coisas numa eventual presidência Serra. Qual a garantia de que Serra não disputará a reeleição? Um acordo entre ambos parece estar condicionado ao fim da reeleição, todavia, imagine o caro leitor a pressão que governadores e prefeitos farão contra o fim de tal instituto, e mesmo muitos parlamentares que vislumbram para si a oportunidade de se encastelar por 8 anos a frente do executivo. Outra coisa, caso o governo Serra naufrague e tenha uma avaliação negativa – coisa não muito improvável, pois sempre será comparado ao seu antecessor imediato, ou alguém imagina que mesmo com apoio da mídia oligopolizada Serra igualará os recordes de popularidade de Lula? – ele próprio (Aécinho) sendo seu vice, também pagará o ônus.
Agora, consumada a chapa pura sangue, fica espaço aberto para outras candidaturas. O DEMO passa por uma crise de identidade, na verdade escassez de votos, muito grande, e num cenário assim pode lançar César Maia, só pra marcar terreno, ajudar alguns candidatos ao governo estadual e ao Congresso e divulgar a sigla. Mas, bom mesmo para o PT seria ver um cenário pulverizado, com muitas candidaturas, uma mais a esquerda (PSOL). Uma mais a direita, qualquer nome do DEMO, ou então Paulo Maluf (PP) roubando votos do Serra em São Paulo e entre os mais conservadores. E outra de centro(?) com o PMDB lançando algum nome, quem sabe Hélio Costa pra tirar votos dos tucanos em Minas, ou Roberto Requião no Sul. Um desses dois também seria um bom vice – se for o Costa, haja pragmatismo, mas vá lá, dentro da atual conjuntura é melhor isso a entregar o Estado nas mãos dos privateiros.
O certo é que ainda está cedo, e como se diz aqui em Minas, muita água há de passar por debaixo da ponte.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 20:45
Improvável
Ainda estou digerindo a informação, correta ou equivocada, sobre uma chapa puro sangue tucano.
Sinceramente acho pouco provável Aécinho entrar de vice. Aécinho tem uma eleição garantida pro Senado, e de lá, com Serra presidente, pode negociar seu apoio tendo em troca o antigo jeitinho brasileiro de usar o poder da caneta para empossar aliados no primeiro, segundo, terceiro, quarto... escalão. Poderá também pleitear a presidência da Casa ou algum ministério estratégico e de grande visibilidade. No entanto, caso aceite ser vice de Serra o apoio já é intrínseco, e a barganha tende a ser menor.
Aécinho deve levar em conta também outras coisas numa eventual presidência Serra. Qual a garantia de que Serra não disputará a reeleição? Um acordo entre ambos parece estar condicionado ao fim da reeleição, todavia, imagine o caro leitor a pressão que governadores e prefeitos farão contra o fim de tal instituto, e mesmo muitos parlamentares que vislumbram para si a oportunidade de se encastelar por 8 anos a frente do executivo. Outra coisa, caso o governo Serra naufrague e tenha uma avaliação negativa – coisa não muito improvável, pois sempre será comparado ao seu antecessor imediato, ou alguém imagina que mesmo com apoio da mídia oligopolizada Serra igualará os recordes de popularidade de Lula? – ele próprio (Aécinho) sendo seu vice, também pagará o ônus.
Agora, consumada a chapa pura sangue, fica espaço aberto para outras candidaturas. O DEMO passa por uma crise de identidade, na verdade escassez de votos, muito grande, e num cenário assim pode lançar César Maia, só pra marcar terreno, ajudar alguns candidatos ao governo estadual e ao Congresso e divulgar a sigla. Mas, bom mesmo para o PT seria ver um cenário pulverizado, com muitas candidaturas, uma mais a esquerda (PSOL). Uma mais a direita, qualquer nome do DEMO, ou então Paulo Maluf (PP) roubando votos do Serra em São Paulo e entre os mais conservadores. E outra de centro(?) com o PMDB lançando algum nome, quem sabe Hélio Costa pra tirar votos dos tucanos em Minas, ou Roberto Requião no Sul. Um desses dois também seria um bom vice – se for o Costa, haja pragmatismo, mas vá lá, dentro da atual conjuntura é melhor isso a entregar o Estado nas mãos dos privateiros.
O certo é que ainda está cedo, e como se diz aqui em Minas, muita água há de passar por debaixo da ponte.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 20:45
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A MÍDIA TUPINIQUIM E ÁLVARO URIBE
O Senado da Colômbia começará a discutir amanhã (14/05/2009), e talvez até coloque em votação, a mudança na Constituição a fim de permitir um terceiro mandato consecutivo a Álvaro Uribe. A mídia oligopolizada tupiniquim simplesmente se omitiu de tratar do assunto, gerando, assim, um nítido contraste com as recentes coberturas que tem feito sobre acontecimentos políticos na também vizinha Venezuela.
Ambas, Venezuela e Colômbia, são países fronteiriços com o Brasil. A Colômbia possuí a terceira maior população da América Latina, 44.379.598 habitantes. Já a população da Venezuela não passa de 27.934.783 habitantes (62% menor). A comparação entre o PIB colombiano, US$422.483 bilhões, com o venezuelano, US$223.430 bilhões (portanto 89% menor), e a renda per capita, na Colômbia, US$8.891 e na Venezuela, US$8.125 (9,42% menor), mostram um pouco das diferenças entre os dois países, e caso nossa mídia fosse realmente isenta e imparcial como tanto propagandeia, em qual dos dois deveria estar mais atenta.
Não bastassem todos esses números, há ainda outros nuances difíceis de passar despercebidos.
A personagem atendida diretamente pela provável mudança constitucional, o atual presidente Álvaro Uribe Vélez, é desde os tempos do Cowboy Bush um dos principais aliados da política de controle de drogas dos EEUU, e com certeza o maior aliado da Casa Branca na América do Sul. Todavia, antes de galgar tal posto, teve na década de 1980 seu nome incluído em uma lista negra da CIA por envolvimento com os cartéis de drogas. Outra notícia, nada auspiciosa para as instituições colombianas, trata do fato de muitos congressistas, funcionários do alto escalão e nomes da confiança do presidente da República, estarem buscando refúgio em outros países, fugindo dessa forma da justiça de seu país que lhes julga, ou, em muitos casos, os condenou por ligações com narcotráfico e grupos paramilitares de direita – esquadrões da morte como são conhecidos cá no Brasil. E, ao que tudo indica, o próprio Uribe possuí fortes laços com esses segmentos nada legais ou democráticos.
Também é bom lembrar que o Congresso estadunidense ainda não aprovou o TLC, acordo de livre comércio entre EEUU e Colômbia, porque, segundo os congressistas norte-americanos,o nível de violência contra integrantes de sindicatos na Colômbia tem aumentado a cada ano, e não se vê disposição do atual governo em reverter tal quadro. Aliás, a Colômbia detêm o recorde mundial de perseguição e assassinato à trabalhadores organizados.
Como fiquei sabendo sobre a tramitação do projeto de re-reeleição na Colômbia através da revista Fórum, tapei o nariz e fui dar uma vasculhada nos principais sites de notícias da mídia oligoplizada. Resultado, Globo, Folha, Estadão, Veja, Ricardo Barriga Noblat, Reinaldo Boca-de-Esgoto Azevedo, nenhum deles tocou no assunto, ainda que fosse superficialmente. Nada, nadica de nada (isto hoje à tarde).
Acho que é até desnecessário fazer qualquer comparação a forma como tratam Hugo Chávez – coronel, ditador, tirano... – com a complacência que têm por Uribe. Se isso não mostrar engajamento ideológico, então que raio é?
A matéria que segue foi pescada do site da Revista Fórum
[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=6960]
Senado colombiano votará lei que permite reeleição de Álvaro Uribe
O projeto de lei que poderá permitir a segunda reeleição do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, será discutido em plenária pelo Senado amanhã, 14, com grandes chances de ser aprovado rapidamente.
Caso a medida seja ratificada, as autoridades deverão convocar um referendo sobre o tema. Como o Senado é amplamente dominado por setores alinhados ao presidente, espera-se que o aval seja dado em pouco tempo, talvez amanhã mesmo.
O debate sobre um possível terceiro mandato de Uribe, que chegou ao governo em 2002, teve início no ano passado, quando grupos simpáticos a ele começaram a recolher assinaturas para impulsionar uma nova mudança na Constituição. De lá para cá, mais de cinco milhões de firmas foram reunidas.
Para que pudesse concorrer ao segundo mandato, Uribe já fora beneficiado, em 2004, por uma outra emenda constitucional.
Desta vez, com as assinaturas em mãos, os promotores da campanha pela nova reeleição levaram, no dia 11 de setembro de 2008, um projeto de lei ao Legislativo. Em dezembro, o dispositivo foi aprovado pela Câmara dos Deputados, onde também a maioria é governista.
Após retornar do período de recessão, em 16 de março, o Congresso voltou a discutir o assunto, que agora chega ao Senado. Depois, bastará uma reunião final entre as duas casas parlamentares e o último aval da Corte Constitucional.
Sempre quando é questionado sobre a possibilidade de permanecer no poder, Uribe adota um tom evasivo. Diz que o mais importante é insistir no processo de pacificação do país iniciado por seu governo.
A oposição, porém, chama a atenção para as denúncias de violações dos direitos humanos, que teriam se intensificado durante os anos da gestão Uribe, quando as Forças Armadas ampliaram suas ações para combater grupos armados e narcotraficantes, muitas vezes afetando a população civil.
Cientes de que o projeto de lei deve passar com facilidade pelo Senado, os setores críticos ao governo já preparam uma campanha para um eventual referendo. A ideia é esvaziar a votação.
De acordo com uma pesquisa da consultoria Invamer Gallup divulgada no dia 8 de maio, 59% dos consultados disseram estar dispostos a participar do referendo e, desta porcentagem, 84% votarão a favor de Uribe.
O presidente possui um alto índice de popularidade, que beira os 70%, número expressivo para um governante que chega ao fim do segundo mandato.
Para participar das eleições, marcadas para maio de 2010, os partidos devem apresentar com até seis meses de antecedência seus candidatos.
Isto quer dizer que, caso Uribe pretenda mesmo concorrer, é preciso que a emenda constitucional seja sancionada até o fim do ano.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:25 4 comentários
Domingo, 10 de Maio de 2009
Por Uma Verdadeira Reforma Política – Parte I
Temo que por detrás da onda de denuncismo que acomete o Congresso Nacional – trazendo umas denúncias justas, outras nem tanto – esteja à tentativa nada disfarçada de desmoralizar a atividade política dando
Ambas, Venezuela e Colômbia, são países fronteiriços com o Brasil. A Colômbia possuí a terceira maior população da América Latina, 44.379.598 habitantes. Já a população da Venezuela não passa de 27.934.783 habitantes (62% menor). A comparação entre o PIB colombiano, US$422.483 bilhões, com o venezuelano, US$223.430 bilhões (portanto 89% menor), e a renda per capita, na Colômbia, US$8.891 e na Venezuela, US$8.125 (9,42% menor), mostram um pouco das diferenças entre os dois países, e caso nossa mídia fosse realmente isenta e imparcial como tanto propagandeia, em qual dos dois deveria estar mais atenta.
Não bastassem todos esses números, há ainda outros nuances difíceis de passar despercebidos.
A personagem atendida diretamente pela provável mudança constitucional, o atual presidente Álvaro Uribe Vélez, é desde os tempos do Cowboy Bush um dos principais aliados da política de controle de drogas dos EEUU, e com certeza o maior aliado da Casa Branca na América do Sul. Todavia, antes de galgar tal posto, teve na década de 1980 seu nome incluído em uma lista negra da CIA por envolvimento com os cartéis de drogas. Outra notícia, nada auspiciosa para as instituições colombianas, trata do fato de muitos congressistas, funcionários do alto escalão e nomes da confiança do presidente da República, estarem buscando refúgio em outros países, fugindo dessa forma da justiça de seu país que lhes julga, ou, em muitos casos, os condenou por ligações com narcotráfico e grupos paramilitares de direita – esquadrões da morte como são conhecidos cá no Brasil. E, ao que tudo indica, o próprio Uribe possuí fortes laços com esses segmentos nada legais ou democráticos.
Também é bom lembrar que o Congresso estadunidense ainda não aprovou o TLC, acordo de livre comércio entre EEUU e Colômbia, porque, segundo os congressistas norte-americanos,o nível de violência contra integrantes de sindicatos na Colômbia tem aumentado a cada ano, e não se vê disposição do atual governo em reverter tal quadro. Aliás, a Colômbia detêm o recorde mundial de perseguição e assassinato à trabalhadores organizados.
Como fiquei sabendo sobre a tramitação do projeto de re-reeleição na Colômbia através da revista Fórum, tapei o nariz e fui dar uma vasculhada nos principais sites de notícias da mídia oligoplizada. Resultado, Globo, Folha, Estadão, Veja, Ricardo Barriga Noblat, Reinaldo Boca-de-Esgoto Azevedo, nenhum deles tocou no assunto, ainda que fosse superficialmente. Nada, nadica de nada (isto hoje à tarde).
Acho que é até desnecessário fazer qualquer comparação a forma como tratam Hugo Chávez – coronel, ditador, tirano... – com a complacência que têm por Uribe. Se isso não mostrar engajamento ideológico, então que raio é?
A matéria que segue foi pescada do site da Revista Fórum
[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=6960]
Senado colombiano votará lei que permite reeleição de Álvaro Uribe
O projeto de lei que poderá permitir a segunda reeleição do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, será discutido em plenária pelo Senado amanhã, 14, com grandes chances de ser aprovado rapidamente.
Caso a medida seja ratificada, as autoridades deverão convocar um referendo sobre o tema. Como o Senado é amplamente dominado por setores alinhados ao presidente, espera-se que o aval seja dado em pouco tempo, talvez amanhã mesmo.
O debate sobre um possível terceiro mandato de Uribe, que chegou ao governo em 2002, teve início no ano passado, quando grupos simpáticos a ele começaram a recolher assinaturas para impulsionar uma nova mudança na Constituição. De lá para cá, mais de cinco milhões de firmas foram reunidas.
Para que pudesse concorrer ao segundo mandato, Uribe já fora beneficiado, em 2004, por uma outra emenda constitucional.
Desta vez, com as assinaturas em mãos, os promotores da campanha pela nova reeleição levaram, no dia 11 de setembro de 2008, um projeto de lei ao Legislativo. Em dezembro, o dispositivo foi aprovado pela Câmara dos Deputados, onde também a maioria é governista.
Após retornar do período de recessão, em 16 de março, o Congresso voltou a discutir o assunto, que agora chega ao Senado. Depois, bastará uma reunião final entre as duas casas parlamentares e o último aval da Corte Constitucional.
Sempre quando é questionado sobre a possibilidade de permanecer no poder, Uribe adota um tom evasivo. Diz que o mais importante é insistir no processo de pacificação do país iniciado por seu governo.
A oposição, porém, chama a atenção para as denúncias de violações dos direitos humanos, que teriam se intensificado durante os anos da gestão Uribe, quando as Forças Armadas ampliaram suas ações para combater grupos armados e narcotraficantes, muitas vezes afetando a população civil.
Cientes de que o projeto de lei deve passar com facilidade pelo Senado, os setores críticos ao governo já preparam uma campanha para um eventual referendo. A ideia é esvaziar a votação.
De acordo com uma pesquisa da consultoria Invamer Gallup divulgada no dia 8 de maio, 59% dos consultados disseram estar dispostos a participar do referendo e, desta porcentagem, 84% votarão a favor de Uribe.
O presidente possui um alto índice de popularidade, que beira os 70%, número expressivo para um governante que chega ao fim do segundo mandato.
Para participar das eleições, marcadas para maio de 2010, os partidos devem apresentar com até seis meses de antecedência seus candidatos.
Isto quer dizer que, caso Uribe pretenda mesmo concorrer, é preciso que a emenda constitucional seja sancionada até o fim do ano.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:25 4 comentários
Domingo, 10 de Maio de 2009
Por Uma Verdadeira Reforma Política – Parte I
Temo que por detrás da onda de denuncismo que acomete o Congresso Nacional – trazendo umas denúncias justas, outras nem tanto – esteja à tentativa nada disfarçada de desmoralizar a atividade política dando
RIO POTENGI - NATAL - 1825 DIAS
RIO POTENGI – NATAL – 1825 DIAS
"O rio corre indiferente ao que se passa às suas margens. Ele é como o espelho onde nos miramos e descobrimos todas as nossas imperfeições"
O Rio é largo e caudaloso.Tranqüila são as suas águas, algumas vezes; outras vezes, bravias. Banha a cidade de Natal desde o Forte dos Reis Magos e de passagem abandona a Redinha – praia local – e o cais do porto, antigo como o Tempo. Passa pela Ribeira e vai além do Alecrim, se perdendo nem sei aonde. A mim, ele morria logo após o Arsenal da Marinha de Guerra, pois de lá jamais ultrapassei todos os limites que se nos abriam. Peixes? Abundava, ali, a vida píscea, mas era do mar alto que os pescadores os traziam. Era uma doçura ver os barcos com as velas enfunadas pelos ventos singrando as águas escuras do Potengi. Que força a dos ventos! Mas era com carinho que eles conduziam os empanturrados barcos de tantos peixes.
À margem esquerda, a quem vem da boca da barra ao interior de seu caminho, ficam as casas humildes com as suas varandas de madeira, como trapiches, debruçadas sobre as águas que as vão lamber carinhosamente. Amontoam-se casas de pescadores, de operários ferroviários e de desempregados. Quase todas com cortinados de plástico, em janelas que lembram seteiras. Singelos, no entanto, são os vasinhos esmaltados com plantas sobre os peitoris dessas janelas escancaradas aos ventos salobros. Redes em balanços rangentes, nos alpendres sinuosos, fazem sonhar crianças e adultos.
Na outra margem o manguezal com as suas raízes, quais esqueletos, por sobre as águas e lamas podres como se tivessem nojo ao local onde vivem. Bandos de aves de rapina sobrevoam por sobre as copas, à cata de restos de peixes e de crustáceos.
À outra margem, onde nos colocávamos, Seu Aristão mantinha a sua oficina de fabricar barcos de pequeno calado. Nós vínhamos quais exércitos de adolescentes, também em bandos, à direção às margens do Potengi para mergulhar de cima dos batelões apodrecidos – aqueles esqueletos de madeira que outrora singravam o mesmo rio e que então dormitavam á luz soalheira. Dava-me pena vê-los ali sem mais uso e esquecidos propositalmente pelos velhos pescadores sem meios de os consertarem. Cada qual tinha uma história, o seu roteiro sentimental ou lembranças das batalhas em alto mar - suas comédias ou suas tragédias. Pelos trilhos da antiga estrada de ferro, já não “singravam” os comboios. O capim alto tomava conta de tudo. Aquilo fazia parte do patrimônio pessoal do Seu Aristão que nos avisava: “Não pulem ao rio. Hoje temos cações ao largo!” E obedecíamos. Encarrapitados aos galhos das mangueiras, demorávamos chupando as frutas doces como um beijo. Velho Rio Potengi... Em suas águas os valentes índios potiguares navegavam em suas canoas, para pescas ou para as batalhas contra os invasores. Você nos serviu nos nossos dias de vagabundagens escolares até que o Sol se escondesse por detrás das dunas. Que belas tardes aquelas! Que lembranças dormem nos esconsos de nossas almas aflitas... Rio Potengi... Sua voz estará perto a mim, exercendo sua atração sem resposta. Morrerei eu, mas você continuará para todo do sempre.
"O rio corre indiferente ao que se passa às suas margens. Ele é como o espelho onde nos miramos e descobrimos todas as nossas imperfeições"
O Rio é largo e caudaloso.Tranqüila são as suas águas, algumas vezes; outras vezes, bravias. Banha a cidade de Natal desde o Forte dos Reis Magos e de passagem abandona a Redinha – praia local – e o cais do porto, antigo como o Tempo. Passa pela Ribeira e vai além do Alecrim, se perdendo nem sei aonde. A mim, ele morria logo após o Arsenal da Marinha de Guerra, pois de lá jamais ultrapassei todos os limites que se nos abriam. Peixes? Abundava, ali, a vida píscea, mas era do mar alto que os pescadores os traziam. Era uma doçura ver os barcos com as velas enfunadas pelos ventos singrando as águas escuras do Potengi. Que força a dos ventos! Mas era com carinho que eles conduziam os empanturrados barcos de tantos peixes.
À margem esquerda, a quem vem da boca da barra ao interior de seu caminho, ficam as casas humildes com as suas varandas de madeira, como trapiches, debruçadas sobre as águas que as vão lamber carinhosamente. Amontoam-se casas de pescadores, de operários ferroviários e de desempregados. Quase todas com cortinados de plástico, em janelas que lembram seteiras. Singelos, no entanto, são os vasinhos esmaltados com plantas sobre os peitoris dessas janelas escancaradas aos ventos salobros. Redes em balanços rangentes, nos alpendres sinuosos, fazem sonhar crianças e adultos.
Na outra margem o manguezal com as suas raízes, quais esqueletos, por sobre as águas e lamas podres como se tivessem nojo ao local onde vivem. Bandos de aves de rapina sobrevoam por sobre as copas, à cata de restos de peixes e de crustáceos.
À outra margem, onde nos colocávamos, Seu Aristão mantinha a sua oficina de fabricar barcos de pequeno calado. Nós vínhamos quais exércitos de adolescentes, também em bandos, à direção às margens do Potengi para mergulhar de cima dos batelões apodrecidos – aqueles esqueletos de madeira que outrora singravam o mesmo rio e que então dormitavam á luz soalheira. Dava-me pena vê-los ali sem mais uso e esquecidos propositalmente pelos velhos pescadores sem meios de os consertarem. Cada qual tinha uma história, o seu roteiro sentimental ou lembranças das batalhas em alto mar - suas comédias ou suas tragédias. Pelos trilhos da antiga estrada de ferro, já não “singravam” os comboios. O capim alto tomava conta de tudo. Aquilo fazia parte do patrimônio pessoal do Seu Aristão que nos avisava: “Não pulem ao rio. Hoje temos cações ao largo!” E obedecíamos. Encarrapitados aos galhos das mangueiras, demorávamos chupando as frutas doces como um beijo. Velho Rio Potengi... Em suas águas os valentes índios potiguares navegavam em suas canoas, para pescas ou para as batalhas contra os invasores. Você nos serviu nos nossos dias de vagabundagens escolares até que o Sol se escondesse por detrás das dunas. Que belas tardes aquelas! Que lembranças dormem nos esconsos de nossas almas aflitas... Rio Potengi... Sua voz estará perto a mim, exercendo sua atração sem resposta. Morrerei eu, mas você continuará para todo do sempre.
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