DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

sobre 'BRASIL NADA OLIMPICO" de Hudson

Em 29/08/08

Faço aqui pequeno comentário sobre o assunto do título acima mencionado. Não me sinto no dever prazeroso em me estender sobre o assunto para não deslustrar os outros dois comentarios feitos pelos senhores Roas e Chianello, além o do próprio titular do blog, já mencionado e inserido neste. Fique, pois, apenas como abaixo registro:

Pezado Hudson:Em primeiro lugar, registro neste espaço, de maneira muito sóbria, ao mesmo tempo estupefata, meus cumprimentos pela excelente abordagem à participação dos nossos atletas na última Olimpíada em Pequim. Não há muito que dizer se tudo já foi dissecado pelo amigo, com a habilidade de um cirurgião, sobre o desastre recente naquela efeméride na China. Tanto o senhor Fernando Roas como o nosso conhecido e estimado senhor Lucas Rafael Chianello confirmaram de maneira inteligenteseu lúcido comentário. Sendo solidário aos três, abstenho-me a dar qualquer outra configuração ao assunto e aplaudindo, de pé, os esclarecimentos às razões das falhas e da pífia participação do Brasil no evento olímpico. Um grande e agradecido abraço pela oportunidade.

Morani

BRASIL NADA OLIMPICO

Em 29/08/08

Transcrevo neste meu espaço, com muita propriedade, o comentário do senhor Hudson, titular do blog "DISSOLVENDO-NO-AR", sobre a vergonhosa participação de nossos atletas na última Olimpíada realizada em Pequim.

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Brasil nada olímpico
Mais uma Olimpíada chega ao fim e com ela mais uma “frustrante” participação brasileira. Afinal de contas, frustrante para quem? Não para mim cara pálida. Explicarei, antes vale ressaltar o caráter extremamente comercial dos jogos olímpicos que há muito perderam seu objetivo lúdico, ou melhor, venderam o objetivo junto com a alma ao deus Mercado. Se durante as Olimpíadas na Grécia Antiga pobres mortais buscavam uma aproximação com os deuses do Olimpo, hoje os atletas apenas se ajoelham perante o onipresente deus “Mercado”. Medalhas, recordes, superação, tudo não passa de estampa para obtenção do louro olímpico pós-moderno, um bom contrato publicitário com uma marca esportiva, ou com outra de equipamentos eletro-eletrônicos, ou de refrigerantes, ou da industria automobilística ou do que quer que seja, o importante é não perder os “bilhões” de dólares guardados para os laureados. Os jogos Olímpicos há muito também – como toda a competição esportiva – segue critérios políticos – não que esses estejam desvinculados dos critérios comerciais, mas quando se consegue conjugar ambos em plena harmonia, tanto melhor – como ficou explícito na escolha de Pequim para sediá-los esse ano. Uma cidade poluída, o que já denotaria falta de condições para prática esportiva. No entanto Pequim é capital do país que vem se firmando como a grande potência comercial e econômica do século XXI. É sempre assim, critérios políticos ou comercias, no caso de Pequim ambos se completam. Em 1996 por exemplo, no centenário das Olimpíadas modernas, Atenas, capital grega e muito antes de Cristo o berço dos jogos olímpicos, viu Atlanta, capital da Coca-Cola, levar os jogos. Na verdade a Coca comprou aqueles jogos como verdadeira mercadoria que o são. Pra mim Olimpíada era gostoso mesmo quando acontecia àquela briga entre União Soviética e EEUU para saber quem ficaria a frente no quadro de medalhas, pelo menos era um atrativo à parte. Em 1988, torci muito para os soviéticos terminarem com mais medalhas de ouro em Seul, o que de fato ocorreu. Hoje, essa disputa ente China e EEUU não me empolga. Acho-a um tanto vazia, uma vez que os atletas chineses pouco ou nada diferem dos estadunidenses. A mesma Nike responsável por trabalho escravo, banca astros como o estadunidense ídolo na NBA LeBron James e o herói nacional chinês Liu Xiang, atleta dos 110 metros com barreira. Além do mais, tenho severas críticas quanto ao método de treinamento elaborado pelo governo chinês e o total isolamento de alguns de seus atletas olímpicos. Se é verdade, e o é, que a China de certa maneira deu ao esporte o status de política de estado e não poupou investimento nisso, também é verdade que atletas chineses passaram por um regime draconiano para serem apresentados com um objetivo exclusivamente político por seus mandatários.Quanto à melancólica participação brasileira na China, fica mais uma vez claro, infelizmente, que a total falta de políticas voltadas para a prática esportiva, enxergando-a como ferramenta de inclusão social e cultural, em nossas escolas públicas – digo isso com a autoridade de professor de escola pública e ex-aluno de tal – não poderia nos levar a resultado melhor do que as parcas medalhas trazidas por nossos atletas. O governo federal, parece até brincadeira, através do Ministério dos Esportes investiu uma quantia razoável em atletas de alto rendimento, ao passo que segue sucateando escolas públicas.Por isso, pedir investimentos em práticas de iniciação esportiva é pedir demais, se em muitas de nossas escolas não têm sequer biblioteca, giz ou professor!!!A pífia participação brasileira em jogos Olímpicos está umbilicalmente ligada a outros fatores. A falta de seriedade no trato com a educação e o não entendimento que essa, ao lado do esporte e cultura, forma um trinômio e são indissolúveis, nos relega a resultados iguais ou piores que os trazidos de Pequim. 1- Relatório da Unesco, de 2007, atendo-se à qualidade da educação, mostrou que mais da metade de nossos estudantes sequer sabe ler. Revela também que entre os 45 países pesquisados, o Brasil é o último em gastos públicos com educação. 2-O país gasta anualmente US$ 1.303 por aluno; média da OCDE é de US$ 7.527. O Brasil é o que menos gasta com educação dos 34 países analisados por um estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Enquanto o país gasta US$ 1.159 (R$ 2.213) em estudantes primários (à frente apenas da Turquia, que gasta US$ 1.120, o equivalente a R$ 2.139) e US$ 1.033 (R$ 1.973) em estudantes do ginásio e segundo grau (o mais baixo).3- A carga horária média nas escolas é quatro horas, quando, considerando o ambiente adverso em que os mais pobres vivem, o horário integral já deveria ter sido implantado. 4- O acesso à cultura ainda é muito desigual no Brasil. Dados do IBGE mostram que os 10% mais ricos são responsáveis por cerca de 40% de todo o consumo cultural. E, além da desigualdade de renda, há também a desigualdade espacial: as regiões metropolitanas concentram 41% desse consumo. Prova que não somos tão ruins apenas no quadro de medalhas olímpico e que enquanto o governo nas suas distintas esferas – municipal, estadual e federal – não se conscientizar do problema educacional brasileiro, investindo pesado na formação de cidadãos e não gastando bilhões com federações esportivas – entidades cuja transparência e democracia nunca se fizeram presente e onde inexiste fiscalização sobre os recursos públicos a elas repassados – ou com obras megalomaníacas como sediar o Pan, Copa do Mundo ou – Deus nos livre – Jogos Olímpicos, o Brasil continuará no rodapé tanto do esporte, quanto da educação e da cultura mundial.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 12:49 3 comentários
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

SOBRE "HÁ ALGO DE MUITO PODRE NO CÁUCASO "

SOBRE “HÁ ALGO DE MUITO PODRE NO CÁUCASO”Tenho a minha frente dois “Atlas Geográfico e Político” de 1976 um, e o outro de 2005. É notória a diferença dos desenhos geopolíticos da Europa, Ásia e de continentes circunvizinhos no espaço de 32 anos, bem como diferentes são as situações econômicas e sociais dos países europeus e asiáticos. A “Velha Senhora” Europa sempre foi o cadinho de drásticas mudanças na História da humanidade. Parece-me estar o Continente europeu fadado a levar adiante essa emblemática postura de agitações, levantes, revoluções, guerras civis, guerras mundiais e desmembramentos de países com prejuízos a todos os povos, mesmo àqueles que se acham separados por oceanos, por culturas, religiões e por economias tão diferenciadas. As diferenças são gritantes, entre aqueles do Velho Continente e os que compõem o Continente Sul-Americano.Por lá, a URSS foi uma das primeiras a sofrer drásticas mudanças com violentas e definitivas decisões de antigas repúblicas soviéticas libertando-se do seu jugo. Os anos de 1991 e 1992 foram de extremadas iniciativas para Letônia, Ossétia do Sul, Turcomenistão, Kirghistão (Ásia Central), Lituânia, Geórgia, e outros (Não sem guerras civis com perdas incríveis em todos os sentidos a esses povos), desligando-se da antiga Pátria-mãe. Está mais do que provado que povo algum se sujeita à condição de dura servidão por muito tempo. Em 1649 Ivan, o Terrível (era o primeiro czar russo) introduziu o estado de servidão na URSS obrigando a plebe ao trabalho no campo para os senhores da elite, mas Catarina, a Grande, aboliu-a em 1861 sem, contudo, diminuir o abismo entre camponeses e a elite. Colimando uma série de outros graves problemas a URSS deixou de existir para se tornar apenas RUSSIA, também em 1991. Iniciou-se em território russo a abertura econômica com a entrada de multinacionais, como a cadeia de lanchonetes MacDonalds e outras; isto funcionou como um rastilho de pólvora em direção a China que, por seu lado, abria as suas portas, depois de anos fechadas, às multinacionais. Se a Rússia passa por um boom econômico, este não foi padrasto com a China. Hoje, vemos largas avenidas com problemas de congestionamentos, não de bicicletas, mas de veículos importados, edifícios e logradouros belíssimos e, atualmente, nos Jogos Olímpicos deste ano, nos mostra uma outra China em ascenção. A disposição de seus atletas anda a braços dados com o crescimento econômico de 10% ao ano. Na Rússia, os “Ladas” vão cedendo lugar a veículos fabricados além de suas fronteiras. É realmente um novo “desenho” que se impõe às vistas dos estudiosos. A China só não apresenta evolução social na relação trabalho-capital. Os salários são baixos, inexiste uma Previdência que capacite os velhos a terem seus próprios ganhos ao invés de dependerem de seus filhos, que são poucos, devido às políticas sobre geração de filhos nos casamentos. Se a família chinesa não cresce por outro lado temos uma industrialização em massa numa competição desigual aos demais países industrializados. Deixou para trás a Grã-Bretanha e a Alemanha como países campeões em produção de bens de capital e de bens duráveis. Mas, principalmente na China, vivem-se ainda os tempos da Revolução Industrial iniciada na Inglaterra no final do século XVIII, com o financiamento importante de Meyer Amschel Rothschild, de Frankfurt, Alemanha, cuja família dominou a economia bancária até a 2ª. Grande Guerra Mundial. Contudo, a Revolução Industrial – que tomou impulso maior com as novas invenções como o processo de irrigação de Arkwright, a máquina de fiar de James Hargreaves e a de vapor de Watt – não trouxe benefício algum às classes trabalhadoras, começando pelas péssimas condições de trabalho, horário além do normal, o uso da ocupação infantil, alojamentos paupérrimos e saneamento insuficiente. O ressurgimento russo – no dizer do sociólogo Hudson, autor do “Há Algo de Muito Podre no Cáucaso” – era de se esperar. O neoczar Vladimir Putin ainda dá as ordens e estabelece as regras tornando a “Europa Ocidental refém na delicada questão energética”. Outro novo Napoleão – norte-americano – pretende um isolamento a nova Rússia, abrindo as portas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para a Geórgia de Mikhail Saakachvili e para a Ucrânia de Vicktor Yushchenko – duas ex-repúblicas soviéticas – com “arrepios a União Européia” se levadas à frente tal decisão. Teme-se por reação explosivas dos russos, não como aquela de Nikita Kruschev batendo com o grosso sapato sobre o tampo da tribuna na ONU. Reações desta natureza já não cabem mais no cenário atual da política internacional. Outros meios já foram mostrados na Geórgia pelas tropas russas, sem que o “cowboy” George Bush levantasse a mão em favor de seu protegido Mikhail. E o que fará ele, Bush, no caso de uma ameaça “representada pelo imperialismo russo aos interesses ocidentais no Cáucaso e na Ásia Central?” Muito poucas coisas, acreditam-se. É um Napoleão desterrado a uma Elba moral, e desacreditado como a própria EU no cenário atual dos embates pela hegemonia de seus dogmas. A região caucasiana é formada por um conjunto de povos – os chamados “brancos” – que incluem vastos grupos populacionais na Europa, Norte da África, Sudoeste da Ásia e subcontinente indiano, mas podemos incluir, ainda, os aborígines australianos e os índios americanos. (Fonte: “Enciclopédia Ilustrada do Conhecimento Essencial” – Reader´s Digest). Com uma face tão heterogênea como essa, de que maneira podem os países líderes conduzir uma política de não agressão àquelas nações já independentes, ou às que desejem o mesmo? Desaconselháveis, nesse momento delicado, são fechar acordos trazendo retaliações àqueles que se sintam prejudicados – no caso, a Rússia – pois se sabe que essa não irá aceitar, de maneira alguma, ser relegada a um segundo plano em detrimento às novas repúblicas tão somente como ato de atiçar mais suas reações para autenticar de modo sutil, e diplomacia canhestra, seu isolamento na OTAN. Os cientistas políticos e sociais precisam estudar mais profundamente a influência do DNA dos povos mencionados neste comentário. O que se viu, durante séculos seguidos, foram nações poderosas continuando suas trajetórias de êxitos políticos, econômicos e sociais – salvo erro ou omissão – e as nações pobres pisando os mesmos pântanos das desgraças, a mesma caminhada às submissões e explorações numa contínua peregrinação para um isolamento total e avassalador. São como as famílias poderosamente abastadas que sobrevivem há séculos amontoando mais bens, mais riquezas, mais poderes sem que haja solução de continuidade. Não se deseja suas desgraças, mas o que se quer, e é o que deveria ser, é que haja mais igualdade no trato a esses povos chamados “inferiores”, não brancos, e atrasados pela própria iniciativa malévola de impérios que se taxam de salvadores da raça humana. A Humanidade vive ainda, para mim, a Idade da Pedra, com passagem no obscurantismo da Idade Média, não parecendo ter atingido o Renascimento e Idade Moderna. Até quando? Torno a repetir a pergunta, cansado de tantos desentendimentos entre os povos. Já nos chegam os Genghis Khan, Alexandre Magno, Napoleão, Adolf Hitler e o Bush. Chega! Agora, abro um espaço especial para abordar os quatro últimos itens do comentário inteligente do sociólogo Hudson:Levando-se em conta que nem uma só potência européia irá chancelar tal medida, proposta pelo imperador Bush, para não se envolverem em problemas com a Rússia, é provável que Mikhail Saakachvili testemunhe tropas vermelhas ocupando boa parte de seu território – como na Hungria e no Afeganistão (Se a minha memória não falha) – enquanto envida esforços para se manter as rédeas do poder (palavras do sociólogo Hudson em seu estudo). Mikhail não deve, por sutileza, confiar nem em Bush ou em Putin. Aquele é bem mais esperto que uma raposa; é bem possível – se não for verdadeiro – que o novo Napoleão queira mesmo testar as forças do exército russo. Se este não demonstrar férrea vontade e indomável arranco para sustentar um conflito militar no Cáucaso, então o grande conquistador estrelado porá suas mangas de fora. Mas são muitos os fatores contrários a que o exército norte-americano, já depauperado pela campanha no Iraque, venha a se assanhar com uma invasão protecionista aos interesses da Geórgia ou a uma contra o Irã que faz parte do Anel do Mal. Outros fatores acham os estudiosos são as próximas eleições nos EUA. O orçamento militar dos americanos necessita de uma emenda constitucional para ser aumentada ou esperar um novo Orçamento, partindo do governo de Barack Obama que deverá ser sufragado na próxima eleição, porque o atual Orçamento já se exaure. Não há condição de levar adiante tal aventura bélica em duas frentes, e com duas potências. Esperamos que o presidente da Geórgia tenha juízo bastante para se conformar com o seu mandato e se envolver mais com os problemas de sua República, que não são poucos como não são os de muitas outras espalhadas pelo globo terrestre. Israel já tem muitas “coceiras” com os palestinos no seu calcanhar. O que tinha a dar a Geórgia já deu. Os georgianos que nada esperem mais deles a não ser: “Já ensinamos, agora ajam por conta própria.”
20 de Agosto de 2008 14:00

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

RESULTADO DO REFERENDO NA BOLÍVIA

RESULTADO DO REFERENDO NA BOLÍVIA - 10/08/08


Sinto-me bastante reconfortado nesta manhã de segunda-feira, dia 11/08/08, com a vitória maiúscula de Evo Morales no Referendo levado a efeito na Bolívia para confirmar a sua presença à frente dos destinos de sua pátria.
Já havia escrito alguma coisa sobre essa efeméride, mas não me lembra quais os contornos desse comentário. Porém, acredito tenham sido os mais alvissareiros, e a favor de Evo que com a sua coragem indígena irá conduzir os destinos da Nação irmã dentro da linha socialista que determinou como primordial às mudanças na economia de seu país; seja a médio ou longo prazo o que importa é a sua atitude corajosa de nacionalizar as riquezas carboníferas da Bolívia, hoje exploradas por companhias brasileiras, espanholas, holandesas e inglesas. Aliás, as incursões de espanhóis já datam desde os tempos primevos com a invasão e guerra aos povos indígenas deste Continente. E os ingleses não ficam atrás em matéria de exploração de povos miseráveis impondo-lhes suas patas dominadoras. Já os holandeses fizeram uma boa política, principalmente em Recife, com Mauricio de Nassau. O Brasil também entrou nessa de estender seus tentáculos às riquezas vizinhas? É de se abestalhar, quando sabemos que as nossas, em solo pátrio, deveriam ser mais exploradas em benefício próprio. Faz muito bem Evo de por um basta nessas sanguessugas econômicas. Tenho vergonha de saber que o Brasil anda por terras estranhas, e de nações amigas, rapinando seus bens naturais. Um conselho ao nosso governo: “Vai trabalhar, vagabundo, e não ficar, de pouso em pouso, refestelado no luxuoso e dispendioso aérolula, aqui e acolá, além das nossas fronteiras, como um verdadeiro turista desocupado.”
Mire-se num governante fidelíssimo à sua bagagem socialista.

O anseio de Evo é confirmar e executar uma revolução socialista não isolada sabedor que na América Latina há uma grande rebelião contra as políticas econômicas que não resolvem os imensuráveis problemas sociais da maioria do povo, como acontece neste nosso Brasil indiferente a esses problemas internos e injustos se basta vontade e coragem política para por as “rodas nos eixos”.
Ainda segundo Evo Morales – o confirmado presidente da nação boliviana – o Referendo encerrado, com a sua esmagadora vitória, reconduzirá à reconciliação a Nação boliviana de uma vez por todas.
Apesar do total apoio do povo, ainda há resquícios antipáticos à política do presidente com um dos prefeitos – de Cochabamba – relutando em entregar o cargo.
Como eu previ, e desejei, o povo, o verdadeiro povo boliviano, que carrega o país nas costas sem conta em bancos e sem residências luxuosas, deu uma demonstração daquilo que eu gostaria de presenciar em nossa terra brasileira. Infelizmente, os nossos irmãos são inebriados por novelas, programas de auditório manjados, copiados e extenuantes. É assim que se “engana” um povo sem uma visão mais abrangente e correta sobre a verdadeira situação d e um país chamado BRASIL.
Ah, Evo Morales... Se você tivesse nascido na Amazônia tupiniquim e se chamasse Ivo Moraes...
Morani

sábado, 9 de agosto de 2008

A BOLÍVIA E O REFERENDO DE 10 DO CORRENTE M~ES

A Bolívia e o Referendo do próximo dia 10/08/08

Mais uma vez o país vizinho – Bolívia – se vê engolfada por insatisfações que têm foco nos departamentos de Santa Cruz de La Sierra e Tarija, os considerados mais ricos, e onde se encontram as elites daquele país.
A insatisfação dessas elites, que desejam sempre o domínio total da economia em certos países, é lugar comum na história das nações, cujos abismos sociais entre as classes se tornaram escandaloso.
Por aqui, não estamos muito distanciados dessa triste realidade que se impõe de maneira covarde, descarada e, ao mesmo tempo, revestida de total indiferença das autoridades às quais está afeto o bom andamento das políticas sociais mais justas, e mais de acordo com a própria economia interna.
Domingo – 10 do corrente mês – será realizado Referendo para confirmar em seus cargos o presidente Evo Morales, o vice Álvaro Garcia e mais oito governadores departamentais (estados).
Se elogios de outros líderes sul-americanos bastassem para manter Evo no lugar em que está – teve 53,76% dos votos em sua eleição – na certa ele nem precisaria do Referendo. Disse o nosso presidente: “O Evo é a cara da Bolívia”. Como ele gostaria de ouvir ou ler de outros líderes latino-americanos a mesma frase para a sua pessoa. Impossível tal assertiva. Enquanto Evo luta pela Bolívia, e por extensão pelo seu povo; o nosso Lula (meu não) dá terras na Amazônia, virando as suas costas para os sérios problemas lá implantados com a presença de alienígenas barrando brasileiros ao livre acesso às terras indígenas, como se donos fossem (e são, pois que se adonaram das mesmas sem nenhuma medida do nosso governo). As suas maiores preocupações estão focadas aos problemas africanos, aos de alguns dos países da América Latina (Colômbia, Chile e Venezuela, principalmente) e nunca aos problemas internos do país que desgoverna. Os nossos, caem no olvido.

E nesse olvido – verdadeiro abismo que tudo engole – vão-se passando os dias, semanas e meses até a próxima eleição presidencial. Referendo aqui? Não seria má idéia se fosse para interromper a caminhada de um petista que traiu a todos os que nele confiavam (como eu, que nele votei na primeira eleição).
Para a Bolívia se deslocaram 300 representantes para confirmar que será democrático o Referendo. Por que tantos olheiros estrangeiros? Subentende-se que algo de podre existe no reino da Bolívia, que não há confiança total na lisura do Referendo, que pode haver “golpe de estado” (o que não seria de se admirar, pois em quase todas as republiquetas latino-americanas sucedeu assim).
As afirmações do senhor Carlos Alvarez, presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, esclarece que “não há espaço para um golpe de estado” na Bolívia, e que todos devem estar ombreados para defender a democracia no país. O estado democrático jamais deveria ser defendido. Ele teria o escudo da proteção contra assalto da sanha dos inimigos desse estado, normalmente, se por trás não houvesse o “olho grande” da elite dominadora – a mais interessada no caos interno. Mas em toda a América Latina há um desconforto, escamoteado pela imprensa favorável aos dirigentes da hora; há uma dúvida (uma só não, muitas) sobre os andamentos da trajetória política atual nessas nações, conduzidos por homens que se curva diante dos poderosos que dizem como deve ser a política social a cada uma. Não se pode negar essa submissão covarde, que ainda existe e que supera a liberdade e a autonomia de cada uma dessas nações. Por isso, e só por isso, caberia no Brasil Referendo com as mesmas finalidades. Acredito nos brasileiros que têm para Evo votos de sucesso absoluto nesse conturbado país que é a Bolívia.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

SOBRE COMENTÁRIO DE HUDSON V.L.BOAS- RECOLONIZAÇÃO...

Em 07/08/08Amigo Hudson:Os homens(?)que controlam as nossas riquezas - aqueles aos quais estão afetos todos os cuidados para que mantenham incólumes esses bens - desde priscas Eras, digamos: desde a colonização por Portugal, usam e abusam dos mesmos princípios entreguistas sem um laivo sequer de vergonha e conhecimento de crime de Lesa-pátria. Fazem à entrega de nosso patrimônio em bandejas de ouro e nas faces o sorriso de um Coringa, plenos de satisfação por servirem os mega-investidores que aqui aportam tão somente para solapar essas nossas terras exaurindo-as até à exaustão, sugando-as, como se faz ao se chupar uma laranja dulcíssima. Não é surpresa a associação de Bush ao Reschtul - genro de FHC. Os Donos do mundo precisam de um "laranja" de expressão como é o senhor genro do ex-presidente FHC. Como o atual presidente tem na cabeça uma produção incalculável de cana-de-açúcar para converter em combustível seria óbvio que um "expert" alienígena não se receasse em investir num país sem dono, quando o dinheiro de fora é mais dono do que a população brasileira. Não é possível que não exista entre os homens do poder algum, ou alguns, que tenham visão ampla para impedir quase que uma mono-cultura (esqueceram o que aconteceu em Cuba?) se as nossas terras são tão pródigas em outras espécies mais importantes? Não pode ser relegada ao ostracismo a falta de alimento que ronda todas as nações da terra; os milhões de bocas ávidas por pão e leite que se vêm privadas do mínimo para as suas sobrevivências. Há uma letargia emocional entre os que têm em mãos o poder de tudo mudar em benefício desses milhões de seres que rolam como párias por avenidas, ruas e becos dos países mais adiantados e mais ricos. Não entram em minha cabeça as atitudes de homens galvanizados apenas pelo desejo de ganhos cada vez mais elevados, e menos taxados pelas regras do universo financeiro. Não entendo a ganância dividida entre poucos em detrimento a tantos outros, por mais lúcidos sejam os seus comentários didáticos a esse respeito. Assim como mencionei que as conversas em Doha teriam um final de festa descolorida - um verdadeiro fracasso - penso agora que tudo o que o amigo menciona em seu ótimo comentário sobre "Um Novo Projeto de Recolonização" do Brasil tem embasamento técnico - fruto de observação e de estudos acurados por sua visão abrangente e por seu espírito sempre captador dos meandros sujos pelos quais navegam os "sócios" voluntários de homens que servem de degrau a um Bush. O que nós, simples seres humanos do "povinho", poderemos fazer para limpar de nossos terrenos os interesses mal intencionados desses fantoches que são da elite dominante? Uma revolução ou um simples levante social como foi outrora? Muitos morreram na luta inglória, pois se mantiveram no Poder os apátridas e os entreguistas como no caso do falecido Ministro da Fazendo que transferiu para os cofres-fortes do Pentágono nossas reservas-ouro para garantia de pagamento de nossas dívidas. Dá-me nojo saber essas "novidades" tão velhas como as Pirâmides do Egito. Se houver mais pobreza, exploração, trabalho escravo e entrega de nossa soberania, o que sobrará de bom e de bem aos autênticos brasileiros, amigo Hudson?Morani
7 de Agosto de 2008 08:24

UM NOVO PROJETO DE RECOLONIZAÇÃO

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Um novo projeto de recolonização
Há pouco tempo soube que Bush comprou terras e usinas de etanol na região de Ribeirão Preto. Um fundo internacional capitaneado pelo ex-presidente da Petrobras e genro de FFHH, Henri Philippe Recihtsul, vem adquirindo quantias vultuosos de terras no Centro-Oeste. Exemplos de outros grupos internacionais – sejam em forma de pessoa jurídica ou até mesmo física – comprando grandes extensões de terra em todas as regiões de Brasil, em especial na Amazônia, são abundantes e amparados por uma lei caduca e fora do espaço-tempo. O Estado mostra-se leniente sobre assunto tão caro a nossa soberania ao constatarmos – e ficarmos abismados com – a inexistência de dados oficiais tanto do Incra, quanto do Ibama ou do Ministério da Agricultura, sobre a quantidade de terras que se encontra em mãos de grupos ou cidadãos estrangeiros.Toco nesse assunto porque um embate histórico entre “trabalho versus capital” e “soberania nacional versus colonização” está sendo travado nesse momento, ainda que muitas pessoas não tenham se apercebido disso. Está ficando nítido a olho nu, o quanto a soberania nacional se esvai graças à sanha do capital internacional que reencontrou um antigo filão, a colonização dos países terceiro-mundistas através da exploração/saturação de suas matérias-primas e solo e o conseqüente abandono desses à sua eterna condição na divisão internacional do trabalho. O projeto de recolonização em tempos neoliberais em nada difere substancialmente dos antigos projetos de colonização, ou seja, o objetivo único é sempre exaurir o solo e extorquir a população condenada.Tanto no caso da aquisição de imensidão de terras por estrangeiros, como no do tão propalado etanol, é preocupante a atuação desleixada do Estado brasileiro – obviamente por razões da força do capital. O cultivo da cana-de-açúcar guarda relação direta com a expulsão de outras culturas em direção à floresta por pressão dos plantadores de cana, o risco de especialização produtiva da agricultura de certos estados, a sobreutilização dos recursos hídricos, a falta de regularização fundiária de um percentual grande de terras destinadas a tal cultura e a perpetuação das relações de trabalho no setor onde é sabido o modo animal como são tratados os chamados bóias-fria. Isso tudo num país acostumado ao mal produzido por monoculturas como a do café ou da própria cana-de-açúcar. Não deixa de ser preocupante também a defesa reticente prestada por alguns membros do governo, e de forma ainda mais entusiasmada pelo presidente Lula, sobre os benefícios gerados pelos agrocombustíveis, desprezando de maneira presunçosa e perigosa os riscos da monocultura num país onde tradicionalmente graça a concentração fundiária e de renda, sem citar o risco imediato de perdemos nossas terras produtivas para capital internacional.Se o baluarte mor do pensamento direitista tupiniquim, Roberto Campos – ou Bob Field como preferia – estivesse entre nós, seria defensor incansável da política do governo Lula para o agronegócio e os agrocombustíveis.Muito mais do que apenas a desnacionalização de nossas terras e potenciais energéticos ou um negócio lucrativo para o imperialismo ianque – ou venha de onde vier esse imperialismo –, o agrocombustível da forma como vem sendo tratado e vendido por nossas elites (governo, mídia e burguesia nacional, como sempre entreguista) não é, e nunca poderia ser, a salvação para o Brasil.É na verdade nossa perdição. Pois representa um novo projeto de recolonização do país a fim de dar sobrevida ao já exaurido modo de vida que o ocidente optou e exportou há pelo menos 5 ou 6 décadas atrás no auge desse capitalismo desumano e materialista ao extremo – como se pudesse haver algum dia outra forma de capitalismo –, e de quebra tentar barrar o atual processo de derrotas que o neoliberalismo vêm sofrendo no continente latino-americano graças aos movimentos populares que vêm ganhando cada vez mais intensidade nessa região do globo.Para o Brasil num futuro bem próximo, o agronegócio e os agrocombustíveis representam pobreza, miséria, exploração, quiçá trabalho escravo e certamente a entrega de mão beijada de nossa soberania.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 14:54 2 comentários

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PAULISTANIZAÇÃO

Dissolvendo No Ar
Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Paulistanização
O egocentrismo paulista fica nítido na forma como a midiazona, alguns políticos e até analistas bem intencionados mas que se deixam levar pela boiada, tratam a disputa pela prefeitura de São Paulo. Uma “paulistanização” da política nacional, como se todas as decisões de âmbito federal passassem única e exclusivamente pelo crivo do eleitorado paulistano, relegando o resto do país a um papel secundário. Obviamente não podemos negar a força da cidade de São Paulo, não só a maior cidade do Brasil, como também o maior colégio eleitoral, a maior força econômica, produtiva e financeira e onde se concentram as principais redes de comunicação e informação do país. Mas o Brasil não é a Argentina ou o México onde 1/3 de população vive no mesmo município. Aliás, o fenômeno da “paulistanização” vem ocorrendo pelo menos desde a reabertura política, mostrando-se maléfico para a democracia e para a federação, tumultuando o equilíbrio e a eqüidade entre os entes federativos. Nesse ano a disputa entre Marta Suplicy e Geraldo Alckmin em alguns momentos toma contornos de disputa nacional, estando na verdade bem longe de tanto. Fico me perguntando, qual o grau de conhecimento que o eleitor baiano, gaúcho ou goiano – eleitor médio – tem sobre a ex-prefeita de São Paulo além do fato de também ser ex-esposa do senador Eduardo Suplicy? Ou então sobre Geraldo Alckmin além do fato de ter sido candidato a presidente em 2006? Qual a verdadeira expressão nacional de ambos, se é que possuem alguma? Na ultravalorização dada à disputa pela prefeitura da capital paulista fica patente o exagero caso tomemos o cuidado de analisar o desempenho de Lula nas duas últimas eleições presidenciais. Tanto em 2002 quanto em 2006, Lula obteve uma percentagem muito menor de votos em São Paulo se comparado ao conjunto do país. Em 2006 Lula sequer venceu Alckmin na capital, na região metropolitana ou no estado de São Paulo em nenhum dos dois turnos e ainda assim logrou vencedor com cerca de 60% dos votos válidos na contagem geral do segundo turno. Outro exemplo; em 1989 Maluf venceu o primeiro turno na capital paulista e no geral amargou um modesto quinto lugar.Essa ultravalorização e superdimensionamento das eleições para prefeito de São Paulo apenas denotam um bairrismo vulgar, esdrúxulo e tacanho, incompatível para uma imprensa e uma classe política que se dizem – ou almejam ser – cosmopolita, demonstrando o quão despreparada essa classe esta para governar o Brasil além dos limites da Via Anhangüera ou da Imigrantes.Afirmar que a eleição na capital paulista é um termômetro para o resto do país é justamente inverter despudoradamente a lógica. Querer usar a disputa paulistana como ensaio para 2010 não passa dum exercício de futurologia, mesmo porque ainda nem sabemos quais serão os candidatos daqui a dois anos e não só a disputa em São Paulo, mas também em outras capitais, o tempo, as alianças e os conchavos é que serão capazes de forjar os nomes presidenciáveis. O único nome cogitado hoje para a sucessão de Lula que ouso apostar ser candidato de fato é o de José Serra. A raposa Serra já deixou Gilberto Kassab a ver navios graças ao pífio desempenho desse nas pesquisas de opinião de voto e desembarcou na campanha de Alckmin, podendo assim apaziguar seu próprio partido. Mas isso é muito pouco para uma eleição municipal que pretende pautar toda a disputa federal em 2010. Eleger Serra, Alckmin, Kassab ou Marta inquilino da Granja do Torto apenas baseando-se no resultado das eleições paulistanas é viver ainda nos bons tempos – para a elite paulista – da Republica Velha.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:45 3 comentários

quinta-feira, 31 de julho de 2008

ANDA SOBRE AS CONVERSAÇÕES EM DOHA

AINDA SOBRE CONVERSAÇÕES EM DOHA


Há sete longos anos, e até mais, os grandes Estados dos quatro cantos do planeta se reúnem para discutir pontos nevrálgicos em suas relações comerciais e industriais. Como eu disse, em comentário anterior, essa é mais uma rodada sujeita ao fracasso. Para evitá-lo, prorrogaram as discussões até o dia 30 deste mês de julho quando retomarão os debates.
Para que haja um consenso concreto, firme e duradouro, é preciso que os 153 Estados membros aprovem unanimemente as soluções postas à mesa de negociações. Ora, acho que é o mesmo que querer a estabilidade climática mundial sem contribuir para isto. Como disse o Sr. Lula: “são muitos os interesses envolvendo países, milhares de empresários e outros tantos objetivos”. Lógico que numa reunião de interesses heterogêneos não se encontre um aporte comum às intenções levadas pelo senhor Pascal Lamy no intuito de, se conciliando todos os interesses dos exportadores agrícolas do Sul aos dos exportadores industriais do Norte, evitar o total fracasso às negociações multilaterais que continuaram nesse sábado, 26/07. Há muitos obstáculos impedindo que se encontre a fórmula ideal que satisfaça os mais reticentes: Índia, Argentina e África. Mas não ficam apenas com esses países as contrariedades.
O embaixador da Índia – Ujal Singh Bhatia foi claro e objetivo. Declarou-se disposto a deixar todo mundo plantado, com a seguinte declaração: “Viemos com muitos presentes e queremos que nos dêem, em troca, um monte de presentes. De outro modo, vamos embora com os que trouxemos.”
O outro representante reticente é o senhor Rob Davies, do Comércio Sul-Africano, que não aceita o pacto Lamy. A Índia e a África do Sul rejeitam a mesma coisa e resistem à abertura de seus mercados industriais no formato proposto por Lamy.
Agora, França e Itália ameaçam bloquear os acordos na OMC.

A favor da proposta Lamy se uniram os EU, UE, Brasil, Austrália e Japão. Cada qual expressou seu apoio ao documento, com diferentes matizes.
Sendo o Brasil um país emergente, vizinho, amigo e com relações de mútuos interesses na Argentina, jamais deveria dar o seu aval a uma proposta que está sendo rechaçada por uma maioria significante de Estados, colocando-se ao lado daquela nação irmã em vez de estender a mão às Propostas Lamy. O papel assumido pela Argentina foi muito mais corajoso. Rejeitou peremptoriamente o documento.
Vejo o futuro das relações entre Argentina e Brasil sofrendo um “racha” diplomático não muito profundo, mas com a necessária fissura capaz de balançar os interesses de ambas as partes, sem briga e sem divisões drásticas, porém constrangedora.
Com tal posicionamento, o Brasil atirou pedras na vidraça da “casa vizinha”, e se amanhã tiver o troco, não poderá se queixar a ninguém a menos que queira “buzinar” nos ouvidos sempre atentos do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que se fez “mouco” às palavras grosseiras do Rei de Espanha.
Creio que o Brasil se encontra no limiar daquele “status” – o “Investment Grade” – benesse concedida por grandes Agências internacionais que cuidam com carinho do sobejo das riquezas de nações ricas para investir em países em desenvolvimento. E com toda a razão, pois que são “liberados” às taxas de movimentações financeiras O Brasil não precisa baixar a guarda contra os Estados poderosos, mas, tão somente, mostrar que está na defesa de seus interesses sem se aliar aos interesses alheios, e vindos logo daqueles que mais tentam se impor quando não economicamente, pela força das armas e boicotes.
Um dia chegaremos lá, se formos capazes de administrar essa pujança que se deita sobre nós desde a Amazônia ao Rio Chui, abrindo suas poderosas asas sobre a Nação brasileira.

TRAIÇÃO DO BRASIL NO OMC - DOHA

TRAIÇÃO DO BRASIL NO OMC – DOHA


Em meu comentário anterior sobre as negociações de DOHA, Genebra, com o Brasil presente e representado pelo Ministro Celso Amorim e pelo próprio presidente Lula, teci divagações sobre a possível e quase comprovada traição do Brasil ao Encontro dos Países cujo tema para debates é a Liberalização do Comércio Global e as novas propostas a um índice no corte das tarifas para a importação de produtos agrícolas.
Quem desconhece as “brigas” do Brasil com o EU, por insensatez dos governos norte-americanos e muito principalmente do atual, do Sr.Bush, em teimar manter o subsídio aos agricultores norte-americanos com uma proteção descabida aos seus produtos? A UE – União Européia – por seu lado, tem a mesma política protecionista, mormente na França onde é forte essa blindagem.
Com tais blindagens, temos a impressão de que essas nações dos dois Continentes são mais do que auto-suficientes nas produções agrícolas – desde as frutas, os legumes, o vinho e outros derivados da terra. É preciso consenso, reconhecimento de que o mundo chegou a um ponto em que se tornam necessários acordos bem urdidos e aceites por uma grande maioria dos chamados países ricos.
Lula, o presidente, falou sobre os comentários da imprensa, sem reservas algumas, que o Brasil não traiu o encontro de Doha, e explica:
“Não falo isso pelo Brasil, porque o Brasil é competitivo na agricultura, tem tecnologia, tem terra e tem água. Falo pelos outros países menores da América Latina, pelos países africanos, que precisariam de flexibilização do mercado europeu e do fim dos subsídios americanos para poderem colocar os seus produtos nesses mercados”. Ele não lembrou de citar aqueles países da UE que praticam as mesmas políticas protecionistas. Por quê?

Quem outorgou ao presidente Lula a representação para falar por outras nações? Creio que quase todas aquelas envolvidas no problema tenham lá os seus lídimos representantes. O presidente Lula poderia se manter calado, mas por lá não havia um Rei da Espanha que lhe dissesse: “Por que não te calas?” O que ele tem a fazer é se envolver com os nossos problemas, que não são poucos, em vez de se ocupar dos problemas de terceiros. Falando, ainda, sobre os países ricos – como se o Brasil não fosse suficientemente rico, o bastante para crescer de maneira invejável. Basta que ele cumpra o seu papel de governante pondo todos os corruptos na cadeia, que é esse o grande mal deste país – continuou ele: “É preciso que os países ricos entendam o que significa comércio livre.” “O mundo rico precisa compreender que liberdade de comércio significa não apenas eles quererem vender, significa também eles terem disposição de comprar.”
Ele falou o óbvio!
E, agora, ele cita ainda a desculpa capenga: “O G-20 não ficará dividido em conseqüência de o Brasil ter aceito [aceitado, Sr. Presidente] a proposta apresentada [as propostas apresentadas] pelo Estados Unidos e União Européia na negociação de Genebra”. “Eu continuo acreditando que nós vamos fechar o acordo.” [Fecharemos os acordos], pois diversas são as nações de UE a proporem um acordo, e mais o do(s) EU.
Ora, se ele admite ter acolhido as propostas apresentadas por aquelas nações acima citadas, e logo adiante arrisca declarar que os países ricos “precisam entender o que seja comércio livre”, ele está dando diplomas de ignorantes aos líderes das nações do norte. Se aqueles líderes desconhecem totalmente o que seja a diplomacia comercial entre nações, por que aceitou ele os acordos? Em vez de se curvar às vontades férreas daquelas nações, ele deveria, isto sim, bater insistentemente na tecla da prepotência daqueles governos blindando suas produções agrícolas, denunciando-as veementemente.

Enquanto o Sr. Lula postulava a Presidência da República, somente com a experiência de deputado federal, aqueles distintos senhores, elegantes, como “dandys”, já de há muito se achavam envolvidos com problemas internacionais, o que lhes dá grande margem à frente no entendimento de todos os grandes problemas que assaltaram igualmente as nações que eles representam. Os problemas do Brasil remontam há 500 anos apenas; os deles têm muito mais de 1000 anos! Foram mais de 1000 anos de lutas, de conquistas, de derrotas, de soerguimento, de buscas e de experiências em todos os campos do trabalho bruto na terra, no desenvolvimento intelectual e comercial, do ressurgir da Idade Média com seus feudos e daí passando à Renascença nas artes, nas indústrias, e nas descobertas dos segredos do Cosmo; já praticavam a navegação e com ela o comércio das trocas de riquezas e de mentes brilhantes postas à disposição das velhas nações que largaram as lanças e as espadas e se dedicaram ao arado, à imprensa e a outros quesitos do conhecimento humano. Os maiores pensadores – filósofos, matemáticos, engenheiros, diplomatas, artistas e inventores – já aumentavam em número e em qualidades. Onde pensa estar o Sr. Lula? Com quem pensa lidar o nosso presidente?
Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, Excelentíssimo Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, é preciso aninhar a humildade de reconhecer que são tênues os seus conhecimentos sobre diplomacia comercial; débeis a sua astúcia diante de homens galvanizados por guerras, revoluções, divisões de países, de tantos acordos enquanto a Nação brasileira, que o senhor representa, dormia o sono da infância política com os seus adendos; engatinhava na projeção internacional; tropeçava na pobreza do desenvolvimento – ainda tropeça – e despertava, tardiamente, às luzes dos conhecimentos primários. O Brasil é grande, sim, rico como poucos o são, mas sujo como um poleiro, graças às imundícies que fazem aqueles que chegam ao poder para favorecer os “amigos”, daqui e os de fora. Grite contra os que desejam solapar nossas riquezas e nossa gente, e terá ao seu lado milhões de outros gritos prontos a acusar os meliantes.

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE DOHA

LEVES CONSIDERAÇÕES SOBRE “DOHA”


Lendo notícias sobre as diversas reuniões das potências mundiais para dirimirem dúvidas a respeito de suas economias – indústria e agricultura – a nós, simples mortais ligados às andanças desses grandes dirigentes, parecem ser meros turistas internacionais de obscuras tendências e escamoteados objetivos para que apenas os “grandes” – aqueles países já há muito desenvolvidos – tenham suas prerrogativas aceitas, carimbadas e postas em ação. Jogam ao pano verde das mesas de negociações – como jogadores profissionais de pôquer – suas exigências, que prevêem sendo as únicas a serem aceitas pelos países em desenvolvimento como condições primordiais sem as quais não haverá consenso.
O mundo moderno vem a longos anos envolvidos em debates e exigências praticamente abortadas – e ainda não perceberam esses dirigentes dos grupos “G-8”, “G-20”, “G-50”, que sem abrirem mãos a essas exigências, sem apoio às verdades de cada país participante, essas reuniões só tendem a se transformar num caos como já é a própria vida atual no planeta. Aliás, essa condição caótica já era prevista há alguns milhares de anos.
Eu, como cidadão planetário e vivendo nesta Terra de incongruências, por culpa exclusiva de medidas egoísticas dessa soma de mentes mundiais, que há muito desejam controlar emoções, trabalho, desenvolvimento e consequentemente riquezas dos povos, me vejo como joguete em suas mãos. Das mesas de negociações, sobre as quais repousam as mais finas bebidas, os mais saborosos e requintados pratos, explodem as normas que deverão ter o aceite de todos os que não conseguem domar as “feras da pobreza, da fome e do subdesenvolvimento” em seus rincões.
Nesse período atual, existem negociações de DOHA. Pelo pouco que li, vejo que aquelas mentes não conseguem consorciarem-se umas às outras sem que surjam senões de caráter intransponíveis a cada qual.

Duas potências mundiais, nas figuras de seus representantes, se digladiam a essas alturas das conversações: o ministro indiano Kamal Nath, que diz não estar disposto “a negociar garantias de sobrevivência, subsistência ou pobreza” para chegar a um acordo para a Rodada de Doha de liberalização do comércio global. É seu pensamento que “os países ricos estão falando em promover e proteger sua prosperidade” e que ele não aceita um eventual acordo na rodada da OMC com a chamada “cláusula anti-concentração” – mecanismo que não permite aos paises emergentes blindarem todo um setor do corte de tarifas de importação. Por exemplo: Brasil e Argentina não poderiam proteger sua indústria automotiva, e a Índia toda a sua indústria têxtil. Isto seria uma vantagem para a UE e EU, que poderiam competir em desfavor aos países emergentes.
Como se pode notar UE e EU é tão somente uma questão de trocas de letras, mas jamais uma troca de favores, de ambos, aos países chamados em desenvolvimento. Assim, cada vez mais eles – UE e EU – se tornam mais e mais competitivos em relação àqueles que, por outro lado, ficam menos e menos desprovidos de igualdade de direitos.
Ora, acho eu, cidadão planetário, com o direito de meter um dedo de prosa no assunto DOHA. Na verdade, antes desses debates sobre tarifas os países, todos unidos no mesmo patamar de direitos e obrigações, deveriam, isto sim, discutir à exaustão os sérios problemas do meio-ambiente, da sustentabilidade da vida com a fomentação do aumento da produtividade de alimentos, sua distribuição de maneira mais urgente para abastecer mercados onde a fome passa a “foice” em seres humanos, sem dó nem piedade. Isto seria um trampolim para o estudo e medidas à saúde, educação e empregos mundiais e, pois, o bem-estar dos povos livres que se acha em mãos dos poderosos senhores de um planeta globalizado. Por outro lado, a questão em pauta não teve de Anne-Marie Idrac e de Peter Mandelson um entendimento racional quanto às novas propostas a um índice no corte das tarifas para a importação de produtos agrícolas.

Aquela acha bastante razoável e generosa um corte de 54% - e não arreda pé – ao passo que o outro, Mandelson, chegaria ao patamar de 60%. E ambos pugnam em nome da UE.
Diz a representante Anne-Marie Idrac – é francesa ou de descendência – que a diferença é de cálculo aritmético apenas.
O fato é que tanto UE como EU – combine as letras da maneira como melhor achar, e dará no mesmo – já têm em mente o controle mundial de tudo e de todos. Só não se concretizou ainda porque países como Brasil, Índia e China –BRIC – já são olhados de outro modo pelos grandes do “G-8”, ainda que pese sobre esses três países o instantâneo fotográfico de regiões terceiro-mundistas subdesenvolvidos e em fase de crescimento ridículo – pura politicagem de um só prisma – apenas para o Brasil, pois as outras duas nações asiáticas já crescem acima dos 6%, e até mais.
Esperemos para saber quais as medidas que, saindo vencedoras, serão, de qualquer jeito, impostas sem mais discussões aos demais participantes da Rodada de DOHA.
Agora, com as últimas notícias de DOHA, um mineiro diria: EU mando ou não, UÉ? UÉ, EU mando, sim. Por quê? Porque o Brasil aceitou os termos dos EU abandonando praticamente as conversações em Genebra, tendo Lula afirmado não “haver traição por parte do Brasil”. Pesa-lhe a consciência? Não, não deve pesar por ser ponto nevrálgico de seu governo traições como essa. Traiu em primeiro lugar a sua plataforma, suas afirmações enquanto candidato a candidato à Presidência da República, seus eleitores, sua aversão ao neoliberalismo e, até, os amigos. Lula se apresenta ao cenário mundial como debutante a debatedor; um que senta à mesa sem cartas na manga, sendo, porém, um exímio farsante. Curvou-se diante do Uncle Sam e das forças imperialistas em avançado estado de decadência. Que respostas terá o nosso representante a dar ao outro seu “amigo” venezuelano? Os capítulos dessa novela hão de continuar. Esperemos.

CONSTRUIR OUTRO MUNDO EM MEIO Á TEMPESTADES

SOBRE CONSTRUIR OUTRO MUNDO EM MEIO Á
TEMPESTADES
(Baseado em estudo de Immanuel Wallerstein em LMD.)


Quando Roma deixou de ser a poderosa Nação dominante do mundo antigo, e em situações similares a algumas das nossas, neste mundo moderno, não se viu rompida a cadeia natural do andamento das economias, do comércio e das indústrias da Europa Medieval bem como a da Europa Renascentista. Pode ter havido um estremecimento generalizado ou localizado naquelas nações de menor porte, porém sem a força esmagadora da desestabilização daquelas economias sempre incipientes.
Turbulências sempre as houve na História da Humanidade – não será diferente hoje – justamente pela heterogeneidade das nações, e mais crescente se fazia porque fácil não lhes era o contato imediato com outras nações como temos nós, atualmente. Os transportes eram lentos: feitos a cavalo, carroças, barcos pequenos de poucas velas, para viagens curtas, ou até mesmo a pé.
Hoje, a internet tem papel preponderante. Provê conversações rápidas que vão levar as medidas também urgentes; fazem-se conferências virtuais com caráter de “ao vivo”. Hoje, não existem distâncias que não possam ser vencidas. A internet agiliza todos os tipos de ações como vendas, trocas, movimentações financeiras e as coisas mais comuns.
Roma também sofreu o declínio inadiável e insuperável a todo e qualquer fenômeno que envolva o pensamento humano e a sua ação sobre questões da vida. Não há escape. Assim é com tudo e com todos. É a infalível curva da existência: nascer, crescer, envelhecer e morrer, na ordem natural. Quaisquer civilizações, por mais antigas que tenham sido e dominado o mundo, tiveram suas ascensões e declínios.
Um já se encontra em franca derrocada após o predomínio de algumas décadas sobre os demais, principalmente pós II Grande Guerra. Quando lhes faltam argumentos lançam mão das chantagens econômicas – caso de Cuba – das ameaças de invasões concretizando, eivados de enganos, as avaliações que darão sustentabilidade às truculências.
Quanto à delicada questão da moeda poder-se-ia pensar em apenas uma, que sirva a todos como parâmetro a um padrão econômico. Como cidadão do planeta, mais uma vez darei a minha humilde opinião ventilando sobre a possibilidade de ser estabelecida nova moeda universal; nem dólar nem euro – aquele em declínio, e o segundo ainda não é unanimidade no Continente mesmo em que flutua, ainda que seja a mais nova moeda da Era moderna. A nova moeda seria baseada na somatória das reservas-ouro nos Bancos Centrais de todos os Estados do planeta com a sigla “A$” de “Áureo”. Sendo o “Áureo” moeda universal única, nenhum país sofreria com a conversão para o dólar – antes forte – ou para o euro de suas novas riquezas e estoques denominados nessa moeda. O mundo inteiro está há muito tempo – décadas – sustentando os EU.
Sugerir-se que caiba ao Euro substituir o dólar poderá ter alívio e sucesso a curto prazo, mas recairia na mesma trilha do dólar, sem haver mudanças de objetivos e cuidados à coisa pública e com o respeito às Nações livres. Não pode nem deve haver uma moeda que exerça domínio sobre outras. Isto é incompatível nos tempos atuais em que há países em franco desenvolvimento e com crescimento acima dos 6%, e até mais, serem submetidos aos caprichos de uma só moeda que, sem dúvida, tenderia ao mando indiscriminado servindo, apenas, aos interesses e de ameaças de boicotes econômicos – tão em moda – e outros meios, que iriam estrangular o crescimento de nações irmãs.



O Brasil é o mais puro exemplo do que foi dito atrás. Outra medida, para acabar com as diferenças e distribuir a paz perene entre essas nações, seria o término das fronteiras – teriam reservadas as prerrogativas geográficas de posse – que facilitaria em muito a burocracia com menos papelada, carimbos, etc., usando-se, tão somente, uma identidade para se atravessar de um país a outro. Isto já se pratica entre o Brasil e a Argentina, a mim parece.

Com relação aos aposentados – assunto bem abordado pelo nobre Immanuel Wallerstein – esta é uma questão de não só “vergonha nas caras” dos dirigentes como de vontade política. Não deve e nem pode haver prática diferenciada no trato aos direitos dos cidadãos aposentados em qualquer parte do planeta. Um órgão especializado – há tantas ONGs por aí defendendo seus escusos interesses – e infenso ao “vírus da injustiça” teria a incumbência de regular todas as aposentadorias, em cada estado, e nunca permitir achatamento dos ganhos miseráveis que são vistos por aí, e como soe acontecer, principalmente aqui no Brasil com o governo Lula numa continuidade do seu antecessor. Muitas coisas não sofreram a globalização? Por que não esses ganhos, de modo a acompanharem os reajustes dos da ativa, que seriam não só justos como de direito? Não é favor algum, é uma obrigação a qual não podem fugir.
Passemos, agora, ao protecionismo maciço limitando fortemente as exportações para proteger o abastecimento interno. É uma boa possibilidade digna de estudos criteriosos, e deveria estar, há muito, em prática e sem restrições. Ainda sobre a manutenção da Saúde, da Educação e da Previdência, e Emprego – acrescento – é uma questão meramente política como o é a em relação à Previdência, já assinalada anteriormente.
Agora, sugerir cortes na área social é pedir demais, pois já os há sem que ninguém os peça, infelizmente.
Por que não taxar, por exemplo, as grandes fortunas? Sim a todas as dos grandes e pequenos países. Por que não? Não são taxados sem dó nem piedade os misérrimos salários dos trabalhadores e da classe média?

Ilya Prigogine e Isabelle Stengers – autores de “A METAMORFOSE DA NOVA ALIANÇA” – apodaram bem a “ordem emanada do caos”.

Há, sim, criatividade e alternativas para se construir outro mundo em meio à tempestade porque se esta existe, está aí pela incúria de homens que conduziram as gestões econômicas e sociais das Nações a seu bel-prazer.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

RECOMENDO À LEMBRANÇA O NORDESTINO JOSUÉ DE CASTRO

Em 22/07/08

RECOMENDO À LEMBRANÇA O NORDESTINO JOSUÉ DE CASTRO


Em 05/09/08, nascia no estado de Pernambuco o futuro médico, sociólogo e escritor Josué de Castro. Como isso não bastasse - tanto interesse diversificado - ainda foi deputado federal por 3 mandatos e, ainda, culminando na honrosa posição político-social de Presidente da FAO de 1952 a 1956. Sua carreira intelectual não se ateve apenas a escrever romances como Homens e Caranguejos - livro que destrincha a vida mimética de homens e caranguejos nos lodaçais dos mangues do Capiberibe e nos bairros miseráveis de Recife, tais como Afogados, Sto.Amaro, Pina e Ilha do Leite. Diz o eminentíssimo homem público que estes lugares foram a sua Sorbonne.

Morador em Natal, de 1947 a 1956, eu mesmo tive a oportunidade de observar em nossos mangues,próximos à Praia da Redinha, às margens do Rio Potengi, onde passava as férias escolares famílias inteiras, ainda de madrugadinha, marcharem impávidas para o lamaçal a fim de caçar os crustáceos que não só lhes serviriam como alimento, mas os vendendo tivessem dinheiro para comprar farinha, rapadura e café. Se sobrasse algum tostão levariam peixe-voador e aves de arribação - vindas da distante África até ao nosso continente, para a procriação - que lhes serviriam como regime alimentar também. Mas, como coisa gravada indelevelmente em minha memória a fustigar meus sentimentos, a cena de homens, mulheres e crianças, atolando seus braços até à altura dos ombros, para remexer o que não viam, era triste demais; eles nadavam sobre a podridão, - "habitantes da terra e da água, meio homens e meio bichos", no dizer do próprio Josué de Castro - porém, lá do fundo daquele lamaçal putrefato, e de odor nauseabundo, traziam aqueles habitantes dos mangues que significava as suas sobrevivências. As criancinhas - bochudas de tanto comerem torrões de terra que retiravam às paredes de seus tugúrios - amareladas e de perninhas finas como as aves pernaltas, tinham olhares tristes e pedintes, aguardavam o pirão feito com o caldo do caranguejo ou a farinha seca com raspa de rapadura ou, ainda, o "ensopado" de palma - antes servida só aos animais.


Josué de Castro foi o homem de coragem que desnudou ao mundo a Fome universal - não só a fome regional - porque em todo o planeta a fome grassa como praga difícil a ser exterminada. A FOME - essa ausência não só de alimentos se acha ligada ao que o sociólogo designou de "subdesenvolvimento" - é a "expressão biológica de males sociológicos". Dizia ele, consciente, e quase visionário, que "não bastava somente o aumento da produtividade de alimentos, mas os meios suficientes à população mundial para adquirir essa dádiva da terra". E isto não há, principalmente aqui no Brasil.

Já disse, em comentário anterior sobre a Fome que hoje não temos mais um Deus (Jeová) fazendo chover o maná, que alimentou milhares de hebreus em pleno deserto quando da histórica marcha daquele povo até Canaã - a Terra Prometida a Moisés e ao seu povo. Também não temos mais um Moisés e o seu bordão que arrancava água das rochas. E em futuro muito próximo, é preciso termos consciência, faltará ao mundo o precioso líquido que, se consorciado à falta de alimentos, se transformará não numa hecatombe rápida, como foi com o dilúvio, mas deverá ser lenta, sofrida, de agonia extremada a toda população do planeta. Se não temos um Moisés, por um lado, nem um Deus Pródigo com a sua chuva de maná, por outro lado, não teremos mais um Josué de Castro a descortinar a verdadeira situação da FOME sempre escondida por governos, "escamoteada como coisa vergonhosa a ser mostrada” – frase do grande homem Josué de Castro que veio a óbito em 24/09/73, em Paris, na condição de exilado.

Como disse a Doutora em Sociologia Aplicada, e professora titular da UFRJ, Anna Maria de Castro, filha do nosso verdadeiro herói nordestino, "É este homem que o Brasil de hoje precisa deixar de ignorar", e eu acrescento: o Brasil de hoje e de SEMPRE não pode mais ignorá-lo. Os livros "GEOGRAFIA DA FOME" e "GEOPOLÍTICA DA FOME" são as suas mais importantes obras traduzidas em 24 línguas! Façamos justiça a esse homem que não a teve das nossas autoridades e que tentaram relegá-lo num exílio covarde. Graças, porém, às inteligências claras, ainda no planeta, ele foi mais do que agraciado com diversas comendas, títulos e posições no cenário mundial. Quem desejar saber mais sobre esse iluminado brasileiro, que não se curvou diante da truculência de governos militares, acesse, por favor, o site
www.josuedecastro.com.br
Morani

sábado, 19 de julho de 2008

EM LOUVOR A DEUS

EM LOUVOR A DEUS


Quem acalma as procelas
Rompendo as broncas penedias?
Quem comanda as noites e os dias
Movendo astros de milhões de velas?

Quem dá beleza aos vales tranqüilos,
Agita o mar, acende o firmamento,
Dá aos seres todo o movimento
E a agilidade aos indefesos esquilos?

Que protege as aves aos vendavais,
Dá beleza aos lírios dos campos
E empresta luz azul aos pirilampos?
Quem pode fazê-lo? Quem? Quem mais?

Quem organiza todas as células
E sonda o Homem interior?
Quem tem a dar mais amor
E leveza às asas das libélulas?

Tudo é tão simples para ti, Senhor.
Só o Homem – sem compreender tudo –
Extasia-se e permanece mudo,
Escravo do medo e prisioneiro da dor.

Quem mais pode do que tu, Senhor?

Morani

sexta-feira, 18 de julho de 2008

CONSIDERAÇÕES SOBRE JOSUÉ DE CASTRO

CONSIDERAÇÕES SOBRE JOSUÉ DE CASTRO
– MÉDICO, GEÓGRAFO E SOCIÓLOGO –




Ao se dar o encontro recente da FAO, em Roma, conjugando de uma só vez governos e presidentes de várias nações para debater sobre a fome e a pobreza do mundo - A FAO é o órgão que tem essa aba de preocupação, e deveria ocupar não só as cabeças dos dirigentes mundiais como seus corações, pouco usados nos momentos mesmos em que exercem um mandato executivo em seus países – seria ponto de honra a todos os mandatários a alusão ao nome do maior guerreiro contra a fome e a miséria que assolam, desde muito, o nosso planeta. Seu nome? JOSUÉ DE CASTRO, humanista pernambucano e, pois, brasileiro e conterrâneo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também daquele estado, mas totalmente avesso a incorporar mais esse conhecimento aos seus (?) sobre o homem que foi Presidente das FAO de 1952 a 1956, e autor de dois famosos livros que abordam o assunto: GEOGRAFIA DA FOME e GEOPOLITICA DA FOME, traduzidos em 24 línguas.
Deixarei de lado mais detalhes sobre o trabalho desse sociólogo de vulto para propor o que abaixo menciono. A alguns poderei parecer um desses “alouprados” – termo usado pelo presidente Lula que o adora trazer à baila, em seus pronunciamentos plenos de irritação – (se acossado pela oposição farisaica, no dizer do meu amigo Hudson Luiz Vilas Boas do blog “Dissolvendo no Ar”) – e propositor a um estado utópico do dever que seria imposto aos candidatos a cargos eletivos e, pois, formadores de idéias, leis, princípios da ética e dos direitos dos cidadãos.
Em primeiríssimo lugar, esses dois livros deveriam ser a “Bíblia” de todos os políticos e politiqueiros começando pelos Gabinetes da Presidência da República e se estendendo aos demais do Senado, da Câmara, do Judiciário e os da Previdência.


Além desses, os existentes nos principais Ministérios que tratam da produção de alimentos, do transporte e da distribuição da referida produção, sem esquecer o Ministério do Planejamento e outros ligados à economia e à verdadeira distribuição de riquezas – para que os lessem e tivessem iluminadas as suas mentes tacanhas, e por isso mesmo regressiva, egoísta e eivada de números estatísticos.

As leituras a esses dois mencionados livros deverão ser obrigatórias e passíveis de reciclagem a médio prazo, mas nunca se deixando de “sabatinar” a todos os que têm a primazia ao mando e a todos os demais parlamentares, ministros, secretários, juízes e seus pares de todas as instâncias. Ao invés de ficarem sem nada a fazer nas “férias”, colidiriam dados importantes, por exemplo, de todas as instituições previdenciárias de todas as nações que encaram o problema social como primazia a todos os governos e, ainda, consorciada aos problemas da produção de alimentos e da miséria que campeia nos países em desenvolvimento ou pobre. Teria o caráter de um “vestibular” assegurando ao povo, que confiou nessa elite, às verdadeiras medidas corretas em seu favor. Ainda deveriam ter noções de agricultura, exportações e importações, transportes, taxas e impostos que recaem sobre gêneros de primeira necessidade – sem esquecer os remédios – câmbio e uma simples noção de Relações Públicas e de Relações Exteriores. Seria pedir muito? Com tal cabedal de conhecimentos ainda que superficiais, as Nações do mundo teriam parlamentos totalmente congraçados as mais profundas necessidades dos povos. Seriam políticos preparados, homens com outra visão de vida e não simples enunciadores de “números estatísticos” – frios como metais sob a “refrigeração” de suas indiferenças.
O Homem não é um ser desprovido de emoções, sabe-se; e, para se manter digno de sua existência, deverá ter trabalho e salário digno para atender a todos os seus compromissos diante de uma sociedade que não pode exigir dele além dos meios oferecidos pelos atuais homens que comandam as políticas sociais e econômicas.


Isso posto, tenho a convicção de que no futuro apenas homens, com profundos conhecimentos intelectuais envolvendo política social e econômica, poderão postular cargos de importância tão relevante como é a de um legislador e a de um governante. Não haverá mais lugar para os “meia-solas”, os enganadores, os politiqueiros assanhados que se movem pelos augustos e luxuosos corredores e anfiteatros dessas Casas de Leis. Para as devidas cobranças – que não deverá ter mais pela probidade de seus representados – se elegeria, a titulo de garantia, uma Pequena Câmara de doutos senhores saídos do seio do povo. Aqueles dois livros do eminente doutor Josué de Castro deverão ser as bússolas desses mesmos senhores. Assim, a humanidade daria a volta por cima, saindo dessa complicada e emaranhada teia de injustiças e confusões que levam povos aos levantes, às revoluções e aos desmandos; todos os governantes não mais pensariam apenas em demandas contra outros povos mais fracos e carentes, mas trabalhariam para fazer das “Reservas Primárias” um outro objetivo – o de levar a todos igualmente seus direitos à Vida e todos os seus princípios de bem-estar, social e humano. Dever-se-ia pensar, ainda, em perdoar dívidas dessas nações que ainda não estariam à altura daquelas que desde há muito vêm acumulando riquezas, protegendo suas agriculturas com subsídios e investindo pesado em países em desenvolvimento – aqueles cujo futuro se fazem risonhos.

Como menciona a comentarista e colaboradora do Le Monde Diplomatique, o nosso doutor Josué de Castro “cultivava, desde a década de 1950, uma visão sistêmica do desenvolvimento”. Somente com o aumento da produtividade agrícola e a distribuição de alimentos, o Homem não resolveria os agudos problemas da fome e da miséria. Inteligentemente, ela diz que “a leitura ou releitura”, hoje, da “Geopolítica da Fome”, por aqueles que organizaram o encontro mencionado nas primeiras linhas desse meu comentário, seria uma bela e expressiva homenagem ao grande humanista que teve a FAO em suas mãos dirigindo os destinos da Instituição nos anos 50.


O resgate da memória – diz ela – é sempre uma condição sine qua non para se projetar o futuro. E o futuro bate incontinente às nossas portas; se faz presente em nossas necessidades atuais; mostra-nos friamente que a continuar do jeito que se faz caminhar a diplomacia dos povos livres, não teremos muitas chances de construir um futuro de igualdades e de direitos imanentes aos seres humanos, que deverão escapar à hecatombe que se desenha muito claramente no horizonte de todas as Nações.

“A crise de civilização exige um novo modo de viver e de pensar. Trata-se de alcançar não apenas um melhor nível de conforto, mas também uma melhor qualidade de vida em todos os sentidos” (Josué de Castro).

Adotar um novo paradigma deve ser a ação imediata dos povos, mediante novas reuniões de poderosos; praticar-se uma higiene em todos os Parlamentos, como propus atrás, sem medo de me tornar ridículo ou ser taxado de néscio. Digo, porém, que os homens que realizaram o encontro de Roma perderam a oportunidade de iniciar a corrida para todas as mudanças necessárias a uma Humanidade mais conscientes de seus deveres e direitos. Haverá tempo? Só mesmo o Tempo terá as respostas que todos nós, que pretendemos a igualdade dos povos, ansiamos.
Morani.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A MATEMÁTICA DOR DE UM PROFESSOR DE PORTUGUÊS

A MATEMÁTICA DOR DE UM PROFESSOR DE
PORTUGUÊS


Quando se é moço ainda, não sabemos medir a extensão da dor de nossos semelhantes. Vemo-los em tortuosos sofrimentos sem, contudo, sermos contagiados por isso. Testemunhamos suas lágrimas sem sentirmos os nossos olhos arderem, o que teria o toque de comunhão espiritual e humana. Isto não deve se constituir em motivo de vergonha ou em uma prova de desamor.
É que temos o nosso lado difícil – coisas insuperáveis que nos assaltam todos os dias, a toda hora, porque ninguém é de ferro.
Quando atingimos a idade das reflexões mais aprofundadas e eivadas de uma ligação mais fiel aos princípios de solidariedade, então, sim, vamos nos unir à dor daquele que sofre uma perda, ou seja, o que for que lhe traga sofrimento impossível de ser amenizado. Palavras e palavras são só o que teremos à disposição de quem sofre.
Lembro-me de que tive um professor de português no Ateneu Norte-riograndense, em Natal. Homem bom, meu amigo leitor, escrupuloso, trabalhador dedicado à sua nobre profissão. Lembra-me suas roupas humildes – ternos surrados de tão antigos; calçados já refeitos nos solados mais de uma vez. Quando ele aparecia de terno e alpercatas aos pés, podia-se avaliar que o velho e batido calçado se encontrava no conserto, para mais um solado.
Nessa época, Parnamirim era quase um município. Era lá que ficava a Base Aérea construída pelos norte-americanos durante a II Grande Guerra para que os aviões vindos dos EUA ali fizessem pouso, para abastecimento e revisão. De lá, levantavam vôo até à África.
Houve uma solenidade nessa Base Aérea para a qual foi o nosso professor convidado a dar uma palestra aos oficiais.
O filho mais velho, desse professor cujo nome me foge à lembrança, mostrou interesse em conhecê-la para tocar com as suas mãos a fuselagem das aeronaves de caça. O pai, amoroso aos seus filhos, levou o rapazinho. E lá se foram numa das viaturas da Base que os veio apanhar em casa.
Retornando a Natal, a viatura teve um dos pneus dianteiros estourado. O veículo militar capotou. No acidente, vários passageiros – oficiais e civis como os dois – foram atirados para fora. O rapazinho foi arremessado para mais longe, na primeira capotagem. Ficou caído ao chão imóvel. Seu pai, nosso bom professor, correu em sua direção. Segurou-o para despertá-lo do choque. A criança pediu um copo d´água ao seu pai, vindo a óbito em seus braços. Um urro encheu a bela tarde. Desesperado, o pai apertou-o contra o seu peito sacudindo-o sem parar. Ninguém mais se feriu, além de pequenas escoriações sem gravidade. O seu filho foi a única vítima fatal.
Com a notícia do infausto passamento do rapazinho, o diretor do Ateneu, Senhor Celestino, encerrou as aulas liberando professores e alunos. Fomos à casa pobre do nosso professor. Em estado de choque, falava para todos que o filho estava com sede, que queria água. Ela ia à cozinha, voltando com um copo cheio para dar ao filho inerte em seu caixãozinho. Quanto desespero e quanta dor naquele coração que se culpava por ter cedido à solicitação do primogênito. Eu, de minha parte, olhava as idas e vindas do pai à cozinha e de lá à sala, sempre com um copo de água à mão. Não irei dizer que não senti emoção alguma, mas não na agudeza que se fazia normal diante daquele quadro. Enfim, de algum modo, talvez egoísta de minha parte, olhava tudo como se estivesse assistindo a um filme trágico. Não compreendia a extensão da tragédia, nem o ir e vir do velho professor que sentia a matemática de sua dor porque exata como a matéria, mas sem a solução que ele desejava; afinal, era apenas um professor de português.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

RESSUREIÇÃO

EM 09/07/08

DESPERTAS DENTRO DE MIM
UM NÃO SEI QUÊ DE MAGIAS.
DESABROCHAS PRIMAVERAS
NUM CORPO OUTONAL.
RESPIRO ESSE AR SOLENE E PURO
QUE DESMANCHAM OS TEUS CABELOS
ÁS BORDAS DE MEUS OLHOS PARADOS,
NO SUSTO DA SURPRESA DA TUA VISÃO!

QUERO TODOS OS CAMINHOS PERDIDOS,
OS CAMPOS DISTANTES E ESQUECIDOS,
E TODAS AS FLORES, E TODAS AS PLANTAS,
E TODOS OS PÁSSAROS, E RIOS
E AS PROFUNDAS VOZES DOS BOSQUES
COMO O GESTO RÁPIDO DE UM MAESTRO,
PARA TE DAR IMPREGNADO DE TUDO O MEU CORPO,
COMO FRUTO MADURO DA RESSUREIÇÃO.

SONETO

EM 09/07/08

NÃO HÁ TRISTEZA QUE MAIS CALE FUNDO
QUE O TEU PASSAR POR MIM, INDIFERENTE.
CALO-ME EM MEU SILÊNCIO, E IMINENTE
É A DEFLAGRAÇÃO INTERNA DE MEU MUNDO.

VEJO-TE PASSAR DISTANTE MUITO SILENTE,
FIRME EM TEUS PASSOS E, ALGUMAS VEZES,
LANÇAS UM DÉBIL OLHAR - REVEZES
PELOS QUAIS PASSAM MUITA GENTE.

COM CERTEZA PERCEBESTE QUANTO ENLÊVO
TENHO POR TI, E TUDO O QUE ESCREVO
É REAL, É VERDADEIRO E É SINCERO.

AINDA TROCAREMOS PALAVRAS... CARINHOS...
FINDANDO A SENSAÇÃO DE SERMOS SOZINHOS
SE ME QUEIRAS TANTO QUANTO TE QUERO.

REFLEXÕES QUASE FILOSÓFICAS

Em 10/07/08

"Cada um de nós faz da vida encantamento ou desencanto, tendo cada qual o seu proprio Deus. Porém, sendo Ele Pai amoroso, repartiu-se criando o Homem. E nós, de acôrdo com os nossos atos e pensamentos O matamos ou O vivificamos a cada dia. Deus também morre dentro de nós. Somos os seus algozes."

"Sem mágoas nem tristezas dou hoje adeus à Vida por crer firmemente em um mundo de Luz onde a Paz e a Integridade individuais não podem ser atingidas por fatos exteriores, pois é um mundo interior no qual vivemos o nosso próprio Universo."

"Dizem que a Vida é bela e que vale a pena vivê-la. Concordo, mas acho que estamos sempre a um passo das amarguras."

"Somos todos uns ladrões imbecís. Roubamos de nós mesmos nossa harmonia e nossa felicidade, todos os dias. Por esse tipo de roubo não somos chamados à Justiça, mas Aquele que nos Julga
se cala dentro de nós como testemunha que se acha tolhida de falar."

"A Vida é uma escolha consciente. Saibamos, sempre, escolher o melhor da nossa, e seja ela sempre um exemplo do que pode ser bom para encorajarmos os que nela vão se iniciar, e que tenham a certeza de terem escolhido certo sem a sombra da dúvida que, uma vez instalada, depaupera a Alma."

Não desejei às minhas filhas a parte deteriorada de nossas almas, quando as concebemos. A Vida de cada ser humano já é um fardo tão pesado, eivado de erros e de desenganos... Por que, pois acrescentar-lhes uma carga a mais?"

"Às vezes me sinto despencando no vazio. Aborrece-me e entristece-me o viver. Outras vezes, sinto-me elevado à venturas, ao gozo e à Paz. Essas flutuações podem se tornar perigosas por me dar a certeza de uma desarmonia íntima. Qual dessas sensações sairá vencedora? Nesta dúvida reside todo o meu medo."

"Deus está dormindo dentro de mim e não pode ouvir os meus terríveis pensamentos."

Muitos me conhecem, mas não sabem quem eu sou. Outros sabem quem sou, mas não me conhecem. Outros nada sabem de mim nem procuram conhecer-me íntimamente. Há um grande abismo entre o que sou e o que não sou".

"Só Deus me Conhece e Investiga o meu íntimo. Só Nele tenho um Verdadeiro Amigo. Um dia, habitarei na Mansão do Altíssimo e À Sua Sombra hei de descansar, por longos e longos dias."

A Vida é uma extraordinária Escola. Nela aprendemos a não errar, mas erramos sempre; os nossos erros são como espinhos em nossos olhos, impedindo-nos vê-los. Assim, deixamos de aprender."

"É tão difícil conciliar duas partes perigosamente antagônicas que nem Deus Deseja nos Servir de Juiz."

quarta-feira, 9 de julho de 2008

ESCALADA DA VIOLÊNCIA ?

Em 09/07/08

Ao tomar conhecimento do último crime covarde que chocou a opinião pública, entidades que pugnam pelos direitos de se viver, ministros, parlamentares e congêneres, chego à conclusão - triste e odienta conclusão - de que não há no Brasil de hoje uma "escalada de violência", mas um verdadeiro e permanente "estado de violência" que sobrepuja toda a qualquer medida das autoridades para coibir definitivamente essa "imanência" que desce, não dos céus, mas de todos os morros e de todos os cantos da cidade. Querer citar os morros como fonte da violência hodierna é prejulgar os seus moradores de modo geral. Não se pode admitir tal investida sobre uma população ordeira e trabalhadora que só deseja viver em paz.

Acontece que há uma multiplicação de crimes praticados por homens da polícia militar e civil, e, agora, com a adesão de militares das nossas Forças Armadas, no caso os homens do exército brasileiro. O mundo caduca; as pessoas já não têm segurança nem para morrerem dignamente em suas camas e em seus lares. São colhidos nas ruas, a qualquer hora, sob quaisquer circunstâncias, com culpas ou inculpes. E lá se vão jovens inocentes em mãos criminosas associadas de alguma forma às forças que deveriam manter a ordem e a segurança dentro dos limítes do país.

A polícia despreparada, anda com os nervos à flor da pele; viver ou morrer requer frações de segundos, para uma abordagem pacífica, violenta ou virulenta contra pessoas incapazes de legítima defesa ou o de poder salvaguardar suas prórpias vidas.

O inocente João é mais uma das muitas vítimas que enlutam famílias e toda a sociedade. Vimos nos jornais televisivos a revolta justificada do pai da criança assassinada friamente por políciais que perseguiam um veículo de cor preta e disparado em alta velocidade. O carro da vítima fatal - porque há outras vítimas na história desse imbroglio patrocinado por policiais - estava estacionado à espera de uma abordagem normal. Tal não se deu. Uma chuva de balas varou o veículo, e uma delas atingiu a criança de apenas 3 anos na nuca! A mãe, desesperada, atirou para fora do carro uma bolsa de criança, para identificar os ocupantes do veículo parado. Ainda assim viu mais uma rajada de disparos.

Vamos culpar apenas os policiais? Não! Eles têm sua parcela de culpa, sim, mas não se pode é esquecer que por trás das armas assassinas, e do terror desses policiais, sem tempo para medirem o momento crucial à abordagem estão os cabeças principais - seus comandantes, suas academias inúteis, e o Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. É por esse que se deve começar os questionamentos, e descendo, até ao último escalão dessa força auxiliar.

Reciclar é o termo do momento. Ouvimos as declarações veladas de policiais desnudando a verdadeira situação nos quartéis: a falta de orientação e de treinamento para ações nas vias públicas.

Então só vejo "culpados" - todos nós que nos calamos diante desses descalabros sem fim, desses massacres hediondos, desse despreparo de nossos policiais e da indiferença das "autoridades maiores" sentados em seus gabinetes refrigerados e seguros. Que ninguém se engane: tudo isso vai continuar até que atinjam familiares de todas as autoridades - sejam do Executivo, do Judiciário, do Legislativo ou de quaisquer outros Poderes. Então creio que se mexerão, despregando seus trazeiros dos seus tronos em Brasilia, de suas poltronas no Congresso, de suas cadeiras giratórias de seus gabinetes palacianos ou das Delegacias de Polícia.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A NECESSIDADE DO SILÊNCIO

Há um momento na vida das pessoas em que se faz necessário um recolhimento profundo. Esse recolhimento deve ser acompanhado de um silêncio total. É o escopo primordial para um exame que atinja o cerne da alma. Comigo acontece essa necessidade, mas confesso não consegui-lo em sua plenitude. Fico apenas numa espécie de meditação superficial. Quando o recolhimento é bem feito, o silêncio que se busca vem de dentro para fora envolvendo o ser numa paz refazedora de energias e autocontrole. Estamos, então, nos comunicando com o nosso mundo interior, com as nossas verdades e com os nossos segredos.
Nessa fase, exige-se silêncio absoluto. Torna-se, ele, a própria alma do recolhimento. Porém há um silêncio - ou vários deles - que nos incomoda demais. É o silêncio da solidão; o da indiferença e o da negação. Para qualquer deles, o remédio se faz difícil e quase inacessível. O primeiro, da solidão, é relativo. Podemos nos encontrar no meio de uma multidão e ainda assim nos sentir sozinho como numa ilha deserta, carente de vozes e de calor humano. Isso não acontece algumas vezes a você? O da indiferença torna-se uma coroa de espinhos na fronte sofrida – uma coroa espinhenta dolorosa, além de nossas forças – para suportá-la. Apresenta-se como nossa “via-crucis”. É a mais cristalina evidência de que há um esquecimento imposto ao ser abrindo sempre mais e mais ferida na alma.

Inquieta-nos interiormente, mexe com o nosso amor próprio, com o nosso orgulho, deixando seqüelas profundas. É realmente difícil suportar. Desnorteia-nos e abate-nos sobremaneira. Sentimo-nos vazios até à morte. E este, o da indiferença, se complementa e transborda com o da negação. Você, então, se sente um zero sem significado algum para outro ser, para uma comunidade, para uma sociedade inteira, para o mundo e para a Vida! Você simplesmente existe sem ser, e é um ser sem existência. Mergulha num um vazio imensurável, abismal, aonde nem a luz da piedade chega! Você é o próprio silêncio, que incomoda; um início que nunca se dará, um fim que jamais se configura. É, digamos, o caos antes do pensamento criador de Deus. É como as trevas antes do “Fiat-Lux”.
Aquela introspecção deverá servir exclusivamente para que nos encontremos conosco mesmos e construamos um novo ser capaz de não se isolar, ou de se sentir isolado de outros seres, por mais abjetos possam nos parecer, sem nada sentir. Deverá, ainda, nos ensinar à comunicação constante a outras pessoas e a amar o próximo como a nós mesmos. Aprendamos a não nos negar, a não nos dividir, mas a de nos somar, e a de nos transformar num elo entre muitos, até completarmos uma corrente humana com capacidade de assimilar todos os problemas; unos na dor, na angústia, no desamparo e no desencanto comum.

Então, que maravilha! Um milagre acontece, não para o nosso espanto, mas para a nossa ressurreição como seres humanos.
Sentimos um foco de Luz; sentimo-nos esse foco de Luz penetrante a todas as entranhas da alma; esta Luz sublime nos mostra a Vida palpitante, a fraternidade em toda sua grandeza, como um bálsamo que perfuma, que nos totaliza na unidade ao Criador, no silêncio manso de uma doçura incomparável - um verdadeiro cadinho de êxtases!
Estamos revestidos, então, da couraça impenetrável da Paz! O silêncio já não nos atemoriza. Faz parte de nós, de nosso íntimo, de nossa existência que começa a aflorar entre tantas outras. Somos silêncio consciente, e o dominamos. Tornamo-nos mais receptivos e mais indulgentes, porque mergulhamos dentro de nós mesmos. E o momento que se fez necessário, e tão difícil no inicio da abordagem, se completa com toda a sua força, com toda a sua beleza e com todo o seu transbordamento.
Somos seres humanos! Somos Luz! Somos unos e parte da fração perene da Divindade: somos deuses, finalmente!
Morani

terça-feira, 24 de junho de 2008

ELEVADA HONRA

Nova Friburgo, 25 de maio de 2008



Amigo Hudson:

Sinto-me guindado a uma honra não merecida. Sou um simples e humilde colaborador aos debates corajosos em seu "blog no qual o amigo nos brinda com os seus comentários e com os de outros colaboradores assaz importantes. Saudáveis, e ao mesmo tempo contundentes, são esses textos de verdadeiros patriotas incomodados com a situação do Brasil e, de sobra, a do mundo. Lembra-me o pequeno exército de homens valorosos que combatiam ao lado de Fidel Castro para derrubar um "esbirro" - joguete fácil e dócil às mãos imperialistas dos norte-americanos; esses mesmos que hoje se voltam para o nosso Continente, pois o deles se exauriu por dissídia generalizada seguida de causas naturais; o dos europeus se desgastou, salvo exceção, por milênios e milênios de exploração sem termo, e por diversas guerras, revoluções, levantes e batalhas cruentas empapando os chãos de sangue inocente e dilapidando as juventudes que seriam, e serão sempre, os pilares de um Novo Mundo se permitirem que vivam sem mais sobressaltos. Enquanto isso nós, deste lado do planeta, e em um hemisfério relativamente novo, vamos combatendo com as nossas armas que não ferem nem matam, mas constroem um portal de esperança guardados numa expectativa e nos corações de milhares de jovens que desejam, apenas, um lugar ao sol num Continente amplo, livre e de nações latinas colimadas num só objetivo: o de não se render jamais às forças alienígenas que porventura acreditem poder nos calcar com suas botas, e nos vencer pelo terror as suas armas, ou, ainda, pela diplomacia sediciosa e envolvente. Um grande e fraterno abraço.
Morani

sexta-feira, 30 de maio de 2008

A FOME MUNDIAL

A FOME MUNDIAL

Em 30/05/08

Na antiguidade, ao tempo dos Faraós, durante o deslocamento do povo hebreu com destino à Terra Prometida – Canaã –, os milhões de peregrinos vagaram por 40 anos nos desertos e por outras regiões áridas. Desconheço haver outros registros de fome regional de toda uma Nação além da que ocorreu aos hebreus. Diz a História do Povo Hebreu que uma fome grassou entre a multidão de milhares de tribos compostas pelo povo bíblico e que ao clamor de Moisés Jehová fez chover o maná – espécie de pão delicioso que sustentava a energia do povo “escolhido” – em abundância bastante para saciar a fome de todos. Depois, para dessedentá-los, Moisés “arrancou” água de uma rocha batendo com o seu bastão – instrumento que Deus entregou a Moisés para livrá-los do cativeiro egípcio e fazer acontecer tudo em favor deles.
Hoje o mundo não tem mais um Moisés, e, talvez, nem Deus para socorrer as multidões das nações onde a fome já é uma “erva daninha” a se estender para todos os lados.
Na China já houve um tempo negro de fome, e tão cruel que os pais vendiam seus filhos aos poderosos como escravos, ou os assassinavam para que não sofressem a falta de alimento.
A África – berço da civilização é onde a FOME armou sua tenda há séculos. Ali, naquele Continente, a carência alimentar parece ser fato definitivo e continental, não sendo apenas, pois, regional.
Na França, muito antes da Revolução, já houve fome; o povo comia mal, sem complemento protéico e com baixo teor de vitaminas, sais, e outros elementos químicos encontrados em alimentos próprios que atendessem as necessidades do povo miserável. O resultado disso foi o derramamento de sangue de muitos cidadãos franceses, e principalmente da elite dominante – as da corte de França.
Na Irlanda, o mês de setembro era o de colheita de batatas. Esta leguminosa passou a ser quase que exclusivamente a base alimentar dos irlandeses que em 1800 chegavam a oito milhões de habitantes. Dois ou três milhões não tinham terras, nem emprego e vagavam a esmo comendo raízes que não sabiam serem boas ou não. Em setembro de 1845 uma tragédia se abateu sobre o país. As batatas colhidas de véspera apresentavam no dia seguinte putrefação anormal, e os animais que as comiam apareciam mortos.

Com tal fenômeno atingindo a todo o país, o governo adotou uma política de laissez faire... Com os negócios correndo sem a interferência oficial. Só havia uma saída: a pesca no Rio Foyle, mas essa prática precisava de autorização de um nobre que detinha a primazia da pesca. Muitos morreram tentando. E a fome se estendia por quase toda a Europa, localizada aqui e acolá. Era uma situação mais ou menos generalizada.
É difícil se afirmar não ter a Humanidade, em seu todo, sofrido com a FOME em alguma data de sua existência na face do planeta. Acreditava-se, nos dias atuais em que a tecnologia avança a passos largos nas pesquisas de alimentos alternativos, e mesmo num desenvolvimento sustentável de alcance terreal, não se ouvir, nem de leve, falar em fome com braços gigantescos a abarcar o mundo moderno!
Querer jogar em cima da atual política energética – milho e outros grãos para se produzir combustíveis biodegradáveis –, equivale a querer produzir ar em ambiente de vácuo. A Fome, sem pressa, vem dando passos vagarosos, mas contundentes desde há muito!
Mas o fato real é que os dirigentes do mundo vêm, com apreensão, esses fenômenos se repetirem numa escala nunca antes imaginada. Isto, a quem estuda o último Livro bíblico – O Apocalipse – tem conhecimento de que se sucederia uma Fome mundial, tempos de “difícil manejo”, desagregação da família, desentendimentos entre Nações irmãs, revoluções, guerras e catástrofes naturais a ceifar milhões de lares, de vidas, de terras aráveis, de depósitos de alimentos aumentando, destarte, as muitas bocas gritando FOME! Acresce-se o aumento populacional nos países asiáticos, principalmente (A China tem uma Lei rigorosa para o controle natalino), sem se esquecer o mesmo crescimento em toda a Europa e no Continente africano onde a fome é a parceira comum aos nativos. Aqui mesmo temos os nordestinos que sofrem a fome crônica há décadas. Já falei sobre as crianças “bochudas”, numa falsa “gravidez” que não passa de vermes alimentados pelo barro que ingerem à falta de alimentação adequada. A região árida nordestina, e de quaisquer outras, não fornece muitas variantes. A comida básica é: rapadura, farinha de mandioca, feijão verde (quando têm), e a famosa palma, que antes era dada apenas ao gado. Estas “iguarias” alimentam só no momento. Outro “fenômeno” incontrolável é a subida nos preços dos alimentos básicos no mundo todo. Os preços elevadíssimos do petróleo são mais um “culpado” dessa fome que se chega aos homens grudando-se neles como as suas próprias sombras. Daí vem à ganância estrangeira “botar” os olhos em nossa Amazônia, onde a reserva aqüífera e as ótimas terras aráveis e produtivas estão à disposição dos mais “espertos” e de maiores meios financeiros.

Nesse “imbróglio” todo, não se deve dispensar, sob quaisquer hipóteses, uma vez concretizada provável “invasão” de forças interessadas nas terras amazônicas, os tratados, as intervenções diplomáticas, os direitos inalienáveis da soberania nacional e o respeito total à maneira de o governo federal dar “trato” ao melhor uso da terra e ao Rio Amazonas e afluentes, sem olvidar a população indígena que hoje se encontra em mãos de facciosos homens evangélicos que já marcaram presença nas “terras de ninguém”.

As guerras pretéritas eram movidas por questões econômicas, religiosas e geográficas; há consenso de que hoje esses conflitos, locais ou internacionais, dentro do nosso território, terão como pretexto o problema da falta de água em muitos países do planeta. A bacia hidrográfica amazônica é uma das grandes reservas que os povos têm como salvação à sede em futuro não muito distante. As riquezas “in natura” de nossa selva oferecem um leque de opções para todos os fins. A Amazônia não é só o “PULMÃO DO MUNDO”; ela é o DEPÓSITO NATURAL para dela se extrair o “MANÁ” à humanidade faminta. Assim, como na história bíblica, DEUS PAIRA SOBRE A NOSSA FLORESTA AMAZONICA.
É de se esperar que os organismos mundiais, como a FAO e congêneres, tomem as atitudes para localizar e distribuir equanimente as reservas de alimentos ou, na pior das hipóteses, controlar com isenção ideológica, política, social e étnica a produção dos essenciais no mundo fazendo-os chegar aos lugares onde a fome seja maior e menores as áreas de produção. Todos os governos, sejam quais forem as suas metas ideológicas, devem se unir com um só objetivo: produzir grãos, frutas, leguminosas, verduras, leite e subprodutos a um preço FOB, sem usar das prerrogativas dos subsídios agrícolas, e investindo tudo o que se gasta em viagens espaciais, em guerras, e outros senões como a exploração do petróleo (dar-se-ia uma parada estratégica até que houvesse equilíbrio na cadeia alimentar mundial), pois não se come nem se bebe petróleo. Os meios de transporte teriam que sofrer mudanças drásticas, mas creio que os bilhões de barris de petróleo em depósito nos países produtores dariam para se arriscar à paralisação dessa atividade sem prejudicar as transferências de produtos. Estarei sendo utópico? Ou se repensa a vida humana na Terra ou não haverá ninguém a quem se vender o “ouro negro”, nem economias capazes de adquirir esse bem em vias de esgotamento. Tudo se esgota, e a Humanidade caminha célere para os FINAIS DOS TEMPOS.
Morani

sexta-feira, 23 de maio de 2008

MORRE O SENADOR JEFFERSON PERES

Em 23/05/08

Mais uma grande perda no cenário político desse nosso Brasil tão pobre de bons parlamentares. Apesar de pertencer à base aliada ao governo Lula (desperdício político), o referido senador amazonense combatia duramente os desacertos e as incertezas do presidente. Sempre calmo, não lembro tê-lo alguma vez aumentar o tom de sua voz na tribuna do Senado. Defendia as suas teses com galhardia, em voz soprada, mas com a segurança de quem sabia de sua posição no cenário político brasileiro. Só uma, apenas uma falha político-partidária tinha o nobre senador recém falecido: jamais deixou de ser fiel aos planos do governo a respeito da isonomia dos reajustes aos aposentados com mais de um mínimo. Sempre votou a favor do Palácio, isto é: sem medo algum de represálias de quem quer que fosse - eleitores, parlamentares e outros. O seu sonoro "NÃO" desfazia, sem glória alguma a ele, o sonho e a esperança de pelo menos 18 milhões de aposentados que vêm seus ganhos sando a cada ano menores. Nesse passo, diz o senador Paulo Paim, verdadeiro defensor das causas justas aos idosos, que não têm culpa alguma de receberem acima do piso, pois para isso contribuiram por anos, "as aposentadorias desses idosos estará no mesmo patamar de todos os que recebem um salário-mínimo!"
De qualquer modo, apesar de me ver por vezes prejudicado pelo seu voto contrário à isonomia, rendo a minha homenagem a esse senador deixando aqui registrado minhas condolências à sua família, amigos e aos parlamentares seus companheiros.

SENHOR CHIANELLO - EM 23/05/08

Em 23/05/08


Senhor Chianello:

Como o senhor eu também tenho ascendência italiana e, talvez, pela coincidência, possamos nos entender a contento.

Li o seu comentário sobre o referendo cuja efeméride se deve apenas a um índio “insolente”: EVO MORALES presidente daquele país irmão, a Bolívia. Ora, é lógico que a encoberto das notícias podemos lobrigar muito claramente o “jogo de interesses” que Morales vai vencendo com galhardia e posso arriscar até mesmo com patriotismo alicerçados em seu destemor em usar de suas prerrogativas como nativo e conhecedor dos verdadeiros e urgentes problemas bolivianos que devem ser atacados por medidas como a de nacionalizar o gás. Aqui, um governo crápula deu de “bandeja” a Vale do Rio Doce, hoje descaracterizada pelo simples nome “VALE” que faz jus ao novo logotipo, que é bem feito. Digo isto por ser desenhista e pintor, além de – como registrou o meu amigo Hudson –, escritor. Esforço-me, para ter o direito de chegar a ser um que valha a pena ler, espelhando-me nele.

Em um comentário anterior me reportando ao do Sr.Luis Bilbao sob o título “NA BOLÍVIA SE JOGA O FUTURO”, eu perguntava se será bom ao Estado boliviano à separação de mais outros dois departamentos, além de Santa Cruz de La Sierra. Diz V.Sa. que as câmeras das emissoras internacionais mostravam ao mundo o duvidoso pleito naquele departamento com cédulas previamente escritas SIM antes de serem depositadas nas urnas. Ora, isto além de ser “imoral” é “inconstitucional”, por estar fraudado. Esse “sonho” de se separar do Estado Central já aconteceu por aqui. V.Sa. deve lembrar do desejo de autonomia de dois ou três estados ao sul de nosso país, um deles o estado do RIO GRANDE DO SUL, um dos ricos e progressistas estados da União. Em que poderia implicar isso se fosse realizado o desmembramento? Podemos bem avaliar. Será o desmembramento de Santa Cruz de La Sierra, e de mais outros dois, (o primeiro é o mais rico e progressista) parte do plano de uma “CUNHA DE INFLUÊNCIA ALIENÍGENA”? Há comentários sobre a introdução nos países da América Latina desse plano com os fins precípuos de desestabilizar as políticas em práticas nesses países irmãos propensos a se libertarem da “MANOPLA GANANCIOSA” das poderosas nações do Primeiro Mundo. Acredito piamente que sim.

Fidel Castro tinha razão profética. Para “profetizar”, não é necessário ser SANTO; basta ter visão política e sensibilidade cívica, além da preocupação abrangente sobre o que pode uma Revolução em uma ilha acarretar aos demais países vizinhos. Ele não adivinhou que isto poderia acontecer a longo prazo. Sabia-o de antemão. Um felino não dá o primeiro bote a sua presa, na pressa de caçá-lo e devorá-lo. Assim agem as nações que detêm os poderes econômicos e bélicos: esperam pacientemente o momento propício (uma desestabilização interna provocada pelos insucessos de um governo) e dão o “pulo” do felino esperto. Eles têm estrutura (CIA) para saber o momento correto de intervir em determinado país, mas antes vão fazendo um trabalho sub-reptício nos “PORÕES” onde se homiziam os insatisfeitos nativos – aqueles que estão “APTOS” a lhes servirem como dóceis “ESBIRROS”.

Voltando a Fidel, ele disse sabiamente no transcorrer da brilhante autodefesa diante do Tribunal, numa sala de um hospital: ...”descalços, seminus, e subnutridos”... “É esse o caminho para se tornar grande uma Nação”? (falava das crianças cubanas e sobre o guajiro) “Somente a morte pode libertá-los”. E a isso, sim, o Estado os ajuda – a morrer. E quanto aos “meios” a serem adquiridos, dizia ele: “Quando houver um fim à DISPERSÃO DOS FUNDOS PÚBLICOS, QUANDO AS AUTORIDADES DEIXAREM DE RECEBER PROPINAS DAS GRANDES COMPANHIAS QUE DEVEM IMPOSTOS AO ESTADO [...] ai então, haverá dinheiro mais do que suficiente.” Dá-se isso hoje em um país que nós conhecemos muito bem. Abraços.

Morani