DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


terça-feira, 25 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

E longe se pareciam mais cocos secos retirados das cascas. Coisa muito da feia de se ver e que eu não tenho intenção de ver jamais, outra vez, nunquinha. E houvesse sol pra castigar nós naqueles fardamentos azuis atochados até o pescoço. A gente parecia celebridade. Só parecia, mas se houvesse ao menos luta a gente ficava de atenção nela e esquecia o calor. Os sonhos de uns praças era morrer logo na chegada nos campos de batalhas para assim se livrarem de tanto sofrimento, e não espiar mais aquelas misérias e covardias, mais o medo, que era como uma sombra sobre muitos. Eu não. Eu, Mariano Bé, queria era viver muito pra retornar pra minha terrinha, ver minha gente feliz de novo em me vendo plantar a roça. Teve um cabra que tava por trás de mim municiando a sua Manlicher e me confessando que queria voltar pra sua casa modo casar com uma menina de nome Esmeralda. Nós nesse dia estávamos entrincheirados numa curva do Vaza-Barrís tomada por nossas tropas. Depois de municiar o seu fuzil iniciou o enrolar de seu cigarro de palha pra pitar em antes de atirar no inimigo. Eu tava de olho só pra frente modo ver se os jagunços estavam lá pelos esquisitos de seu lugar prontos a cair em cima de nós. Aí me voltei pra trás. O tal companheiro de momento tava com um buraco na testa e o sangue golfando como cascata. Os sonhos dele se acabaram ali mesmo no tal Bendegó de Baixo, e nem pitou o seu cigarro. O fumo se espalhou todo pelo chão e o sangue na farda como mancha escura. Se finou de olhos abertos. Nunca que ia mais voltar pra sua casa e pra sua Esmeralda. Aí quem endoideceu foi eu. Comecei a atirar como um atarantado e sem saber em quem. Os demais praças esparramados por ali me olharam sérios. Não havia ordens para puxar os gatilhos. Mas, que ordens se ali nunca havia ordens pra nada? Aí mostrei o colega embarrancado mortinho da silva. Quando os outros praças viram o defunto tiraram os quepes e foi aí que o tiroteio começou. Tiroteava-se daqui pra acolá e de acolá pras nossas bandas. Vi Antonio Quelé e Chico Danado pegados nos paus de fogo atirando sem parar. Mas foi só aquilo. O vento afugentou a fumaceira e o tiroteio se calou. Esperou-se um tempo. Nada de tiros. Então veio ordem de deixar as trincheiras e reiniciar marcha. Largamos Bendegó de Baixo rumo pro Morro do Mário. O calor era tanto, e a fome mais ainda, que muitos dos nossos homens foram pro chão. Que ninguém tocasse num só eram as ordens. Passavam as ambulâncias e pegavam eles e pronto.
Aqueles novatos que se iam com nós sabiam antemão que não iam ter bravatas na hora do fogo brabo. Valentia tinha hora de se ter. Aí, então, nós quatro, os amigos de sempre, procuramos se juntar naquela marcha, mas, porém, o sargento separou a gente com dois na frente, um no meio e outro no fim da fila indiana. Mas não tinha nada não; lá no destino a gente se juntava de novo pra tudo. Que se lixassem as ordens do oficial. Ora se! Então, pra aumentar a nossa estima, o capitão mandou nós soltar os peitos no hino da República. Nem um só podia ficar de boca fechada soubesse ou não o tal hino. E a poeirada nos cobrindo como uma colcha branca que só. Lá no Morro do Mário nós íamos ficar na frente da linha de fogo, lá onde os Demônios gostavam de ver a gente, e donde as balas chegavam quentinhas e serelepes. Seria a continuação do castigo? Era, sim, lógico. E tudo só por causo da fuga em Cambaio. Em são consciência, me digas: tu ficarias parado atirando em quem não via numa noite escura de breu? A maioria arribou de lá, mas todos, incluindo os oficiais graduados. Tomei abrigo atrás do canhão gigante, o tal de Krupp. Um monstrengo o tal canhão feito pelos gringos. Havia muitos ali comigo, sim senhor. Gente bocó não vinga não. Não mesmo. E todos nós tínhamos direito de fuga, não só os graduados. Eles mandavam e nós éramos paus mandados, porém na hora do mal, mal, os direitos eram iguais e ninguém ouvia graduado. Se ouvissem estavam mortos. Se!

11

ARREMEDO DE GUERRA

A gente, homens feitos, barbados, pensa duas vezes em antes de abrir fogo contra os moleques. A matutada trisca a moçada, modo disparar contra as Forças. E eles obedecem, direitinhos, sim senhor. Tudo escondidinho como não querendo nada, mas, porém brabos que nem cachorros doidos. Nunca que vi tanta valentia nem num cabra macho lá das Paraíba. A, pois, vou contar e tu não vais crer. Pois não foi um desses miúdos que acertou Antonio Quelé meu amigão de farda? Pois foi sim, na certeira da mira. E que mira! Olhinhos bons estavam lá. Só vi Antonio bater com as fuças no pó do chão e ficar quieto. Morreu? Pensei me perguntando. Buli nele daqui pra ali e de lá pra cá e nada. Teria se finado o meu amigo Antonio Quelé? O irmão dele, José, chorava que nem bezerro desmamado em antes da hora aprazada. Mas Antonio, depois de algum tempo caído e quieto, deu sinal de vida. Se mexeu gemendo. Tava todo... Posso dizer palavrão ou palavrinha? Palavrão pode não? Por acauso, por quê? Ah... Só por isso? Os leitores? Vá lá! A, pois, Antonio Quelé tava todo breado meu compadre. Todinho. Do cós da calça até às bocas das pernas. Deve de ter sido uma dor espinhosa, dessas de mexer com os buchos de um cabra. É que a maldita da bala passou fininha na testa do homem, que bambeou, triscou e caiu durinho. Mas tava vivo, vivinho. Tava com a sua alma sim senhor. Só tava com um sorriso amarelo e bocó. Tava groguinho. Deu sorte, o desgramado. Nunca que vi tanta naquele fim de mundo. Quando uma bala trisca o ar rasgando tudo é vem com o teu nome marcado nela é pegar pra valer. Por isso cismei: meu amigão deve ter parte com o Demo, só pode.
O pequerrucho? Sabe não? Contei ainda não? Anote ai que nós éramos em quatro: eu Mariano Bé, Antonio Quelé, José, seu mano, Geraldo Quintão e Chico Danado. A gente tava junto pra tudo. Pois Geraldo e Chico miraram o moleque com seus rifles Comblen na direção mesma do moleque que acertou Antonio Quelé. Foram dois tiros a um só tempo. Pou! Fumaça que só na nossa cara. Teriam acertado o coitadinho?
Uma das balas deu pra gente ver: bateu na pedra esfumaçou e zuniu ao largo, mas a outra, coitadinho dele, acertou em cheio quando ele estava dando nas pernas pra correr dali. Foi até engraçado o causo, mesmo não tendo graça. A desinfeliz criaturinha deu um pulinho pra riba se virou nos ares de ponta cabeça e se estirou durinho no chão já cheio de defuntos. Era mais um pros vermes comerem. Tu podes crer numa coisa assim? Podes não? Xente! É a guerra! E se eu te disser que uns deles retalharam o sargento Estevaldo todinho? Pois sim. Desmembrou o homem, chefe de família, um sargento de valor. Ficou uma coisa horrível, ele se debatendo até se finar. A foice comeu em riba dele, do coitado do sargento que levando um balaço na perna falseou e caiu. Foi à desgraça dele. Sem saber, tava no meio do inimigo. E quem adivinha onde estavam aqueles excomungadinhos? No meio de uma fumaceira infernal... Muitos se perderam e depois de dias é que fomos descobrir onde que foram parar os coitados. Todos estaqueados nas varas das cercas, pertinho dos pés de mangaba, e que davam voltas no arraial. Era uma cerca de gente defunta sem cabeças, que essas ficavam aos pés, no chão.
10

segunda-feira, 24 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Ainda bem que faz anos que tal se sucedeu. Sim senhor, faz. Ninguém jamais que desconfie que fosse eu que revelei esses sofrimentos em segredo da honra militar dos combatentes. Se fosse contigo tu farias o quê? Carregar uma vergonha, eu hein? Me respondas: o que tu farias? Eu o que faria? Eu tomaria uma carraspana todos os santos dias da semana do mês e do ano. Me finar pelas minhas mãos próprias? Nunca!
Atente bem para a situação deles perante as famílias as mulheres e as quengas... Essas amaldiçoadas mangariam demais da conta dos coitados. Por quê? Se aconteceu foi pelos seus descuidos não. Foi à fatalidade. Os assaltos por lá eram diferentes, ora bolas, pois que vinha sempre rasteirinho como que não quisessem judiar a ninguém.
Estavam todos entrincheirados nas covas rasas do Vaza-Barrís. Nenhuns deles miravam pelos altos – peito ou cabeça. Já devera ser por maldades. Eram todas elas, as miras, nos ventres pra baixo da soldadesca. Aquelas malditas abelhinhas quando não feriam ou matavam aleijavam.
Prestes toda a atenção meu compadre que eu tenho muitas outras aventuras ligadas ao mesmo assunto, mas, porém, um tanto desviado e que depois vai se encontrar lá adiante pra tu escreveres aí em meu livro pro futuro. Fiquemos nessa mesma expedição, pois que passamos as mesmas vergonheiras. Eu me perguntava, nos momentos de parada do tiroteio, se ia ser sempre daqueles jeitos: eles atrás de nós e as gentes só correndo deles. Eram que a coisas feitas assim, assim, sem planejamento de batalha, só podiam acabar do jeito que acabavam. Era cada qual por si. Quando se corria pra retaguarda era sem voz de comando. Era a maior das confusões, com os cabras outra vez se atirando uns nos outros. Numa dessas é eu se feriu Antonio Quelé, um de meus companheiros. E ele, uma fera, tava doidinho pra descobrir quem mandou bala em nele, porém, exagerado como era ele a gente nem deu tratos à bola. Foi uma coisinha a toa mesmo: uma bala de raspão, que por pouco não lhe arrancou a orelha esquerda. Passou na ambulância e resolveu o causo do ferimento dizendo que tava com zumbido na cabeça o tempo todo. Era pra menos? Se pega no lado da testa... Ai ele não reclamava mais nunca.
Fomos pra Queimados, na Bahia, com muitos praças bem armados, com muita disposição, como sempre, mas com pouca coragem, como era também de se esperar. Explico por quê: simplesinho mesmo. Tua já viste gato escaldado sem medo de água fria? Pois éramos nós assim, igualzinho, que o batizado em Uauá e Cambaio foram o bastante pra nós. Agora a gente ia topar com a jagunçada em Bendegó de Baixo. Lugarzinho esquisito como os demais ali. Depois de algum tempo de troca de tiros a tropa saiu de pernas frouxas os corações a galope as gargantas secas os olhos arregalados e os mesmos tiros varando de todos os lados. Fracasso novo, mas repetido no jeito de se livrar das balas vagabundas. Eu já me cansava de tantos e bem meus quatro companheiros. Pensamos até em arribar pra longe dali abandonando tudo, que a vergonha já não cabia mais em nós.
9

ARREMEDO DE GUERRA

Pra tu me entenderes melhor, devo dizer que naquela debandada em Cambaio não tinha mais outro jeito. Ou ia ou morria. Olhei para trás pros lados e pra riba. Tava eu só. Um cabra só faz alguma coisa que preste? Nunquinha! Tava só; só não, tava com Deus Nosso Senhor que devia estar muito ocupado com outros, mas não se esqueceu deste aqui me cochichando: “-Corre filho meu de pressinha pra tu te salvares inteiro”. Isso eu fiz, obediente que sou na religião. E fazia tudo de novo, novamente. Vivo eu podia combater mais e ajudar meus companheiros Antonio Quelé, seu irmão José, Geraldo Quintão e Chico Danado. Certo me fiz, com toda a certeza.
Agora, na nova marcha, haja castigo duro até o destino mais longínquo. Ó sina, meu! Ela se deu de manhãzinha; uma manhãzinha chuvisquenta e fria. Marchamos até de noitinha e o céu se encherem de estrelas, que era mesmo estrelas só em boniteza total e alargada nos altos. Precisavas ver aquilo tudo coriscante de acende e apaga. Lindeza pura os brilhos delas. Ah, quantas saudades senti eu de minha ruela lá em Montes Altos, pra onde se mudou a família inteirinha. A gente se assentava debaixo de um pé de goiaba, os olhos fitos no céu escuro cheinho daqueles vaga-lumes pisca-piscando – as estrelas, to falando. A gente queria contar quantas eram apontando com os dedos modo não perder o rumo, mas era proibido, pois que nasciam verrugas neles.
Esses pensamentos de lembranças me faziam esquecer que a gente marchava pra um destino cruel. Nem um homem que eu saiba marchou pra uma guerra ancho de felicidade. Todos nós tínhamos os semblantes nublados por umas sombras esquisitas e acabrunhados como um condenado à morte, pois essa era a verdade. Uns, de tão pálidos de medo - porque tinha uns novatos no nosso meio pra encher os vazios que deixaram os finados - urinavam nas calças das fardas sem a menor vergonha a qualquer estalinho no meio do cipoal das matas. Mas era de arrepiar mesmo e eu tirava a razão deles não que a coisa era de assustar. Só quem passou por isso pode bem avaliar sua intimidade valente ou covarde. Eu? Sei lá. Eu ia indiferente como um bêbado que não sabe o que faz. Ia pra onde me mandavam ir. Os demais? Sei não senhor; sei de mim. Eu não tava nos miolos deles pra saber o que se ia lá a suas cabeças. Cada qual seria por si, mormente na hora do foguetório da pega pra capar. Não é pra se rir não. Tu não sabes, mas muito voltaram capados mesmo. A, pois, foi assim mesmo na beligerância e nessa triste sina de ficar inutilizados pros restos das vidas. Alguns que se diziam machos acabaram com as próprias vidas, por causo disso. E seria pra menos? Não pretendo julgar meus companheiros de farda e de fados por não ter passado pelos mesmos desacertos. O cidadão escapa das balas dos jagunços e vai acabar os seus dias com a sua própria? Triste e enfadonho ter que falar disto, mas desnudei um segredo pra tu há muito tempo escondido. Agora vai deixar de ser segredo posto ser uma verdade dorida.
Os lamentos eram que doíam mais na alma da gente. Cabras moços ainda e estragados pra todo o sempre. Viver pra quê? Sei se faria o mesmo não. Isto é coisa de momento de agonia. Condeno nenhum não. Qual o quê!
8

ARREMEDO DE GUERRA

A, pois pior foi o retorno em quando chegamos na Bahia. Já lá nos esperava o Ministro o Exército. Veja bem como se deram as coisas: ele enfileirou todos nós no pátio do regimento em posição de sentido, e com os portões abertos ao povaréu só pra que fosse ouvida a desmoralização que ele ia nos meter goela abaixo. Desancou a falação de tal maneira tão alta que eu e todos os expedicionários pensamos que ele fosse esticar as canelas ali mesmo no palanque de tão vermelhas que ficaram suas bochechas. Tava quase roxa a cara do homem. E o garbo dele? Tava todo enfatuado num uniforme cheio de galões dourados, medalhas espalhadas por todo o peito desufanado, que não havia lugar pra outra condecoração. E o Sol comburente torrando nossas cabeças descobertas? Que solão! Calorão de secar um homem só fazendo ele suar. Me deu vontade de estar nos campos de luta de Uauá ou de Cambaio, palavra! Deitou falação por quase duas horas, e aos berros. Que perrengue! E sabes tu qual seria o nosso castigo? Ora que ora, mas tu nem calculas? A, pois, era o de voltar pros campos de batalha, numa marcha que só terminaria em Monte Santo, que era de frente mesmo ao casario daquela vila que subiu dos infernos pra Terra, a nossa Terra, esta aqui mesmo em que nós pisamos e que se chama de planeta. Pois... Coisa feia de se ver a tal Canudos. Pelos altos dela não, até que agradava a visagem olhar pro casario de alvenaria e encilhamento vermelho que só. Diziam que lá eram as moradas dos comandantes da vila e do chefe maior – o tal profeta barbudo da família Maciel. Sim senhor. Travei conhecimento com uns dos Maciel que são gente danada, mas que não são covardes, não senhor. Daquele diz-se que vagou por vinte anos pelos sertões brabos. Pelos sertões brabos palmeou durante esse tempão todo terras esturricadas das caatingas esquecidas por Deus Nosso Senhor, sim, do cerrados e dos desertos, e pra quê? Pra depois desse tempo chegar ali naquela fazenda abandonada pra montar uma verdadeira favela, como uma cidade de verdadeira, lotadinha de gentes? Aqueles que ele arrastou por aqueles caminhos nada tinham a fazer a não ser um monte de filhos. A criançada, a gente via de lá do alto do Monte Santo, era multidão muita da conta. Pequerruchinhos sim, mas se batiam como gente grande, adulta, de responsabilidade. Davam nos gatilhos com vontade mesmo. Enfrentavam nós de igual. Tinha isso de ser menininho e menininha não. Tinha não, não mesmo. Eram que eram obedientezinhos que só eles, aqueles excomungadinhos. Gritavam por lá uma ordem e eram os primeiros a formar fila dupla carregando nos ombros armas maiores que eles. Levavam aquilo anchos de orgulho, sapecando balas em nós sem dó nem piedade, e sem tremerem as mãozinhas. Coisa de enlouquecer um fraco. Não se lembra do doutor que eu já falei que endoideceu bem no meio do tiroteio? Criançada desinfeliz aquela. Carinhas de anjos sujinhas de pólvora. De anjos, disse eu? Qual o quê! Eram carinhas de demoniozinhos, magricelos, sem carnes nos rostos engelhados, como todo o resto dos corpinhos. Cabra medroso corria deles de assustados se topassem com uns no meio do breu da noite. E eu? Só modo vendo na hora exata. Ô vote! Por causo de que tu me perguntas isto? Hein? Só por ter debandado?
7

sábado, 22 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Foi na horazinha a minha queda, pois uma chuvarada de balas passou por em cima de nós: de mim e dos que estavam já estirados. Todos batiam em estratégica retirada, até os meus quatro companheiros valentes, que os tiros vinham de todos os lados sem que a gente pusesse os olhos num só daqueles jagunços. Foi feio. Umas carreiras confusas onde morreram mais praças por causo mesmo da doideira de cada qual. Cadê as vozes de comando? Cadê o capitão Pires Ferreira? Qualquer povo gosta de ser orientado conduzido e posto em segurança, a, pois, não é?
Pois foi a segunda batida em retirada. Depois, mais tarde, na calma da noitinha daquele mesmo dia com todos espalhados, como se fosse pra dormir, mas com as atenções voltadas pro breu da noite e com os dedos nos gatilhos, bateu uma vergonheira geral em nós... Foi. E o tal capitão que ninguém viu no meio da fumaceira, desandou um palavrório tempestuoso em riba de todos. Só faltou maltratar nossas mães, que nada tinham com aquilo. Bem lá pra noitinha mesmo, no breu total num céu sem lua, os revoltosos tiveram o cinismo de jogar uma farda pra nossa banda; quer dizer: eles tiveram bem pertinho de nós e se sumiram como fantasmas. O casaco atirado era o do capitão. Todo furado de bala. Se ele estivesse dentro... Tava lá ele esticado no pó sem vida. Merecia e bem merecido. E a gente deitada ainda só no silêncio. Aí ouvimos a zoada que vinha do lado deles. E era muito maior que os tiros. Mangaram de nós muita coisa os patifes! Parecia festança de estrumação.
O que fizemos depois? Ora, o quê? Voltemos de lá mesmo e tudo com os rabos de entre as pernas como cachorros estrumados. Mas vivos. Vivinhos. Nem todos claro. A gente se vingava, ora se! Viemos embora. Topei os meus companheiros. Tudo de cabeça baixa enfronhados nas suas vergonhas sem ufanos carregando feridos, que alguns se finaram na caminhada de retorno. Cambaio excomungado! Os arreliados estavam em todos os lugares. Foi em Uauá e logo, logo em Cambaio. Os amaldiçoados sabiam de tudo. Aqueles pareciam pragas: estavam em todos os lugares ao mesmo tempo. Pode? E cismes com isto: eles tinham comandos. Nunca, jamais, tinha vistas em gente tão braba e tão valente. Os cabras morrem se rindo, parecem que vendo já o céu dos anjos.
Escrevas isto sim que eu comento apenas não; é pra ser registrado no caderno seu aí. Quero perder nadinha não. Tudo o que eu falar tu escrevas, não salte nada. Esta foi uma quadra da nossa história que é modo não perder nunquinha as recordações das durezas e das memórias das praças combatentes, que os povos só se lembram dos generais, marechais, coronéis e majores. Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Peixoto, General Villagran Cabrita, Marechal Sampaio todos se lembram né? A, pois, a soldadesca nunca que é lembrada. E são os que mais morrem. Se finam os marechais? Não! Se finam os generais? Sim que daí pra baixo todos se finam. Nas tropas nossas tivemos generais coronéis majores capitães e tenentes que perderam suas vidas lá naqueles cafundós do Judas, e muitos nem tiveram cova cristã. Ninguém nunca nem viu alguns dos graduados abatidos pela jagunçada. Coisa de lamentar lamentosamente.

6

ARREMEDO DE GUERRA

Então agora estás pronto? Eu renovei as energias e removi os cansaços. To fiel e pronto modo continuar minhas aventuras marcadas por tua pena ai nesse caderno teu. Se assim for mesmo, vamos lá. Continuemos, pois, nos mesmos andares de ontem por que as coisas me demoram a subir na cabeça. Posso começar a ditar? Anote que lá vai:
A, pois, como eu dizia, a tal marcha renovada de castigo deu alta só lá em Juazeiro, repetindo tudinho da primeira vez. Não me lembra o dia não, mas pelo calorão que fazia foi lá por volta de novembro em seu final, ou no comecinho de dezembro. Essa estação por lá é a dos calorões infernais! E cinco dias depois olhe o batalhão em marcha de novo, outra vez, como fâmulos episcopais estropiados e quase que desmembrados por tantas tralhas. O comandante era o capitão Pires Ferreira sem muita fama, mas obediente demais da conta dos princípios e exigências do exército. Hominho endiabrado aquele lá do Crato. A soldadesca? Eram em quantos? Sei assim de precisão não, mas devia ser de umas duzentas almas entupidas de medos e escoltadas por canhões gigantes, metralhadoras pipoqueiras e o diabo a quatro. Duzentas, nem mais nem menos. Aí então largamos aquela praga de lugar quente e marchamos pros lados de Cambaio. Em lá chegamos pelos altos de janeiro; sei até o dia. Parece mentira né? Dia 18 de janeiro de 1897 e a gente estavam lá. Gravei. Não houve combate, nem nós encontramos tocaia não senhor durante a travessia, mas é vem coisa por aí. Anote. Tu ainda tens bastante papel? Só ao desencargo de consciência me deixe ver. Tem..., tem de sobra. O caderninho é mesmo grandioso hein? Pois então: eu falei que nós não encontramos tocaia não foi? Pois foi não. Coisa num instantezinho que não se esperava e se deu o diabo. Tu precisavas estar lá, pra ver a cara deles. Bala é vem, é vem, e se tem teu nome não tem escapatória. É tua mesmo. Uma fumaceira das profundas dos infernos tapou tudinho. Atravancou tudo com abelhinhas em brasa zunindo por cima por baixo e pelos meios. E tome chumbo em riba de nós, seu! Foi tanta miséria que o médico que seguiu com nós enlouqueceu. Sim senhor: perdeu todo o tino. Arriou o traseiro no chão chorando que nem criança desmamada. Era de ver o tal em meio do tiroteio sem pensar nada. Tava desnorteado, sem rumo mesmo. Muitos derrearam nos chãos, de bunda, que as balas encontravam seus donos. Pode bunda não? Por ser feio? Que feio? Todos têm isso. Agora fique que eu não quero tirar não. Só aleijão ta desprovido disso. Pois só os matutos te viam dos escondidos seus, mas tu em troca não divisavas eles não. Atirava-se a torto e a direito, pra qualquer lado, de nossa banda, digo. E o palavrório baixo calão se ouvia no meio da barulheira. Da banda deles, informo eu. Zoavam e atiravam ao mesmo tempo. Quando dei por mim tava quase que só. A raia miúda deu nos pés. Ia lá eu ficar ali parado a espera de fantasmas? Nunquinha que não, claro! Mais me valia eu vivo que morto pro regimento. Morto eu seria um de menos na defesa do regimento e da bandeira da República que tremulava. Agora se eu lobrigasse qualquer sombra se mexendo no meio do breu atiçava bala nela sim, se! Tropiquei em muitos companheiros feridos pelos chãos. Num desses me arriei no pó. Foi a minha salvação.

5

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Lembro que tinha uma que vivia batendo com a folha do facão na roda da saia, dando uns pulinhos pros lados, como a querer se safar de alguma coisa, talvez do Capeta. Chiste..., quem sabia lá?
Era desmiolada, a coitada. Mas não vamos perder o impulso: a, pois eu te falava que passei por boa. Acreditas? Se não eu paro e descontinuo. Só não quero perder minha saliva discorrendo sobre fato consumado e não ficar acreditado pelo senhor que escreve estas minhas memórias. Fato consumado! Eita beleza, hein? Posso continuar? Pois é: vai então. Foram aí pela leva do primeiro contingente de praças da Nova República em dura marcha com a luz soalheira mais ardente que os fogos do inferno todos juntos e abrasadores sobre os nossos quepes na direção de Uauá. A gente ia indo pro modo desalojar alguns sertanejos revolucionários em Canudos. Já ouvistes falar dele? Do arraial de Canudos, ora, de que mais? Onde mais poderia ser? A, pois, foi esse mesmo. Vixe, minha santa mãe, que marcha! A gente parecia mais que ia se indo pros infernos mesmo do que pr´uma batalha. Dureza pura meu compadre. Digo e não desdigo e ainda afirmo. Não sou de imbróglios. Ou o cabra tem ou não tem crédito. É... Eu disse, porém, em antes que nunca tinha estado numa guerra não foi? Foi não. Estive sim, mas, porém numa guerrinha à toa Em Canudos. Chinfrim, chinfrim... Era de ver, como não? Sim lá mesmo no norte do estado da Bahia. Já lá fostes? Bom... Conheces, então.
Anotou estas últimas palavras minhas? Ah, não anotou não? O senhor teve um jeito de que ta com sono. Piscou os olhos e teve um repelão na cabeça pra frente. Ta firme mesmo? Não pares de escrever. Anote tudo direitinho que eu já disse: não repito estórias. Certo? Na vida minha velha mãe me ensinou e meu pai insinuava: não se pode perder tempo. Uns minutos são os bastantes pra se morrer, de sede ou de bala. Podes crer mais uma vez. Eu só falo verdade nua e crua. A, pois não é, e não tem sido assim? Vale a mentira? O Diabo anda por aí mesmo atrás desses desavergonhados que mentem é muita coisa. Eu dou respeito a um cidadão sério. Pra mim, tu és um deles né?
Ô! Tu pareces que dormes de olhos abertos. Ta cansado? Estejas desperto pro modo anotar todos os acontecidos. Queres parar? Xente! Queres mesmo? Que seja! Chega por então? Seja, pois, assim. Corre a descansar. Te emboques nesta rede aí.

oo00oo

Tu passaste bem toda a noite meu compadre? Passaste né? Dá pra se notar. Estás por te veres bem disposto. Agora, indagorinha mesmo tu ainda tinhas a cara amassada de sono. Dormiu o bastante não? Se não, voltes pra rede estica o corpo e deixes o sono se achegar. Depois nós continuamos sem pressa, que um serviço dessa natureza não pode ter erros nem dúvidas. Te cuides. Até mesmo eu to com vontade de esticar os ossos. Não parece, mas cansa né? Vamos fazer, então, assim? Tu pra lá e eu pra cá, no balanço bom das redes em nesta fresca da manhã. Prontinho. Se me deixarem, eu embalo na sonolência. Judite! Coe um café fresco pra gente e nos chame na prontidão da mesa. Bom que só. Êta, que eu nem apercebi o meu cansaço.
4

ARREMEDO DE GUERRA

O que eu não tenho da cintura pra riba me sobra dela pra embaixo: duas boas pernas que me levam pra distante, bem longe, de confusão. Aprecio mesmo não. Sou de paz e de silêncio e de um bom papo em mesa de bodega cercada de gente boa de conversa. Conversas boas são com este cá mesmo. Ta aí uma coisa boa da vida. Queres melhor? A, pois, não eu. É só ver três reunidos em torno de uma mesa e eu não passo em branco não senhor. Encosto, como a não querer nada, tomando porém liberdade vigiada de dar um dichote uma piadinha aqui outra acolá, um apontamento assim e outro também... E me entorno em meio da conversação. Ai então pro resto é coisa fácil, fácil. Vergonha? Tenho não. Não é desse modo que deve agir um cabra macho? Ficar só de olho encompridado na direção do grupo e não se achegar pode dar sentido de covardia ou sei lá o quê. Não sou valente nem de briga, mas também não sou de medrar. Quanto mais medo você sente das coisas mais covarde fica. Onde já se viu macho covarde? Ou é ou não é macho, to certo? Eita coisa de corar o rosto de um cabra. Fico assim não. Se não desejo me defender de uma ofensa viro as costas e saio de fininho. Brigo não. Qual a vantagem de dois cabras se engalfinharem e rolar no chão poento? Só em o último causo. Se fosse medroso não marcharia pra Canudos. Lá é que foi o verdadeiro inferno de homens de mulheres e de crianças. E como! Se! Lugar excomungado aquele, seu. Cabra covarde não se apruma não. A mulheraça se ri na tua cara. Quero isto pra mim não. Quero não. Não mesmo. Se tiver que lutar morro, mas largo a briga não. Seja onde seja. Um dia todos nós n ao vai se finar? Então..., mais dia menos dia...
Pois então, te sentes mal? Teu bucho é assim tão fraco ó meu compadre? Se tu tivesses que ir pra guerra... Tu não serves pra guerrear, me desculpe a franqueza.
E por falar de guerra, passei por boa. Pela tua cara vejo mais uma vez que tu me não dás crédito hein? Mas podes crer que seja fato consumado ou mais. Essas palavras bonitas eu escutei da boca de um desses homens que escrevem em jornais. Como é que é? Ah, sim: jornalista. Muito bem; a, pois, foi de um desse jornalista que eu ouvi: “fato consumado” disse o tal prum general. Jornalista... Se puderem inventam fatos e outros.
Olhe que eu nunca, jamais, estive em guerra alguma de vulto, para ser verdadeiro como sempre. Disse e repito: não gosto de lorotas. Isto são coisas pras mulheres pras velhas enxeridas e mexeriqueiras. Arre diacho que são muitas delas dessa natureza. É o que mais se vê por essas cidadezinhas por aí de uma só rua e de casas germinadas. Errei? E donde? Não é casas germinadas? Como é que é? Geminadas. Geminadas? Ta certo isto? Agradecido. Passo vergonha nada. A gente nunca pára de aprender. A, pois, ,essas cidades de casas geminadas..., é certo mesmo, de verdade? Ta..., estão cheias de velhas assim: feiosas banguelas de bocas chupadas, mas, porém, línguas ferinas destravadas e ativas. Como falam! Quem fala muito, se diz por aí, fala pelos cotovelos. As velhinhas então tomaram emprestadas de outras, pois os delas tão muxibas de tão enrugados; murchinhos..., quais suas bocas moles nos fundos dos queixos. Não dão pra tanto falar. Se eu falo tanto é só por precisão. Se não conto, vais escrever o quê? Né?
3

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Menino – me desculpe pelo menino que o senhor me merece respeito –, meu senhor venha de lá com teu cumprimento e se junte à minha confissão de que é tudo verdadeiro. Tu soubesses de um coronel que estaquearam num pé de pau de umbu sem a devida sua cabeça? Hein? Como é que é? Não foi em um umbuzeiro não? Então, em que foi? Num pé de angico? Que seja ou que fosse tava lá ele. Pois que tal essa? Tu não me crês? Tu estivesses lá? Ó chiste, e então como é que é? Ah... Lesses? E por que não? Só por ter saído de minha boca seu excomungado? É? Contes tu aí então uma verdade. A gente racha as duas e divide a crença. Tem nada a sobrar, não senhor.
Pro modo ser acreditado caminho até sobre braseiro vivo e nem carece esperar a festança do santo dos fogos. Arme uma agora lá no terreiro, neste instantezinho, e vamos lá. Pimba! Atravesso que nem o Diabo me pára. Queres testemunhos? Seu Dadinho ta lá mesmo pra confirmar tudo. O Seu Dadinho da birosca da moenda de caldo de cana caiana. Ta aí coisinha boa docezinho da alma. A, pois vai daí que provo não ter medo de nada não senhor. Esta tua cara é de dúvida? Eu? Medo de assombração e vá lá o que possa ser? É de se me vendo correr, eu desembestado e descamembado por causo de fantasmas? Ó xente! Isto tudo é estória de Trancoso, daquelas que as crianças gostam de escutar. Vocês ainda dão veracidade a essas estórias sem pé e nem cabeça? Preste à atenção: fantasmas nem nos cemitérios se encontram mais hoje em dia não. Duvida? Encontra não senhor, te garanto. Quem vai pra ali se enfurna de debaixo a sete palmos de chã adentro, com terra por riba e uma cruz marcando o lugar de descanso do dito cujo finado. Tem jeito? Se tu descobrires um jeito do finado defunto se levantar e sair a dar umas voltinhas pelas alas dos campos santos, me avise não. Não quero nem tomar tenta de modo arrepiante como esse. Mas, sim, to de brincadeira. Jocosidade minha. É bom pro relaxo. Carece de medo não. Eu?
To garantindo que não temo nada, nadinha, e tu ainda duvidas? Te acomodes ao lado de uma campa e passe a noite acolá. Pensas que vais ver alguma coisa? Engano meu senhor. Tu te enganas. Todos acolá tão quietinhos, quietinhos. Já vivi perto dum local desse e jamais meus olhos, estes dois aqui mesmos, sim, estes dois bem abertos agora, agorinha, viram qualquer coisa diferente se mexendo dentro dos muros. Os que tão lá querem é mais descanso porque as batalhas da vida já esgotaram as paciências deles. Passar longos tempos no eito dos secos das caatingas ou nos cerrados esturricados de Sol não é pra qualquer. Tem que ser macho, macho-cho, meu senhor. Se o cabra não tiver essa valentia, melhor é se vestir de mulher-dama e dá seus pinotes por ai que nem quenga desavergonhada. Falo e sustento. Ainda não topei com um que me desdissesse. Por medo? Creio não. Estás me vendo? Então podes reparar que sou de paz. A natureza não me deu roupagem de valente não. Sou quieto de gestos, mas inquieto de boca. Falo que só. Mas não se diz: quem não fala nada sabe?
Hoje tu vês esses molequezinhos todos enfunados porque são dotados de peitoral saliente braços fortes e valentia à flor da pele? Pois eu não.
2

terça-feira, 18 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Meu embornal ta vazio e anda assim por dias. Nada vejo no horizonte que é uma linha, diz imaginária. Será ou em antes não será? Neste mundão de terras secas, aflitas e esgotadas por falta de chuvas, o que se esperar delas, coitadas? Nada não se dá se não plantar se não se regar – aí precisa dágua, a, pois; e cadê ela – para o gênero alimentício se mostrar cheio de sorrisos... Não carece mágica não senhor. Mágica só nos circos mambembes e chinfrins, e bobas que só. To indo pro meu destino. Qual que é? Sei não. Aonde será sei também não. Caminhos são muitos pras minhas pernas comerem. Há um magote deles na minha frente, mas, porém uns, acho eu com meus botões, me carregam pro modo de muito sofrer. Quase todos ou todos levam pras caatingas que me são familiares sim senhores. Inda em um ano desses passei nos rumos do antigo arraial de Canudos. Em antes tava tudo derreado, liso aos chãos, soltando fumaceira com cheiro de pólvora. Tudo rasteiro, rasteiro que só. Nunca que eu tivesse visto coisa igual em antes. Jamais! Tudo sapecado de negridão, com carroças... Quero me explicar: carroças não, restos delas de pernas pros ares. Os ventos fortes batiam naqueles sobejos de rodas que giravam e giravam como numa canção dolente e dolorosa. De noitinha aqueles gemidos fúnebres espantavam as pessoas que se iam pra igreja reconstruída. Foi posta rasteira ao chão por um tiro de canhão, me lembra bem.
Que grande desgraceira se deu por ali. Sim, posso garantir, pois que eu lá estive de soldado mais uns amigos e um inimigo. Inimigo mas não muito. Hás de ver. Contei não? Haja que me deva ter esquecido, mas temos tempo.
Mas em lá chegando topei-me fuçando um cantinho do terreno cinéreo a um botão dourado jeitoso de conservado. Pelo jeito era de farda de algum combatente da República tocado praquelas bandas. Quem sabe não seria do fardamento de Chico Danado que se finou na última batalha já em seu finalzinho? Ele tão valente, corisco e tão destemido... Ninguém não contava com aquilo não. Luta encarniçada aquela. Conta-se até os dias atuais que se finou foi gente. Conta-se, mas careço não em saber. Vivi aquilo tudo com meus pés fincados nos campos de batalhas. Estes olhos já cansados viram gentes mortas, de todas as idades e tamanhas; bichinhos pequenos e graúdos foram todos à terra rasa. Tinha essa de guri não, que isso era coisa de gauchada que se misturaram a nós. As balas avoavam zunindo e assoviando, e se queimando e furando as cabecinhas inocentes. Era de tu veres meu senhor. Elazinhas morriam com os dedinhos nos garranchos dos gatilhos provando que deram neles até o fim. Judiação sem nome. Havia precisão não de se finarem com os dedinhos nos gatilhos. Aposto que não sabiam brincar de pique de esconde-e-esconde de corda e de escutar estórias de Trancoso, mas sabiam carregar arma-de-fogo, maior que elas, e de atirar também. E como! Possa me crer, meu senhor. Vou inventar pra quê? Um sujeito que nem eu se lorotas soltar, inventando estórias, perde a confiança dos demais. Já se viu coisa pior que não ser mais acreditado por outros iguais? Vixe que quero pensar não! Nunca que jamais se arriba. Nem com a reza mais braba e nem com o corpo fechado, que não fecha mais nunca! Ô vote!
1

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

A partir da presente data estarei publicando, por páginas, ao modo folhetim, o meu livro "Arremedo de Guerra" narrado pelo personagem Mariano Bello, chamado Bé, que por lá esteve metido até o pescoço em fuga a um padre com sede de vingança.

APRESENTAÇÃO

Oi gentes! To escrevendo uma estória verdadeira que o meu conhecido Paes e Puerta, um filho de espanhóis e de profissão escrevente de Cartório de Registro de Imóveis Históricos, passa pras folhas de meus cadernos comprados tão só para este fim.
Já tem por aí outro livro, oficial, como dizem, enchendo algumas prateleiras das casas de livreiros das cidades, mas não sei dizer se é tão completo e dorido como o meu, que é fruto da experiência vivida na frente das linhas de lutas, já que servi o exército republicano de armas nas mãos atirando e finando muito jagunço fosse esse tal homem mulher ou criança, em vez de uma caneta de pena de peru molhada num tinteiro e sentado a certa distância das refregas, só relatando como faz agora Paes e Puerta livre de perigos e por mim pago, muito bem, para tal oficio de momento na paz desses dias.
A minha vaidade, depois de tantos sofrimentos e perigos, me manda dar uma de escritor para que fique aos meus descendentes a estória de Canudos bem explicada como viram esses meus olhos que um dia a terra há de comer. Mas, enquanto a terra não comer os olhos, nem minha língua, melhor achei era ditar ao meu amigo escrevente, que tem mais jeito nesses causos, os fatos que serão narrados aqui.
Não sei ainda como vou fazer pra ver a estória virada em livro e se espalhar também por prateleiras dessas casas que vendem mapas, cadernos e livros escolares e de escritores. Vocês vão achar diferente a narração. É que por respeitar o modo de falar dos nordestinos paraibanos, e de outras plagas do nordeste, pedi que o escrevente nada mudasse na minha maneira de me expressar para ficar mais original e diferente do outro, que é cheio de salamaleques, de palavreado chique e difícil de entender, e também porque é o que eu sei de nossa língua. Mas haja que foi bem escrito o outro e que não ficaria melhor numa literatura de cordel, pois que nunca que eu vi um de cordel tão volumoso como o daquele cavalheiro gentil e jornalista, além de cientista, mas muito sério, daqui do Rio de Janeiro onde me encontro agora depois de voltear por grande parte das caatingas, dos cerrados e dos desertos do nordeste.
Então, faço a minha solicitação educada: não peço julgamento antecipado, mas gozem o prazer de uma leitura (o Paes e Puerta me ajudou no parágrafo) diferente, original, com a alma mesma do linguajar daquela minha gente boa e simples do nordeste do país. Essa obra, minha primeira, e espero seja a última (ele continua a me orientar), não teve revisão. Sai das páginas dos cadernos como saem os pães das bocas dos fornos das padarias: como são e prontos pra se comer. Se você leitor apanhou esse exemplar que está em suas mãos e abriu as primeiras folhas, é possível que se aventure a ler todo o resto (o escrevente ainda me ajuda). Tua vais rir, chorar, ficar indiferente em alguns trechos, mas não poderás dizer depois que não gostou de nem uma só linha do livro “Arremedo de Guerra”, porque Canudos foi mesmo uma mangação de guerra chinfrim. Saí de minha casa e me mandei pros campos de luta. Angicos era a minha terra, mas não foi de lá que eu fugi pras minhas muitas andanças. Contarei depois.
Bom, chega de conversas fiadas. Vamos aos finalmente que é o que interessa. Ta aí a obra de minha cabeça pra os teus olhos se fartarem nos dias de ócio. Obrigado presumido leitor.
Mariano Bello

PS. Se gostarem, muito bem. Desgostando fica assim mesmo
e de todo pronto. Não me zango; pelo contrário: fico grato.

terça-feira, 4 de maio de 2010

FUMANTES NÃO TÊM DEUS NO CORAÇÃO - J.Serra

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Serra declara: Fumantes não têm Deus no coração

“A pessoa que fuma sabe que o cigarro vai fazer mal, mas continua assim mesmo. Depois, adoece e mesmo assim continua fumando. Assim, é uma pessoa sem Deus. Sabe que Ele está ali, mas não o procura”.

José Serra em discurso proferido durante o 28º Congresso Internacional de Missões.

Sinceramente, custei a acreditar que José Serra tivesse de fato dado tal declaração. Não me assustaria se ela tivesse partido de uma Sara Palin ou de um George Bush. Ou então, em nossa política nativa, figuras exóticas como Heloísa Helena, Marina Silva, Marcelo Crivella ou qualquer outro político que não conheça a barreira entre religião e Estado (laico), entre políticas públicas e liberdade individual, eu acreditaria, mas partindo de José Serra, ex-presidente da UNE, ex-ministro da Saúde, cair nesse discurso infantil a fim de coletar votos entre os segmentos ligados a um fundamentalismo abjeto, sinceramente me causou certo espanto.

Até onde um homem pode chegar na ânsia pelo poder? Jogar na lata do lixo a própria biografia?

E mais, José Serra disse isso no 1° de maio, o ex-governador paulista preferiu o refugio religioso a comemorar o Dia dos Trabalhadores, num evento para o qual o governo de Santa Catarina e a Prefeitura de Camboriu, ambos administrados por correligionários de Serra, destinaram R$ 540 mil para a sua realização.

Lembrei-me dum ótimo artigo da Folha de São Paulo, assinado por João Pereira Coutinho e publicado em agosto de 2006. Eis o artigo:

A guerra acabou

George Steiner, um dos últimos casos de cultura e civilidade que interessa ler com atenção, escreveu recentemente um breve ensaio. Sobre a idéia da Europa, intitulado "A Idéia da Europa". Ambição estimável: mostrar como a Europa possui uma unidade cultural e até espiritual que a distingue dos outros cantos do globo. Para Steiner, a Europa, a sua Europa (que, de certa forma, é minha também), surge como herança maior de Atenas ou Jerusalém, ou seja, como herança maior do pensamento racional e das grandes teologias judaico-cristãs. É igualmente um espaço que é possível calcorrear a pé, permitindo um confronto permanente com praças ou pracetas, ruas ou avenidas, que transportam no nome um pedaço de história ou memória. Como se houvesse em cada esquina a sombra inapagável de um passado de mortos.

Mas a Europa é também a Europa dos "cafés": ao contrário do "pub" inglês ou do bar americano, os cafés da Europa não são apenas locais utilitários de bebida ou refeição. São espaços de encontro, romance, discussão ou criação. Espaços de fumo e bebida. Vadiagem, malandragem. E em cada café da Europa existe também a presença invisível dos que o habitaram: Kraus em Viena; Pessoa em Lisboa, Sartre em Paris; e porque a ficção se mistura tantas vezes com a realidade, os gangsters de Isaac Babel nos cafés de Odessa. Porque a Europa dos cafés estende-se da Lisboa de Pessoa à Odessa de Babel.

Leio o pequeno livro de Steiner e não posso deixar de sentir uma certa nostalgia. A descrição do autor talvez seja útil para entender a Europa. Mas que Europa? A Europa do passado? Sem dúvida. Mas sobre a Europa do presente, o sábio George está equivocado. Não apenas pelo declínio cultural que a Europa conheceu depois da Segunda Guerra Mundial, quando o "espírito do tempo" emigrou para Nova York, e não mais para Londres ou Paris. Mas porque na Europa, e sobretudo na Europa dos cafés, dificilmente encontramos o ambiente físico e espiritual que Steiner retrata. A vida intelectual é hoje essencialmente solitária e privada, onde os escribas vão cultivando os seus feudos, e os seus ódios, sob a luz triste da existência suburbana. E sobre beber ou fumar, a maioria dos cafés do continente já foi abolindo o último vício, esperando-se que se ocupe agora do primeiro. Os cafés da Europa serão, a prazo, jardins infantis.

O "espírito do tempo" não emigrou apenas para outras paragens. Ele foi destruindo uma cultura de adultos, entregando as rédeas do mundo à ideologia patética da juventude. Não admira, por isso, que o último passo tenha sido dado nos últimos dias: uma empresa irlandesa publicou um anúncio de emprego. E estabeleceu: fumantes escusam de se candidatar. De acordo com o diretor da empresa, pessoas que fumam não revelam a inteligência necessária para trabalhar no covil irlandês. E cheiram mal. E são insuportáveis para terceiros.

O gesto indignou algumas consciências políticas e uma eurodeputada britânica resolveu levar o caso à Comissão Européia, que pastoreia e vigia a vida do continente. Será legítimo excluir do trabalho alguém que fuma? A Comissão respondeu afirmativamente: a Europa proíbe a discriminação no emprego com base na raça ou etnia; na deficiência; na idade; na orientação sexual; na religião ou nas crenças. Mas não necessariamente quando uma empresa faz juízos objetivos sobre escolhas individuais. O problema já não está na mera possibilidade de proteger os não-fumantes do vício de terceiros, disponibilizando espaço próprio para os últimos. O problema está, tão só, na mera existência dos viciosos, que devem ser erradicados da paisagem comum.

Por favor, escusam de me enviar mensagens indignadas. A guerra acabou e, de certa forma, vocês, fanáticos, venceram. A luta contra o tabaco nunca foi uma luta pela saúde dos "passivos" (o que seria compreensível). Foi simplesmente uma luta contra a liberdade individual em nome de uma utopia sanitária: os fanáticos não desejam apenas que o fumo não os perturbe; desejam que a mera existência de um fumante também não. É a intolerância levada ao extremo e servida numa retórica simpática e humanista. E agora com cobertura legal.

A prazo, essa luta não irá ficar apenas pelo fumo: pessoas gordas; pessoas que bebem; pessoas que desenvolvem atividades sexuais promíscuas; pessoas inestéticas; pessoas que não se adaptam à cartilha higiênica das patrulhas serão enxotadas, como ratazanas da espécie, de qualquer presença visível numa sociedade crescentemente dominada pelo culto da saúde. Seremos como as tribos primitivas, elevando o corpo a um novo deus. Caprichosos e cruéis.

George Steiner, no mesmo ensaio, afirma que a Europa só não morrerá se souber preservar as suas "autonomias sociais": línguas, tradições, liberdades, excentricidades. E, citando o célebre dito de Aby Warburg, relembra que "Deus está nos detalhes".

Pobre George. Pobres de nós. De que vale o otimismo de um sábio quando os bárbaros são recebidos como heróis?
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

sexta-feira, 30 de abril de 2010

DA FOME A LÍDER MUNDIAL - LULA

quinta-feira, 29 de abril de 2010

De perseguido pela fome a líder mundial

Ano passado quando Barack Obama chamou Lula de “the guy”, teve colunista aqui no Brasil – muito conhecido pelas suas barrigas – que viu naquele gesto de simpatia, talvez até um ato de admiração, um deboche do homem mais poderoso do planeta para com o “bebum nordestino”. Será que a conceituada Time também está “debochando” quando elege Luiz Inácio Lula da Silva um dos líderes mais influentes do mundo?

Lula, o retirante perseguido pela fome e depois pela Ditadura Militar, que se tornou, extraordinariamente, não só o presidente mais popular da história do Brasil, mas que também conseguiu inserir o país no século XXI, entre outras coisas por retirar milhões de brasileiros da miséria crônica e por adotar uma política externa soberana, é tratado com esnobação pela mídia oligopolizada – ou o Partido do Capital, como Gramsci a chamava¬ ¬– e bombardeado com zombarias e preconceito pela classe média branca. Pois bem, agora FFHH e suas viúvas devem estar cortando os pulsos de inveja, afinal, como pode um nordestino analfabeto, pingaiada, vagabundo e barbudo ir até onde eles nunca sonharam? Isso é ousadia demais pra essa gente fina suportar!!!


Luiz Inácio Lula da Silva

Por Michael Moore (tradução Viomundo)

Quando os brasileiros primeiro elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente, em 2002, os barões do país [robber barons] checaram o tanque de combustível de seus jatos privados. Eles haviam tornado o Brasil um dos países mais desiguais da terra e então parecia ter chegado a hora da “vingança”. Lula, 64, era um filho genuíno da classe trabalhadora da América Latina — na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores — que tinha sido preso por liderar uma greve.

Quando Lula finalmente conquistou a presidência, depois de três tentativas fracassadas, ele era uma figura familiar na vida nacional. Mas o que levou à política? Foi seu conhecimento pessoal do quanto é duro para muitos brasileiros trabalhar para sobreviver? Ser forçado a deixar a escola na quinta série para ajudar a família? Trabalhar como engraxate? Ter perdido um dedo em um acidente de trabalho?

Não, foi quando aos 25 anos de idade ele viu a esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com o filho, por não poderem pagar um tratamento médico decente.

Há uma lição aqui para os bilionários do mundo: deixem as pessoas terem bom atendimento médico e elas vão causar muito menos problemas para vocês.

E aqui há uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula — ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e vai servir até o fim do ano — é de que quando ele tenta colocar o Brasil no Primeiro Mundo com programas sociais como o Fome Zero, desenhado para acabar com a fome, e com planos para melhorar a educação disponível para os trabalhadores do Brasil, faz os Estados Unidos parecerem cada vez mais um país do velho Terceiro Mundo.

O que Lula quer para o Brasil é o que um dia chamamos de Sonho Americano. Nós, nos Estados Unidos, onde o 1% no topo da escala tem mais riqueza financeira que os 95% da base combinados, estamos vivendo em uma sociedade que está ficando rapidamente cada vez mais parecida com a do Brasil.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

TIME E RANKING ARRANJADO

O Brasil e os brasileiro já podem dormir tranquilos. A revista Time negou que tenha dado ao presidente Lula o pimeiro lugar no ranking das pessoas de maior influência no mundo. Abaixc, o desmentido pelo Deptº. de Relações Públicas da revista Time.


Pela manhã, o site da revista norte-americana divulgou uma relação com os nomes dos 25 líderes mais influentes do mundo escolhidos pela publicação. A lista era numerada de 1 a 25, não estava em ordem alfabética, e colocava o presidente brasileiro em primeiro, ao lado do número 1 (veja foto acima). Na edição eletrônica da publicação, ao clicar na sessão "líderes", o internauta era direcionado automaticamente para um perfil de Lula escrito pelo cineasta Michael Moore.

O UOL e outros sites noticiosos brasileiros e internacionais divulgaram a informação que Lula havia sido escolhido o líder mais influente do mundo. A redação do UOL Notícias entrou em contato com o departamento de Relações Públicas da revista "Time", que negou que a lista numerada era um ranking. Segundo a assessoria, "a Time não faz distinção no nível de influência das 100 pessoas que aparecem na lista."

Após os questionamentos do UOL, o site da "Time" retirou os números na lista de líderes mais influentes do mundo.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

DUAS NOTIFICAÇÕES DO VEREADOR FLÁVIO FARIA

Do Vereador Flávio Faria - Poços de Caldas, MG

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Informe a população – Indicações do mês de abril

Preocupado com a situação dos usuários da Farmácia Pública que se encontra no hospital Margarita Morales e a população da Zona Sul de modo geral, pedi à Secretaria de Saúde, através de Indicação na Câmara Municipal, a ampliação do horário de entendimento da citada farmácia. Hoje o horário de atendimento é muito restrito, com a farmácia funcionando apenas até às 14:00, o que prejudica parte da população, principalmente àquelas que trabalham durante o dia.

Outro assunto que mereceu Indicação de minha parte é uma realização de estudos visando à transferência da agência do Banco Itaú, ao lado da Prefeitura, para um local mais amplo. O espaço físico daquela agencia não oferece conforto aos clientes, principalmente em dias de pagamento dos servidores públicos municipais, quando há grande fluxo de pessoas.


terça-feira, 27 de abril de 2010

Pela valorização da Educação em Minas

Não é de hoje que os professores da rede estadual de Minas vem lutando por melhorias salariais além da valorização da profissão, melhores condições de trabalho e por uma educação de qualidade. Infelizmente os oito anos do governo neoliberal de Aécio Neves sucateou a educação em nosso Estado, digo isso como professor, embora da rede municipal, e conhecedor de todos os males que a categoria atravessa há tempos.

Em 2008, o Congresso Nacional aprovou e coube ao Presidente Lula sancionar, a implementação de um Piso Salarial Profissional Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação. Hoje esse piso é de R$ 1.312,00. Trata-se do valor mínimo a ser pago a um profissional do magistério público, com formação de nível médio (modalidade Normal) para uma jornada de, no máximo, 40 horas semanais, conforme determina a Lei 11.738/2008.

Neste valor, é bom frisar, não estão incluídos outros direitos dos trabalhadores da Educação, como o pó de giz, qüinqüênios, abonos, e demais vantagens de natureza individual, local ou de trabalho.

Os valorosos professores mineiros lutam por nada mais que o cumprimento de tal Piso Salarial (previsto em Lei), daí minha solidariedade a toda a categoria, da qual orgulhosamente faço parte.

GREVE DOS SERVIDORES DA EDUCAÇÃO MG

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A greve nas escolas estaduais de Minas Gerais está completando 21 dias nesta quarta-feira (28/04). Os professores reivindicam a adequação do Estado ao piso salarial de R$ 1.312,85 além das gratificações. Mas, sobretudo, respeito e valorização da educação no Estado, que se encontra sucateada pelo descaso dos governantes mineiros nas últimas décadas, além de melhores condições de trabalho para toda a classe.

O Sind-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais) calcula adesão de 60%. Levando em conta que Minas conta hoje com 203 mil servidores na área de educação, somos mais de 120 mil servidores em greve.

“O que a Secretaria (de Educação) tem que fazer é apresentar uma proposta para a categoria que está em greve e não ficar nessa disputa de interpretação de legislação. A nossa reivindicação está clara. A greve é por tempo indeterminado e nós queremos uma proposta concreta do governo de Estado para negociar”, declarou Beatriz Cerqueira, coordenadora-geral do Sind-UTE, sobre a interpretação da Lei 11.738/2008 que implementou o Piso Salarial Profissional Nacional para os Profissionais do Magistério Público da Educação, esse piso, em valores atualizados, é de, justamente, R$1312,85.

Já em resposta à ameaça de retaliar os servidores grevistas com “falta” no livro de ponto e a possível contratação de substitutos, o Sind-UTE divulgou a seguinte nota:


Em atenção ao Ofício Circular Gab.n° 1013/2010 de
26/04/2010, da Secretária de Estado da Educação,
Vanessa Guimarães, o Sind-UTE/MG esclarece:


1) O direito de greve dos servidores públicos é legítimo, estando previsto
constitucionalmente, na regra do art. 9º da Constituição Federal de 1988.


2) A Lei Federal n° 7.783 de 28/06/89, por força da decisão proferida no Mandado de Injunção nº 708 do Supremo Tribunal Federal, regulamenta o direito de greve dos servidores públicos.


3) A participação em greve suspende o contrato de trabalho, sendo vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos (art. 7º, parágrafo único, lei n° 7.783/89).


4) As faltas em serviço por motivo de mobilização da categoria para a defesa de seus direitos são faltas justificadas, logo, não se equivalem à faltas por ausência injustificada ao serviço.


5) De acordo com a legislação vigente, o servidor em greve, seja efetivo, designado, efetivado pela Lei100, efetivo em estágio probatório, ou em qualquer outra situação não pode sofrer retaliação em função de participar da greve.


6) A emissão do ofício por parte da Secretaria Estadual é uma clara estratégia de desmobilizar a categoria num momento em que a greve se consolidou ganhando adesão em todas as regiões do estado. Não podemos deixar que a Secretaria alcance o seu objetivo. Se os profissionais em greve recuarem, perderemos a oportunidade histórica de conquistar um salário melhor e não teremos condições de realizar qualquer negociação, uma vez que o sindicato ficará fragilizado.


7) Todas as medidas judiciais possíveis estão sendo tomadas pelo Sind-UTE/MG para tentar anular os efeitos do Ofício da Secretária.


8) Precisamos manter nossa mobilização e as atividades definidas pela assembleia realizada em São João Del-Rei.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boa

segunda-feira, 26 de abril de 2010

NUNCA MAIS

NUNCA MAIS



Nunca mais... Duas palavras curtas que carregam em seus bojos de significados a sensação do eterno, até mesmo ao que se restringe ao âmago de nossas existências. Observemos dois amantes a uma despedida: “Não, nunca mais!”; um filho a seus pais: “Não há jeito a dar. Nunca mais!”; de um pai aos seus familiares: “Parto, não sei se voltarei, talvez seja para nunca mais!”
Porém, avaliemos separadamente as palavras, cada uma de per si:
Nunca: negação a uma possibilidade de vir se concretizar; mais: adiciona algo a outra situação, embasada na expectativa de vir acontecer.
Juntando a duas palavras teremos o mesmo efeito de se tentar unir o pólo negativo ao pólo positivo: haverá uma repulsão de resultados físicos em que ambos se rejeitarão.
Nunca mais... Dói bem mais que um morrer, porque sentimos coisas morrendo dentro da gente.
Nunca mais... Significa separação; separação conota ausência e essa poderá ser passageira ou eterna. A passageira é por si só suportável, todavia a eterna mergulha todas as sensações humanas no averno; de lá ninguém sai inteiro, nem feliz ou com uma fímbria de esperanças.
Lá, mergulhamos de cabeça em um mar de Nunca mais.
Nunca mais é saudade, é abatimento, é cansaço, é a negação a tudo, é o vazio, são as trevas nos engolindo ao Nunca mais. É o compasso do relógio da Eternidade e os seus nunca mais, nunca mais, nunca mais, nunca...

sábado, 24 de abril de 2010

A FACE ESTRANHA

conto liliputiano


Que face é esta que trago comigo? Tateio com as pontas dos dedos todas as linhas que desenham esta face estranha. De onde a terei ido buscar? Essa face, porém, não me é estranha como me faço convencer. Não me pareço a ninguém. Tenho algo de Baudelaire, mas muito vago, bastante nebuloso, diria sem sustos. Talvez... Talvez queira me convencer, ao menos, para ter um parâmetro a quem me pertence essa face... Oxalá a um Nietzsche? Não, não, ao filósofo das causas perdidas não havia o traço refinado do belo. Como saberia se não sei se tenho algo de belo ou de horrendo? Teria a minha face se formado do pó das estrelas? Ela é minha, desde quando? Estarei carregando uma face milenar? Uma coisa eu desconfio, e mais: pendo para o lado da certeza de que esta não foi sempre a minha face. Formou-se da argila do Monte Olímpio? Olho e olho, e me enxergo mais um Baudelaire mesmo. Já me asseguraram isso. Tolices. Isto é mais sério que o próprio. Meus dedos, que a tateiam, não me dizem nada. Nada me revelam. Só me revelam uma angústia de não me parecer a mais ninguém a não ser a mim mesmo com ou sem beleza - despersonalizada face estranha. Renego-a! Espanco-a ao pórfiro dos pelasgos. É provável tenha vindo de lá. Ah, Grécia! Ah, Grécia! Como a choro..., a ponto de me afogar em minhas próprias Lacrima Christi. Mas... Mas... Não sei ainda. Confusas estão minhas crenças e dúvidas. A face estranha que não se parece a Baudelaire ou a Nietzsche, já sei a quem se parece. Parece-se a Deus, que me Fez à sua imagem e semelhança. Mas... Como ninguém jamais viu Deus meus questionamentos continuam. Esta face é mesmo minha? Um dia ela há de se juntar ao pó da terra, e se moldarem uma máscara mortuária talvez se pareça a mim mesmo. Pronto! Fiat Lux! Resolvi o problema da estranha face estranha. Sou eu: milenar e fogo-fátuo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O LUGAR DA VÍRGULA

Conto liliputiano


Eu era criança ainda mas já tomava contato com as primeiras letras do nosso alfabeto e aos números da tabuada. Com o tempo aprendi a formar frases de início pequenas depois as maiores e com o passar dos anos as complicadas.
Aprendi ainda que a nossa língua portuguesa pudesse ser mais assimilável e cujas paradas ao descanso a uma leitura em voz alta corresponderia a um silêncio tácito e não subjugado a um pequeno apêndice de nome estranho então a mim: vírgula.
Lembro-me de respostas ríspidas como “Você quer aparecer? Uma vírgula que você é o que pensa ser.” Afinal para que servia a vírgula se não fosse para dar pausa a um texto e não pretexto para humilhar pessoas? Quer dizer: o sujeito nada era. Era uma vírgula.
E a tia que vivia em nossa casa perguntava-me a um escorregão na escrita: “Você não esqueceu nada?” Eu olhava e olhava e olhava e nada enxergava de errado. Então a correção se intensificava: Cadê a vírgula? Vírgula era apêndice descartável pensava eu então. Lá vinha de novo a exigência: “Qual é a casa da vírgula?”
Eu nem sabia que a tal vírgula tivesse casa. Olhava para os olhos inquisidores de minha tia com cara de besta ou de desentendido.
“Qual a casa da vírgula?”
Queria lá eu saber? Eu queria escrever e pronto. A vírgula não é o que ela pensa ser e é tão somente uma vírgula. Tenho dito: é uma vírgula!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O OUTRO LADO

(Nano conto)



“Animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas.” Do conto “O Troco” de Marcio Almeida em cronopios.com


Vejo-me ao espelho do pequeno Box no banheiro. Aquele em que por trás de uma portinhola de plástico há divisões para se guardar escovas de dente, cremes, alguns remédios e outras bugigangas. Coisas inofensivas. O que está do outro lado, aprisionado pelo aço com que é revestido o espelho do Box, se assemelha em muito ao animal que se acha por trás das grades de um zoológico, por exemplo, como diz a frase acima. Frase que li no conto de Marcio Almeida, colaborador de site literário. Sou novo ali naquele pedaço. Acabo de entrar, como um enxerido que não foi chamado. Lá, só há cobras. Das grandes, mas sem peçonha. Não há grades ou fossos, entre os nós, leitores, e eles.
Ai, então, mira-me meu duplo do espelho e me sinto perigoso o bastante para me fazer qualquer mal. Afinal estou do lado de cá, onde se encontra o animal selvagem e cruel, pronto a dar o bote fatal.

Dê-me a marreta que quero esfacelar essa superfície lisa onde me aprisiona o meu lado pacífico do outro lado. Já!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

UM, HERÓI; O OUTRO, INIMIGO

Bom dia, amigo Gimenez:


De todos os acontecimentos que precederam o golpe militar de 64, como ficou conhecido por anos entre nós brasileiros, esse do jornalista Herzog foi o mais absurdo entre os muitos sucedidos nos porões do DOI-CODI. Como se pode esquecer um capítulo que enlameou a história da nossa Nação, com a democracia vigendo em nosso território a pleno vapor e para o gáudio de todos os cidadãos? Não que tenha sido um período do qual pudéssemos nos orgulhar. Tudo teve inicio com a posse do senhor João Goulart à frente dos destinos da Nação brasileira. Ato consolidado e apoiado na Constituição. Após, e quase simultaneamente, o famoso comício da Central do Brasil e a conhecida Revolta dos Marinheiros encabeçada por um militar - cabo Anselmo - que abrigava ao peito um autêntico libelo contra a situação perversa que a raia miúda das nossas Forças Armadas passava. Esse fato, até hoje registrado nos anais da história da pátria com marca indelével e firme, desencadeou o pretexto ao golpe militar. Os jornalistas, mercê à liberdade de imprensa que sustentava os meios de comunicações brasileiros, botaram a boca no trombone; se insurgiram contra os arrochos e perseguições iniciadas com o fito de promover o respeito pelo medo. Contrariamente ao que era esperado pelos generais de prontidão, esse terror não passou de um susto àqueles que lutavam, sobre a capa da clandestinidade, contra o novo regime imposto pela força e pelas vias da inconstitucionalidade. Não teria sido essa a primeira vez, sabemos todos. Antes, no governo Vargas, houve uma polícia de quepes vermelhos - a Polícia Especial do regime da hora, e outro órgão ligado ao mesmo governo com objetivos de calar os recalcitrantes, os insatisfeitos e os possíveis contra golpistas. Em 64, adotaram o mesmo viés. Vlado Herzog foi o símbolo maior dessa voz da liberdade que se tentou sufocar por meio de torturas e de sumiços, que providenciavam aos que se tornavam barreiras humanas e ideológicas ao império da farda.

Hoje, face um governo falacioso do PT - verdadeiro polvo a estender seus tentáculos longe de nossas fronteiras, como em França - a gente se torna saudosista a um regime que perdeu sua força truculenta já no governo do general Figueiredo, mas ainda sob o ranço do autoritarismo brando, contudo autoritário. Então, o que se vê hoje? O Estado é o responsável pelos marginais que se encontram sob sua custódia, contudo como explicar a morte do assassino serial de Luziânia, por enforcamento, dentro da cadeia, numa imitação barata e sem o verniz que outra morte, violenta e sob as mesmas circunstâncias, porém com outra conotação, se dera no DOI-COD anos atrás? A do jornalista Vlado Herzog se viu revestida pela roupagem do verdadeiro sacrifício dos heróis; a do pedreiro de Luziânia, acobertada como suicídio, não passa de um ato de vingança e de justiça à revelia da Justiça. Essa morte arranjada, ainda não pode dar ao Processo o desfecho "Encerrado". Por trás do corpo do pedreiro, pendurado por uma corda elaborada com o tecido de um colchão de sua cela, há muito mais mistério do que sonha a vã filosofia dos homens.

Gimenez, obrigado pelo histórico sobre a morte do jornalista Vlado Herzog, pois vemos repetir-se aquele trágico processo de execução para calar uma voz atuante de nossa imprensa, imprensada pelos tanques militares.
A voz do assassino dos rapazes de Luziânia foi calada por quê? Veremos, ao desenrolar das apurações. Abraços.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

UMA PASSAGEM POR TÓKYO

UMA PASSADA POR TÓKIO


A lua argêntea não era lua nem argêntea, era um disco amarelo correndo por trás dos galhos retorcidos das árvores tortas do jardim do Mikado. Precisa taxi? Perguntaram em inglês. A resposta ficou engasgada à garganta, mas o chofer de luvas brancas me conduziu ao banco do carona sem saber se era ali que eu desejava sentar. Leve-me ao lugar de onde saem os Shinkanzen que desejo ir a Yamagata ou a Hokkaydo, sim? Disse em fluente inglês. Um sorriso amarelo em um rosto mais amarelo de maçãs proeminentes mais amarelas ainda, e de olhos rasgados além do normal como se tivessem passado por cirurgia estética para deixar o rosto mais nipônico ainda. É o orgulho latente da raça nipônica que levantou uma Tókyo e uma Nagazaki em menos de 65 anos. Sobre Nagazaki o imenso cogumelo tão mais quente que a boca de um vulcão derreteu até aço e derreteria o Homem de Aço ou o Capitão Marvel, mas a Tocha Humana, herói incandescente dos anos 40, faria pior estrago do que fora feito pelo cogumelo venenoso. Negou-se a ir o herói flamejante preferindo o calor da Califórnia.
E na planície que ficou um gaúcho sentado, numa cadeira recostada à única parede que sobrou, tomava chimarrão.
Ali não era os pampas gaúchos era? Não! Eram as terras calcinadas de Nagazaki sobre a qual ele jogou a sobra do chá. Levantou-se colocou as mãos nos bolsos e se foi assoviando a Valsa da Despedida.

sábado, 10 de abril de 2010

CARTA A UMA FÃ DE LULA

CARTA A UMA FÃ DE LULA


2010/04/10


Senhora:

Recebi, diretamente do Japão, PPS enaltecendo o atual presidente da República - o cidadão Lula. Como formatador, aparece o seu endereço eletrônico; todavia ignoro se saiu de sua lavra os encômios ao petista em foco.

Ora, não sei ainda a qual Brasil a senhora se refere. Se existir outro país, seja em qual quadrante for neste planeta, com o mesmo nome deste em que vivemos, na certa lá pode ser que haja um presidente coincidentemente usando - ou usurpando - o augusto nome do ex-sindicalista Lula, porque os elogios, registrados no PPS que mencionei, soam como coisa falsa. O fato de ele ser nordestino – eu vivi lá e respeito a todos eles - em nada o desabona; a sua profissão, nos primórdios de sua vida - metalúrgico -, também em nada muda quanto ao nosso respeito por um trabalhador, todavia atribuir genialidade a um cidadão que nada sabe mesmo - outro fato que não lhe fere a dignidade é o seu baixo nível cultural - começando pelo vergonhoso caso do "Mensalão" da Câmara dos Deputados - o maldito e sujo começo de tudo o que viria a seguir.

Lula, o homem, parece não ter cérebro e se o tem, falta a esse cérebro a zona onde estariam armazenadas suas palavras do período de suas campanhas eleitorais - a memória; assim como nada sabe, assim parece ter esquecido o que prometeu. Lula não esperava a vitória na primeira oportunidade. Ele jogou como quem joga na mesa de pano verde das ilusões ou dos sonhos todas as suas esperanças, e deu sorte! Aí, começou o nosso "azar". A "prepotência", depois do "deslumbramento" pela sua subida ao Poder máximo do Brasil, foi o seu segundo "prato". Fartou-se, como se farta até o presente momento, desse alimento prejudicial ao caráter de qualquer um. Lula "descaracterizou-se"; "bajulado" - sob segundas intenções de autoridades estrangeiras - se colocou, ele próprio, a um patamar que o faz acreditar tudo poder; o que está resolvido por ele, ninguém poderá mudar, sejam quais forem às conseqüências, tomem os rumos que tomar. Mas não é assim. A sua última tomada de posição contra a ONU, que não está nem aí para ele, e as suas "relações amistosas" ao ditador do Irã, ainda lhe darão uma colheita amarga como a cicuta. Ninguém o elegeu a defesa da causa palestina. Aquilo - a incapacidade de Israel soberano não ceder aos lídimos apelos dos árabes, infelizmente - tornou-se, e não é de hoje, um ninho de vespas. Como ser humano, que não deseja a desgraça a terceiros, eu daria um conselho a quem nada sabe: "Não meta a sua mão naquela cumbuca, pois é um assunto que escapa à sua compreensão política ou humana; procure resolver os sérios e inarredáveis problemas do Haiti que existe dentro do nosso território; não distribua, à mão cheia, dólares e mais dólares a países que sempre souberam resolver seus problemas internos sem os "pitacos" dos governos brasileiros; olhe para os trabalhadores, não superficialmente, mas com profundidade e estenda esse olhar aos idosos aposentados e jamais pergunte aos seus pares "de onde sairá o dinheiro para o reajuste, justo e constitucional, a essas pessoas?". Isso demonstra o seu desconhecimento ( outro ainda?) sobre a verdadeira situação de nossa Previdência. Puxe por sua memória - se a tiver - e verá que nós estamos lá, conforme promessas do homem que nada sabe ou que nada lembra.
O nosso Brasil é o mesmo de antes e depois de Fernando Henrique Cardoso, ou para a sua compreensão: ao seu comando, pouco mudou; ah, perdoe-me, houve uma mudança notável: o aumento descarado da corrupção. Devo debitar isso ao seu comando, ao seu desgoverno. O resto, que se encontra registrado no aludido PPS, é balela. Não me merece qualquer comentário maior. Não tenho tempo a perder.

Morani

quarta-feira, 24 de março de 2010

CLIMA QUENTE NA CÃMARA DE POÇOS DE CALDA

Terça-feira, 23 de março de 2010


O clima esteve quente hoje na Câmara Municipal de Poços de Caldas. O diretor da Circullare, Flávio Cançado, esteve presente respondendo a questionamentos formulados pelos vereadores.

Mas o mais importante, a Câmara foi tomada por uma multidão insatisfeita com a implantação do SIGA(O) – Sistema Integrado Grande Amigo (da Onça).

Para quem, como a imprensa local e nosso prefeito – Paulo César Silva, o Paulinho Courominas (PPS) – passou as últimas semanas dizendo que as manifestações contra o SIGA(O) não passava de ato com objetivos político-partidários e onde apenas meia dúzia de gatos pingados apareciam, foi um baita baque ver tanta gente no plenário da Câmara.

Agora, não posso deixar de ressaltar que Flávio Cançado é apenas um dos responsáveis pelo caos que se tornou a transporte público em Poços de Caldas – e de certa forma está sendo usado como bode expiatório. O povo de Poços tem o direito de saber que os outros responsáveis são o atual prefeito e seu antecessor, Sebastião Navarro Vieira Filho (DEM), além do também ex-prefeito e atual deputado federal Geraldo Thadeu (PPS), pois enquanto chefes do executivo municipal participaram, de maneira ou outra, da elaboração do projeto de integração. Sem contar que a própria Câmara Municipal até agora se esquivou do problema, para não dizer que se omitiu do seu direito de intervir no projeto e dialogar mais com a população. Era visível o constrangimento de alguns vereadores expostos numa Câmara lotada.

Para encerrar vou repartir com vocês o que a essa altura já não é segredo para quase ninguém. O CQC – Custe o Que Custar da TV Band – esteve aqui em Poços e nas próximas semanas levará ao ar no quadro “Proteste Já” uma matéria comigo, aguardem e tenho certeza que vocês darão boas risadas!!!
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 20:45 0 comentários Links para esta postag

segunda-feira, 22 de março de 2010

GEOPOLÍTICA DA VERGONHA

GEOPOLÍTICA DA VERGONHA

Maria Lucia Victor Barbosa 21/03/2010

Um dia disseram a Lula da Silva que ele mudaria a geopolítica mundial. A idéia megalômana era a de projetar em curto prazo o Brasil como potência que ultrapassasse as existentes, especialmente, os Estados Unidos. De imediato o presidente da República encampou a inebriante sugestão e assumiu o papel de super-homem também a nível internacional. Para uso interno já lhe havia sido construída a imagem de super-herói com traços divinizados, pois o Brasil, segundo a lenda da propaganda, se divide entre antes e depois de Lula da Silva. Naturalmente, foram planejadas eficientes estratégias que culminaram no atual estado de coisas de total alienação popular, domínio dos partidos políticos, do Legislativo, do Judiciário e das instituições. Importante também a manutenção do poder, algo projetado para no mínimo vinte anos conforme sempre apregoou o sempre todo-poderoso José Dirceu. A meta está focada em destruir o Estado de Direito democrático que inclui as liberdades civis, entre elas a de pensamento e de mercado, e os direitos humanos. Provém daí o estridente antiamericanismo que, na América Latina tem em seus expoentes os irmãos Castro, Hugo Chávez e seus satélites e, porque não, Lula da Silva que ultimamente tem aumentado tom e ritmo das provocações aos Estados unidos. Note-se que na política externa, orientada basicamente por Marco Aurélio Garcia, o Brasil tem se posicionado a favor da escória mundial. Desse modo, nosso país tem vergonhosamente se calado sobre as violações de direitos humanos em Cuba, no Irã, na Coreia do Norte, no Sudão, no Congo, em Sri Lanca. Acrescente-se que o presidente da República fica à vontade quando se trata de ir à Venezuela fazer campanha para Chávez e outros vizinhos que são companheiros. Porém, se absteve de comparecer á posse do presidente eleito no Chile, Sebastián Piñera, anatematizado por ser de direita. O Brasil violou a soberania da pequena e valente Honduras, introduzindo na embaixada brasileira, a mando de Hugo Chávez, o defenestrado Manoel Zelaya. Lula da Silva tem visitado e apoiado ditadores africanos, mas o espetáculo mais vergonhoso aconteceu durante sua última viagem à Cuba, quando protagonizou espetáculo deprimente ao confraternizar alegremente com os ditadores Castro, enquanto o corpo martirizado do dissidente Orlando Zapata esfriava no caixão. Ao mesmo tempo, o presidente brasileiro fez ouvidos moucos às súplicas dos dissidentes cubanos, defensores da liberdade, e os rotulou de bandidos. Certamente, o super-homem que contém o vírus da paz e do diálogo, classificará também as damas de branco, que em Cuba foram às ruas em protesto pacífico em nome da liberdade, de bandidas. Mas nosso super-homem não pode parar. O mundo o espera para continuar a girar. Então, partiu em missão na qual as mais importantes autoridades mundiais têm falhado há anos: intermediar um acordo de paz entre israelenses e palestinos, em que pese ambos os lados ter afirmado que não lhes interessa tal mediação. Mas o fantasma do cubano Orlando Zapata Tamayo parece assombrar Lula da Silva, pois sua passagem pelo Oriente Médio converteu-se num novo fiasco. Em vão governo e oposição israelenses cobraram de Lula apoio as sanções contra o Irã. Como aconteceu com Hillary Clinton durante sua visita ao Brasil, ele demonstrou inabalável fidelidade ao amigo e aliado, Mahmoud Ahmadinejad. E fez mais para afrontar o povo judeu: se recusou a depositar flores no túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo, portanto, defensor da autodeterminação dos judeus através de um Estado próprio. O insulto foi mais uma brilhante idéia de Marco Aurélio Garcia, que avaliou a solenidade como uma contradição a posição brasileira pró-palestinos. Como compensação ao desacato, Lula colocou uma coroa de flores no memorial do Museu do Holocausto, em Jerusalém, enquanto repetia em performance shakesperiana: “nunca mais, nunca mais, nunca mais”. O desempenho teatral, contudo, não o impede de ser aliado de Ahmadinejad que nega o Holocausto e prega obsessivamente a destruição de Israel. Após a passagem por Israel, Lula da Silva se encontrou com o presidente da autoridade palestina, Mahmoud Abbas. Muito a vontade, subiu o tom contra a expansão dos assentamentos, pregou a derrubada do muro construído por Israel nas suas fronteiras com a Cisjordânia como medida defensiva e aproveitou a crise entre Israel e Estados Unidos para de novo se oferecer como mediador dos conflitos e até conversar com o grupo terrorista Hamas. Colocou flores no túmulo de Yasser Arafat para marcar a diferença. Lula da Silva não chegou num bom momento em Cuba nem em Israel. Em maio fará mais uma viagem, desta vez ao Irã. Se no dia de sua chegada, mais opositores ao governo de Ahmadinejad estiverem sendo enforcados, saberemos se a sorte do “cara” acabou ou não de vez como líder de uma nova e vergonhosa geopolítica mundial.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

sábado, 20 de março de 2010

É AGORA OU NUNCA!

É agora ou nunca! Teremos a oportunidade de afastar esses perigos que nos rondam diariamente vindos do Planalto Central, "via Brasília", até às nossas cidades. Dia 03 de outubro de 2010 está às portas, e não devemos, nós que desejamos as verdadeiras mudanças, permitir que continue o que ai está: planos mirabolantes sem solução, mas com gastos elevados; ensino sem verbas; hospitais sem verbas e, por isso, sem médicos e sem medicamentos; impunidades; maracutaias e discurso vazios cheios de empolação e soberba; promessas sem base, e ainda que tenha base sem promessas, que isso de promessas já andamos nós cheios, desejamos ações; chega de fichas sujas de homens públicos, e de mulheres que se dizem públicas, mas que nos dão um "dedo médio" que traduz: "ó pra você!" Chega de MPs; de bate-bocas para agradar os telespectadores e, pois, eleitores; chega de cartões corporativos sem limítes de gastos; de verbas para países ricos ou pobres - o Brasil é um pais rico e pobre, a um só tempo. Aqui temos os nossos Haitís, Faixas de Gaza, Colômbias e Bolívias! Chega de mistificações...; de sorrisos cínicos e de denúncias vazias; de CPMFs caladas, como a da Petrobrás e do Denit, pelos tanques situacionistas;
Chega de Estrelas Vermelhas; de PT; de Lula e de Dilma; de herança maldita; de mordaça à imprensa nacional; de filhos milionários da noite para o dia; de mentiras deslavadas como a do "Rombo" da Previdência, quando o melhor seria dizer o "Roubo na Previdência"...; chega de escândalos encobertos e de coronéis políticos como se o Brasil vivesse à época do "coronelismo de fazenda"! Chega! Bastam oito anos de desmando e de viagens turistas pelo globo terrestre sem nada resolvido. Chega de abusos, de Reuniões de "Estadistas", ali e acolá, e de preocupações falsas ao clima da Terra e às medidas mais esdrúxulas como a de proibir imagens religiosas em Repartições Públicas e em todo o resto da sociedade. Mais um pouco e nem as Igrejas poderão ter seus santos e símbolos religiosos, mas os retratos dos "dirigentes petistas". Será isso tudo o que nós desejamos para o Brasil de amanhã e com eles o continuismo? Não esqueçamos, jamais, o Plano de Raça Ariana para 1000 anos! Tudo saindo da cabeça doentia de um homem e que se espalhou pela multidão, por um país e por toda a sociedade germãnica e que se estendeu à Italia de Mussolini e ao Japão de Hiroyto. E ainda desejam negar o Holocausto como aqui desejam negar a miséria do povo; não reconhecer a falta de recursos para o mínimo, o que se dirá para o máximo? Chega de volumosos impostos e taxas e de Portarias que estabelecem outras despesas ao povo. Chega de gritar "chega!" porque no dia em que não precisarmos dizer "chega!" é o sinal de que tudo nos corre bem, muito bem. Chega, pois, de esperar.

quinta-feira, 18 de março de 2010

17 de março de 2010

Sobre Momentos de Decisão da seção Marli Gonçalves

Há muito não lia um texto com tal envergadura literária. Há momentos em que, mal comparado, me lembram algumas passagens de o inigualável romance Grande Sertão:Veredas, de João Guimarães Rosa, pela liberdade como foi concebido pela jornalista Marli: sem a rigidez das crônicas cem por cento certinhas, onde cada palavra tem o seu lugar previamente estabelecido como nos sonetos, cuja métrica rigorosa não pode ser desobedecida. Fica-se metido numa camisa de onze varas. Nesta não há espaço à liberdade. Repiso: aqui não; Marli Gonçalves navega pelo texto com total liberdade de expressão, sem perder o ritmo e a musicalidade de sua pequena obra. Amei o seu texto que tem, aos olhos, a cor do mel e à alma, a liberdade sempiterna, igual a que encontramos numa vasta campina como a do famoso Van Gogh - o mais liberto dentre todos os impressionistas do século XIX.

O CASO DREYFUS E O ANTISSEMITISMO

18 DE MARÇO DE 2010


Sobre Dreyfus

Seção Editorial do site Jayme Copstein

O que sei sobre esse polêmico caso, vivido em França no ano de 1894, sobre o processo contra o capitão Alfred Dreyfus, por crime de lesa-pátria, teve sua origem primordial no conflito armado no qual a França sofreu esmagadora derrota, inflingida pela aliança dos Estado germânicos por volta de setembro de 1870 com rendição em janeiro de 1871. Essa derrota obrigou a França a ceder a Alsácia e parte de Lorena aos vitoriosos. Dreyfus, acusado de traição, foi enviado à illha do Diabo - colônia penal francesa na costa da Guiana, depois de um processo que dividiu a França em duas facções. Uma parte da sociedade acusava o referido capitão de judeu, o que concorreu para a campanha antissemítica em França. Duas expressivas figuras, uma da política - Georges Clemenceau, depois Primeiro Ministro, e a outra da literatura - Émile Zola, escritor naturalista de boa fama, bateram-se a favor daquele capitão. Este último publicou, desasombradamente, o libelo J´accuse "Eu Acuso" provocando reviravolta na opinião pública a favor de Dreyfus. Este só foi absolvido após o major Esterhazy confessar ter forjado provas incriminatórias contra o capitão Dreyfus. Em 1906, foi inocentado de todas as acusações e reabilitado. Há muita literatura sobre esse famoso caso, todavia é de bom senso que não se aceite tudo o que se escreveu sobre isso, porque a imprensa da época não ficava muito distante das exacerbações que hoje vemos em nossos próprios meios de comunicação. Nem por isso sou a favor da mordaça que o governo pretende contra a nossa imprensa. Uma Nação sem a sua imprensa livre, torna-se uma Nação irremediavelmente cega.

terça-feira, 9 de março de 2010

MADRE TERESA DE CALCUTÁ, O EXEMPLO DE MULHER

Sobre o Dia Internacional das Mulheres

Recebido de Teruko Kanto - Yamagata - Japão



Madre Teresa de Calcutá!!


Escolhi a Madre Teresa, como representante de todas as mulheres que admiro. A Madre está presente no dia a dia do povo indiano, com as obras que deixou.
Pessoas como a Madre Teresa, não morrem...fenecem em corpo e irradiam para a eternidade.
Que possamos ter uma gota da generosidade, desprendimento, Amor ao próximo, dessa grande Mulher.
"A mais terrível pobreza é a solidão e o sentimento de não ser amado." ( Madre Teresa de Calcutá )
Abraços a todos!
Tê.

UMA SIMPLES HOMENAGEM ÁS MULHERES

Segunda-feira, o8 de março de 2010

É fácil deduzir que quem viveu a adolescência ou juventude durante as décadas de 1960/70 considere Elis Regina a grande figura feminina da MPB. E com certeza Elis Regina foi mesmo a grande voz feminina daquela geração – e olha que ela concorria com Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão entre outras. Mas para a minha geração dos 1980/90 quem marcou foi Cássia Eller – seguida de perto, muito perto mesmo, por Marisa Monte. Hoje, “Dia Internacional da Mulher”, escolho justamente uma interpretação de Cássia Eller, composição do genial Renato Russo, para homenagear essas criaturas belas, fortes, angelicais e diabólicas.

Com vocês 1º de julho na voz única de Cássia Eller.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 12:12 1 comentários Links para esta postagem



domingo, 7 de março de 2010


A insistência dos grão-tucanos e do Partido do Capital (mídia oligopolizada) em fazer de Aécinho candidato à vice-presidência, além de fazê-los passar por constrangimentos dantescos como o presenciado durante a inauguração da obra faraônica da Cidade Administrativa em BH, ainda consegue expor todas as fraquezas duma oposição farisaica, sem rumo e sem projetos para o país. No mais desgasta Serra – que ainda não se declarou candidato a nada –, além do próprio Aécinho e deixa no ar que sem o segundo o primeiro não conseguirá empunhar uma candidatura robusta.

Sempre considerei, na disputa interna entre ambos os governadores, o nome de José Serra como a opção menos ruim para o Brasil. Aécio Neves, como já escrevi antes, não passa dum yuppie, neoliberal de carteirinha, mas o mais importante, um produto de marketing muito bem feito. Já Serra representava uma certa tradição cepalina de desenvolvimentismo e me parecia ser uma criatura política séria e coerente – muito embora não comungasse de suas idéias –, isso até ele se envolver com o que há de mais conservador (e nojento) na política tupiniquim e com os famosos cães de guarda da burguesia, encastelados na mídia oligopolizada.

Pelo andar do carruagem, depois dos demo-tucanos terem passado o vexame de 2006 com o Picolé de Chuchu – quando Geraldo Alckmin obteve no segundo turno menos votos do que no primeiro –, agora querem lançar a chapa “mula sem cabeça”, Aécinho, que queria ser presidenciável, aceita ser vice sem ter um candidato na cabeça de chapa.


JANIO DE FREITAS [da Folha de São Paulo]
Via blog do Luis Nassif


Serra contra Serra

A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura à Presidência

A PRIMEIRA resposta à expectativa criada pela tática de José Serra, de manter-se por tanto tempo como uma incógnita, não lhe é favorável. O desenrolar das circunstâncias políticas criou-lhe mais embaraços do que as vantagens esperadas por sua permanência, com aparências apáticas, no governo paulista. Nem as ocorrências em seu território de responsabilidades governamentais o pouparam, criando-lhe mais situações de desgaste do que colhendo reflexos eleitorais de seus pequenos eventos administrativos e políticos.

O principal efeito positivo da permanência de Serra no poder falhou de todo: sua exposição, favorecida pela condição de governador, ficou muito aquém do conveniente ao candidato. E, no entanto, era arma de grande importância, talvez fosse mesmo decisiva, para mantê-lo na altitude que as pesquisas lhe davam, enquanto Lula e Dilma Rousseff sairiam pelos caminhos pedregosos à cata de grãos percentuais.

Mas não foi a exposição, em si, que falhou, nem, muito menos, jornais e TV que não corresponderam a estímulos. A falha foi do próprio Serra, carente da criação de atrações para câmeras e notícias.

Nisso até chegou ao cúmulo. Nas várias semanas de calamidade fluvial dentro de São Paulo, oportunidade extraordinária -sem se considerar o dever- para juntar-se ao prefeito e demonstrar a capacidade de iniciativa ágil e eficaz esperada de um governante e de um candidato, Serra sumiu. Do ponto de vista da população, não só a paulista, não foi governante nem candidato. E não é preciso falar-se das péssimas notícias que têm vindo da sensível área de educação, de crianças sentadas no chão por falta de cadeiras e mesas à greve de professores.

A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura de José Serra à Presidência. Só lhe permitiu protelar até ao limite a decisão entre ser candidato a presidente ou à reeleição. O que, para uma psicologia hamletiana, seria mesmo o fundamental.

A dinâmica da política poderia trazer compensações para Serra, mas não o fez. Ou só o fará, segundo a opinião dominante, caso Aécio Neves se conforme com a candidatura a vice. A julgar pelo ambiente em Minas a esse respeito, exposto em editorial de “O Estado de Minas” no gênero dos que só saem raramente, a decisão nem cabe mais a Aécio Neves, apenas. Extravasou do âmbito político para o da emocionalidade, com algumas razões coerentes.

Mas nessa historiada de vice cabe outra hipótese: crer que Serra deseje, de fato, a candidatura de Aécio é uma dedução de jornalistas, que a ele transferiram o que se sabe, no máximo, ser desejo de alguns outros peessedebistas. A Aécio não conviria uma vice sem luz própria, para brilho exclusivo de Serra, nem conviria ficar como figura secundária em esperável candidatura de Serra à reeleição presidencial. Serra, por certo, sabe disso, como sabe que a ninguém é conveniente um vice com brilho.

Não sendo Aécio, quem quer que entre como vice de Serra já chega desvalorizado ao lugar, tamanha tem sido a caracterização do governador mineiro, inclusive no PSDB, como indispensável às possibilidades de Serra. É outro, e grave, efeito da tática de Serra de manter-se por tanto tempo como incógnita. E dentre todos os efeitos ainda há o que sobressai aos olhos do eleitorado: a queda forte nas pesquisas contra a subida forte de Dilma Rousseff, já os dois, considerada a margem de erro, em situação de empate técnico.

Se candidato, José Serra terá muito trabalho para reverter os males de sua tática até aqui.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

sexta-feira, 5 de março de 2010

CONSIDERAÇÕES DE ADRIAN ROGERS-1931

Subject: interessante


Um professor de economia
na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes,
mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente
funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário
e 'justo. '

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experimento socialista
nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas nas provas."

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto
seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o
que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro,
que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B".
Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se
esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram
ainda menos -
eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que
tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se
aproveitariam do trem da alegria das notas.
Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.
Como um resultado, a segunda média das provas foi "D".

Ninguém gostou.

Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os
alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera
das aulas daquela classe.
A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações,
inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No
final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.
Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.


O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque
ele oi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.

Preguiça e mágoas foi seu resultado. Sempre haveria fracasso na
situação a partir da qual o experimento tinha começado.

"Quando a recompensa é grande", ele disse, "o esforço pelo sucesso é grande,
pelo menos para alguns de nós.
Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros
sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o
fracasso é inevitável."

"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que
punem os ricos pela prosperidade.
Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem
receber.
O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.
Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar,
pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra
metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira
metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação.
É impossível multiplicar riqueza dividindo-a."

Adrian Rogers, 1931

quarta-feira, 3 de março de 2010

SOCORRO À UNIVERSIDADE FLORESTAN FERNANDES

quarta-feira, 3 de março de 2010

Universidade Florestan Fernandes pede ajuda

A Escola Nacional Florestan Fernandes pede a sua ajuda urgente para se manter em funcionamento

Brasil de Fato

Caros(as) amigos(as):

Situada em Guararema (a 70 km de São Paulo), a escola foi construída, entre os anos 2000 e 2005, graças ao trabalho voluntário de pelo menos mil trabalhadores sem terra e simpatizantes. Nos cinco primeiros anos de sua existência, passaram pela escola 16 mil militantes e quadros dos movimentos sociais do Brasil, da América Latina e da África. Não se trata, portanto, de uma "escola do MST", mas de um patrimônio de todos os trabalhadores comprometidos com um projeto de transformação social. Entretanto, no momento em que o MST é obrigado a mobilizar as suas energias para resistir aos ataques implacáveis dos donos do capital, a escola torna-se carente de recursos. Nós não podemos permitir, sequer tolerar a ideia de que ela interrompa ou sequer diminua o ritmo de suas atividades.

A escola oferece cursos de nível superior, ministrados por mais de 500 professores, nas áreas de Filosofia Política, Teoria do Conhecimento, Sociologia Rural, Economia Política da Agricultura, História Social do Brasil, Conjuntura Internacional, Administração e Gestão Social, Educação do Campo e Estudos Latino-americanos. Além disso, cursos de especialização, em convênio com outras universidades (por exemplo, Direito e Comunicação no campo).

O acervo de sua biblioteca, formado com base em doações, conta hoje com mais de 40 mil volumes impressos, além de conteúdos com suporte em outros tipos de mídia. Para assegurar a possibilidade de participação das mulheres, foram construídas creches (as cirandas), onde os filhos permanecem enquanto as mães estudam.

A escola foi erguida sobre um terreno de 30 mil metros quadrados, com instalações de tijolos fabricados pelos próprios voluntários. Ao todo, são três salas de aula, que comportam juntas até 200 pessoas, um auditório e dois anfiteatros, além de dormitórios, refeitórios e instalações sanitárias. Os recursos para a construção foram obtidos com a venda do livro Terra (textos de José Saramago, músicas de Chico Buarque e fotos de Sebastião Salgado), contribuições de ONGs europeias e doações.

Claro que esse processo provocou a ira da burguesia e de seus porta-vozes "ilustrados". Não faltaram aqueles que procuraram, desde o início, desqualificar a qualidade do ensino ali ministrado, nem as "reportagens" sobre o suposto caráter ideológico das aulas (como se o ensino oferecido pelas instituições oficiais fosse ideologicamente "neutro"), ou ainda as inevitáveis acusações caluniosas referentes às "misteriosas origens" dos fundos para a sustentação das atividades. As elites, simplesmente, não suportam a ideia que os trabalhadores possam assumir para si a tarefa de construir um sistema avançado, democrático, pluralista e não alienado de ensino. Maldito Paulo Freire!

Os donos do capital têm mesmo razões para se sentir ameaçados. Um dos pilares de sustentação da desigualdade social é, precisamente, o abismo que separa os intelectuais das camadas populares. O "povão" é mantido à distância dos centros produtores do saber. A elite brasileira sempre foi muito eficaz e inteligente a esse respeito. Conseguiu até a proeza de criar no país uma universidade pública (apenas em 1934, isto é, 434 anos após a chegada de Cabral) destinada a excluir os pobres.

Carlos Nelson Coutinho e outros autores já demonstraram que, no Brasil, os intelectuais que assumem a perspectiva da transformação social sempre encontraram dois destinos: ou foram cooptados (mediante o "apadrinhamento", a incorporação domesticada nas universidades e órgãos de serviços públicos, ou sendo regiamente pagos por seus escritos, ou recendo bolsas e privilégios etc.), ou os poucos que resistiram foram destruídos (presos, perseguidos, torturados, assassinados).

Apenas a existência de movimentos sociais fortes, nacionalmente organizados e estruturados poderiam fornecer aos intelectuais oriundos das classes trabalhadoras ou com elas identificados a oportunidade de resistir, produzir e manter uma vida decente, sem depender dos "favores" das elites. Ora, historicamente, tais movimentos foram exterminados antes mesmo de ter tido tempo de construir laços mais amplos e fortes com outros setores sociais.

A ENFF coloca em cheque, esse mecanismo histórico. A construção da escola só foi possibilitada pela prolongada sobrevivência relativa do MST (completou 25 anos 2009, um feito inédito para um movimento popular de dimensão nacional), bem como o método por ele empregado, de diálogo e interlocução com o conjunto da nação oprimida. Esse método permitiu o desenvolvimento de uma relação genuína de colaboração entre a elaboração teórica e a prática transformadora.

É uma oportunidade histórica muito maior do que a oferecida ao próprio Florestan Fernandes, Milton Santos, Paulo Freire e tantos outros grandes intelectuais que, apesar de todos os ataques dos donos do capital, souberam apoiar-se no pouquíssimo que havia de público na universidade brasileira para elaborar suas obras.

José Arbex Jr., membro do Conselho de Coordenação


Veja como você pode participar da Associação dos Amigos da Escola Florestan Fernandes

Em dezembro, um grupo de intelectuais, professores, militantes e colaboradores resolveu criar a Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, com três objetivos bem definidos: 1 - divulgar as atividades da escola, por todos os meios possíveis, incluindo sites, newsletter e blogs; 2 - iniciar uma campanha nacional pela adesão de novos sócios; 3 - promover uma série intensa de atividades, em São Paulo e outros estados, para angariar fundos, com privilégios especiais concedidos aos membros da associação.

O seu Conselho de Coordenação é formado por José Arbex Junior, Maria Orlanda Pinassi e Carlos Duarte. Participam do Conselho Fiscal: Caio Boucinhas, Delmar Mattes e Carlos de Figueiredo. A sede situa-se na Rua da Abolição n° 167 - Bela Vista - São Paulo - SP - Brasil - CEP 01319-030.

Existem duas modalidades de associação: a plena e a solidária. A única diferença entre ambas as modalidades consiste no valor a ser pago. Ambas asseguram os mesmos direitos e privilégios estendidos aos associados.

Para ficar sócio pleno, você deverá pagar a quantia de R$ 20,00 (vinte reais) mensais; para tornar-se sócio solidário, você poderá contribuir com uma quantia maior ou menor do que os R$ 20,00 mensais. Esses recursos serão diretamente destinados às atividades da escola ou, eventualmente, empregados na organização de atividades para coleta de fundos (por exemplo: seminários, mostras de arte e fotografia, festivais de música e cinema).

Para obter mais informações sobre como participar e contribuir, procure a secretaria executiva Magali Godoi através dos telefones: 3105-0918; 9572-0185; 6517-4780, ou do correio eletrônico: associacaoamigos@enff.org.br.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 15:28