Pela imediata privatização da revista Veja
Por Altamiro Borges em seu blog
http://altamiroborges.blogspot.com/
Numa conversa descontraída no aeroporto de Brasília, o irreverente Sérgio Amadeu, professor da Faculdade Cásper Libero e uma das maiores autoridades brasileiras em internet, deu uma idéia brilhante. Propôs o início imediato de uma campanha nacional pela privatização da Veja. Afinal, a poderosa Editora Abril, que publica a revista semanal preferida das elites colonizadas, sempre pregou a redução do papel do Estado, mas vive surrupiando os cofres públicos. “Se não fossem os subsídios e a publicidade oficial, as revistas da Abril iriam à falência”, prognosticou Serginho.
As “generosidades” do governo Lula
Pesquisas recentes confirmam a sua tese. Carlos Lopes, editor do jornal Hora do Povo, descobriu no Portal da Transparência que “nos últimos cinco anos, o Ministério da Educação repassou ao grupo Abril a quantia de R$ 719.630.139,55 para compra de livros didáticos. Foi o maior repasse de recursos públicos destinados a livros didáticos dentre todos os grupos editoriais do país... Nenhum outro recebeu, nesse período, tanto dinheiro do MEC. Desde 2004, o grupo da Veja ficou com mais de um quinto dos recursos (22,45%) do MEC para compra de livros didáticos”.
Indignado, Carlos Lopes criticou. “O MEC, infelizmente, está adotando uma política de fornecer dinheiro público para que o Civita sustente seu panfleto – a revista Veja”. Realmente, é um baita absurdo que o governo Lula ajude a “alimentar cobras”, financiando o Grupo Abril com compras milionárias de publicações questionáveis, isenção fiscal em papel e publicidade oficial. Não há o que justifique tamanha bondade com inimigos tão ferrenhos da democracia e da ética jornalística. Ou é muita ingenuidade, ou muito pragmatismo, ou muita tibieza. Ou as três “virtudes” juntas.
A relação promiscua com os tucanos
Já da parte de governos demos-tucanos, o apoio à famíglia Civita é perfeitamente compreensível. Afinal, a Editora Abril é hoje o principal quartel-general da oposição golpista no país e a revista Veja é o mais atuante e corrosivo partido da direita brasileira. Não é de se estranhar suas relações promiscuas com o presidenciável José Serra e outros expoentes do PSDB-DEM. Recentemente, o Ministério Público Estadual acolheu representação do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e abriu o inquérito civil número 249 para apurar irregularidades no contrato firmado entre o governo paulista e a Editora Abril na compra de 220 mil assinaturas da revista Nova Escola.
A compra de 220 mil assinaturas representa quase 25% da tiragem total da revista Nova Escola e injetou R$ 3,7 milhões aos cofres do “barão da mídia” Victor Civita. Mas este não é o único caso de privilégio ao grupo direitista. José Serra também apresentou proposta curricular que obriga a inclusão no ensino médio de aulas baseadas nas edições encalhadas do “Guia do Estudante”, outra publicação da Abril. Como observa do deputado Ivan Valente, “cada vez mais, a editora ocupa espaço nas escolas de São Paulo. Isso totaliza, hoje, cerca de R$ 10 milhões de recursos públicos destinados a esta instituição privada, considerado apenas o segundo semestre de 2008”.
O mensalão da mídia golpista
Segundo o blog NaMariaNews, que monitora a deterioração da educação em São Paulo, o rombo nos cofres públicos pode ser ainda maior. Numa minuciosa pesquisa aos editais publicados no Diário Oficial, o blog descobriu o que parece ser um autêntico “mensalão” pago pelo tucanato ao Grupo Abril e a outras editoras, como Globo e Folha. Os dados são impressionantes e reforçam a sugestão de Sérgio Amadeu da deflagração imediata da campanha pela “privatização” da revista Veja. Chega de sugar os cofres públicos! Reproduzo abaixo algumas mamatas do Grupo Civita:
- DO de 23 de outubro de 2007. Fundação Victor Civita. Assinatura da revista Nova Escola, destinada às escolas da rede estadual de ensino.
Prazo: 300 dias. Valor: R$ 408.600,00. Data da assinatura: 27/09/2007. No seu despacho, a diretora de projetos especial da secretaria declara “inexigível licitação, pois se trata de renovação de 18.160 assinaturas da revista Nova Escola.
- DO de 29 de março de 2008. Editora Abril. Aquisição de 6.000 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 2.142.000,00. Data da assinatura: 14/03/2008.
- DO de 23 de abril de 2008. Editora Abril. Aquisição de 415.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 30 dias. Valor: R$ 2.437.918,00. Data da assinatura: 15/04/2008.
- DO de 12 de agosto de 2008. Editora Abril. Aquisição de 5.155 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 365 dias. Valor: R$ 1.840.335,00. Data da assinatura: 23/07/2008.
- DO de 22 de outubro de 2008. Editora Abril. Impressão, manuseio e acabamento de 2 edições do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 4.363.425,00. Data da assinatura: 08/09/2008.
- DO de 25 de outubro de 2008. Fundação Victor Civita. Aquisição de 220.000 assinaturas da revista Nova Escola. Prazo: 300 dias. Valor: R$ 3.740.000,00. Data da assinatura: 01/10/2008.
- DO de 11 de fevereiro de 2009. Editora Abril. Aquisição de 430.000 exemplares do Guia do Estudante. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 2.498.838,00. Data da assinatura: 05/02/2009.
- DO de 17 de abril de 2009. Editora Abril. Aquisição de 25.702 assinaturas da revista Recreio. Prazo: 608 dias. Valor: R$ 12.963.060,72. Data da assinatura: 09/04/2009.
- DO de 20 de maio de 2009. Editora Abril. Aquisição de 5.449 assinaturas da revista Veja. Prazo: 364 dias. Valor: R$ 1.167.175,80. Data da assinatura: 18/05/2009.
- DO de 16 de junho de 2009. Editora Abril. Aquisição de 540.000 exemplares do Guia do Estudante e de 25.000 exemplares da publicação Atualidades – Revista do Professor. Prazo: 45 dias. Valor: R$ 3.143.120,00. Data da assinatura: 10/06/2009.
Para não parecer perseguição à asquerosa revista Veja, cito alguns dados do blog sobre a compra de outras publicações. O Diário Oficial de 12 de maio passado informa que o governo José Serra comprou 5.449 assinaturas do jornal Folha de S.Paulo, que desde a “ditabranda” viu desabar sua credibilidade e perdeu assinantes. Valor da generosidade tucana: R$ 2.704.883,60. Já o DO de 15 de maio publica a compra de 5.449 assinaturas do jornalão oligárquico O Estado de S.Paulo por R$ 2.691.806,00. E o de 21 de maio informa a aquisição de 5.449 assinaturas da revista Época, da Globo, por R$ 1.190.061,60. Depois estes veículos criticam o “mensalão” no parlamento.
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014
Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
REUNIÃO DE FAMÍLIA

Numa bela noite de outubro de 1999 - para ser mais preciso dia 31 -, recebemos em nossa casa pessoas queridas para relembrar situações e momentos alegres de nossas vidas. Foi uma noite digna a ser relembrada, para sempre. Naquele momento, éramos arquivos vivos a puxar à memória as melhores fases dos nossos passados. À extrema esquerda Luiz, juiz em Recife - um amigo; ao seu lado, minha sobrinha Cecília - Sissi -; ao lado de Sissi, de blusa branca de manga comprida, minha amada e saudosa filha Aninha - carinhosamente chamada Noquinha ou Aninha -; de pé, por trás da poltrona, Jairo, marido de Sissi e eu, à extrema direita com ambas as mãos sobre o braço esquerdo de minha filha. Ao fundo, duas telas por mim pintadas. Uma "Natureza Morta com vasos" e "Jovem de sombrinha sob caramanchão".
Depois da foto, nos esperava à mesa pastéis, linguiças, cervejas e outras iguarias saborosas que D.Léia, minha esposa, preparara. Demoramo-nos até altas horas, envolvidos por uma atmosfera de alegria contagiante por muitos hilários momentos relembrados. Foi o tipo da reunião que leva tempo a se repetir, por isso aproveitamos bastante aquelas horas que gostariamos ver prolongadas. E se outra reunião familiar de novo acontecer, não poderei ter a felicidade de chamar minha filha nem Luiz, o juiz, que retornou a Recife e não soubemos mais sobre ele. Sissi e Jairo poderão repetir a presença. Outros elementos da família como minha esposa Léia, minha filha primogênita, Alice, a caçula Nelma e os filhos, Marina e Guilherme, apareceram em outras fotos. Mas nesta, aqui exposta neste post, posso recordar essa amada filha - que adorava momentos como aquele - em um instante de descontração e que não mais se reunirá a nós em outro evento igual. Valeu sua presença, filha. Obrigado, mais uma vez.
Você se alou para Deus, mas não nos deixou. Sua lembrança imarcescível estará, pelo que resta de nossas vidas, a nos acompanhar, sempre, como nossas sombras. Que você esteja em paz no Seio do Senhor.
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REUNIÃO DE FAMÍLIA
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
UMA PASSAGEM À DOÇURA DA PAZ

Qual ser humano não gostaria de encontrar pelos caminhos de sua vida uma passagem pejada por sombras acolhedoras como essa que aparece na imagem acima? Ela nos convida a pisar em seu chão, a nos deliciarmos sob as suas sombras e a sorver a atmosfera de paz e de silêncio que ali existe.
Os caminhos do homem são ásperos. O mundo não pode oferecer mais nada a não ser violência aos olhos espantados dos seres humanos, que trânsidos de medo não vêem saída para se livrar das armadilhas diárias. As fantásticas paisagens da vida de cada qual são dignas de um filme de terror. Debatemo-nos contra esses fundos de vida, debalde, porém. Nossos olhares se esgotam diante dos tétricos eventos que se multiplicam em escalas cada vez menos humanizadas, como se não nos bastassem os acontecimentos que sóem suceder nas existências, sem termo. Se tudo são tristeza, dor, distanciamento e saudade devemos à cegueira que nós mesmos buscamos com nossos próprios pés. Encontrar o Portal que nos leve àquela paragem sossegada onde as proprias cores são bálsamos, é dever de todos, mas só o encontraremos se nos desvencilharmos dos mais baixos sentimentos que nos assaltam e se homiziam em nossas almas imortais. Como? Efetuando uma "faxina" geral em nosso subconsciente - a caixa-forte de todos os nossos sentimentos - e iluminando os seus escaninhos mofados abrindo as janelas para o verdadeiro Sol de nossas existências pequenas: DEUS.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
JORNALISMO IMPARCIAL
Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
O “Jornal da Globo” de ontem deu uma aula de jornalismo imparcial, independente e isento.
No dia em que o governo federal anunciou o projeto para um novo marco regulatório para o petróleo, levando em conta a dimensão das recentes descobertas do Campo de Tupi, a Rede Globo se superou. É bom lembrar que as Organizações Globo, na década de 1950, fizeram oposição ferrenha a campanha “O Petróleo É Nosso”. O telejornal iniciou com a tradicional cara de consternação de Wiliam Waack, esboçando da forma mais simplória o possível que, pelas novas regras apresentadas pelo governo, a Petrobras ganhou mais do que já tinha e o “governo” – em nenhum momento falou-se em “Estado” – ficará com a maior parte da receita gerada pela extração do Pré-Sal.
Depois, como a Rede Globo prima pelo imparcialismo e isenção, mostrou uma entrevista com o governador José Serra. O provável candidato tucano à sucessão de Lula, afirmou peremptoriamente discordar do modo como o governo conduziu a discussão sobre o tema e que discorda do projeto em si. Todavia se furtou de apresentar a alternativa que acha melhor.
A amostra de jornalismo imparcial, independente e isento continuou com o governador fluminense Sergio Cabral. Este afirmou que o governo federal foi obrigado a rever posições – leia-se alteração na ignominiosa regra dos royalties – antes de apresentar o projeto.
Voltando ao estúdio, William Waack, apresentou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura. O empresário, que também tem um blog hospedado no G1, declarou que a política de petróleo e gás no Brasil pode sofrer um retrocesso, afugentar investimentos estrangeiros, dar megapoderes a Petrobras e ao Estado e reestatizar um setor que já havia se livrado do danoso jugo estatal. O especialista em infra estrutura usou discurso meramente político, uma vez que se absteve de apresentar qualquer dado técnico.
Waack se despediu do Diretor do CBI e convocou de Brasília Heraldo Pereira com a seguinte frase, “é Heraldo o governo pediu ao Congresso que vote o projeto em 90 dias, quanta pressa! É 2010 chegando?”
Pereira emendou “é isso mesmo”. E a seguir foi à vez do quadro Pinga-Fogo onde os entrevistados da noite foram os senadores pela José Agripino Maia (DEMO – RN) e o desgastado Aluízio Mercadante(PT-SP). Agripino atacou, como sempre, o governo, afinal ele teve 14 meses para elaborar uma proposta de exploração do Pré-Sal e agora quer que o Congresso examine e aprove a proposta em apenas 90 dias. Já as falas de Mercadante pareciam desencontradas e chegou a dizer que o prazo de 90 dias poderá ser prorrogado.
Assim se faz um jornalismo isento imparcial, sério e independente.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
O “Jornal da Globo” de ontem deu uma aula de jornalismo imparcial, independente e isento.
No dia em que o governo federal anunciou o projeto para um novo marco regulatório para o petróleo, levando em conta a dimensão das recentes descobertas do Campo de Tupi, a Rede Globo se superou. É bom lembrar que as Organizações Globo, na década de 1950, fizeram oposição ferrenha a campanha “O Petróleo É Nosso”. O telejornal iniciou com a tradicional cara de consternação de Wiliam Waack, esboçando da forma mais simplória o possível que, pelas novas regras apresentadas pelo governo, a Petrobras ganhou mais do que já tinha e o “governo” – em nenhum momento falou-se em “Estado” – ficará com a maior parte da receita gerada pela extração do Pré-Sal.
Depois, como a Rede Globo prima pelo imparcialismo e isenção, mostrou uma entrevista com o governador José Serra. O provável candidato tucano à sucessão de Lula, afirmou peremptoriamente discordar do modo como o governo conduziu a discussão sobre o tema e que discorda do projeto em si. Todavia se furtou de apresentar a alternativa que acha melhor.
A amostra de jornalismo imparcial, independente e isento continuou com o governador fluminense Sergio Cabral. Este afirmou que o governo federal foi obrigado a rever posições – leia-se alteração na ignominiosa regra dos royalties – antes de apresentar o projeto.
Voltando ao estúdio, William Waack, apresentou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura. O empresário, que também tem um blog hospedado no G1, declarou que a política de petróleo e gás no Brasil pode sofrer um retrocesso, afugentar investimentos estrangeiros, dar megapoderes a Petrobras e ao Estado e reestatizar um setor que já havia se livrado do danoso jugo estatal. O especialista em infra estrutura usou discurso meramente político, uma vez que se absteve de apresentar qualquer dado técnico.
Waack se despediu do Diretor do CBI e convocou de Brasília Heraldo Pereira com a seguinte frase, “é Heraldo o governo pediu ao Congresso que vote o projeto em 90 dias, quanta pressa! É 2010 chegando?”
Pereira emendou “é isso mesmo”. E a seguir foi à vez do quadro Pinga-Fogo onde os entrevistados da noite foram os senadores pela José Agripino Maia (DEMO – RN) e o desgastado Aluízio Mercadante(PT-SP). Agripino atacou, como sempre, o governo, afinal ele teve 14 meses para elaborar uma proposta de exploração do Pré-Sal e agora quer que o Congresso examine e aprove a proposta em apenas 90 dias. Já as falas de Mercadante pareciam desencontradas e chegou a dizer que o prazo de 90 dias poderá ser prorrogado.
Assim se faz um jornalismo isento imparcial, sério e independente.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
ESTADO, GOVERNO, PARTIDOS, DEMOCRACIA
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009
Por Emir Sader
O Estado brasileiro é mais forte porque mais democrático.
Fonte: Carta Maior [http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=348]
A campanha eleitoral da oposição - tendo sua comissão de frente nas empresas privadas da mídia - concentra seu foco de supostas denúncias em um tema central: o governo confundiria o Estado com o governo, apropriando-se do Estado em função dos partidos que o apóiam. O jornal da família Frias chegou a colocar como manchete na sua primeira página que “O governo se reserva tal porcentagem do pré-sal”, como se se tratasse de uma apropriação por parte de governo de receitas de um projeto de enorme transcendência, que mobiliza grande quantidade de recursos, para seu proveito, em lugar de fazê-lo para o Estado brasileiro.
Confusão faz essa imprensa despreparada teoóricamente e mesquinha politicamente, ao não se dar conta de como os destinos do Estado brasileiro estão em jogo na repartição dos recursos do pré-sal, não se tratando apenas de um problema de um governo de turno. Mas quando se trata de manter de pé campanha sistemática de acusações a um governo que, apesar disso ou talvez até mesmo também por isso, goza de mais de 80% de apoio da população, vale de tudo, pelo próprio desespero de não ver refletir nas pesquisas de opinião, o tempo, os espaços e o papel gasto na até aqui inglória luta contra o governo.
Para começar: o Estado brasileiro, no governo Lula, é muito mais democrático do que antes, em qualquer outro governo. Em primeiro lugar, porque atende as reivindicações de um numero incomparavelmente maior de pessoas do que qualquer outro governo. Atende seus direitos a emprego formal, a acesso a bens fundamentais, a escola, a habitação, a saneamento básico, a créditos, a energia elétrica, entre outros direitos elementares, mas que foram sempre negados à maioria da população.
Como conseqüência, o Estado integra a setores majoritários do povo, que nunca antes tinham se sentido participantes do Estado, do que é expressão o fato de mais de 80% da população apoiar o governo, não ocasionalmente, no momento de um plano econômico qualquer – como em momentos do Plano Cruzado do governo Sarney ou do Plano Real do governo FHC – mas estavelmente, no sétimo ano do governo, quando FHC tinha apenas 18% de apoio e Sarney algo similar.
O Estado dispõe de mais pessoal e mais qualificado, melhor remunerado, depois de ter passado pela sua demonização, pela desqualificação do servidor público e diminuição pelas políticas de Estado mínimo do governo da tucanalhada-demoníaca.
As empresas estatais são mais fortes e mais eficientes hoje. Tome-se o exemplo da Petrobrás no governo atual, em comparação com ao que tinha sido reduzida – “Petrobrax” – no governo FHC. Os levantamentos do IPEA revelam como o serviço publico é mais eficiente que as empresas privadas, como mostra da melhoria do Estado no governo atual.
A diminuição significativa do superávit fiscal, o freio nos processos de privatização – que previam a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Eletrobras, nos acordos assinados com o FMI na última das três crises com que o governo FHC vitimizou o Brasil fortaleceram o Estado.
Ao contrário dos governos tucanos, como o de Serra, que seguiu adiante as privatizações e, não fosse o Banco do Brasil ter comprado a Nossa Caixa, a teria vendido ao capital privado, como os tucanos tinham feito com o Banespa vendido a um banco estrangeiro, o Santander.
O Estado brasileiro é muito mais forte, porque muito mais respeitado no exterior, tanto na América Latina, como no conjunto do mundo, como se vê pelo prestígio de Lula, em comparação com a penosa imagem projetada por FHC e seus tristes ministros de Relações Exteriores.
O Estado é mais forte porque recuperou sua capacidade de indução do crescimento econômico, como se viu muito claramente na capacidade do governo e dos bancos públicos de promover a recuperação econômica do país na atual crise, muito maior do que qualquer uma que o governo FHC tenha vivido e, no entanto, o Brasil sai dela mais forte, ao contrário das anteriores, em que – como no caso da crise de 1999 – o país saiu enfraquecido – com as taxas de juros próximas de 50%, com o desemprego em níveis altíssimos, com um descontrole inflacionário, com um aumento exponencial da divida pública, com uma recessão de que somente o governo Lula pôde fazer com que saíssemos da crise.
O Estado é mais forte justamente porque o governo não confundiu governo e Estado. O governo é um instrumento de fortalecimento do Estado, mediante políticas de interesse nacional – como as políticas sociais, educativas, culturais, econômicas, a política externa independente, entre tantas outras – e não para atender interesses privados – como as escandalosas privatizações de FHC, que dilapidaram o patrimônio público ou como a privataria educacional que promoveu as faculdades e universidades privadas em detrimento da educação publica, universal e gratuita.
O Estado é mais forte, porque arrecada mais e melhor, canalizando recursos para o crescimento econômico e as políticas sociais. Porque diminuiu as taxas de juros, diminuindo a remuneração ao capital especulativo e a transferência de renda ao capital financeiro.
Assim, o Estado brasileiro é mais forte, não porque menos democrático, mas porque muito mais democrático, mais integrador, mais provedor de direitos, mais reconhecido no exterior e dentro do Brasil.
O Estado governa com os partidos que apóiam o governo Lula, um governo submetido pelos dois maiores plebiscitos públicos – as eleições de 2002 e 2006 -, em que, mesmo tendo a ditadura das empresas privadas da mídia contra, contou com o imenso apoio popular, que só cresceu desde então. Governa, portanto, com a delegação da grande maioria do povo. A oposição queria que ele governasse, como no governo FHC, com representantes diretos do grande capital, dos bancos, das corporações privadas, da mídia oligárquica, do capital estrangeiro.
Os governos estaduais dos outros partidos – como o de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul – foram sistematicamente sabotados pelo governo FHC, ao contrário do governo Lula, que compartilha os recursos federais com governos da oposição, como os governos tucanos de São Paulo e de Minas Gerais, com governadores pré-candidatos à presidência pela oposição ao governo.
O Estado é mais forte no Brasil no governo Lula, a democracia é mais forte, porque o governo as promove como seus objetivos centrais. Passado o circo midiático, fica claro que foram os tucanalhas-demoníacos, que debilitaram o papel de controle tributário, favorecendo a sonegação fiscal como nunca no Brasil.
Um Estado forte é um Estado democrático, reconhecido e apoiado pela grande maioria da população. É um Estado que implementa políticas de caráter nacional, de interesse público, promovendo a prioridade das questões sociais e não a ditadura econômico-financeira de Malan-FHC-Serra.
O Brasil precisa ser mais democrático e não menos, como quer a oposição, adepta do Estado mínimo e dos cortes dos direitos sociais. O Brasil precisa reformar profundamente o Estado, não como quer a oposição, para deixar mais espaços para o mercado, mas para torná-lo efetivamente um Estado de todos e para todos.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:40
Por Emir Sader
O Estado brasileiro é mais forte porque mais democrático.
Fonte: Carta Maior [http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=348]
A campanha eleitoral da oposição - tendo sua comissão de frente nas empresas privadas da mídia - concentra seu foco de supostas denúncias em um tema central: o governo confundiria o Estado com o governo, apropriando-se do Estado em função dos partidos que o apóiam. O jornal da família Frias chegou a colocar como manchete na sua primeira página que “O governo se reserva tal porcentagem do pré-sal”, como se se tratasse de uma apropriação por parte de governo de receitas de um projeto de enorme transcendência, que mobiliza grande quantidade de recursos, para seu proveito, em lugar de fazê-lo para o Estado brasileiro.
Confusão faz essa imprensa despreparada teoóricamente e mesquinha politicamente, ao não se dar conta de como os destinos do Estado brasileiro estão em jogo na repartição dos recursos do pré-sal, não se tratando apenas de um problema de um governo de turno. Mas quando se trata de manter de pé campanha sistemática de acusações a um governo que, apesar disso ou talvez até mesmo também por isso, goza de mais de 80% de apoio da população, vale de tudo, pelo próprio desespero de não ver refletir nas pesquisas de opinião, o tempo, os espaços e o papel gasto na até aqui inglória luta contra o governo.
Para começar: o Estado brasileiro, no governo Lula, é muito mais democrático do que antes, em qualquer outro governo. Em primeiro lugar, porque atende as reivindicações de um numero incomparavelmente maior de pessoas do que qualquer outro governo. Atende seus direitos a emprego formal, a acesso a bens fundamentais, a escola, a habitação, a saneamento básico, a créditos, a energia elétrica, entre outros direitos elementares, mas que foram sempre negados à maioria da população.
Como conseqüência, o Estado integra a setores majoritários do povo, que nunca antes tinham se sentido participantes do Estado, do que é expressão o fato de mais de 80% da população apoiar o governo, não ocasionalmente, no momento de um plano econômico qualquer – como em momentos do Plano Cruzado do governo Sarney ou do Plano Real do governo FHC – mas estavelmente, no sétimo ano do governo, quando FHC tinha apenas 18% de apoio e Sarney algo similar.
O Estado dispõe de mais pessoal e mais qualificado, melhor remunerado, depois de ter passado pela sua demonização, pela desqualificação do servidor público e diminuição pelas políticas de Estado mínimo do governo da tucanalhada-demoníaca.
As empresas estatais são mais fortes e mais eficientes hoje. Tome-se o exemplo da Petrobrás no governo atual, em comparação com ao que tinha sido reduzida – “Petrobrax” – no governo FHC. Os levantamentos do IPEA revelam como o serviço publico é mais eficiente que as empresas privadas, como mostra da melhoria do Estado no governo atual.
A diminuição significativa do superávit fiscal, o freio nos processos de privatização – que previam a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal, da Eletrobras, nos acordos assinados com o FMI na última das três crises com que o governo FHC vitimizou o Brasil fortaleceram o Estado.
Ao contrário dos governos tucanos, como o de Serra, que seguiu adiante as privatizações e, não fosse o Banco do Brasil ter comprado a Nossa Caixa, a teria vendido ao capital privado, como os tucanos tinham feito com o Banespa vendido a um banco estrangeiro, o Santander.
O Estado brasileiro é muito mais forte, porque muito mais respeitado no exterior, tanto na América Latina, como no conjunto do mundo, como se vê pelo prestígio de Lula, em comparação com a penosa imagem projetada por FHC e seus tristes ministros de Relações Exteriores.
O Estado é mais forte porque recuperou sua capacidade de indução do crescimento econômico, como se viu muito claramente na capacidade do governo e dos bancos públicos de promover a recuperação econômica do país na atual crise, muito maior do que qualquer uma que o governo FHC tenha vivido e, no entanto, o Brasil sai dela mais forte, ao contrário das anteriores, em que – como no caso da crise de 1999 – o país saiu enfraquecido – com as taxas de juros próximas de 50%, com o desemprego em níveis altíssimos, com um descontrole inflacionário, com um aumento exponencial da divida pública, com uma recessão de que somente o governo Lula pôde fazer com que saíssemos da crise.
O Estado é mais forte justamente porque o governo não confundiu governo e Estado. O governo é um instrumento de fortalecimento do Estado, mediante políticas de interesse nacional – como as políticas sociais, educativas, culturais, econômicas, a política externa independente, entre tantas outras – e não para atender interesses privados – como as escandalosas privatizações de FHC, que dilapidaram o patrimônio público ou como a privataria educacional que promoveu as faculdades e universidades privadas em detrimento da educação publica, universal e gratuita.
O Estado é mais forte, porque arrecada mais e melhor, canalizando recursos para o crescimento econômico e as políticas sociais. Porque diminuiu as taxas de juros, diminuindo a remuneração ao capital especulativo e a transferência de renda ao capital financeiro.
Assim, o Estado brasileiro é mais forte, não porque menos democrático, mas porque muito mais democrático, mais integrador, mais provedor de direitos, mais reconhecido no exterior e dentro do Brasil.
O Estado governa com os partidos que apóiam o governo Lula, um governo submetido pelos dois maiores plebiscitos públicos – as eleições de 2002 e 2006 -, em que, mesmo tendo a ditadura das empresas privadas da mídia contra, contou com o imenso apoio popular, que só cresceu desde então. Governa, portanto, com a delegação da grande maioria do povo. A oposição queria que ele governasse, como no governo FHC, com representantes diretos do grande capital, dos bancos, das corporações privadas, da mídia oligárquica, do capital estrangeiro.
Os governos estaduais dos outros partidos – como o de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul – foram sistematicamente sabotados pelo governo FHC, ao contrário do governo Lula, que compartilha os recursos federais com governos da oposição, como os governos tucanos de São Paulo e de Minas Gerais, com governadores pré-candidatos à presidência pela oposição ao governo.
O Estado é mais forte no Brasil no governo Lula, a democracia é mais forte, porque o governo as promove como seus objetivos centrais. Passado o circo midiático, fica claro que foram os tucanalhas-demoníacos, que debilitaram o papel de controle tributário, favorecendo a sonegação fiscal como nunca no Brasil.
Um Estado forte é um Estado democrático, reconhecido e apoiado pela grande maioria da população. É um Estado que implementa políticas de caráter nacional, de interesse público, promovendo a prioridade das questões sociais e não a ditadura econômico-financeira de Malan-FHC-Serra.
O Brasil precisa ser mais democrático e não menos, como quer a oposição, adepta do Estado mínimo e dos cortes dos direitos sociais. O Brasil precisa reformar profundamente o Estado, não como quer a oposição, para deixar mais espaços para o mercado, mas para torná-lo efetivamente um Estado de todos e para todos.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:40
PERIGO! PERIGO!

Observando o andamento de nossa República em mãos que deixam escorregar escândalos atrás de escândalos; que blindam à força representações contra determinados elementos de nossa política - elementos que não tenho necessidade em apontar -; que usam de um trator humano - a chamada Tropa de Choque - para barrar todas as investigações deixando transparecer que há um oceano de verdades a ser escondido; que exigem a covarde e desusada "censura" para tapar a "boca" da imprensa - chamada de PIG pelos adversários que primam por defender o atual governo -; que não permite o Legislativo trabalhar como deve, ou seja: legislar sobre leis e assuntos correlatos - como no atual evento com os sindicalistas e membros representantes dos aposentados, para estabelecimento do novo reajuste a esses últimos -, e quando não usam de sinceridade em seus arroubos publicitários, impondo sua ótica, então eu acho que a nossa República caminha a passos largos - se é que já não está a se afogar num regime de exceção - para a "DITABRANDA", que não nos serve. tampouco.
Vale, então, o clamor estampado na imagem do robot: "PERIGO! PERIGO! Não há pior regime de exceção do que o disfarçado em democracia total, em liberdade aparente de expressão - excetuando-se às contrárias ao regime - e com o verniz de obras sociais divulgadas exaustivamente e a todo momento nas telinhas das TVs. Lembra um adágio muito comum e em voga entre a população: "ENGANA-ME QUE EU GOSTO".
domingo, 23 de agosto de 2009
PT, SARNEY & COLLOR ; TODOS IGUAIS
Domingo, 23 de Agosto de 2009
PT, Sarney e Collor: todos iguais
“são todos iguais e tão desiguais
uns mais iguais que os outros”
(Engenheiros do Havaí)
Por João Alexandre Moura Oliveira
Somos um povo deseducado, colonizado, dominado e cada dia mais decepcionados com nossos pseudo-líderes. O arquivamento pelo conselho de ética do Senado de todos os processos e falcatruas secretas do “imperador” José Sarney na semana passada frustrou profundamente a nação brasileira que implora por moralidade, ética e punição as pessoas que se apropriam do bem público em benefício privado. O episódio Sarney não poderia ser concluído daquela maneira lastimável vencida mais uma vez pelo coronel nordestino e sua tropa de choque (Collor, Renan Calheiros, Duque, Mercadante e até o “comunista” Inácio Arruda).
Que boa parte do povo brasileiro conhece as pilantragens de Collor e Renan Calheiros, até uma criança de cinco anos sabe, o que é realmente deprimente para nós é vermos partidos como o PT e o PC do B (Inácio Arruda) livrar o “imperador” Sarney da punição, dois partidos que sempre pregaram a ética, a moralidade, bons valores e posicionamentos coerentes se sujaram em meio as fezes do gado nordestino de Sarney e sua turma, aliando-se a tudo de mais atrasado e conservador na política brasileira. A frustração de petistas, comunistas históricos e principalmente da opinião pública brasileira é visível, tudo por causa da tal “governabilidade” em um Congresso Nacional que não vota nada e só aprova medidas provisórias, um Congresso que dia após dia faz com que a juventude generalize-o e afirme que “político não presta”. Não prestam porque não há punição, não há moralidade, deixando as pessoas desacreditadas, descrentes e generalistas em relação à classe política brasileira.
Não estou aqui criticando os avanços sociais e econômicos que o governo Lula ofereceu ao Brasil nos últimos sete anos, mas governar ao lado de Sarney, Collor e do fisiologista PMDB é se misturar ao lixo da política brasileira e fragmentar ainda mais a estrela vermelha que um dia nos deu esperança e agora faz parte da constelação imperial da família Sarney. Frustrante.
João Alexandre Moura Oliveira, Geógrafo, Gestor Ambiental, Militante Cultural e professor de Geografia, Filosofia e Sociologia na rede privada de Poços de Caldas-MG.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:22 1 comentários
PT, Sarney e Collor: todos iguais
“são todos iguais e tão desiguais
uns mais iguais que os outros”
(Engenheiros do Havaí)
Por João Alexandre Moura Oliveira
Somos um povo deseducado, colonizado, dominado e cada dia mais decepcionados com nossos pseudo-líderes. O arquivamento pelo conselho de ética do Senado de todos os processos e falcatruas secretas do “imperador” José Sarney na semana passada frustrou profundamente a nação brasileira que implora por moralidade, ética e punição as pessoas que se apropriam do bem público em benefício privado. O episódio Sarney não poderia ser concluído daquela maneira lastimável vencida mais uma vez pelo coronel nordestino e sua tropa de choque (Collor, Renan Calheiros, Duque, Mercadante e até o “comunista” Inácio Arruda).
Que boa parte do povo brasileiro conhece as pilantragens de Collor e Renan Calheiros, até uma criança de cinco anos sabe, o que é realmente deprimente para nós é vermos partidos como o PT e o PC do B (Inácio Arruda) livrar o “imperador” Sarney da punição, dois partidos que sempre pregaram a ética, a moralidade, bons valores e posicionamentos coerentes se sujaram em meio as fezes do gado nordestino de Sarney e sua turma, aliando-se a tudo de mais atrasado e conservador na política brasileira. A frustração de petistas, comunistas históricos e principalmente da opinião pública brasileira é visível, tudo por causa da tal “governabilidade” em um Congresso Nacional que não vota nada e só aprova medidas provisórias, um Congresso que dia após dia faz com que a juventude generalize-o e afirme que “político não presta”. Não prestam porque não há punição, não há moralidade, deixando as pessoas desacreditadas, descrentes e generalistas em relação à classe política brasileira.
Não estou aqui criticando os avanços sociais e econômicos que o governo Lula ofereceu ao Brasil nos últimos sete anos, mas governar ao lado de Sarney, Collor e do fisiologista PMDB é se misturar ao lixo da política brasileira e fragmentar ainda mais a estrela vermelha que um dia nos deu esperança e agora faz parte da constelação imperial da família Sarney. Frustrante.
João Alexandre Moura Oliveira, Geógrafo, Gestor Ambiental, Militante Cultural e professor de Geografia, Filosofia e Sociologia na rede privada de Poços de Caldas-MG.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:22 1 comentários
É HORA DE DESEDUCAR
Por Tiago Barbosa Mafra
Ao observar a juventude dos dias atuais é claramente perceptível o esvaziamento de sentido de vida dessas pessoas. Falta-lhes objetivo, perspectiva, rumo. Muitos encontram orientação na rua, outros nas drogas, outros na violência, e a grande maioria no consumo exagerado como forma de atenuar a solidão construida pelo individualismo da vida contemporânea. A quebra de paradigmas do pós-modernismo deixou a sociedade com paradigma nenhum. Salve o deus mercado.
Nessa balburdia toda, qual o papel da educação? Como deve se posicionar a escola?
O primeiro passo para avançar na discussão é determinar o que a escola não deve ser. Na obra de Patrice Bonnewitz sobre as idéias de Pierre Bourdieu, apresenta-se a escola como a instituição que reproduz as desigualdades sociais, enquanto sistema de violência simbólica. “A cultura escolar é uma cultura particular, a da classe dominante, transformada em cultura legítima, objetivável e indiscutível”. (BONNEWITZ, 2003: 114)
Este é o primeiro aspecto do qual a escola pode fugir para não se tornar um instrumento de imposição de idéias, conceitos e atitudes dos grupos dominantes.
Outra avaliação corrente nos grupos de professores e na sociedade em geral, é de que a escola necessita de neutralidade, delegando aos estudantes a possibilidade das escolhas. Em relação à isso, é ingenuidade pensar a escola como um espaço neutro. Enquanto pesquisamos sobre algo ou debatemos algum conteúdo, é necessário a clareza de que são conhecimentos produzidos em um contexto, sob influências e valores simbólicos, diferentes dos atuais e que estavam a serviço de ideologias e/ou interesses de cada tempo. “A seleção das disciplinas ensinadas, assim como a escolha dos conteúdos disciplinares é o produto de relações de força entre grupos sociais. A cultura escolar não é uma cultura neutra, mas uma cultura de classe”.(BONNEWITZ, 2003: 115).
Há de se convir também que todos os espaços de vivência da juventude são continuamente fuzilados com propagandas e idéias prontas, as quais a maioria abstrai e torna como sendo sua, reproduzindo o que Eduardo Galeano chamou de Virtude do Papagaio.
Assim, ou a escola é um mero transmissor de conhecimentos, tecnicista e totalmente atrelada à cultura dominante, ou ela pode ser um modo de mostrar ao aluno que ele é sujeito de seu próprio tempo e espaço; definitivamente, neutra a escola não é, e nós, professores, não devemos tomá-la como tal. O educador precisa ter o comprometimento de apresentar ao estudante as mais variadas vertentes sobre os conteúdos, mas sem que isto acarrete na suspensão de suas idéias e valores sobre o tema.
Feitas tais ressalvas, é possível dizer que a escola tem capacidade de funcionar como formadora de pessoas de pensamentos e ações críticas em relação à realidade em que vivem. E acima de tudo, a educação proporcionada pela escola e pelos professores tem que ser uma educação para a liberdade, como propôs o educador Paulo Freire (extremamente reconhecido no mundo, e quase nada no Brasil):
“O caminho, por isto mesmo, para um trabalho de libertação a ser realizado pela liderança revolucionária, não é a “propaganda libertadora”. Não está no mero ato de “depositar” a crença da liberdade nos oprimidos, pensando conquistar a sua confiança, mas no dialogar com eles”. (FREIRE, 2002: 54)
A atividade docente, por mais que haja opiniões divergentes acerca do assunto, é um ato político. Não no sentido partidário, mas no ambito das relações de poder e do entendimento e atuação destas na construção dos espaços de vivência.
Talvez o papel da escola, na conjuntura atual, seja “deseducar”, contruindo o encontro do povo oprimido com a liderança revolucionária, para que na comunhão de ambos, como dizia Freire, a liberdade se faça e refaça sempre.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:18 1 come
Ao observar a juventude dos dias atuais é claramente perceptível o esvaziamento de sentido de vida dessas pessoas. Falta-lhes objetivo, perspectiva, rumo. Muitos encontram orientação na rua, outros nas drogas, outros na violência, e a grande maioria no consumo exagerado como forma de atenuar a solidão construida pelo individualismo da vida contemporânea. A quebra de paradigmas do pós-modernismo deixou a sociedade com paradigma nenhum. Salve o deus mercado.
Nessa balburdia toda, qual o papel da educação? Como deve se posicionar a escola?
O primeiro passo para avançar na discussão é determinar o que a escola não deve ser. Na obra de Patrice Bonnewitz sobre as idéias de Pierre Bourdieu, apresenta-se a escola como a instituição que reproduz as desigualdades sociais, enquanto sistema de violência simbólica. “A cultura escolar é uma cultura particular, a da classe dominante, transformada em cultura legítima, objetivável e indiscutível”. (BONNEWITZ, 2003: 114)
Este é o primeiro aspecto do qual a escola pode fugir para não se tornar um instrumento de imposição de idéias, conceitos e atitudes dos grupos dominantes.
Outra avaliação corrente nos grupos de professores e na sociedade em geral, é de que a escola necessita de neutralidade, delegando aos estudantes a possibilidade das escolhas. Em relação à isso, é ingenuidade pensar a escola como um espaço neutro. Enquanto pesquisamos sobre algo ou debatemos algum conteúdo, é necessário a clareza de que são conhecimentos produzidos em um contexto, sob influências e valores simbólicos, diferentes dos atuais e que estavam a serviço de ideologias e/ou interesses de cada tempo. “A seleção das disciplinas ensinadas, assim como a escolha dos conteúdos disciplinares é o produto de relações de força entre grupos sociais. A cultura escolar não é uma cultura neutra, mas uma cultura de classe”.(BONNEWITZ, 2003: 115).
Há de se convir também que todos os espaços de vivência da juventude são continuamente fuzilados com propagandas e idéias prontas, as quais a maioria abstrai e torna como sendo sua, reproduzindo o que Eduardo Galeano chamou de Virtude do Papagaio.
Assim, ou a escola é um mero transmissor de conhecimentos, tecnicista e totalmente atrelada à cultura dominante, ou ela pode ser um modo de mostrar ao aluno que ele é sujeito de seu próprio tempo e espaço; definitivamente, neutra a escola não é, e nós, professores, não devemos tomá-la como tal. O educador precisa ter o comprometimento de apresentar ao estudante as mais variadas vertentes sobre os conteúdos, mas sem que isto acarrete na suspensão de suas idéias e valores sobre o tema.
Feitas tais ressalvas, é possível dizer que a escola tem capacidade de funcionar como formadora de pessoas de pensamentos e ações críticas em relação à realidade em que vivem. E acima de tudo, a educação proporcionada pela escola e pelos professores tem que ser uma educação para a liberdade, como propôs o educador Paulo Freire (extremamente reconhecido no mundo, e quase nada no Brasil):
“O caminho, por isto mesmo, para um trabalho de libertação a ser realizado pela liderança revolucionária, não é a “propaganda libertadora”. Não está no mero ato de “depositar” a crença da liberdade nos oprimidos, pensando conquistar a sua confiança, mas no dialogar com eles”. (FREIRE, 2002: 54)
A atividade docente, por mais que haja opiniões divergentes acerca do assunto, é um ato político. Não no sentido partidário, mas no ambito das relações de poder e do entendimento e atuação destas na construção dos espaços de vivência.
Talvez o papel da escola, na conjuntura atual, seja “deseducar”, contruindo o encontro do povo oprimido com a liderança revolucionária, para que na comunhão de ambos, como dizia Freire, a liberdade se faça e refaça sempre.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:18 1 come
OS EMPALHADOS DE LULA

Aí está a "galeria" dos companheiros do presidente Lula. Se estão todos eles empalhados é por terem permitido serem guiados por controle remoto em mãos do chefe maior do PT - Lula.
Se Mercadante mantivesse sua decisão de abandonar a liderança do PT no Senado, talvez Lula tivesse tempo de meditar sobre o que vem fazendo aos seus "camaradas", que são obrigados a se comportarem como verdadeiros "robôs". Ele precisa se convencer de que uma popularidade de 80, 90 e até mesmo de 100% é coisa passageira. Basta um sério deslize de sua parte (já o teve) e lá se vão às pesquisas ( estranho à ausência de uma reação por parte do expectantes - nós), as palmas dos que até mesmo recebem a Bolsa Família, o apoio dos próprios elementos que hoje o deixam "chorando em seus ombros" e da mídia interesseira e bajuladora.
Mas quando se está vivendo em um mundo fantástico, não desejamos olhar ao redor. Para nós, basta a paisagem que o presente nos revela. Lula, deslumbrado e inebriado pelo Poder, não tem mais olhos às verdades; ouvidos para mais verdades e vontade para mudar o que está cabalmente errado. Não se admitem essa proteção e essa "blindagem" a todo preço a um antigo desafeto; aliás, dois: Sarney e Collor. Falta só a ele sentar ao colo do Fernando Henrique Cardoso para selar, de vez, o "pacto de morte", que já está selado à porta da Casa Civil, ao do seu próprio gabinete e ao do PT, pois não faltarão os que estarão de costas a ele quando precisar de socorro. Não será a primeira vez na História do Homem. Julio César morreu apunhalado pela costas pelo filho adotivo; Adolf Hitler se viu abandonado pela própria História e por alguns de seus generais e marechais (o mais relevante: Marechal Erwin Von Rommel), que atentaram contra a sua vida. Não desejo ao Lula qualquer fim parecido, mas que está a pedir... Ah, lá isso está, não tão drástico, mas um fim higienizador e mais de acôrdo às suas culpas e dentro da Lei. O Castelo de Areia balança, sob o impacto das "marolas" e das "ondas" pertinazes. Cuide-se, senhor Lula. Nabucodonosor foi rei poderoso na Babilonia, atual Iraque, mas passou anos pastando pelos campos junto ao gado, e como tal.
Foto Revista Veja
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
AO COMPANHEIRO ARKX
Ao companheiro Arkx
Debate entre eu e Arkx no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-aberta-a-senadora-marina1?page=1&commentId=2189391%3AComment%3A167289&x=1#2189391Comment167289] sobre Marina Silva e a carta aberta que eu a enviei (sem resposta até esse momento)
Carta aberta ao Presidente da República
Brasília, 04 de junho de 2009
Exmo. Sr.
Luiz Inácio Lula da Silva
DD Presidente da República
Sr. Presidente,
Vivemos ontem um dia histórico para o país e um marco para a Amazônia, com a aprovação final, pelo Senado Federal, da Medida Provisória 458/09, que trata sobre a regularização fundiária da região. Os objetivos de estabelecer direitos, promover justiça e inclusão social, aumentar a governança pública e combater a criminalidade, que sei terem sido sua motivação, foram distorcidos e acabaram servindo para reafirmar privilégios e o execrável viés patrimonialista que não perde ocasião de tomar de assalto o bem público, de maneira abusiva e incompatível com as necessidades do País e os interesses da maioria de sua população.
Infelizmente, após anos de esforços contra esse tipo de atitude, temos, agora, uma história feita às avessas, em nome do povo mas contra o povo e contra a preservação da floresta e o compromisso que o Brasil assumiu de reduzir o desmatamento persistente que dilapida um patrimônio nacional e atenta contra os esforços para conter o aquecimento global.
O maior problema da Medida Provisória são as brechas criadas para anistiar aqueles que cometeram o crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas e agora se beneficiam de políticas originalmente pensadas para atender apenas aqueles posseiros de boa-fé, cujos direitos são salvaguardados pela Constituição Federal.
Os especialistas que acompanham a questão fundiária na Amazônia afirmam categoricamente que a MP 458, tal como foi aprovada ontem, configura grave retrocesso, como aponta o Procurador Federal do Estado do Pará, Dr. Felício Pontes: “A MP nº 458 vai legitimar a grilagem de terras na Amazônia e vai jogar por terra quinze anos de intenso trabalho do Ministério Público Federal, no Estado do Pará, no combate à grilagem de terras”.
Essa é a situação que se espraiará por todos os Estados da Amazônia. E em sua esteira virá mais destruição da floresta, pois, como sabemos, a grilagem sempre foi o primeiro passo para a devastação ambiental.
Sendo assim, Senhor Presidente, está em suas mãos evitar um erro de grandes proporções, não condizente com o resgate social promovido pelo seu governo e com o respeito devido a tantos companheiros que deram a vida pela floresta e pelo povo Amazônia. São tantos, Padre Jósimo, Irmã Dorothy, Chico Mendes, Wilson Pinheiro – por quem V. Excia foi um dia enquadrado na Lei de Segurança Nacional – que regaram a terra da Amazônia com o seu próprio sangue, na esperança de que, um dia, em um governo democrático e popular, pudéssemos separar o joio do trigo.
Em memória deles, Sr. Presidente, e em nome do patrimônio do povo brasileiro e do nosso sonho de um País justo e sustentável, faço este apelo para que vete os dispositivos mais danosos da MP 458, que estão discriminados abaixo.
Permita-me também, Senhor Presidente, e com a mesma ênfase, lhe pedir cuidados especiais na regulamentação da Medida Provisória. É fundamental que o previsto comitê de avaliação da implementação do processo de regularização fundiária seja caracterizado pela independência e tenha assegurada a efetiva participação da sociedade civil, notadamente os segmentos representativos do movimento ambientalista e do movimento popular agrário.
Por tudo isso, Sr. Presidente, peço que Vossa Excelência vete os incisos II e IV do artigo 2º; o artigo 7º e o artigo 13.
Com respeito e a fraternidade que tem nos unido, atenciosamente,
Senadora Marina Silva
Por Arkx
Hudson escreveu: ->."Talvez Marina não irrompa erros idênticos aos de Cristovam, mas seria mais fácil trazer o debate para dentro do PT, mobilizar movimentos populares hoje letárgicos."
interessante sua proposta de levar a discussão para dentro do PT. não sei se é viável, mas, se for, teria um saldo bastante positivo. porém há para isto grandes dificuldades, como vc bem apontou:
->."Obviamente sou conhecedor das dificuldades de tudo isso que lhe proponho caso esse processo venha a transcorrer dentro do Partido dos Trabalhadores. O alto-comando do PT, todos sabemos, já decidiu por outro nome para ser seu presidenciável."
seja como for, o maior perigo desta candidatura da Marina é ser aparelhada pelo PV, o qual por sua vez está aparelhado pelo PSDB/Dem.
e a maior contribuição positiva talvez possa vir a estar em outro trecho de sua Carta à Senadora:
->."Ademais, conseguiremos trazer de volta para o jogo político à presença de diversos movimentos populares, hoje distantes ou desiludidos."
compreendo que vc colocou a observação acima em relação a pré-candidatura de Marina ocorrer no interior do PT, mas penso que no PT ou não (desde que não seja no PV), a candidatura Marina seria um fator de fortalecimento do movimento popular.
quanto a questão ambiental, considero que ela não pode ser considerada isoladamente. o desenvolvimento e a preservação do meio-ambiente precisam sem compreendidos como integrados um ao outro. e, assim sendo, não há como defender o meio-ambiente sem também defender inclusão social!
penso que este é o maior dos equívocos dos verdes. note-se como o artigo do Sirkis, na FSP de segunda (09/08), é totalmente omisso em relação as grandes questões pertinentes aos desafios do desenvolvimento brasileiro, apenas desfraldando a bandeira ecológica.
parece-me que a candidatura de Marina ainda é um balão de ensaio, em sua formatação atual quero dizer. por outro lado, não creio que se trate de uma iniciativa exclusiva de setores ligados a Serra. penso que há mais aspectos em jogo. outras forças atuando - inclusive do próprio PT!
mas caso se confirme a candidatura, "é preferível que não seja através do PV", senão, já nascerá abortada, por assim dizer.
uma candidatura alternativa, do tipo a que se propõe Marina, é absolutamente necessária dentro do atual quadro político (evidentemente é uma afirmação de caráter pessoal).
entretanto, esta candidatura precisa não repetir os erros cometidos em 2006 por Heloísa Helena e Cristovam.
uma candidatura alternativa só faz sentido se for solidamente apoiada num programa de governo claro, conciso e exequível. e que marque firmemente sua distinção com a alternativa Serra x Dilma.
creio que há atualmente uma grande deficiência no debate político. pois ele ainda se dá em completa órbita ao redor de Lula. mas após 2010, seja quem for o vencedor, a política se conduzirá em outros marcos.
temos um PT descaracterizado, que foi incapaz de gerar lideranças de estatura nacional compatível com a necessidade da sucessão.
não temos também uma oposição à esquerda do PT, que se tornou um partido “radical de centro”, com um projeto claro e consistente, capaz de constantemente fazer o contraponto necessário ao governo.
considere-se tb que Lula promove uma identificação direta com a base social, tão recordista em popularidade quanto frágil num cenário de crise aguda, que nenhum outro político brasileiro parece ser capaz de reproduzir.
não há como dar continuidade a este modelo de identificação plena com a base social executado por Lula!
e como não há estratégia, apenas movimentos táticos se impõe para dar sobrevida a um modelo terminal fadado a se decompor após as eleições de 2010!
por isto o pós-Lula está se configurando como terrível!
Por Hudson
Caro Arkx
Alguns pontos que eu gostaria de salientar em suas colocações
1- Faz se cada vez mais necessário conciliar desenvolvimento econômico com desenvolvimento sustentável sem cair em radicalismos do tipo transformar a Amazônia em pastagem de soja ou então em santuário intocável. Nesse sentido penso que o sociólogo brasileiro Michel Löwy é quem melhor pode falar sobre esse assunto. Löwy, há anos radicado na França, ex-militante do PT e atualmente no PSOL, é um dos "papas" do ecossocialismo.
2- A candidatura Marina Silva, venha por que partido vier, trará para o primeiro plano da cena política a questão do meio-ambiente. Contudo, já escrevi isso antes, qual será o efeito prático disto? Cristovam pôs a educação em primeiro plano em 2006, conseguindo inclusive mobilizar parte da classe média e nem por isso a educação passou a ser tratada no Congresso Nacional com o respeito que merece. Portanto, infelizmente, não creio que Marina consiga colher melhores frutos com sua cruzada em prol do meio-ambiente do que os frutos colhidos por Cristovam em 2006. Quem está realmente disposto a ouvir um discurso monocórdio sobre meio-ambiente são os já empenhados na causa e parte da classe média que gosta muito de defender o meio-abiente, desde que tenha eletricidade, água quente e possa consumir toneladas de lixo.
3- Marina dentro do PT: Essa questão talvez seja a mais difícil, pois o PT, na incapacidade de trabalhar novos nomes, se viu refém de todas as pretensões do antigo "Campo Majoritário", hoje "Articulação" e daquilo que chamaremos de lulismo – muito embora eu particularmente não concorde muito com esse termo. A pretensão maior da Articulação e do Lulismo é nesse momento guindar a candidatura Dilma Rousseff (mulher da confiança desse grupo) e para tanto criar palanques fortes nos estados nem que seja à custa de sacrificar candidaturas próprias. Vê-se assim que o espaço para Marina Silva dentro do PT é diminuto, entretanto para quem já é acostumada a enfrentar grandes intempéries, seria apenas mais uma prova. Em caso de derrota, o mais provável, Marina ainda poderia barganhar o apoio em troca de o tema ambiental entrar em pauta e voltaria para o Senado onde tem todas as condições de continuar a defender a Amazônia.
4- A partir de 2010 poderemos ou não viver num quadro político pós- Lula. O fantasma de Getúlio assombrou a vida nacional por mais de uma década após seu suicídio. Claro que o Brasil agora é outro, mas ainda é muito cedo para afirmar que Lula deixará de ser um dos protagonistas do jogo político em tão pouco tempo. A questão é, qual será sua base? Os corretamente atendidos pelos programas sociais que ele alavancou ou os banqueiros, empresários do agronegócio e usineiros que ele um dia chamou de heróis?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 00:16 2 comentários
Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
Debate entre eu e Arkx no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-aberta-a-senadora-marina1?page=1&commentId=2189391%3AComment%3A167289&x=1#2189391Comment167289] sobre Marina Silva e a carta aberta que eu a enviei (sem resposta até esse momento)
Carta aberta ao Presidente da República
Brasília, 04 de junho de 2009
Exmo. Sr.
Luiz Inácio Lula da Silva
DD Presidente da República
Sr. Presidente,
Vivemos ontem um dia histórico para o país e um marco para a Amazônia, com a aprovação final, pelo Senado Federal, da Medida Provisória 458/09, que trata sobre a regularização fundiária da região. Os objetivos de estabelecer direitos, promover justiça e inclusão social, aumentar a governança pública e combater a criminalidade, que sei terem sido sua motivação, foram distorcidos e acabaram servindo para reafirmar privilégios e o execrável viés patrimonialista que não perde ocasião de tomar de assalto o bem público, de maneira abusiva e incompatível com as necessidades do País e os interesses da maioria de sua população.
Infelizmente, após anos de esforços contra esse tipo de atitude, temos, agora, uma história feita às avessas, em nome do povo mas contra o povo e contra a preservação da floresta e o compromisso que o Brasil assumiu de reduzir o desmatamento persistente que dilapida um patrimônio nacional e atenta contra os esforços para conter o aquecimento global.
O maior problema da Medida Provisória são as brechas criadas para anistiar aqueles que cometeram o crime de apropriação de grandes extensões de terras públicas e agora se beneficiam de políticas originalmente pensadas para atender apenas aqueles posseiros de boa-fé, cujos direitos são salvaguardados pela Constituição Federal.
Os especialistas que acompanham a questão fundiária na Amazônia afirmam categoricamente que a MP 458, tal como foi aprovada ontem, configura grave retrocesso, como aponta o Procurador Federal do Estado do Pará, Dr. Felício Pontes: “A MP nº 458 vai legitimar a grilagem de terras na Amazônia e vai jogar por terra quinze anos de intenso trabalho do Ministério Público Federal, no Estado do Pará, no combate à grilagem de terras”.
Essa é a situação que se espraiará por todos os Estados da Amazônia. E em sua esteira virá mais destruição da floresta, pois, como sabemos, a grilagem sempre foi o primeiro passo para a devastação ambiental.
Sendo assim, Senhor Presidente, está em suas mãos evitar um erro de grandes proporções, não condizente com o resgate social promovido pelo seu governo e com o respeito devido a tantos companheiros que deram a vida pela floresta e pelo povo Amazônia. São tantos, Padre Jósimo, Irmã Dorothy, Chico Mendes, Wilson Pinheiro – por quem V. Excia foi um dia enquadrado na Lei de Segurança Nacional – que regaram a terra da Amazônia com o seu próprio sangue, na esperança de que, um dia, em um governo democrático e popular, pudéssemos separar o joio do trigo.
Em memória deles, Sr. Presidente, e em nome do patrimônio do povo brasileiro e do nosso sonho de um País justo e sustentável, faço este apelo para que vete os dispositivos mais danosos da MP 458, que estão discriminados abaixo.
Permita-me também, Senhor Presidente, e com a mesma ênfase, lhe pedir cuidados especiais na regulamentação da Medida Provisória. É fundamental que o previsto comitê de avaliação da implementação do processo de regularização fundiária seja caracterizado pela independência e tenha assegurada a efetiva participação da sociedade civil, notadamente os segmentos representativos do movimento ambientalista e do movimento popular agrário.
Por tudo isso, Sr. Presidente, peço que Vossa Excelência vete os incisos II e IV do artigo 2º; o artigo 7º e o artigo 13.
Com respeito e a fraternidade que tem nos unido, atenciosamente,
Senadora Marina Silva
Por Arkx
Hudson escreveu: ->."Talvez Marina não irrompa erros idênticos aos de Cristovam, mas seria mais fácil trazer o debate para dentro do PT, mobilizar movimentos populares hoje letárgicos."
interessante sua proposta de levar a discussão para dentro do PT. não sei se é viável, mas, se for, teria um saldo bastante positivo. porém há para isto grandes dificuldades, como vc bem apontou:
->."Obviamente sou conhecedor das dificuldades de tudo isso que lhe proponho caso esse processo venha a transcorrer dentro do Partido dos Trabalhadores. O alto-comando do PT, todos sabemos, já decidiu por outro nome para ser seu presidenciável."
seja como for, o maior perigo desta candidatura da Marina é ser aparelhada pelo PV, o qual por sua vez está aparelhado pelo PSDB/Dem.
e a maior contribuição positiva talvez possa vir a estar em outro trecho de sua Carta à Senadora:
->."Ademais, conseguiremos trazer de volta para o jogo político à presença de diversos movimentos populares, hoje distantes ou desiludidos."
compreendo que vc colocou a observação acima em relação a pré-candidatura de Marina ocorrer no interior do PT, mas penso que no PT ou não (desde que não seja no PV), a candidatura Marina seria um fator de fortalecimento do movimento popular.
quanto a questão ambiental, considero que ela não pode ser considerada isoladamente. o desenvolvimento e a preservação do meio-ambiente precisam sem compreendidos como integrados um ao outro. e, assim sendo, não há como defender o meio-ambiente sem também defender inclusão social!
penso que este é o maior dos equívocos dos verdes. note-se como o artigo do Sirkis, na FSP de segunda (09/08), é totalmente omisso em relação as grandes questões pertinentes aos desafios do desenvolvimento brasileiro, apenas desfraldando a bandeira ecológica.
parece-me que a candidatura de Marina ainda é um balão de ensaio, em sua formatação atual quero dizer. por outro lado, não creio que se trate de uma iniciativa exclusiva de setores ligados a Serra. penso que há mais aspectos em jogo. outras forças atuando - inclusive do próprio PT!
mas caso se confirme a candidatura, "é preferível que não seja através do PV", senão, já nascerá abortada, por assim dizer.
uma candidatura alternativa, do tipo a que se propõe Marina, é absolutamente necessária dentro do atual quadro político (evidentemente é uma afirmação de caráter pessoal).
entretanto, esta candidatura precisa não repetir os erros cometidos em 2006 por Heloísa Helena e Cristovam.
uma candidatura alternativa só faz sentido se for solidamente apoiada num programa de governo claro, conciso e exequível. e que marque firmemente sua distinção com a alternativa Serra x Dilma.
creio que há atualmente uma grande deficiência no debate político. pois ele ainda se dá em completa órbita ao redor de Lula. mas após 2010, seja quem for o vencedor, a política se conduzirá em outros marcos.
temos um PT descaracterizado, que foi incapaz de gerar lideranças de estatura nacional compatível com a necessidade da sucessão.
não temos também uma oposição à esquerda do PT, que se tornou um partido “radical de centro”, com um projeto claro e consistente, capaz de constantemente fazer o contraponto necessário ao governo.
considere-se tb que Lula promove uma identificação direta com a base social, tão recordista em popularidade quanto frágil num cenário de crise aguda, que nenhum outro político brasileiro parece ser capaz de reproduzir.
não há como dar continuidade a este modelo de identificação plena com a base social executado por Lula!
e como não há estratégia, apenas movimentos táticos se impõe para dar sobrevida a um modelo terminal fadado a se decompor após as eleições de 2010!
por isto o pós-Lula está se configurando como terrível!
Por Hudson
Caro Arkx
Alguns pontos que eu gostaria de salientar em suas colocações
1- Faz se cada vez mais necessário conciliar desenvolvimento econômico com desenvolvimento sustentável sem cair em radicalismos do tipo transformar a Amazônia em pastagem de soja ou então em santuário intocável. Nesse sentido penso que o sociólogo brasileiro Michel Löwy é quem melhor pode falar sobre esse assunto. Löwy, há anos radicado na França, ex-militante do PT e atualmente no PSOL, é um dos "papas" do ecossocialismo.
2- A candidatura Marina Silva, venha por que partido vier, trará para o primeiro plano da cena política a questão do meio-ambiente. Contudo, já escrevi isso antes, qual será o efeito prático disto? Cristovam pôs a educação em primeiro plano em 2006, conseguindo inclusive mobilizar parte da classe média e nem por isso a educação passou a ser tratada no Congresso Nacional com o respeito que merece. Portanto, infelizmente, não creio que Marina consiga colher melhores frutos com sua cruzada em prol do meio-ambiente do que os frutos colhidos por Cristovam em 2006. Quem está realmente disposto a ouvir um discurso monocórdio sobre meio-ambiente são os já empenhados na causa e parte da classe média que gosta muito de defender o meio-abiente, desde que tenha eletricidade, água quente e possa consumir toneladas de lixo.
3- Marina dentro do PT: Essa questão talvez seja a mais difícil, pois o PT, na incapacidade de trabalhar novos nomes, se viu refém de todas as pretensões do antigo "Campo Majoritário", hoje "Articulação" e daquilo que chamaremos de lulismo – muito embora eu particularmente não concorde muito com esse termo. A pretensão maior da Articulação e do Lulismo é nesse momento guindar a candidatura Dilma Rousseff (mulher da confiança desse grupo) e para tanto criar palanques fortes nos estados nem que seja à custa de sacrificar candidaturas próprias. Vê-se assim que o espaço para Marina Silva dentro do PT é diminuto, entretanto para quem já é acostumada a enfrentar grandes intempéries, seria apenas mais uma prova. Em caso de derrota, o mais provável, Marina ainda poderia barganhar o apoio em troca de o tema ambiental entrar em pauta e voltaria para o Senado onde tem todas as condições de continuar a defender a Amazônia.
4- A partir de 2010 poderemos ou não viver num quadro político pós- Lula. O fantasma de Getúlio assombrou a vida nacional por mais de uma década após seu suicídio. Claro que o Brasil agora é outro, mas ainda é muito cedo para afirmar que Lula deixará de ser um dos protagonistas do jogo político em tão pouco tempo. A questão é, qual será sua base? Os corretamente atendidos pelos programas sociais que ele alavancou ou os banqueiros, empresários do agronegócio e usineiros que ele um dia chamou de heróis?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 00:16 2 comentários
Terça-feira, 11 de Agosto de 2009
AINDA MARINA SILVA E O PV
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Ainda Marina Silva e o PV
Prometo aos meus parcos leitores não me tornar monocórdio ou monotemático, mas é que o assunto Marina Silva anda rendendo. Vejam a análise feita por Edmar Roberto Prandini no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/sobre-a-reflexao-e-a-decisao] e logo abaixo o meu comentário.
Sobre a reflexão e a decisão de Marina Silva
1.Sobre a comparação entre Marina e Heloísa.
Deve-se lembrar que Heloísa Helena não saiu do PT. Foi expulsa. Em si mesmo, o fato dela discordar internamente, ao longo dos anos, da linha majoritária do partido, jamais fora motivo para qualquer desabono à sua trajetória e currículo. Expulsa do partido, no contexto da aprovação da segunda reforma da previdência, restava a ela que alternativa?
Abandonar a política porque o PT não a queria mais? O quadro interno do PT que a expulsou não era menos radical do que aquele do discurso que ela adotou, só que em mão contrária: nenhuma crítica e tensionamento ao governo se podia fazer!
Expulsar a HH não foi esforço centralista e de esvaziamento politico, empobrecimento do PT. Muitas foram as consequências trágicas dessa atitude do PT. Muitos militantes aguerridos, com vínculos com o movimento social e sindical, afastaram-se. Foi uma opção do PT para o centro, para acordos com o PMDB, com o Sarney. Abriu-se a brecha para o retorno do Collor.
Se sair, e espero que não, Marina não terá sido expulsa. Marina terá realizado uma avaliação, que se pode discutir se correta ou não, de que as utopias políticas que o PT portava quando de sua criação ter-se-iam perdido nos limites das negociações necessárias para a manutenção da coalizão governante.
Como disse o Danilo Morais, alguns dias atrás, no tópico sobre os limites do pragmatismo, Marina, apontando para a manutenção das utopias, estaria pragmaticamente buscando espaços para oxigenar a discussão da política nacional com a discussão sobre o novo padrão de desenvolvimento que terá que ser sustentável, sob pena de repetir os dilemas produzidos pelo modelo desenvolvimentista dos anos 70.
O pragmatismo entendido como busca da concreção das utopias e da execução das diretrizes e missão não é o mesmo que o pragmatismo daqueles que são capazes de rifar ideais para o acomodamento na ordem estabelecida.
2. Sobre o Governo Lula
Evidentemente Marina reconhece qualidades no governo Lula. O fim das privatizações, o bloqueio da Alca, a reconstrução do Estado, a implantação do Bolsa Família. Mas, ela tem ciência de quanto o governo Lula não foi capaz de manter-se alinhado às expectativas de transformação dos comportamentos e padrões políticos tradicionais vigentes no país. Como justificar o afastamento de Olívio Dutra do Ministério das Cidades? Não havia denuncia nenhuma contra ele, o Ministério estava inovando com o eixo no modelo participativo e a criação das Conferências e do Conselho de Cidades, etc. O governo Lula, se é muito superior aos anteriores, acabou fortemente tolhido da enorme criatividade política gestada nos movimentos sociais no país. Melhorou o salário mínimo? Sim!!! Mas, quão tardiamente conseguiu iniciar o movimento de redução dos juros pagos aos rentistas nacionais. O mesmo se deu em inúmeras áreas que pretendamos avaliar. Avaliar criticamente o governo não é aderir à oposição. É manter a lucidez política e a honestidade intelectual.
3. Sobre o PV
Seu passado e posicionamentos, no Brasil, são terríveis. Se tem um apelo inovador em partes de seu ideário, é óbvio que não conseguiu formulá-lo de forma a assegurar uma identidade política. Foi usado, ao longo dos anos, para reciclar imagens de inúmeros agentes políticos conservadores e de práticas completamente arcaicas.
Marina Silva, inteligente e lúcida que é, sabe disso. A ponderação que ela provavelmente esteja fazendo corresponde àquela decisão que o PT tomou quando de sua criação acerca da participação ou não nos carcomidos limites da institucionalidade, a democracia representativa, “democracia burguesa”. Como personagem central de uma eleição presidencial, ela deve estar cogitando a hipótese de atrair energias, pessoas, para renovar o PV e determinar-lhe um ciclo de migração para posicionamentos inovadores. Movimento típico de uma guerreira, uma mulher corajosa e briosa.
Se o PV reciclou imagens de políticos “ruins”, porque uma política íntegra e de seu perfl não poderia reciclar o partido e torná-lo aliado efetivo de movimentos, lutas e projetos de conteúdo efetivamente valiosos? Essa deve ser a pergunta que Marina está se fazendo.
5. Avaliação da candidatura
Se considero a possibilidade da candidatura da Marina perfeitamente legítima, mesmo que pelo PV, considero também que ela sofrerá enormes restrições políticas. O empresariado receia a mudança do padrão produtivo que uma política efetiva de sustentabilidade social e ambiental produziria.
6. Meu anseio
Que o Lula deixasse seu pedestal de 80% de popularidade e se dignasse a chamar a Marina para um diálogo verdadeiro. Um diálogo em que a temática da sustentabiiidade ganhasse status efetivo na campanha sem a necessidade da defecção da Marina. Que a Dilma assumisse algumas obrigações neste sentido e que urgentemente algumas medidas fossem adotadas para mostrar à Marina que não se trata de mera bravata. Mas, acho que nada disso não vai ocorrer.
Então, tenho a impressão de que a Marina sabe que na dinâmica da campanha, o debate que ela vai produzir será mais eficaz para constranger certos posicionamentos que o governo optou por adotar contra a argumentação que ela oferecia. Ela deve julgar mais fácil mudar o PV do que o governo e, por esta razão, creio que sim, sairá do PT, para manter a dinâmica da luta pela sustentabilidade.
7. Concluindo
Assim como causou tristeza a saída do Plínio de Arruda Sampaio do PT, é de se lamentar que o mesmo aconteça com a Marina Silva. Mas, jamais se poderá considerar que ela o faça como alinhamento à baixaria da oposição ou como erro político. Se há erro político, está no governo e no partido que perdem uma militante como Marina Silva.
Comentário meu:
Caro Edmar
O governo Lula sem duvidas optou pela estratégia do "não embate". O "não embate" com os setores economicamente mais privilegiados, com o agronegócio, com a mídia, com o sistema bancário, com os grupos que têm intensamente internacionalizado nossas terras, etc. e tal.
Tivemos avanços? Obviamente tivemos e muitos nas questões sociais. Contudo nenhum desses avanços representou de fato perigo à classe dominante, a não ser na cabeça dos mais reacionários. Bolsa Família, ProUni, sistema de cotas, Luz Para Todos e muitos mais estão aí para provar o quanto o governo Lula se esforçou na questão social, mas repito, sem tocar em interesses da burguesia nacional.
A reforma agrária que poderia mudar a base social e reduzir as diferenças entre as regiões foi abandonada, quando não sabotada, isso nas palavras do próprio MST. Na divisão internacional do trabalho continuamos a ocupar o mesmo espaço que sempre ocupamos, ou seja, de exportador de produtos primários e commodities.
A possível, quase certa, saída de Marina Silva do PT trará essas discussões até então sufocadas ou relegadas ao abrandamento por militantes, filiados e simpatizantes do PT, além, dos movimentos sociais.
Agora, só espero que Marina não seja tão ingênua a ponta de achar que pode mudar o PV. O PV não passa de um partideco de aluguel. Já circula boatos dando conta que Serra gostaria de tê-la como vice. Seria uma jogada e tanto do governador paulista. E aí eu pergunto, qual será a posição de Marina sendo vice-presidente, no caso duma chapa estapafúrdia dessas vingar e vencer as eleições, vendo uma Kátia Abreu ou um Ronaldo Caiado no Ministério da Agricultura???
Coragem é muito importante nessa vida, sobretudo na política, mas coerência é fundamental.
Se Marina acha que pode contribuir para o Brasil postulando a presidência da República então que o faça dentro do PT. Se for derrotada, de longe o mais provável, e achar que ainda pode se apresentar como alternativa, que o faça dentro duma legenda mais séria que o PV-nada difícil encontra essa legenda.
Por último, como você bem salientou, será uma pena depois de ter perdido Plínio de Arruda Sampaio, perder também Marina Silva. Também foi bem lembrado o que sucedeu a Olívio Dutra, sem duvidas um dos melhores quadros que a esquerda brasileira produziu nas últimas décadas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:24 0 comentários
Ao companheiro Arkx
Debate entre eu e Arkx no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-aberta-a-senadora-marina1?page=1&commentId=2189391%3AComment%3A167289&x=1#2189391Comment167289] sobre Marina Silva e a carta aberta que eu a enviei (sem resposta até esse momento)
Ainda Marina Silva e o PV
Prometo aos meus parcos leitores não me tornar monocórdio ou monotemático, mas é que o assunto Marina Silva anda rendendo. Vejam a análise feita por Edmar Roberto Prandini no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/sobre-a-reflexao-e-a-decisao] e logo abaixo o meu comentário.
Sobre a reflexão e a decisão de Marina Silva
1.Sobre a comparação entre Marina e Heloísa.
Deve-se lembrar que Heloísa Helena não saiu do PT. Foi expulsa. Em si mesmo, o fato dela discordar internamente, ao longo dos anos, da linha majoritária do partido, jamais fora motivo para qualquer desabono à sua trajetória e currículo. Expulsa do partido, no contexto da aprovação da segunda reforma da previdência, restava a ela que alternativa?
Abandonar a política porque o PT não a queria mais? O quadro interno do PT que a expulsou não era menos radical do que aquele do discurso que ela adotou, só que em mão contrária: nenhuma crítica e tensionamento ao governo se podia fazer!
Expulsar a HH não foi esforço centralista e de esvaziamento politico, empobrecimento do PT. Muitas foram as consequências trágicas dessa atitude do PT. Muitos militantes aguerridos, com vínculos com o movimento social e sindical, afastaram-se. Foi uma opção do PT para o centro, para acordos com o PMDB, com o Sarney. Abriu-se a brecha para o retorno do Collor.
Se sair, e espero que não, Marina não terá sido expulsa. Marina terá realizado uma avaliação, que se pode discutir se correta ou não, de que as utopias políticas que o PT portava quando de sua criação ter-se-iam perdido nos limites das negociações necessárias para a manutenção da coalizão governante.
Como disse o Danilo Morais, alguns dias atrás, no tópico sobre os limites do pragmatismo, Marina, apontando para a manutenção das utopias, estaria pragmaticamente buscando espaços para oxigenar a discussão da política nacional com a discussão sobre o novo padrão de desenvolvimento que terá que ser sustentável, sob pena de repetir os dilemas produzidos pelo modelo desenvolvimentista dos anos 70.
O pragmatismo entendido como busca da concreção das utopias e da execução das diretrizes e missão não é o mesmo que o pragmatismo daqueles que são capazes de rifar ideais para o acomodamento na ordem estabelecida.
2. Sobre o Governo Lula
Evidentemente Marina reconhece qualidades no governo Lula. O fim das privatizações, o bloqueio da Alca, a reconstrução do Estado, a implantação do Bolsa Família. Mas, ela tem ciência de quanto o governo Lula não foi capaz de manter-se alinhado às expectativas de transformação dos comportamentos e padrões políticos tradicionais vigentes no país. Como justificar o afastamento de Olívio Dutra do Ministério das Cidades? Não havia denuncia nenhuma contra ele, o Ministério estava inovando com o eixo no modelo participativo e a criação das Conferências e do Conselho de Cidades, etc. O governo Lula, se é muito superior aos anteriores, acabou fortemente tolhido da enorme criatividade política gestada nos movimentos sociais no país. Melhorou o salário mínimo? Sim!!! Mas, quão tardiamente conseguiu iniciar o movimento de redução dos juros pagos aos rentistas nacionais. O mesmo se deu em inúmeras áreas que pretendamos avaliar. Avaliar criticamente o governo não é aderir à oposição. É manter a lucidez política e a honestidade intelectual.
3. Sobre o PV
Seu passado e posicionamentos, no Brasil, são terríveis. Se tem um apelo inovador em partes de seu ideário, é óbvio que não conseguiu formulá-lo de forma a assegurar uma identidade política. Foi usado, ao longo dos anos, para reciclar imagens de inúmeros agentes políticos conservadores e de práticas completamente arcaicas.
Marina Silva, inteligente e lúcida que é, sabe disso. A ponderação que ela provavelmente esteja fazendo corresponde àquela decisão que o PT tomou quando de sua criação acerca da participação ou não nos carcomidos limites da institucionalidade, a democracia representativa, “democracia burguesa”. Como personagem central de uma eleição presidencial, ela deve estar cogitando a hipótese de atrair energias, pessoas, para renovar o PV e determinar-lhe um ciclo de migração para posicionamentos inovadores. Movimento típico de uma guerreira, uma mulher corajosa e briosa.
Se o PV reciclou imagens de políticos “ruins”, porque uma política íntegra e de seu perfl não poderia reciclar o partido e torná-lo aliado efetivo de movimentos, lutas e projetos de conteúdo efetivamente valiosos? Essa deve ser a pergunta que Marina está se fazendo.
5. Avaliação da candidatura
Se considero a possibilidade da candidatura da Marina perfeitamente legítima, mesmo que pelo PV, considero também que ela sofrerá enormes restrições políticas. O empresariado receia a mudança do padrão produtivo que uma política efetiva de sustentabilidade social e ambiental produziria.
6. Meu anseio
Que o Lula deixasse seu pedestal de 80% de popularidade e se dignasse a chamar a Marina para um diálogo verdadeiro. Um diálogo em que a temática da sustentabiiidade ganhasse status efetivo na campanha sem a necessidade da defecção da Marina. Que a Dilma assumisse algumas obrigações neste sentido e que urgentemente algumas medidas fossem adotadas para mostrar à Marina que não se trata de mera bravata. Mas, acho que nada disso não vai ocorrer.
Então, tenho a impressão de que a Marina sabe que na dinâmica da campanha, o debate que ela vai produzir será mais eficaz para constranger certos posicionamentos que o governo optou por adotar contra a argumentação que ela oferecia. Ela deve julgar mais fácil mudar o PV do que o governo e, por esta razão, creio que sim, sairá do PT, para manter a dinâmica da luta pela sustentabilidade.
7. Concluindo
Assim como causou tristeza a saída do Plínio de Arruda Sampaio do PT, é de se lamentar que o mesmo aconteça com a Marina Silva. Mas, jamais se poderá considerar que ela o faça como alinhamento à baixaria da oposição ou como erro político. Se há erro político, está no governo e no partido que perdem uma militante como Marina Silva.
Comentário meu:
Caro Edmar
O governo Lula sem duvidas optou pela estratégia do "não embate". O "não embate" com os setores economicamente mais privilegiados, com o agronegócio, com a mídia, com o sistema bancário, com os grupos que têm intensamente internacionalizado nossas terras, etc. e tal.
Tivemos avanços? Obviamente tivemos e muitos nas questões sociais. Contudo nenhum desses avanços representou de fato perigo à classe dominante, a não ser na cabeça dos mais reacionários. Bolsa Família, ProUni, sistema de cotas, Luz Para Todos e muitos mais estão aí para provar o quanto o governo Lula se esforçou na questão social, mas repito, sem tocar em interesses da burguesia nacional.
A reforma agrária que poderia mudar a base social e reduzir as diferenças entre as regiões foi abandonada, quando não sabotada, isso nas palavras do próprio MST. Na divisão internacional do trabalho continuamos a ocupar o mesmo espaço que sempre ocupamos, ou seja, de exportador de produtos primários e commodities.
A possível, quase certa, saída de Marina Silva do PT trará essas discussões até então sufocadas ou relegadas ao abrandamento por militantes, filiados e simpatizantes do PT, além, dos movimentos sociais.
Agora, só espero que Marina não seja tão ingênua a ponta de achar que pode mudar o PV. O PV não passa de um partideco de aluguel. Já circula boatos dando conta que Serra gostaria de tê-la como vice. Seria uma jogada e tanto do governador paulista. E aí eu pergunto, qual será a posição de Marina sendo vice-presidente, no caso duma chapa estapafúrdia dessas vingar e vencer as eleições, vendo uma Kátia Abreu ou um Ronaldo Caiado no Ministério da Agricultura???
Coragem é muito importante nessa vida, sobretudo na política, mas coerência é fundamental.
Se Marina acha que pode contribuir para o Brasil postulando a presidência da República então que o faça dentro do PT. Se for derrotada, de longe o mais provável, e achar que ainda pode se apresentar como alternativa, que o faça dentro duma legenda mais séria que o PV-nada difícil encontra essa legenda.
Por último, como você bem salientou, será uma pena depois de ter perdido Plínio de Arruda Sampaio, perder também Marina Silva. Também foi bem lembrado o que sucedeu a Olívio Dutra, sem duvidas um dos melhores quadros que a esquerda brasileira produziu nas últimas décadas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:24 0 comentários
Ao companheiro Arkx
Debate entre eu e Arkx no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/forum/topics/carta-aberta-a-senadora-marina1?page=1&commentId=2189391%3AComment%3A167289&x=1#2189391Comment167289] sobre Marina Silva e a carta aberta que eu a enviei (sem resposta até esse momento)
JOGA FORA DE RELEMBRANÇAS
13/08/09
Oi, minhas filhas queridas:
Não se constrói um arranha-céu sem uma fundação resistente; não se constrói nada em cima do passado, bem sei, mas é preciso ter a sensibilidade aguçada de um espírito poeta para debruçar-se sobre ele e não sucumbir. O passado nos atrai como um grande imã atraindo corpos que não suportam a força magnética da peça imantada. E por que estão lá muitas das lembranças que deixaram marcas saborosas em nossas mentes, voltamos sempre a ele ainda que retornemos ao presente de mãos vazias e de coração mais cicatrizado por feridas sem remédio.
Há uma passagem bíblica que alerta aos jovens, e que pode bem servir a quantos tenham deixado lá atrás hiatos de vida que necessitam ser preenchidos hoje, de alguma forma, que diz:
"Lembrem-se, moços, dos dias de sua mocidade, que Deus lhes Dá, para regozijos, antes que cheguem aqueles dias em que nenhum prazer encontrará neles". Esses devem ser os verdadeiros débitos que têm os homens que deixaram escapar as oportunidades de rejubilarem-se com os seus entes queridos, quando os dias eram ou poderiam ser de felicidade plena. E nos chegam esses "fantasmas", de tempos idos, como um verdadeiro rolo-compressor a nos esmagar; mais nos doem arremetidos às lembranças se nos sentirmos impotentes de reconstruir tudo, à feição de castelos de areia que fazemos e refazemos ao assédios das destruidoras ondas do mar. Ali, à praia, crianças ainda, temos às nossas mãos a matéria prima inacabável - a areia - e a nossa imaginação. O que temos hoje, de concreto e de palpável, que nos dê subsídios a reconstruir aquele passado desmanchado pela ação do Tempo? Vemos mais e mais se distanciando de nós os sons das vozes infantis, alegres e inocentes, os gestos, os sorrisos francos e os brilhos dos olhos, onde bailavam a esperança, as alegrias momentâneas e os sonhos; Ah, que saber tudo isso perdido num átimo do Tempo e no Espaço einsteniano... Embrulhados na relatividade das existências e postos como satélites das coisas começadas e inacabadas.
Terão todos os seres iguais sentimentos? Ou isso é como uma coroa descansando à fronte de um poeta? Um rasgo no cerne incontido de um construtor de sonhos falidos? Essas dúvidas que se entrelaçam em um espírito cansado, funcionam como pesos hercúleos sobre os ombros do poeta? Sofreram, assim, muitos deles, mesmo não sendo susceptíveis aos apelos do passado. Por que retornava Rimbaud ao seu povoado? Por que era impelido para lá? A força irresistível do passado clamava à sua alma continuamente. O poeta alemão Hölderlin foi outra vítima (?) dessa insatisfação, que o compelia passar mais tempo dentro de carruagens, para lá e para cá, como um ébrio. Voltar ou esquecer tudo, apagando à mente sofrida as cenas difusas que se homiziam lá no ponto distante do Tempo? Não me considero poeta, mas sim um construtor falido que, por incúria, esqueceu de calcular bem as bases de sua Vida. Esses seres falidos deveriam ser condenados às galés - se ainda as houvesse - ou à morte de seus pensamentos, em uma alma sem eco a guisa de calabouço eterno. As mãozinhas em salvas de palmas não as merecem eu, mas agradeço a gentileza por enviá-las. Vocês, sim, as merecem porque souberam livrar-se das vestes externas para só ficarem com o que vocês mesmas construíram em suas vidas. A cada uma de conformidade aos seus esforços e voluntáriosas vontades. Eu confesso, diante às suas almas, não passarei de um ancião debruçado ao peitoril de minha janela, que me descortina o nada, mas amplia a perspectiva de um futuro que ignoro como poderá vir a ser.
Estou completando o "joga fora" àqueles sentimentos teimosos e presos à alma, já por demais doloridas. Deus esteja com vocês hoje, amanhã e sempre.
papi Mario
Oi, minhas filhas queridas:
Não se constrói um arranha-céu sem uma fundação resistente; não se constrói nada em cima do passado, bem sei, mas é preciso ter a sensibilidade aguçada de um espírito poeta para debruçar-se sobre ele e não sucumbir. O passado nos atrai como um grande imã atraindo corpos que não suportam a força magnética da peça imantada. E por que estão lá muitas das lembranças que deixaram marcas saborosas em nossas mentes, voltamos sempre a ele ainda que retornemos ao presente de mãos vazias e de coração mais cicatrizado por feridas sem remédio.
Há uma passagem bíblica que alerta aos jovens, e que pode bem servir a quantos tenham deixado lá atrás hiatos de vida que necessitam ser preenchidos hoje, de alguma forma, que diz:
"Lembrem-se, moços, dos dias de sua mocidade, que Deus lhes Dá, para regozijos, antes que cheguem aqueles dias em que nenhum prazer encontrará neles". Esses devem ser os verdadeiros débitos que têm os homens que deixaram escapar as oportunidades de rejubilarem-se com os seus entes queridos, quando os dias eram ou poderiam ser de felicidade plena. E nos chegam esses "fantasmas", de tempos idos, como um verdadeiro rolo-compressor a nos esmagar; mais nos doem arremetidos às lembranças se nos sentirmos impotentes de reconstruir tudo, à feição de castelos de areia que fazemos e refazemos ao assédios das destruidoras ondas do mar. Ali, à praia, crianças ainda, temos às nossas mãos a matéria prima inacabável - a areia - e a nossa imaginação. O que temos hoje, de concreto e de palpável, que nos dê subsídios a reconstruir aquele passado desmanchado pela ação do Tempo? Vemos mais e mais se distanciando de nós os sons das vozes infantis, alegres e inocentes, os gestos, os sorrisos francos e os brilhos dos olhos, onde bailavam a esperança, as alegrias momentâneas e os sonhos; Ah, que saber tudo isso perdido num átimo do Tempo e no Espaço einsteniano... Embrulhados na relatividade das existências e postos como satélites das coisas começadas e inacabadas.
Terão todos os seres iguais sentimentos? Ou isso é como uma coroa descansando à fronte de um poeta? Um rasgo no cerne incontido de um construtor de sonhos falidos? Essas dúvidas que se entrelaçam em um espírito cansado, funcionam como pesos hercúleos sobre os ombros do poeta? Sofreram, assim, muitos deles, mesmo não sendo susceptíveis aos apelos do passado. Por que retornava Rimbaud ao seu povoado? Por que era impelido para lá? A força irresistível do passado clamava à sua alma continuamente. O poeta alemão Hölderlin foi outra vítima (?) dessa insatisfação, que o compelia passar mais tempo dentro de carruagens, para lá e para cá, como um ébrio. Voltar ou esquecer tudo, apagando à mente sofrida as cenas difusas que se homiziam lá no ponto distante do Tempo? Não me considero poeta, mas sim um construtor falido que, por incúria, esqueceu de calcular bem as bases de sua Vida. Esses seres falidos deveriam ser condenados às galés - se ainda as houvesse - ou à morte de seus pensamentos, em uma alma sem eco a guisa de calabouço eterno. As mãozinhas em salvas de palmas não as merecem eu, mas agradeço a gentileza por enviá-las. Vocês, sim, as merecem porque souberam livrar-se das vestes externas para só ficarem com o que vocês mesmas construíram em suas vidas. A cada uma de conformidade aos seus esforços e voluntáriosas vontades. Eu confesso, diante às suas almas, não passarei de um ancião debruçado ao peitoril de minha janela, que me descortina o nada, mas amplia a perspectiva de um futuro que ignoro como poderá vir a ser.
Estou completando o "joga fora" àqueles sentimentos teimosos e presos à alma, já por demais doloridas. Deus esteja com vocês hoje, amanhã e sempre.
papi Mario
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Á ANAMARIA, FILHA VIAJANTE
À Anamaria.
Paródia à letra de uma canção, por mim amada,
Cantada por João Gilberto na década de 60,
Que deu margem ao nome de uma das minhas filhas
Hoje vivendo no Além.
Onde anda Anamaria, que sonha com o mar?
Quem achar Anamaria, por favor, informar;
Onde anda Anamaria ( passeando pelo ar ?),
Ou quem sabe Anamaria esteja ainda a sonhar?
E por que sonha Anamaria, que não quis mais acordar?
Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?
Moça, amada Anamaria, traz de volta o seu andar,
Trás também os seus abraços,
Os seus cabelos e o seu olhar,
Que parado em minha tenda os procuro a chorar...
Traz, ainda, para mim, o seu jeito de falar,
Não fique só a dormir e a sonhar... A dormir e a sonhar...
Onde anda Anamaria, que não pôde mais voltar?
Mas eu digo à minha moça: sairei a procurar
Seu caminho iluminado na estrada estelar...
Sonha, sonha, Anamaria, que eu não a irei despertar.
Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?
Augusto de Moraes
(Morani)
Paródia à letra de uma canção, por mim amada,
Cantada por João Gilberto na década de 60,
Que deu margem ao nome de uma das minhas filhas
Hoje vivendo no Além.
Onde anda Anamaria, que sonha com o mar?
Quem achar Anamaria, por favor, informar;
Onde anda Anamaria ( passeando pelo ar ?),
Ou quem sabe Anamaria esteja ainda a sonhar?
E por que sonha Anamaria, que não quis mais acordar?
Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?
Moça, amada Anamaria, traz de volta o seu andar,
Trás também os seus abraços,
Os seus cabelos e o seu olhar,
Que parado em minha tenda os procuro a chorar...
Traz, ainda, para mim, o seu jeito de falar,
Não fique só a dormir e a sonhar... A dormir e a sonhar...
Onde anda Anamaria, que não pôde mais voltar?
Mas eu digo à minha moça: sairei a procurar
Seu caminho iluminado na estrada estelar...
Sonha, sonha, Anamaria, que eu não a irei despertar.
Você sonha Anamaria com a cor verde do mar?
Augusto de Moraes
(Morani)
RELEMBRANÇAS...
12/08/09
Há muito tempo ando querendo botar fora sentimentos vazios. É uma sensação de final de tempos, de coisas irrecuperáveis, perdidas e não sabidas seus paradeiros. Como começarei a desvendar uma coisa que se acha encaixada a mim e me pesando como algo morto? Difícil me é, sim, porque são sentimentos extramuros por que não dizem respeito às nossas existências, mas às de outros à minha volta. Por exemplo:
Aqui em meu bairro - o Perissê - havia uma "tribo" de alegres jovens que se reunia num dos rodinhos existentes por aqui. Trocavam alegrias e simpatias, participando de jogos de vôlei no meio da rua; estavam juntos, amiúde. Depois, sem quaisquer motivos, se separaram indo todos os quais para o seu lado e no decorrer do tempo mais se distanciavam uns dos outros, até que não restasse mais nem a sombra nem a lembrança daquela "tribo" feliz. Esse é um dos sentimentos que se perderam vazios dentro de mim. Então vejo cada qual de tempos a tempos como se uma grande distância os separasse até mesmo de seus parentes. A rua perdeu a vivacidade, a alacridade e a jovialidade, portanto, que essa "tribo" nos proporcionava aos primeiros dias de nossa chegada ao bairro. Atualmente, o bairro, não, o bairro não, à rua defronte à altura em que ocupo um sobrado, perdeu igualmente os seus jovens que se dissociaram da rua, do bairro e das próprias casas onde moravam. Alguns deles viajaram para além da fronteira de nosso Brasil. Outros assumiram seus papéis de pessoas ocupadas antes do tempo e mal gozaram as regalias de suas adolescências. Não os vemos mais. Perderam-se no Tempo e no Espaço, mas teimam em nadar em nossas lembranças como coisas que uma maré forte as tivesse levado para longe de nossa praia.
Depois... Bem, depois vem àqueles amigos da mocidade, que houve alguns o Tempo e a distância dos fatos levaram longe suas feições e nada deixando como registros de suas presenças. Não vejo mais seus rostos se estou à rua a nada fazer a não ser desejando encontrar um ou outro, ainda esporadicamente, para sentar a uma mesa de bar - que também já não existe mais como antigamente - tomar café, beliscar uma fatia de bolo de milho e botar os assuntos em dia. Nada!
Dava um pulo ao salão de jogos de bilhar e de sinuca que havia à Rua São João, para encher o meu vazio. O ambiente tinha os odores das cervejas, das baforadas de cigarros, do espírito das bebidas capitosas e o som dos choques das pequenas esferas coloridas nas tabelas das mesas ou nas caçapas. Dezenas de desconhecidos passavam os seus tempos por ali, entre um copo e outro, e entre uma tacada e outra. Mas havia os meus conhecidos com os quais repartia o tempo das partidas à boca da caixa registradora do bar do salão. Hoje, nem entro mais. As portas se fecharam. O jogo, de sinuca e de bilhar e mesmo o salão, perdeu para os horários das novelas, dos programas tipo BBB, Fazenda e outros. Há jeito, algum jeito mágico, de recuperar todas essas brilhantes efemérides?
Passo por uma vitrine de loja e de uma só olhada me descobre velho. Aquele vigor de jovem trabalhador e estudante perderam-se igualmente entre tantas outras perdas. O que lamentar mais? As minhas perdas do meu tempo de mocidade ou as perdas de há apenas uma década atrás? Quais machucam mais? Essas ou aquelas? Não sei... Só sei que meus olhos me desvendam ainda tudo o que se acha arquivado na memória quando puxados todos os acontecimentos ao momento presente. Dá-me vontade de vociferar, com raiva mesmo, em meio à rua, o apelo que me morre à garganta: "Amigos, "tribos", jovens, uni-vos enquanto ainda é tempo de saborear as amizades, as presenças de cada qual e, dessa forma, enganando o próprio Tempo e o próprio Espaço montando, de novo, os palcos daquelas coisas que se transmudaram em lembranças vazias, que machucam".
Por último - mas por uma questão cronológica deveria vir em primeiro lugar -, o "quintalzinho de se enrolar". Quintalzinho de se enrolar... Quem diria ainda estivesse como coisa fresca a bailar em minha memória? Não os vemos há mais de 29 anos - aquele pedaço de quintal que ficava atrás do prédio onde moramos por alguns bons anos. Nele as minhas filhas, ainda crianças, brincavam de "enrolar" seus corpinhos pela pequena descida gramada, que terminava junto do muro divisório ao outro terreno vizinho. A inventividade infantil não deveria acabar jamais. As pessoas, já adultas e cheias de responsabilidades, têm obrigação de conservar esse espírito de infância num momento de maior beleza de suas vidas, algumas tão curtas.
Hoje, chegando ao ocaso de minha existência, debruçado ao peitoril de minha janela do sobrado onde moro, olho as ruas de meu bairro e nada vejo. O bairro envelheceu. Nas suas ruas, já não há mais grupos de jovens álacres enchendo as tardes de verão com seus gritos, apupos e alegrias. É um deserto de gente. Um arquipélago sem ilhas não é um arquipélago. É um vazio monstruoso que vem, à moda do bicho-papão, nos assustar com seu silêncio e com a ausência daqueles corpos lépidos abrilhantando as ruas do bairro. Alguém sabe onde fica Passárgadas? É para lá que eu quero ir. Lá, não serei rei, mas é possível que me perca a memória de tudo o que me tem incomodado. "Saudade, torrente de paixão, emoção diferente, que aniquila a Vida da gente... É uma dor que eu não sei de onde vem..." Sei, sim, e muito bem, de onde vem. Vem do fundo de mim mesmo.
Há muito tempo ando querendo botar fora sentimentos vazios. É uma sensação de final de tempos, de coisas irrecuperáveis, perdidas e não sabidas seus paradeiros. Como começarei a desvendar uma coisa que se acha encaixada a mim e me pesando como algo morto? Difícil me é, sim, porque são sentimentos extramuros por que não dizem respeito às nossas existências, mas às de outros à minha volta. Por exemplo:
Aqui em meu bairro - o Perissê - havia uma "tribo" de alegres jovens que se reunia num dos rodinhos existentes por aqui. Trocavam alegrias e simpatias, participando de jogos de vôlei no meio da rua; estavam juntos, amiúde. Depois, sem quaisquer motivos, se separaram indo todos os quais para o seu lado e no decorrer do tempo mais se distanciavam uns dos outros, até que não restasse mais nem a sombra nem a lembrança daquela "tribo" feliz. Esse é um dos sentimentos que se perderam vazios dentro de mim. Então vejo cada qual de tempos a tempos como se uma grande distância os separasse até mesmo de seus parentes. A rua perdeu a vivacidade, a alacridade e a jovialidade, portanto, que essa "tribo" nos proporcionava aos primeiros dias de nossa chegada ao bairro. Atualmente, o bairro, não, o bairro não, à rua defronte à altura em que ocupo um sobrado, perdeu igualmente os seus jovens que se dissociaram da rua, do bairro e das próprias casas onde moravam. Alguns deles viajaram para além da fronteira de nosso Brasil. Outros assumiram seus papéis de pessoas ocupadas antes do tempo e mal gozaram as regalias de suas adolescências. Não os vemos mais. Perderam-se no Tempo e no Espaço, mas teimam em nadar em nossas lembranças como coisas que uma maré forte as tivesse levado para longe de nossa praia.
Depois... Bem, depois vem àqueles amigos da mocidade, que houve alguns o Tempo e a distância dos fatos levaram longe suas feições e nada deixando como registros de suas presenças. Não vejo mais seus rostos se estou à rua a nada fazer a não ser desejando encontrar um ou outro, ainda esporadicamente, para sentar a uma mesa de bar - que também já não existe mais como antigamente - tomar café, beliscar uma fatia de bolo de milho e botar os assuntos em dia. Nada!
Dava um pulo ao salão de jogos de bilhar e de sinuca que havia à Rua São João, para encher o meu vazio. O ambiente tinha os odores das cervejas, das baforadas de cigarros, do espírito das bebidas capitosas e o som dos choques das pequenas esferas coloridas nas tabelas das mesas ou nas caçapas. Dezenas de desconhecidos passavam os seus tempos por ali, entre um copo e outro, e entre uma tacada e outra. Mas havia os meus conhecidos com os quais repartia o tempo das partidas à boca da caixa registradora do bar do salão. Hoje, nem entro mais. As portas se fecharam. O jogo, de sinuca e de bilhar e mesmo o salão, perdeu para os horários das novelas, dos programas tipo BBB, Fazenda e outros. Há jeito, algum jeito mágico, de recuperar todas essas brilhantes efemérides?
Passo por uma vitrine de loja e de uma só olhada me descobre velho. Aquele vigor de jovem trabalhador e estudante perderam-se igualmente entre tantas outras perdas. O que lamentar mais? As minhas perdas do meu tempo de mocidade ou as perdas de há apenas uma década atrás? Quais machucam mais? Essas ou aquelas? Não sei... Só sei que meus olhos me desvendam ainda tudo o que se acha arquivado na memória quando puxados todos os acontecimentos ao momento presente. Dá-me vontade de vociferar, com raiva mesmo, em meio à rua, o apelo que me morre à garganta: "Amigos, "tribos", jovens, uni-vos enquanto ainda é tempo de saborear as amizades, as presenças de cada qual e, dessa forma, enganando o próprio Tempo e o próprio Espaço montando, de novo, os palcos daquelas coisas que se transmudaram em lembranças vazias, que machucam".
Por último - mas por uma questão cronológica deveria vir em primeiro lugar -, o "quintalzinho de se enrolar". Quintalzinho de se enrolar... Quem diria ainda estivesse como coisa fresca a bailar em minha memória? Não os vemos há mais de 29 anos - aquele pedaço de quintal que ficava atrás do prédio onde moramos por alguns bons anos. Nele as minhas filhas, ainda crianças, brincavam de "enrolar" seus corpinhos pela pequena descida gramada, que terminava junto do muro divisório ao outro terreno vizinho. A inventividade infantil não deveria acabar jamais. As pessoas, já adultas e cheias de responsabilidades, têm obrigação de conservar esse espírito de infância num momento de maior beleza de suas vidas, algumas tão curtas.
Hoje, chegando ao ocaso de minha existência, debruçado ao peitoril de minha janela do sobrado onde moro, olho as ruas de meu bairro e nada vejo. O bairro envelheceu. Nas suas ruas, já não há mais grupos de jovens álacres enchendo as tardes de verão com seus gritos, apupos e alegrias. É um deserto de gente. Um arquipélago sem ilhas não é um arquipélago. É um vazio monstruoso que vem, à moda do bicho-papão, nos assustar com seu silêncio e com a ausência daqueles corpos lépidos abrilhantando as ruas do bairro. Alguém sabe onde fica Passárgadas? É para lá que eu quero ir. Lá, não serei rei, mas é possível que me perca a memória de tudo o que me tem incomodado. "Saudade, torrente de paixão, emoção diferente, que aniquila a Vida da gente... É uma dor que eu não sei de onde vem..." Sei, sim, e muito bem, de onde vem. Vem do fundo de mim mesmo.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
BOM NOME - MARINA SILVA - À PRESIDÊNCIA
Na impossibilidade de elegermos a notável ex-senadora Heloisa Helena, minha candidata a qualquer época à Presidência da República pelo PSOL, achei a sua sugestão, meu caro amigo Hudson muito oportuna. Marina Silva, conquanto pertença aos quadros do PT - não daquela ala suja e capaz de todos os meios para alcançar o posto máximo de nossa incipiente República democrática - pode ser um bom nome ao cargo máximo. Veja você que não tenho nada contra o PT desligado a Lula,mas o partido independente e, se possível, longe do PMDB, que se descaracteriza por jamais desejar ser poder, mas ficar à sua sombra mexendo seus "pauzinhos" para levar vantagens.
Sou mais a favor da batalhadora Heloisa Helena, mas daria, sim, meu voto à Marina Silva se eu sentir que ela se deligou umbilicalmente às diretrizes com o espírito do LULA! Sinto dizer, mas esse é um deslumbrado pelo Poder, inebriado pelos elogios de poderosos do Primeiro Mundo, que lhe tocam o "ego vaidoso", mas ao qual não se alojam a palavra e os termos próprios a um Presidente de uma Nação como o Brasil. Veja a discussão dele com alguns de seus Ministros por causa de problemas internos dos países irmãos da América do Sul e que ele, não desejando imitar a truculência imperialista dos norte-americanos, não deseja agir da mesma forma como sempre agiram os Presidentes do país estrelado. Eles têm "cacife"; sempre o tiveram! Lula quer dar um de "estadista" de Primeiro Mundo já, agora! Para tudo há um limite a ser obedecido. Nós, brasileiros, precisamos muito mais que os nossos "hermanos guaranís". Que ao apagar das luzes de seu governo ele volte seus olhos e suas atenções às nossas causas, aos nossos problemas, que não são poucos, e às nossas necessidades que, essas sim,são prementes e devem ter a primazia aos investimentos que estão sendo "exportados" sem nenhum sinal de "dor na consciência".
Um bom nome, o de MARINA SILVA, dentro das perspectivas apontadas por um brasileiro preocupado por tantos desmandos.
7 de Agosto de 2009 17:05
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Sou mais a favor da batalhadora Heloisa Helena, mas daria, sim, meu voto à Marina Silva se eu sentir que ela se deligou umbilicalmente às diretrizes com o espírito do LULA! Sinto dizer, mas esse é um deslumbrado pelo Poder, inebriado pelos elogios de poderosos do Primeiro Mundo, que lhe tocam o "ego vaidoso", mas ao qual não se alojam a palavra e os termos próprios a um Presidente de uma Nação como o Brasil. Veja a discussão dele com alguns de seus Ministros por causa de problemas internos dos países irmãos da América do Sul e que ele, não desejando imitar a truculência imperialista dos norte-americanos, não deseja agir da mesma forma como sempre agiram os Presidentes do país estrelado. Eles têm "cacife"; sempre o tiveram! Lula quer dar um de "estadista" de Primeiro Mundo já, agora! Para tudo há um limite a ser obedecido. Nós, brasileiros, precisamos muito mais que os nossos "hermanos guaranís". Que ao apagar das luzes de seu governo ele volte seus olhos e suas atenções às nossas causas, aos nossos problemas, que não são poucos, e às nossas necessidades que, essas sim,são prementes e devem ter a primazia aos investimentos que estão sendo "exportados" sem nenhum sinal de "dor na consciência".
Um bom nome, o de MARINA SILVA, dentro das perspectivas apontadas por um brasileiro preocupado por tantos desmandos.
7 de Agosto de 2009 17:05
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NÃO TEM PREÇO...
Não Tem Preço
Salário do namorado da Neta de Sarney... R$2,7 mil
Tratamento da mãe de Arthur Virgílio... R$700 mil
Fretamento de jatinhos por Tasso Jereissati... R$469 mil
Patrimônio “oficial” de Renan Calheiros... R$10 milhões
Fortuna “estimada” da família Sarney... R$250 milhões
Ver a direita chafurdar mais e mais na lama dando barraco no Senado, ver Tasso Jereissati chamar Renan Calheiros de “cangaceiro de terceira categoria” e Calheiros retrucar chamando o nobre companheiro de “coronel de merda”...NÃO TEM PREÇO!!!
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/06/renan+aumenta+o+ataque+contra+virgilio+em+plenario+7723995.html
www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com
Salário do namorado da Neta de Sarney... R$2,7 mil
Tratamento da mãe de Arthur Virgílio... R$700 mil
Fretamento de jatinhos por Tasso Jereissati... R$469 mil
Patrimônio “oficial” de Renan Calheiros... R$10 milhões
Fortuna “estimada” da família Sarney... R$250 milhões
Ver a direita chafurdar mais e mais na lama dando barraco no Senado, ver Tasso Jereissati chamar Renan Calheiros de “cangaceiro de terceira categoria” e Calheiros retrucar chamando o nobre companheiro de “coronel de merda”...NÃO TEM PREÇO!!!
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/06/renan+aumenta+o+ataque+contra+virgilio+em+plenario+7723995.html
www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com
MEU FIRME PROPÓSITO AO CONGRESSO
Blogger Blog do Morani disse...
Mais uma vez me vejo forçado a concordar ao que diz em seu comentário o RLocatelli Digital:
Ao colo de quem cair o PMDB em peso, poderá esse contar com a vitória nas urnas. Ao meu modo de ver, caindo ao colo sempre "acolhedor" de Dilma Rousssef, teremos a continuidade do que ai está: um presidente alheio aos problemas do Congresso e só preocupado em aparecer ao cenário mundial desejando "aplicar" U$ 500 milhões no país guaraní esquecendo quanto precisa o Brasil para investimentos a favor do nosso povo; um Congresso que enveredou pelo vício das "gorjetas" polpudas vindas de todas as partes, e muito principalmente do próprio governo Lula. Por isso opinei sobre a possibilidade de "implodir" essa caricatura de Congresso, e nem as carcaças de todos os parlamentares seria de utilidade como "esterco", pois infectariam o solo e as plantas. Ontem, assistimos a "baixaria" de Renan "Canalheiro" e do Tasso, chamado por um jornalista antigo de "Corruptasso" Jereissati! Estão todos bem, muito obrigado - os da oposição e os da situação, pois que mergulham seus "dedos sujos" à mesma botija e ao mesmo tempo, e com os mesmos objetivos. Já cansamos de retóricas, de poses de "bons moços", de mentiras sobre mentiras se essas mentiras veem de cima!
A única "limpeza" que o povo brasileiro aceita é o total "nivelamento", ao chão, do Congresso - essa instituição "caduca", "viciada", "degenerada e degeneradora", "putrefata" e "letal". A Nação sobreviveria muito bem sem essa grei de "vampiros" a sugar todos os recursos dos cofres públicos, que nos pertence mais que a eles!
Sobre Brasília, deveria descer a Mão Justiceira do mesmo Espírito que afogou o exército egipcio; que terminou defenitivamente com o Imperio de 1000 anos do nazismo e que defenestrou Sodoma e Gomorra da face da Terra! Que acabou com a prepotência de Nabucodonosor, fazendo-o pastar como os gados pelos campos da Babilonia!
Para eliminar elementos nocivos, em qualquer campo de atividades humanas, só mesmo critérios rigorosos e sumários.
7 de Agosto de 2009 09:18
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Mais uma vez me vejo forçado a concordar ao que diz em seu comentário o RLocatelli Digital:
Ao colo de quem cair o PMDB em peso, poderá esse contar com a vitória nas urnas. Ao meu modo de ver, caindo ao colo sempre "acolhedor" de Dilma Rousssef, teremos a continuidade do que ai está: um presidente alheio aos problemas do Congresso e só preocupado em aparecer ao cenário mundial desejando "aplicar" U$ 500 milhões no país guaraní esquecendo quanto precisa o Brasil para investimentos a favor do nosso povo; um Congresso que enveredou pelo vício das "gorjetas" polpudas vindas de todas as partes, e muito principalmente do próprio governo Lula. Por isso opinei sobre a possibilidade de "implodir" essa caricatura de Congresso, e nem as carcaças de todos os parlamentares seria de utilidade como "esterco", pois infectariam o solo e as plantas. Ontem, assistimos a "baixaria" de Renan "Canalheiro" e do Tasso, chamado por um jornalista antigo de "Corruptasso" Jereissati! Estão todos bem, muito obrigado - os da oposição e os da situação, pois que mergulham seus "dedos sujos" à mesma botija e ao mesmo tempo, e com os mesmos objetivos. Já cansamos de retóricas, de poses de "bons moços", de mentiras sobre mentiras se essas mentiras veem de cima!
A única "limpeza" que o povo brasileiro aceita é o total "nivelamento", ao chão, do Congresso - essa instituição "caduca", "viciada", "degenerada e degeneradora", "putrefata" e "letal". A Nação sobreviveria muito bem sem essa grei de "vampiros" a sugar todos os recursos dos cofres públicos, que nos pertence mais que a eles!
Sobre Brasília, deveria descer a Mão Justiceira do mesmo Espírito que afogou o exército egipcio; que terminou defenitivamente com o Imperio de 1000 anos do nazismo e que defenestrou Sodoma e Gomorra da face da Terra! Que acabou com a prepotência de Nabucodonosor, fazendo-o pastar como os gados pelos campos da Babilonia!
Para eliminar elementos nocivos, em qualquer campo de atividades humanas, só mesmo critérios rigorosos e sumários.
7 de Agosto de 2009 09:18
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
CAMPO; DOMINAÇÃO, LUTA E VIOLÊNCIA
Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
Entre os diversos temas que permeiam o debate político, econômico e social do Brasil contemporâneo, e se torna discurso corrente principalmente em anos eleitorais, diz respeito à estrutura fundiária nacional, a reforma agrária e os conflitos sociais no campo. Muito já se disse e fora prometido, no entanto, nada se fez e nada se faz.
Apesar de possuir dimensões continentais, o Brasil está entre os países com pior distribuição de terras do mundo. E a distribuição existente é uma das mais desiguais. Para o Geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, o latifúndio e as lutas sociais no campo, não são exclusividades do nosso tempo. Tem suas raízes no modelo de colonização empregado no Brasil pelo rei de Portugal, e durante o processo histórico, tal modelo justificou a posse das grandes propriedades rurais.
Com o sistema de Capitanias Hereditárias, os capitães donatários recebiam uma doação da Coroa portuguesa pela qual se tornavam possuidores e não proprietários de vastas extensões de terras. No entanto, a posse dava aos donatários poderes e direitos sobre o território, dentre eles a doação de sesmarias. Para o Historiador Boris Fausto, reside aí a origem do latifúndio e da concentração de terras no Brasil.
A posse da terra era sinônimo de prestígio, uma afirmação aristocrática. Os primeiros prejudicados e os primeiros a lutarem, foram os indígenas, que viram suas terras serem tomadas e seus costumes dilacerados. Lutaram, mas a luta foi desigual. Nos tempos da escravidão, os negros lutaram contra os grandes fazendeiros pela sua liberdade; luta desigual. Canudos e Contestado, camponeses se revoltaram. Para manter a “ordem” o Estado, coercitivo, reagiu com violência.
As lutas no campo ganham dimensão nacional nas décadas de 1950 – 60, com a formação das Ligas Camponesas e a criação da ULTAB (União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil). No entanto, com a tomada do poder pelos militares em 1964, os líderes foram perseguidos e assassinados.
Política e interesses agrários se misturam. Leis e acordos justificam atitudes. Entre outras, a Lei de Terras (1850): consolidou o latifúndio, o Convênio de Taubaté (1906): privilegiou os cafeicultores, o Estatuto da Terra (1964): jamais aplicado. E a violência? Não só física, mas simbólica: Corumbiara, Eldorado dos Carajás, Pontal do Paranapanema, Chico Mendes, irmã Dorothy Stang e tantos outros...
O que mudou? Nada. Encontramos facilmente pelos rincões deste país inúmeros latifúndios monocultores controlados por grandes grupos capitalistas e por aqueles que controlam. A “bancada ruralista” congrega mais de cem representantes entre deputados e senadores, e constitui o maior grupo de interesses do Congresso Nacional, frutos da UDR.
E ficam as famosas perguntas que nunca se calam: Será que estes nobres deputados e senadores estão dispostos a fazerem a reforma agrária, tão essencial para o desenvolvimento de nosso país? Repartiriam eles as suas terras e as de seus capachos? Votariam leis contra seus interesses? Eu, modestamente, duvido muito. Reformas sociais, tanto no campo como na cidade, estão atreladas a reforma política e na política.
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG. marceloffoliveira@hotmail.com
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
Entre os diversos temas que permeiam o debate político, econômico e social do Brasil contemporâneo, e se torna discurso corrente principalmente em anos eleitorais, diz respeito à estrutura fundiária nacional, a reforma agrária e os conflitos sociais no campo. Muito já se disse e fora prometido, no entanto, nada se fez e nada se faz.
Apesar de possuir dimensões continentais, o Brasil está entre os países com pior distribuição de terras do mundo. E a distribuição existente é uma das mais desiguais. Para o Geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, o latifúndio e as lutas sociais no campo, não são exclusividades do nosso tempo. Tem suas raízes no modelo de colonização empregado no Brasil pelo rei de Portugal, e durante o processo histórico, tal modelo justificou a posse das grandes propriedades rurais.
Com o sistema de Capitanias Hereditárias, os capitães donatários recebiam uma doação da Coroa portuguesa pela qual se tornavam possuidores e não proprietários de vastas extensões de terras. No entanto, a posse dava aos donatários poderes e direitos sobre o território, dentre eles a doação de sesmarias. Para o Historiador Boris Fausto, reside aí a origem do latifúndio e da concentração de terras no Brasil.
A posse da terra era sinônimo de prestígio, uma afirmação aristocrática. Os primeiros prejudicados e os primeiros a lutarem, foram os indígenas, que viram suas terras serem tomadas e seus costumes dilacerados. Lutaram, mas a luta foi desigual. Nos tempos da escravidão, os negros lutaram contra os grandes fazendeiros pela sua liberdade; luta desigual. Canudos e Contestado, camponeses se revoltaram. Para manter a “ordem” o Estado, coercitivo, reagiu com violência.
As lutas no campo ganham dimensão nacional nas décadas de 1950 – 60, com a formação das Ligas Camponesas e a criação da ULTAB (União dos Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil). No entanto, com a tomada do poder pelos militares em 1964, os líderes foram perseguidos e assassinados.
Política e interesses agrários se misturam. Leis e acordos justificam atitudes. Entre outras, a Lei de Terras (1850): consolidou o latifúndio, o Convênio de Taubaté (1906): privilegiou os cafeicultores, o Estatuto da Terra (1964): jamais aplicado. E a violência? Não só física, mas simbólica: Corumbiara, Eldorado dos Carajás, Pontal do Paranapanema, Chico Mendes, irmã Dorothy Stang e tantos outros...
O que mudou? Nada. Encontramos facilmente pelos rincões deste país inúmeros latifúndios monocultores controlados por grandes grupos capitalistas e por aqueles que controlam. A “bancada ruralista” congrega mais de cem representantes entre deputados e senadores, e constitui o maior grupo de interesses do Congresso Nacional, frutos da UDR.
E ficam as famosas perguntas que nunca se calam: Será que estes nobres deputados e senadores estão dispostos a fazerem a reforma agrária, tão essencial para o desenvolvimento de nosso país? Repartiriam eles as suas terras e as de seus capachos? Votariam leis contra seus interesses? Eu, modestamente, duvido muito. Reformas sociais, tanto no campo como na cidade, estão atreladas a reforma política e na política.
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG. marceloffoliveira@hotmail.com
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 16:28
sexta-feira, 31 de julho de 2009
O PT E O PODER, OU, O PODER E O PT
Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
O PT e o Poder, ou, O Poder e o PT
Por Francisco Hugo Vieira de Freitas
O PT já nasceu dividido contra si mesmo. Como, aliás, toda a Esquerda.
A Direita não é um monólito. A Direita é o Poder. No Poder, facções se acomodam e tornam-se monolíticas. A Direita sobrevive fora do Governo, embora prefira estar Governo. Governo pode, vez ou outra, ser o anel que se perde para não se perderem os dedos.
As mais lúcidas mentes anarquistas do século XIX admitiam participação nos governos — nos legislativos —. De onde se pode incomodar, denunciar e minar o Poder.
Capitalista ou comunista, quem está no Poder tem como prioridade única permanecer no Poder. Às vezes, abrem-se, em razão dessa lógica, espaços para novos grupos, facções e interesses. Grupos, facções … por vezes oriundos da Esquerda. O processo é o de cooptação. O Poder corrompe!
O PT já nasceu dividido. No Governo, partes dele se deixaram seduzir pelo Poder. Outras não foram chamadas ou não se conformaram com a divisão das capitanias hereditárias. Admita-se até que houvesse quem, no Governo, pretendesse demolir as seculares — no Brasil — e milenares estruturas do Poder.
Permanecer no Poder não é difícil: bem dosadas, a mentira e a corrupção são suficientes.
Quando grupos, facções forçam adentrarem-se à festa do Poder com amigos e parentes sem convite, um impasse: não há lugar para todos. É a hora do “ranger de dentes”.
A Direita é capaz de um gambito — tipo entregar a peça Sarney — para proteger o Rei.
Quando o menino de Garanhuns foi alçado à Presidência, apresentaram-se à sua tutela nada menos que o Dirceu, o Mercadante, a Marta, o Eduardo…, um ou outro já com um pé na cozinha do Poder.
A Ética sempre foi estranha (alheia) ao Poder e isso se torna flagrante quando grupos que chegam ao governo com discurso ético de imediato se oferecem ao Poder.
Povo é sábio: cuida de sua vida sem aspirações de Poder. Sabe que Polícia e Justiça são instituições criadas para proteger os poderosos. E nem leram a troca de cartas entre o Freud e o Einstein sobre o assunto.
Lula aprendeu que falar em um estádio lotado de metalúrgicos não é a mesma coisa que falar em recinto fechado para executivos de montadoras: são discursos diferentes em tom e em palavras. Tornou-se competente nesse métier.
Afirmar que a Ética não é afim aos sindicatos seria uma tremenda injustiça aos mártires anarcossindicalistas, mas…
Lula não fez uma opção pela Ética. Descartar Marina Silva, Paulo Lacerda, Waldir Pires … não é bom sinal.
Só os neoliberais colhem o que não plantam.
Aos que sonham com um País mais ético — educado, seguro e justo —, é sentir muito: não foi desta vez.
Em tempo: Do Gilmar ao Jô e suas meninas, a Direita está saindo do armário, não está? Há um clima de xeque-mate. Brancas(de olhos azuis) ou pretas?
Francisco Hugo Vieira de Freitas é educador e colaborador constante do Dissolvendo No Ar.
O PT e o Poder, ou, O Poder e o PT
Por Francisco Hugo Vieira de Freitas
O PT já nasceu dividido contra si mesmo. Como, aliás, toda a Esquerda.
A Direita não é um monólito. A Direita é o Poder. No Poder, facções se acomodam e tornam-se monolíticas. A Direita sobrevive fora do Governo, embora prefira estar Governo. Governo pode, vez ou outra, ser o anel que se perde para não se perderem os dedos.
As mais lúcidas mentes anarquistas do século XIX admitiam participação nos governos — nos legislativos —. De onde se pode incomodar, denunciar e minar o Poder.
Capitalista ou comunista, quem está no Poder tem como prioridade única permanecer no Poder. Às vezes, abrem-se, em razão dessa lógica, espaços para novos grupos, facções e interesses. Grupos, facções … por vezes oriundos da Esquerda. O processo é o de cooptação. O Poder corrompe!
O PT já nasceu dividido. No Governo, partes dele se deixaram seduzir pelo Poder. Outras não foram chamadas ou não se conformaram com a divisão das capitanias hereditárias. Admita-se até que houvesse quem, no Governo, pretendesse demolir as seculares — no Brasil — e milenares estruturas do Poder.
Permanecer no Poder não é difícil: bem dosadas, a mentira e a corrupção são suficientes.
Quando grupos, facções forçam adentrarem-se à festa do Poder com amigos e parentes sem convite, um impasse: não há lugar para todos. É a hora do “ranger de dentes”.
A Direita é capaz de um gambito — tipo entregar a peça Sarney — para proteger o Rei.
Quando o menino de Garanhuns foi alçado à Presidência, apresentaram-se à sua tutela nada menos que o Dirceu, o Mercadante, a Marta, o Eduardo…, um ou outro já com um pé na cozinha do Poder.
A Ética sempre foi estranha (alheia) ao Poder e isso se torna flagrante quando grupos que chegam ao governo com discurso ético de imediato se oferecem ao Poder.
Povo é sábio: cuida de sua vida sem aspirações de Poder. Sabe que Polícia e Justiça são instituições criadas para proteger os poderosos. E nem leram a troca de cartas entre o Freud e o Einstein sobre o assunto.
Lula aprendeu que falar em um estádio lotado de metalúrgicos não é a mesma coisa que falar em recinto fechado para executivos de montadoras: são discursos diferentes em tom e em palavras. Tornou-se competente nesse métier.
Afirmar que a Ética não é afim aos sindicatos seria uma tremenda injustiça aos mártires anarcossindicalistas, mas…
Lula não fez uma opção pela Ética. Descartar Marina Silva, Paulo Lacerda, Waldir Pires … não é bom sinal.
Só os neoliberais colhem o que não plantam.
Aos que sonham com um País mais ético — educado, seguro e justo —, é sentir muito: não foi desta vez.
Em tempo: Do Gilmar ao Jô e suas meninas, a Direita está saindo do armário, não está? Há um clima de xeque-mate. Brancas(de olhos azuis) ou pretas?
Francisco Hugo Vieira de Freitas é educador e colaborador constante do Dissolvendo No Ar.
A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA
Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Há anos venho pesquisando sobre o significado da federação no Brasil. Acompanhei pela mídia no início do governo Lula as conversas de Zé Dirceu com alguns cientistas políticos a fim de se elaborar novas formas de divisão, ou subdivisão, federativa, a exemplo do que ocorre na maioria dos países. No entanto o projeto não andou.
Já não bastasse a divisão entre os Três Poderes levada ao pé da letra, o presidencialismo capenga adotado pela Constituição de 1988, os mecanismos que impedem projetos de iniciativa popular e a nossa falta de tradição em consultas populares fora do pleito eleitoral, ainda somos obrigados a conviver com essa aberração que é a pseudo-federação brasileira.
É impossível continuarmos insistindo com unidades federativas tão dispares entre si, com direitos e deveres praticamente idênticos. Essa é inclusive uma das causas de nossa baixa participação popular e empecilho a uma democracia mais avançada. Tratar como iguais o estado de São Paulo e o Piauí, ou então, e pior, o município de São Paulo e Anhangüera-GO com apenas 5 mil habitantes se configura em verdadeiro acinte a democracia.
Uma das propostas que venho formulando é a de abolir as atuais divisões administrativas (estados e municípios) e criar novas com atribuições especificas de acordo com a população e recursos de cada localidade. Assim teríamos, num exemplo aleatório, subdivisões: cidade, freguesia, região metropolitana, sede. E divisões: distritos, que seriam na verdade a federação entre as subdivisões.
Os estados no Brasil foram criados com o intuito de aplacar a sede de poder das oligarquias regionais, não levando em conta as reais necessidades da República. Ao contrário, acabou afastando da população valores republicanos. O sistema de pesos e contrapesos defendido pelos federalistas estadunidenses nunca foi aplicado no Brasil de forma a combater disputas entre facções dentro da União. Estados e Senado sempre usaram pesos e contrapesos contra as reivindicações populares, uma vez que a oligarquia nacional se manteve razoavelmente homogênea ao longo de nossa história. A federação, no caso do Brasil, é algo artificial e sintoma apenas do medo de desintegração do país após a queda do Império, uma vez que não houve participação popular na derrubada do antigo regime e os interesses oligárquicos passaram a ser o interesse do novo regime.
Estados, municípios e Senado Federal formam o mesmo lado da mesma moeda, ou seja, a dos interesses oligárquicos. O pseudo-federalismo brasileiro além de tratar como iguais os diferentes, como já citei acima, também não passa de pseudo por concentrar, de fato, poder e decisões no âmbito da União, castrando os demais entes.
Por tudo isso, acredito que o debate sobre uma reforma política necessariamente tem de ir para muito além de mera reforma eleitoral, mas sim buscar uma reforma na estrutura do Estado brasileiro, realizando concomitante a reforma eleitoral, as reformas administrativa e federativa.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:39 1 comentários
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
No Portal Luis Nassif
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo
Há anos venho pesquisando sobre o significado da federação no Brasil. Acompanhei pela mídia no início do governo Lula as conversas de Zé Dirceu com alguns cientistas políticos a fim de se elaborar novas formas de divisão, ou subdivisão, federativa, a exemplo do que ocorre na maioria dos países. No entanto o projeto não andou.
Já não bastasse a divisão entre os Três Poderes levada ao pé da letra, o presidencialismo capenga adotado pela Constituição de 1988, os mecanismos que impedem projetos de iniciativa popular e a nossa falta de tradição em consultas populares fora do pleito eleitoral, ainda somos obrigados a conviver com essa aberração que é a pseudo-federação brasileira.
É impossível continuarmos insistindo com unidades federativas tão dispares entre si, com direitos e deveres praticamente idênticos. Essa é inclusive uma das causas de nossa baixa participação popular e empecilho a uma democracia mais avançada. Tratar como iguais o estado de São Paulo e o Piauí, ou então, e pior, o município de São Paulo e Anhangüera-GO com apenas 5 mil habitantes se configura em verdadeiro acinte a democracia.
Uma das propostas que venho formulando é a de abolir as atuais divisões administrativas (estados e municípios) e criar novas com atribuições especificas de acordo com a população e recursos de cada localidade. Assim teríamos, num exemplo aleatório, subdivisões: cidade, freguesia, região metropolitana, sede. E divisões: distritos, que seriam na verdade a federação entre as subdivisões.
Os estados no Brasil foram criados com o intuito de aplacar a sede de poder das oligarquias regionais, não levando em conta as reais necessidades da República. Ao contrário, acabou afastando da população valores republicanos. O sistema de pesos e contrapesos defendido pelos federalistas estadunidenses nunca foi aplicado no Brasil de forma a combater disputas entre facções dentro da União. Estados e Senado sempre usaram pesos e contrapesos contra as reivindicações populares, uma vez que a oligarquia nacional se manteve razoavelmente homogênea ao longo de nossa história. A federação, no caso do Brasil, é algo artificial e sintoma apenas do medo de desintegração do país após a queda do Império, uma vez que não houve participação popular na derrubada do antigo regime e os interesses oligárquicos passaram a ser o interesse do novo regime.
Estados, municípios e Senado Federal formam o mesmo lado da mesma moeda, ou seja, a dos interesses oligárquicos. O pseudo-federalismo brasileiro além de tratar como iguais os diferentes, como já citei acima, também não passa de pseudo por concentrar, de fato, poder e decisões no âmbito da União, castrando os demais entes.
Por tudo isso, acredito que o debate sobre uma reforma política necessariamente tem de ir para muito além de mera reforma eleitoral, mas sim buscar uma reforma na estrutura do Estado brasileiro, realizando concomitante a reforma eleitoral, as reformas administrativa e federativa.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:39 1 comentários
Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
No Portal Luis Nassif
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo
MEU COMENTÁRIO SOBRE "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA" de HUDSON L.V.BOAS
Blogger Blog do Morani disse...
31/07/09
Nada como a sabedoria, fruto de pesquisas aprofundadas de um sociólogo, como o amigo de Poços de Caldas, que se joga de corpo e alma nos intrincados meandros de uma pseudo-Federação Brasileira.
Não sou dado à pesquisas por me faltarem meios e normas de como conduzí-las, porém, concordo com tudo o que o amigo disse em seu comentário "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA".
Para se alcançar o seu pensamento, não precisamos nos ombrear aos seus conhecimentos.
Que precisa haver mudanças, não há a menor sombra de dúvida, mesmo que se use de meios drásticos e impositivos - não ditatoriais- mas, antes, é preciso mudar a " cabeça" desse nosso povo infeliz.
31/07/09
Nada como a sabedoria, fruto de pesquisas aprofundadas de um sociólogo, como o amigo de Poços de Caldas, que se joga de corpo e alma nos intrincados meandros de uma pseudo-Federação Brasileira.
Não sou dado à pesquisas por me faltarem meios e normas de como conduzí-las, porém, concordo com tudo o que o amigo disse em seu comentário "A PSEUDO-FEDERAÇÃO BRASILEIRA".
Para se alcançar o seu pensamento, não precisamos nos ombrear aos seus conhecimentos.
Que precisa haver mudanças, não há a menor sombra de dúvida, mesmo que se use de meios drásticos e impositivos - não ditatoriais- mas, antes, é preciso mudar a " cabeça" desse nosso povo infeliz.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
POSTADA NO PORTAL LUIZ NASSIF
Questão postada no Portal Luis Nassif [http://blogln.ning.com/] pelo associado João Sidney Pontes:
"Eu sou a favor de mudar o sistema bicameral para unicameral,extinguindo o senado federal, já imaginou a economia por ano para o país? Que poderia ser revertido para a educação, saúde, infraestrutura e outras áreas."
Curta resposta deixada por mim:
O problema não são apenas os bilhões que custam à manutenção do Senado Federal. Um regime democrático não é barato, no entanto é mais transparente que qualquer ditadura. O problema está sim no que representa o Senado. Numa federação como os EEUU com forte tradição de autonomia entre os entes federativos e onde a própria União foi resultado, a princípio, dos interesses políticos das Treze ex-Colônias recém independentes da Inglaterra (vale lembrar que as Treze Colônias não possuíam vínculo político entre si) o sistema bicameral, com a Câmara dos Representantes representando o povo e o Senado Federal representando os estados, faz todo o sentido. Mas no Brasil onde primeiro foi estabelecido o Estado e esse se incumbiu de criar os entes federativos, não faz qualquer sentido. Os estados brasileiros foram criados com o intuito de arrefecer as disputas pelo poder central ao mesmo tempo em que garantiam força às oligarquias regionais. Desde o Império não temos nenhuma tradição federativa, basta ver nas seguidas Constituições o que de fato cabe aos estados (à época do Império províncias) e o que cabe à União. Sempre fomos um Estado com o poder fortemente centralizado. Os poucos aspectos que poderiam nos dar um caráter federativo são insuficientes e raquíticos. Portanto qual a verdadeira finalidade de se manter um sistema bicameral? Poderia se afirmar que nossa Câmara Alta trata-se na verdade duma casa revisora com poderes alheios aos da Câmara Baixa. O que é mentira, pois na verdade há uma sobreposição de funções entre ambas. No mais, por sua gênese, o Senado brasileiro se configura cada vez mais em trava às demandas populares e mais progressistas, o ranço das oligarquias continua vivo. Vemos no Brasil duas casas distintas. Uma, Câmara dos Deputados com todos os problemas que lhe são pertinentes, mais propensa ao debate e aos anseios populares ou de grupos da sociedade civil organizada. Outra, Senado Federal, conservadora e fiel mantedora dos vícios oligárquicos e corporativistas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:21
"Eu sou a favor de mudar o sistema bicameral para unicameral,extinguindo o senado federal, já imaginou a economia por ano para o país? Que poderia ser revertido para a educação, saúde, infraestrutura e outras áreas."
Curta resposta deixada por mim:
O problema não são apenas os bilhões que custam à manutenção do Senado Federal. Um regime democrático não é barato, no entanto é mais transparente que qualquer ditadura. O problema está sim no que representa o Senado. Numa federação como os EEUU com forte tradição de autonomia entre os entes federativos e onde a própria União foi resultado, a princípio, dos interesses políticos das Treze ex-Colônias recém independentes da Inglaterra (vale lembrar que as Treze Colônias não possuíam vínculo político entre si) o sistema bicameral, com a Câmara dos Representantes representando o povo e o Senado Federal representando os estados, faz todo o sentido. Mas no Brasil onde primeiro foi estabelecido o Estado e esse se incumbiu de criar os entes federativos, não faz qualquer sentido. Os estados brasileiros foram criados com o intuito de arrefecer as disputas pelo poder central ao mesmo tempo em que garantiam força às oligarquias regionais. Desde o Império não temos nenhuma tradição federativa, basta ver nas seguidas Constituições o que de fato cabe aos estados (à época do Império províncias) e o que cabe à União. Sempre fomos um Estado com o poder fortemente centralizado. Os poucos aspectos que poderiam nos dar um caráter federativo são insuficientes e raquíticos. Portanto qual a verdadeira finalidade de se manter um sistema bicameral? Poderia se afirmar que nossa Câmara Alta trata-se na verdade duma casa revisora com poderes alheios aos da Câmara Baixa. O que é mentira, pois na verdade há uma sobreposição de funções entre ambas. No mais, por sua gênese, o Senado brasileiro se configura cada vez mais em trava às demandas populares e mais progressistas, o ranço das oligarquias continua vivo. Vemos no Brasil duas casas distintas. Uma, Câmara dos Deputados com todos os problemas que lhe são pertinentes, mais propensa ao debate e aos anseios populares ou de grupos da sociedade civil organizada. Outra, Senado Federal, conservadora e fiel mantedora dos vícios oligárquicos e corporativistas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:21
terça-feira, 28 de julho de 2009
A MÍDIA E A BANALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO
Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
“Ninguém escapa da educação”, nos recorda e alerta Carlos Rodrigues Brandão (1). Acompanhamos diariamente um discurso, que se torna cada vez mais discurso, tanto na mídia como na política, a temática: Educação. Educação como aporte para um futuro melhor. E sabemos disso. Sabemos o quanto uma educação progressista, humanista, libertadora e de qualidade é capaz de tirar as amarras e as vendas da juventude brasileira.
No entanto, a mídia que se diz apoiadora de uma educação qualitativa, em contrapartida, a apresenta em horário nobre da TV aberta brasileira com o estereótipo de uma “escola muito louca”.
Levei este debate para a sala de aula. Meus alunos, do primeiro ano do Ensino Médio, não gostaram das comparações. Afinal, o que esta escola muito louca quer mostrar? Será que nossa educação é assim? É essa a imagem da Educação brasileira? Se for, estamos fadados ao fracasso...
Ao apresentar uma escola desta forma, a mídia brasileira mais uma vez (Escolinha do Professor Raimundo, Escolinha do Golias), não está contribuindo em nada para a melhoria da educação. Aliás, penso eu, banaliza.
Um bando de alunos idiotas (opinião minha e de meus alunos), respondem a questionários pedagogicamente sem sentido. Os tipos são mal representados. O atleta, o funkeiro e o marginal. Banalizam as mulheres: muito corpo, pouca roupa e pouco cérebro. O chinês é o contrabandista, além do CDF, é claro.
O barato é fazer rir. Rir do professor, classe profissional que luta diariamente para recuperar seu prestígio na sociedade. Sidney Magal nos representa, e encerra sua aula dizendo: “eu poderia só cantar...”, como se educar fosse um passatempo, uma tarefa aparte. O que pensaria nosso grande mestre Paulo Freire...
Não possuímos uma educação perfeita, temos muito que melhorar. E muitos professores comprometidos lutam diariamente para isso. Para tanto, a grande mídia, que se diz tão incentivadora de uma educação de qualidade, poderia abrir espaços para debates consistentes e produções criativas sobre os mais diversos temas, e não nos apresentar como um bando de tolos.
Não somos assim; e o perigo se encontra na formação de opinião. Eles têm esse poder manipulador. E se querem nos apresentar desta forma, lutaremos contra; sempre.
Professores e alunos comprometidos com uma EDUCAÇÃO de qualidade, uni-vos!
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG
marceloffoliveira@hotmail.com
(1) Brandão, Carlos Rodrigues. O que é educação – SP: Brasiliense; 2005
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:17
Por Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira
“Ninguém escapa da educação”, nos recorda e alerta Carlos Rodrigues Brandão (1). Acompanhamos diariamente um discurso, que se torna cada vez mais discurso, tanto na mídia como na política, a temática: Educação. Educação como aporte para um futuro melhor. E sabemos disso. Sabemos o quanto uma educação progressista, humanista, libertadora e de qualidade é capaz de tirar as amarras e as vendas da juventude brasileira.
No entanto, a mídia que se diz apoiadora de uma educação qualitativa, em contrapartida, a apresenta em horário nobre da TV aberta brasileira com o estereótipo de uma “escola muito louca”.
Levei este debate para a sala de aula. Meus alunos, do primeiro ano do Ensino Médio, não gostaram das comparações. Afinal, o que esta escola muito louca quer mostrar? Será que nossa educação é assim? É essa a imagem da Educação brasileira? Se for, estamos fadados ao fracasso...
Ao apresentar uma escola desta forma, a mídia brasileira mais uma vez (Escolinha do Professor Raimundo, Escolinha do Golias), não está contribuindo em nada para a melhoria da educação. Aliás, penso eu, banaliza.
Um bando de alunos idiotas (opinião minha e de meus alunos), respondem a questionários pedagogicamente sem sentido. Os tipos são mal representados. O atleta, o funkeiro e o marginal. Banalizam as mulheres: muito corpo, pouca roupa e pouco cérebro. O chinês é o contrabandista, além do CDF, é claro.
O barato é fazer rir. Rir do professor, classe profissional que luta diariamente para recuperar seu prestígio na sociedade. Sidney Magal nos representa, e encerra sua aula dizendo: “eu poderia só cantar...”, como se educar fosse um passatempo, uma tarefa aparte. O que pensaria nosso grande mestre Paulo Freire...
Não possuímos uma educação perfeita, temos muito que melhorar. E muitos professores comprometidos lutam diariamente para isso. Para tanto, a grande mídia, que se diz tão incentivadora de uma educação de qualidade, poderia abrir espaços para debates consistentes e produções criativas sobre os mais diversos temas, e não nos apresentar como um bando de tolos.
Não somos assim; e o perigo se encontra na formação de opinião. Eles têm esse poder manipulador. E se querem nos apresentar desta forma, lutaremos contra; sempre.
Professores e alunos comprometidos com uma EDUCAÇÃO de qualidade, uni-vos!
Marcelo Fernandes Fonseca de Oliveira é Professor de História e Geografia da rede pública estadual de Poços de Caldas – MG
marceloffoliveira@hotmail.com
(1) Brandão, Carlos Rodrigues. O que é educação – SP: Brasiliense; 2005
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:17
sexta-feira, 24 de julho de 2009
O GRANDE CIRCO DA DEMOCRACIA
Blogger Blog do Morani disse...
O Senado é um palco onde todo dia é "ensenado" um espetáculo circense; palhaços não faltam ao sucesso da mostra, pelo contrário: sobram. A Câmara é o "camarim" onde se prepara os futuros "clowns" do Congresso. O dinheiro do povo paga muitíssimo bem a esses galhofeiros; uns se fazem eternos: não largam os bastidores por nada deste mundo. Claro... Por que deixar uma "carniça" com a qual outras hienas podem se fartar até que se empanturrem a mais não poder?
PODER? Eis o vinho embriagador à disposição das imensa "troupe".
Será um circo, uma arena de combates pérfidos ou um carroção de saltimbancos ridículos, esse Senado? O Reizinho deveria ir para o calabouço dessa Casa de Horrores. Lá a sua voz não serviria como ensino a nenhum só brasileiro. Implodamos o Congresso e construamos no local uma nova Bastilha e, defronte, uma Praça da Guilhotina; que se comece uma nova Revolução, com centenas de cabeças a rolar para o cesto do lixo. É a saída para o momento atual. Quem não achar essa uma boa solução, que continue a co-participar de uma farsa sem termo.
24 de Julho de 2009 19:51
O Senado é um palco onde todo dia é "ensenado" um espetáculo circense; palhaços não faltam ao sucesso da mostra, pelo contrário: sobram. A Câmara é o "camarim" onde se prepara os futuros "clowns" do Congresso. O dinheiro do povo paga muitíssimo bem a esses galhofeiros; uns se fazem eternos: não largam os bastidores por nada deste mundo. Claro... Por que deixar uma "carniça" com a qual outras hienas podem se fartar até que se empanturrem a mais não poder?
PODER? Eis o vinho embriagador à disposição das imensa "troupe".
Será um circo, uma arena de combates pérfidos ou um carroção de saltimbancos ridículos, esse Senado? O Reizinho deveria ir para o calabouço dessa Casa de Horrores. Lá a sua voz não serviria como ensino a nenhum só brasileiro. Implodamos o Congresso e construamos no local uma nova Bastilha e, defronte, uma Praça da Guilhotina; que se comece uma nova Revolução, com centenas de cabeças a rolar para o cesto do lixo. É a saída para o momento atual. Quem não achar essa uma boa solução, que continue a co-participar de uma farsa sem termo.
24 de Julho de 2009 19:51
quinta-feira, 23 de julho de 2009
OS RESQUÍCIOS DE UM INFERNO
Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Por Tiago Barbosa Mafra
Em 20 de Julho de 1944 o Coronel Conde Claus von Stauffenberg, oficial do exército alemão em guerra, malogrou na mais famosa entre tantas tentativas de assassinato a Hitler. Era o sinal de que nem todo o povo alemão estava de acordo com as atrocidades colocadas em prática antes e durante o conflito. Pouco menos de um ano depois estava acabada a guerra na Europa e Hitler suicidou-se. Mas morreu com ele o nazismo?
Infelizmente é perceptível que não. Com a fuga dos políticos e militares sobreviventes, ou mesmo através de obras escritas propagadas indevida e ilegalmente pelo mundo, tem-se uma continuidade das idéias racistas, discriminatórias e intolerantes em relação a tudo considerado diferente do padrão “branco alemão”, o ariano puro.
Até mesmo no Brasil, nos meios de comunicação virtual atuais, milhares e milhares de portais virtuais e blogs difundem idéias que se esperava estivessem esquecidas. E pasmem leitores: aqui mesmo em nossa cidade, Poços de Caldas, vivenciei esta semana a facilidade com que esses verdadeiros crimes se mantêm em andamento.
Ao buscar algumas obras de interesses para minhas pesquisas, me deparei com dois exemplares do livro Holocausto: judeu ou alemão?, de Siegfried Ellwager Castan, conhecido e repudiado no meio acadêmico como S. E. Castan. Desde 1986, Castan é denunciado pelos Movimentos Populares Anti-Racismo do Rio Grande do Sul, sendo que em 1991 o Ministério Público determinou a busca e apreensão de todos os títulos publicados pela Editora Revisão (da qual Castan é proprietário), incluindo o livro acima citado.
O que não consigo compreender é como essas obras ilegais e revisionistas, de cunho nazista, continuam à disposição da população e principalmente e mais preocupante, ao alcance da juventude, em uma das maiores bibliotecas do município, a Biblioteca Centenário, locada no prédio da Urca.
Encaminhei um pedido de retirada dos livros para a administração das bibliotecas e creio que as devidas medidas estejam sendo tomadas. O que mais me assusta, como cidadão e educador, é saber que em tempos de crises e dificuldades, propostas de soluções rápidas e eficazes sempre fascinam a juventude. E o que nós menos precisamos agora é dotar o povo, já massificado pelos meios de comunicação e obrigados a pensar mais rápido e não a pensar melhor, com posicionamentos intolerantes, de aversão a tudo que não é considerado superior.
Todo cuidado é pouco. O chefe da propaganda nazista dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Foi assim que eles procederam. E é contra essas mentiras que devemos lutar.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:43 2 comentários
Por Tiago Barbosa Mafra
Em 20 de Julho de 1944 o Coronel Conde Claus von Stauffenberg, oficial do exército alemão em guerra, malogrou na mais famosa entre tantas tentativas de assassinato a Hitler. Era o sinal de que nem todo o povo alemão estava de acordo com as atrocidades colocadas em prática antes e durante o conflito. Pouco menos de um ano depois estava acabada a guerra na Europa e Hitler suicidou-se. Mas morreu com ele o nazismo?
Infelizmente é perceptível que não. Com a fuga dos políticos e militares sobreviventes, ou mesmo através de obras escritas propagadas indevida e ilegalmente pelo mundo, tem-se uma continuidade das idéias racistas, discriminatórias e intolerantes em relação a tudo considerado diferente do padrão “branco alemão”, o ariano puro.
Até mesmo no Brasil, nos meios de comunicação virtual atuais, milhares e milhares de portais virtuais e blogs difundem idéias que se esperava estivessem esquecidas. E pasmem leitores: aqui mesmo em nossa cidade, Poços de Caldas, vivenciei esta semana a facilidade com que esses verdadeiros crimes se mantêm em andamento.
Ao buscar algumas obras de interesses para minhas pesquisas, me deparei com dois exemplares do livro Holocausto: judeu ou alemão?, de Siegfried Ellwager Castan, conhecido e repudiado no meio acadêmico como S. E. Castan. Desde 1986, Castan é denunciado pelos Movimentos Populares Anti-Racismo do Rio Grande do Sul, sendo que em 1991 o Ministério Público determinou a busca e apreensão de todos os títulos publicados pela Editora Revisão (da qual Castan é proprietário), incluindo o livro acima citado.
O que não consigo compreender é como essas obras ilegais e revisionistas, de cunho nazista, continuam à disposição da população e principalmente e mais preocupante, ao alcance da juventude, em uma das maiores bibliotecas do município, a Biblioteca Centenário, locada no prédio da Urca.
Encaminhei um pedido de retirada dos livros para a administração das bibliotecas e creio que as devidas medidas estejam sendo tomadas. O que mais me assusta, como cidadão e educador, é saber que em tempos de crises e dificuldades, propostas de soluções rápidas e eficazes sempre fascinam a juventude. E o que nós menos precisamos agora é dotar o povo, já massificado pelos meios de comunicação e obrigados a pensar mais rápido e não a pensar melhor, com posicionamentos intolerantes, de aversão a tudo que não é considerado superior.
Todo cuidado é pouco. O chefe da propaganda nazista dizia: “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade”. Foi assim que eles procederam. E é contra essas mentiras que devemos lutar.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:43 2 comentários
TUDO PODE SE REPETIR
Blogger Blog do Morani disse...
Cappacete, não é assim tão fácil. A Alemanha - pré-Hitler - de 1914/1918 - estava arrasada e sob o rígido contrôle de um Tratado de Versalhes imposto pelos aliados vitoriosos.
Fruto de um governo fraco na Alemanha pós-guerra, Adolf Hitler surgia para o mundo político através de um golpe inteligente dentro de uma cervejaria da Bavaria. Os nacionais-socialistas conseguiram impor aquele austríaco como Ministro e, posteriormente, Primeiro Ministro. Ele se cercou de homens fiéis e prontos a agirem como lhes ordenava o do bigodinho famoso. Um deles se chamava Himmler - seu diretor de propaganda à implantação do nazismo no governo de Hitler. O Brasil anda de tal modo capenga com escândalos semanais, patifarias, locupletação de ganhos extraordinários, sub-emprego e desemprego, falta de moradia e com um PAC mal administrado, com mentiras e máscaras blindáveis àqueles escândalos, que cheiram muito mal, que pode se tornar presa de um grupo de jovens sonhadores como o são esses neo-nazistas. Himmler não era homem de bela estatura, não impressionava por sua beleza ariana nem por sua verve, que era tímida, mas fez o que fez: de um pesadêlo um grande sonho de uma Alemanha dominando o mundo por 1000 anos. Seria a raça ariana a única a sobreviver por aquele período. No dia em que esses jovens sonhadores neo-nazistas tocarem na ferida do povo brasileiro, milhares e milhões se denominarão "brancos puros"ou "elite privilegiada" exigindo mudanças e engrossando esse sonho que poderá se tornar pesadêlo, mas, pesadêlo por pesadêlo, nós já vivemos, há muito, pesadêlos sem termo. Eis o coquetel para a implantação de uma filosofia de "cara nova", que começa entre os jovens e se espalha pelos infelizes sem quaisquer esperanças a uma vida digna.
23 de Julho de 2009 18:34
Cappacete, não é assim tão fácil. A Alemanha - pré-Hitler - de 1914/1918 - estava arrasada e sob o rígido contrôle de um Tratado de Versalhes imposto pelos aliados vitoriosos.
Fruto de um governo fraco na Alemanha pós-guerra, Adolf Hitler surgia para o mundo político através de um golpe inteligente dentro de uma cervejaria da Bavaria. Os nacionais-socialistas conseguiram impor aquele austríaco como Ministro e, posteriormente, Primeiro Ministro. Ele se cercou de homens fiéis e prontos a agirem como lhes ordenava o do bigodinho famoso. Um deles se chamava Himmler - seu diretor de propaganda à implantação do nazismo no governo de Hitler. O Brasil anda de tal modo capenga com escândalos semanais, patifarias, locupletação de ganhos extraordinários, sub-emprego e desemprego, falta de moradia e com um PAC mal administrado, com mentiras e máscaras blindáveis àqueles escândalos, que cheiram muito mal, que pode se tornar presa de um grupo de jovens sonhadores como o são esses neo-nazistas. Himmler não era homem de bela estatura, não impressionava por sua beleza ariana nem por sua verve, que era tímida, mas fez o que fez: de um pesadêlo um grande sonho de uma Alemanha dominando o mundo por 1000 anos. Seria a raça ariana a única a sobreviver por aquele período. No dia em que esses jovens sonhadores neo-nazistas tocarem na ferida do povo brasileiro, milhares e milhões se denominarão "brancos puros"ou "elite privilegiada" exigindo mudanças e engrossando esse sonho que poderá se tornar pesadêlo, mas, pesadêlo por pesadêlo, nós já vivemos, há muito, pesadêlos sem termo. Eis o coquetel para a implantação de uma filosofia de "cara nova", que começa entre os jovens e se espalha pelos infelizes sem quaisquer esperanças a uma vida digna.
23 de Julho de 2009 18:34
quinta-feira, 16 de julho de 2009
A DEMOCRACIA DA MINORIA
Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
A Democracia da Minoria
Por Marcelo Fonseca
A organização social e política do Brasil, que fora e continua sendo ideologicamente construída, possui vestígios de uma sociedade que, segundo Marilena Chauí, “é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social (...) fortemente verticalizado”. Ou seja, as relações entre os grupos sociais são e estão estabelecidas da seguinte forma: “um superior que manda e um inferior que obedece”. (1)
Raymundo Faoro, salienta que o poder efetivo de comando prevalece a mercê de uma pequena parcela da sociedade. Diz: “o estamento, quadro administrativo e estado-maior de domínio, configura o governo de uma minoria (...), o efetivo comando da sociedade, não se determina pela maioria, mas pela minoria, que a pretexto de representar o povo, o controla, deturpa e sufoca”. (2)
Vivemos em pleno o século XXI, o ranço de uma herança senhorial, marcada pelo conservadorismo paternalista da minoria. E o povo? Percebemos historicamente, a mínima participação das camadas populares nos eventos econômicos, sociais e políticos do Brasil. Juntamente com a escravidão, são fatores, que de certa forma, nortearão a formação do Estado Nacional Brasileiro. Vejamos alguns exemplos na História.
Revoltas ocorridas no Brasil nos séculos XVII e XVIII, nativistas ou separatistas, como Beckman, Mascates, Felipe dos Santos, foram lideradas pela elite colonial. Emilia Viotti da Costa nos mostra que “entre os Inconfidentes, a maioria era composta de proprietários e altos funcionários”. Na Conjuração Baiana, a participação popular foi um pouco mais numerosa, porem, o grupo dominante era “constituído por elementos instruídos e de recursos, e figuras importantes da sociedade”. (3)
Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no inicio do século XIX, a autoridade política dos grandes proprietários aumenta. Por estarem geograficamente afastados do núcleo político nacional, a cidade do Rio de Janeiro, controlavam e direcionavam o poder local. Segundo Maria Isaura de Queiroz, “os senhores de engenho do Nordeste e os fazendeiros do Vale do Paraíba, estabelecidos há mais tempo na política, detinham o poder”. (4) A aristocracia brasileira comandava as Câmaras Municipais, controlavam a vida de seus subordinados e faziam leis em beneficio próprio.
As vésperas da Independência, diante das contradições e do choque de interesses dos controladores do poder, prevaleceram segundo Caio Prado Junior, as intenções do Partido Brasileiro. Para o autor, o Partido Brasileiro “representava as classes superiores da colônia, grandes proprietários e seus aliados”. (5) E o povo?
Durante a Proclamação da República o povo assistia a tudo “bestializado”; (6) na chamada República Velha, fraudes e interesses econômicos mantinham a elite no poder. Quando reformas de base estavam previstas, militares, com discurso de defender a honra da pátria contra o comunismo, mas aliados a burguesia nacional, assumem o poder. Adeus reformas... Adeus democracia.... E o povo?
Percebemos, a partir desta pequena amostra, que nos principais momentos da História do Brasil, a participação popular fora diminuta. A camada mais baixa da população esteve e está suprimida em nome dos interesses de uma minoria. Interesses disfarçados de democracia, mas para quem? Revoltas populares ocorreram, porem eram localizadas e facilmente controladas.A dominação social prevalece. A política local, principalmente no interior ainda é controlada por oligarquias que dominam determinadas regiões do Brasil. O trânsito de tais oligarquias na capital federal é livre; manda e desmandam. Sarneys, Magalhães.....Vivemos orquestrados sob a batuta da democracia de poucos. Poucos podem, poucos fazem. Eles regem nossa vida, e se dizem democráticos; fazem leis em benéfico próprio e desrespeitam o primeiro artigo de nossa Constituição: “Todo poder emana do povo”.
CHAUÍ, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária – São Paulo: Perseu Abramo; 2007.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro – São Paulo: Globo, 1997. vol 1.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia a República: momentos decisivos – São Paulo: Brasiliense, 1994
QUEIROZ, Maria Isaura. O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios – São Paulo: Alfa - Omega, 1976
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos – São Paulo: Brasilense, 1994
CARVALHO, Jose Murilo. Os bestializados – São Paulo: Companhia das Letras, 1987
Marcelo Fonseca é professor de História e Geografia, e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
A Democracia da Minoria
Por Marcelo Fonseca
A organização social e política do Brasil, que fora e continua sendo ideologicamente construída, possui vestígios de uma sociedade que, segundo Marilena Chauí, “é marcada pela estrutura hierárquica do espaço social (...) fortemente verticalizado”. Ou seja, as relações entre os grupos sociais são e estão estabelecidas da seguinte forma: “um superior que manda e um inferior que obedece”. (1)
Raymundo Faoro, salienta que o poder efetivo de comando prevalece a mercê de uma pequena parcela da sociedade. Diz: “o estamento, quadro administrativo e estado-maior de domínio, configura o governo de uma minoria (...), o efetivo comando da sociedade, não se determina pela maioria, mas pela minoria, que a pretexto de representar o povo, o controla, deturpa e sufoca”. (2)
Vivemos em pleno o século XXI, o ranço de uma herança senhorial, marcada pelo conservadorismo paternalista da minoria. E o povo? Percebemos historicamente, a mínima participação das camadas populares nos eventos econômicos, sociais e políticos do Brasil. Juntamente com a escravidão, são fatores, que de certa forma, nortearão a formação do Estado Nacional Brasileiro. Vejamos alguns exemplos na História.
Revoltas ocorridas no Brasil nos séculos XVII e XVIII, nativistas ou separatistas, como Beckman, Mascates, Felipe dos Santos, foram lideradas pela elite colonial. Emilia Viotti da Costa nos mostra que “entre os Inconfidentes, a maioria era composta de proprietários e altos funcionários”. Na Conjuração Baiana, a participação popular foi um pouco mais numerosa, porem, o grupo dominante era “constituído por elementos instruídos e de recursos, e figuras importantes da sociedade”. (3)
Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no inicio do século XIX, a autoridade política dos grandes proprietários aumenta. Por estarem geograficamente afastados do núcleo político nacional, a cidade do Rio de Janeiro, controlavam e direcionavam o poder local. Segundo Maria Isaura de Queiroz, “os senhores de engenho do Nordeste e os fazendeiros do Vale do Paraíba, estabelecidos há mais tempo na política, detinham o poder”. (4) A aristocracia brasileira comandava as Câmaras Municipais, controlavam a vida de seus subordinados e faziam leis em beneficio próprio.
As vésperas da Independência, diante das contradições e do choque de interesses dos controladores do poder, prevaleceram segundo Caio Prado Junior, as intenções do Partido Brasileiro. Para o autor, o Partido Brasileiro “representava as classes superiores da colônia, grandes proprietários e seus aliados”. (5) E o povo?
Durante a Proclamação da República o povo assistia a tudo “bestializado”; (6) na chamada República Velha, fraudes e interesses econômicos mantinham a elite no poder. Quando reformas de base estavam previstas, militares, com discurso de defender a honra da pátria contra o comunismo, mas aliados a burguesia nacional, assumem o poder. Adeus reformas... Adeus democracia.... E o povo?
Percebemos, a partir desta pequena amostra, que nos principais momentos da História do Brasil, a participação popular fora diminuta. A camada mais baixa da população esteve e está suprimida em nome dos interesses de uma minoria. Interesses disfarçados de democracia, mas para quem? Revoltas populares ocorreram, porem eram localizadas e facilmente controladas.A dominação social prevalece. A política local, principalmente no interior ainda é controlada por oligarquias que dominam determinadas regiões do Brasil. O trânsito de tais oligarquias na capital federal é livre; manda e desmandam. Sarneys, Magalhães.....Vivemos orquestrados sob a batuta da democracia de poucos. Poucos podem, poucos fazem. Eles regem nossa vida, e se dizem democráticos; fazem leis em benéfico próprio e desrespeitam o primeiro artigo de nossa Constituição: “Todo poder emana do povo”.
CHAUÍ, Marilena. Brasil: mito fundador e sociedade autoritária – São Paulo: Perseu Abramo; 2007.
FAORO, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro – São Paulo: Globo, 1997. vol 1.
COSTA, Emilia Viotti. Da Monarquia a República: momentos decisivos – São Paulo: Brasiliense, 1994
QUEIROZ, Maria Isaura. O mandonismo local na vida política brasileira e outros ensaios – São Paulo: Alfa - Omega, 1976
PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil e outros estudos – São Paulo: Brasilense, 1994
CARVALHO, Jose Murilo. Os bestializados – São Paulo: Companhia das Letras, 1987
Marcelo Fonseca é professor de História e Geografia, e companheiro de lutas populares aqui em Poços de Caldas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:38
A DEMOCRACIA DAS ELITES BRASILEIRAS
16/07/09
Raymundo Faoro analisa e adverte aos que passam à Vida as brancas nuvens da indiferença desligados aos elos das acuradas atenções aos fenômenos impostos pela minoria. Concordo plenamente! É outra maneira de expressar o pensamento lúcido de Marilena Chauí, e a de secundar o pensamento geral do autor - Marcelo Fonseca.
O 5°. tópico tem seu "espírito" abordado exaustivamente por José Lins do Rego em suas obras do ciclo da cana-de-açucar - magistralmente -, assim como as de Mario Palmério e as de outros autores contemporâneos, igualmente belíssimos na abordagem de tão relevante problema.
O Povo? O que é o Povo? Joguete de interesses, só lembrado em épocas eleitorais. Aí conclama-se essa grei, apelidada "Povo", exacerbadamente, em todos os canais da mídia-elite a que não esqueça de exercer sua cidadania a favor da democracia vigente.
Que democracia?
A do "Polvo", nomeada elite? Só uma grande revolução popular para combater essa "Virose", que vem desde a "democrática" Grécia, passando por Roma dos Césares, pela Grã-Bretanha dos lordes, pela França, das opulentas cortes, por Portugal, dos senhores das quintas, e aportando ao Brasil em 1805 com a arribada da Imperial Corte Lusitana fugindo à avalanche dos exércitos napoleônicos.
Eis em que se baseou o nosso insípido "Estado democrático".
16 de Julho de 2009 05:25
Raymundo Faoro analisa e adverte aos que passam à Vida as brancas nuvens da indiferença desligados aos elos das acuradas atenções aos fenômenos impostos pela minoria. Concordo plenamente! É outra maneira de expressar o pensamento lúcido de Marilena Chauí, e a de secundar o pensamento geral do autor - Marcelo Fonseca.
O 5°. tópico tem seu "espírito" abordado exaustivamente por José Lins do Rego em suas obras do ciclo da cana-de-açucar - magistralmente -, assim como as de Mario Palmério e as de outros autores contemporâneos, igualmente belíssimos na abordagem de tão relevante problema.
O Povo? O que é o Povo? Joguete de interesses, só lembrado em épocas eleitorais. Aí conclama-se essa grei, apelidada "Povo", exacerbadamente, em todos os canais da mídia-elite a que não esqueça de exercer sua cidadania a favor da democracia vigente.
Que democracia?
A do "Polvo", nomeada elite? Só uma grande revolução popular para combater essa "Virose", que vem desde a "democrática" Grécia, passando por Roma dos Césares, pela Grã-Bretanha dos lordes, pela França, das opulentas cortes, por Portugal, dos senhores das quintas, e aportando ao Brasil em 1805 com a arribada da Imperial Corte Lusitana fugindo à avalanche dos exércitos napoleônicos.
Eis em que se baseou o nosso insípido "Estado democrático".
16 de Julho de 2009 05:25
domingo, 12 de julho de 2009
LULA E A VERGONHA DA ELITE MAZOMBEIRA
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Lula e a vergonha da elite mazombeira
E não é que o pingaiada analfabeto está deixando nossa mídia mazombeira mordendo os cotovelos!!!
É claro que vivemos numa sociedade de consumo (cada vez mais exacerbado), mas, as loas que a mídia joga para o futebolista Ronaldo como sinônimo de superação são inversamente opostas à omissão que a própria mídia dá aos feitos internacionais, e nacionais, de Lula.
É obvio que eu sei bem o que Ronaldo representa numa sociedade consumista, e por isso não importa a sua futilidade ao dizer que não leva malas em viagens, simplesmente compra o necessário (e muitas vezes o não-necessário também) onde está. Não importa se Ronaldo prefere que seu filho brinque com garotos europeus e considere os curumirins má influência. Não importa se Ronaldo é flagrado em festas onde o álcool rola solto, mesmo sendo ele um atleta profissional. Não estou pegando no pé de Ronaldo, se ele pretende levar a vida da maneira mais fútil o possível é uma opção feita por ele. O que me irrita é o fato da mídia fechar os olhos pra tudo isso só (sic) porque atrás dele estão grandes marcas internacionais. É o reflexo da sociedade atual, o que importa não é a pessoa, mas sim o que ela tem.
Para mim Lula “é” e ao mesmo tempo “tem”. Simbolicamente Lula é o trabalhador brasileiro. O alto índice de aprovação ao seu governo se deve muito em parte por esse simbolismo. O trabalhador, principalmente o mais humilde, enxerga no presidente Lula um homem simples, que veio debaixo, que não esquece suas raízes. Não é à toa que Lula usa tantas metáforas, é a forma como o homem simples se comunica e explica determinadas situações, faz parte recorrente do arcabouço intelectual dos brasileiros comuns. Lula é o intelectual orgânico de Gramsci. E Lula tem. Tem o cacife de estar à frente do maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Sul. Partido esse que se tornou escola para a esquerda nacional. Tem a história a seu lado, pois as greves lideradas por ele durante a década de 1970 iniciaram o último capítulo da ditadura militar. Tem o prestígio de um governo responsável e que luta para alterar a face dum país tão desigual. Tem ao seu lado o respeito da comunidade internacional. Tem ao seu lado a multidão, o trabalhador, o povo brasileiro que não pensaria duas vezes em dar-lhe um terceiro mandato consecutivo.
O governo Lula pode até ser marcado por ambigüidades e contradições, mas, já escrevi isso antes, representa em primeiro lugar uma quebra de paradigma numa sociedade marcada pelo elitismo e pelo progresso conservador, pelos acordos entre as classes mais abastadas e a (quase) exclusão do povo no processo histórico. Em segundo lugar, trouxe para o primeiro plano os direitos sociais (positivos). Se é um governo onde o limite para as transformações está no consenso e não no embate acirrado, por outro lado também é verdade que servirá pedagogicamente no futuro, talvez não tão distante, como forma de avaliar o conservadorismo de nossa elite e a necessidade de movimentos sociais mais fortes.
De qualquer modo, a elite tupiniquim não aceita ser representada por um retirante nordestino, analfabeto, pingaiada e vagabundo. Não importa para essa elite se Lula enfrentou a difícil luta contra a fome (e venceu), se saiu da condição de mero operário para transformar-se em líder sindical, enfrentou os militares quando quem se dispunha a tanto era cassado, preso, torturado e exilado, quando não assassinado.
Quem nesse país representa melhor o espírito de superação?
Lula reunia todas as condições para morrer de subnutrição, de sede, de fome, ou então para levar uma vida comum, como a de milhões de retirantes nordestinos que vieram para o “sul maravilha”, no entanto, na noite de ontem recebeu o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco – e que ainda pode ser o ponta-pé para o prêmio Nobel da Paz. Talvez seja por isso que nossa elite mazombeira ficou calada e fingiu não saber e não ver nada. Para ela, bom mesmo, seria um Bornhausen ou um Alckmin, e não um Silva, ser o primeiro brasileiro a receber tal prêmio. De certa forma o sucesso do ex-retirante os envergonha.
Quanto à classe trabalhadora, não apenas não se sente representada pela elite nacional, como acaba por ter vergonha dela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:52
Lula e a vergonha da elite mazombeira
E não é que o pingaiada analfabeto está deixando nossa mídia mazombeira mordendo os cotovelos!!!
É claro que vivemos numa sociedade de consumo (cada vez mais exacerbado), mas, as loas que a mídia joga para o futebolista Ronaldo como sinônimo de superação são inversamente opostas à omissão que a própria mídia dá aos feitos internacionais, e nacionais, de Lula.
É obvio que eu sei bem o que Ronaldo representa numa sociedade consumista, e por isso não importa a sua futilidade ao dizer que não leva malas em viagens, simplesmente compra o necessário (e muitas vezes o não-necessário também) onde está. Não importa se Ronaldo prefere que seu filho brinque com garotos europeus e considere os curumirins má influência. Não importa se Ronaldo é flagrado em festas onde o álcool rola solto, mesmo sendo ele um atleta profissional. Não estou pegando no pé de Ronaldo, se ele pretende levar a vida da maneira mais fútil o possível é uma opção feita por ele. O que me irrita é o fato da mídia fechar os olhos pra tudo isso só (sic) porque atrás dele estão grandes marcas internacionais. É o reflexo da sociedade atual, o que importa não é a pessoa, mas sim o que ela tem.
Para mim Lula “é” e ao mesmo tempo “tem”. Simbolicamente Lula é o trabalhador brasileiro. O alto índice de aprovação ao seu governo se deve muito em parte por esse simbolismo. O trabalhador, principalmente o mais humilde, enxerga no presidente Lula um homem simples, que veio debaixo, que não esquece suas raízes. Não é à toa que Lula usa tantas metáforas, é a forma como o homem simples se comunica e explica determinadas situações, faz parte recorrente do arcabouço intelectual dos brasileiros comuns. Lula é o intelectual orgânico de Gramsci. E Lula tem. Tem o cacife de estar à frente do maior partido de esquerda da América Latina e do Hemisfério Sul. Partido esse que se tornou escola para a esquerda nacional. Tem a história a seu lado, pois as greves lideradas por ele durante a década de 1970 iniciaram o último capítulo da ditadura militar. Tem o prestígio de um governo responsável e que luta para alterar a face dum país tão desigual. Tem ao seu lado o respeito da comunidade internacional. Tem ao seu lado a multidão, o trabalhador, o povo brasileiro que não pensaria duas vezes em dar-lhe um terceiro mandato consecutivo.
O governo Lula pode até ser marcado por ambigüidades e contradições, mas, já escrevi isso antes, representa em primeiro lugar uma quebra de paradigma numa sociedade marcada pelo elitismo e pelo progresso conservador, pelos acordos entre as classes mais abastadas e a (quase) exclusão do povo no processo histórico. Em segundo lugar, trouxe para o primeiro plano os direitos sociais (positivos). Se é um governo onde o limite para as transformações está no consenso e não no embate acirrado, por outro lado também é verdade que servirá pedagogicamente no futuro, talvez não tão distante, como forma de avaliar o conservadorismo de nossa elite e a necessidade de movimentos sociais mais fortes.
De qualquer modo, a elite tupiniquim não aceita ser representada por um retirante nordestino, analfabeto, pingaiada e vagabundo. Não importa para essa elite se Lula enfrentou a difícil luta contra a fome (e venceu), se saiu da condição de mero operário para transformar-se em líder sindical, enfrentou os militares quando quem se dispunha a tanto era cassado, preso, torturado e exilado, quando não assassinado.
Quem nesse país representa melhor o espírito de superação?
Lula reunia todas as condições para morrer de subnutrição, de sede, de fome, ou então para levar uma vida comum, como a de milhões de retirantes nordestinos que vieram para o “sul maravilha”, no entanto, na noite de ontem recebeu o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco – e que ainda pode ser o ponta-pé para o prêmio Nobel da Paz. Talvez seja por isso que nossa elite mazombeira ficou calada e fingiu não saber e não ver nada. Para ela, bom mesmo, seria um Bornhausen ou um Alckmin, e não um Silva, ser o primeiro brasileiro a receber tal prêmio. De certa forma o sucesso do ex-retirante os envergonha.
Quanto à classe trabalhadora, não apenas não se sente representada pela elite nacional, como acaba por ter vergonha dela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 18:52
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