DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

AINDA MARINA SILVA E O PV

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Ainda Marina Silva e o PV
Prometo aos meus parcos leitores não me tornar monocórdio ou monotemático, mas é que o assunto Marina Silva anda rendendo. Vejam a análise feita por Edmar Roberto Prandini no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/sobre-a-reflexao-e-a-decisao] e logo abaixo o meu comentário.

Sobre a reflexão e a decisão de Marina Silva


1.Sobre a comparação entre Marina e Heloísa.

Deve-se lembrar que Heloísa Helena não saiu do PT. Foi expulsa. Em si mesmo, o fato dela discordar internamente, ao longo dos anos, da linha majoritária do partido, jamais fora motivo para qualquer desabono à sua trajetória e currículo. Expulsa do partido, no contexto da aprovação da segunda reforma da previdência, restava a ela que alternativa?

Abandonar a política porque o PT não a queria mais? O quadro interno do PT que a expulsou não era menos radical do que aquele do discurso que ela adotou, só que em mão contrária: nenhuma crítica e tensionamento ao governo se podia fazer!

Expulsar a HH não foi esforço centralista e de esvaziamento politico, empobrecimento do PT. Muitas foram as consequências trágicas dessa atitude do PT. Muitos militantes aguerridos, com vínculos com o movimento social e sindical, afastaram-se. Foi uma opção do PT para o centro, para acordos com o PMDB, com o Sarney. Abriu-se a brecha para o retorno do Collor.

Se sair, e espero que não, Marina não terá sido expulsa. Marina terá realizado uma avaliação, que se pode discutir se correta ou não, de que as utopias políticas que o PT portava quando de sua criação ter-se-iam perdido nos limites das negociações necessárias para a manutenção da coalizão governante.

Como disse o Danilo Morais, alguns dias atrás, no tópico sobre os limites do pragmatismo, Marina, apontando para a manutenção das utopias, estaria pragmaticamente buscando espaços para oxigenar a discussão da política nacional com a discussão sobre o novo padrão de desenvolvimento que terá que ser sustentável, sob pena de repetir os dilemas produzidos pelo modelo desenvolvimentista dos anos 70.

O pragmatismo entendido como busca da concreção das utopias e da execução das diretrizes e missão não é o mesmo que o pragmatismo daqueles que são capazes de rifar ideais para o acomodamento na ordem estabelecida.

2. Sobre o Governo Lula

Evidentemente Marina reconhece qualidades no governo Lula. O fim das privatizações, o bloqueio da Alca, a reconstrução do Estado, a implantação do Bolsa Família. Mas, ela tem ciência de quanto o governo Lula não foi capaz de manter-se alinhado às expectativas de transformação dos comportamentos e padrões políticos tradicionais vigentes no país. Como justificar o afastamento de Olívio Dutra do Ministério das Cidades? Não havia denuncia nenhuma contra ele, o Ministério estava inovando com o eixo no modelo participativo e a criação das Conferências e do Conselho de Cidades, etc. O governo Lula, se é muito superior aos anteriores, acabou fortemente tolhido da enorme criatividade política gestada nos movimentos sociais no país. Melhorou o salário mínimo? Sim!!! Mas, quão tardiamente conseguiu iniciar o movimento de redução dos juros pagos aos rentistas nacionais. O mesmo se deu em inúmeras áreas que pretendamos avaliar. Avaliar criticamente o governo não é aderir à oposição. É manter a lucidez política e a honestidade intelectual.

3. Sobre o PV

Seu passado e posicionamentos, no Brasil, são terríveis. Se tem um apelo inovador em partes de seu ideário, é óbvio que não conseguiu formulá-lo de forma a assegurar uma identidade política. Foi usado, ao longo dos anos, para reciclar imagens de inúmeros agentes políticos conservadores e de práticas completamente arcaicas.

Marina Silva, inteligente e lúcida que é, sabe disso. A ponderação que ela provavelmente esteja fazendo corresponde àquela decisão que o PT tomou quando de sua criação acerca da participação ou não nos carcomidos limites da institucionalidade, a democracia representativa, “democracia burguesa”. Como personagem central de uma eleição presidencial, ela deve estar cogitando a hipótese de atrair energias, pessoas, para renovar o PV e determinar-lhe um ciclo de migração para posicionamentos inovadores. Movimento típico de uma guerreira, uma mulher corajosa e briosa.

Se o PV reciclou imagens de políticos “ruins”, porque uma política íntegra e de seu perfl não poderia reciclar o partido e torná-lo aliado efetivo de movimentos, lutas e projetos de conteúdo efetivamente valiosos? Essa deve ser a pergunta que Marina está se fazendo.

5. Avaliação da candidatura

Se considero a possibilidade da candidatura da Marina perfeitamente legítima, mesmo que pelo PV, considero também que ela sofrerá enormes restrições políticas. O empresariado receia a mudança do padrão produtivo que uma política efetiva de sustentabilidade social e ambiental produziria.

6. Meu anseio

Que o Lula deixasse seu pedestal de 80% de popularidade e se dignasse a chamar a Marina para um diálogo verdadeiro. Um diálogo em que a temática da sustentabiiidade ganhasse status efetivo na campanha sem a necessidade da defecção da Marina. Que a Dilma assumisse algumas obrigações neste sentido e que urgentemente algumas medidas fossem adotadas para mostrar à Marina que não se trata de mera bravata. Mas, acho que nada disso não vai ocorrer.

Então, tenho a impressão de que a Marina sabe que na dinâmica da campanha, o debate que ela vai produzir será mais eficaz para constranger certos posicionamentos que o governo optou por adotar contra a argumentação que ela oferecia. Ela deve julgar mais fácil mudar o PV do que o governo e, por esta razão, creio que sim, sairá do PT, para manter a dinâmica da luta pela sustentabilidade.

7. Concluindo

Assim como causou tristeza a saída do Plínio de Arruda Sampaio do PT, é de se lamentar que o mesmo aconteça com a Marina Silva. Mas, jamais se poderá considerar que ela o faça como alinhamento à baixaria da oposição ou como erro político. Se há erro político, está no governo e no partido que perdem uma militante como Marina Silva.


Comentário meu:

Caro Edmar

O governo Lula sem duvidas optou pela estratégia do "não embate". O "não embate" com os setores economicamente mais privilegiados, com o agronegócio, com a mídia, com o sistema bancário, com os grupos que têm intensamente internacionalizado nossas terras, etc. e tal.

Tivemos avanços? Obviamente tivemos e muitos nas questões sociais. Contudo nenhum desses avanços representou de fato perigo à classe dominante, a não ser na cabeça dos mais reacionários. Bolsa Família, ProUni, sistema de cotas, Luz Para Todos e muitos mais estão aí para provar o quanto o governo Lula se esforçou na questão social, mas repito, sem tocar em interesses da burguesia nacional.

A reforma agrária que poderia mudar a base social e reduzir as diferenças entre as regiões foi abandonada, quando não sabotada, isso nas palavras do próprio MST. Na divisão internacional do trabalho continuamos a ocupar o mesmo espaço que sempre ocupamos, ou seja, de exportador de produtos primários e commodities.

A possível, quase certa, saída de Marina Silva do PT trará essas discussões até então sufocadas ou relegadas ao abrandamento por militantes, filiados e simpatizantes do PT, além, dos movimentos sociais.

Agora, só espero que Marina não seja tão ingênua a ponta de achar que pode mudar o PV. O PV não passa de um partideco de aluguel. Já circula boatos dando conta que Serra gostaria de tê-la como vice. Seria uma jogada e tanto do governador paulista. E aí eu pergunto, qual será a posição de Marina sendo vice-presidente, no caso duma chapa estapafúrdia dessas vingar e vencer as eleições, vendo uma Kátia Abreu ou um Ronaldo Caiado no Ministério da Agricultura???

Coragem é muito importante nessa vida, sobretudo na política, mas coerência é fundamental.

Se Marina acha que pode contribuir para o Brasil postulando a presidência da República então que o faça dentro do PT. Se for derrotada, de longe o mais provável, e achar que ainda pode se apresentar como alternativa, que o faça dentro duma legenda mais séria que o PV-nada difícil encontra essa legenda.

Por último, como você bem salientou, será uma pena depois de ter perdido Plínio de Arruda Sampaio, perder também Marina Silva. Também foi bem lembrado o que sucedeu a Olívio Dutra, sem duvidas um dos melhores quadros que a esquerda brasileira produziu nas últimas décadas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:24 0 comentários
Ao companheiro Arkx
Debate entre eu e Arkx no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-aberta-a-senadora-marina1?page=1&commentId=2189391%3AComment%3A167289&x=1#2189391Comment167289] sobre Marina Silva e a carta aberta que eu a enviei (sem resposta até esse momento)

JOGA FORA DE RELEMBRANÇAS

13/08/09


Oi, minhas filhas queridas:


Não se constrói um arranha-céu sem uma fundação resistente; não se constrói nada em cima do passado, bem sei, mas é preciso ter a sensibilidade aguçada de um espírito poeta para debruçar-se sobre ele e não sucumbir. O passado nos atrai como um grande imã atraindo corpos que não suportam a força magnética da peça imantada. E por que estão lá muitas das lembranças que deixaram marcas saborosas em nossas mentes, voltamos sempre a ele ainda que retornemos ao presente de mãos vazias e de coração mais cicatrizado por feridas sem remédio.

Há uma passagem bíblica que alerta aos jovens, e que pode bem servir a quantos tenham deixado lá atrás hiatos de vida que necessitam ser preenchidos hoje, de alguma forma, que diz:

"Lembrem-se, moços, dos dias de sua mocidade, que Deus lhes Dá, para regozijos, antes que cheguem aqueles dias em que nenhum prazer encontrará neles". Esses devem ser os verdadeiros débitos que têm os homens que deixaram escapar as oportunidades de rejubilarem-se com os seus entes queridos, quando os dias eram ou poderiam ser de felicidade plena. E nos chegam esses "fantasmas", de tempos idos, como um verdadeiro rolo-compressor a nos esmagar; mais nos doem arremetidos às lembranças se nos sentirmos impotentes de reconstruir tudo, à feição de castelos de areia que fazemos e refazemos ao assédios das destruidoras ondas do mar. Ali, à praia, crianças ainda, temos às nossas mãos a matéria prima inacabável - a areia - e a nossa imaginação. O que temos hoje, de concreto e de palpável, que nos dê subsídios a reconstruir aquele passado desmanchado pela ação do Tempo? Vemos mais e mais se distanciando de nós os sons das vozes infantis, alegres e inocentes, os gestos, os sorrisos francos e os brilhos dos olhos, onde bailavam a esperança, as alegrias momentâneas e os sonhos; Ah, que saber tudo isso perdido num átimo do Tempo e no Espaço einsteniano... Embrulhados na relatividade das existências e postos como satélites das coisas começadas e inacabadas.

Terão todos os seres iguais sentimentos? Ou isso é como uma coroa descansando à fronte de um poeta? Um rasgo no cerne incontido de um construtor de sonhos falidos? Essas dúvidas que se entrelaçam em um espírito cansado, funcionam como pesos hercúleos sobre os ombros do poeta? Sofreram, assim, muitos deles, mesmo não sendo susceptíveis aos apelos do passado. Por que retornava Rimbaud ao seu povoado? Por que era impelido para lá? A força irresistível do passado clamava à sua alma continuamente. O poeta alemão Hölderlin foi outra vítima (?) dessa insatisfação, que o compelia passar mais tempo dentro de carruagens, para lá e para cá, como um ébrio. Voltar ou esquecer tudo, apagando à mente sofrida as cenas difusas que se homiziam lá no ponto distante do Tempo? Não me considero poeta, mas sim um construtor falido que, por incúria, esqueceu de calcular bem as bases de sua Vida. Esses seres falidos deveriam ser condenados às galés - se ainda as houvesse - ou à morte de seus pensamentos, em uma alma sem eco a guisa de calabouço eterno. As mãozinhas em salvas de palmas não as merecem eu, mas agradeço a gentileza por enviá-las. Vocês, sim, as merecem porque souberam livrar-se das vestes externas para só ficarem com o que vocês mesmas construíram em suas vidas. A cada uma de conformidade aos seus esforços e voluntáriosas vontades. Eu confesso, diante às suas almas, não passarei de um ancião debruçado ao peitoril de minha janela, que me descortina o nada, mas amplia a perspectiva de um futuro que ignoro como poderá vir a ser.

Estou completando o "joga fora" àqueles sentimentos teimosos e presos à alma, já por demais doloridas. Deus esteja com vocês hoje, amanhã e sempre.
papi Mario

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Á ANAMARIA, FILHA VIAJANTE

À Anamaria.


Paródia à letra de uma canção, por mim amada,
Cantada por João Gilberto na década de 60,
Que deu margem ao nome de uma das minhas filhas
Hoje vivendo no Além.


Onde anda Anamaria, que sonha com o mar?
Quem achar Anamaria, por favor, informar;
Onde anda Anamaria ( passeando pelo ar ?),
Ou quem sabe Anamaria esteja ainda a sonhar?
E por que sonha Anamaria, que não quis mais acordar?
Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?

Moça, amada Anamaria, traz de volta o seu andar,
Trás também os seus abraços,
Os seus cabelos e o seu olhar,
Que parado em minha tenda os procuro a chorar...
Traz, ainda, para mim, o seu jeito de falar,
Não fique só a dormir e a sonhar... A dormir e a sonhar...

Onde anda Anamaria, que não pôde mais voltar?
Mas eu digo à minha moça: sairei a procurar
Seu caminho iluminado na estrada estelar...
Sonha, sonha, Anamaria, que eu não a irei despertar.

Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?

Augusto de Moraes
(Morani)

RELEMBRANÇAS...

12/08/09


Há muito tempo ando querendo botar fora sentimentos vazios. É uma sensação de final de tempos, de coisas irrecuperáveis, perdidas e não sabidas seus paradeiros. Como começarei a desvendar uma coisa que se acha encaixada a mim e me pesando como algo morto? Difícil me é, sim, porque são sentimentos extramuros por que não dizem respeito às nossas existências, mas às de outros à minha volta. Por exemplo:

Aqui em meu bairro - o Perissê - havia uma "tribo" de alegres jovens que se reunia num dos rodinhos existentes por aqui. Trocavam alegrias e simpatias, participando de jogos de vôlei no meio da rua; estavam juntos, amiúde. Depois, sem quaisquer motivos, se separaram indo todos os quais para o seu lado e no decorrer do tempo mais se distanciavam uns dos outros, até que não restasse mais nem a sombra nem a lembrança daquela "tribo" feliz. Esse é um dos sentimentos que se perderam vazios dentro de mim. Então vejo cada qual de tempos a tempos como se uma grande distância os separasse até mesmo de seus parentes. A rua perdeu a vivacidade, a alacridade e a jovialidade, portanto, que essa "tribo" nos proporcionava aos primeiros dias de nossa chegada ao bairro. Atualmente, o bairro, não, o bairro não, à rua defronte à altura em que ocupo um sobrado, perdeu igualmente os seus jovens que se dissociaram da rua, do bairro e das próprias casas onde moravam. Alguns deles viajaram para além da fronteira de nosso Brasil. Outros assumiram seus papéis de pessoas ocupadas antes do tempo e mal gozaram as regalias de suas adolescências. Não os vemos mais. Perderam-se no Tempo e no Espaço, mas teimam em nadar em nossas lembranças como coisas que uma maré forte as tivesse levado para longe de nossa praia.

Depois... Bem, depois vem àqueles amigos da mocidade, que houve alguns o Tempo e a distância dos fatos levaram longe suas feições e nada deixando como registros de suas presenças. Não vejo mais seus rostos se estou à rua a nada fazer a não ser desejando encontrar um ou outro, ainda esporadicamente, para sentar a uma mesa de bar - que também já não existe mais como antigamente - tomar café, beliscar uma fatia de bolo de milho e botar os assuntos em dia. Nada!

Dava um pulo ao salão de jogos de bilhar e de sinuca que havia à Rua São João, para encher o meu vazio. O ambiente tinha os odores das cervejas, das baforadas de cigarros, do espírito das bebidas capitosas e o som dos choques das pequenas esferas coloridas nas tabelas das mesas ou nas caçapas. Dezenas de desconhecidos passavam os seus tempos por ali, entre um copo e outro, e entre uma tacada e outra. Mas havia os meus conhecidos com os quais repartia o tempo das partidas à boca da caixa registradora do bar do salão. Hoje, nem entro mais. As portas se fecharam. O jogo, de sinuca e de bilhar e mesmo o salão, perdeu para os horários das novelas, dos programas tipo BBB, Fazenda e outros. Há jeito, algum jeito mágico, de recuperar todas essas brilhantes efemérides?

Passo por uma vitrine de loja e de uma só olhada me descobre velho. Aquele vigor de jovem trabalhador e estudante perderam-se igualmente entre tantas outras perdas. O que lamentar mais? As minhas perdas do meu tempo de mocidade ou as perdas de há apenas uma década atrás? Quais machucam mais? Essas ou aquelas? Não sei... Só sei que meus olhos me desvendam ainda tudo o que se acha arquivado na memória quando puxados todos os acontecimentos ao momento presente. Dá-me vontade de vociferar, com raiva mesmo, em meio à rua, o apelo que me morre à garganta: "Amigos, "tribos", jovens, uni-vos enquanto ainda é tempo de saborear as amizades, as presenças de cada qual e, dessa forma, enganando o próprio Tempo e o próprio Espaço montando, de novo, os palcos daquelas coisas que se transmudaram em lembranças vazias, que machucam".

Por último - mas por uma questão cronológica deveria vir em primeiro lugar -, o "quintalzinho de se enrolar". Quintalzinho de se enrolar... Quem diria ainda estivesse como coisa fresca a bailar em minha memória? Não os vemos há mais de 29 anos - aquele pedaço de quintal que ficava atrás do prédio onde moramos por alguns bons anos. Nele as minhas filhas, ainda crianças, brincavam de "enrolar" seus corpinhos pela pequena descida gramada, que terminava junto do muro divisório ao outro terreno vizinho. A inventividade infantil não deveria acabar jamais. As pessoas, já adultas e cheias de responsabilidades, têm obrigação de conservar esse espírito de infância num momento de maior beleza de suas vidas, algumas tão curtas.

Hoje, chegando ao ocaso de minha existência, debruçado ao peitoril de minha janela do sobrado onde moro, olho as ruas de meu bairro e nada vejo. O bairro envelheceu. Nas suas ruas, já não há mais grupos de jovens álacres enchendo as tardes de verão com seus gritos, apupos e alegrias. É um deserto de gente. Um arquipélago sem ilhas não é um arquipélago. É um vazio monstruoso que vem, à moda do bicho-papão, nos assustar com seu silêncio e com a ausência daqueles corpos lépidos abrilhantando as ruas do bairro. Alguém sabe onde fica Passárgadas? É para lá que eu quero ir. Lá, não serei rei, mas é possível que me perca a memória de tudo o que me tem incomodado. "Saudade, torrente de paixão, emoção diferente, que aniquila a Vida da gente... É uma dor que eu não sei de onde vem..." Sei, sim, e muito bem, de onde vem. Vem do fundo de mim mesmo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

BOM NOME - MARINA SILVA - À PRESIDÊNCIA

Na impossibilidade de elegermos a notável ex-senadora Heloisa Helena, minha candidata a qualquer época à Presidência da República pelo PSOL, achei a sua sugestão, meu caro amigo Hudson muito oportuna. Marina Silva, conquanto pertença aos quadros do PT - não daquela ala suja e capaz de todos os meios para alcançar o posto máximo de nossa incipiente República democrática - pode ser um bom nome ao cargo máximo. Veja você que não tenho nada contra o PT desligado a Lula,mas o partido independente e, se possível, longe do PMDB, que se descaracteriza por jamais desejar ser poder, mas ficar à sua sombra mexendo seus "pauzinhos" para levar vantagens.
Sou mais a favor da batalhadora Heloisa Helena, mas daria, sim, meu voto à Marina Silva se eu sentir que ela se deligou umbilicalmente às diretrizes com o espírito do LULA! Sinto dizer, mas esse é um deslumbrado pelo Poder, inebriado pelos elogios de poderosos do Primeiro Mundo, que lhe tocam o "ego vaidoso", mas ao qual não se alojam a palavra e os termos próprios a um Presidente de uma Nação como o Brasil. Veja a discussão dele com alguns de seus Ministros por causa de problemas internos dos países irmãos da América do Sul e que ele, não desejando imitar a truculência imperialista dos norte-americanos, não deseja agir da mesma forma como sempre agiram os Presidentes do país estrelado. Eles têm "cacife"; sempre o tiveram! Lula quer dar um de "estadista" de Primeiro Mundo já, agora! Para tudo há um limite a ser obedecido. Nós, brasileiros, precisamos muito mais que os nossos "hermanos guaranís". Que ao apagar das luzes de seu governo ele volte seus olhos e suas atenções às nossas causas, aos nossos problemas, que não são poucos, e às nossas necessidades que, essas sim,são prementes e devem ter a primazia aos investimentos que estão sendo "exportados" sem nenhum sinal de "dor na consciência".

Um bom nome, o de MARINA SILVA, dentro das perspectivas apontadas por um brasileiro preocupado por tantos desmandos.

7 de Agosto de 2009 17:05
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NÃO TEM PREÇO...

Não Tem Preço



Salário do namorado da Neta de Sarney... R$2,7 mil



Tratamento da mãe de Arthur Virgílio... R$700 mil



Fretamento de jatinhos por Tasso Jereissati... R$469 mil



Patrimônio “oficial” de Renan Calheiros... R$10 milhões



Fortuna “estimada” da família Sarney... R$250 milhões



Ver a direita chafurdar mais e mais na lama dando barraco no Senado, ver Tasso Jereissati chamar Renan Calheiros de “cangaceiro de terceira categoria” e Calheiros retrucar chamando o nobre companheiro de “coronel de merda”...NÃO TEM PREÇO!!!



http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/06/renan+aumenta+o+ataque+contra+virgilio+em+plenario+7723995.html



www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

MEU FIRME PROPÓSITO AO CONGRESSO

Blogger Blog do Morani disse...

Mais uma vez me vejo forçado a concordar ao que diz em seu comentário o RLocatelli Digital:

Ao colo de quem cair o PMDB em peso, poderá esse contar com a vitória nas urnas. Ao meu modo de ver, caindo ao colo sempre "acolhedor" de Dilma Rousssef, teremos a continuidade do que ai está: um presidente alheio aos problemas do Congresso e só preocupado em aparecer ao cenário mundial desejando "aplicar" U$ 500 milhões no país guaraní esquecendo quanto precisa o Brasil para investimentos a favor do nosso povo; um Congresso que enveredou pelo vício das "gorjetas" polpudas vindas de todas as partes, e muito principalmente do próprio governo Lula. Por isso opinei sobre a possibilidade de "implodir" essa caricatura de Congresso, e nem as carcaças de todos os parlamentares seria de utilidade como "esterco", pois infectariam o solo e as plantas. Ontem, assistimos a "baixaria" de Renan "Canalheiro" e do Tasso, chamado por um jornalista antigo de "Corruptasso" Jereissati! Estão todos bem, muito obrigado - os da oposição e os da situação, pois que mergulham seus "dedos sujos" à mesma botija e ao mesmo tempo, e com os mesmos objetivos. Já cansamos de retóricas, de poses de "bons moços", de mentiras sobre mentiras se essas mentiras veem de cima!
A única "limpeza" que o povo brasileiro aceita é o total "nivelamento", ao chão, do Congresso - essa instituição "caduca", "viciada", "degenerada e degeneradora", "putrefata" e "letal". A Nação sobreviveria muito bem sem essa grei de "vampiros" a sugar todos os recursos dos cofres públicos, que nos pertence mais que a eles!
Sobre Brasília, deveria descer a Mão Justiceira do mesmo Espírito que afogou o exército egipcio; que terminou defenitivamente com o Imperio de 1000 anos do nazismo e que defenestrou Sodoma e Gomorra da face da Terra! Que acabou com a prepotência de Nabucodonosor, fazendo-o pastar como os gados pelos campos da Babilonia!
Para eliminar elementos nocivos, em qualquer campo de atividades humanas, só mesmo critérios rigorosos e sumários.

7 de Agosto de 2009 09:18
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terça-feira, 4 de agosto de 2009

CAMPO; DOMINAÇÃO, LUTA E VIOLÊNCIA

Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira

Entre os diversos temas que permeiam o debate político, econômico e social do Brasil contemporâneo, e se torna discurso corrente principalmente em anos eleitorais, diz respeito à estrutura fundiária nacional, a reforma agrária e os conflitos sociais no campo. Muito já se disse e fora prometido, no entanto, nada se fez e nada se faz.

Apesar de possuir dimensões continentais, o Brasil está entre os países com pior distribuição de terras do mundo. E a distribuição existente é uma das mais desiguais. Para o Geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, o latifúndio e as lutas sociais no campo, não são exclusividades do nosso tempo. Tem suas raízes no modelo de colonização empregado no Brasil pelo rei de Portugal, e durante o processo histórico, tal modelo justificou a posse das grandes propriedades rurais.

Com o sistema de Capitanias Hereditárias, os capitães donatários recebiam uma doação da Coroa portuguesa pela qual se tornavam possuidores e não proprietários de vastas extensões de terras. No entanto, a posse dava aos donatários poderes e direitos sobre o território, dentre eles a doação de sesmarias. Para o Historiador Boris Fausto, reside aí a origem do latifúndio e da concentração de terras no Brasil.

A posse da terra era sinônimo de prestígio, uma afirmação aristocrática. Os primeiros prejudicados e os primeiros a lutarem, foram os indígenas, que viram suas terras serem tomadas e seus costumes dilacerados. Lutaram, mas a luta foi desigual. Nos tempos da escravidão, os negros lutaram contra os grandes fazendeiros pela sua liberdade; luta desigual. Canudos e Contestado, camponeses se revoltaram. Para manter a “ordem” o Estado, coercitivo, reagiu com violência.

As lutas no campo ganham dimensão nacional nas décadas de 1950 – 60, com a formação das Ligas Camponesas e a criação da ULTAB (União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil). No entanto, com a tomada do poder pelos militares em 1964, os líderes foram perseguidos e assassinados.

Política e interesses agrários se misturam. Leis e acordos justificam atitudes. Entre outras, a Lei de Terras (1850): consolidou o latifúndio, o Convênio de Taubaté (1906): privilegiou os cafeicultores, o Estatuto da Terra (1964): jamais aplicado. E a violência? Não só física, mas simbólica: Corumbiara, Eldorado dos Carajás, Pontal do Paranapanema, Chico Mendes, irmã Dorothy Stang e tantos outros...

O que mudou? Nada. Encontramos facilmente pelos rincões deste país inúmeros latifúndios monocultores controlados por grandes grupos capitalistas e por aqueles que controlam. A “bancada ruralista” congrega mais de cem representantes entre deputados e senadores, e constitui o maior grupo de interesses do Congresso Nacional, frutos da UDR.

E ficam as famosas perguntas que nunca se calam: Será que estes nobres deputados e senadores estão dispostos a fazerem a reforma agrária, tão essencial para o desenvolvimento de nosso país? Repartiriam eles as suas terras e as de seus capachos? Votariam leis contra seus interesses? Eu, modestamente, duvido muito. Reformas sociais, tanto no campo como na cidade, estão atreladas a reforma política e na política.

Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG. marceloffoliveira@hotmail.com
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O PT E O PODER, OU, O PODER E O PT

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
O PT e o Poder, ou, O Poder e o PT
Por Francisco Hugo Vieira de Freitas

O PT já nasceu dividido contra si mesmo. Como, aliás, toda a Esquerda.

A Direita não é um monólito. A Direita é o Poder. No Poder, facções se acomodam e tornam-se monolíticas. A Direita sobrevive fora do Governo, embora prefira estar Governo. Governo pode, vez ou outra, ser o anel que se perde para não se perderem os dedos.

As mais lúcidas mentes anarquistas do século XIX admitiam participação nos governos — nos legislativos —. De onde se pode incomodar, denunciar e minar o Poder.
Capitalista ou comunista, quem está no Poder tem como prioridade única permanecer no Poder. Às vezes, abrem-se, em razão dessa lógica, espaços para novos grupos, facções e interesses. Grupos, facções … por vezes oriundos da Esquerda. O processo é o de cooptação. O Poder corrompe!

O PT já nasceu dividido. No Governo, partes dele se deixaram seduzir pelo Poder. Outras não foram chamadas ou não se conformaram com a divisão das capitanias hereditárias. Admita-se até que houvesse quem, no Governo, pretendesse demolir as seculares — no Brasil — e milenares estruturas do Poder.
Permanecer no Poder não é difícil: bem dosadas, a mentira e a corrupção são suficientes.

Quando grupos, facções forçam adentrarem-se à festa do Poder com amigos e parentes sem convite, um impasse: não há lugar para todos. É a hora do “ranger de dentes”.
A Direita é capaz de um gambito — tipo entregar a peça Sarney — para proteger o Rei.
Quando o menino de Garanhuns foi alçado à Presidência, apresentaram-se à sua tutela nada menos que o Dirceu, o Mercadante, a Marta, o Eduardo…, um ou outro já com um pé na cozinha do Poder.

A Ética sempre foi estranha (alheia) ao Poder e isso se torna flagrante quando grupos que chegam ao governo com discurso ético de imediato se oferecem ao Poder.

Povo é sábio: cuida de sua vida sem aspirações de Poder. Sabe que Polícia e Justiça são instituições criadas para proteger os poderosos. E nem leram a troca de cartas entre o Freud e o Einstein sobre o assunto.

Lula aprendeu que falar em um estádio lotado de metalúrgicos não é a mesma coisa que falar em recinto fechado para executivos de montadoras: são discursos diferentes em tom e em palavras. Tornou-se competente nesse métier.

Afirmar que a Ética não é afim aos sindicatos seria uma tremenda injustiça aos mártires anarcossindicalistas, mas…

Lula não fez uma opção pela Ética. Descartar Marina Silva, Paulo Lacerda, Waldir Pires … não é bom sinal.

Só os neoliberais colhem o que não plantam.

Aos que sonham com um País mais ético — educado, seguro e justo —, é sentir muito: não foi desta vez.

Em tempo: Do Gilmar ao Jô e suas meninas, a Direita está saindo do armário, não está? Há um clima de xeque-mate. Brancas(de olhos azuis) ou pretas?

Francisco Hugo Vieira de Freitas é educador e colaborador constante do Dissolvendo No Ar.

A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA

Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Há anos venho pesquisando sobre o significado da federação no Brasil. Acompanhei pela mídia no início do governo Lula as conversas de Zé Dirceu com alguns cientistas políticos a fim de se elaborar novas formas de divisão, ou subdivisão, federativa, a exemplo do que ocorre na maioria dos países. No entanto o projeto não andou.

Já não bastasse a divisão entre os Três Poderes levada ao pé da letra, o presidencialismo capenga adotado pela Constituição de 1988, os mecanismos que impedem projetos de iniciativa popular e a nossa falta de tradição em consultas populares fora do pleito eleitoral, ainda somos obrigados a conviver com essa aberração que é a pseudo-federação brasileira.

É impossível continuarmos insistindo com unidades federativas tão dispares entre si, com direitos e deveres praticamente idênticos. Essa é inclusive uma das causas de nossa baixa participação popular e empecilho a uma democracia mais avançada. Tratar como iguais o estado de São Paulo e o Piauí, ou então, e pior, o município de São Paulo e Anhangüera-GO com apenas 5 mil habitantes se configura em verdadeiro acinte a democracia.

Uma das propostas que venho formulando é a de abolir as atuais divisões administrativas (estados e municípios) e criar novas com atribuições especificas de acordo com a população e recursos de cada localidade. Assim teríamos, num exemplo aleatório, subdivisões: cidade, freguesia, região metropolitana, sede. E divisões: distritos, que seriam na verdade a federação entre as subdivisões.

Os estados no Brasil foram criados com o intuito de aplacar a sede de poder das oligarquias regionais, não levando em conta as reais necessidades da República. Ao contrário, acabou afastando da população valores republicanos. O sistema de pesos e contrapesos defendido pelos federalistas estadunidenses nunca foi aplicado no Brasil de forma a combater disputas entre facções dentro da União. Estados e Senado sempre usaram pesos e contrapesos contra as reivindicações populares, uma vez que a oligarquia nacional se manteve razoavelmente homogênea ao longo de nossa história. A federação, no caso do Brasil, é algo artificial e sintoma apenas do medo de desintegração do país após a queda do Império, uma vez que não houve participação popular na derrubada do antigo regime e os interesses oligárquicos passaram a ser o interesse do novo regime.

Estados, municípios e Senado Federal formam o mesmo lado da mesma moeda, ou seja, a dos interesses oligárquicos. O pseudo-federalismo brasileiro além de tratar como iguais os diferentes, como já citei acima, também não passa de pseudo por concentrar, de fato, poder e decisões no âmbito da União, castrando os demais entes.

Por tudo isso, acredito que o debate sobre uma reforma política necessariamente tem de ir para muito além de mera reforma eleitoral, mas sim buscar uma reforma na estrutura do Estado brasileiro, realizando concomitante a reforma eleitoral, as reformas administrativa e federativa.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:39 1 comentários
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
No Portal Luis Nassif
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo

MEU COMENTÁRIO SOBRE "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA" de HUDSON L.V.BOAS

Blogger Blog do Morani disse...

31/07/09

Nada como a sabedoria, fruto de pesquisas aprofundadas de um sociólogo, como o amigo de Poços de Caldas, que se joga de corpo e alma nos intrincados meandros de uma pseudo-Federação Brasileira.
Não sou dado à pesquisas por me faltarem meios e normas de como conduzí-las, porém, concordo com tudo o que o amigo disse em seu comentário "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA".
Para se alcançar o seu pensamento, não precisamos nos ombrear aos seus conhecimentos.
Que precisa haver mudanças, não há a menor sombra de dúvida, mesmo que se use de meios drásticos e impositivos - não ditatoriais- mas, antes, é preciso mudar a " cabeça" desse nosso povo infeliz.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

POSTADA NO PORTAL LUIZ NASSIF

Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo associado João Sidney Pontes:

"Eu sou a favor de mudar o sistema bicameral para unicameral,extinguindo o senado federal, já imaginou a economia por ano para o país? Que poderia ser revertido para a educação, saúde, infraestrutura e outras áreas."

Curta resposta deixada por mim:

O problema não são apenas os bilhões que custam à manutenção do Senado Federal. Um regime democrático não é barato, no entanto é mais transparente que qualquer ditadura. O problema está sim no que representa o Senado. Numa federação como os EEUU com forte tradição de autonomia entre os entes federativos e onde a própria União foi resultado, a princípio, dos interesses políticos das Treze ex-Colônias recém independentes da Inglaterra (vale lembrar que as Treze Colônias não possuíam vínculo político entre si) o sistema bicameral, com a Câmara dos Representantes representando o povo e o Senado Federal representando os estados, faz todo o sentido. Mas no Brasil onde primeiro foi estabelecido o Estado e esse se incumbiu de criar os entes federativos, não faz qualquer sentido. Os estados brasileiros foram criados com o intuito de arrefecer as disputas pelo poder central ao mesmo tempo em que garantiam força às oligarquias regionais. Desde o Império não temos nenhuma tradição federativa, basta ver nas seguidas Constituições o que de fato cabe aos estados (à época do Império províncias) e o que cabe à União. Sempre fomos um Estado com o poder fortemente centralizado. Os poucos aspectos que poderiam nos dar um caráter federativo são insuficientes e raquíticos. Portanto qual a verdadeira finalidade de se manter um sistema bicameral? Poderia se afirmar que nossa Câmara Alta trata-se na verdade duma casa revisora com poderes alheios aos da Câmara Baixa. O que é mentira, pois na verdade há uma sobreposição de funções entre ambas. No mais, por sua gênese, o Senado brasileiro se configura cada vez mais em trava às demandas populares e mais progressistas, o ranço das oligarquias continua vivo. Vemos no Brasil duas casas distintas. Uma, Câmara dos Deputados com todos os problemas que lhe são pertinentes, mais propensa ao debate e aos anseios populares ou de grupos da sociedade civil organizada. Outra, Senado Federal, conservadora e fiel mantedora dos vícios oligárquicos e corporativistas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:21

terça-feira, 28 de julho de 2009

A MÍDIA E A BANALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira

“Ninguém escapa da educação”, nos recorda e alerta Carlos Rodrigues Brandão (1). Acompanhamos diariamente um discurso, que se torna cada vez mais discurso, tanto na mídia como na política, a temática: Educação. Educação como aporte para um futuro melhor. E sabemos disso. Sabemos o quanto uma educação progressista, humanista, libertadora e de qualidade é capaz de tirar as amarras e as vendas da juventude brasileira.

No entanto, a mídia que se diz apoiadora de uma educação qualitativa, em contrapartida, a apresenta em horário nobre da TV aberta brasileira com o estereótipo de uma “escola muito louca”.

Levei este debate para a sala de aula. Meus alunos, do primeiro ano do Ensino Médio, não gostaram das comparações. Afinal, o que esta escola muito louca quer mostrar? Será que nossa educação é assim? É essa a imagem da Educação brasileira? Se for, estamos fadados ao fracasso...

Ao apresentar uma escola desta forma, a mídia brasileira mais uma vez (Escolinha do Professor Raimundo, Escolinha do Golias), não está contribuindo em nada para a melhoria da educação. Aliás, penso eu, banaliza.

Um bando de alunos idiotas (opinião minha e de meus alunos), respondem a questionários pedagogicamente sem sentido. Os tipos são mal representados. O atleta, o funkeiro e o marginal. Banalizam as mulheres: muito corpo, pouca roupa e pouco cérebro. O chinês é o contrabandista, além do CDF, é claro.

O barato é fazer rir. Rir do professor, classe profissional que luta diariamente para recuperar seu prestígio na sociedade. Sidney Magal nos representa, e encerra sua aula dizendo: “eu poderia só cantar...”, como se educar fosse um passatempo, uma tarefa aparte. O que pensaria nosso grande mestre Paulo Freire...

Não possuímos uma educação perfeita, temos muito que melhorar. E muitos professores comprometidos lutam diariamente para isso. Para tanto, a grande mídia, que se diz tão incentivadora de uma educação de qualidade, poderia abrir espaços para debates consistentes e produções criativas sobre os mais diversos temas, e não nos apresentar como um bando de tolos.

Não somos assim; e o perigo se encontra na formação de opinião. Eles têm esse poder manipulador. E se querem nos apresentar desta forma, lutaremos contra; sempre.

Professores e alunos comprometidos com uma EDUCAÇÃO de qualidade, uni-vos!

Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG
marceloffoliveira@hotmail.com


(1) Brandão, Carlos Rodrigues. O que é educação – SP: Brasiliense; 2005
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:17

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O GRANDE CIRCO DA DEMOCRACIA

Blogger Blog do Morani disse...

O Senado é um palco onde todo dia é "ensenado" um espetáculo circense; palhaços não faltam ao sucesso da mostra, pelo contrário: sobram. A Câmara é o "camarim" onde se prepara os futuros "clowns" do Congresso. O dinheiro do povo paga muitíssimo bem a esses galhofeiros; uns se fazem eternos: não largam os bastidores por nada deste mundo. Claro... Por que deixar uma "carniça" com a qual outras hienas podem se fartar até que se empanturrem a mais não poder?
PODER? Eis o vinho embriagador à disposição das imensa "troupe".
Será um circo, uma arena de combates pérfidos ou um carroção de saltimbancos ridículos, esse Senado? O Reizinho deveria ir para o calabouço dessa Casa de Horrores. Lá a sua voz não serviria como ensino a nenhum só brasileiro. Implodamos o Congresso e construamos no local uma nova Bastilha e, defronte, uma Praça da Guilhotina; que se comece uma nova Revolução, com centenas de cabeças a rolar para o cesto do lixo. É a saída para o momento atual. Quem não achar essa uma boa solução, que continue a co-participar de uma farsa sem termo.

24 de Julho de 2009 19:51

quinta-feira, 23 de julho de 2009

OS RESQUÍCIOS DE UM INFERNO

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Por Tiago Barbosa Mafra

Em 20 de Julho de 1944 o Coronel Conde Claus von Stauffenberg, oficial do exército alemão em guerra, malogrou na mais famosa entre tantas tentativas de assassinato a Hitler. Era o sinal de que nem todo o povo alemão estava de acordo com as atrocidades colocadas em prática antes e durante o conflito. Pouco menos de um ano depois estava acabada a guerra na Europa e Hitler suicidou-se. Mas morreu com ele o nazismo?

Infelizmente é perceptível que não. Com a fuga dos políticos e militares sobreviventes, ou mesmo através de obras escritas propagadas indevida e ilegalmente pelo mundo, tem-se uma continuidade das idéias racistas, discriminatórias e intolerantes em relação a tudo considerado diferente do padrão “branco alemão”, o ariano puro.

Até mesmo no Brasil, nos meios de comunicação virtual atuais, milhares e milhares de portais virtuais e blogs difundem idéias que se esperava estivessem esquecidas. E pasmem leitores: aqui mesmo em nossa cidade, Poços de Caldas, vivenciei esta semana a facilidade com que esses verdadeiros crimes se mantêm em andamento.

Ao buscar algumas obras de interesses para minhas pesquisas, me deparei com dois exemplares do livro Holocausto: judeu ou alemão?, de Siegfried Ellwager Castan, conhecido e repudiado no meio acadêmico como S. E. Castan. Desde 1986, Castan é denunciado pelos Movimentos Populares Anti-Racismo do Rio Grande do Sul, sendo que em 1991 o Ministério Público determinou a busca e apreensão de todos os títulos publicados pela Editora Revisão (da qual Castan é proprietário), incluindo o livro acima citado.

O que não consigo compreender é como essas obras ilegais e revisionistas, de cunho nazista, continuam à disposição da população e principalmente e mais preocupante, ao alcance da juventude, em uma das maiores bibliotecas do município, a Biblioteca Centenário, locada no prédio da Urca.

Encaminhei um pedido de retirada dos livros para a administração das bibliotecas e creio que as devidas medidas estejam sendo tomadas. O que mais me assusta, como cidadão e educador, é saber que em tempos de crises e dificuldades, propostas de soluções rápidas e eficazes sempre fascinam a juventude. E o que nós menos precisamos agora é dotar o povo, já massificado pelos meios de comunicação e obrigados a pensar mais rápido e não a pensar melhor, com posicionamentos intolerantes, de aversão a tudo que não é considerado superior.

Todo cuidado é pouco. O chefe da propaganda nazista dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Foi assim que eles procederam. E é contra essas mentiras que devemos lutar.

Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:43 2 comentários

TUDO PODE SE REPETIR

Blogger Blog do Morani disse...

Cappacete, não é assim tão fácil. A Alemanha - pré-Hitler - de 1914/1918 - estava arrasada e sob o rígido contrôle de um Tratado de Versalhes imposto pelos aliados vitoriosos.
Fruto de um governo fraco na Alemanha pós-guerra, Adolf Hitler surgia para o mundo político através de um golpe inteligente dentro de uma cervejaria da Bavaria. Os nacionais-socialistas conseguiram impor aquele austríaco como Ministro e, posteriormente, Primeiro Ministro. Ele se cercou de homens fiéis e prontos a agirem como lhes ordenava o do bigodinho famoso. Um deles se chamava Himmler - seu diretor de propaganda à implantação do nazismo no governo de Hitler. O Brasil anda de tal modo capenga com escândalos semanais, patifarias, locupletação de ganhos extraordinários, sub-emprego e desemprego, falta de moradia e com um PAC mal administrado, com mentiras e máscaras blindáveis àqueles escândalos, que cheiram muito mal, que pode se tornar presa de um grupo de jovens sonhadores como o são esses neo-nazistas. Himmler não era homem de bela estatura, não impressionava por sua beleza ariana nem por sua verve, que era tímida, mas fez o que fez: de um pesadêlo um grande sonho de uma Alemanha dominando o mundo por 1000 anos. Seria a raça ariana a única a sobreviver por aquele período. No dia em que esses jovens sonhadores neo-nazistas tocarem na ferida do povo brasileiro, milhares e milhões se denominarão "brancos puros"ou "elite privilegiada" exigindo mudanças e engrossando esse sonho que poderá se tornar pesadêlo, mas, pesadêlo por pesadêlo, nós já vivemos, há muito, pesadêlos sem termo. Eis o coquetel para a implantação de uma filosofia de "cara nova", que começa entre os jovens e se espalha pelos infelizes sem quaisquer esperanças a uma vida digna.

23 de Julho de 2009 18:34

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A DEMOCRACIA DA MINORIA

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
A Democracia da Minoria
Por Marcelo Fonseca

A organização social e política do Brasil, que fora e continua sendo ideologicamente construída, possui vestígios de uma sociedade que, segundo Marilena Chauí, “é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social (...) fortemente verticalizado”. Ou seja, as relações entre os grupos sociais são e estão estabelecidas da seguinte forma: “um superior que manda e um inferior que obedece”. (1)

Raymundo Faoro, salienta que o poder efetivo de comando prevalece a mercê de uma pequena parcela da sociedade. Diz: “o estamento, quadro administrativo e estado-maior de domínio, configura o governo de uma minoria (...), o efetivo comando da sociedade, não se determina pela maioria, mas pela minoria, que a pretexto de representar o povo, o controla, deturpa e sufoca”. (2)

Vivemos em pleno o século XXI, o ranço de uma herança senhorial, marcada pelo conservadorismo paternalista da minoria. E o povo? Percebemos historicamente, a mínima participação das camadas populares nos eventos econômicos, sociais e políticos do Brasil. Juntamente com a escravidão, são fatores, que de certa forma, nortearão a formação do Estado Nacional Brasileiro. Vejamos alguns exemplos na História.

Revoltas ocorridas no Brasil nos séculos XVII e XVIII, nativistas ou separatistas, como Beckman, Mascates, Felipe dos Santos, foram lideradas pela elite colonial. Emilia Viotti da Costa nos mostra que “entre os Inconfidentes, a maioria era composta de proprietários e altos funcionários”. Na Conjuração Baiana, a participação popular foi um pouco mais numerosa, porem, o grupo dominante era “constituído por elementos instruídos e de recursos, e figuras importantes da sociedade”. (3)

Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no inicio do século XIX, a autoridade política dos grandes proprietários aumenta. Por estarem geograficamente afastados do núcleo político nacional, a cidade do Rio de Janeiro, controlavam e direcionavam o poder local. Segundo Maria Isaura de Queiroz, “os senhores de engenho do Nordeste e os fazendeiros do Vale do Paraíba, estabelecidos há mais tempo na política, detinham o poder”. (4) A aristocracia brasileira comandava as Câmaras Municipais, controlavam a vida de seus subordinados e faziam leis em beneficio próprio.

As vésperas da Independência, diante das contradições e do choque de interesses dos controladores do poder, prevaleceram segundo Caio Prado Junior, as intenções do Partido Brasileiro. Para o autor, o Partido Brasileiro “representava as classes superiores da colônia, grandes proprietários e seus aliados”. (5) E o povo?

Durante a Proclamação da República o povo assistia a tudo “bestializado”; (6) na chamada República Velha, fraudes e interesses econômicos mantinham a elite no poder. Quando reformas de base estavam previstas, militares, com discurso de defender a honra da pátria contra o comunismo, mas aliados a burguesia nacional, assumem o poder. Adeus reformas... Adeus democracia.... E o povo?

Percebemos, a partir desta pequena amostra, que nos principais momentos da História do Brasil, a participação popular fora diminuta. A camada mais baixa da população esteve e está suprimida em nome dos interesses de uma minoria. Interesses disfarçados de democracia, mas para quem? Revoltas populares ocorreram, porem eram localizadas e facilmente controladas.A dominação social prevalece. A política local, principalmente no interior ainda é controlada por oligarquias que dominam determinadas regiões do Brasil. O trânsito de tais oligarquias na capital federal é livre; manda e desmandam. Sarneys, Magalhães.....Vivemos orquestrados sob a batuta da democracia de poucos. Poucos podem, poucos fazem. Eles regem nossa vida, e se dizem democráticos; fazem leis em benéfico próprio e desrespeitam o primeiro artigo de nossa Constituição: “Todo poder emana do povo”.

CHAUÍ, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária – São Paulo: Perseu Abramo; 2007.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro – São Paulo: Globo, 1997. vol 1.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia a República: momentos decisivos – São Paulo: Brasiliense, 1994
QUEIROZ, Maria Isaura. O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios – São Paulo: Alfa - Omega, 1976
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos – São Paulo: Brasilense, 1994
CARVALHO, Jose Murilo. Os bestializados – São Paulo: Companhia das Letras, 1987

Marcelo Fonseca é professor de História e Geografia, e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38

A DEMOCRACIA DAS ELITES BRASILEIRAS

16/07/09

Raymundo Faoro analisa e adverte aos que passam à Vida as brancas nuvens da indiferença desligados aos elos das acuradas atenções aos fenômenos impostos pela minoria. Concordo plenamente! É outra maneira de expressar o pensamento lúcido de Marilena Chauí, e a de secundar o pensamento geral do autor - Marcelo Fonseca.
O 5°. tópico tem seu "espírito" abordado exaustivamente por José Lins do Rego em suas obras do ciclo da cana-de-açucar - magistralmente -, assim como as de Mario Palmério e as de outros autores contemporâneos, igualmente belíssimos na abordagem de tão relevante problema.
O Povo? O que é o Povo? Joguete de interesses, só lembrado em épocas eleitorais. Aí conclama-se essa grei, apelidada "Povo", exacerbadamente, em todos os canais da mídia-elite a que não esqueça de exercer sua cidadania a favor da democracia vigente.
Que democracia?
A do "Polvo", nomeada elite? Só uma grande revolução popular para combater essa "Virose", que vem desde a "democrática" Grécia, passando por Roma dos Césares, pela Grã-Bretanha dos lordes, pela França, das opulentas cortes, por Portugal, dos senhores das quintas, e aportando ao Brasil em 1805 com a arribada da Imperial Corte Lusitana fugindo à avalanche dos exércitos napoleônicos.
Eis em que se baseou o nosso insípido "Estado democrático".

16 de Julho de 2009 05:25

domingo, 12 de julho de 2009

LULA E A VERGONHA DA ELITE MAZOMBEIRA

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Lula e a vergonha da elite mazombeira
E não é que o pingaiada analfabeto está deixando nossa mídia mazombeira mordendo os cotovelos!!!

É claro que vivemos numa sociedade de consumo (cada vez mais exacerbado), mas, as loas que a mídia joga para o futebolista Ronaldo como sinônimo de superação são inversamente opostas à omissão que a própria mídia dá aos feitos internacionais, e nacionais, de Lula.

É obvio que eu sei bem o que Ronaldo representa numa sociedade consumista, e por isso não importa a sua futilidade ao dizer que não leva malas em viagens, simplesmente compra o necessário (e muitas vezes o não-necessário também) onde está. Não importa se Ronaldo prefere que seu filho brinque com garotos europeus e considere os curumirins má influência. Não importa se Ronaldo é flagrado em festas onde o álcool rola solto, mesmo sendo ele um atleta profissional. Não estou pegando no pé de Ronaldo, se ele pretende levar a vida da maneira mais fútil o possível é uma opção feita por ele. O que me irrita é o fato da mídia fechar os olhos pra tudo isso só (sic) porque atrás dele estão grandes marcas internacionais. É o reflexo da sociedade atual, o que importa não é a pessoa, mas sim o que ela tem.

Para mim Lula “é” e ao mesmo tempo “tem”. Simbolicamente Lula é o trabalhador brasileiro. O alto índice de aprovação ao seu governo se deve muito em parte por esse simbolismo. O trabalhador, principalmente o mais humilde, enxerga no presidente Lula um homem simples, que veio debaixo, que não esquece suas raízes. Não é à toa que Lula usa tantas metáforas, é a forma como o homem simples se comunica e explica determinadas situações, faz parte recorrente do arcabouço intelectual dos brasileiros comuns. Lula é o intelectual orgânico de Gramsci. E Lula tem. Tem o cacife de estar à frente do maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Sul. Partido esse que se tornou escola para a esquerda nacional. Tem a história a seu lado, pois as greves lideradas por ele durante a década de 1970 iniciaram o último capítulo da ditadura militar. Tem o prestígio de um governo responsável e que luta para alterar a face dum país tão desigual. Tem ao seu lado o respeito da comunidade internacional. Tem ao seu lado a multidão, o trabalhador, o povo brasileiro que não pensaria duas vezes em dar-lhe um terceiro mandato consecutivo.

O governo Lula pode até ser marcado por ambigüidades e contradições, mas, já escrevi isso antes, representa em primeiro lugar uma quebra de paradigma numa sociedade marcada pelo elitismo e pelo progresso conservador, pelos acordos entre as classes mais abastadas e a (quase) exclusão do povo no processo histórico. Em segundo lugar, trouxe para o primeiro plano os direitos sociais (positivos). Se é um governo onde o limite para as transformações está no consenso e não no embate acirrado, por outro lado também é verdade que servirá pedagogicamente no futuro, talvez não tão distante, como forma de avaliar o conservadorismo de nossa elite e a necessidade de movimentos sociais mais fortes.

De qualquer modo, a elite tupiniquim não aceita ser representada por um retirante nordestino, analfabeto, pingaiada e vagabundo. Não importa para essa elite se Lula enfrentou a difícil luta contra a fome (e venceu), se saiu da condição de mero operário para transformar-se em líder sindical, enfrentou os militares quando quem se dispunha a tanto era cassado, preso, torturado e exilado, quando não assassinado.

Quem nesse país representa melhor o espírito de superação?

Lula reunia todas as condições para morrer de subnutrição, de sede, de fome, ou então para levar uma vida comum, como a de milhões de retirantes nordestinos que vieram para o “sul maravilha”, no entanto, na noite de ontem recebeu o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco – e que ainda pode ser o ponta-pé para o prêmio Nobel da Paz. Talvez seja por isso que nossa elite mazombeira ficou calada e fingiu não saber e não ver nada. Para ela, bom mesmo, seria um Bornhausen ou um Alckmin, e não um Silva, ser o primeiro brasileiro a receber tal prêmio. De certa forma o sucesso do ex-retirante os envergonha.

Quanto à classe trabalhadora, não apenas não se sente representada pela elite nacional, como acaba por ter vergonha dela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:52

terça-feira, 30 de junho de 2009

O NOME DO ATRASO

O Nome do Atraso
Nos estertores da ditadura militar antes que manifestações populares começassem a dar ojeriza aos grupos políticos civis mais ligados ao estado de exceção, ACM, Jorge Bornhausen, Aureliano Chaves e Marco Maciel formaram uma dissidência dentro do PDS no intuito exclusivo de não perderem os anéis. Mudaram de barco e apoiaram Tancredo Neves, político liberal-conservador, da confiança dos militares e que significava o fim negociado da ditadura. A chamada Frente Liberal garantiria a eleição do mineiro à presidência e lhe daria o nome do vice, o senador maranhense José Sarney. Sarney era até pouco tempo presidente da Arena e posteriormente do seu herdeiro, o PDS. Fez carreira política defendendo os militares e aos 45 minutos do segundo tempo trocou de time e tornou-se um democrata convicto. Tínhamos aí uma chapa com a “Raposa das Alterosas” e o “Senhor do Maranhão”.

Tancredo morreu (sem sequer tomar posse) e Sarney assumiu à presidência da república fazendo um governo no mínimo catastrófico, isso todos sabemos e esse período da História do Brasil, por tão denso e rico que é, fica pra outro post.

O que interessa aqui é o fato de Sarney, após sair da presidência da República em 1990 sentar pela terceira vez na cadeira de presidente do Senado Federal – as outras duas foram respectivamente nos biênios 1995/96 e 2003/04, sempre com o apoio declarado do Palácio do Planalto (FFHH e Lula).

Ninguém nesse país consegue politicamente personificar melhor o atraso, as oligarquias, a política mais vil e baixa – genuinamente franciscana, do é dando que se recebe –, mais velhaca, mais rastaqüera, distante do cheiro do povão, enfim, mais antidemocrática, clientelista e fisiológica do que o senhor do Maranhão. Em suma, para descrevê-lo fico com o publicado pela revista britânica The Economist, “nos grotões do Brasil ainda prevalece o semi-feudalismo”.

A forma como Sarney trata o Maranhão, a política de bastidores na qual é especialista, o costume de recorrer ao tapetão quando perde nas urnas e de lá sair triunfante – haja visto o que ocorreu com Jackson Lago e João Capiberibe – além do fato de ocupar freqüentemente a presidência do Senado dão razão ao The Economist. Sendo assim, subentende-se qualquer vitória de Sarney como derrota para a democracia brasileira.

Agora o governo Lula está na mesma enrascada em que se viu há dois anos, quando defendeu o indefensável. Ou seja, ontem Renan Calheiros, hoje José Sarney. E, possivelmente, o PT levará outra facada nas costas. Quem não se lembra de Ideli Salvati, então líder do PT no Senado, defendendo o quanto podia o senador alagoano. Ano e meio depois teve o gosto amargo de vê-lo empossar Collor na presidência da Comissão de Infra-Estrutura (cargo que ela disputou com o caçador de marajás). E o pior, Collor ganhou a Comissão de Infra-Estrutura na barganha em troca do apoio ao grupo de Sarney e Calheiros contra a postulação de Tião Viana à presidência do Senado. Sarney havia jurado de pés juntos que não concorreria uma terceira vez a cadeira mais alta do Senado e que trabalharia em prol da vitória de Viana. Mudou de planos ao fechar um grande leque de alianças entre partidos governistas e da oposição.

Além disso a dupla Sarney/Calheiros tem outro objetivo, derrubar Tarso Genro, ministro petista da Justiça, e porem no seu lugar outro aliado, Nelson Jobim.

No atual exercício de presidente da Câmara Alta, Sarney vem sendo bombardeado por diversos setores e é impossível desvinculá-lo de toda a sorte de escândalos que atingem aquela instituição.

O Senado por si só e pela gênese é uma instituição arcaica e oligárquica, além de ser politicamente anacrônica. Todavia não passaria incólume à presença de Sarney, Renan Calheiros, Agripino Maia, Heráclito Fortes, Jarbas Vasconcelos, Jader Barbalho, Demóstenes Torres, Fernando Collor, Marconi Perillo, Mozarildo Cavalcanti, Romeu Tuma, Francisco Dornelles, Kátia Abreu, Hélio Costa e o suplente Wellington Salgado, e em tempos nem tão priscos assim a ACM, etc..etc... Portanto, o estranho é que só agora a imprensa tenha resolvido levantar o tapete e ver quanta sujeira há por debaixo dele. Se Sarney representa o que há de mais atrasado, não só na política tupiniquim, mas também em toda a sociedade (e eu não tenho duvidas de que ele representa isso) será que a mídia oligopolizada nunca se deu conta disso?

Óbvio que não sou ingênuo o bastante para crer que a mídia oligopolizada está apenas desempenhando o papel de investigação imparcial. Fosse isso já teria há muito mostrado os podres, e bota podre nisso, e os negócios escusos do “Senhor” do Maranhão e Amapá. Sarney sempre foi portador do péssimo hábito de não saber diferenciar o público do privado e acha que sua família é ungida pelos céus para ocupar todos os cargos de relevância na política e justiça maranhense.

Claro que a tentativa de derrubar Sarney parte, nesse momento, dos interesses de José Serra em implodir a construção duma aliança PT/PMDB e criar dificuldades para o término do governo Lula. Porém a maldita governabilidade e/ou alianças com fins exclusivamente eleitorais não podem servir como visto de permanência eterna na vida pública de figuras iguais a Sarney.

Durante quase todo o governo Lula o PT tem sido refém da governabilidade, e por ela pode inclusive abdicar à indicação de candidatos fortes em alguns estados, no entanto a hora parece propicia para arrancar Sarney da presidência do Senado, mesmo sendo difícil prever quem o sucederia. Contudo para a democracia brasileira seria um enorme passo adiante.

Que respeito pode merecer um homem que há mais de quarenta anos controla feito um feudo o estado mais miserável do Brasil? Caso o Maranhão fosse uma república independente (para os Sarney seria melhor monarquia) seu IDH estaria próximo ao do Haiti.

Por isso tudo, e não precisamos de mais, é dever dos movimentos populares e democráticos pedir explicações aos mandos e desmandos ocorridos no Senado Federal e lutar para erradicar Sarney da vida pública. O dano que esse senhor já fez ao Brasil é incalculável, assim como não dá pra calcular a miséria e a fome como a que vivem milhões de maranhenses.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28

sábado, 27 de junho de 2009

AO BRASIL E AOS BRASILEIROS

Bom dia, Brasil e brasileiros:


E como nada muda em nosso cenário político - o que mais está em evidência hoje -, mas apenas no cenário artístico com mortes atrás de mortes de nossos melhores atores e atrizes do mundo da 7ª Arte, esse UNIVERSO com muitos rostos facciosos, que já se faz podre desde há muito tempo, continua a nos dar espetáculos de primeiríssima grandeza. Já transbordou a podridão; já fede o excremento que solapa a cabeça de muitos desses engravatados; oferecem-nos a cicuta, que mata dolorosa e demoradamente, que corre nas veias dessa camarilha putrefata que se instalou em Brasília, a começar pela própria construção da cidade no planalto goiano. Mas, jamais poderíamos imaginar que ali fosse se formar um ninho de urubus, e que eles próprios se transformariam em carniça tempos depois, e, ainda, que um dia, por um capricho do destino, um nordestino de cabeça vazia, para coisas sérias e nacionais, tivesse acesso ao mais alto cargo público do país e usasse de suas prerrogativas para distribuir NOSSO DINHEIRO às nações vizinhas em detrimento ao povo que aqui labuta e lhes enche a "burra" de reais.

Há que se construir um PAREDÃO DE CONCRETO ARMADO E AÇO para nele enfileirarmos esses "MÃOS LEVES" - QUE SÓ TRABALHAM ÁS ESCONDIDAS, NO SILÊNCIO DOS ENCERRAMENTOS DAS FÉRIAS HODIERNAS, SIM, POR QUE O CONGRESSO É UM PARQUE DE DIVERSÕES ONDE HÁ MAIS "GERENTES" QUE TRABALHADORES, COMO NUM VERDADEIRO CAMPUS DE FÉRIAS - e fuzilarmos a todos sem pena, não deixando nem o sangue dessa raça sujar mais ainda o solo brasiliense. Está tudo INFECTADO, e nem o vírus da gripe SUÍNA mete tanto medo como nos metem as decisões "PARTICULARES E ÍNTIMAS" desses postulantes ao PAREDON! Pena deles? Jamais! Pergunte-se a qualquer deles se têm pena do Brasil e dos brasileiros? O POVO não existe para os nobres e elegantes cidadãos de uma ESTIRPE ELEVADA. O POVO tem sido meio de galgarem mais um degrau na escala política, que mais se enlameia a cada legislatura, a cada reunião e em todas as CPIs - deveriam colocar mesas, pratos e talheres para comerem as "PIZZAS" que saem dos fornos da insensatez, ali mesmo, no plenário, onde se reúnem para "BRINCAR DE INVESTIGAÇÕES"! - e estaria tudo resolvido para eles e seus iguais! Brasília é uma IMENSA POCILGA! O PALÁCIO PRESIDENCIAL é a sua porta de entrada, a sua ANTESALA e a sua CÂMARA DE TORTURA, onde são esmagados os anseios de toda uma população esquecida e jogada para um lado como BAGAÇO SEM OUTRO USO A NÃO SER O DE SERVIR-LHES DE "ALIMENTO". Não estamos lidando com PORCOS? Esperar o que mais?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A DITADURA DA MAIORIA

Por Tiago Barbosa Mafra

O discurso corrente na atualidade é que a humanidade, mais especificamente o homem ocidental, alcançou o modelo mais perfeito de governo: a democracia. Diante de algumas questões da política brasileira e afirmações lançadas recente e continuamente na mídia, cabem certas analises. O que é democracia? Estará ela tomada por idiotas? O objetivo deste artigo é fazer uma breve reflexão a partir do artigo de Luiz Felipe Pondé, sobre como o modelo econômico vigente atrelado aos meios de comunicação, contribuem para a apatia política do país, e paralelamente, para um entrave na busca por uma democracia verdadeira e efetiva.

O que é democracia, afinal? Utilizando simplesmente a etimologia, é o governo do povo, para o povo, pelo povo. É, portanto, a população governando a si mesma, visando sempre sanar os problemas da vida cotidiana e atender às necessidades da maioria, do coletivo, na busca da garantia da sua sobrevivência justa e digna.

Em contrapartida, o que assistimos hoje, segundo o texto de Luiz Felipe Pondé veiculado na Folha em 08/06/09, “A ciência idiota da política”, é a democracia confundida com a relação entre opinião pública (moldada) e a vontade popular. Segundo o texto, a soberania popular tem continuamente sido tomada como sendo a opinião pública veiculada pela estrutura midiática que proclama saber “o que o povo pensa”.

Tal discussão ganha força frente a rumores de um possível terceiro mandato do presidente Luís Inácio da Silva (o qual já descartou a possibilidade), que intriga e confunde favoráveis e contrários à medida. O texto em questão afirma que o modelo presidencialista de governo “(…) corre maior risco de cair na armadilha personalista e populista do executivo” (1). Para demonstrar que a causa do rebuliço não é a permanência do presidente Lula, como querem os “idiotas”, e muito menos a defesa da “estrutura democrática” das mazelas da personificação do poder, faz-se necessário atentar para os seguintes pontos, que descobrem a verdadeira inquietação.

Primeiramente é preciso contextualizar o que chamamos de “democracia brasileira”. Vive-se atualmente em uma profunda “apatia política” (2). A maioria do povo, outrora ligado a partidos ou a ideologias e que utilizavam tais instrumentos como canalizadores da vontade popular, não mais se envolvem em qualquer atividade de reivindicação ou condução popular. “A política está fora da realidade das pessoas” (3).

É nessa lacuna criada pela apatia política, que se consolida o primado dos interesses econômicos sobre o interesse político popular. Vivendo em um modelo econômico que se baseia na propriedade privada, na exploração do trabalho e na concentração de renda por grandes monopólios e oligopólios, resta à massa trabalhadora a corrida constante pela garantia da sobrevivência, pouco importando a atuação política que nada de material, pelo menos imediatamente, lhe trás. Torna-se escasso até mesmo o tempo de reflexão sobre a conjuntura do poder no país. Porém, nesse momento, se encaixam os meios de comunicação.

A mídia, que não está suspensa da realidade, comunga com o povo do mesmo modelo capitalista e em grande parte, a ele serve. Por serem os meios de comunicação, acima de tudo, propriedades privadas, atuam portanto de acordo com os interesses de seus proprietários, optando por orientar o enfoque sobre determinadas questões de maneira que lhes é mais conveniente e economicamente viável. O povo então, desprovido de pensamento próprio e acreditando em uma neutralidade dos meios de comunicação (que não existe e nunca existirá), adota como seu pensamento que não lhe é autêntico.

Já é perceptível o discurso contra os “idiotas” que defendem a possibilidades de um terceiro mandato. Sim, por que nos últimos anos à medida que cresce a Participação popular no exercício do poder, ou os fins da atividade estatal se dirigem de preferência para o atendimento dos clamores de melhoria e reforma social, erguidos pelas classes mais impacientes da sociedade, cresce concomitantemente o prestígio dos partidos, e se firma como Consenso geral a convicção de que ele é imprescindível à democracia em seu estado atual, e com ela se identifica quanto a tarefas, fins e propósitos almejados (4).

Durante os dois mandatos do presidente Lula, o que é visível é uma tentativa, mesmo que paulatina, de transformação das estruturas de distribuição de renda (5) . Contrariando expectativas de intelectuais e trabalhadores, o governo do presidente atual, partidário de uma organização política que estatutariamente se declara socialista, é mais reformista do que revolucionário. Entretanto, mesmo as “reformas”, não agradam as elites do país por colocarem em risco a relativa tranquilidade que já gozam a tempos. Portanto, não é a continuidade da pessoa, o populismo, não é a raiz do problema, mas sim a continuidade do projeto de construção de um Estado que utiliza dos instrumentos da máquina pública para o fortalecimento do próprio Estado e o benefício do povo. Aliás, nada mais justo do que a estrutura pública a serviço do povo.

Esclarecida a questão, resta então o ponto mais importante: a construção de uma verdadeira democracia, desvinculada do padrão contemporâneo exposto por Eduardo Bittar:

“Seria a associação entre capitalismo, liberalismo e democracia uma espécie de bastião transformador da realidade política contemporânea, ou simples aparato ideológico de expansão do ideário moderno, progressista e acumulador de riquezas de alguns países industrializados? (6)”

Para que essa verdadeira democracia concretize-se é indispensável e determinante um cidadão educado politicamente, capaz de interpretar e se posicionar frente as condições políticas que lhe são postas, sem que seja impulsionado a “comprar” uma idéia que não é sua, ou seja, compartilhar da opinião pública forjada sob interesses daqueles que controlam a mídia. Isso só será possível com a transformação do súdito da ditadura da maioria burra em cidadão atuante e consciente, que busque a construção da verdadeira democracia , onde, como foi definido no começo deste texto, impere o interesse coletiva sobre o interesse particular, findando o primado da economia sobre a política.

Tão idiotas quanto os que creem na continuidade do presidente Lula como solução das mazelas brasileiras, são também os que esperam que unicamente a rotatividade no poder garanta a sobrevivência da democracia brasileira nos moldes tradicionais. Para finalizar, não é possível passar em branco a alfinetada de Pondé quando este escreva: “Qualquer pessoa que seja favorável a um terceiro mandato de Lula (…) tem sonhos eróticos com (…) a ‘monarquia popular de Fidel (7)” . Para tanto, e encerrando, cito Frei Betto:

“Cuba resiste como único exemplo latino americano de democracia social e econômica (…) Quem considera que democracia se reduz a eleições periódicas não deve esquecer que em Cuba não há massacres do tipo Carandiru, grupos de extermínio, sequestros, desaparecimentos, assassinatos de crianças, aposentados desassistidos e extorsão financeira para acesso a saúde e a educação, que são gratuitas. (…) Por isso Cuba incomoda que acredita que encher urnas é mais importante que encher barrigas. Mesmo por que essa gente nunca passou fome. No máximo, teve apetite, com direito a couvert. (8)”


1 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.

2 Olhemos ao nosso redor. Nas democracias mais consolidadas assistimos impotents ao fenômeno da apatia política, que frequentemente chega a envolver cerca de metade dos que têm direito ao voto. Do ponto de vista da cultura política, estas são pessoas que não estão orientadas nem para os output nem para os input. Estão simplesmente desinteressadas daquilo que, como se diz na Itália com uma feliz expressão, acontece no “palácio”. Sei bem que também podem ser dadas interpretações benévolas da apatia política. Mais inclusive as interpretações mais benévolas não conseguem tirar-me da mente que os grandes escritores democráticos recusar-se-iam ao reconhecer na renúncia ao uso do próprio direito um benéfico fruto da educação para a cidadania. – BOBBIO, N.. “O futuro da democracia”. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986: 32.

3 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 32.

4 “A democracia”, 277.

5 Exemplo é a medida do ultimo dia 16/06/2009, Terça Feira, em que ficou determinada a compra de 30% da merenda escolar de todo o país de pequenos proprietários agrícolas, que se organizam no modelo de agricultura familiar.

6 BITTAR, E.. “Curso de filosofia política”. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2005: 34.

7 Folha de São Paulo. Luiz Felipe Pondé, “A ciência idiota da política”, 08/06/09.

8 Texto de Frei Betto citado no jornal O Estado de São Paulo em 05/04/1995.

Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

quinta-feira, 25 de junho de 2009

DESMANTELAR O EDIFICO DE ILUSÕES-CHOMSKY

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Para Chomsky, é preciso "desmantelar o edifício de ilusões"
Embora eu seja leitor assíduo e admirador da produção intelectual e política de Noam Chomsky, não me lembro de já ter postado nenhum artigo do (ou sobre o) intrépido ativista, lingüista e filósofo estadunidense. Então corrijo, agora, tamanha falha.

Por David Brooks/La Jornada

[http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/NoticiasIntegra.asp?id_artigo=7169]

Quando se fala da "crise", quase todos se referem à financeira, visto que afeta diretamente os ricos, mas a crise dos bilhões de seres humanos que passam fome - entre eles cerca de 40 milhões nos Estados Unidos - não é a que tem mais urgência, porque todos os que a sofrem são pobres, afirmou Noam Chomsky.


Com voz tranquila, Chomsky cuidadosamente destruiu os mitos do chamado mercado livre, e documentou de maneira sintética as muitas situações de crise - a econômica e a financeira, a do militarismo, a do ambiente e a alimentar, entre outras - e as suas ligações comuns, construindo uma radiografia de um sistema que se mascara de "democracia", mas cujo objetivo final é socializar os prejuízos, privatizar os lucros e defender o privilégio de uma cada vez mais reduzida minoria rica, com consequências cada vez mais sinistras para as maiorias e para o próprio planeta.


É necessário "desmontar o edifício de ilusões" que se vende como democracia de mercado livre para que o ser humano sobreviva, e para isso exige-se um confronto com o modelo que visa proteger os interesses da "minoria da opulência contra as maiorias", afirmou.

"O povo paga os custos"

Chomsky discursou na passada sexta-feira, perante cerca de 1.500 pessoas, do pódio da famosa igreja Riverside, o mesmo em que Martin Luther King Jr. proferiu o seu histórico discurso de 1967 contra a guerra do Vietnã e o sistema imperial dos Estados Unidos, onde também se escutou Nelson Mandela e, mais recentemente, Arundhati Roy - num evento organizado pelo Fórum Brecht, um centro de investigação independente de esquerda.


"As crises de hoje estão interligadas de diversas formas", afirmou, e algumas são mais prioritárias que outras, pela simples razão expressa por Adam Smith de que "os principais arquitetos das políticas garantem que os seus próprios interesses são os que predominam, sem se importarem com os custos".

E Chomsky, como sempre, deu exemplo atrás de exemplo, documentando a história. Falou sobre a história do Haiti, desde os franceses e a invasão dos EUA de Woodrow Wilson, até à manipulação feita por Washington do desafio de Jean Bertrand Aristide, tanto pelo republicano George Bush (pai) como pelo democrata Bill Clinton, impondo o modelo neoliberal, com o resultado inevitável de "destruir a soberania econômica" deste país, que está agora nas linhas da frente da crise alimentar.


"Esta história é muito parecida em todo o mundo", acrescentou, apontando o Bangladesh e dezenas de exemplos mais.

"A raiz comum das crises de hoje no Sul e no Norte é a mudança para o neoliberalismo que se dá nos anos setenta", declarou. Isto marcou o fim do crescimento sustentável da era do pós-guerra, conhecida como a "era dourada do capitalismo", com o seu Estado-providência e os seus aumentos a nível de rendimentos e de direitos.

Hoje em dia, "o livre fluxo de capital cria um Senado virtual que realiza um referendo instantâneo que veta tentativas de beneficiar as maiorias à custa dos seus interesses".


Agora, com a atual crise que afeta os ricos, adota-se a mesma estratégia de sempre: "a população paga os prejuízos e assume o risco, enquanto os lucros são privatizados".

Do púlpito da igreja Riverside em Nova York, Noam Chomsky disse no fim-de-semana que perante as crises existentes, o sistema neoliberal protege as minorias abastadas em detrimento das maiorias.

Também se focou no plano da política externa, dizendo que Washington não pretende abandonar tão rapidamente o Iraque, e advertiu que a nova abordagem sobre o Paquistão e o Afeganistão é um jogo muito perigoso, uma vez que ameaça a paz mundial e a sobrevivência humanas, por causa das armas nucleares aí existentes.

Acrescentou que é alarmante que um "assassino membro das forças especiais de olhos enlouquecidos", o general Stanley McChrystal, tenha sido nomeado comandante das forças norte-americanas no Afeganistão.

Por outro lado, assinalou que agora é o momento-chave para definir a sobrevivência humana perante a crise climática.

"Temos de enfrentar talvez o mais importante: a forma de inverter o modelo corporativo-estatal estabelecido durante o pós-guerra", promovido por empresas de automóveis, petrolíferas, entre outras, que levou a esta crise ambiental e outras.

Na sua análise das crises do mundo, disse que para impor políticas que não reflitam o interesse das maiorias nos Estados Unidos e noutros países, recorreu-se menos à força do que "ao controle da opinião pública através da indústria de relações públicas, com o objetivo de criar consenso".

Mas impera sempre, desde os inícios desta república, a noção de proteger os "interesses da minoria abastada" contra todos os demais, com conceitos de que "uma minoria inteligente tem que governar uma maioria ignorante e intrometida". Agora isto é manejado por uma "elite tecnocrática", mas com a mesma doutrina.

Destacou a resistência popular para enfrentar o projeto da elite, e sublinhou que as rebeliões dos anos 60 "tiveram um efeito civilizador". Acrescentou que sempre se lançaram "ataques da elite contra a democracia" e que o modelo do mercado livre corporativo continua a ser o "obstáculo à eficiência e à tomada racional de decisões racionais".

"Não há nenhuma razão para permanecerem passivos", disse ele à sua audiência de esquerda. "Por que não ocupar uma fábrica (em referência aos cortes da General Motors) para a converter em centro de produção de transportes de massa? Não é uma questão exótica. Que os trabalhadores controlem as suas fábricas é tão tipicamente americano como a torta de maçã".

Na verdade, acrescentou, parte do objetivo dos administradores do sistema atual é "apagar todas as memórias das lutas" sociais, mas advertiu que suspeita que estas tendências "continuam latentes" nos mais desfavorecidos e "podem ser despertadas".

Este é um momento propício para o fazer".

A tarefa é superar o "déficit democrático", acrescentou, e "promover uma sociedade democrática, que funcione na realidade." Entre as chaves para o conseguir identificou a renovação dos sindicatos, a luta educativa e cultural e a necessidade de "desmantelar o edifício de ilusões" pela minoria que governa nas chamadas democracias formais.

A crise fundamental de hoje é, talvez, a do "déficit democrático", resumiu, esse fosso que existe entre os interesses das grandes maiorias e as políticas dos governantes.

Tradução de Rui Maio para o Esquerda.net. [http://www.esquerda.net/]
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:39

sexta-feira, 19 de junho de 2009

MENSAGEM A UMA FILHA

19/06/09

Minha querida Nelma:

Recebi sua belíssima mensagem sobre a passagem do tempo em nossas existências. Ao experimentarmos tempo melhores - infância, juventude, adolescência e puberdade - não nos passam pela cabeça que um dia tudo isso acabará, como havia sido sempre e, quiçá, eternamente. Achamo-nos donos do mundo, das verdades, das conquistas amorosas, dos empregos melhores e de relacionamentos a outros grupos de pessoas uma maravilhosa experiência. E é! Uma experiência que deve ser vivenciada de maneira total por ser passageira e enganosa muitas vezes, mas rica em sentimentos que podem e devem ser divididos com os nossos amigos, namorados, esposos, companheiros sem esquecermos, contudo, que existem uns "atores" que chegaram ao máximo de seus papéis na comédia da Vida e que, por decidia ou por outra falta qualquer, se sentem relegados, esquecidos, muitos abandonados, e aos quais os mais novos não desejam quaisquer conselhos, orientação de vida, ralhos, críticas ou suas influências mais em seus comportamentos.
Na verdade, esses "atores e atrizes" têm muito a dar e nada pedir, a não ser uma parcela mínima de suas atenções, suas presenças vez por outra aos seus lados, um sorriso e umas palavras carinhosas, paciência e muito amor. Ficamos como o bagaço da cana que, espremida diversas vezes, não tem como dar mais o sumarento liquido doce como a Vida jovem.
Chegamos à fase do desconforto, dos achaques naturais, das dores nas juntas, das colunas torturantes, da falta de audição e da visão enfraquecida. Por nós, estaríamos sempre em forma. Mas outros males mais sérios nos assaltam tomando o nosso Tempo em visitas a consultórios médicos, clínicas, hospitais. É natural que lutemos por nos manter "espertos", bem humorados, capazes de serviços que, então, nos pesam como a uma cruz sobre os nossos ombros, cujos ossos já não têm as mesmas características dos jovens. Olhamos os espelhos e nos descobrimos velhos! E quem deseja, entre os jovens ou moços, a presença de "incapazes gagás", surdos, lentos, mal humorados, cansados? Vemo-nos forçados a tudo levar de vencida, estoicamente, quando não mais suportamos as tarefas comuns diárias que se nos deparam frontalmente. Só recolhemos impaciência aos mais jovens, intolerância e indiferença.
Mas a Vida tem uma estrada comum a todos os seres humanos, iguais situações, chegada ao mais alto cume da energia e seu desiderato com a chegada do "inverno" humano e, por fim, a consumação dos dias, o adeus e a partida solitária. Só escapam às cenas cansativas do teatro Vida os que partem cedo sem esperar, sem prever e sem prevenir.
Essa sua mensagem arrancou muitas lágrimas aos meus olhos, contudo ainda me sinto capaz de servir, de me doar e de entender a posição dos mais jovens ou dos que trilham estradas um pouco mais ásperas. Só e apenas desejamos, secretamente em nossa alma eterna, que vocês tenham atalhos diferenciados, ricos em oportunidades e longevos como as grandes catedrais ou os milenares carvalhos, dispensando os exageros. Obrigado. Que as suas vidas sejam abonadas por muitas bênçãos, por análises próprias à ajuda íntima, a se descartarem da dor, do sofrimento e das ansiedades tão comuns hoje em dia. Abraçamo-os e os beijamos muito, assim como Léia sente igualmente. Têm o nosso intenso amor.
papai

quinta-feira, 18 de junho de 2009

PERU, IRÃ, LULA, A MIDIA E A INVEJA

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O Peru está sendo sacudido por uma onda de violência e resistência que já vitimou um sem número de camponeses e alguns policiais, tendo sua gênese nos protestos pacíficos promovidos por grupos indígenas contra a implementação no seu habitat histórico do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o Peru e os Estados Unidos, que permite a exploração por empresas estrangeiras de madeira e minério na região. Estamos falando da região amazônica do Peru, portanto muito próxima da fronteira com o Brasil. Mais, estamos também falando de um tratado visando privatizar a floresta amazônica e o presidente peruano Alan Garcia, num gesto típico de autoritarismo, procurou impor aos camponeses o acordo, sem consultá-los, ato totalmente ilegal, já que infringe o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), pelo qual o Estado deve informar e consultar as comunidades quanto a convênios e contratos com empresas transnacionais e outras que desejam apropriar-se de territórios pertencentes aos nativos amazônicos. O Peru inclusive ratificou o referido Convênio da OIT em 1993, mas Garcia, aliado incondicional de Washington, simplesmente ignorou o fato optando pela violência.

Enquanto tudo isso acontece no subcontinente sul-americano, a nossa mídia mazombeira tem se ocupado intensamente nos últimos, dentro do noticiário internacional, a repercutir o que a grande mídia estrangeira tem feito, ou seja, atacar as eleições iranianas. Não importa se para tanto não possuem nenhuma prova substancial de que realmente houve fraudes durante o pleito no país persa. Sobre o assunto recomendo o ótimo artigo de Daniel Lopes para o Amálgama [http://www.amalgama.blog.br/06/2009/a-reeleicao-de-ahmadinejad-e-a-hipocrisia-de-israel/#more-390]


E como o presidente Lula, numa entrevista rápida, explicitou isso, o fato de inexistirem provas de que as eleições iranianas foram manipuladas, a midiazona não perdeu tempo e, outra vez, descarregou sua metralhadora contra o presidente brasileiro. Chegou inclusive a dizer que a declaração de Lula sobre as eleições iranianas não faria qualquer diferença em qualquer parte do mundo.

Só que mais uma vez o castigo veio a cavalo. Enquanto desprezam o nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante, ele é tratado, naquilo que a nossa porca elite chama de primeiro-mundo, com o respeito que nenhum outro presidente brasileiro jamais teve.

Em viagem pela Europa – rumo à Rússia, onde participa em Ecaterimburgo da reunião de cúpula do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) –, Lula participou em Genebra da reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Teve ainda encontro com sindicalistas e compareceu à 98ª Conferência Internacional do Trabalho. Na Suíça, o chefe-de-estado brasileiro teve a oportunidade de denunciar à recente campanha da direita européia contra imigrantes e foi aplaudido e ovacionado de pé, por membros da OIT e do Conselho de Direitos Humanos. Entre outras coisas disse: "Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país". Continuou, "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país." E ainda completou, "Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."

No mais Lula pôs novamente o dedo na ferida: "Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer"

Alguém se lembra quando FFHH num gesto de cafonice sem tamanho gastou seu francês discursando na Assembléia Nacional em Paris e a mídia oligopolizada se derreteu toda gritando em coro “esse é meu presidente”.

Quanto a Lula, o tratamento dado é o de sempre, esconder e boicotar a todo o custo o sucesso mundial e a liderança latino-americana do (repito) nordestino analfabeto, pingaiada e ignorante.

E o pior é que isso não é novidade. Mês passado o nome de Lula foi confirmado para receber o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny 2008. O prêmio dado pela UNESCO e que homenageia anualmente pessoas, organizações e instituições que tenham contribuído significativamente para a promoção, a pesquisa, a preservação e a manutenção da paz em conformidade com a Carta das Nações Unidas e a Constituição da UNESCO.

Ao anunciar a decisão, o integrante do júri do prêmio e ex-presidente de Portugal Mario Soares declarou: “Decidimos conceder o Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República do Brasil, por suas ações em busca da paz, do diálogo, da democracia, da justiça social e da igualdade de direitos, assim como por sua valiosa contribuição para a erradicação da pobreza e a proteção dos direitos das minorias”.

Também houve pouca, ou quase nenhuma repercussão, a matéria do diário espanhol El País sobre o desejo de Barak Obama de que Lula assuma o Banco Mundial. Segundo o jornal madrileno representantes do presidente estadunidense teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria “honrado”.

Claro, presidir o Banco Mundial está muito longe de ser algo realmente importante, talvez seja até incoerente, para alguém cuja trajetória política de certo modo se confunde com a luta das esquerdas brasileiras desde fins da década de 1970. Entretanto o que direita tupiniquim não aceita é não ser um de próceres o preferido por Obama. Isso deixa nítido o quão incompetentes são e o pouco respeito que desfrutam entre sues pares ideológicos do hemisfério norte, ou pior ainda, o quanto atrasados estão em relação a seus congêneres nos EEUU e na Europa Ocidental.

Sinceramente, não sei ao certo o que move nossa mídia oligopolizada, que por sua vez é reflexo de nossa elite retrograda, se é apenas desprezo (Lula representa o “povinho”) ou inveja pura, por saberem que nunca chegaram aonde Lula chegou.

Fontes:

http://www.brasilia.unesco.org/noticias/ultimas/unesco-homenageia-lula-com-premio-pela-paz

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/06/090615_lulagenebra_pu_ac.shtml

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/06/02/ult581u3276

quinta-feira, 11 de junho de 2009

TUCANOS MODUS OPERANDI

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Tucanus Modus Operandi
O jeitinho tucano de lidar com os movimentos sociais e com atores políticos antagônicos, nos assusta mais e mais a cada dia. José Serra, Yeda Crusius e Aécio Neves transformaram os estados onde governam em feudos, cuja lei e direitos humanos são balizados pelos interesses deles próprios.

Semana passada postei aqui uma excelente matéria do diário britânico The Economist sobre a falta de qualidade na educação pública brasileira e o pouco (ou nenhum) empenho de nossos governantes para reverter tal quadro catastrófico. (Especialmente em São Paulo, estado mais rico da federação e governado há 15 anos ininterruptos pelo PSDB, tempo mais que suficiente para colocar em prática projetos educacionais de longo prazo e que de fato visassem à melhoria do ensino público.)

Mas o tratamento que José Serra deu aos grevistas e alunos da USP, está há anos luz de ser apenas descaso com a educação, é atrocidade. Um governo estadual, em pleno estado democrático de direito, mandar a Tropa de Choque da PM invadir um campus universitário! E ainda dando aval para utilizar da truculência, que é própria da corporação, usando cães, lançando bombas de gás lacrimogêneo, atirando balas de borracha e espancando estudantes com porretes, transformando o Campus da maior universidade do Brasil em praça de guerra! Sinceramente, isso me pareceria impensável há bem pouco tempo atrás.

A atrocidade, ou infâmia, ou quem sabe, terrorismo de estado, cometida pelo chefe do executivo paulista, Sr. José Serra, pelo seu secretário de Educação, Sr. Paulo Renato de Souza, e o secretário de Segurança Pública, Sr. Antônio Ferreira Pinto, não pode passar imune aos olhos da sociedade e impune perante a Justiça.

No Rio Grande do Sul enquanto Yeda Crusius se afoga num mar de lama, os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados.

Há aproximadamente 1 ano a governadora determinou ao então recém empossado comandante geral da Brigada Militar, coronel Paulo Mendes, que reprimisse duramente manifestações contra o governo estadual. E o coronel não demorou a colocar a orientação em prática. Na manhã de 11 de junho de 2008 pelo menos dezessete pessoas foram feridas e outras 17 detidas na ação da tropa de choque da Brigada Militar contra manifestantes que se dirigiam ao Palácio Piratini para protestar contra a corrupção no governo Yeda.

A ação violenta da Brigada Militar começou quando integrantes da Via Campesina, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) e Movimento Nacional da Luta pela Moradia, além de estudantes e sindicalistas iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Piratini. No trajeto, os manifestantes pretendiam fazer um protesto pacífico contra a alta dos alimentos no supermercado Nacional, do grupo Wal-Mart. A manifestação foi duramente reprimida com balas de borracha, bombas e gases lacrimogêneo e pimenta. Mais tarde, quando tentaram reiniciar a marcha, os manifestantes foram novamente impedidos de caminhar, empurrados para o Parque Harmonia e agredidos pela Brigada Militar. Um oficial da BM disse aos manifestantes que eles não iriam para frente do Palácio Piratini de jeito nenhum. Os principais ferimentos foram provocados por balas de borracha. Um agricultor teve o braço quebrado por um brigadiano.

Em Minas Gerais, na base da virulência e brutalidade obviamente, entre meados e fim do mês de maio último, Aécinho deu ordens para que cerca de 150 famílias de sem-terras fossem expulsas do único acampamento do MST existente no Sul de Minas. O acampamento localizado no município de Campo do Meio, dentro do latifúndio da antiga Usina Adrianópolis, viu PMs e jagunços derrubarem todos os barracos, muitos cobertos com telhas e feitos à base de cimento e tijolos - sem deixar qualquer possibilidade de reutilização.

Durante a expulsão das famílias, animais de criação foram lançados na vastidão da área e as cercas de arames destruídas por um trator da Prefeitura de Campo do Meio, sendo este operacionalizado por funcionários (ou jagunços?) da ex-usina Adrianópolis. A barbárie imperou de tal modo ali, naquele recanto do Brasil, que os relatos que nos chegam faz doer o peito e refletir sobre a miserável condição humana.

Nessa região está em curso uma disputa por território. De um lado, latifundiários do café, o atual prefeito, testas de ferro da ex-Usina, grandes plantadores de sorgo e tomate. Do outro lado, sem-terras do MST lutando por reforma agrária, por agricultura familiar dentro dos princípios da agroecologia. Não há exagero algum em afirmar que estamos na iminência de um massacre de camponeses em Minas Gerais.

Por isso, e infelizmente muito mais, hoje compartilho com Regina Duarte daquele sentimento de medo mostrado pela atriz global durante a campanha presidencial de 2002. Só que meu medo reside na chance, ainda longínqua, do retorno ao poder dos tucanos. Pois parece que a violência e repressão a todos que não comungam de suas idéias tornou-se modus operandi desse grupo elitista e conservador.

ALÔ MINHA QUERIDA "NOQUINHA"

0/06/09

Alô minha querida Noquinha:

Você nos visitava pouco e nós pouco também a visitávamos, contudo esses vazios momentâneos não deslustraram o nosso AMOR.

Agora, querida, você vai estar mais ausente, todavia a teremos em nossos corações, e perdoada estará por sua ausência compulsória. Entendemos sua ausência, mas jamais a sua falta. Vi em seus olhos aquele brilho dos vivos; e você está VIVA, agora mais do que nunca! Obrigado por você ter vindo ao nosso convívio no dia 20 de janeiro de 1962, se não me engana, num domingo de muito sol.

Abraço-a profusamente prometendo num próximo encontro botar em dia todas as nossas palavras que não tivemos a oportunidade de trocar. Você viajou, mas eu não a espero; você é que deverá me esperar. Receba os muitos beijos que deixei de lhe dar, por somenos. Ainda somos pai e filha. Você viajando e eu pronto a seguir o mesmo caminho. Talvez eu demore um pouquinho. Paciência é coisa que eu não pedirei a você, que tem toda a eternidade para me aguardar.

Estou saudoso, mas isto é coisa que dá e passa. Passa como nós passamos: eu ao chão, mas você passarinha. Com muito amor. Beijos.

Papai.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A INVASÃO DA USP

Segunda-feira, 1 de Junho de 200

COMUNICADO URGENTE:

REITORIA DA USP E GOVERNO SERRA MANDAM POLÍCIA CONTRA A GREVE DE TRABALHADORES

Desde a madrugada de hoje, 01 de junho, nós, trabalhadores da USP, estamos sofrendo mais um ato de repressão inadmissível. A universidade amanheceu completamente sitiada pela polícia. Em cada unidade da universidade há pelo menos uma viatura, e em frente ao prédio da reitoria há uma concentração de dezenas de policiais. Os policiais estão com uma atitude provocativa frente aos trabalhadores, arrancando as faixas dos grevistas, buscando abertamente causar incidentes. Isso se dá justamente após a reitoria, apoiada pelo governo do estado, ter suspendido as negociações com os trabalhadores de maneira completamente arbitrária.

Nós, trabalhadores da USP estamos em greve desde o dia 5 de maio por aumento de salário, em defesa de 5 mil trabalhadores que tem seus postos de trabalho ameaçados, pelas demandas do hospital universitário, e outras pautas específicas, e pela reintegração de Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP demitido. A demissão de Claudionor Brandão é produto da perseguição política aos trabalhadores e ao sindicato, protagonizada pela reitoria e pelo governo Serra. Trata-se de uma política marcada pela prática anti-sindical e anti-democrática que abre um gravíssimo precedente para todos os trabalhadores brasileiros. Não podemos permitir que os trabalhadores da USP e sua legítima mobilização em defesa da democracia na universidade sofram esta coerção policial.

Chamamos todos os meios de comunicação, ativistas dos direitos humanos, sindicatos, organizações políticas, estudantes e integrantes dos movimentos sociais a se unirem a nós e impedirem esta ofensiva, que é parte da escandalosa criminalização dos movimentos sociais, prática que tem se generalizado pelo país. Chamamos todos a enviarem moções de repudio para a reitoria da USP, exigindo a retirada imediata dos efetivos policiais, e a se concentrarem na frente da reitoria, e cercar de solidariedade os trabalhadores da USP em greve há 27 dias.

Claudionor Brandão
Comando de Greve da USP
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:36