sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Ano passado antes de Marina Silva romper com o Partido dos Trabalhadores e aceitar encarar a aventura de se candidatar à presidência da República pelo Partido Verde, escrevi-lhe uma carta aberta pedindo que repensasse no assunto e se dispusesse a pleitear tal candidatura pelo PT. Meu temor, e esse temor estava explicito naquela carta, era de que ao desembarcar no PV Marina se tornasse a inocente útil das pretensões conservadoras. Afinal tal temor se baseava no fato de o PV não passar dum partideco de aluguel sem qualquer substância ideológica ou organicidade política a não ser a de tirar proveito (próprio) do poder. Como exemplo, à época, argumentei que o PV faz parte tanto da base do governo federal quanto das bases de Serra e Aécio, assim como também fez parte da administração de Cesar Maia no Rio de Janeiro.
Hoje, passados quase sete meses daquela missiva, percebo que o inocente foi eu. Marina não se deixou engabelar pelo PV, ela sabia exatamente para onde estava indo e a inflexão sofrida por seu discurso recente escancara essa opção.
Há poucos dias a senadora culpou o PT por não dialogar com o PSDB nem enquanto oposição e nem depois enquanto governo. Na visão (estrábica) da senadora acreana apenas o PT se mostrou intransigente em ambas as oportunidades, assim o PSDB deve ser isentado, uma vez que sempre se mostrou aberto ao diálogo. Talvez a ex-ministra do Meio Ambiente pense que o PSDB queria o melhor para o Brasil quando urdia o golpe branco para derrubar o presidente Lula durante a crise do “mensalão”. Ou então enquanto os tucanos estavam à frente do governo federal tinham razão em sucatear de forma desenfreada o estado brasileiro e acentuar nossa histórica desigualdade social. Interessante esse ponto de vista.
Não bastassem declarações dessa estirpe, Marina agora também faz coro com a direita tupiniquim condenando Hugo Chávez e Irã, além de querer dar aulas de democracia para Cuba. Quiçá Marina pregue o “criacionismo” para o povo cubano.
Em entrevista para a radio CBN (das Organizações Globo) Marina soltou algumas pérolas que mostram seu modelito neoliberal:
“Não podemos ficar reféns dessa combinação que é um pouco preocupante, da democracia representativa com a democracia direta. No caso da América Latina, a Venezuela tem uma ênfase plebiscitária que pode colocar em risco a alternância de poder, a subtração de liberdade.”
Sobre Cuba:
“A revolução contribui com alguns aspectos? Contribuiu e muito. Agora, é o fim da história? Não é. Existe um desafio ali? Existe. Qual é o desafio? É de que Cuba precisa se abrir para o mundo, precisa se transformar numa a democracia. Cuba não tem que ter medo da democracia porque até os amigos de Cuba já começam a ser constrangidos pela falta de liberdade de expressão.”
Durante a semana Marina também havia gravado participação para o programa É Notícia, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar na Rede TV. E lá foi Marina, sem pudor, jactar mais algumas pérolas do tipo:
“Para a ministra Dilma, parece que as questões ambientais não são prioridade”.
Talvez seja até triste fazer uma constatação dessas, mas Marina agora está no partido certo, um partido feito à sua medida.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 17:57
DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014
Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
PROTESTO!
28/fevereiro/2010
Sobre um PPS patriótico. - "Estou velho"
"Estou velho" - Eu também, e cansado de ver as injustiças cometidas contra os idosos neste país de poucos jovens; de ser esquecido pelas autoridades sanitárias; de ser relegado a um nível bem abaixo aos cães de rua; de não ver os nosso direitos obedecidos integralmente; de saber dos desvios de verbas astronômicas em mãos de patifes como os nosso políticos, que roubam sorrindo; de tomar conhecimento, sentindo à pele, que nada somos e não mais temos capacidade para enfrentar novas missões no mercado de trabalho; de que não somos mais nada e sermos obrigados a viver com o que a Previdência acha que nos basta.
O que é sentimento patriótico? É aplaudir as palavras vomitadas por nossos presidentes? É ter que abaixar a cabeça diante de Leis desleais e capciosas? É não ter o direito de gritar em plena praça pública do nosso desconforto e da nossa agonia, correndo o risco de ir parar no fundo de um xilindró?
Se eu disser que sou um patriota, me prendam, me isolem dos demais, me fuzilem para calarem a minha boca que grita: Não! Não sou patriota e não tenho pátria, porque a pátria, que pensei minha, me vira constantemente as costas, me ignora, não me dá chances de debater as verdades, me põe para escanteio, me prendem se eu me revoltar dentro de um banco ou de uma repartição publica! Pátria é aquele lugar onde cabem todos, e com os mesmos direitos; onde o aceitam como você é. Você não envelheceu porque quiz; não ficou doente unicamente por prazer.
Se encontrarem um grupo de elementos ditos cidadãos brasileiros e patriotas, e estando eu em meio a eles tirem-me de lá, pois terá sido mera coincidência, um acidente de percurso a que não pude evitar. Envergonho-me de dizer que o Brasil é uma Pátria quando aqui o estado de direito é uma comédia para que muitos se riam; uma peça cômica cheia de humor negro. Tudo é muito belo, para inglês ver; eu diria mais: para gringos verem, justamente esses gringos que nos expoliam de nossas riquezas, que chegam, aplicam seus dólares e se vão no dia seguinte com três malas cheias contra apenas uma, que trouxeram.
Sou apátrida! Sou um perdido em meio a muitos outros que se aceditam "encontrados". Nada que diga respeito à Pátria me traz emoções, alegrias ou esperanças. Aqui tudo isso morreu. Estamos em um campo santo imensurável. Isto é um campo de extermínio silencioso, lento, pérfido, mas perfeito em sua conclusão. Tenho receio que me cobrem o ar que respiro e me neguem a Morte que aspiro, porque aqui tudo me negam. É só. Esgotei meu nojo, porque se não o esgoto podem me tomar por patriota, e isso me deixaria envergonhado e abatido para sempre.
Um brasileiro sem identidade - Morani.
Sobre um PPS patriótico. - "Estou velho"
"Estou velho" - Eu também, e cansado de ver as injustiças cometidas contra os idosos neste país de poucos jovens; de ser esquecido pelas autoridades sanitárias; de ser relegado a um nível bem abaixo aos cães de rua; de não ver os nosso direitos obedecidos integralmente; de saber dos desvios de verbas astronômicas em mãos de patifes como os nosso políticos, que roubam sorrindo; de tomar conhecimento, sentindo à pele, que nada somos e não mais temos capacidade para enfrentar novas missões no mercado de trabalho; de que não somos mais nada e sermos obrigados a viver com o que a Previdência acha que nos basta.
O que é sentimento patriótico? É aplaudir as palavras vomitadas por nossos presidentes? É ter que abaixar a cabeça diante de Leis desleais e capciosas? É não ter o direito de gritar em plena praça pública do nosso desconforto e da nossa agonia, correndo o risco de ir parar no fundo de um xilindró?
Se eu disser que sou um patriota, me prendam, me isolem dos demais, me fuzilem para calarem a minha boca que grita: Não! Não sou patriota e não tenho pátria, porque a pátria, que pensei minha, me vira constantemente as costas, me ignora, não me dá chances de debater as verdades, me põe para escanteio, me prendem se eu me revoltar dentro de um banco ou de uma repartição publica! Pátria é aquele lugar onde cabem todos, e com os mesmos direitos; onde o aceitam como você é. Você não envelheceu porque quiz; não ficou doente unicamente por prazer.
Se encontrarem um grupo de elementos ditos cidadãos brasileiros e patriotas, e estando eu em meio a eles tirem-me de lá, pois terá sido mera coincidência, um acidente de percurso a que não pude evitar. Envergonho-me de dizer que o Brasil é uma Pátria quando aqui o estado de direito é uma comédia para que muitos se riam; uma peça cômica cheia de humor negro. Tudo é muito belo, para inglês ver; eu diria mais: para gringos verem, justamente esses gringos que nos expoliam de nossas riquezas, que chegam, aplicam seus dólares e se vão no dia seguinte com três malas cheias contra apenas uma, que trouxeram.
Sou apátrida! Sou um perdido em meio a muitos outros que se aceditam "encontrados". Nada que diga respeito à Pátria me traz emoções, alegrias ou esperanças. Aqui tudo isso morreu. Estamos em um campo santo imensurável. Isto é um campo de extermínio silencioso, lento, pérfido, mas perfeito em sua conclusão. Tenho receio que me cobrem o ar que respiro e me neguem a Morte que aspiro, porque aqui tudo me negam. É só. Esgotei meu nojo, porque se não o esgoto podem me tomar por patriota, e isso me deixaria envergonhado e abatido para sempre.
Um brasileiro sem identidade - Morani.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
EXPLICAÇÕES NECESSÁRIAS AO AMIGO HUDSON
Prezado Hudson:
Recebi seu-mail sobre o seu direito de pedir voto à candidata Dilma Roussef à Presidência da República e sua lídima convição em defender o atual governo. Protesto ainda a minha grande admiração por sua postura e por sua lealdade naquilo que acredita. Defender um governo que se acredita sério e que deu nova face ao país, é direito inelienável àqueles que não vêm o seu lado negativo, pois esse governo os tem, sem dúvida. Democracia, tão apregoada por ele em seus pronunciamentos, é um estado em que todos têm os mesmos direitos. Infelizmente, não vejo isso nesse que aí se instalou e que já vai pelo seu segundo mandato sem mostrar os avanços que poderia ter. Por sua popularidade, ele tem a faca e o queijo à mão, mas se deixou escorregar pelos desvãos da soberba e da prepotência. Depois de afirmar que o Brasil estava bem e sólido, que não havia mais pobreza dentro dos límites da patria brasileira, eis que vem com a seguinte declaração, naquele seu modo chulo : "Precisamos tirar os brasileiros e a nação da merda!" Afinal, onde estávamos? Numa mar de rosas, com marolinhas e tudo, ou num "tsunami" disfarçado? O seu primeiro mandato teve um "staff'" tão mal intencionado que o traiu descaradamente ficando por isso mesmo. Egixia a situação que todos fossem expulsos - como o foi Heloisa Helena e outros, por divergirem às suas ordens de exceção; digo, aqui, que exceção também se vê em regimes ditos "democráticos" - do PT, mas Lula não é mais petista, é "Lulista" como Hitler não era mais a Alemanha, mas o Nazismo! Vimos, através dos anos, e eu mais ainda, diversos governos corruptos e corruptores. Dentre alguns destaco os de Fernando Collor - hoje amigo íntimo de Lula e defensor de suas idéias - e o de Fernando Henrique Cardoso - frágil, elitista e covarde, contudo jamais pensei ver em um ex-operário - teve o voto de toda a minha família na primeira eleição - a fragilidade e proteção aos grandes detentores da maior fatia do bolo econômico. Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. O meu crivo de avaliação ao governo que vige atualmente nesta República Federativa é o de pior que houve até os dias atuais. Ele que não confie nos tapinhas às suas costas dados por Barak Obama nem em sua exclamação: "This is the man!"
Bem meu amigo, mantemos nossas sentinelas em extremos opostos. Eu tenho uma visão de governo e o amigo outra. Você a favor e eu contra. A mim, heróis são os nossos trabalhadores e os idosos deste país, que ainda são obrigados a retornar ao mercado de trabalho pelas razões sobejamente conhecidas a todos; aqueles, os da ativa, são os que impulsionam com os suores de seus rostos e o extremo esgotamento de seus músculos as riquezas da Nação, não os que pegam em armas para combater regimes de exceção. Por acaso os guerrilheiros da época da exceção não agiram dentro dos mesmos padrões? Estarei enganado, meu amigo? Sendo, por acaso, parcial? Não aplaudo regimes de exceção e se enganam os que assim pensam de mim, mas creio, sempre, na diplomacia e na bandeira branca da trégua, que não houve nos dois lados litigantes. Ódios se somam a outros ódios e, num crescendo, acabam por atingir inocentes. Nem todos os alemães concordavam com os pensamentos de seu Fuehrer e, no entanto, ele levou aquela Nação germânica à hecatombe! Esboroou-se os 1000 anos de prevalência da raça ariana. Isto exposto, deixo-o à vontade à solução de continuidade na remessa de seus excelentes comentários. Também sou fiel às minhas convicções, e não me permito abrir mão a futuras críticas, cada vez mais duras, ao governo atual. Você tem todo o meu respeito e consideração, como disse antes. Não passa por minha cabeça envolver o amigo, nem me envolver, aos constrangimentos que soem suceder nesses casos.
Morani
Recebi seu-mail sobre o seu direito de pedir voto à candidata Dilma Roussef à Presidência da República e sua lídima convição em defender o atual governo. Protesto ainda a minha grande admiração por sua postura e por sua lealdade naquilo que acredita. Defender um governo que se acredita sério e que deu nova face ao país, é direito inelienável àqueles que não vêm o seu lado negativo, pois esse governo os tem, sem dúvida. Democracia, tão apregoada por ele em seus pronunciamentos, é um estado em que todos têm os mesmos direitos. Infelizmente, não vejo isso nesse que aí se instalou e que já vai pelo seu segundo mandato sem mostrar os avanços que poderia ter. Por sua popularidade, ele tem a faca e o queijo à mão, mas se deixou escorregar pelos desvãos da soberba e da prepotência. Depois de afirmar que o Brasil estava bem e sólido, que não havia mais pobreza dentro dos límites da patria brasileira, eis que vem com a seguinte declaração, naquele seu modo chulo : "Precisamos tirar os brasileiros e a nação da merda!" Afinal, onde estávamos? Numa mar de rosas, com marolinhas e tudo, ou num "tsunami" disfarçado? O seu primeiro mandato teve um "staff'" tão mal intencionado que o traiu descaradamente ficando por isso mesmo. Egixia a situação que todos fossem expulsos - como o foi Heloisa Helena e outros, por divergirem às suas ordens de exceção; digo, aqui, que exceção também se vê em regimes ditos "democráticos" - do PT, mas Lula não é mais petista, é "Lulista" como Hitler não era mais a Alemanha, mas o Nazismo! Vimos, através dos anos, e eu mais ainda, diversos governos corruptos e corruptores. Dentre alguns destaco os de Fernando Collor - hoje amigo íntimo de Lula e defensor de suas idéias - e o de Fernando Henrique Cardoso - frágil, elitista e covarde, contudo jamais pensei ver em um ex-operário - teve o voto de toda a minha família na primeira eleição - a fragilidade e proteção aos grandes detentores da maior fatia do bolo econômico. Os ricos estão cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres. O meu crivo de avaliação ao governo que vige atualmente nesta República Federativa é o de pior que houve até os dias atuais. Ele que não confie nos tapinhas às suas costas dados por Barak Obama nem em sua exclamação: "This is the man!"
Bem meu amigo, mantemos nossas sentinelas em extremos opostos. Eu tenho uma visão de governo e o amigo outra. Você a favor e eu contra. A mim, heróis são os nossos trabalhadores e os idosos deste país, que ainda são obrigados a retornar ao mercado de trabalho pelas razões sobejamente conhecidas a todos; aqueles, os da ativa, são os que impulsionam com os suores de seus rostos e o extremo esgotamento de seus músculos as riquezas da Nação, não os que pegam em armas para combater regimes de exceção. Por acaso os guerrilheiros da época da exceção não agiram dentro dos mesmos padrões? Estarei enganado, meu amigo? Sendo, por acaso, parcial? Não aplaudo regimes de exceção e se enganam os que assim pensam de mim, mas creio, sempre, na diplomacia e na bandeira branca da trégua, que não houve nos dois lados litigantes. Ódios se somam a outros ódios e, num crescendo, acabam por atingir inocentes. Nem todos os alemães concordavam com os pensamentos de seu Fuehrer e, no entanto, ele levou aquela Nação germânica à hecatombe! Esboroou-se os 1000 anos de prevalência da raça ariana. Isto exposto, deixo-o à vontade à solução de continuidade na remessa de seus excelentes comentários. Também sou fiel às minhas convicções, e não me permito abrir mão a futuras críticas, cada vez mais duras, ao governo atual. Você tem todo o meu respeito e consideração, como disse antes. Não passa por minha cabeça envolver o amigo, nem me envolver, aos constrangimentos que soem suceder nesses casos.
Morani
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
MEMÓRIAS PÓSTUMAS DO HAITI
Memórias Póstumas do Haiti
* Por Tiago Barbosa Mafra
Os dias se passam, os sobreviventes não mais são encontrados, a decomposição dos corpos ainda é grande problema sanitário, o país continua arrasado, mas o impacto visual e emocional das notícias quentes e dos salvamentos gloriosos das tropas de paz da ONU já passou. Tanto que, as menções ao Haiti pós terremoto são vagas e ocupam pequeninos espaços nos noticiário diários, quando sobra uma brecha na programação.
Estranho pensar que as desgraças parecem tão imediatas quanto as notícias, mas apenas parecem.
A história de construção das condições de miséria do Haiti são relegadas ao esquecimento. Não se fala também do controle total, que de modo velado já existia, mas que agora, com uma mãozinha da mãe natureza, se institucionaliza através dos programas de ajuda e reconstrução do país abalado pelos terremotos dos últimos meses. Ajuda que trará uma conta muito grande para as futuras gerações de haitianos, disfarçada de acordos econômicos e de “cooperação” entre países.
Um dos momentos de preparo dessas condições de miséria, pode ser visto em um pequeno texto do jornalistas uruguaio Eduardo Galeano, de 1999, que aponta a maneira que o livre comércio lida com as diferenças de desenvolvimento dos países.
Não esqueçamos que nada surge do vazio. O processo histórico não permite ocultar os verdadeiros vilões. Terremotos não podem ser controlados. Dignidade humana ao alcance de todos, pelo contrário, é muito bem controlada pelas estruturas capitalistas e serve como moeda de troca nas relações de poder no tabuleiro geopolítico mundial.
A liberdade de Comércio
As notícias de rotina não têm divulgação. Em março deste ano, sessenta haitianos rumaram para a costa dos Estados Unidos num desengonçado barquinho, com a ilusão de ser recebidos como se fossem balseiros cubanos. Os sessenta morreram afogados.
Estes fugitivos da miséria tinham sido, todos eles, plantadores de arroz.
Muita gente vivia disso, no Haiti, até que o Fundo Monetário Internacional contribuiu para o desenvolvimento desse palpérrimo país, o país mais pobre do hemisfério ocidental, proibindo os subsídios à produção nacional de arroz.
E o Haiti passou de país produtor a país importador, os agricultores de arroz haitiano se transformaram em mendigos ou balseiros e o Haiti passou a ser, acredite-se ou não, um dos quatro mais importantes mercados do arroz norte-americano no mundo. O Fundo Monetário Internacional, ao que se saiba, jamais proibiu os enormes subsídios à produção de arroz nos Estado Unidos.
1999
GALEANO, Eduardo. O teatro do bem e do mal. trad. Sérgio Faraco.- 2a. edição- Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008: 114.
Isso apenas mostra como as manobras do capital continuam a expoliar os pobres, sem se importar com as pessoas que morrem todos os dias, por falta de oportunidade, por falta de alimentos, por falta de estrutura de vida, por falta de esperança, por falta…
Como escreveu certa vez o filósofo Jean Jacques Rousseau, nas relações entre o forte e o fraco, a liberdade oprime.
Não esqueçamos das tragédias e dos Haitis espalhados pelo mundo e pelo Brasil. É o que quer a máquina de degradar homens. É o que não podemos aceitar.
* Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
* Por Tiago Barbosa Mafra
Os dias se passam, os sobreviventes não mais são encontrados, a decomposição dos corpos ainda é grande problema sanitário, o país continua arrasado, mas o impacto visual e emocional das notícias quentes e dos salvamentos gloriosos das tropas de paz da ONU já passou. Tanto que, as menções ao Haiti pós terremoto são vagas e ocupam pequeninos espaços nos noticiário diários, quando sobra uma brecha na programação.
Estranho pensar que as desgraças parecem tão imediatas quanto as notícias, mas apenas parecem.
A história de construção das condições de miséria do Haiti são relegadas ao esquecimento. Não se fala também do controle total, que de modo velado já existia, mas que agora, com uma mãozinha da mãe natureza, se institucionaliza através dos programas de ajuda e reconstrução do país abalado pelos terremotos dos últimos meses. Ajuda que trará uma conta muito grande para as futuras gerações de haitianos, disfarçada de acordos econômicos e de “cooperação” entre países.
Um dos momentos de preparo dessas condições de miséria, pode ser visto em um pequeno texto do jornalistas uruguaio Eduardo Galeano, de 1999, que aponta a maneira que o livre comércio lida com as diferenças de desenvolvimento dos países.
Não esqueçamos que nada surge do vazio. O processo histórico não permite ocultar os verdadeiros vilões. Terremotos não podem ser controlados. Dignidade humana ao alcance de todos, pelo contrário, é muito bem controlada pelas estruturas capitalistas e serve como moeda de troca nas relações de poder no tabuleiro geopolítico mundial.
A liberdade de Comércio
As notícias de rotina não têm divulgação. Em março deste ano, sessenta haitianos rumaram para a costa dos Estados Unidos num desengonçado barquinho, com a ilusão de ser recebidos como se fossem balseiros cubanos. Os sessenta morreram afogados.
Estes fugitivos da miséria tinham sido, todos eles, plantadores de arroz.
Muita gente vivia disso, no Haiti, até que o Fundo Monetário Internacional contribuiu para o desenvolvimento desse palpérrimo país, o país mais pobre do hemisfério ocidental, proibindo os subsídios à produção nacional de arroz.
E o Haiti passou de país produtor a país importador, os agricultores de arroz haitiano se transformaram em mendigos ou balseiros e o Haiti passou a ser, acredite-se ou não, um dos quatro mais importantes mercados do arroz norte-americano no mundo. O Fundo Monetário Internacional, ao que se saiba, jamais proibiu os enormes subsídios à produção de arroz nos Estado Unidos.
1999
GALEANO, Eduardo. O teatro do bem e do mal. trad. Sérgio Faraco.- 2a. edição- Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008: 114.
Isso apenas mostra como as manobras do capital continuam a expoliar os pobres, sem se importar com as pessoas que morrem todos os dias, por falta de oportunidade, por falta de alimentos, por falta de estrutura de vida, por falta de esperança, por falta…
Como escreveu certa vez o filósofo Jean Jacques Rousseau, nas relações entre o forte e o fraco, a liberdade oprime.
Não esqueçamos das tragédias e dos Haitis espalhados pelo mundo e pelo Brasil. É o que quer a máquina de degradar homens. É o que não podemos aceitar.
* Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
DOBRADINHA ARRUDA/YEDA
Blog do Morani disse...
Meu Deus! Mas nem por brincadeira. Tanto Arruda como Dilma nem em pesadelo! Nem Serra. Desejo, sim, como brasileiro genuíno, uma mulher para exercer o mandato de Presidente da República pelos próximos quatro anos, a partir de 2011, todavia jamais desejando que os brasileiros entreguem o timão do país a uma do sexo feminil que não tenha passado pelo teste eleitoral, pela experiência dolorosa de um cargo eletivo [bom o candidato(dificil)não terá porque se preocupar às críticas; mau,há de passar pelo "fio da navalha" de seus adversários], cadinho onde se formam as grandes personalidades que estarão prontas aos costumeiros embates do dia a dia de nossa política tão malbaratada nesses nossos tempos de corrupções hodiernas.
12 de fevereiro de 2010
Meu Deus! Mas nem por brincadeira. Tanto Arruda como Dilma nem em pesadelo! Nem Serra. Desejo, sim, como brasileiro genuíno, uma mulher para exercer o mandato de Presidente da República pelos próximos quatro anos, a partir de 2011, todavia jamais desejando que os brasileiros entreguem o timão do país a uma do sexo feminil que não tenha passado pelo teste eleitoral, pela experiência dolorosa de um cargo eletivo [bom o candidato(dificil)não terá porque se preocupar às críticas; mau,há de passar pelo "fio da navalha" de seus adversários], cadinho onde se formam as grandes personalidades que estarão prontas aos costumeiros embates do dia a dia de nossa política tão malbaratada nesses nossos tempos de corrupções hodiernas.
12 de fevereiro de 2010
DOBRADINHA ARRUDA/YEDA
Meu Deus! Mas nem por brincadeira. Tanto Arruda como Dilma nem em pesadelo! Desejo, sim, como brasileiro genuíno, uma mulher para exercer o mandato de Presidente da República pelos próximos quatro anos, a partir de 2011, todavia jamais desejando que os brasileiros entreguem o timão do país a uma do sexo feminil que não tenha passado pelo teste eleitoral, pela experiência dolorosa de um cargo eletivo [bom o candidato(dificil)não terá porque se preocupar às críticas; mau,há de passar pelo "fio da navalha" de seus adversários], cadinho onde se formam as grandes personalidades que estarão prontas aos costumeiros embates do dia a dia de nossa política tão malbaratada nesses nossos tempos de corrupções hodiernas.
12 de fevereiro de 2010
12 de fevereiro de 2010
DOBRADINHA ARRUDA/YEDA
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Dobradinha Arruda/Yeda é alternativa para sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS
Já que José Serra parece titubear ao encontrar dificuldades cada vez maiores para emplacar sua candidatura rumo ao Planalto e muitos tucanos começam a jogar a toalha – ainda agora quando o jogo nem começou a ser jogado pra valer –, sugiro uma chapa alternativa para se contrapor a Ministra Dilma Rousseff e a alta popularidade do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva...
Uma dobradinha levando os nomes de José Roberto Arruda para presidente da República e Yeda Crusius para vice, ou vice-versa, tanto faz, vai dar a mesma coisa escatológica.
Assim no Natal Arruda nos garantiria muitos panetones e meias cheias de dinheiro!!!
Quanto àquelas multas de trânsito, Yeda poderia nos ensinar o seu “jeitinho” dentro do DETRAN!!!
Não tenho dúvida alguma que essa chapa angariaria facilmente o apoio de várias organizações, dentre elas o PCC e o Comando Vermelho.
PS. Caso Serra ainda seja o presidenciável da sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS e logre êxito em sua empreitada, então sugiro o nome de Arruda – ex-favorito de Serra para ser seu vice na chapa presidencial – para o Ministério da Justiça, afinal ninguém entende mais do assunto que o governador do DF.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
Dobradinha Arruda/Yeda é alternativa para sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS
Já que José Serra parece titubear ao encontrar dificuldades cada vez maiores para emplacar sua candidatura rumo ao Planalto e muitos tucanos começam a jogar a toalha – ainda agora quando o jogo nem começou a ser jogado pra valer –, sugiro uma chapa alternativa para se contrapor a Ministra Dilma Rousseff e a alta popularidade do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva...
Uma dobradinha levando os nomes de José Roberto Arruda para presidente da República e Yeda Crusius para vice, ou vice-versa, tanto faz, vai dar a mesma coisa escatológica.
Assim no Natal Arruda nos garantiria muitos panetones e meias cheias de dinheiro!!!
Quanto àquelas multas de trânsito, Yeda poderia nos ensinar o seu “jeitinho” dentro do DETRAN!!!
Não tenho dúvida alguma que essa chapa angariaria facilmente o apoio de várias organizações, dentre elas o PCC e o Comando Vermelho.
PS. Caso Serra ainda seja o presidenciável da sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS e logre êxito em sua empreitada, então sugiro o nome de Arruda – ex-favorito de Serra para ser seu vice na chapa presidencial – para o Ministério da Justiça, afinal ninguém entende mais do assunto que o governador do DF.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
MARK WEISBROT & A FILOSOFIA ESTRELADA
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Weisbrot: Porque os Estados Unidos querem derrotar o PT nas eleições de outubro
O texto que segue é dum primor só. Agradeço ao Luiz Carlos Azenha através do Vi o Mundo e a internet por nos dar a oportunidade de ler um artigo desses, coisa que eu dificilmente tomaria conhecimento em outros tempos. Sob o título original de “The US game in Latin America”, o quase bicentenário diário britânico The Guardian traz uma excelente análise sobre como os EEUU pretendem manter seu imperialismo América Latina a fora e o papel que os ianques podem desempenhar nas próximas eleições brasileiras. É bom lembrar que essa é uma análise dum economista estadunidense – Mark Weisbrot. Portanto, não é nem petista e nem foi cooptado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O jogo dos Estados Unidos na América Latina
Inteferência dos Estados Unidos no Haiti e em Honduras são apenas os exemplos mais recentes das manipulações de longo prazo na América Latina
Por Mark Weisbrot*, no jornal britânico Guardian, via Vi o Mundo
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/weisbrot-porque-os-estados-unidos-querem-derrotar-o-pt-nas-eleicoes-de-outubro/
Quando eu escrevo sobre a política externa dos Estados Unidos em lugares como o Haiti ou Honduras, geralmente recebo respostas de pessoas que acham difícil acreditar que os Estados Unidos se preocupam suficientemente com esses países para tentar controlar ou derrubar seus governos. Estes são países pequenos, pobres, com poucos mercados ou recursos. Por que os formuladores de política de Washington deveriam se preocupar com quem os governa?
Infelizmente, eles se preocupam. Eles se preocuparam suficientemente com o Haiti para derrubar o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide não apenas uma vez, mas duas. Da primeira vez, em 1991, foi feito de forma encoberta. Só descobrimos depois que as pessoas que lideraram o golpe foram pagas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. E então o Emmanuel Constant, o líder do mais notório esquadrão da morte -- que matou milhares de apoiadores de Aristide depois do golpe -- disse à rede CBS que ele, também, foi financiado pela CIA.
Em 2004, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe foi muito mais aberto. Washington liderou um boicote de quase toda ajuda econômica internacional ao Haiti por quatro anos, tornando o colapso do governo inevitável. Como o New York Times informou, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos dizia a Aristide que ele deveria fazer um acordo com a oposição política (financiada por milhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano), o Instituto Republicano Internacional [Nota do Viomundo: braço de política externa do Partido Republicano] dizia à oposição que não deveria fazer acordo.
Em Honduras no último verão e outono, o governo dos Estados Unidos fez tudo o que pôde para evitar que o resto do hemisfério fizesse uma política eficaz de oposição ao golpe em Honduras. Por exemplo, bloqueou uma decisão da Organização dos Estados Americanos de que não reconheceria as eleições que fossem realizadas sob a ditadura. Ao mesmo tempo, o governo Obama se dizia publicamente contrária ao golpe.
Isso foi apenas parcialmente bem sucedido, do ponto-de-vista das relações públicas. A maioria do público dos Estados Unidos acha que o governo Obama foi contra o golpe em Honduras, embora em novembro do ano passado foram publicadas várias reportagens e editoriais críticos dizendo que Obama tinha cedido à pressão dos republicanos e não tinha feito o suficiente. Mas isso era uma leitura equivocada do que aconteceu: a pressão republicana de apoio ao golpe hondurenho mudou a estratégia de relações públicas do governo Obama, não sua estratégia política. Quem acompanhou os eventos de perto desde o início pode ver que a estratégia política era bloquear e adiar quaisquer tentativas de restaurar o presidente eleito [Manuel Zelaya], enquanto se pretendia que o retorno à democracia era o verdadeiro objetivo.
Entre os que entenderam isso estavam os governos da América Latina, inclusive os peso-pesados como o Brasil. Isso é importante porque demonstra que o Departamento de Estado estava disposto a pagar um preço político significativo para ajudar a direita em Honduras. Isso convenceu a grande maioria dos governos da América Latina de que [o governo Obama] não era diferente do governo Bush em seus objetivos no hemisfério, o que não é um resultado prazeiroso do ponto-de-vista diplomático.
Por que se preocupar com a forma com que esses países pobres são governados? Como qualquer bom jogador de xadrez sabe, os peões contam. A perda de alguns peões no começo de um jogo pode fazer a diferença entre quem vence e quem perde. Eles olham para esses países como uma questão de poder bruto. De governos que concordam com a maximização do poder dos Estados Unidos no mundo, eles gostam. Daqueles que tem outros objetivos -- não necessariamente antagônicos aos Estados Unidos -- eles não gostam.
Não é surpreendente que os aliados mais próximos do governo Obama no hemisfério são os governos direitistas da Colômbia ou Panamá, embora Obama não seja ele próprio um político de direita. Isso demonstra a continuidade da política de controle. A vitória da direita no Chile, a primeira vez que venceu uma eleição em meio século, foi uma vitória significativa para os Estados Unidos.
Se o Partido dos Trabalhadores de Lula perder a eleição presidencial no Brasil no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado. Embora autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido uma postura amigável em relação ao Brasil, é óbvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o Brasil a outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares.
Os Estados Unidos intervieram na política brasileira tão recentemente quanto em 2005, organizando uma conferência para promover mudanças legais que tornariam mais difícil para legisladores mudar de partido. Isso teria fortalecido a oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) do governo Lula, já que o PT tem disciplina partidária mas muitos políticos da oposição, não. Essa intervenção do governo dos Estados Unidos só foi descoberta no ano passado através de um pedido de informações sob o Freedom of Information Act [Nota do Viomundo: Lei americana que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo] apresentado em Washington. Há muitas outros intervenções por todo o hemisfério das quais não sabemos. Os Estados Unidos tem estado pesadamente envolvidos na política do Chile desde os anos 60, muito antes de organizar a derrubada da democracia chilena em 1973.
Em outubro de 1970, o presidente Richard Nixon andou gritando no Salão Oval, sobre o presidente social democrata do Chile, Salvador Allende: "Aquele filho da puta!", disse Richard Nixon no dia 15 de outubro. "Aquele filho da puta do Allende -- vamos esmagá-lo". Algumas semanas depois ele explicou:
A maior preocupação no Chile é que [Allende] consolide seu poder e a imagem projetada para o mundo será de seu sucesso... Se deixarmos líderes em potencial da América do Sul pensarem que podem se mover como o Chile, teremos dificuldades.
Este é outro motivo pelo qual peões contam e o pesadelo de Nixon se tornou verdadeiro 25 anos depois, quando um país depois do outro elegeu governos de esquerda independentes que Washington não queria. Os Estados Unidos acabaram "perdendo" a maior parte da região. Mas estão tentando ganhar de volta, um país por vez. Os menores e mais pobres e mais próximos dos Estados Unidos são os que mais correm risco. Honduras e o Haiti terão eleições democráticas um dia, mas apenas quando a influência de Washington sobre a política deles for reduzida.
* Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica de Washington
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
Weisbrot: Porque os Estados Unidos querem derrotar o PT nas eleições de outubro
O texto que segue é dum primor só. Agradeço ao Luiz Carlos Azenha através do Vi o Mundo e a internet por nos dar a oportunidade de ler um artigo desses, coisa que eu dificilmente tomaria conhecimento em outros tempos. Sob o título original de “The US game in Latin America”, o quase bicentenário diário britânico The Guardian traz uma excelente análise sobre como os EEUU pretendem manter seu imperialismo América Latina a fora e o papel que os ianques podem desempenhar nas próximas eleições brasileiras. É bom lembrar que essa é uma análise dum economista estadunidense – Mark Weisbrot. Portanto, não é nem petista e nem foi cooptado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.
O jogo dos Estados Unidos na América Latina
Inteferência dos Estados Unidos no Haiti e em Honduras são apenas os exemplos mais recentes das manipulações de longo prazo na América Latina
Por Mark Weisbrot*, no jornal britânico Guardian, via Vi o Mundo
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/weisbrot-porque-os-estados-unidos-querem-derrotar-o-pt-nas-eleicoes-de-outubro/
Quando eu escrevo sobre a política externa dos Estados Unidos em lugares como o Haiti ou Honduras, geralmente recebo respostas de pessoas que acham difícil acreditar que os Estados Unidos se preocupam suficientemente com esses países para tentar controlar ou derrubar seus governos. Estes são países pequenos, pobres, com poucos mercados ou recursos. Por que os formuladores de política de Washington deveriam se preocupar com quem os governa?
Infelizmente, eles se preocupam. Eles se preocuparam suficientemente com o Haiti para derrubar o presidente eleito Jean-Bertrand Aristide não apenas uma vez, mas duas. Da primeira vez, em 1991, foi feito de forma encoberta. Só descobrimos depois que as pessoas que lideraram o golpe foram pagas pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. E então o Emmanuel Constant, o líder do mais notório esquadrão da morte -- que matou milhares de apoiadores de Aristide depois do golpe -- disse à rede CBS que ele, também, foi financiado pela CIA.
Em 2004, o envolvimento dos Estados Unidos no golpe foi muito mais aberto. Washington liderou um boicote de quase toda ajuda econômica internacional ao Haiti por quatro anos, tornando o colapso do governo inevitável. Como o New York Times informou, enquanto o Departamento de Estado dos Estados Unidos dizia a Aristide que ele deveria fazer um acordo com a oposição política (financiada por milhões de dólares de dinheiro do contribuinte americano), o Instituto Republicano Internacional [Nota do Viomundo: braço de política externa do Partido Republicano] dizia à oposição que não deveria fazer acordo.
Em Honduras no último verão e outono, o governo dos Estados Unidos fez tudo o que pôde para evitar que o resto do hemisfério fizesse uma política eficaz de oposição ao golpe em Honduras. Por exemplo, bloqueou uma decisão da Organização dos Estados Americanos de que não reconheceria as eleições que fossem realizadas sob a ditadura. Ao mesmo tempo, o governo Obama se dizia publicamente contrária ao golpe.
Isso foi apenas parcialmente bem sucedido, do ponto-de-vista das relações públicas. A maioria do público dos Estados Unidos acha que o governo Obama foi contra o golpe em Honduras, embora em novembro do ano passado foram publicadas várias reportagens e editoriais críticos dizendo que Obama tinha cedido à pressão dos republicanos e não tinha feito o suficiente. Mas isso era uma leitura equivocada do que aconteceu: a pressão republicana de apoio ao golpe hondurenho mudou a estratégia de relações públicas do governo Obama, não sua estratégia política. Quem acompanhou os eventos de perto desde o início pode ver que a estratégia política era bloquear e adiar quaisquer tentativas de restaurar o presidente eleito [Manuel Zelaya], enquanto se pretendia que o retorno à democracia era o verdadeiro objetivo.
Entre os que entenderam isso estavam os governos da América Latina, inclusive os peso-pesados como o Brasil. Isso é importante porque demonstra que o Departamento de Estado estava disposto a pagar um preço político significativo para ajudar a direita em Honduras. Isso convenceu a grande maioria dos governos da América Latina de que [o governo Obama] não era diferente do governo Bush em seus objetivos no hemisfério, o que não é um resultado prazeiroso do ponto-de-vista diplomático.
Por que se preocupar com a forma com que esses países pobres são governados? Como qualquer bom jogador de xadrez sabe, os peões contam. A perda de alguns peões no começo de um jogo pode fazer a diferença entre quem vence e quem perde. Eles olham para esses países como uma questão de poder bruto. De governos que concordam com a maximização do poder dos Estados Unidos no mundo, eles gostam. Daqueles que tem outros objetivos -- não necessariamente antagônicos aos Estados Unidos -- eles não gostam.
Não é surpreendente que os aliados mais próximos do governo Obama no hemisfério são os governos direitistas da Colômbia ou Panamá, embora Obama não seja ele próprio um político de direita. Isso demonstra a continuidade da política de controle. A vitória da direita no Chile, a primeira vez que venceu uma eleição em meio século, foi uma vitória significativa para os Estados Unidos.
Se o Partido dos Trabalhadores de Lula perder a eleição presidencial no Brasil no outono, isso seria outra vitória para o Departamento de Estado. Embora autoridades do Departamento de Estado sob Bush e Obama tenham mantido uma postura amigável em relação ao Brasil, é óbvio que eles se ressentem profundamente das mudanças na política externa brasileira que aliaram o Brasil a outros governos social-democratas do hemisfério e se ressentem da posição independente do Brasil em relação ao Oriente Médio, ao Irã e a outros lugares.
Os Estados Unidos intervieram na política brasileira tão recentemente quanto em 2005, organizando uma conferência para promover mudanças legais que tornariam mais difícil para legisladores mudar de partido. Isso teria fortalecido a oposição ao Partido dos Trabalhadores (PT) do governo Lula, já que o PT tem disciplina partidária mas muitos políticos da oposição, não. Essa intervenção do governo dos Estados Unidos só foi descoberta no ano passado através de um pedido de informações sob o Freedom of Information Act [Nota do Viomundo: Lei americana que permite obter, na Justiça, informações sigilosas do governo] apresentado em Washington. Há muitas outros intervenções por todo o hemisfério das quais não sabemos. Os Estados Unidos tem estado pesadamente envolvidos na política do Chile desde os anos 60, muito antes de organizar a derrubada da democracia chilena em 1973.
Em outubro de 1970, o presidente Richard Nixon andou gritando no Salão Oval, sobre o presidente social democrata do Chile, Salvador Allende: "Aquele filho da puta!", disse Richard Nixon no dia 15 de outubro. "Aquele filho da puta do Allende -- vamos esmagá-lo". Algumas semanas depois ele explicou:
A maior preocupação no Chile é que [Allende] consolide seu poder e a imagem projetada para o mundo será de seu sucesso... Se deixarmos líderes em potencial da América do Sul pensarem que podem se mover como o Chile, teremos dificuldades.
Este é outro motivo pelo qual peões contam e o pesadelo de Nixon se tornou verdadeiro 25 anos depois, quando um país depois do outro elegeu governos de esquerda independentes que Washington não queria. Os Estados Unidos acabaram "perdendo" a maior parte da região. Mas estão tentando ganhar de volta, um país por vez. Os menores e mais pobres e mais próximos dos Estados Unidos são os que mais correm risco. Honduras e o Haiti terão eleições democráticas um dia, mas apenas quando a influência de Washington sobre a política deles for reduzida.
* Mark Weisbrot é co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica de Washington
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
EUA - INTERVENCIONISTAS DECLARADOS
Meu caro Hudson:
O seu comentário, abordando as palavras ditas por Weisbrot a respeito da intervenção do Estados Unidos nas próximas eleições aqui dentro do Brasil, para a Presidêndia da República, está coberto de verdades inquestionáveis. Lula deveria pensar três vezes antes de se postar ao papel de "aliado", ou de um "estadista" sul-americano, que recebeu o presidente iraniano - inimigo público dos EUA e de Israel. Ora, o "Este é o cara" passou dos limites aos olhos do Barak Obama. Então Lula não terá conhecimento ao intervencionismo do país da bandeira estrelada, em relação aos chamados países do Cone Sul? Eles sempre tiveram essa vocação e jamais a perderão. Faltou a Lula, mais uma vez, a humildade e o bom senso para saber que em casa de maribondo não se cutuca com vara curta, nem comprida. Os EUA, ainda são, quer queiramos ou não, o maestro dessa banda de cá dos continentes americanos. Acho que Lula está se fiando demais em sua popularidade dentro desse Brasil - eterno vassalo aos governos norte-americanos - dando um passo perigoso em direção ao apoio velado à política do enriquecimento de urânio iraniano.
Tem razão, você, em reafirmar o que disse Weisbrot: eles irão intervir, sim, no processo eleitoral brasileiro e com força coercitiva. Não se brinca com os EUA. Infelizmente,eles ainda são o termômetro que indica esse ou aquele caminho a ser tomado por governos sul-americanos, e mais, ainda, os nossos. Lula já terá esquecido a famigerada "Operação Condor?" Não devia, mas ele está muito preocupado em fazer de Dilma Roussef sua substituta ao cargo mais elevado da política brasileira, e erradamente e, ainda, contra todos os princípios das Leis Eleitorais vigentes em nosso país.
12 de fevereiro de 2010 02:15
O seu comentário, abordando as palavras ditas por Weisbrot a respeito da intervenção do Estados Unidos nas próximas eleições aqui dentro do Brasil, para a Presidêndia da República, está coberto de verdades inquestionáveis. Lula deveria pensar três vezes antes de se postar ao papel de "aliado", ou de um "estadista" sul-americano, que recebeu o presidente iraniano - inimigo público dos EUA e de Israel. Ora, o "Este é o cara" passou dos limites aos olhos do Barak Obama. Então Lula não terá conhecimento ao intervencionismo do país da bandeira estrelada, em relação aos chamados países do Cone Sul? Eles sempre tiveram essa vocação e jamais a perderão. Faltou a Lula, mais uma vez, a humildade e o bom senso para saber que em casa de maribondo não se cutuca com vara curta, nem comprida. Os EUA, ainda são, quer queiramos ou não, o maestro dessa banda de cá dos continentes americanos. Acho que Lula está se fiando demais em sua popularidade dentro desse Brasil - eterno vassalo aos governos norte-americanos - dando um passo perigoso em direção ao apoio velado à política do enriquecimento de urânio iraniano.
Tem razão, você, em reafirmar o que disse Weisbrot: eles irão intervir, sim, no processo eleitoral brasileiro e com força coercitiva. Não se brinca com os EUA. Infelizmente,eles ainda são o termômetro que indica esse ou aquele caminho a ser tomado por governos sul-americanos, e mais, ainda, os nossos. Lula já terá esquecido a famigerada "Operação Condor?" Não devia, mas ele está muito preocupado em fazer de Dilma Roussef sua substituta ao cargo mais elevado da política brasileira, e erradamente e, ainda, contra todos os princípios das Leis Eleitorais vigentes em nosso país.
12 de fevereiro de 2010 02:15
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
ELEIÇÕES 2010 EM MG PARTE II
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Eleições 2010 em MG: Parte II – A disputa pelo Palácio da Liberdade
Aécio Neves diz aos quatro ventos , e acredito que seja sincero nesse quesito, querer eleger seu vice Antônio Anastasia governador de Minas Gerais. Por quê? Porque Aécio é deveras esperto e ardiloso, talvez até mais que seu avô que tinha o apelido de Raposa das Alterosas. Aécio deverá deixar o governo de Minas antes do prazo mínimo exigido pela Justiça Eleitoral para desincompatibilização. Assim, Anastasia seria candidato não a eleição pura, mas sim a reeleição e Aécio não correria o perigo que César Maia correu em 2000 quando disputou o segundo turno para a prefeitura carioca contra sua cria, Luiz Paulo Conde. Na possibilidade de Aécio mais uma vez não conseguir viabilizar o seu nome para a disputa da presidência da República, o mais provável é que queira retornar ao Palácio da Liberdade em 2014.
Porém, antes disso, pretende chegar a Brasília como vice-presidente ou Senador com força o suficiente para se tornar o grande nome nacional do PSDB. Caso seja vice-presidente esse papel, obviamente, será mais difícil, mas dependendo do acordo que firmar com Serra poderá ser candidato a presidente com apoio desse último em 2014. Se chegar como Senador com Serra eleito presidente será o homem forte do eventual bloco governista no Congresso. Em outra hipótese, com Aécio Senador e Dilma Presidente, alguém duvida quem seria o aglutinador da oposição e o nome natural dessa para dali quatro anos? Acredito eu que na impossibilidade de ser candidato a presidência esse ano pela forma como foi tratorado por Serra, o cenário com ele Senador, Anastasia governador de Minas e o PT elegendo Dilma Presidente, é de longe o melhor para o neto de Tancredo.
Todavia a sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS vem pressionando para que Aécio ceda e aceite o papel de coadjuvante na chapa de José Serra. E é justamente aí que o xadrez político em Minas fica mais complicado. Sendo vice de Serra Aécio não poderá se dedicar tanto quanto gostaria a campanha em Minas. Embora Aécio tenha construído em torno de si um robusto cinturão de alianças com inúmeros partidos fazendo parte do seu governo – inclusive PSB e PDT – e boa parte do PMDB – o que lhe garante também o apoio da grande maioria dos prefeitos no interior do estado – Anastasia, tal qual Dilma, é neófito em eleições. É quase certo que Anastasia estará no segundo turno, mas essa certeza dependerá do esforço desprendido por Aécio.
Atualmente os pretensos adversários de Anastasia são o ministro das Comunicações Hélio Costa e/ou algum candidato indicado pelo Partido dos Trabalhadores.
O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias vêm travando uma disputa fratricida dentro da agremiação petista, mas caso haja algum vencedor o mais provável, por ora, é que seja Pimentel. Pimentel goza de boa avaliação como ex-prefeito da capital mineira e o PT como um todo é bastante forte na região metropolitana.
Já Costa é conhecido como cavalo paraguaio, aquele bom de largada e inversamente ruim de chegada. Costa disputou o governo em duas ocasiões. Em 1990 surgiu com amplo favoritismo. Perdeu no segundo turno para o xará Hélio Garcia por menos de 1% dos votos validos. Em 1994 de novo era o favorito e quase faturou a conta no primeiro turno obtendo 49% dos votos validos. No entanto conseguiu a proeza de ter menos votos no segundo turno e perdeu para Eduardo Azeredo.
Não é difícil imaginar que numa disputa entre Anastasia, o candidato do PT e Costa, falte fôlego ao menino da Globo e os dois primeiros façam a refrega no segundo turno. O próprio Costa parece estar ciente disso e vem acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo.É comum vê-lo chantageando o PT, declarando que se o Partido dos Trabalhadores levar adiante a idéia de ter candidato próprio, ele (Costa) buscará uma aliança com Aécio. Essa aliança poderia ser no sentido de ter Anastasia como vice ou disputar o Senado com o apoio dos tucanos. Na verdade Costa se sente emparedado tanto pela força do grupo de Aécio quanto do PT e não lhe resta muita alternativa a não ser buscar aliança com um desses dois. Pelo andar da carruagem, no que depender do PT nacional e do Presidente Lula o PT mineiro fecha com Costa.
Não obstante na última semana apareceu um novo jogador que pode deixar ainda mais complicado o xadrez político em Minas.
O vice-presidente José Alencar primeiro mostrou disposição em retornar ao Senado. Para tanto teria de se candidatar por seu estado natal, Minas Gerais. Lula decretou que se Alencar quiser retornar ao Senado terá o apoio do PT mineiro. Patrus numa entrevista a um programa da TV Brasil disse que admira e estará sempre ao lado de dois homens, Lula e Alencar. Alencar mal acabara de fechar a boca e já surgira a idéia de lançá-lo ao governo. Penso eu que isso faz parte duma estratégia de Lula que teria dois alvos. O primeiro mandar um recado ao PT e ao PMDB mineiros, “resolvam logo a situação, fechem uma aliança ou então o PT, fechará com Alencar”. Cá entre nós, entre Costa e Alencar o PT de longe prefere ter candidato próprio, se não tiver que seja Alencar.
O outro alvo e outro recado seria para Aécio: “Se você ceder e se tornar vice de Serra, vamos atazanar a sua vida e lançar José Alencar candidato a governador com o apoio do PT”.
José Alencar saiu de uma infância pobre para se tornar um dos homens mais ricos do Brasil. Posteriormente deixou o comando do grupo empresarial que construiu nas mãos dos filhos, passando os últimos anos a se dedicar exclusivamente a vida pública. Desde que foi eleito Senador em 1998 passou a ser sempre lembrado para cargos executivos em Minas e possui um dialogo fácil tanto com setores mais conservadores quanto com a maior parte da esquerda mineira. Figura de respeito, com a vida pública ilibada, também goza de grande popularidade em seu estado. Ademais, recentemente passou por um drama pessoal no qual o país inteiro torceu por ele numa batalha desigual contra o câncer. Prova disso é a forma como foi aplaudido efusivamente durante a abertura dos trabalhos do Congresso Nacional ontem à tarde.
Qualquer figura com uma biografia dessas daria um candidato de peso, ainda mais num estado tão conservador quanto Minas Gerais. Daí o receio de Aécio em ver o nome de Alencar disputando o governo estadual. Se o PT tem rachas internos e pouca capilaridade no interior do estado, e se Hélio Costa é considerado cavalo paraguaio, Alencar é o oponente para Anastasia que Aécio não imaginava.
Mais. No caso de Alencar de fato candidatar-se ao Palácio da Liberdade, Costa poderia não agüentar a pressão, desistir da refrega e buscar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, o que deixaria Lula bastante contente.
Por ora o PMDB insiste no nome de Michel Temer, porém o PT não engole muito bem o nome do deputado paulista. Outro nome que vem sendo ventilado é o de Henrique Meireles, atual presidente do Banco Central, mas esse conta com restrições dentro do próprio PMDB. Costa, embora não seja o nome dos sonhos do PT, é mais forte eleitoralmente que as outras duas opções e representaria menos divergência dentro da aliança.
Assim está sendo jogado o xadrez político em Minas e suas conseqüências terão efeito (ou serão a causa?) das articulações que se desenrolam no cenário nacional. Definitivamente, a sucessão presidencial passará por Minas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:05 0 comentários Links para esta postagem
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Eleições 2010 em MG: Parte II – A disputa pelo Palácio da Liberdade
Aécio Neves diz aos quatro ventos , e acredito que seja sincero nesse quesito, querer eleger seu vice Antônio Anastasia governador de Minas Gerais. Por quê? Porque Aécio é deveras esperto e ardiloso, talvez até mais que seu avô que tinha o apelido de Raposa das Alterosas. Aécio deverá deixar o governo de Minas antes do prazo mínimo exigido pela Justiça Eleitoral para desincompatibilização. Assim, Anastasia seria candidato não a eleição pura, mas sim a reeleição e Aécio não correria o perigo que César Maia correu em 2000 quando disputou o segundo turno para a prefeitura carioca contra sua cria, Luiz Paulo Conde. Na possibilidade de Aécio mais uma vez não conseguir viabilizar o seu nome para a disputa da presidência da República, o mais provável é que queira retornar ao Palácio da Liberdade em 2014.
Porém, antes disso, pretende chegar a Brasília como vice-presidente ou Senador com força o suficiente para se tornar o grande nome nacional do PSDB. Caso seja vice-presidente esse papel, obviamente, será mais difícil, mas dependendo do acordo que firmar com Serra poderá ser candidato a presidente com apoio desse último em 2014. Se chegar como Senador com Serra eleito presidente será o homem forte do eventual bloco governista no Congresso. Em outra hipótese, com Aécio Senador e Dilma Presidente, alguém duvida quem seria o aglutinador da oposição e o nome natural dessa para dali quatro anos? Acredito eu que na impossibilidade de ser candidato a presidência esse ano pela forma como foi tratorado por Serra, o cenário com ele Senador, Anastasia governador de Minas e o PT elegendo Dilma Presidente, é de longe o melhor para o neto de Tancredo.
Todavia a sacrossanta aliança PSDB/DEMO/PPS vem pressionando para que Aécio ceda e aceite o papel de coadjuvante na chapa de José Serra. E é justamente aí que o xadrez político em Minas fica mais complicado. Sendo vice de Serra Aécio não poderá se dedicar tanto quanto gostaria a campanha em Minas. Embora Aécio tenha construído em torno de si um robusto cinturão de alianças com inúmeros partidos fazendo parte do seu governo – inclusive PSB e PDT – e boa parte do PMDB – o que lhe garante também o apoio da grande maioria dos prefeitos no interior do estado – Anastasia, tal qual Dilma, é neófito em eleições. É quase certo que Anastasia estará no segundo turno, mas essa certeza dependerá do esforço desprendido por Aécio.
Atualmente os pretensos adversários de Anastasia são o ministro das Comunicações Hélio Costa e/ou algum candidato indicado pelo Partido dos Trabalhadores.
O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias vêm travando uma disputa fratricida dentro da agremiação petista, mas caso haja algum vencedor o mais provável, por ora, é que seja Pimentel. Pimentel goza de boa avaliação como ex-prefeito da capital mineira e o PT como um todo é bastante forte na região metropolitana.
Já Costa é conhecido como cavalo paraguaio, aquele bom de largada e inversamente ruim de chegada. Costa disputou o governo em duas ocasiões. Em 1990 surgiu com amplo favoritismo. Perdeu no segundo turno para o xará Hélio Garcia por menos de 1% dos votos validos. Em 1994 de novo era o favorito e quase faturou a conta no primeiro turno obtendo 49% dos votos validos. No entanto conseguiu a proeza de ter menos votos no segundo turno e perdeu para Eduardo Azeredo.
Não é difícil imaginar que numa disputa entre Anastasia, o candidato do PT e Costa, falte fôlego ao menino da Globo e os dois primeiros façam a refrega no segundo turno. O próprio Costa parece estar ciente disso e vem acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo.É comum vê-lo chantageando o PT, declarando que se o Partido dos Trabalhadores levar adiante a idéia de ter candidato próprio, ele (Costa) buscará uma aliança com Aécio. Essa aliança poderia ser no sentido de ter Anastasia como vice ou disputar o Senado com o apoio dos tucanos. Na verdade Costa se sente emparedado tanto pela força do grupo de Aécio quanto do PT e não lhe resta muita alternativa a não ser buscar aliança com um desses dois. Pelo andar da carruagem, no que depender do PT nacional e do Presidente Lula o PT mineiro fecha com Costa.
Não obstante na última semana apareceu um novo jogador que pode deixar ainda mais complicado o xadrez político em Minas.
O vice-presidente José Alencar primeiro mostrou disposição em retornar ao Senado. Para tanto teria de se candidatar por seu estado natal, Minas Gerais. Lula decretou que se Alencar quiser retornar ao Senado terá o apoio do PT mineiro. Patrus numa entrevista a um programa da TV Brasil disse que admira e estará sempre ao lado de dois homens, Lula e Alencar. Alencar mal acabara de fechar a boca e já surgira a idéia de lançá-lo ao governo. Penso eu que isso faz parte duma estratégia de Lula que teria dois alvos. O primeiro mandar um recado ao PT e ao PMDB mineiros, “resolvam logo a situação, fechem uma aliança ou então o PT, fechará com Alencar”. Cá entre nós, entre Costa e Alencar o PT de longe prefere ter candidato próprio, se não tiver que seja Alencar.
O outro alvo e outro recado seria para Aécio: “Se você ceder e se tornar vice de Serra, vamos atazanar a sua vida e lançar José Alencar candidato a governador com o apoio do PT”.
José Alencar saiu de uma infância pobre para se tornar um dos homens mais ricos do Brasil. Posteriormente deixou o comando do grupo empresarial que construiu nas mãos dos filhos, passando os últimos anos a se dedicar exclusivamente a vida pública. Desde que foi eleito Senador em 1998 passou a ser sempre lembrado para cargos executivos em Minas e possui um dialogo fácil tanto com setores mais conservadores quanto com a maior parte da esquerda mineira. Figura de respeito, com a vida pública ilibada, também goza de grande popularidade em seu estado. Ademais, recentemente passou por um drama pessoal no qual o país inteiro torceu por ele numa batalha desigual contra o câncer. Prova disso é a forma como foi aplaudido efusivamente durante a abertura dos trabalhos do Congresso Nacional ontem à tarde.
Qualquer figura com uma biografia dessas daria um candidato de peso, ainda mais num estado tão conservador quanto Minas Gerais. Daí o receio de Aécio em ver o nome de Alencar disputando o governo estadual. Se o PT tem rachas internos e pouca capilaridade no interior do estado, e se Hélio Costa é considerado cavalo paraguaio, Alencar é o oponente para Anastasia que Aécio não imaginava.
Mais. No caso de Alencar de fato candidatar-se ao Palácio da Liberdade, Costa poderia não agüentar a pressão, desistir da refrega e buscar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff, o que deixaria Lula bastante contente.
Por ora o PMDB insiste no nome de Michel Temer, porém o PT não engole muito bem o nome do deputado paulista. Outro nome que vem sendo ventilado é o de Henrique Meireles, atual presidente do Banco Central, mas esse conta com restrições dentro do próprio PMDB. Costa, embora não seja o nome dos sonhos do PT, é mais forte eleitoralmente que as outras duas opções e representaria menos divergência dentro da aliança.
Assim está sendo jogado o xadrez político em Minas e suas conseqüências terão efeito (ou serão a causa?) das articulações que se desenrolam no cenário nacional. Definitivamente, a sucessão presidencial passará por Minas.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 10:05 0 comentários Links para esta postagem
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
ELEIÇÕES 2010 EM MINAS GERAIS - Parte I
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Eleições 2010 em MG – Parte I, a disputa pelo Senado
Dizer que a eleição para presidente da República deste ano passará por Minas Gerais é redundância, chega quase a ser um pleonasmo. Ou para usar uma frase bem popular aqui em Minas, “é chover no molhado”. Só o fato de Minas possuir o segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 13,2 milhões de eleitores, o que por sua vez corresponde a aproximadamente 10,5% do eleitorado nacional, já é o suficiente para se fazer tal afirmação. No entanto nesse ano de 2010, em particular, Minas Gerais será decisiva para as pretensões tanto do atual grupo político que governa o Brasil quanto para o bloco de oposição conservadora. Por isso a necessidade de ficar atento a todos os lances dum intricado xadrez que precede a homologação das candidaturas ao governo estadual e ao Senado por Minas.
Caso Aécio ceda a pressão do bloco de oposição conservadora e aceite o papel de coadjuvante na chapa protagonizada por José Serra, os tucanos sairão de Minas com uma votação expressiva que somada a votação que supostamente terão – e hoje essa é uma suposição bem fundamentada e bastante verossímil – no estado de São Paulo pode lhes garantir o retorno ao Palácio do Planalto.
Por outro lado, se Aécio não se vergar diante dos demais cardeais tucanos e demos, se preocupando basicamente em empossar alguém de sua extrema confiança na cadeira que hoje é sua e se dedicar a uma vitória certa, tranqüila e sem maiores sobressaltos ao Senado Federal, então o caminho estará aberto, ainda que com algumas dificuldades, para que o presidente Lula, do alto da popularidade que detém em Minas, transfira votos para sua candidata Dilma Rousseff.
Como disse acima, se Aécio mantiver o que vem dizendo até agora e realmente se candidatar ao Senado terá uma vitória certa, tranqüila e sem maiores sobressaltos. Restaria ainda uma segunda vaga. Tilden Santiago que foi candidato ao mesmo cargo pelo PT em 2002 e por pouco não logrou êxito, agora é um neo-aécista, migrou para o PSB e já está em campanha, embora não oficial por enquanto, pelo estado. Tilden parece se fiar num suposto acordo com Aécio. Penso que Tilden confia mais do que deveria no governador mineiro. Ademais, Tilden que dificilmente terá o apoio entusiasmado de Aécio e sem a máquina petista que lhe garantiu milhões de votos há 8 anos atrás não terá condições de repetir o desempenho daquele ano quando disputou voto a voto com Hélio Costa a segunda vaga mineira – a primeira foi ocupada por Eduardo Azeredo. Aliás, Hélio Costa é devedor ao PT mineiro, pois não fosse a aliança branda entre PT e PMDB com os petistas descarregando o segundo voto para Senador em Costa, ele jamais seria eleito e a segunda vaga certamente ficaria com Tilden.
Pelo lado do Partido dos Trabalhadores a coisa anda um tanto complicada. Até o momento o partido possui dois pré-candidatos ao Palácio da Liberdade, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias. Existe ainda uma chance bastante razoável de nenhum deles ser candidato a governador. Estou falando da possibilidade real, e um temor tanto da maioria dos filiados quanto da militância, de o PT nacional intervir em Minas por um acordo com o atual ministro das Organizações Globo, perdão, das Comunicações Hélio Costa, o candidato do PMDB.
Trabalhando com o cenário de Fernando Pimentel ser o candidato, pois é o favorito nas prévias internas --Pimentel tem hoje a maioria no Diretório Estadual e no recentemente reeleito presidente estadual do PT, deputado federal Reginaldo Lopes, o principal cabo eleitoral ¬--Patrus seria o nome natural ao Senado. Com certeza Patrus largaria bem, tendo o apoio dos mais diversos movimentos sociais, inclusive da parte progressista da Igreja Católica. O ministro do DS também já foi prefeito de BH e permanece na lembrança do eleitorado da capital como excelente governante. Patrus contaria também com a força do PT na região metropolitana. Portanto, um candidato nada desprezível a segunda vaga ao Senado.
Porém, na última semana o vice-presidente José Alencar manifestou a intenção de continuar a carreira de homem público e o desejo de retornar ao Senado. Alencar foi eleito Senador em 1998, deixando o cargo em janeiro de 2003 para assumir a vice-presidência da República. Enquanto Alencar manifestava seu desejo, Lula declarava em alto e bom som, se Alencar de fato quiser retornar ao Senado o PT o apoiará. Alencar, peça nova nesse xadrez, conta com imensa popularidade no estado e além de tudo acaba de sair de um drama pessoal, uma luta árdua contra o câncer. O público em geral se comove com histórias como esta, o que acaba refletindo na hora do voto. Coligando-se com Alencar o PT dificilmente terá outro nome de expressão disputando o Senado.
Igualmente durante a última semana, para a surpresa dos mais desavisados, Itamar Franco se lançou candidato ao Senado pelo liqüidacionista PPS. Aécio Neves é o guia político da vez de Itamar. Antes já foram seus guias o avô de Aécio, Tancredo, seguido por Collor, FHC e Lula.
O nome de Itamar vinha sendo ventilado para ocupar o posto de vice-presidente na chapa de José Serra caso Aécio realmente refute o papel. Com certeza tratava-se de uma piada, pois não acredito que ninguém em sã consciência possa querer nosso Forrest Gump tupiniquim para ser vice de qualquer coisa. Itamar depois de passar a faixa presidencial para seu ex-primeiro-ministro FHC esperando que este lhe retribuísse o gesto dali quatro anos, sentiu-se traído pelo golpe branco da reeleição dado por FHC. No mais FHC pode até ter vendido o Brasil – aqui vender é força de expressão – mas não seria tão irresponsável a ponto de levar a sério as pretensões de nosso Forrest Gump. Por fim, mas pouco conformado de não retornar ao Palácio do Planalto, candidatou e sagrou-se governador de Minas Gerais em 1998 fazendo um governo – governo aqui é outra força de expressão – entre o pífio e o desastroso, o catastrófico e o anedótico.
Pode-se afirmar com certeza que sem o apoio de Aécio, Itamar seria nome mediocre para o Senado. Todavia Aécio além de ótimo marqueteiro, amordaçador de imprensa, inimigo dos movimentos sociais, yuppie- playboy e chegado a obras faraônicas que pouco ou nada representam para o conjunto da sociedade (vide a Cidade Administrativa), também tem se notabilizado pela capacidade de ressuscitar múmias políticas. Em 2006 elegeu Eliseu Rezende, então com 77 anos e há muito num diletante ostracismo que não fazia mal a ninguém, Senador da República. A campanha na TV parecia quadro de programa humorístico. Eliseu sentado sem dizer nada, apenas sorrindo, e Aécio em pé ao seu lado, vendendo-o qual um produto que recomendasse.
Sendo assim Itamar e o PPS – partido que não possui vontade própria e vive a reboque de PSDB e DEMO – não se aventurariam a lançar candidatura ao Senado sem o aval de Aécio, e aí pode estar um recado para José Serra. Levemos a sério as sondagens em torno de Itamar para vice de Serra, tirando Forrest Gump da cena nacional Aécio pode estar sinalizando que ainda há a possibilidade de se ter uma chapa tucana puro sangue.
A única coisa que parece mais ou menos delineada nessa refrega ao Senado por Minas é a vontade de Itamar e Tilden por falta de melhor opção para ambos. Pois o futuro de Aécio pode ser, como escrevi antes, a campanha a vice-presidência ou ao Senado. O candidato do PT depende de se resolver primeiro quem será o candidato a governador do partido e se o partido terá um candidato a governador. Caso o partido coligue com Hélio Costa deverá ter a premissa de indicar o candidato mais forte ao Senado e é bem provável nesse quadro que Patrus seja o escolhido. Pimentel é no momento um dos principais coordenadores da pré-campanha de Dilma e deverá, numa eventual desistência da disputa mineira conjugada a terceira presidência petista, ocupar um cargo de destaque, quiçá até o Ministério da Fazenda.
Já José Alencar pode ter colocado seu nome no jogo apenas a pedido de Lula. O nome de Alencar tem o poder de enturvecer o futuro do PSDB, mais precisamente o de José Serra. Mas isso veremos no próximo artigo.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às
Eleições 2010 em MG – Parte I, a disputa pelo Senado
Dizer que a eleição para presidente da República deste ano passará por Minas Gerais é redundância, chega quase a ser um pleonasmo. Ou para usar uma frase bem popular aqui em Minas, “é chover no molhado”. Só o fato de Minas possuir o segundo maior colégio eleitoral do país, com cerca de 13,2 milhões de eleitores, o que por sua vez corresponde a aproximadamente 10,5% do eleitorado nacional, já é o suficiente para se fazer tal afirmação. No entanto nesse ano de 2010, em particular, Minas Gerais será decisiva para as pretensões tanto do atual grupo político que governa o Brasil quanto para o bloco de oposição conservadora. Por isso a necessidade de ficar atento a todos os lances dum intricado xadrez que precede a homologação das candidaturas ao governo estadual e ao Senado por Minas.
Caso Aécio ceda a pressão do bloco de oposição conservadora e aceite o papel de coadjuvante na chapa protagonizada por José Serra, os tucanos sairão de Minas com uma votação expressiva que somada a votação que supostamente terão – e hoje essa é uma suposição bem fundamentada e bastante verossímil – no estado de São Paulo pode lhes garantir o retorno ao Palácio do Planalto.
Por outro lado, se Aécio não se vergar diante dos demais cardeais tucanos e demos, se preocupando basicamente em empossar alguém de sua extrema confiança na cadeira que hoje é sua e se dedicar a uma vitória certa, tranqüila e sem maiores sobressaltos ao Senado Federal, então o caminho estará aberto, ainda que com algumas dificuldades, para que o presidente Lula, do alto da popularidade que detém em Minas, transfira votos para sua candidata Dilma Rousseff.
Como disse acima, se Aécio mantiver o que vem dizendo até agora e realmente se candidatar ao Senado terá uma vitória certa, tranqüila e sem maiores sobressaltos. Restaria ainda uma segunda vaga. Tilden Santiago que foi candidato ao mesmo cargo pelo PT em 2002 e por pouco não logrou êxito, agora é um neo-aécista, migrou para o PSB e já está em campanha, embora não oficial por enquanto, pelo estado. Tilden parece se fiar num suposto acordo com Aécio. Penso que Tilden confia mais do que deveria no governador mineiro. Ademais, Tilden que dificilmente terá o apoio entusiasmado de Aécio e sem a máquina petista que lhe garantiu milhões de votos há 8 anos atrás não terá condições de repetir o desempenho daquele ano quando disputou voto a voto com Hélio Costa a segunda vaga mineira – a primeira foi ocupada por Eduardo Azeredo. Aliás, Hélio Costa é devedor ao PT mineiro, pois não fosse a aliança branda entre PT e PMDB com os petistas descarregando o segundo voto para Senador em Costa, ele jamais seria eleito e a segunda vaga certamente ficaria com Tilden.
Pelo lado do Partido dos Trabalhadores a coisa anda um tanto complicada. Até o momento o partido possui dois pré-candidatos ao Palácio da Liberdade, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias. Existe ainda uma chance bastante razoável de nenhum deles ser candidato a governador. Estou falando da possibilidade real, e um temor tanto da maioria dos filiados quanto da militância, de o PT nacional intervir em Minas por um acordo com o atual ministro das Organizações Globo, perdão, das Comunicações Hélio Costa, o candidato do PMDB.
Trabalhando com o cenário de Fernando Pimentel ser o candidato, pois é o favorito nas prévias internas --Pimentel tem hoje a maioria no Diretório Estadual e no recentemente reeleito presidente estadual do PT, deputado federal Reginaldo Lopes, o principal cabo eleitoral ¬--Patrus seria o nome natural ao Senado. Com certeza Patrus largaria bem, tendo o apoio dos mais diversos movimentos sociais, inclusive da parte progressista da Igreja Católica. O ministro do DS também já foi prefeito de BH e permanece na lembrança do eleitorado da capital como excelente governante. Patrus contaria também com a força do PT na região metropolitana. Portanto, um candidato nada desprezível a segunda vaga ao Senado.
Porém, na última semana o vice-presidente José Alencar manifestou a intenção de continuar a carreira de homem público e o desejo de retornar ao Senado. Alencar foi eleito Senador em 1998, deixando o cargo em janeiro de 2003 para assumir a vice-presidência da República. Enquanto Alencar manifestava seu desejo, Lula declarava em alto e bom som, se Alencar de fato quiser retornar ao Senado o PT o apoiará. Alencar, peça nova nesse xadrez, conta com imensa popularidade no estado e além de tudo acaba de sair de um drama pessoal, uma luta árdua contra o câncer. O público em geral se comove com histórias como esta, o que acaba refletindo na hora do voto. Coligando-se com Alencar o PT dificilmente terá outro nome de expressão disputando o Senado.
Igualmente durante a última semana, para a surpresa dos mais desavisados, Itamar Franco se lançou candidato ao Senado pelo liqüidacionista PPS. Aécio Neves é o guia político da vez de Itamar. Antes já foram seus guias o avô de Aécio, Tancredo, seguido por Collor, FHC e Lula.
O nome de Itamar vinha sendo ventilado para ocupar o posto de vice-presidente na chapa de José Serra caso Aécio realmente refute o papel. Com certeza tratava-se de uma piada, pois não acredito que ninguém em sã consciência possa querer nosso Forrest Gump tupiniquim para ser vice de qualquer coisa. Itamar depois de passar a faixa presidencial para seu ex-primeiro-ministro FHC esperando que este lhe retribuísse o gesto dali quatro anos, sentiu-se traído pelo golpe branco da reeleição dado por FHC. No mais FHC pode até ter vendido o Brasil – aqui vender é força de expressão – mas não seria tão irresponsável a ponto de levar a sério as pretensões de nosso Forrest Gump. Por fim, mas pouco conformado de não retornar ao Palácio do Planalto, candidatou e sagrou-se governador de Minas Gerais em 1998 fazendo um governo – governo aqui é outra força de expressão – entre o pífio e o desastroso, o catastrófico e o anedótico.
Pode-se afirmar com certeza que sem o apoio de Aécio, Itamar seria nome mediocre para o Senado. Todavia Aécio além de ótimo marqueteiro, amordaçador de imprensa, inimigo dos movimentos sociais, yuppie- playboy e chegado a obras faraônicas que pouco ou nada representam para o conjunto da sociedade (vide a Cidade Administrativa), também tem se notabilizado pela capacidade de ressuscitar múmias políticas. Em 2006 elegeu Eliseu Rezende, então com 77 anos e há muito num diletante ostracismo que não fazia mal a ninguém, Senador da República. A campanha na TV parecia quadro de programa humorístico. Eliseu sentado sem dizer nada, apenas sorrindo, e Aécio em pé ao seu lado, vendendo-o qual um produto que recomendasse.
Sendo assim Itamar e o PPS – partido que não possui vontade própria e vive a reboque de PSDB e DEMO – não se aventurariam a lançar candidatura ao Senado sem o aval de Aécio, e aí pode estar um recado para José Serra. Levemos a sério as sondagens em torno de Itamar para vice de Serra, tirando Forrest Gump da cena nacional Aécio pode estar sinalizando que ainda há a possibilidade de se ter uma chapa tucana puro sangue.
A única coisa que parece mais ou menos delineada nessa refrega ao Senado por Minas é a vontade de Itamar e Tilden por falta de melhor opção para ambos. Pois o futuro de Aécio pode ser, como escrevi antes, a campanha a vice-presidência ou ao Senado. O candidato do PT depende de se resolver primeiro quem será o candidato a governador do partido e se o partido terá um candidato a governador. Caso o partido coligue com Hélio Costa deverá ter a premissa de indicar o candidato mais forte ao Senado e é bem provável nesse quadro que Patrus seja o escolhido. Pimentel é no momento um dos principais coordenadores da pré-campanha de Dilma e deverá, numa eventual desistência da disputa mineira conjugada a terceira presidência petista, ocupar um cargo de destaque, quiçá até o Ministério da Fazenda.
Já José Alencar pode ter colocado seu nome no jogo apenas a pedido de Lula. O nome de Alencar tem o poder de enturvecer o futuro do PSDB, mais precisamente o de José Serra. Mas isso veremos no próximo artigo.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às
ELEIÇÕES 2010 EM MINAS GERAIS
Blogger Blog do Morani disse...
Hudson: De todo o seu comentário sobre as eleições de 2010 em Minas Gerais, muito me agradou à alusão sobre o "Ministro" das Organizações Globo, que é realmente o papel primordial do senhor Helio Costa para só depois assumir postura de Ministro das Comunicações. Não possuo conhecimento profundo sobre os canditados de Minas ao Senado, mas Patrus Ananias, que já esteve cotado à possível candidatura à Presidência da República, em lugar de Dilma Roussef - que Deus nos livre! - tem toda chance a qualquer cargo eletivo. Influências do Planalto... Se mineiro eu fosse, nem um só deles seria o meu candidato. Sobre Alencar, concordo com tudo o que diz; o brasileiro age apenas com o emocional, nunca com o racional, mas ele não é um candidato ruím. Aécio não nos servirá nem como Senador, justamente por ser contrário aos movimentos sociais, que soem acontecer em um país em que o "social" jamais foi levado a sério, e é sempre o menos lembrado pelos politiqueiros de última hora. O que é ou o que era Aécio antes do surgimento em caráter nacional de Tacredo Neves? Que apito tocava? Surgiu graças ao mal que se abateu sobre o nobre mineiro, seu parente. Uma simbiose se processou durante à sua proximidade ao candidato à Presidência, Tancredo Neves, caso contrário continuaria o "play-boy" das noites belo-horizontinas.
Esse jogo de interesses policos é que tem se tornado o cancro de nossa política: as coligações entre cidadãos antes "azedos" uns aos outros. Tornam-se práticos dos "tapinhas carinhosos e fingidos" às costas, como nos acostumamos a ver e a nos enojar. Lula ensinou o que é "não fazer política", e parece que arregimentou adeptos a granel. Repito o que já disse anteriormente, e já há algum tempo atrás: "enquanto não se mudar a consciência do brasileiro - eleitor ou não - como cidadão simplesmente, não teremos no Brasil um só governante, ou um só político honorável". O cancro se enraizou nesse meio onde pululam ignorantes, boçais, interessados só em seus ganhos e em acumular bens, e o povo que se lixe!
1 de fevereiro de 2010 13:20
Hudson: De todo o seu comentário sobre as eleições de 2010 em Minas Gerais, muito me agradou à alusão sobre o "Ministro" das Organizações Globo, que é realmente o papel primordial do senhor Helio Costa para só depois assumir postura de Ministro das Comunicações. Não possuo conhecimento profundo sobre os canditados de Minas ao Senado, mas Patrus Ananias, que já esteve cotado à possível candidatura à Presidência da República, em lugar de Dilma Roussef - que Deus nos livre! - tem toda chance a qualquer cargo eletivo. Influências do Planalto... Se mineiro eu fosse, nem um só deles seria o meu candidato. Sobre Alencar, concordo com tudo o que diz; o brasileiro age apenas com o emocional, nunca com o racional, mas ele não é um candidato ruím. Aécio não nos servirá nem como Senador, justamente por ser contrário aos movimentos sociais, que soem acontecer em um país em que o "social" jamais foi levado a sério, e é sempre o menos lembrado pelos politiqueiros de última hora. O que é ou o que era Aécio antes do surgimento em caráter nacional de Tacredo Neves? Que apito tocava? Surgiu graças ao mal que se abateu sobre o nobre mineiro, seu parente. Uma simbiose se processou durante à sua proximidade ao candidato à Presidência, Tancredo Neves, caso contrário continuaria o "play-boy" das noites belo-horizontinas.
Esse jogo de interesses policos é que tem se tornado o cancro de nossa política: as coligações entre cidadãos antes "azedos" uns aos outros. Tornam-se práticos dos "tapinhas carinhosos e fingidos" às costas, como nos acostumamos a ver e a nos enojar. Lula ensinou o que é "não fazer política", e parece que arregimentou adeptos a granel. Repito o que já disse anteriormente, e já há algum tempo atrás: "enquanto não se mudar a consciência do brasileiro - eleitor ou não - como cidadão simplesmente, não teremos no Brasil um só governante, ou um só político honorável". O cancro se enraizou nesse meio onde pululam ignorantes, boçais, interessados só em seus ganhos e em acumular bens, e o povo que se lixe!
1 de fevereiro de 2010 13:20
domingo, 17 de janeiro de 2010
A ÚLTIMA ÁRVORE
A ÚLTIMA ÁRVORE
Grande verdade traz a Natureza ao Homem - o maior predador que existe sobre a face do planeta Terra; as respostas da Mãe Natureza estão evidentes a todos os momentos. Contudo ainda não se iniciou o tempo do "ranger de dentes" da humanidade; estamos a caminho disso, lá chegaremos, forçosamente, porque o Homem "trabalha" com o objetivo de arrasar o Paraíso plantado na Terra por Deus. Com Deus não se brinca, mas o Homem se acreditando um deles - explora os espaços celestes e pisa em planetas e satélites naturais - se dá o direito de exterminar todas as formas de vida, aqui. Veja quantas espécies foram extintas. Outras estão a caminho da extinção e ao Homem Deus dará o seu próprio fim quando essa "fera" derrubar a última árvore, porque então não haverá mais água e a Terra estará desertificada.
Então, sim, o "Homus Erectus e Sapiente" será varrido do Planeta e a Terra será o verdadeiro Éden aos mansos de coração, aos amantes da verdade, aos de espírito fraterno e aos que amam as obras Divinas; aos que se ajoelham perante a Majestade do Senhor contritos e conscientes de suas limitações de simples mortais.
Abraços.
Grande verdade traz a Natureza ao Homem - o maior predador que existe sobre a face do planeta Terra; as respostas da Mãe Natureza estão evidentes a todos os momentos. Contudo ainda não se iniciou o tempo do "ranger de dentes" da humanidade; estamos a caminho disso, lá chegaremos, forçosamente, porque o Homem "trabalha" com o objetivo de arrasar o Paraíso plantado na Terra por Deus. Com Deus não se brinca, mas o Homem se acreditando um deles - explora os espaços celestes e pisa em planetas e satélites naturais - se dá o direito de exterminar todas as formas de vida, aqui. Veja quantas espécies foram extintas. Outras estão a caminho da extinção e ao Homem Deus dará o seu próprio fim quando essa "fera" derrubar a última árvore, porque então não haverá mais água e a Terra estará desertificada.
Então, sim, o "Homus Erectus e Sapiente" será varrido do Planeta e a Terra será o verdadeiro Éden aos mansos de coração, aos amantes da verdade, aos de espírito fraterno e aos que amam as obras Divinas; aos que se ajoelham perante a Majestade do Senhor contritos e conscientes de suas limitações de simples mortais.
Abraços.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
ELEIÇÕES 2010: ANÁLISE POLÍTICA
* Por João Alexandre Moura
O dramaturgo alemão Bertolt Brecht já escrevia que o pior analfabeto é o analfabeto político, portanto 2010 é um ano mais do que propicio a falarmos de política, ou melhor, de eleições partidárias que decidirão o rumo do país.
Grande parte do eleitorado brasileiro anda desacreditado da classe política, “mensalões” da esquerda, da direita, do horizonte e das verticais comprovam o falho sistema político brasileiro que necessita imediatamente ser revisto.
Mais do que votarmos em outubro teremos que rever nossos conceitos em quem votarmos e garimparmos nossa consciência política para elegermos políticos coerentes e que tenham um projeto de Brasil. O atual quadro configura a disputa das últimas duas décadas entre o PT da ministra Dilma e o PSDB do governador paulista José Serra. Os petistas estão no poder (Lula) que anteriormente esteve nas mãos do PSDB (FHC), ou seja, “o bicho vai pegar” no quesito de não termos um candidato a reeleição (Lula) e os tucanos ao lado dos “democratas” buscando voltar ao poder depois de oito anos.
Sem sombra de dúvidas será uma disputa acirrada que dependerá do discurso que o PSDB vai propor para desbancar a excelente popularidade do governo Lula. Entretanto o perfil “gerentona” e inexperiente de Dilma poderá favorecer o PSDB que aposta em Serra e seus genéricos (DEM e PPS) para chegarem à vitória. Como possíveis alternativas ao projeto tucano e petista surgem Marina Silva (PV) que buscará colocar na agenda política a questão ambiental, o contraditório Ciro Gomes (PSB) e o PSOL de Plínio de Arruda ou Heloísa Helena que podem até apoiarem Marina Silva em uma aliança de ex-petistas.
Em Minas, Aécio Neves (candidato ao Senado ou vice de Serra) tentará transferir votos para o “gerentão” do choque de gestão Anastasia que disputará contra Hélio Costa (PMDB) ou os petistas Pimentel e Patrus.
Nas eleições proporcionais renovaremos ou não 2/3 do Senado e votaremos também para deputados estaduais e federais (pára-quedistas à vista).
Acharia interessante a reflexão sobre as eleições 2010 no sentido de exercermos a cidadania mas também que façamos uma leitura criteriosa de cada candidato, suas demagogias,alianças, projetos e “projetos” .Não sejamos analfabetos políticos e orgulhamos de odiar política porque a mesma é fundamental em nossas vidas na construção de um país melhor.
A escolha é nossa e o que queremos? Mudar, continuar, avançar, inovar ou regredir?
* João Alexandre Moura Oliveira, Geógrafo, Gestor Ambiental, Militante Cultural e professor de Geografia, Filosofia e Sociologia na rede privada de Poços de Caldas-MG.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
O dramaturgo alemão Bertolt Brecht já escrevia que o pior analfabeto é o analfabeto político, portanto 2010 é um ano mais do que propicio a falarmos de política, ou melhor, de eleições partidárias que decidirão o rumo do país.
Grande parte do eleitorado brasileiro anda desacreditado da classe política, “mensalões” da esquerda, da direita, do horizonte e das verticais comprovam o falho sistema político brasileiro que necessita imediatamente ser revisto.
Mais do que votarmos em outubro teremos que rever nossos conceitos em quem votarmos e garimparmos nossa consciência política para elegermos políticos coerentes e que tenham um projeto de Brasil. O atual quadro configura a disputa das últimas duas décadas entre o PT da ministra Dilma e o PSDB do governador paulista José Serra. Os petistas estão no poder (Lula) que anteriormente esteve nas mãos do PSDB (FHC), ou seja, “o bicho vai pegar” no quesito de não termos um candidato a reeleição (Lula) e os tucanos ao lado dos “democratas” buscando voltar ao poder depois de oito anos.
Sem sombra de dúvidas será uma disputa acirrada que dependerá do discurso que o PSDB vai propor para desbancar a excelente popularidade do governo Lula. Entretanto o perfil “gerentona” e inexperiente de Dilma poderá favorecer o PSDB que aposta em Serra e seus genéricos (DEM e PPS) para chegarem à vitória. Como possíveis alternativas ao projeto tucano e petista surgem Marina Silva (PV) que buscará colocar na agenda política a questão ambiental, o contraditório Ciro Gomes (PSB) e o PSOL de Plínio de Arruda ou Heloísa Helena que podem até apoiarem Marina Silva em uma aliança de ex-petistas.
Em Minas, Aécio Neves (candidato ao Senado ou vice de Serra) tentará transferir votos para o “gerentão” do choque de gestão Anastasia que disputará contra Hélio Costa (PMDB) ou os petistas Pimentel e Patrus.
Nas eleições proporcionais renovaremos ou não 2/3 do Senado e votaremos também para deputados estaduais e federais (pára-quedistas à vista).
Acharia interessante a reflexão sobre as eleições 2010 no sentido de exercermos a cidadania mas também que façamos uma leitura criteriosa de cada candidato, suas demagogias,alianças, projetos e “projetos” .Não sejamos analfabetos políticos e orgulhamos de odiar política porque a mesma é fundamental em nossas vidas na construção de um país melhor.
A escolha é nossa e o que queremos? Mudar, continuar, avançar, inovar ou regredir?
* João Alexandre Moura Oliveira, Geógrafo, Gestor Ambiental, Militante Cultural e professor de Geografia, Filosofia e Sociologia na rede privada de Poços de Caldas-MG.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
ALGUNS ACONTECIMENTOS
Quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Voltando das férias alguns acontecimentos nesse início ano merecem destaque e os comentarei.
O primeiro acontecimento não poderia deixar de ser o preconceito declarado de Boris Casoy para com a população pobre e trabalhadora do Brasil. Ao desdenhar os votos de fim de ano de dois garis paulistas esse sujeito repugnante deixou cair a máscara que tentara em vão construir durante décadas. Ali ficou escancarado para quem ouviu o quão Casoy sofre de elitismo e preconceito – o áudio em que o âncora do Jornal da Noite diz “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”,foi capturado sem que o jornalista se desse conta.
Casoy, antigo militante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), prestou serviços como assessor de imprensa dos os milicos durante a Ditadura. Ainda no período militar teve uma ascensão meteórica no Grupo Folha, o mesmo grupo que emprestava peruas para transportar presos políticos, tornando-se em pouco tempo editor editor-chefe da Folha de São Paulo. Desde 1988 é âncora de telejornais, sempre destilando seu ódio contra movimentos sociais e a tudo que cheira povão. Seja trabalhando para o domo do Baú da Felicidade, para os bispos da Universal ou agora para Johnny Saad, nunca deixou de ser um legitimo cão de guarda dos interesses burgueses – expressão sartreana – , porta-voz de interesses que jamais levam em conta as necessidades do trabalhador. Dentre as bandeiras defendidas por Boris Casoy está a privatização indiscriminada de empresas estatais, a menor presença do Estado na economia, a revogação dos direitos trabalhistas, a criminalização do MST etc.
Durante a chamada crise do “mensalão” fez do Jornal da Record, então apresentado por ele, palanque da oposição farisaica que clamava pela derrubada do governo eleito democraticamente. Em 29 de março de 2006 escreveu artigo para a Folha de São Paulo cujo teor deixa transparecer todo o desejo golpista do reacionário jornalista: “Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo... Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável... Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula”.
Em outubro passado já trabalhando para o Grupo Bandeirantes, Casoy e outros serviçais do Partido do Capital leram editorial daquela empresa tentando insuflar ruralistas contra o governo federal, praticamente pregando guerra civil, por conta da revisão dos índices de produtividade rural – índices esses cuja revisão está prevista em Constituição para ser realizada a cada dez anos e que se mantêm inalterado desde a década de 1970.
Boris Casoy não passa dum lixo humano, portador dos sentimentos mais vis que alguém pode nutrir por seu semelhante e pregador do que há de mais reacionário e arcaico na sociedade brasileira.
Caso queiram escrever uma carta de repúdio a ele, eis o email:
Boris Casoy: bcasoy@band.com.br
Voltando das férias alguns acontecimentos nesse início ano merecem destaque e os comentarei.
O primeiro acontecimento não poderia deixar de ser o preconceito declarado de Boris Casoy para com a população pobre e trabalhadora do Brasil. Ao desdenhar os votos de fim de ano de dois garis paulistas esse sujeito repugnante deixou cair a máscara que tentara em vão construir durante décadas. Ali ficou escancarado para quem ouviu o quão Casoy sofre de elitismo e preconceito – o áudio em que o âncora do Jornal da Noite diz “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”,foi capturado sem que o jornalista se desse conta.
Casoy, antigo militante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), prestou serviços como assessor de imprensa dos os milicos durante a Ditadura. Ainda no período militar teve uma ascensão meteórica no Grupo Folha, o mesmo grupo que emprestava peruas para transportar presos políticos, tornando-se em pouco tempo editor editor-chefe da Folha de São Paulo. Desde 1988 é âncora de telejornais, sempre destilando seu ódio contra movimentos sociais e a tudo que cheira povão. Seja trabalhando para o domo do Baú da Felicidade, para os bispos da Universal ou agora para Johnny Saad, nunca deixou de ser um legitimo cão de guarda dos interesses burgueses – expressão sartreana – , porta-voz de interesses que jamais levam em conta as necessidades do trabalhador. Dentre as bandeiras defendidas por Boris Casoy está a privatização indiscriminada de empresas estatais, a menor presença do Estado na economia, a revogação dos direitos trabalhistas, a criminalização do MST etc.
Durante a chamada crise do “mensalão” fez do Jornal da Record, então apresentado por ele, palanque da oposição farisaica que clamava pela derrubada do governo eleito democraticamente. Em 29 de março de 2006 escreveu artigo para a Folha de São Paulo cujo teor deixa transparecer todo o desejo golpista do reacionário jornalista: “Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo... Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável... Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula”.
Em outubro passado já trabalhando para o Grupo Bandeirantes, Casoy e outros serviçais do Partido do Capital leram editorial daquela empresa tentando insuflar ruralistas contra o governo federal, praticamente pregando guerra civil, por conta da revisão dos índices de produtividade rural – índices esses cuja revisão está prevista em Constituição para ser realizada a cada dez anos e que se mantêm inalterado desde a década de 1970.
Boris Casoy não passa dum lixo humano, portador dos sentimentos mais vis que alguém pode nutrir por seu semelhante e pregador do que há de mais reacionário e arcaico na sociedade brasileira.
Caso queiram escrever uma carta de repúdio a ele, eis o email:
Boris Casoy: bcasoy@band.com.br
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
NOTÍCIAS DE "PPS" DO EXTERIOR
---------- Forwarded message ----------
Date: 2010/1/5
Subject: Fwd: O PINGUÇO-MOR e suas Pérolas Etílicas....
To: Morani
PPS recebido de correspondente no Japão, que já viveu muitos anos no
Brasil e há 12 vive na Terra do Sol Nascente, com idas a França e a
Frankfurt, a trabalho humanitário. Esse correspondente não faz parte,
portanto, do famoso PIG a que tanto se reportam os que defendem o
indefensável a unhas e dentes. É preciso esclarecer que "Le Monde",
jornal da imprensa comunista francesa, recebe propinas de governantes
para serem "eleitos" o Homem do Ano na França, com repercussões no
mundo inteiro. Foi assim a Hugo Chávez, que doou 50 milhões de dólares
àquele jornal que hoje nada mais tem a dizer ao povo francês. Um
jornal com mais de 100 anos se presta, hoje, a esse expediente! Agora,
me desculpem os que têm direito a defender o senhor Lula, umas
palavras da cientista, Prêmio Nobel, Dra. Rita Levi-Montalcini, de 100
anos de idade, especialista do sistema nervoso humano, a uma pergunta
de um jornalista sobre Hitler e Mussolini:
"Hitler e Mussolini souberam falar ao povo, onde sempre "prevalece o
cérebro emocional" por cima do "neocortical" - o intelectual.
Conduziram emoções, jamais razões."
Essas palavras vêm de uma estudiosa, que para se dedicar aos estudos
sobre o sistema nervoso, que a apaixonou desde o princípio, abriu mão
a um casamento contrariando ordens paternas.
Lula ou não sabe o que fala, mas fala, ou é orientado por algum
"guru", quando se dirige ao povo pobre brasileiro em cujos cérebros
domina o emocional, nunca o racional. Friso, ainda mais: não faço
parte do PIG. Não sou jornalista. Sou tão somente um brasileiro que se
não deixou ser inoculado com o "virus" Lula e suas frases de
(de)efeito. Desculpem-me, por invadir seus sites e blogs, mas em
momento tão importante, como se faz nesse ano de elições, não poderia
jamais me recusar esse direito de contribuir um pouco para melhor e
isenta considerações dos apaixonados pela figura Lula.
Reconheço que a muitos parecerei um "enxerido" - para ficar mais de
acordo ao Homem do Ano para o "Le Monde", que nada tem a nos dizer
também.
Morani
Date: 2010/1/5
Subject: Fwd: O PINGUÇO-MOR e suas Pérolas Etílicas....
To: Morani
PPS recebido de correspondente no Japão, que já viveu muitos anos no
Brasil e há 12 vive na Terra do Sol Nascente, com idas a França e a
Frankfurt, a trabalho humanitário. Esse correspondente não faz parte,
portanto, do famoso PIG a que tanto se reportam os que defendem o
indefensável a unhas e dentes. É preciso esclarecer que "Le Monde",
jornal da imprensa comunista francesa, recebe propinas de governantes
para serem "eleitos" o Homem do Ano na França, com repercussões no
mundo inteiro. Foi assim a Hugo Chávez, que doou 50 milhões de dólares
àquele jornal que hoje nada mais tem a dizer ao povo francês. Um
jornal com mais de 100 anos se presta, hoje, a esse expediente! Agora,
me desculpem os que têm direito a defender o senhor Lula, umas
palavras da cientista, Prêmio Nobel, Dra. Rita Levi-Montalcini, de 100
anos de idade, especialista do sistema nervoso humano, a uma pergunta
de um jornalista sobre Hitler e Mussolini:
"Hitler e Mussolini souberam falar ao povo, onde sempre "prevalece o
cérebro emocional" por cima do "neocortical" - o intelectual.
Conduziram emoções, jamais razões."
Essas palavras vêm de uma estudiosa, que para se dedicar aos estudos
sobre o sistema nervoso, que a apaixonou desde o princípio, abriu mão
a um casamento contrariando ordens paternas.
Lula ou não sabe o que fala, mas fala, ou é orientado por algum
"guru", quando se dirige ao povo pobre brasileiro em cujos cérebros
domina o emocional, nunca o racional. Friso, ainda mais: não faço
parte do PIG. Não sou jornalista. Sou tão somente um brasileiro que se
não deixou ser inoculado com o "virus" Lula e suas frases de
(de)efeito. Desculpem-me, por invadir seus sites e blogs, mas em
momento tão importante, como se faz nesse ano de elições, não poderia
jamais me recusar esse direito de contribuir um pouco para melhor e
isenta considerações dos apaixonados pela figura Lula.
Reconheço que a muitos parecerei um "enxerido" - para ficar mais de
acordo ao Homem do Ano para o "Le Monde", que nada tem a nos dizer
também.
Morani
sábado, 19 de dezembro de 2009
AECINHO JOGA A TOALHA
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Noite agitada a de ontem. Aécio Neves entregou carta ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, na qual renuncia a pré-candidatura à Presidência da República.
Escrevi semana passada que eu andava meio ressabiado com o “panetonegate”, e que a implosão de José Roberto Arruda poderia ter a ver com declarações de algumas lideranças do DEMO definindo o neto de Tancredo como a melhor opção para o PSDB. Nesse caso a implosão de Arruda seria um aviso para Aecinho, afinal de contas o governador mineiro tem o telhado de vidro, mas se esconde ante uma imprensa entre amordaçada ou devendo-lhe fidelidade canina.
De qualquer modo não podemos dizer que haja exatamente a partir da desistência de Aecinho uma readequação da estratégia política em plano nacional. Nem para a oposição e menos ainda para o lado do governo. Há muito era sabido que Serra detém o controle do PSDB e não abriria mão de ser o postulante da oposição farisaica à Presidência da República. Para tanto conta também com relações quase carnais com a mídia oligopolizada. Portanto, o que causaria uma reviravolta no jogo político seria justamente Aecinho conseguir de alguma maneira solapar a candidatura de Serra. O front governista sabia disso e sempre conheceu as dificuldades de Aécio para se impor dento do PSDB. PT e demais partidos que gravitam em torno do governo Lula sempre contaram com Serra como adversário em 2010, nunca com Aécio. Volto a dizer, uma candidatura de Aécio, fosse pelo PSDB ou pelo PMDB como foi ventilada algumas vezes, bagunçaria o xadrez político.
Resta agora saber se Aecinho disputará uma eleição certa ao Senado por Minas Gerais, o que lhe deixaria numa situação bastante confortável ou se preferirá grudar seu nome ao de José Serra e aceitará a condição de vice-presidente na chapa do atual governador paulista.
Caso Aécio ceda à pressão da alta cúpula do PSDB – e nesse instante também de boa parte do DEMO – para ser coadjuvante de Serra, o que realmente ele lucraria? A promessa de José Serra de não tentar a reeleição em 2014 e, portanto , dele se firmar como o nome natural dentro do consórcio demo-tucano? Isso me parece, por ora, muito pouco. Quem garante que Serra não venha a sofrer pressão por parte de fortes setores paulistas para que faça valer o seu direito à reeleição?
Já se Aécio optar pelo Senado terá todas as condições de se tornar um dos homens forte no Congresso em um eventual governo José Serra. Mais ainda, pode barganhar o apoio a Serra em troca de posições de relevância dentro da máquina administrativa e dos ministérios, talvez ele próprio ocupando algum ministério de visibilidade e se cacifar cada vez mais para uma futura disputa à Presidência.
Ademais, se um eventual governo José Serra, pelas mais diferentes razões, vier a naufragar Aécio Neves estará a uma distância de segurança, enquanto que na condição de vice-presidente essa distancia se torna quase inexistente.
Agora, noutro cenário, caso Dilma Rousseff suplante José Serra em outubro de 2010, um Aecinho senador se tronaria o aglutinador de todas as forças da oposição conservadora. Ocuparia naturalmente o espaço hoje ocupado justamente pelo governador paulista e faria os demo-tucanos comerem em sua mão podendo pleitear o que bem entender.
Para finalizar é bom salientar que a desistência de Aécio Neves não deixa de ser uma vitória para o Brasil. Porquanto Aécio Neves representa de forma muito mais consistente que qualquer outro dos atuais nomes ventilados para a disputa da Presidência um projeto neoliberal arcaico, cheio de desvarios, porém travestido num falso discurso alternativo. Destarte ganha o Brasil e perde o PSDB. Aécio era também a única alternativa dentro da oposição farisaica capaz de dividir a base de apoio do governo Lula. Para onde iriam PSB e PDT com Aecinho presidenciável? Eis uma bela incógnita. Isso sem falar que, no mínimo, a aliança formal entre PT e PMDB ficaria mais distante.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 14:43 0 comentários Links para esta postagem
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Noite agitada a de ontem. Aécio Neves entregou carta ao presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, na qual renuncia a pré-candidatura à Presidência da República.
Escrevi semana passada que eu andava meio ressabiado com o “panetonegate”, e que a implosão de José Roberto Arruda poderia ter a ver com declarações de algumas lideranças do DEMO definindo o neto de Tancredo como a melhor opção para o PSDB. Nesse caso a implosão de Arruda seria um aviso para Aecinho, afinal de contas o governador mineiro tem o telhado de vidro, mas se esconde ante uma imprensa entre amordaçada ou devendo-lhe fidelidade canina.
De qualquer modo não podemos dizer que haja exatamente a partir da desistência de Aecinho uma readequação da estratégia política em plano nacional. Nem para a oposição e menos ainda para o lado do governo. Há muito era sabido que Serra detém o controle do PSDB e não abriria mão de ser o postulante da oposição farisaica à Presidência da República. Para tanto conta também com relações quase carnais com a mídia oligopolizada. Portanto, o que causaria uma reviravolta no jogo político seria justamente Aecinho conseguir de alguma maneira solapar a candidatura de Serra. O front governista sabia disso e sempre conheceu as dificuldades de Aécio para se impor dento do PSDB. PT e demais partidos que gravitam em torno do governo Lula sempre contaram com Serra como adversário em 2010, nunca com Aécio. Volto a dizer, uma candidatura de Aécio, fosse pelo PSDB ou pelo PMDB como foi ventilada algumas vezes, bagunçaria o xadrez político.
Resta agora saber se Aecinho disputará uma eleição certa ao Senado por Minas Gerais, o que lhe deixaria numa situação bastante confortável ou se preferirá grudar seu nome ao de José Serra e aceitará a condição de vice-presidente na chapa do atual governador paulista.
Caso Aécio ceda à pressão da alta cúpula do PSDB – e nesse instante também de boa parte do DEMO – para ser coadjuvante de Serra, o que realmente ele lucraria? A promessa de José Serra de não tentar a reeleição em 2014 e, portanto , dele se firmar como o nome natural dentro do consórcio demo-tucano? Isso me parece, por ora, muito pouco. Quem garante que Serra não venha a sofrer pressão por parte de fortes setores paulistas para que faça valer o seu direito à reeleição?
Já se Aécio optar pelo Senado terá todas as condições de se tornar um dos homens forte no Congresso em um eventual governo José Serra. Mais ainda, pode barganhar o apoio a Serra em troca de posições de relevância dentro da máquina administrativa e dos ministérios, talvez ele próprio ocupando algum ministério de visibilidade e se cacifar cada vez mais para uma futura disputa à Presidência.
Ademais, se um eventual governo José Serra, pelas mais diferentes razões, vier a naufragar Aécio Neves estará a uma distância de segurança, enquanto que na condição de vice-presidente essa distancia se torna quase inexistente.
Agora, noutro cenário, caso Dilma Rousseff suplante José Serra em outubro de 2010, um Aecinho senador se tronaria o aglutinador de todas as forças da oposição conservadora. Ocuparia naturalmente o espaço hoje ocupado justamente pelo governador paulista e faria os demo-tucanos comerem em sua mão podendo pleitear o que bem entender.
Para finalizar é bom salientar que a desistência de Aécio Neves não deixa de ser uma vitória para o Brasil. Porquanto Aécio Neves representa de forma muito mais consistente que qualquer outro dos atuais nomes ventilados para a disputa da Presidência um projeto neoliberal arcaico, cheio de desvarios, porém travestido num falso discurso alternativo. Destarte ganha o Brasil e perde o PSDB. Aécio era também a única alternativa dentro da oposição farisaica capaz de dividir a base de apoio do governo Lula. Para onde iriam PSB e PDT com Aecinho presidenciável? Eis uma bela incógnita. Isso sem falar que, no mínimo, a aliança formal entre PT e PMDB ficaria mais distante.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 14:43 0 comentários Links para esta postagem
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
CRISE NO DEMO
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Esperei um pouco para dar o meu pitaco sobre os últimos acontecimentos no Distrito Federal. Afinal como bom mineiro que sou, sempre fico ressabiado com algo que não consigo compreender muito bem. No caso especifico do governador José Roberto Arruda e o “panetonegate” até agora não compreendi o porquê da mídia oligopolizada gastar tanta tinta e imagens. Obviamente não estou criticando o direito da imprensa de divulgar um esquema de corrupção dos maiores que vimos nesses últimos tempos. Pelo contrário, até aí não só acho louvável e aplaudo, como gostaria que essa mesma imprensa fizesse desse exercício algo de praxe, o que infelizmente não ocorre. Para comprovar isso basta lembrar que no Rio Grande do Sul o mar de lama (xô Carlos Lacerda) jorra varrendo o (des)governo Yeda Crusius. Ou então a forma tímida (sic) como a imprensa cobriu a cassação do governador paraibano Cássio Cunha Lima. Ou, voltando ao “panetonegate”, o porquê da midiazona não apurar pra valer a ligação entre o esquema montado por Arruda no DF e empresas que prestam serviço para a prefeitura da capital paulista.
Entretanto depois das cenas de truculência praticadas pela Polícia Militar ao reprimir o sagrado direito de manifestação da população contra um governo eleito por ela própria, resolvi dividir com meus leitores algumas dúvidas. Aliás, por falar em truculência da polícia nos governos demo-tucanos, me parece que essa é uma das marcas registradas dessas administrações. Invasão do campus da USP pela tropa de choque da PM paulista, governo José Serra. Repressão a manifestantes e assassinato pelas costas de um integrante do MST pela Brigada Militar gaucha, governo Yeda Crusius. Expulsão e humilhação, permeados por atos de terrorismo de Estado praticados pela PM mineira contra sem-terras num acampamento em Campo do Meio, governo Aécio Neves. Disseminação de preconceito contra povos indígenas e movimentos sociais roraimenses, além de leniência com atos de vandalismo perpetrados por arrozeiros contra bens da União (explosão de pontes,por exemplo), governo José Anchieta Júnior. Em comum todos esses governadores têm o ninho do qual saíram para administrar seus respectivos estados, o ninho tucano. Como Arruda foi o único governador eleito pelo PFL, atual DEMO, só faltava ele pra mostrar seu lado autoritário. Esse é modo demo-tucano de governar.
Falando sobre o “panetonegate” há muitas dúvidas, algumas elucubrações, porém poucas certezas até o momento. Uma das certezas é a de que realmente foi instalado no DF um enorme esquema de corrupção. No entanto penso ser cedo ainda para afirmar que esse esquema fora de fato montado no atual governo. O passado de Joaquim Roriz, ex-governador do DF, mostra-nos o quanto é provável que esse esquema venha de antes. Aliás, como os eleitores do DF têm uma capacidade para eleger e ressuscitar figuras tão funestas! Roriz parecia fadado ao estertor político na metade dos anos 90, mas voltou e numa das eleições mais apertadas da história recente do país sobrepujou o então governador Cristovam Buarque, candidato a reeleição. Elegeu e reelegeu-se para depois conquistar uma cadeira no Senado. A essa cadeira teve de renunciar para não ser cassado poucos meses após assumi-la, pois se vira acossado por diversas suspeitas de caixa dois usando como fonte o Banco de Brasília.
Arruda também já teve a sua “volta por cima”. Em 2001 o então líder do governo FFHH no Senado viu seu nome envolvido na violação do painel eletrônico do Senado Federal, utilizado na votação que cassou o mandato do ex-senador brasilense Luís Estevão. Negou, chorou e apresentou como álibi uma declaração do hoje blogueiro Ricardo Noblat de que haviam jantado juntos na noite em que ocorrera o crime. Porém, ao final, encurralado, usou a tribuna do Senado para admitir a culpa e depois para renunciar ao cargo, evitando assim o processo de cassação do seu mandato, que poderia torná-lo inelegível por aproximadamente nove anos.
No ano seguinte trocara o PSDB pelo PFL (o que na prática não muda nada) e voltou de forma triunfante para o Congresso Nacional. Dessa vez eleito deputado federal com mais de trezentos mil votos e a maior votação proporcional do país. Em 2006 leva ainda no primeiro turno o governo do DF e é congratulado pela nossa mídia oligopolizada como o homem que “deu a volta por cima”, do inferno ao paraíso.
Desde então até o final do mês passado era tratado como administrador sério e conciso, ciente do papel reservado ao Estado frente o capitalismo moderno e exemplo de gestor público. Lideranças tanto do DEMO (PFL) quanto do PSDB corriam a Brasília para elogiar o governador Arruda, selar acordos e contratos de parceria, e aproveitavam para tirar fotos ao seu lado. O governador do DF estava no seu auge e bem na fita. Era inclusive cotado para assumir a vaga de vice numa eventual chapa de José Serra como presidenciável tucano.
Por que então depois de ser tão ovacionado pela mídia, essa mesma resolveu mostrar a podridão e a lama fétida que tomaram conta do Palácio dos Buritis? Será que ninguém no DF nunca ouviu falar, nem de longe, num esquema tão grande? Um esquema assim não surge do dia para a noite. Será que a imprensa foi descuidada ao ser tão benevolente com Arruda mesmo sabendo do seu passado nada auspicioso, sobretudo quando analisamos sua proximidade com Roriz?
É também curioso que o DEMO tenha seu único governador atingido por um mega-escândalo no momento em que algumas lideranças do partido vêm o público externar a preferência por Aécio Neves como cabeça de chapa na disputa pela presidência da República no próximo ano. E mais, são justamente essas lideranças, Cesar Maia e o filho Rodrigo, que têm mostrado uma posição mais ambígua sobre a expulsão ou não de Arruda.
A exposição das fraquezas do DEMO em rede nacional vem a calhar a partir do instante em que ele pretende interferir nas decisões tucanas contrariando o que almeja o governador paulista. Cesar Maia chegou a afirmar, em entrevista concedida ao Último Segundo do IG que José Serra lembra os piores caudilhos. “Um caudilho do passado apontava o dedo para o candidato. Agora o próprio candidato aponta o dedo para si.”
[http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/16/cesar+maia+elogia+aecio+e+diz+que+serra+lembra+os+piores+caudilhos+9104950.html]
Contudo não seria uma tática suicida essa? Afinal as denúncias contra Arruda podem respingar não só na formação da aliança PSDB-DEMO como pode atiçar ainda mais o fogo amigo. Mas também pode ser uma jogada da ala tucana liderada por Serra para minar o DEMO do DF e buscar a formação de um palanque com Roriz – há algum tempo rompido com Arruda – candidato declarado a governador e líder nas pesquisas de intenção de voto. Pode ser.
Pode ser também que o escândalo do “panetonegate” já estivesse prestes a explodir e tenham resolvido detoná-lo (ou seria correto dizer implodi-lo???) agora, um anos antes da eleição, assim têm mais tempo para limpar a sujeira.
Tampouco descarto a possibilidade da implosão do governo Arruda ser um aviso de Serra a Aécio Neves. O governador mineiro, concorrente de Serra na disputa pela indicação tucana ao Planalto tem o telhado de vidro, porém, manteve a imprensa de seu estado entre amordaçada e devendo-lhe fidelidade canina durante os últimos sete anos. Imaginem vocês se alguém, na mídia nacional, se interessa em escafunchar as ligações de Aecinho com as empreiteiras contratadas para a construção da maior obra que os tucanos fizeram por Minas, a Cidade Administrativa? Quem sabe se não há ali um potencial tremendo de soterrar as aspirações futuras do neto de Tancredo? Curiosamente, foi só o “panetonegate” ser detonado que Aécio adotou um discurso mais conformado com a eventualidade de Serra ser o presidenciável de seu partido. Inclusive já deixou no ar a possibilidade de retirar a pré-candidatura ainda nesse ano.
São dúvidas que dificilmente terão respostas a curto prazo, por isso ando tão ressabiado que nem escrevi no começo do texto.
Antes de terminar gostaria de ressaltar aqui é a postura de vestal do DEMO dizendo que nessa crise terá a oportunidade de se diferenciar do PT que não expulsou seus “mensaleiros”. Nem vou entrar no mérito da questão em si, afinal como posso ter certeza que o “mensalão” petista existiu da forma como foi denunciado por Roberto Jefferson? A denúncia de Jefferson é o que há de mais concreto, e abstrato, sobre o mensalão petista, a denúncia dum deputado ressentido e com interesses escusos. Todavia, mesmo que o DEMO venha a expulsar Arruda e expô-lo para suplícios em praça pública isso não torna a legenda mais ética e honesta que qualquer outra. Foi o PFL, agora repaginado para o nome de DEMO, quem abrigou e saudou Arruda como novo herói após a violação do painel do Senado. No mais, o comparsa de Arruda naquele crime foi ACM, que além de também renunciar ao mandato para não ser cassado, foi novamente eleito senador pela Bahia e continuou por até a morte como um dos caciques do partido, inclusive deixando herdeiros.
Em tempo. José Roberto Arruda tem o direito de se defender frente as acusações que lhe recaem no momento, ainda que o caso pareça indefensável. Só assim se poderá afirmar que houve justiça de fato. Além disso, o ideal é que não paire dúvidas sobre a culpabilidade do réu para que mais tarde não seja tratado como falso mártir, o que não parece muito difícil dadas as circunstâncias. Contudo, em casos como esse, o problema pode ser a dilatação do prazo para a defesa, cabe ao DEMO definir um prazo razoável para o desfecho do caso, pelo menos de sua parte. Expulsão sumária como parte de mídia, da sociedade e do DEMO querem, apenas reforça a reminiscência de vezos autoritários. O direito a defesa e ao contraditório fazem parte do rito democrático, no entanto algumas pessoas e instituições ainda não se acostumaram a tanto.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:51
Esperei um pouco para dar o meu pitaco sobre os últimos acontecimentos no Distrito Federal. Afinal como bom mineiro que sou, sempre fico ressabiado com algo que não consigo compreender muito bem. No caso especifico do governador José Roberto Arruda e o “panetonegate” até agora não compreendi o porquê da mídia oligopolizada gastar tanta tinta e imagens. Obviamente não estou criticando o direito da imprensa de divulgar um esquema de corrupção dos maiores que vimos nesses últimos tempos. Pelo contrário, até aí não só acho louvável e aplaudo, como gostaria que essa mesma imprensa fizesse desse exercício algo de praxe, o que infelizmente não ocorre. Para comprovar isso basta lembrar que no Rio Grande do Sul o mar de lama (xô Carlos Lacerda) jorra varrendo o (des)governo Yeda Crusius. Ou então a forma tímida (sic) como a imprensa cobriu a cassação do governador paraibano Cássio Cunha Lima. Ou, voltando ao “panetonegate”, o porquê da midiazona não apurar pra valer a ligação entre o esquema montado por Arruda no DF e empresas que prestam serviço para a prefeitura da capital paulista.
Entretanto depois das cenas de truculência praticadas pela Polícia Militar ao reprimir o sagrado direito de manifestação da população contra um governo eleito por ela própria, resolvi dividir com meus leitores algumas dúvidas. Aliás, por falar em truculência da polícia nos governos demo-tucanos, me parece que essa é uma das marcas registradas dessas administrações. Invasão do campus da USP pela tropa de choque da PM paulista, governo José Serra. Repressão a manifestantes e assassinato pelas costas de um integrante do MST pela Brigada Militar gaucha, governo Yeda Crusius. Expulsão e humilhação, permeados por atos de terrorismo de Estado praticados pela PM mineira contra sem-terras num acampamento em Campo do Meio, governo Aécio Neves. Disseminação de preconceito contra povos indígenas e movimentos sociais roraimenses, além de leniência com atos de vandalismo perpetrados por arrozeiros contra bens da União (explosão de pontes,por exemplo), governo José Anchieta Júnior. Em comum todos esses governadores têm o ninho do qual saíram para administrar seus respectivos estados, o ninho tucano. Como Arruda foi o único governador eleito pelo PFL, atual DEMO, só faltava ele pra mostrar seu lado autoritário. Esse é modo demo-tucano de governar.
Falando sobre o “panetonegate” há muitas dúvidas, algumas elucubrações, porém poucas certezas até o momento. Uma das certezas é a de que realmente foi instalado no DF um enorme esquema de corrupção. No entanto penso ser cedo ainda para afirmar que esse esquema fora de fato montado no atual governo. O passado de Joaquim Roriz, ex-governador do DF, mostra-nos o quanto é provável que esse esquema venha de antes. Aliás, como os eleitores do DF têm uma capacidade para eleger e ressuscitar figuras tão funestas! Roriz parecia fadado ao estertor político na metade dos anos 90, mas voltou e numa das eleições mais apertadas da história recente do país sobrepujou o então governador Cristovam Buarque, candidato a reeleição. Elegeu e reelegeu-se para depois conquistar uma cadeira no Senado. A essa cadeira teve de renunciar para não ser cassado poucos meses após assumi-la, pois se vira acossado por diversas suspeitas de caixa dois usando como fonte o Banco de Brasília.
Arruda também já teve a sua “volta por cima”. Em 2001 o então líder do governo FFHH no Senado viu seu nome envolvido na violação do painel eletrônico do Senado Federal, utilizado na votação que cassou o mandato do ex-senador brasilense Luís Estevão. Negou, chorou e apresentou como álibi uma declaração do hoje blogueiro Ricardo Noblat de que haviam jantado juntos na noite em que ocorrera o crime. Porém, ao final, encurralado, usou a tribuna do Senado para admitir a culpa e depois para renunciar ao cargo, evitando assim o processo de cassação do seu mandato, que poderia torná-lo inelegível por aproximadamente nove anos.
No ano seguinte trocara o PSDB pelo PFL (o que na prática não muda nada) e voltou de forma triunfante para o Congresso Nacional. Dessa vez eleito deputado federal com mais de trezentos mil votos e a maior votação proporcional do país. Em 2006 leva ainda no primeiro turno o governo do DF e é congratulado pela nossa mídia oligopolizada como o homem que “deu a volta por cima”, do inferno ao paraíso.
Desde então até o final do mês passado era tratado como administrador sério e conciso, ciente do papel reservado ao Estado frente o capitalismo moderno e exemplo de gestor público. Lideranças tanto do DEMO (PFL) quanto do PSDB corriam a Brasília para elogiar o governador Arruda, selar acordos e contratos de parceria, e aproveitavam para tirar fotos ao seu lado. O governador do DF estava no seu auge e bem na fita. Era inclusive cotado para assumir a vaga de vice numa eventual chapa de José Serra como presidenciável tucano.
Por que então depois de ser tão ovacionado pela mídia, essa mesma resolveu mostrar a podridão e a lama fétida que tomaram conta do Palácio dos Buritis? Será que ninguém no DF nunca ouviu falar, nem de longe, num esquema tão grande? Um esquema assim não surge do dia para a noite. Será que a imprensa foi descuidada ao ser tão benevolente com Arruda mesmo sabendo do seu passado nada auspicioso, sobretudo quando analisamos sua proximidade com Roriz?
É também curioso que o DEMO tenha seu único governador atingido por um mega-escândalo no momento em que algumas lideranças do partido vêm o público externar a preferência por Aécio Neves como cabeça de chapa na disputa pela presidência da República no próximo ano. E mais, são justamente essas lideranças, Cesar Maia e o filho Rodrigo, que têm mostrado uma posição mais ambígua sobre a expulsão ou não de Arruda.
A exposição das fraquezas do DEMO em rede nacional vem a calhar a partir do instante em que ele pretende interferir nas decisões tucanas contrariando o que almeja o governador paulista. Cesar Maia chegou a afirmar, em entrevista concedida ao Último Segundo do IG que José Serra lembra os piores caudilhos. “Um caudilho do passado apontava o dedo para o candidato. Agora o próprio candidato aponta o dedo para si.”
[http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/16/cesar+maia+elogia+aecio+e+diz+que+serra+lembra+os+piores+caudilhos+9104950.html]
Contudo não seria uma tática suicida essa? Afinal as denúncias contra Arruda podem respingar não só na formação da aliança PSDB-DEMO como pode atiçar ainda mais o fogo amigo. Mas também pode ser uma jogada da ala tucana liderada por Serra para minar o DEMO do DF e buscar a formação de um palanque com Roriz – há algum tempo rompido com Arruda – candidato declarado a governador e líder nas pesquisas de intenção de voto. Pode ser.
Pode ser também que o escândalo do “panetonegate” já estivesse prestes a explodir e tenham resolvido detoná-lo (ou seria correto dizer implodi-lo???) agora, um anos antes da eleição, assim têm mais tempo para limpar a sujeira.
Tampouco descarto a possibilidade da implosão do governo Arruda ser um aviso de Serra a Aécio Neves. O governador mineiro, concorrente de Serra na disputa pela indicação tucana ao Planalto tem o telhado de vidro, porém, manteve a imprensa de seu estado entre amordaçada e devendo-lhe fidelidade canina durante os últimos sete anos. Imaginem vocês se alguém, na mídia nacional, se interessa em escafunchar as ligações de Aecinho com as empreiteiras contratadas para a construção da maior obra que os tucanos fizeram por Minas, a Cidade Administrativa? Quem sabe se não há ali um potencial tremendo de soterrar as aspirações futuras do neto de Tancredo? Curiosamente, foi só o “panetonegate” ser detonado que Aécio adotou um discurso mais conformado com a eventualidade de Serra ser o presidenciável de seu partido. Inclusive já deixou no ar a possibilidade de retirar a pré-candidatura ainda nesse ano.
São dúvidas que dificilmente terão respostas a curto prazo, por isso ando tão ressabiado que nem escrevi no começo do texto.
Antes de terminar gostaria de ressaltar aqui é a postura de vestal do DEMO dizendo que nessa crise terá a oportunidade de se diferenciar do PT que não expulsou seus “mensaleiros”. Nem vou entrar no mérito da questão em si, afinal como posso ter certeza que o “mensalão” petista existiu da forma como foi denunciado por Roberto Jefferson? A denúncia de Jefferson é o que há de mais concreto, e abstrato, sobre o mensalão petista, a denúncia dum deputado ressentido e com interesses escusos. Todavia, mesmo que o DEMO venha a expulsar Arruda e expô-lo para suplícios em praça pública isso não torna a legenda mais ética e honesta que qualquer outra. Foi o PFL, agora repaginado para o nome de DEMO, quem abrigou e saudou Arruda como novo herói após a violação do painel do Senado. No mais, o comparsa de Arruda naquele crime foi ACM, que além de também renunciar ao mandato para não ser cassado, foi novamente eleito senador pela Bahia e continuou por até a morte como um dos caciques do partido, inclusive deixando herdeiros.
Em tempo. José Roberto Arruda tem o direito de se defender frente as acusações que lhe recaem no momento, ainda que o caso pareça indefensável. Só assim se poderá afirmar que houve justiça de fato. Além disso, o ideal é que não paire dúvidas sobre a culpabilidade do réu para que mais tarde não seja tratado como falso mártir, o que não parece muito difícil dadas as circunstâncias. Contudo, em casos como esse, o problema pode ser a dilatação do prazo para a defesa, cabe ao DEMO definir um prazo razoável para o desfecho do caso, pelo menos de sua parte. Expulsão sumária como parte de mídia, da sociedade e do DEMO querem, apenas reforça a reminiscência de vezos autoritários. O direito a defesa e ao contraditório fazem parte do rito democrático, no entanto algumas pessoas e instituições ainda não se acostumaram a tanto.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 11:51
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
SABESP: MAIS UM EXEMPLO DE GESTÃO TUCANA
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Sabesp: Mais um exemplo do choque de gestão e do gerenciamento tucano
Vocês se lembram quando a Petrobrás era administrada pelos tucanos? Acidentes ambientais eram corriqueiros e a empresa não era um décimo do que é hoje em valor de mercado ou em liderança tecnológica. E a Caixa Econômica Federal, como era a sua administração? Um banco de fomentação e com forte vetor para o setor social, com financiamento de casas próprias, por exemplo, ou apenas um banco de negócios voltado para capitalização e lucro? Poderia citar outros mil exemplos como empresas estatais que os tucanos não souberam administrar ou então que simplesmente privatizaram. Mas o que quero hoje é outra coisa.
Vejam só o que os tucanos paulistas estão fazendo com uma das poucas empresas que não doaram à iniciativa privada. O texto foi retirado InfoMoney , [http://web.infomoney.com.br/] um site ligado ao mercado de ações que pode ser acusado de tudo, menos de estar a trabalho do petismo como o governador José Serra gosta de acusar alguém que não lhe dá a notícia que gostaria de ouvir.
Sabesp traz resultado abaixo do esperado e ações têm pior desempenho do Ibovespa
Por: Equipe InfoMoney
17/11/09 - 19h46
InfoMoney
http://web.infomoney.com.br/templates/news/view_rss.asp?codigo=1720524&path=/investimentos/
SÃO PAULO - Após o fechamento dos mercados na véspera, a Sabesp (SBSP3) apresentou seu resultado trimestral, com números piores que o esperado, na avaliação da Link Investimentos, contribuindo para que as ações da companhia sejam destaque de queda nesta terça-feira (17).
Por conta do desempenho decepcionante no trimestre, os papéis da Sabesp registraram a maior desvalorização do Ibovespa nesta sessão, fechando com forte queda de 4,27%, sendo cotados a R$ 33,65, ao passo que o índice paulista encerrou o dia com ganhos de 1,17%.
O resultado
O balanço da empresa mostrou um lucro líquido de R$ 195,7 milhões no período entre julho e setembro, desempenho 15,3% inferior em relação aos mesmos meses de 2008. A mesma tendência também foi vista no seu Ebitda (geração operacional de caixa), que recuou 11,5% na mesma base comparativa. Contudo, a receita líquida conseguiu apresentar leve evolução de 2,3%, totalizando R$ 1,629 bilhão.
De acordo com os analistas da Link, um dos principais responsáveis por essa queda de desempenho foi a evolução dos custos e despesas da Sabesp durante o período, que registraram crescimento de 11,1% em comparação ao mesmo quarto do ano passado. "Grande parte desse avanço deve-se ao aumento de 36,7% dos serviços de terceiros", diz a equipe de análise, esperando que essas despesas sejam recorrentes nos próximos resultados.
Os especialistas da corretora destacam ainda o grande crescimento de 24% das despesas gerais da companhia na mesma base comparativa, principalmente por conta do aumento de provisão para contingências. Com essa trajetória ascendente nos custos, a margem Ebitda ficou em 37,9% no trimestre, 4,7 pontos percentuais aquém da expectativa da Link.
Variação cambial afeta lucro
Outro fator negativo visto no relatório da equipe de análise foram os ganhos da Sabesp durante o terceiro quarto. Por conta das despesas financeiras e da variação cambial maior do que a esperada pela corretora, os ganhos da companhia foram 46,9% abaixo do lucro líquido projetado por ela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
Sabesp: Mais um exemplo do choque de gestão e do gerenciamento tucano
Vocês se lembram quando a Petrobrás era administrada pelos tucanos? Acidentes ambientais eram corriqueiros e a empresa não era um décimo do que é hoje em valor de mercado ou em liderança tecnológica. E a Caixa Econômica Federal, como era a sua administração? Um banco de fomentação e com forte vetor para o setor social, com financiamento de casas próprias, por exemplo, ou apenas um banco de negócios voltado para capitalização e lucro? Poderia citar outros mil exemplos como empresas estatais que os tucanos não souberam administrar ou então que simplesmente privatizaram. Mas o que quero hoje é outra coisa.
Vejam só o que os tucanos paulistas estão fazendo com uma das poucas empresas que não doaram à iniciativa privada. O texto foi retirado InfoMoney , [http://web.infomoney.com.br/] um site ligado ao mercado de ações que pode ser acusado de tudo, menos de estar a trabalho do petismo como o governador José Serra gosta de acusar alguém que não lhe dá a notícia que gostaria de ouvir.
Sabesp traz resultado abaixo do esperado e ações têm pior desempenho do Ibovespa
Por: Equipe InfoMoney
17/11/09 - 19h46
InfoMoney
http://web.infomoney.com.br/templates/news/view_rss.asp?codigo=1720524&path=/investimentos/
SÃO PAULO - Após o fechamento dos mercados na véspera, a Sabesp (SBSP3) apresentou seu resultado trimestral, com números piores que o esperado, na avaliação da Link Investimentos, contribuindo para que as ações da companhia sejam destaque de queda nesta terça-feira (17).
Por conta do desempenho decepcionante no trimestre, os papéis da Sabesp registraram a maior desvalorização do Ibovespa nesta sessão, fechando com forte queda de 4,27%, sendo cotados a R$ 33,65, ao passo que o índice paulista encerrou o dia com ganhos de 1,17%.
O resultado
O balanço da empresa mostrou um lucro líquido de R$ 195,7 milhões no período entre julho e setembro, desempenho 15,3% inferior em relação aos mesmos meses de 2008. A mesma tendência também foi vista no seu Ebitda (geração operacional de caixa), que recuou 11,5% na mesma base comparativa. Contudo, a receita líquida conseguiu apresentar leve evolução de 2,3%, totalizando R$ 1,629 bilhão.
De acordo com os analistas da Link, um dos principais responsáveis por essa queda de desempenho foi a evolução dos custos e despesas da Sabesp durante o período, que registraram crescimento de 11,1% em comparação ao mesmo quarto do ano passado. "Grande parte desse avanço deve-se ao aumento de 36,7% dos serviços de terceiros", diz a equipe de análise, esperando que essas despesas sejam recorrentes nos próximos resultados.
Os especialistas da corretora destacam ainda o grande crescimento de 24% das despesas gerais da companhia na mesma base comparativa, principalmente por conta do aumento de provisão para contingências. Com essa trajetória ascendente nos custos, a margem Ebitda ficou em 37,9% no trimestre, 4,7 pontos percentuais aquém da expectativa da Link.
Variação cambial afeta lucro
Outro fator negativo visto no relatório da equipe de análise foram os ganhos da Sabesp durante o terceiro quarto. Por conta das despesas financeiras e da variação cambial maior do que a esperada pela corretora, os ganhos da companhia foram 46,9% abaixo do lucro líquido projetado por ela.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas
O MITO DO MURO
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Opera Mundi
É muito bom quando descobrimos algum novo espaço na internet onde se cultiva a inteligência. Acabo de descobrir o Opera Mundi e divido com vocês esse ótimo artigo sobre os vinte anos da queda do Muro do Berlim.
Boa leitura!
O mito do muro
Por Breno Altman, no Opera Mundi
http://www.operamundi.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1003
O noticiário internacional esteve marcado, nos últimos dias, pelas festividades comemorativas dos 20 anos da queda do Muro de Berlim. A maioria da imprensa celebrou o evento com galhardia. Trata-se, afinal, do símbolo mais emblemático da derrocada do socialismo e da possibilidade histórica de qualquer sistema distinto do capitalismo triunfante.
A conjugação de uma incrível máquina de propaganda com o complexo de vira-lata comum aos perdedores foi capaz de atrair para essa comemoração amplos setores progressistas e de esquerda, que simplesmente mandaram às favas qualquer espírito crítico. Alguns porque honestamente concordam com a retórica sobre o muro maligno. Outros porque temem ser apontados como antidemocráticos e fora de moda.
A submissão intelectual chega ao ponto de não se questionar sequer a legitimidade dos grandes agitadores contra a obra do mal. Onde está a autoridade dos Estados Unidos e seus meios de comunicação? No muro da morte que separa seu território dos aliados mexicanos, matando por ano os 80 caídos durante três décadas na Berlim dividida? Na base de Guantánamo, onde centenas de muçulmanos estão presos sem o devido processo legal e são sistematicamente torturados? Ou teria a Europa ocidental mais credibilidade, com sua política discriminatória contra os imigrantes? Ou ainda Israel e os grupos sionistas, pródigos em adotar práticas de “pogrom” contra os palestinos?
A lista de participantes desse festim é bastante longa, vários com muitas contas a acertar, e de cada qual deveria ser solicitado o devido atestado de idoneidade. Não é o caso, obviamente, de se justificar um pecado com outro, mas evitar comportamentos desprovidos de análise histórica. Olhar ao lado de quem se está marchando já é um bom começo de reflexão.
O Muro de Berlim costuma ser apresentado, pelos campeões da liberdade, como produto de um sistema político tirânico, cuja natureza seria a divisão dos povos e sua subordinação ao tacape de uma ideologia totalitária. Os fatos que lhe deram origem há muito foram subtraídos da informação cotidiana.
Quando terminou a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de influência, entre norte-americanos, ingleses, franceses e soviéticos. A capital histórica, Berlim, pertencente ao território controlado pelo Exército Vermelho, acabou igualmente repartida em áreas controladas pelos países vitoriosos.
Reconstrução europeia
Quem se der ao trabalho de ler as atas das conferências de Ialta, Potsdam e Teerã, se dará conta que Moscou era contrário a essa divisão. Sua proposta era dotar a Alemanha de um governo provisório, sem divisão do território, que organizasse em dois anos um processo eleitoral nacional. Os demais aliados, temerosos que o país caísse nas mãos dos comunistas, exigiram o modelo adotado.
A União Soviética acatou, depois que viu garantido seu direito de hegemonia sobre os demais países fronteiriços, além de preservado seu controle militar sobre a antiga Prússia Oriental. Em nome de sua política de segurança e da manutenção da aliança que derrotou o nazismo, abdicou de parte da sua influência na porção ocidental da Alemanha e do antigo Império Austro-Húngaro, apesar de os comunistas já serem maioria na Áustria.
Outro compromisso que constava da agenda pós-guerra era a constituição de um fundo mundial para a reconstrução europeia. O papel principal, nesse trâmite, cabia aos Estados Unidos, a potência que menos havia sofrido com o esforço de combate, cuja economia havia sido vitaminada pelo conflito e dispunha de imensos recursos financeiros.
Mas a vitória eleitoral dos comunistas na então Tchecoslováquia, seguida de resultados espetaculares na Itália e França, em 1946, provocou uma reviravolta. A Casa Branca decidiu-se por quebrar o pacto da reconstrução e inundar de financiamento apenas sua área de influência, dando origem ao Plano Marshall em 1947. Cerca de 140 bilhões de dólares, em valores atualizados, foram injetados no ocidente europeu.
Tinha início a chamada Guerra Fria, antecipada, em março de 1946, pelo famoso discurso de Winston Churchill em Fulton. A União Soviética, que havia arcado com um incalculável custo humano e material ao ser o grande vetor da vitória contra Hitler, passou a enfrentar uma outra guerra, financeira e de sabotagem, contra suas posições. Especialmente na Alemanha Oriental, constituída em 1949 como República Democrática da Alemanha.
A estratégia norte-americana era roubar os melhores profissionais alemães, atrai-los a peso de ouro a partir de sua cabeça-de-ponte em Berlim Ocidental, que recebia aportes formidáveis para ser exibida como vitrine esplendorosa da pujança capitalista. A fuga de cérebros e braços asfixiava a jovem RDA, que pouco podia contar com a ajuda material soviética, pois estava o Kremlin às voltas com o dificílimo reerguimento do próprio país.
Foram mais de 12 anos em uma batalha árdua e desigual. A URSS tinha quebrado a máquina de guerra do nazismo, retesando cada músculo e cada nervo da nação, e se via diante de uma situação que poderia levar à desestabilização de suas fronteiras, exatamente a aposta maior da Casa Branca.
Essa escalada teve seu desfecho no dia 13 de agosto de 1961, data inaugural do Muro de Berlim.
Economia ferida
O fluxo entre os dois países e as duas áreas da antiga capital foi militarmente interrompido e obstaculizado por uma construção que chegou a ter 66,5 km de redeamento metálico e murado. Famílias e amigos foram separados por quase 30 anos. Aprofundou-se a fratura entre ocidente e oriente na Europa. Uma nação histórica foi dividida. Oitenta pessoas morreram e 142 ficaram feridas ao tentar ultrapassar o muro, finalmente derrubado em 1989.
Sua construção foi um ato de guerra, mas de caráter defensivo. As hostilidades e operações de sabotagem, que impediram a permanência de uma Alemanha unida e a coexistência pacífica de dois sistemas, foram iniciadas pelas potências que romperam o acordo de paz, impondo ao leste europeu e socialista, com sua economia ferida pela guerra, um longo estado de exceção.
Claro, havia outras alternativas. A URSS e seus aliados poderiam, por exemplo, ter capitulado de antemão à ideia de desenvolver outro sistema de produção e poder, pois era essa tentativa dissidente o motivo da Guerra Fria. Afinal, não foi assim que tudo terminou, lá se vão 20 anos?
Mas com seus erros e seus acertos, suas glórias e seus desastres, seus feitos e até seus crimes, o socialismo foi, durante gerações, a bandeira e o sonho de povos que aceitaram pagar com sacrifício, dor e sangue por um outro mundo possível. Teria sido impensável, se assim não fosse, a extraordinária vitória na guerra de trinta anos que vai da Revolução Russa à caída de Berlim nas mãos do Exército Vermelho, em 1945.
O muro de Berlim talvez tenha sido apenas a criatura disforme de um processo no qual seus protagonistas tiveram que enfrentar circunstâncias e teatros de batalha escolhidos, no fundamental, por inimigos poderosos. De certo modo foi, durante décadas, marco de resistência e de equilíbrio entre dois sistemas. Caiu quando a força propulsora de um dos lados já tinha se esgotado. O resto é a mitologia dos vencedores.
Breno Altman é jornalista e diretor de redação do Opera Mundi.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 09:26 0 comentários Links para esta postagem
Opera Mundi
É muito bom quando descobrimos algum novo espaço na internet onde se cultiva a inteligência. Acabo de descobrir o Opera Mundi e divido com vocês esse ótimo artigo sobre os vinte anos da queda do Muro do Berlim.
Boa leitura!
O mito do muro
Por Breno Altman, no Opera Mundi
http://www.operamundi.com.br/opiniao_ver.php?idConteudo=1003
O noticiário internacional esteve marcado, nos últimos dias, pelas festividades comemorativas dos 20 anos da queda do Muro de Berlim. A maioria da imprensa celebrou o evento com galhardia. Trata-se, afinal, do símbolo mais emblemático da derrocada do socialismo e da possibilidade histórica de qualquer sistema distinto do capitalismo triunfante.
A conjugação de uma incrível máquina de propaganda com o complexo de vira-lata comum aos perdedores foi capaz de atrair para essa comemoração amplos setores progressistas e de esquerda, que simplesmente mandaram às favas qualquer espírito crítico. Alguns porque honestamente concordam com a retórica sobre o muro maligno. Outros porque temem ser apontados como antidemocráticos e fora de moda.
A submissão intelectual chega ao ponto de não se questionar sequer a legitimidade dos grandes agitadores contra a obra do mal. Onde está a autoridade dos Estados Unidos e seus meios de comunicação? No muro da morte que separa seu território dos aliados mexicanos, matando por ano os 80 caídos durante três décadas na Berlim dividida? Na base de Guantánamo, onde centenas de muçulmanos estão presos sem o devido processo legal e são sistematicamente torturados? Ou teria a Europa ocidental mais credibilidade, com sua política discriminatória contra os imigrantes? Ou ainda Israel e os grupos sionistas, pródigos em adotar práticas de “pogrom” contra os palestinos?
A lista de participantes desse festim é bastante longa, vários com muitas contas a acertar, e de cada qual deveria ser solicitado o devido atestado de idoneidade. Não é o caso, obviamente, de se justificar um pecado com outro, mas evitar comportamentos desprovidos de análise histórica. Olhar ao lado de quem se está marchando já é um bom começo de reflexão.
O Muro de Berlim costuma ser apresentado, pelos campeões da liberdade, como produto de um sistema político tirânico, cuja natureza seria a divisão dos povos e sua subordinação ao tacape de uma ideologia totalitária. Os fatos que lhe deram origem há muito foram subtraídos da informação cotidiana.
Quando terminou a 2ª Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em quatro zonas de influência, entre norte-americanos, ingleses, franceses e soviéticos. A capital histórica, Berlim, pertencente ao território controlado pelo Exército Vermelho, acabou igualmente repartida em áreas controladas pelos países vitoriosos.
Reconstrução europeia
Quem se der ao trabalho de ler as atas das conferências de Ialta, Potsdam e Teerã, se dará conta que Moscou era contrário a essa divisão. Sua proposta era dotar a Alemanha de um governo provisório, sem divisão do território, que organizasse em dois anos um processo eleitoral nacional. Os demais aliados, temerosos que o país caísse nas mãos dos comunistas, exigiram o modelo adotado.
A União Soviética acatou, depois que viu garantido seu direito de hegemonia sobre os demais países fronteiriços, além de preservado seu controle militar sobre a antiga Prússia Oriental. Em nome de sua política de segurança e da manutenção da aliança que derrotou o nazismo, abdicou de parte da sua influência na porção ocidental da Alemanha e do antigo Império Austro-Húngaro, apesar de os comunistas já serem maioria na Áustria.
Outro compromisso que constava da agenda pós-guerra era a constituição de um fundo mundial para a reconstrução europeia. O papel principal, nesse trâmite, cabia aos Estados Unidos, a potência que menos havia sofrido com o esforço de combate, cuja economia havia sido vitaminada pelo conflito e dispunha de imensos recursos financeiros.
Mas a vitória eleitoral dos comunistas na então Tchecoslováquia, seguida de resultados espetaculares na Itália e França, em 1946, provocou uma reviravolta. A Casa Branca decidiu-se por quebrar o pacto da reconstrução e inundar de financiamento apenas sua área de influência, dando origem ao Plano Marshall em 1947. Cerca de 140 bilhões de dólares, em valores atualizados, foram injetados no ocidente europeu.
Tinha início a chamada Guerra Fria, antecipada, em março de 1946, pelo famoso discurso de Winston Churchill em Fulton. A União Soviética, que havia arcado com um incalculável custo humano e material ao ser o grande vetor da vitória contra Hitler, passou a enfrentar uma outra guerra, financeira e de sabotagem, contra suas posições. Especialmente na Alemanha Oriental, constituída em 1949 como República Democrática da Alemanha.
A estratégia norte-americana era roubar os melhores profissionais alemães, atrai-los a peso de ouro a partir de sua cabeça-de-ponte em Berlim Ocidental, que recebia aportes formidáveis para ser exibida como vitrine esplendorosa da pujança capitalista. A fuga de cérebros e braços asfixiava a jovem RDA, que pouco podia contar com a ajuda material soviética, pois estava o Kremlin às voltas com o dificílimo reerguimento do próprio país.
Foram mais de 12 anos em uma batalha árdua e desigual. A URSS tinha quebrado a máquina de guerra do nazismo, retesando cada músculo e cada nervo da nação, e se via diante de uma situação que poderia levar à desestabilização de suas fronteiras, exatamente a aposta maior da Casa Branca.
Essa escalada teve seu desfecho no dia 13 de agosto de 1961, data inaugural do Muro de Berlim.
Economia ferida
O fluxo entre os dois países e as duas áreas da antiga capital foi militarmente interrompido e obstaculizado por uma construção que chegou a ter 66,5 km de redeamento metálico e murado. Famílias e amigos foram separados por quase 30 anos. Aprofundou-se a fratura entre ocidente e oriente na Europa. Uma nação histórica foi dividida. Oitenta pessoas morreram e 142 ficaram feridas ao tentar ultrapassar o muro, finalmente derrubado em 1989.
Sua construção foi um ato de guerra, mas de caráter defensivo. As hostilidades e operações de sabotagem, que impediram a permanência de uma Alemanha unida e a coexistência pacífica de dois sistemas, foram iniciadas pelas potências que romperam o acordo de paz, impondo ao leste europeu e socialista, com sua economia ferida pela guerra, um longo estado de exceção.
Claro, havia outras alternativas. A URSS e seus aliados poderiam, por exemplo, ter capitulado de antemão à ideia de desenvolver outro sistema de produção e poder, pois era essa tentativa dissidente o motivo da Guerra Fria. Afinal, não foi assim que tudo terminou, lá se vão 20 anos?
Mas com seus erros e seus acertos, suas glórias e seus desastres, seus feitos e até seus crimes, o socialismo foi, durante gerações, a bandeira e o sonho de povos que aceitaram pagar com sacrifício, dor e sangue por um outro mundo possível. Teria sido impensável, se assim não fosse, a extraordinária vitória na guerra de trinta anos que vai da Revolução Russa à caída de Berlim nas mãos do Exército Vermelho, em 1945.
O muro de Berlim talvez tenha sido apenas a criatura disforme de um processo no qual seus protagonistas tiveram que enfrentar circunstâncias e teatros de batalha escolhidos, no fundamental, por inimigos poderosos. De certo modo foi, durante décadas, marco de resistência e de equilíbrio entre dois sistemas. Caiu quando a força propulsora de um dos lados já tinha se esgotado. O resto é a mitologia dos vencedores.
Breno Altman é jornalista e diretor de redação do Opera Mundi.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 09:26 0 comentários Links para esta postagem
sábado, 14 de novembro de 2009
SOBRE "SERÁ SOMENTE ÁGUA?"
Blogger Blog do Morani disse...
Entre os elementos encontrados no planeta Terra, a água abundante ocupa a terceira posição entre os principais citados elementos que mantêm a Vida aqui, onde já viveram milhares de civilizações e ainda existindo, indefinidamente, consumindo-a, desde remotas época. Que manancial pleno tem sido esse enigma que é a água. Porém, ela não durará para sempre se o homem não intervir de modo inteligente no controle de seu uso. Os lençóis freáticos se exaurem; os aquíferos sofrem com a modificação da atmosfera e, pois, com os ciclos pluviais dando mostras cabais de que a precipitação das chuvas já não são tão pródigas como foram antes. 70% do nosso planeta é composto de água - os oceanos -, que não estão ali somente para nos encher os olhos com sua beleza e contribuir ao nosso lazer. O papel dos mares é bem mais importante do que se possa imaginar. Atmosfera e oceanos são um só, podemos avaliar assim. Se eles correspondem a 70% da parte líquida da terra, o homem, por seu lado, tem em seu peso 80% desse precioso líquido. Não só o homem, mas todas as criaturas vivas. Portanto, quando os sábios da Terra pensarem num meio lógico de consumo devem elaborar estudos nunca feitos antes do século XX. Tecnologias existem para esse objetivo, mas é necessário, antes de tudo, prevenir, em meu modo de ver, a expansão humana sobre a face deste planeta sabendo, de antemão, que terão pela frente as barreiras ideológicas da Igreja com grande influência no comportamento humano no que tange ao controle da multiplicação de seres. A água deverá ser em futuro não muito distante o motivo principal das futuras guerras entre as nações. Quaisquer estudos no mais ínfimo dos municípios deverão levar em conta opiniões dos leigos que, por menos que saibam, sempre terão respostas mais ou menos lúcidas aos seus problemas no uso e na preservação de seus rios, lagos e nascentes.
30 de Outubro de 2009 13:58
Entre os elementos encontrados no planeta Terra, a água abundante ocupa a terceira posição entre os principais citados elementos que mantêm a Vida aqui, onde já viveram milhares de civilizações e ainda existindo, indefinidamente, consumindo-a, desde remotas época. Que manancial pleno tem sido esse enigma que é a água. Porém, ela não durará para sempre se o homem não intervir de modo inteligente no controle de seu uso. Os lençóis freáticos se exaurem; os aquíferos sofrem com a modificação da atmosfera e, pois, com os ciclos pluviais dando mostras cabais de que a precipitação das chuvas já não são tão pródigas como foram antes. 70% do nosso planeta é composto de água - os oceanos -, que não estão ali somente para nos encher os olhos com sua beleza e contribuir ao nosso lazer. O papel dos mares é bem mais importante do que se possa imaginar. Atmosfera e oceanos são um só, podemos avaliar assim. Se eles correspondem a 70% da parte líquida da terra, o homem, por seu lado, tem em seu peso 80% desse precioso líquido. Não só o homem, mas todas as criaturas vivas. Portanto, quando os sábios da Terra pensarem num meio lógico de consumo devem elaborar estudos nunca feitos antes do século XX. Tecnologias existem para esse objetivo, mas é necessário, antes de tudo, prevenir, em meu modo de ver, a expansão humana sobre a face deste planeta sabendo, de antemão, que terão pela frente as barreiras ideológicas da Igreja com grande influência no comportamento humano no que tange ao controle da multiplicação de seres. A água deverá ser em futuro não muito distante o motivo principal das futuras guerras entre as nações. Quaisquer estudos no mais ínfimo dos municípios deverão levar em conta opiniões dos leigos que, por menos que saibam, sempre terão respostas mais ou menos lúcidas aos seus problemas no uso e na preservação de seus rios, lagos e nascentes.
30 de Outubro de 2009 13:58
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
AOS BRASILEIROS PATRIOTAS DE VERDADE
Sabem o que fazer sob o efeito do apagão? Apagadooooo! Ficar apagado, no apagão que não mais teríamos no Brasil de acordo com Lula e parceira Dilma, que já foi responsável pelo setor. Responsável, disse eu, por acaso? Alguém neste país se acha responsável pelo péssimo estado da nossa saúde? Pela derrocada dos hospitais? Pelos valões a céu aberto nas comunidades pobres deste imenso Brasil? Pelas mortes advindas desses locais paludes, onde se amontoam centenas de famílias? Pelo breu no qual ficou o Brasil terça-feira passada? Pelas muitas mortes em corredores de hospitais sem leito e sem médico? Pelas crateras em nossas rodovias? Ah, mas isto não interessa a esse desgoverno. Interessa, sim, mandar 15 milhões para Uganda fundar uma fábrica de vacina para salvar os aidéticos africanos. Isto dá Ibope, lá fora! Ora, o “Brasil ajuda a comunidade africana a escapar aos efeitos da doença.” É o que dirão todos os jornais do mundo. Quase acredito que ele, o nobre Presidente Lula queira aposentar os africanos por causa da doença com pagamentos feitos pelo INSS. Não duvido nada! Ele é tão bonzinho... Ah, como é...! E a Dilma, será que vai ser chamada a Mãe da AIDS africana? Ora, pois, pois, e por que não? Por que não atribuir a ajuda aos ingleses e portugueses – os verdadeiros exploradores que usaram e abusaram das riquezas da África? Ora, pois, então? Não! Nada disso! O Brasil tem que sair à frente de todos. Aqui tem o "este é o homem"! A Argentina não reclama por não ter um Lula à frente de seu governo? Levem este, que aqui não fará falta alguma, levem... Venham buscá-lo, está à disposição e ainda levará Dilma Roussef como brinde, esse penduricalho usado pelo Lula para dar mais força aos seus objetivos de fazê-la presidenta. Nem de escola de samba! Nem de Centro de Umbanda! Credo cruz, Ave Maria, Jesus! Muito boa a afirmação de José A. Jardine: "Vento não desliga o circuito". De acordo com outra "peça" do desgoverno: "É uma marolinha sem importância". De marolinha em marolinha as coisas vão se tornando uma "merdinha". Como a Dilma é a Mãe de tudo, ela deverá receber a comenda de "Mãe Marolinha do Apagão". Será o melhor título a ser dado a ela. E para que outro? Sem estrutura, não poderá, jamais, assumir o trono do atual Reizinho. Sonho é coisa boa quando acontece, mas pesadelo... Faça-nos o favor senhor Lula. Esquece e dê graças a Deus por ter chegado à Presidência da República Federativa do Brasil e nunca mais sonhe em repetir o fenômeno, para você mais que anormal, uma anomalia bastante incômoda a nós brasileiros que pensamos apenas em Brasil, que há muito precisa de total atenção e apoio dos sucessivos governos e não dessa abrangência de ajuda a outros países que jamais se preocuparam com o estado miserável pelo qual passou e passa o país, disfarçado pelo Bolsa Família, que compra o “sim” e o silêncio dos nordestinos. “Ah, pobre povo brasileiro, que não tem, não tem mesmo dinheiro”
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
CAETANO VELOSO, ANALFABETO POLÍTICO
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Caetano Veloso faz parte do grupo de ex-esquerdistas que com a passar dos anos se deslumbraram com o poder (força/dinheiro) da direita. Deste grupo fazem parte também, dentre outros, Arnaldo Jabor, no meio que se pretende intelectual, ou César Maia e Fernando Gabeira no meio político. Há ainda o extremo de Paulo Francis que foi do trotskismo esnobe e infantil de criança mimada à ultra-direita da parcela mais reacionária do Partido Republicano estadunidense.
Essa nova direita tupiniquim, oriunda da militância de esquerda durante a Ditadura Militar, acha o povo brasileiro inculto, grosseiro e incapaz de discernir sobre o que é bom para o conjunto da sociedade ou apenas para si mesmo. Dentro desse pensamento cabe como uma luva a tese do sociólogo Alberto Carlos Almeida – exposta na obra “A cabeça do brasileiro” – na qual o autor defende enfaticamente a idéia de termos uma elite iluminada, porém, atada a escuridão por um povo ignorante.
Essa nova direita também acha que o melhor para o Brasil é a República Higienópolis Leblon, expressão alcunhado pelo Professor Idelber Avelar para àqueles que se encantam com as Daslu da vida e sentem ojeriza do cheiro de povão, cuja maior referência em política é justamente Fernando Gabeira.
Voltando à apenas Caetano Veloso, sou admirador de suas músicas e letras, e sem sombra nenhuma de duvidas trata-se de um dos principais artistas brasileiros do século XX, no entanto fiquei abismado com a falta de compostura dele na entrevista publicada hoje pelo Estadão [http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091105/not_imp461314,0.php]. Tá certo que falar asneiras passou a ser algo corriqueiro para Caetano. Não foram até aqui poucas as vezes que desceu a lenha no governo Lula com aquele papo mole da direita udenista, assim como também já falou bobagens sobre a música nacional e internacional – numa das piores declarações nesse sentido afirmou que Stairway To Heaven é a coisa mais cafona que já ouviu. Cafona, no sentido musical, é Caetano esgoelando Comes As You Are. Contudo, na citada entrevista ao Estadão, faltou-lhe elegância e talvez até maturidade ao dizer que o Presidente Lula é “analfabeto, cafona e grosseiro”.
Para Caetano, cabo eleitoral de primeira hora da ex-ministra Marina Silva, Obama sim é inteligente, culto e charmoso, assim como a sua candidata a sucessão presidencial. É a famosa síndrome do vira-latas (expressão de Nelson Rodrigues) ou então complexo do subdesenvolvimento onde estamos condenados a ser eternamente colônia por pura incapacidade própria.
Interessante também como a mídia oligopolizada adora bradar aos quatro vento o pseudo-analfabetismo de Lula. Quando vejo isso sempre me lembro duma estória, inventada ou verídica não sei ao certo, na qual um assessor do então presidente Juscelino Kubitscheck dera-lhe como presente de aniversário um livro. No recinto onde assessores, amigos, políticos e bajuladores festejavam o aniversário do chefe houve um constrangimento geral. JK não fazia questão de esconder de ninguém que lera apenas um livro na vida e hoje isso parece não ter importância alguma, no entanto Lula é taxado como ignorante e analfabeto e isso tem importância tanto para direita nova quanto para a antiga.
Falando sobre Caetano é interessante notar como Sonia Racy, a jornalista responsável pela entrevista, o apresentou: “Uma boa sabedoria emerge, fácil, da sua tranqüilidade interior. O posicionamento rebelde do início da carreira, que às vezes assumia as cores da esquerda, deu lugar, hoje, a um discurso racional, realista.” Portanto, para a jornalista e para o Estadão, ser de esquerda é o inverso de ser racional e realista. Racional e realista é o neoliberlismo que o jornal da família Mesquita – o mesmo jornal e a mesma família que apoiou as pretensões oligárquicas e anti-democráticas da elite paulista em 1932, ou que em 1964 clamou pelo golpe militar – defendeu em editoriais e matérias por anos a fio. (Para entender melhor a relação mídia olipolizada e a disseminação da ideologia neoliberal no Brasil recomendo “Anjo Torto, Esquerda e Direita No Brasil”, autor Emir Sader).
Para completar Caetano acha Aécio Neves um grande gestor. Talvez Caetano Veloso seja adepto do grande choque de gestão tucano. Choque de gestão que deixa a economia mineira refém das exportações de café e recursos minerais, portanto, numa economia primaria e colonial, a primeira, no Brasil, a sofrer o impacto da crise econômica mundial e a última a sair, se tiver tempo. Ou então, Caetano entenda por choque de gestão desviar recursos da saúde para tampar o buraco na folha de pagamento dos servidores.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 13:38 1 comentários Links para esta postagem
Caetano Veloso faz parte do grupo de ex-esquerdistas que com a passar dos anos se deslumbraram com o poder (força/dinheiro) da direita. Deste grupo fazem parte também, dentre outros, Arnaldo Jabor, no meio que se pretende intelectual, ou César Maia e Fernando Gabeira no meio político. Há ainda o extremo de Paulo Francis que foi do trotskismo esnobe e infantil de criança mimada à ultra-direita da parcela mais reacionária do Partido Republicano estadunidense.
Essa nova direita tupiniquim, oriunda da militância de esquerda durante a Ditadura Militar, acha o povo brasileiro inculto, grosseiro e incapaz de discernir sobre o que é bom para o conjunto da sociedade ou apenas para si mesmo. Dentro desse pensamento cabe como uma luva a tese do sociólogo Alberto Carlos Almeida – exposta na obra “A cabeça do brasileiro” – na qual o autor defende enfaticamente a idéia de termos uma elite iluminada, porém, atada a escuridão por um povo ignorante.
Essa nova direita também acha que o melhor para o Brasil é a República Higienópolis Leblon, expressão alcunhado pelo Professor Idelber Avelar para àqueles que se encantam com as Daslu da vida e sentem ojeriza do cheiro de povão, cuja maior referência em política é justamente Fernando Gabeira.
Voltando à apenas Caetano Veloso, sou admirador de suas músicas e letras, e sem sombra nenhuma de duvidas trata-se de um dos principais artistas brasileiros do século XX, no entanto fiquei abismado com a falta de compostura dele na entrevista publicada hoje pelo Estadão [http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091105/not_imp461314,0.php]. Tá certo que falar asneiras passou a ser algo corriqueiro para Caetano. Não foram até aqui poucas as vezes que desceu a lenha no governo Lula com aquele papo mole da direita udenista, assim como também já falou bobagens sobre a música nacional e internacional – numa das piores declarações nesse sentido afirmou que Stairway To Heaven é a coisa mais cafona que já ouviu. Cafona, no sentido musical, é Caetano esgoelando Comes As You Are. Contudo, na citada entrevista ao Estadão, faltou-lhe elegância e talvez até maturidade ao dizer que o Presidente Lula é “analfabeto, cafona e grosseiro”.
Para Caetano, cabo eleitoral de primeira hora da ex-ministra Marina Silva, Obama sim é inteligente, culto e charmoso, assim como a sua candidata a sucessão presidencial. É a famosa síndrome do vira-latas (expressão de Nelson Rodrigues) ou então complexo do subdesenvolvimento onde estamos condenados a ser eternamente colônia por pura incapacidade própria.
Interessante também como a mídia oligopolizada adora bradar aos quatro vento o pseudo-analfabetismo de Lula. Quando vejo isso sempre me lembro duma estória, inventada ou verídica não sei ao certo, na qual um assessor do então presidente Juscelino Kubitscheck dera-lhe como presente de aniversário um livro. No recinto onde assessores, amigos, políticos e bajuladores festejavam o aniversário do chefe houve um constrangimento geral. JK não fazia questão de esconder de ninguém que lera apenas um livro na vida e hoje isso parece não ter importância alguma, no entanto Lula é taxado como ignorante e analfabeto e isso tem importância tanto para direita nova quanto para a antiga.
Falando sobre Caetano é interessante notar como Sonia Racy, a jornalista responsável pela entrevista, o apresentou: “Uma boa sabedoria emerge, fácil, da sua tranqüilidade interior. O posicionamento rebelde do início da carreira, que às vezes assumia as cores da esquerda, deu lugar, hoje, a um discurso racional, realista.” Portanto, para a jornalista e para o Estadão, ser de esquerda é o inverso de ser racional e realista. Racional e realista é o neoliberlismo que o jornal da família Mesquita – o mesmo jornal e a mesma família que apoiou as pretensões oligárquicas e anti-democráticas da elite paulista em 1932, ou que em 1964 clamou pelo golpe militar – defendeu em editoriais e matérias por anos a fio. (Para entender melhor a relação mídia olipolizada e a disseminação da ideologia neoliberal no Brasil recomendo “Anjo Torto, Esquerda e Direita No Brasil”, autor Emir Sader).
Para completar Caetano acha Aécio Neves um grande gestor. Talvez Caetano Veloso seja adepto do grande choque de gestão tucano. Choque de gestão que deixa a economia mineira refém das exportações de café e recursos minerais, portanto, numa economia primaria e colonial, a primeira, no Brasil, a sofrer o impacto da crise econômica mundial e a última a sair, se tiver tempo. Ou então, Caetano entenda por choque de gestão desviar recursos da saúde para tampar o buraco na folha de pagamento dos servidores.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 13:38 1 comentários Links para esta postagem
EM HOMENAGEM A MARIGHELLA
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Após vários dias, semanas até, sem escrever nada – primeiro por absoluta falta de tempo, resultado de uma troca de emprego e logo em seguida pela convalescença e morte de minha mais que estimada avó, na verdade minha segunda mãe – começo a sentir saudades do hábito de expressar meus pensamentos através da escrita. Enquanto não volto a postar um texto meu, deixo com vocês essa pequena homenagem assinada pelo Professor Emir Sader a um dos homens mais valiosos do século passado.
Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro
Por Emir Sader na Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16218
Carlos Marighella é o protótipo do brasileiro. Amado na sua Bahia, com quem o povo baiano se identifica, como se identifica com Caimmy, com a Menininha do Gantuá, com tudo o que é expressão genuína daquelas terras tão brasileiras.
Filho de uma negra escrava, Maria Rita, linda, com pai de origem italiana, Augusto, Carlos é uma das expressões mais genuínas da mestiçagem do povo brasileiro. As conversas com os vizinhos da casa modesta onde nasceu e cresceu, em Salvador, as fotos com os colegas de escola, com os amigos, revelam o mulato sestroso, conversador, gentil, sensível, típico dos bairros populares da velha São Salvador.
Como quem chegou à adolescência naqueles anos-chave da década de 30, Carlos se identificou profundamente com os projetos revolucionários da década, antes de tudo com a lideranca de Prestes no PCB, depois da aventura extraordinária da Coluna. Viveu Carlos aí a primeira grande experiência, que o marcaria pelo resto da vida, consolidando nele a opção revolucionária.
Não protagonizou com sua participação os grandes debates no seio do PC ao longo das décadas seguintes. Seu protagonismo ficou reservado para os momentos mais difíceis vividos pelo Partido, logo depois do golpe de 1964. Já sua resistência à prisao na Cinelândia, no Rio, poucos dias depois do golpe, demonstrava a atitude de rebeldia e de resistência que Carlos imprimiria à sua atitude e à que convocava aos brasileiros.
Dessa vez Carlos foi o principal protagonista dos debates internos do PCB, sobre as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. Ele se identificou de forma direta com a dinâmica proposta pela Revolução Cubana, que aparecia como uma alternativa real para os países em que as elites dominantes apelavam para a ditadura, diante das ameaças dos movimentos populares, optando pelo projeto norteamericano da Doutrina de Segurança Nacional.
Carlos conclamou a resistência a aderir ao projeto da luta armada, sob a forma da guerra de guerrilhas, rompendo assim com o PCB e fundando a ALN. Junto com a VPR, dirigida por Carlos Lamarca, protagonizaram a versão mais radical da resistência clandestina à ditadura militar, de que o espetacular sequestro do embaixador dos EUA – com a libertação de 15 militantes da resistência e a leitura de declaração contra a ditadura em cadeia nacional de rádio e televisão – foi uma de suas mais expressivas manifestações.
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Carlos, mulato, baiano, comunista, brasileiro.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 21:07 0 comentários Links para esta postagem
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Após vários dias, semanas até, sem escrever nada – primeiro por absoluta falta de tempo, resultado de uma troca de emprego e logo em seguida pela convalescença e morte de minha mais que estimada avó, na verdade minha segunda mãe – começo a sentir saudades do hábito de expressar meus pensamentos através da escrita. Enquanto não volto a postar um texto meu, deixo com vocês essa pequena homenagem assinada pelo Professor Emir Sader a um dos homens mais valiosos do século passado.
Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro
Por Emir Sader na Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16218
Carlos Marighella é o protótipo do brasileiro. Amado na sua Bahia, com quem o povo baiano se identifica, como se identifica com Caimmy, com a Menininha do Gantuá, com tudo o que é expressão genuína daquelas terras tão brasileiras.
Filho de uma negra escrava, Maria Rita, linda, com pai de origem italiana, Augusto, Carlos é uma das expressões mais genuínas da mestiçagem do povo brasileiro. As conversas com os vizinhos da casa modesta onde nasceu e cresceu, em Salvador, as fotos com os colegas de escola, com os amigos, revelam o mulato sestroso, conversador, gentil, sensível, típico dos bairros populares da velha São Salvador.
Como quem chegou à adolescência naqueles anos-chave da década de 30, Carlos se identificou profundamente com os projetos revolucionários da década, antes de tudo com a lideranca de Prestes no PCB, depois da aventura extraordinária da Coluna. Viveu Carlos aí a primeira grande experiência, que o marcaria pelo resto da vida, consolidando nele a opção revolucionária.
Não protagonizou com sua participação os grandes debates no seio do PC ao longo das décadas seguintes. Seu protagonismo ficou reservado para os momentos mais difíceis vividos pelo Partido, logo depois do golpe de 1964. Já sua resistência à prisao na Cinelândia, no Rio, poucos dias depois do golpe, demonstrava a atitude de rebeldia e de resistência que Carlos imprimiria à sua atitude e à que convocava aos brasileiros.
Dessa vez Carlos foi o principal protagonista dos debates internos do PCB, sobre as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. Ele se identificou de forma direta com a dinâmica proposta pela Revolução Cubana, que aparecia como uma alternativa real para os países em que as elites dominantes apelavam para a ditadura, diante das ameaças dos movimentos populares, optando pelo projeto norteamericano da Doutrina de Segurança Nacional.
Carlos conclamou a resistência a aderir ao projeto da luta armada, sob a forma da guerra de guerrilhas, rompendo assim com o PCB e fundando a ALN. Junto com a VPR, dirigida por Carlos Lamarca, protagonizaram a versão mais radical da resistência clandestina à ditadura militar, de que o espetacular sequestro do embaixador dos EUA – com a libertação de 15 militantes da resistência e a leitura de declaração contra a ditadura em cadeia nacional de rádio e televisão – foi uma de suas mais expressivas manifestações.
Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Carlos, mulato, baiano, comunista, brasileiro.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 21:07 0 comentários Links para esta postagem
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
COMENTÁRIO SOBRE CANUDOS
Anônimo disse...
Prof. Yuri Almeida:
Li O relato sobre Canudos. Não precisaria dizer que gostei, mas direi. O assunto me cativou tanto há questão de dois anos atrás - depois de quase 50 anos me dediquei à sua leitura -, que escrevi um "ensaio" sobre os fatos desenrolados ao norte do estado da Bahia. Canudos não se renderia, culminando com a morte de seus últimos quatro defensores - três adultos e uma criança - em 05/10/1897, isso há 112 anos atrás. Não se comemora essa data magna da nossa história, mas a de Zumbi, sim. Esse também merece ser lembrado, pois ambos se deram por questões contrárias ao sistema vigente no país àquela época. De Monte Santo partiram as últimas levas de combatentes de nossa República. A carnificina foi terrível, desde os primeiros combates em Uauá, a 21/11/1896, com derrota do nosso exército. Na capital, Rio, Antônio Conselheiro era tido por um revolucionário que desejava derrubar a República recém instalada. Ledo engano. Conquanto fosse de temperamento varonil exacerbado, não passava de um homem pacífico que defendeu sua gente e sua cidadela com destemor. Antônio Conselheiro foi vítima de ferimento. por estilhaços de granada, a caminho a uma de suas igrejas em obras. Já havia tempo que se achava ferido e no dia 22/09/1897 faleceu devido a forte desinteria, tendo a fronte colada a terra e um crucifixo seguro contra o peito. Em um país em que se pratica o pouco respeito por seus heróis - Antôno Conselheiro foi um - nada mais me surpreenderá se esquecerem nosso Tiradentes. Temos nossos heróis contemporâneos, mas muitos patifes também. A História, contudo, julgará a todos sem falta.
2 de Novembro de 2009 06:51
Postado por Morani no blog História Crítica
Prof. Yuri Almeida:
Li O relato sobre Canudos. Não precisaria dizer que gostei, mas direi. O assunto me cativou tanto há questão de dois anos atrás - depois de quase 50 anos me dediquei à sua leitura -, que escrevi um "ensaio" sobre os fatos desenrolados ao norte do estado da Bahia. Canudos não se renderia, culminando com a morte de seus últimos quatro defensores - três adultos e uma criança - em 05/10/1897, isso há 112 anos atrás. Não se comemora essa data magna da nossa história, mas a de Zumbi, sim. Esse também merece ser lembrado, pois ambos se deram por questões contrárias ao sistema vigente no país àquela época. De Monte Santo partiram as últimas levas de combatentes de nossa República. A carnificina foi terrível, desde os primeiros combates em Uauá, a 21/11/1896, com derrota do nosso exército. Na capital, Rio, Antônio Conselheiro era tido por um revolucionário que desejava derrubar a República recém instalada. Ledo engano. Conquanto fosse de temperamento varonil exacerbado, não passava de um homem pacífico que defendeu sua gente e sua cidadela com destemor. Antônio Conselheiro foi vítima de ferimento. por estilhaços de granada, a caminho a uma de suas igrejas em obras. Já havia tempo que se achava ferido e no dia 22/09/1897 faleceu devido a forte desinteria, tendo a fronte colada a terra e um crucifixo seguro contra o peito. Em um país em que se pratica o pouco respeito por seus heróis - Antôno Conselheiro foi um - nada mais me surpreenderá se esquecerem nosso Tiradentes. Temos nossos heróis contemporâneos, mas muitos patifes também. A História, contudo, julgará a todos sem falta.
2 de Novembro de 2009 06:51
Postado por Morani no blog História Crítica
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
SERÁ SOMENTE ÁGUA?
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Por Tiago Barbosa Mafra
O planeta Terra apresenta algumas condições essenciais para a sobrevivência do ser humano, sendo a água um dos recursos naturais indispensáveis que garantem a perpetuação da vida.
Devido à sua importância na formação e desenvolvimento das sociedades humanas, desde os grupos tribais até os dias atuais, a própria Organização das Nações Unidas incluiu nas Metas do Milênio a necessidades do uso racional dos recursos hídricos como forma de contribuir para a redução da pobreza extrema. Na reunião Rio+10, realizada em 2002 em Johanesburgo, na África do Sul, ficou clara a obrigação de um crescimento econômico que não desconsidere os fatores ambientais.
Mesmo o ciclo hidrológico sendo um renovador constante da água, a atuação humana desregrada, apesar dos alertas dos organismos internacionais e de estudiosos dos mais variados institutos de pesquisa do mundo, vem causando a destruição, impossibilidade de recuperação e consequentemente a escassez e problemas de acesso à água potável.
Despejo de dejetos, avanço das manchas urbanas sem planejamento, impermeabilização do solo, desrespeito às leis ambientais, tudo isso e muito mais têm contribuído para o agravamento da situação.
Infelizmente, o discurso do desenvolvimento sustentável não passa de discurso, haja visto por exemplo, a insistência do poder público municipal de Poços de Caldas-MG em dar um “passo” maior do que as condições locais podem suportar. Aliás, os grupos políticos locais mais poderosos têm mesmo a mania de dar o “passo” primeiro e questioner a população depois, isso quando questionam.
O que é certo é que as decisões políticas que envolvem problemáticas ambientais precisam de uma percepção do conjunto, dos impactos a longo prazo e das heranças históricas e espaciais que pretendemos legar às gerações futuras. Cabe a população o acompanhamento e a fiscalizaçãoda da situação para impedir irregularidades e irresponsabilidades.
Fica a dúvida de que talvez alguns gestores tenham interpretado mal o trecho da música de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes: “Toda a água é mesmo água e só”.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 09:48
Por Tiago Barbosa Mafra
O planeta Terra apresenta algumas condições essenciais para a sobrevivência do ser humano, sendo a água um dos recursos naturais indispensáveis que garantem a perpetuação da vida.
Devido à sua importância na formação e desenvolvimento das sociedades humanas, desde os grupos tribais até os dias atuais, a própria Organização das Nações Unidas incluiu nas Metas do Milênio a necessidades do uso racional dos recursos hídricos como forma de contribuir para a redução da pobreza extrema. Na reunião Rio+10, realizada em 2002 em Johanesburgo, na África do Sul, ficou clara a obrigação de um crescimento econômico que não desconsidere os fatores ambientais.
Mesmo o ciclo hidrológico sendo um renovador constante da água, a atuação humana desregrada, apesar dos alertas dos organismos internacionais e de estudiosos dos mais variados institutos de pesquisa do mundo, vem causando a destruição, impossibilidade de recuperação e consequentemente a escassez e problemas de acesso à água potável.
Despejo de dejetos, avanço das manchas urbanas sem planejamento, impermeabilização do solo, desrespeito às leis ambientais, tudo isso e muito mais têm contribuído para o agravamento da situação.
Infelizmente, o discurso do desenvolvimento sustentável não passa de discurso, haja visto por exemplo, a insistência do poder público municipal de Poços de Caldas-MG em dar um “passo” maior do que as condições locais podem suportar. Aliás, os grupos políticos locais mais poderosos têm mesmo a mania de dar o “passo” primeiro e questioner a população depois, isso quando questionam.
O que é certo é que as decisões políticas que envolvem problemáticas ambientais precisam de uma percepção do conjunto, dos impactos a longo prazo e das heranças históricas e espaciais que pretendemos legar às gerações futuras. Cabe a população o acompanhamento e a fiscalizaçãoda da situação para impedir irregularidades e irresponsabilidades.
Fica a dúvida de que talvez alguns gestores tenham interpretado mal o trecho da música de Paulo Tatit e Arnaldo Antunes: “Toda a água é mesmo água e só”.
Tiago Barbosa Mafra é professor de Geografia na Rede Municipal de Ensino e no curso pré-vestibular comunitário Educafro.
tiago.fidel@yahoo.com.br
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 09:48
terça-feira, 20 de outubro de 2009
TRABALHO MORTO: MAR X E LENIN MERECIAM O NOBEL DE ECONOMIA
Considerações sobre o artigo de Paulo Craig Roberts no site Fundação Lauro Campos.
Consoantes previsões exaradas por Marx e Lênin, sobre o capital e o trabalho e seus decorrentes resultados, Paul C. Roberts, ex-secretário do Tesouro na administração Reagan, lhes dá total cobertura, engajando-se aos seus princípios sobre problemas tão cruciais às vidas dos trabalhadores não só estadunidenses como os de todo o mundo.
Os modelos de risco de um economista como Paul Krugman, que preconiza a sua verdade de que “mais crédito e mais dívidas” é a solução para a crise econômica cai por terra, no modo de ver do ex-secretário Roberts que acha Marx e Lênin superiores e que só por isso mereceriam ganhar o Premio Nobel de Economia.
O articulista norte-americano, Roberts, autor do acima mencionado trabalho, confessa não ter se aprofundado em estudos de pesquisas sobre a situação dos trabalhadores de seu país, o que comprovaria o declínio agudo de suas riquezas, mas aponta os dois crashes no século XXI como protagonistas da destruição de sua riqueza imobiliária. Diz o senhor Roberts: “na última década o salário liquido real declinou”.
Eu digo que declinou, e muito, principalmente aqui no Brasil, embora haja os que defendem a elevação desse salário no período Lula. Pura balela – conversas de botequins.
Reforça, ainda, o senhor Roberts a afirmativa de que os “economistas do mundo inteiro pretendem estar a negociar com uma recessão normal de pós-guerra”, que requer expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico, simplesmente.
As verdades são outras; todavia o “staff” do senhor Lula prima pela obediência à mesma cartilha da maioria dos economistas estrangeiros. Não consideram as diferenças culturais nem o próprio meio em que giram as economias desses outros países.
As informações sobre emprego e desemprego no Brasil estão muito aquém das verdades. Essa alternância de situações tem o perfil das coisas imponderáveis e, pois, desacreditadas pela maioria dos estudiosos sérios e do próprio povo. Os bons entendedores da atual situação econômica brasileira conhecem muito bem as artimanhas usadas em períodos pré-eleitorais e, mormente, estando a Nação à beira de uma nova eleição ao cargo máximo, que se há de realizar em 2010.
“Mais crédito e mais dívida” deve ser não só o novo lema do governo Lula como o bote salva-vidas que está a soçobrar nas “marolinhas” da crise econômica brasileira.
As alvissareiras e sempre renovadas declarações do Presidente, a um passo de ser expurgado do Poder, nada mais são que subterfúgios e engodos, usados tão comumente por todos os mandatários que passaram por Brasília.
A quem desejar conhecer com a profundidade que merece tal comentário, sobre a situação atual da economia norte-americana, aconselha-se a leitura, na íntegra, do referido artigo do senhor Paul C. Roberts - hospedado no site já mencionado - também co-autor do “The Tyrany of Good Intentions”.
De “boas intenções” nós, brasileiros, já estamos cheios até o pescoço.
Consoantes previsões exaradas por Marx e Lênin, sobre o capital e o trabalho e seus decorrentes resultados, Paul C. Roberts, ex-secretário do Tesouro na administração Reagan, lhes dá total cobertura, engajando-se aos seus princípios sobre problemas tão cruciais às vidas dos trabalhadores não só estadunidenses como os de todo o mundo.
Os modelos de risco de um economista como Paul Krugman, que preconiza a sua verdade de que “mais crédito e mais dívidas” é a solução para a crise econômica cai por terra, no modo de ver do ex-secretário Roberts que acha Marx e Lênin superiores e que só por isso mereceriam ganhar o Premio Nobel de Economia.
O articulista norte-americano, Roberts, autor do acima mencionado trabalho, confessa não ter se aprofundado em estudos de pesquisas sobre a situação dos trabalhadores de seu país, o que comprovaria o declínio agudo de suas riquezas, mas aponta os dois crashes no século XXI como protagonistas da destruição de sua riqueza imobiliária. Diz o senhor Roberts: “na última década o salário liquido real declinou”.
Eu digo que declinou, e muito, principalmente aqui no Brasil, embora haja os que defendem a elevação desse salário no período Lula. Pura balela – conversas de botequins.
Reforça, ainda, o senhor Roberts a afirmativa de que os “economistas do mundo inteiro pretendem estar a negociar com uma recessão normal de pós-guerra”, que requer expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico, simplesmente.
As verdades são outras; todavia o “staff” do senhor Lula prima pela obediência à mesma cartilha da maioria dos economistas estrangeiros. Não consideram as diferenças culturais nem o próprio meio em que giram as economias desses outros países.
As informações sobre emprego e desemprego no Brasil estão muito aquém das verdades. Essa alternância de situações tem o perfil das coisas imponderáveis e, pois, desacreditadas pela maioria dos estudiosos sérios e do próprio povo. Os bons entendedores da atual situação econômica brasileira conhecem muito bem as artimanhas usadas em períodos pré-eleitorais e, mormente, estando a Nação à beira de uma nova eleição ao cargo máximo, que se há de realizar em 2010.
“Mais crédito e mais dívida” deve ser não só o novo lema do governo Lula como o bote salva-vidas que está a soçobrar nas “marolinhas” da crise econômica brasileira.
As alvissareiras e sempre renovadas declarações do Presidente, a um passo de ser expurgado do Poder, nada mais são que subterfúgios e engodos, usados tão comumente por todos os mandatários que passaram por Brasília.
A quem desejar conhecer com a profundidade que merece tal comentário, sobre a situação atual da economia norte-americana, aconselha-se a leitura, na íntegra, do referido artigo do senhor Paul C. Roberts - hospedado no site já mencionado - também co-autor do “The Tyrany of Good Intentions”.
De “boas intenções” nós, brasileiros, já estamos cheios até o pescoço.
Assinar:
Postagens (Atom)