DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CARTA A UM BRASILEIRO EXEMPLAR

Meu caro sobrinho:


A matéria enviada sobre a dura advertência feita ao governo Lula e periferia, de autoria do General da reserva Valdésio Guilherme de Figueiredo, Ministro do STM, pode, sem dúvida, se seriedade tiver em seu espírito de manifesto contra o atual sistema – desejoso em se impor permanente à Nação brasileira imitando o seu colega Hugo Chaves –, mercê a tão propalada maioria de aprovação nas pesquisas, que declaro fajutas, dar um basta às pretensões muito perigosas à implantação da dita branda em todos os seus meandros. Veja os artigos elogiosos do jornal francês Le Monde enaltecendo esse conjunto de pequenos títeres desejoso em conspurcar o que as nações conseguiram face às lutas pela democracia, comprando espaço àquele jornal parisiense para elogiá-los, às vistas do mundo inteiro, e que hoje já não é a Voz unânime nem do povo francês.
Temos a obrigação de juntar nossas vozes de cidadãos à voz do eminente general Guilherme de Figueiredo para a verdadeira retomada da democracia em nosso território como: mudanças na área federal a cada quatro anos do cidadão eleito para presidir os destinos da Nação Brasileira.
O que deseja o PT - partido que já não tem mais as características da filosofia trabalhista - é justamente a perpetuação ao Poder de um partido mal nascido e mal crescido no Brasil, não permitindo, inclusive, que a imprensa autônoma e livre tome o caminho que achar por bem favorável à continuidade de nossa conhecida democracia. Particularmente, penso como meu avô Bapum: "Democracia é invenção do Demônio. "Demonocracia", deveria ser seu nome, pois favorece altamente essa "onda purulenta" que tem sido a corrupção nas hostes de todo o corpo do governo - no executivo, no legislativo e no judiciário – últimos baluartes de defesa de uma Nação que se deseja séria.
O que se planeja para futuro muito breve, chega-se à conclusão, é a de fortalecer outro partido sem caráter, mas de fisiologismo contundente e que, como um abutre, pousa nas asas do Poder para dele tirar suas vantagens. Seja qual for o partido que esteja no Poder, esse exerce fascínio sobre o PMDB – esse é o partido da hora. Esse partido e seus asseclas já implantaram a República Maranhense em plagas do norte. E quais são as possibilidades dessa injunção? Ora, sabe-se, e é de conhecimento da população, que a candidata oficial do governo Lula, a senhora Dilma Roussef, não está saudável no momento devido a graves problemas de saúde. Isso não é segredo; a imprensa já anunciou em diversas ocasiões. Bem, o que pode acontecer? A Presidente eleita Dilma Roussef se afastaria ao Poder cedendo seu lugar ao se vice Michel Temer.
O Brasil desejaria algo pior que isso? Acredito que um “não” seria a resposta mais aceitável e ajuizada de um povo que vem sofrendo lavagem cerebral muito insidiosamente. Tomemos todos os cuidados que se fazem necessários para amanhã não se amargar a decisão errada no próximo dia 03 de outubro. Todavia, estamos em um labirinto sem saída, pois nem um dos candidatos têm as características que se deseja a um governante. São todos Pinóquio.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PARA QUE O NATAL?

Divagações sobre os festejos de Natal.


O que dizer das festas natalinas quando se perde todo aquele encanto e aquela doçura de criança? Quando sabemos, há muito tempo, que esses festejos anuais, que fecham determinados anos da vida de cada um não passam de interesses comerciais? Que a ilusão, deliciosa como um sorvete de mangaba, da figura do velho e bom Papai Noel não passa de farsa? Que se vêem Papai Noel em cada shopping a declamar aquele velho e sem graça oh!oh!oh! - saudação que a principio não existia, porque o que valia mesmo era a figura gorda vestida de vermelho em seu casaco debruado por arminho, com o seu capuz pontiagudo e as suas botas; uma vez o tendo visto em revistas já tínhamos uma espécie de acordo ou pacto a ele, que se comprometiam a encher de presentes às nossas meias, penduradas por todos os cantos da casa, no dia aprazado - 24/12, à meia-noite, ou os deixando debaixo da árvore natalina, toda iluminada feericamente.
O que fazer do Natal de hoje? Já venho perdendo o interesse por essa festa desde que entrei na meia-idade, e desde que diversas catástrofes costumam a acontecer em finais de anos deixando famílias inteiras sem um teto, sem móveis, sem paz e esperança maior do que as que prometem as nossas autoridades. Há crianças pelos nossos morros e periferias que jamais viram um brinquedo por mínimo que fosse, dos mais pobrezinhos em atrativos ao mais melhorados por cores atraentes. Sem roupas novas, sem calçados decentes, sem uma coberta digna e sem uma cama que não seja feita de restos de outras, encontradas por becos e por beiras de rios. Isto ainda não seria o pior se considerar que em suas barriguinhas não chegam uma côdea de pão com mortadela, para dizer o mínimo. Que não sabem o que é um copo de leite; que tomam a primeira refeição repetida ao almoço e a mesma ao jantar; já testemunhei isso e me calou fundo em meus sentimentos. O que fiz eu para melhorar ou aliviar aquela constrangedora situação a uma família vizinha ao meu local de trabalho? Nada. Não movi uma palha que fosse. Achei natural aquilo, por não ver aos olhinhos das crianças da família a tristeza da fome. Estavam álacres com seus pedaços de pães secos à mão, correndo e brincando normalmente, numa aceitação da miserabilidade como coisa mais que normal em seus começos de vida. Não se os viam reclamar. Pelo contrário, víamos felicidade em seus rostinhos infantis. Isso podia não marcá-los à época, mas, na certa, mais tarde, esses fatos do passado ficariam grudados em suas lembranças como filmes aos quais já tivessem assistidos há muito tempo, lá nos idos de suas infâncias miseráveis. Por que, então, o Natal? Por que, portanto, as mesas postas com farturas e as árvores cheias de presentes? Para que Papai Noel passando pelos telhados das mansões dos afortunados, se milhares de outros não o verão nunca?
O que fazer, repete-se, com os festejos de Natal? Eu fecho a porta de minha casa e minhas janelas, apago as luzes, e me meto sob cobertas, orando pelos afortunados que têm grandes responsabilidades sobre a infelicidade dos esquecidos, dos desprovidos dessas alegrias que tanto nos fizeram felizes ou não na infância. Dou um Não ao Natal dos homens, que só pensam em lucros; do comércio que gasta fortunas em arranjos chamativos às compras; em minha mesa já não se vê guloseimas normais da época porque tenho fome de justiça, de igualdade, de sorrisos em todos dos rostos e alegrias em todos os corações. Em minha casa Papai Noel não bate mais à porta porque as crianças da casa envelheceram; não temos mais crianças sob o nosso teto e, pois, inocência. Somos coniventes ao sistema espúrio das desigualdades. Para que o Natal?

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O GRITO DOS EXCLUIDOS E O APRENDIZ DE CORONEL

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Censura. Cerceamento da liberdade de expressão. Coronelismo. Covardia. Falta de argumentos plausíveis para debater com quem diverge de seu modo de analisar o mundo, ou mesmo falta de caráter para aceitar tanto. Essas foram as marcas do 7 de Setembro em Poços de Caldas.

E o grande protagonista de tudo isso foi o prefeito Paulinho Courominas, que mais uma vez deu razão àqueles que o acusam de não ter personalidade e constantemente fugir da raia.

Um grupo de cidadãos comuns organizados em torno de sindicatos, de pastorais, do Educafro e da Coordenação dos Movimentos Sociais de Poços teve o seu direito de liberdade de expressão cerceado pelo ilustre prefeito municipal.

O aprendiz de coronel, através dos organizadores do tradicional desfile de 7 de Setembro, tentou de todas as maneiras impedir que o “Grito dos Excluídos”, um evento que acontece em todo o Brasil no 7 de Setembro, se realizasse em Poços de Caldas.

Todavia mesmo debaixo de chuva e da ameaça de cassetetes os manifestantes não recuaram e concentraram-se em frente ao prédio da prefeitura a fim de participarem do evento, carregando consigo uma enorme bandeira com as cores do Brasil, alguns cartazes em prol do limite da propriedade rural e outros lembrando o descaso e a incompetência da atual administração para com os munícipes.

Lambanças da atual administração

Dentre outras lambanças, afinal são tantas que é até difícil enumerá-las, o “Grito dos Excluídos” destacou:

Caos do transporte público;

Demora na entrega do material escolar para alunos da rede pública municipal;

Aumento escorchante do IPTU camuflado na taxa de lixo;

Poluição da represa Saturnino de Brito;

Aprovação (por parte da Câmara com forte pressão do Executivo) do Paço Municipal em área de reserva ambiental;

Sucateamento da Festa do Uai;

Não negociação com os servidores públicos municipais sobre a data-base e tentativa de empurrar goela abaixo destes a alteração do regime jurídico para estatutário, num projeto recheado de inconstitucionalidades;

Descaso com os constantes incêndios na Serra de São Domingos;

Racionamento de água.


Manifestação

A PM e a Guarda Municipal a pedido do prefeito aprendiz de coronel, só liberaram a manifestação pacifica após o desastrado prefeito, mais os vereadores presentes ao evento e os deputados Geraldo Thadeu (PPS) e Carlos Mosconi (PSDB), ambos candidatos a reeleição em outubro próximo, terem se retirado do palanque donde haviam acompanhado os demais desfiles. Curiosamente antes do Grito dos Excluídos ter sua manifestação liberada, a frente do palanque foi tomada por cabos eleitorais do “Boneco de Ventríloquo”, Antonio Anastasia, portando enormes bandeiras da campanha do candidato a governador apoiado por Courominas, Thadeu e Mosconi.

Iniciada a manifestação o único vereador a presenciá-la foi o presidente da Câmara, Marcus Togni (PPS), justamente um dos defensores mais ferrenhos da construção do Paço Municipal, uma das principais criticas dos manifestantes nesse ano.

Sobre o tal paço, além do terreno adquirido para sua instalação ser uma área de reserva ambiental, há uma enorme duvida sobre sua viabilidade tanto política quanto financeira. Ainda assim o projeto assinado por Oscar Niemayer para a sede da futura Câmara Municipal custou ao povo de Poços a bagatela de 1,25 milhão de reais.

Imaginemos então: o quanto custará a construção em si da Câmara e dos demais prédio que o Paço Municipal deverá abrigar? Esse “quanto” é uma enorme incógnita, de cifra certamente exorbitante, para todos os cidadãos poçoscaldenses.


Fuga de prefeito, deputados e vereadores

O prefeito já era de se esperar que não ficasse, pois ele não gosta de ser contrariado. Mas os vereadores e deputados bem que poderiam ter-lhe dado exemplo de civilidade e respeito à democracia e esperado a passagem do Grito dos Excluídos.

Caso eu não esteja enganado, o único vereador a não subir no palanque ao lado do prefeito e dos deputados aliados da atual administração, foi o Professor Flávio Faria (PT), por sinal o mais coerente e combativo vereador da oposição nessa legislatura, uma das mais fracas da história política de Poços. Os demais vereadores estavam no palanque tentando tirar uma “casquinha” e foram embora antes da passagem do Grito dos Excluídos. Inclusive a pseudo-vereadora Maria Cecília Opípari, a Ciça do PSB – que se diz de oposição, mas adora posar em fotos ao lado do aprendiz de coronel e sempre se reúne com ele e a sua bancada de apoio no prédio da Francisco Salles, além de já ter declarado que a construção do Paço Municipal será positiva, pois este poderá se tornar mais um "ponto turístico" na cidade – correu e não quis presenciar a passagem dos manifestantes.

Aliás, essa menina é das mais oportunistas que já vi. Em sua campanha rumo a Câmara de Vereadores se portou como uma legitima demagoga, prometendo ações fora da alçada do edil e atacando histericamente a administração Navarro por todos os lados, muitas vezes com denúncias infundadas. Também chegou a se autodeclarar representante dos movimentos sociais sem, no entanto, jamais ter participado de qualquer um.

Encerramento

Mesmo sem o ato de civilidade e o conseguinte gesto de desrespeito à democracia protagonizada pelo prefeito, pelos deputados e pelos vereadores – a exceção de Marcus Togni – o Grito dos Excluídos seguiu adiante, cantando a simbólica “Caminhando e Cantando” e depois com palavras de ordem do tipo: “Cansado sou eu de ser explorado” – em alusão a implantação do SIGA(O)– e “um, dois, três, quatro, cinco mil, o Paulinho fugiu” para depois encerrar de maneira democrática e com efusivos aplausos da população presente a sua participação no 7 de Setembro.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas às 19:25 0 comentários Links para esta postagem

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

TERRA VIVA, GAIA

POSTADO POR IVALDO RIBEIRO

"aldeia-mundus777.blogspot.com"
"painel-mundus777.blogspot.com"


Vista do espaço a Terra é maravilhosamente diferente de todos os outros planetas do sistema solar. É por causas dessas diferenças que talvez seja o único planeta que existe vida, e ela se mantém já por bilhões de anos. Por exemplo, em Marte há muito pouco oxigênio e maior parte é constituída de dióxido de carbono, e praticamente não existe metano na atmosfera desse planeta. As reações químicas não acontecem há muito tempo, por isso há um total equilíbrio químico em Marte, ao contrario ao que acontece aqui na Terra, dessa forma é de fundamental importância à conservação da vida na terra, já que as plantas produzem constantemente o oxigênio que reagem a outros gases produzidos por outros organismos em constantes reações químicas (VIDA).


A Teoria de Gaia que a terra é um superorganismo vivo que se auto regula, com regras para sua própria sobrevivência e das vidas que dela dependem, em minha opinião procede, portanto a responsabilidade em proteger esse organismo cabe a nós. A Teoria de Gaia foi proposta em 1970 pelo cientista britânico James Ephraim Lovelock.

O nome "Gaia" teve origem na mitologia grega, nome da antiga deusa grega pré-helênica que simbolizava a Terra viva.


Todos os seres vivos têm a mesma base atômica, embora não tenhamos a mesma igualdade em função, por exemplo, um vegetal e um homem, um homem e gato, contudo o código genético é basicamente igual a todos, é composto com as mesmas letras em todos os seres vivos. Ora então estamos todos relacionados, quando nos alimentamos com um vegetal o nosso organismo assimila bem e o digere e faz com que prorrogamos a nossa vida. Quando um animal qualquer morre, e sua carcaça é enterrada o seu organismo se transforma parte da Terra alimentando os vermes que por sua vez serve de alimento para outros seres vivos, assim a Vida continua... E Gaia se transforma num grande organismo vivo por ser base da transformação da vida e suporte dessa vida.

A vida é realmente interrompida quando um ser vivo e incinerado nas queimadas agrícolas (Canaviais) ou queimadas das matas, elimina-se definitivamente os insetos, vegetais, animais, e seres do solo em definitivo: uma catástrofe.

Embora a maioria dos cientistas sejam ateus, nunca levaram em consideração a luz divina da vida, por essa razão levaram o nosso pequeno ponto azul a essa situação. Assim quando li sobre essa Teoria achei uma grande semelhança com os pensamentos de São Francisco de Assis que se igualava a todos os seres da natureza como irmãos, elos de vida e de dependência um do outro. Ele tinha a Terra como mãe e Os elementos na natureza como irmãos. Leiam abaixo uma parte do poema Cântico do Irmão Sol, a Terra nos Sustenta e Governa:



"Louvado sejas, meu Senhor,
Por nossa irmã a mãe Terra
Que nos sustenta e governa,
E produz frutos diversos
E coloridas flores e ervas "


A importância da água:
"Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água,
que é tão útil, e humilde, e preciosa e casta."

Por essa razão sem dúvida São Francisco foi o primeiro ecologista, que enxergou a nossa relação como todos os seres vivos e os elementos da mãe Terra.



O aquecimento global e suas conseqüências foram gerados pelo comportamento humano errôneo, mesmo que os cientistas não mencionam, É causa dos pecados do homem: ganância, avareza, egoísmo, vaidade, mania de poder e dominação etc.

A humanidade nunca olhou para si, não sei qual o caminho que homem queria e querem tomar com a poluição e a destruição do nosso pequeno ponto azul.


Segundo Lovelock, bilhões de pessoas morrerão e os poucos que sobreviver só encontrará condições de vida no Ártico. Afirma ainda que no final do século, a temperatura média aumentará em 8ºc nas regiões temperadas e nos trópicos até 5º c.

tornando a maior parte das terras imprópria para produção de alimentos, e inóspitas a populações.

"Temos que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve achar o melhor uso dos recursos que possuem para sustentar a civilização o máximo de tempo que puderem".

Sentenciou Lovelock.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

ENTREVISTA COM RICARDO HAUSMANN

O entrevistado é Professor em Harvard. É dele a afirmação:

O SUCESSOR DE LULA NÃO TERÁ A MESMA SORTE.

Entrevista de Érica Fraga - S.Paulo



"A grande SORTE do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor. Mas o próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte."
Com esse comentário, em entrevista à Folha, o economista Ricardo Hausmann, diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard e um dos mais respeitados especialistas em teoria do desenvolvimento econômico, encerrou uma série de críticas ao governo Lula.
Em 2008, ele escreveu o estudo "In search of the chains that hold Brazil back" ("Em busca das correntes que freiam o Brasil"), afirmando que a política de expansão fiscal dos anos recentes, alavancada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), é insustentável.
E, segundo ele, pode ter o mesmo efeito "desastroso" para a economia que a política externa de Lula teve para a diplomacia.

FOLHA - Houve avanços desde que o sr. escreveu sobre as barreiras ao crescimento no Brasil em 2008?
RICARDO HAUSMANN - Talvez você se lembre que [no estudo] eu era otimista sobre muitos aspectos estruturais do Brasil. O Brasil tem um setor privado muito forte, tem muito potencial de crescimento do investimento em muitas áreas promissoras.
Mas, nos anos de boom antes da crise de 2008, o Brasil era um dos países que cresciam às menores taxas na América Latina.
Minha avaliação era a de que isso se devia a uma taxa baixa de poupança doméstica, que exigia taxas de juros ridiculamente altas para evitar que a economia tivesse um aquecimento excessivo.
Aí veio a crise e o governo respondeu com políticas anticíclicas. Aumentou significativamente a oferta de crédito via BNDES e Banco do Brasil em um momento em que havia uma parada cardíaca financeira.
Diria que, de forma geral, a crise foi bem administrada. Mas o principal problema com muitos países, e o Brasil é um exemplo, é que, quando as coisas começam a parecer bem, eles se tornam arrogantes. Passam a acreditar num mundo de fantasia



O que o Sr. quer dizer com mundo de fantasia?
Só porque o Brasil teve por um trimestre uma taxa de crescimento acima de 7%, o Brasil agora é a nova China e o Lula é um gênio das finanças, e todos os problemas anteriores não existem mais porque o Brasil é um país diferente.
Há toda uma narrativa que tem sido criada por conta de alguns bons trimestres no Brasil que pode levar a políticas macroeconômicas muito inconvenientes. Essa narrativa é particularmente conveniente na época de eleições.
A primeira coisa que já está acontecendo é que a Selic [taxa de juros básica da economia] está subindo. Se você quisesse que a Selic aumentasse menos, a idéia seria compensar com políticas fiscais e de empréstimo pelo setor público mais estrito.
Porque, de certa forma, o Brasil é um país esquizofrênico. Você tem uma política fiscal em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio.
Essas combinações são particularmente perigosas porque deixam a Selic muito alta em um período em que as taxas de juros globais estão muito baixas.
Isso leva os investidores a pegar dinheiro emprestado em dólares, em ienes ou em euros para colocar dinheiro no Brasil, o que gera uma forte apreciação da taxa de juros e a possibilidade de desindustrialização.


A economia brasileira ainda é bastante fechada ao comércio exterior. Isso limita o crescimento de longo prazo?
Acho que o Brasil tem os produtos com os quais poderia ter uma presença muito maior no comércio internacional. Vocês são gigantes em agricultura, em mineração. Têm uma presença marcante na produção de aeronaves. Há uma atividade industrial vasta que poderia gerar uma presença muito maior. Mas a administração macro no Brasil tem sempre conspirado contra o potencial de longo prazo.
E isso continua acontecendo?
Em minha opinião, está piorando. Quando o Lula foi eleito, em 2002, houve uma crise econômica e ele foi muito cuidadoso ao dar confiança ao setor privado.
Agora, eles começaram a pensar que sabem mais e estão menos dispostos a serem cuidadosos. Estão se tornando mais ideológicos.
Do ponto de vista econômico, as políticas são insustentáveis como as adotadas na diplomacia.
Agora que o Brasil é grande, pode ir para a cama com o Ahmadinejad [Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã] no Irã ou hospedar o Zelaya [Manuel Zelaya, ex-presidente de Honduras deposto em junho de 2009] na sua embaixada em Honduras etc.
É uma atitude de que agora o país é independente, um poder diferente, e, portanto, pode confrontar o senso comum. Esse tipo de arrogância na política externa tem sido desastrosa.
E esse tipo de arrogância tem o perigo de ser igualmente desastrosa para a administração macroeconômica.
As pesquisas de intenção de voto mostram grandes chances de vitória da candidata do presidente Lula. O Sr. acha que isso levará a uma continuação dessas políticas que o Sr. critica?
Todo mundo sabe que o presidente Lula tem sido super popular e ele construiu um capital político enorme. Mas esse capital político enorme não se traduziu em nenhuma reforma significativa durante seu segundo mandato [2007-2010].
Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infra-estrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional.
Apesar do seu enorme capital político, ele não foi capaz de fazer nenhuma reforma significativa como as feitas pelo antecessor dele.
E, recentemente, ele tem se movido na direção contrária. A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor [FHC]. Mas o próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CADEIAS BOAS AQUELAS DOS ANOS 65/85

Oi,
Putzzzz, adoro esse povo criativo!!!


( CADEIAS BOAS MESMO ERAM AQUELAS DOS ANOS 65 a 85.)

ELAS SIM REABILITAVAM OS PRESOS.
MODELO BRASILEIRO PARA TODO O MUNDO.
NENHUM PAÍS CONSEGUIU REABILITAÇÃO IGUAL.
QUE MARAVILHA DE EXEMPLO.
ORGULHO BRASILEIRO.

ENTRARAM:
- GUERRILHEIROS,
- TORTURADORES,
- FRAUDADORES,
- TRAFICANTES,
- CORRUPTOS,
- ESTUPRADORES,
- LADRÕES,
- ASSASSINOS E
- SEQÜESTRADORES.
E SAÍRAM:
- GOVERNADORES,
- MINISTROS,
- PREFEITOS,
- DEPUTADOS,
- SENADORES,
- VEREADORES,
- UM PRESIDENTE,
- E UMA CANDIDATA A PRESIDENTE.

SE NÃO DÁ NO VOTO, VAI NO GOLPE

domingo, 29 de agosto de 2010

Se não dá no voto, vai no golpe

Fatos surgidos durante a semana deixam bastante claro que a oposição farisaica já jogou a toalha e sabe que está prestes a levar uma “surra de rabo de tatu” nas eleições presidenciais de outubro.

O intuito imediato agora é barrar a onda vermelha que ameaça varrer o país elegendo na maioria dos estados governadores aliados ao projeto petista, além de uma confortável bancada tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.

Mesmo que a oposição de direita consiga manter os governos estaduais de São Paulo – duvido que não haja segundo turno ali – e Minas Gerais – por ora há apenas a ascensão do “Boneco de Ventríloquo”, coisa já esperada, enquanto Hélio Costa continua a ser competitivo, algo que Serra, por exemplo, parece não ser mais no plano federal – será pouquíssimo se comparado à força que imaginava obter antes de deflagrada a campanha. A oposição farisaica corre o sério risco de se ver reduzida a pó.

Diante dessa iminência a oposição farisaica está apelando aos discursos mais baixos. E não me refiro a baixaria na internet ou no horário eleitoral gratuito, ela está apelando para novos e antigos subterfúgios e sofismas na busca desesperada de construir um discurso capaz de legitimar um golpe de estado.


O Partido do Capital – a mídia oligopolizada – sempre teve lampejos nesse sentido, seja na forma de denuncismo, principal artimanha desde a “crise do mensalão”, seja o flerte com o golpismo expresso no discurso udenista contra, por exemplo, o PNDH ou a Revisão da Lei de Anistia ou, ainda, os aplausos incontidos perante a judicialização da política.


Mas quanto ao PSDB, é difícil determinar quando definitivamente adotou essa linha (golpista) como estratégia política. Talvez tenha sido quando o presidenciável tucano cunhou o governo de Luis Inácio Lula da Silva como sendo uma tentativa de implantação duma Republica Sindicalista – exatamente o mesmo termo usado pela UDN e os militares em 1964 para derrubar Jango.

Já durante o 8º Congresso Brasileiro de Jornais, no dia 19 último, José Serra declarou para deleite da plateia presente: "Uma coisa é divergir de notícias, uma coisa é debater as notícias, outra coisa, completamente diferente, é usar a opressão do Estado... em função do partido"; e emendou ao tratar das inúmeras conferências promovidas pelo governo federal nesses sete anos do Presidente Lula: "Essa é uma via democrática de estabelecer o controle, porque as conferências pagas com o dinheiro público são de frações de partido, do PT, que é a favor disso". O tucano ainda acusou categoricamente os petistas de realizarem "perseguição sistemática e pressão psicológica" sobre membros da imprensa.

Tais declarações foram refutadas e dadas como fantasiosas pelo insuspeito Financial Times através de seu correspondente no Brasil, Jonathan Wheatley, curiosamente num artigo onde defende Serra como único capaz de retomar as “imperiosas” reformas iniciadas nos idos FFHH.

Talvez tenha sido no Congresso Brasileiro de Jornais que Serra deu o sinal de que, na impossibilidade de chegar ao poder através do voto, a coalizão conservadora da qual ele próprio é líder – PSDB/DEMO/PPS/CNA/Partido do Capital et caterva – deve se dispor a tomar o poder doutras maneiras.

Nessa semana que passou o Partido do Capital foi fértil em criar inúmeras teorias a fim de justificar uma ruptura democrática. Vários colunistas têm emprestado suas penas para alertar acerca do perigo de “chavinização” da política brasileira. Entretanto, na verdade, nem eles sabem ao certo o significado do termo que eles próprios insistem em forjar.

Numa delas Ricardo Noblat postou em seu blog um artigo de Sandro Vaia cujo teor acusa o Partido dos Trabalhadores de não saber lidar com as instituições democráticas, de aparelhamento do Estado – essa lenga-lenga é antiga, surrada e fácil de ser desmontada – além de não saber conviver com a oposição, chegando mesmo a querer dizimá-la. Esquece-se o jornalista conservador que o Partido dos Trabalhadores foi ao longo de 22 anos, desde sua fundação em 1980 até a eleição de Lula para a presidência da República em 2002, oposição sistemática aos diversos governos federais do período. Passando, e sobrevivendo, como oposição pelo Gal. Figueiredo, o último ditador do ciclo militar, pelos governos Sarney e Collor, pelo governo Itamar/FFHH e pelos mandatos presidenciais de FFHH, e enquanto tal jamais pregou a ruptura democrática. Muito pelo contrário, ao longo de sua trajetória foi aos poucos se submetendo ao status quo e se institucionalizando.

Na visão torpe e oportunista de Vaia, a continuidade do PT a frente do governo federal poderá colocar em xeque as instituições democráticas.

No sábado Serra surgiu novamente em cenário carregando o figurino “vivandeira de quartel” – Marco Aurélio Garcia já havia alertado sobre o fim melancólico do ex-governador de São Paulo. Leiam o que Serra foi capaz de dizer em encontro com associados do Clube Militar no Rio de Janeiro:

"Em 64, não sei se os senhores já estavam nas Forças Armadas, mas uma grande motivação da derrubada de Jango era a ideia, equivocada, de uma 'república sindicalista'. Não tinha menor possibilidade, tal a fraqueza (do governo)... Mas eles (PT) fizeram agora uma república sindicalista. Não pelo socialismo, estatismo, mas para curtir"

Tal declaração dispensa maiores comentários, por si só já é bastante didática e escancara o que passa pela cabeça da oposição farisaica.

Todavia nenhuma tentativa de golpe de Estado nesse país pode ser pensada ou aventada sem a palavra de Gilmar Mendes. E foi justamente ele quem retornou aos holofotes nesse domingo.

Em entrevista à Folhona Ditabranda Mendes fez inúmeras elucubrações sobre a suposta quebra de sigilo fiscal de pessoas vinculadas ao PSDB. Também referiu-se, ainda que disfarçadamente, ao PT como partido clandestino, acusou o governo federal de aparelhamento do Estado e ao mesmo tempo de usar de “paradigmas selvagens da política sindical”.

Em suma, tudo parece estar orquestrado para uma tentativa de ruptura democrática, resta saber se há na direita coesão e coragem para tanto.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

sábado, 28 de agosto de 2010

ÁGUA; VOCÊ SABIA QUE...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010


AGUA:Você sabia que...

Fonte. http://www.wwf.org.br

Que o Brasil é o país mais rico em água doce do planeta? Nada mensos que 13,7 % de toda água do mundo está aqui.

Que o Pantanal, no Mato Grosso do Sul, é a maior área úmida continental do mundo?

Que a Amazônia abriga as mais extensas florestas alagadas do planeta?

Que 70% das internações hospitalares do Brasil são causadas por doenças relacionadas à água?

Que em todo mundo, cerca de 10 milhões de mortes anuais resultam de doenças intestinais transmitidas pela água?

Que menos de 1% da água doce do planeta está disponível para o consumo?

Que em todo mundo, a irrigação na agricultura responde por cerca de 70% do consumo de água; 20% vão para a indústria; e os 10% restantes destinam-se ao uso doméstico?

Que no Brasil, a agricultura consome 70% da água, as indústrias, 20%, e as residências, 20% também?

Que cada minuto de banho gasta de 3 a 6 litros de água?

Que você economiza 70 litros de água se fechar a torneira enquanto ensaboa a louça?

Que o mau uso do solo nas regiões ribeirinhas é o maior causador das enchentes?

Que em todo o mundo, as enchentes causam perdas econômicas de cerca de cinco bilhões de dólares?

Que 40 milhões de brasileiro não têm acesso a água?

Que o uso de água mais que triplicou entre 1950 e 1980?

Que em São Paulo, 70% da poluição das águas é de origem doméstica e 30% de origem industrial?

Que o índice de desperdício de água no Brasil chega a 40% entre a produção e os domicílios?

Postado por Rivaldo R.Ribeiro

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

MUDAR O SISTEMA OU O BRASILEIRO?

Os brasileiros tiveram uma oportunidade para mudar o sistema de governo, mas, teimosamente, insistem no malfadado e corrosivo sistema presidencialista, que expõe todo o seu cancro nas chagas da corrupção abjeta. País algum irá à frente se enfrentar, a toda hora, em primeiríssimo lugar, essa prática que se transformou em "modismo"; segundo, enquanto cada cidadão, de per si, não sofrer uma metamorfose total - um banho de cidadania escorreita, sem nódoas, sem sobejos de antigos padrões e posturas cívicas - continuará a Nação a alimentar, desde as bases de uma sociedade caduca e viciada, o presidencialismo e todas as suas prerrogativas e conseqüências nocivas, viciadas a escamotear mentiras expostas, já, nas chagas do sistema em que navega. O fundo do oceano político brasileiro espera mais um naufrágio: o do sistema presidencialista, tão imprestável como o que sustenta as ditaduras retrógradas e violentas. A violência tem muitas faces, contudo disfarçadas por uma máscara de alfenim, onde um sorriso eterno engana os incautos, continuando de braços dados ao que é espúrio. Pensemos, quem sabe, em uma Monarquia Parlamentarista como já se tentou antes. Os melhores exemplos ai estão, capitaneados pelos países nórdicos. Mas... os brasileiros estão engessados à "camisa-de-força" do Presidencialismo e afeitos, quiçá, à corrupção endêmica.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

OBSERVANDO O BRASIL ATUAL

2010/08/24


Concordo plenamente com as perorações dos que se batem contra a atual situação do Brasil. Estão expostas, a quem quiser " ver", assertivas plenas de razões e de fundamentos.
Se você, leitor isolado a apartidário, se der o trabalho de acessar o meu Blog do Morani.blosgspot.com, e correr o mouse pelos anos 2008, 2009, e o atual, vai ler, ali, os comentários de blogueiros totalmente favoráveis a essa malta que se adonou dos destinos de nossa pátria para fazer dela covil onde se homiziam os piores pulhas, os mais facciosos grupelhos de "patriotas" dispostos a tudo para a perpetuação ao Poder, e os meus comentários sobre a atual situação brasileira. Não é possível que o nosso Alto Comando Militar, a nossa Cúpula formidável do nosso Exército brioso e glorioso deixe de formar novos oficiais ou lhes dêem respaldo a desmantelar esses projetos criminosos que pretendem para a nossa Nação. Uma vez vencido o próximo pleito, pela despreparada candidata do partido da Estrela Vermelha, estará definitivamente implantado no Brasil um regime pior que os piores existentes à face da Terra. Profetizo, e quero estar total e redondamente enganado, um lugar de destaque e de "relativo" Poder ao senhor Lula no "staff" da guerrilheira Dilma Rousseff - o de Ministro Chefe da Casa Civil - tal a sede de mando desse nordestino mistificador a quem deram todos os encômios galhofeiros, mas tomados pelo mesmo coisa verdadeira. "Esse é o cara!" tornou-se um dístico dessa bandeira enodoada pelos mais absurdos expedientes; os abusos ao erário público, às mais diversas finalidades, é tão factível, e com o aval dos nossos mais elevados Tribunais de Justiça e de Contas, que virou "brincadeira" e lugar-comum às práticas imundas e avessas a um regime democrático que se deseja para o Brasil.
Espero de nossas Forças Armadas a intervenção justa e necessária a que não nos tornemos outra Venezuela, uma pátria de um novo Id Amim Dada ou de um perigoso Pol Pot. O que aconteceu ao nobre escritor belga Yves Hublet? Como veio a óbito um cidadão ancho de vigor, saudável e pronto a retornar à sua pátria? Yves Hublet foi "deletado" em pleno coração do Brasil - Brasília - e pelos meandros dos escuros corredores do nosso governo, sem autorização familiar e do próprio extinto quando ainda pleno de vida, cremaram seu corpo. Quais desculpas têm para levar a efeito tal medida? Fácil: para serem apagadas todas as evidências de possíveis torturas e, finalmente, as causas últimas de sua morte. A um governo como o do senhor Lula, tudo é possível. Ele, não se deve esquecer, é "o cara" avalizado por um dos maiores mandatários do nosso planeta. Ele, Lula, acredita ter de Obama "licença" para prática dos absurdos escusos e condenáveis. Por muito menos o famoso nordestino Collor foi "cuspido" do Poder. Esse Lula é a reencarnação de Goebbels, que afirmava: "uma mentira muitas vezes repetida se torna verdade". E o que vemos em nossa Pátria? A evidência da presença do "espírito" do nazi-facismo, da expressão máxima de um regime intolerante e intolerável. Até quando?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

ALERTA Á POSTERIDADE

O Trio Força e Justiça contra a corrupção: Lula, Dilma e o candidato ao governo paulista (esqueci o nome do salafrário, ainda bem!).

Nota: Preparemo-nos para dias mais trevosos aos que já tivemos no governo da Estrela Vermelha. Arnaldo Jabour sofreu censura radical do Presidente Lula, que tem na pessoa do jornalista o Inimigo Público nº 1 do Brasil e não apenas dele. Você deve ter conhecimento desse golpe sujo. Se não der em seu site ou estiver em seu acervo, vai estar onde? Jabour, considerado prejudicial ao país, acabará por não ter um só veículo à sua disposição. Ditadura petista? Põe "dura" nisso. Vergonha é o nosso exército não se insurgir contra essa camarilha que desanda o nosso Brasil, que nos envergonha "compartilhando" da patifaria de um Lula e de uma Dilma, que foi uma das que combateram o golpe de 1964 com ações terroristas. Cadê essas vozes do generalato nacional? Cadê as verdadeiras "Estrelas" nas platinas de nosso Alto Comando? Cadê o nosso Alto Comando?

Abraços. Essa não valeu! Espero pelas vozes livres de um Brasil livre. A Bíblia fala dos 7 anos de Vacas Gordas na vida do Egito, e dos 7 anos das Vacas Magras no mesmo Império. Nós estamos nas Vacas Magras já há oito anos, e vamos caminhando para mais outros oito. Quem viver verá! Esse é o Período de nossa Idade Média quando campeou a total ignorância popular. O mando era só das elites e dos governantes - os únicos letrados de então. O Brasil precisa de uma Idade Médica e de uma Internação na UTI (eu diria CPI geral!)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

QUEIXAS E INSATISFAÇÕES

Boa tarde amigo:


Leio com atenção e interesse todas as notícias de seu site que a cada remessa se acha como o renovo de uma bela rama de urzes, de flores coloridas, a se estender nos moirões das fazendas. Fosse apenas isso e tudo estaria a contento, resolvido da melhor maneira possível, na paisagem bucólica aos olhos do leitor.
Falo do leitor atencioso que não passa por cima das notícias; mas, outras notícias enchem de ansiedade esses mesmo leitores ao se depararem com aquelas que abordam a nossa política temerária e temerosa. Quem está a frente delas? O nosso bom, capaz, inteligente e sábio Sapo Barbudo, ou Lula, como queiram os que já conhecem a minha aversão pela figura antidemocrática desse que se acredita o maior governante que este país ja teve. Entronizaram o homem errado, "O Cara errado. Deram a coroa do Poder ao faccioso, ao prepotente, ao amigo dos quadrilheiros e bandidos internacionais e se acham no direito de repetir a dose lutando para que brilhe em céus brasílicos e brasileiros a segunda estrela vermelha do PT: Dilma Roussef a quadrilheira, a terrorista, a criminosa comum que se alia às mentiras para se safar das verdades. Como o nosso povo é um povo desmemoriado - agora anda embriagado pela Bolsa Familia, mas esquecido do Primeiro Emprego, da Transposição do Rio S. Francisco, dos um milhão de casas (não de pocilgas sem conforto). Disseram que o brasileiro - e afirmaram isso com convicção - havia subido alguns patamares na escala social, que a pobreza havia acabado e que aquela fabricante de ociosos, que é a Bolsa Família, havia resgatado muitos à fome. Mentira! Nos monturos dos lixões por todo o território brasileiros, crianças, moços sem emprego, velhos estropiados com reles aposentadorias, senhoras doentes, grávidas, sem aqueles procedimentos normais a quem se encontra naquele estado estão lá, cavoucando os restolhos da sociedade muito bem posta, separando para refeições os restos podres que têm a "felicidade" de encontrar em meio aos objetos para reciclagem. Esse foi o patamar a que o governo Lula elevou o famoso IDH?
Pois é... Eu só queria entender, como diz o nosso esclarecido Gimenez em seu TV Vale Tudo, o site que se tornou um verdadeiro jornal londrino e suas "manchetes" escorreitas?
Diante de uma afirmativa do "Sem Dedo" de que daria opiniões no governo Dilma, essa se elegendo, me tirou toda a vontade de comentar quaisquer outros assuntos, que esses do Lula nos enchem as medidas e dá vontade de arrumar as malas - o Brasil está cheio de "malas - e cair fora! Maldito seja o dia em que a Estrela Vermelha desceu do Inferno - o Inferno não é em baixo e sim ao nordeste brasileiro - caindo em Brasília. E agora, esqueceremos a morte de Yves Hublet ou ficará como as outras já sabidas por todos nós, e que não vale a pena repisar? Vamos esperar.

sábado, 31 de julho de 2010

DATAFOLHA E O "VOTO ÚTIL"

sábado, 31 de julho de 2010

Datafolha e o “voto útil” para o governo de SP em 1998

E não é que os números do Ibope se aproximam mais dos divulgados pelo Vox Populi do que os do Datafolha!!!
Surpreendente!!!
Mas relembrando o passado e refrescando um pouco a memória, vamos a um episódio curioso ocorrido nas eleições para o governo de São Paulo no não tão longínquo ano de 1998. Naquele ano foram realizadas eleições gerais no Brasil e concorriam ao governo do estado de São Paulo, dentre outros, o ex-prefeito da capital Paulo Maluf (PPB), Mario Covas (PSDB) tentando a reeleição, o ex-prefeito de Osasco Francisco Rossi (PDT), o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) e a deputada federal em primeiro mandato Marta Suplicy (PT).
Para Paulo Maluf e Orestes Quércia não dispensarei maiores comentários. Francisco Rossi tinha como base de sustentação o segmento evangélico e garantia possuir dons metafiscos capazes até de suspender congestionamentos na grande São Paulo. Marta Suplicy, como dito antes, era deputada em primeiro mandato e se ancorava na boa atuação que tivera na Câmara dos Deputados, sobretudo em defesa dos direitos humanos. O seu grande cabo eleitoral era o então marido, o Senador Eduardo Suplicy. Claro que Marta tinha luz própria e pode parecer machismo de minha parte ligá-la assim ao ex-marido, todavia é impossível negar o papel importantíssimo que o Senador, àquela época em campanha vitoriosa pela reeleição, desempenhou na campanha de Marta.
A campanha se desenrolara com uma incerteza e duas seguranças. As seguranças: Haveria segundo turno e Maluf detinha cacife o suficiente para disputá-lo graças ao nicho do eleitorado que mantivera por décadas. A incerteza: quem seria o oponente de Maluf no segundo turno.
Covas eleito em 1994 para ocupar o Palácio dos Bandeirantes detinha baixos índices de aprovação ao seu governo e não conseguia transmitir ao eleitorado motivos plausíveis para continuar a frente do governo paulista. Marta contava com parcos recursos financeiros para uma campanha daquela magnitude e lutava contra a tradicional aversão que o eleitorado paulista nutre pelo PT. Quem surgia como favorito para disputar o segundo turno contra Maluf era Francisco Rossi, um demagogo com posições bastante conservadoras e um canastrão religioso (cristão).
Na antevéspera da eleição, numa sexta-feira, 2 de outubro, o Instituto Datafolha divulgou o seguinte resultado duma pesquisa sobre intenção de voto: Maluf,31%; Rossi,18%; Covas,17%; Marta,15% e Quércia, 6%.
Maluf, bem a frente de seus adversários, dificilmente perderia a passagem para o segundo turno. Já a segunda vaga encontrava-se em aberto e seria disputada entre Rossi e Covas, com aquele tendo ligeira vantagem sobre este.
A única salvação, apontada pelo Datafolha, para impedir um eventual segundo turno entre Maluf e Rossi residia nos eleitores mais atentos e que repudiavam tanto Maluf quanto Rossi, fazerem uso do chamado “voto útil”. Esse voto útil consistia em convencer os eleitores que originalmente intencionavam votar em Marta a votarem em Covas. E em boa parte, realmente, os votos de Marta migraram para Covas antes mesmo de a candidata petista recebê-los. Não foram poucos aqueles que acreditaram piamente no Datafolha e, cheios de boa intenção e com medo dum catastrófico segundo turno entre Maluf e Rossi, se utilizaram do voto útil em prol de Mario Covas.
Transcorrida a eleição no domingo, 4 de outubro, e iniciada a apuração o que se presenciou foi um cenário deveras diverso daquilo pintado dois dias antes pelo Datafolha. Se Maluf abria vantagem sobre seus adversários e se isolara na primeira posição como já se esperava, era Marta quem surgia na segunda posição tendo Covas em seu encalço e ambos deixando Rossi bem atrás.
A apuração, que naquele ano ainda era manual na maioria das localidades, prosseguiu em clima de suspense e com fortes emoções. No final Covas ultrapassou Marta e graças a míseros 0,9% de votos a mais se garantiu no segundo turno.
Veja o resultado oficial e note como ele difere do apresentado dois dias antes pelo Datafolha: Maluf, 5.351.035 (32,12%); Covas, 3.813.186 (22,95%); Marta, 3.738.750 (22,5%); Rossi, 2.843.515 (17,11%) e Quércia 714.097 (4,1%).
O Datafolha simplesmente não acertou um único resultado em cheio. E o pior, no erro mais grosseiro o instituto deu a Marta Suplicy 7,5% menos do que ela obteve, isso numa pesquisa realizada a menos de cinco dias da eleição. O eleitor de Marta confiante no Datafolha se viu na seguinte posição: escolher entre os males o menor ou simplesmente lavar as mãos. Dá pra imaginar, depois de abertas as urnas, a cara de idiota de muitos eleitores que ludibriados pelo Datafolha deram o “voto útil” a Covas na certeza de que Marta não tinha chances de ir ao segundo turno.
Não há dúvidas que o Instituto Datafolha interferiu na intenção de voto dos paulistas naquele ano. E interferiu a favor do então governador Mario Covas, um dos lideres do tucanato que corria o risco de entrar para a História como um governador que não conseguiu se quer passar para o segundo turno na sua tentativa de reeleição – seria vexaminoso.
Mais uma vez repito o que já venho dizendo há algum tempo. É impossível medir a credibilidade dos institutos de pesquisa, em pesquisas eleitorais, simplesmente por inexistir dados que comprovem, ou não, sua veracidade faltando tanto tempo para as eleições. Contudo nesse caso especifico, a credibilidade dos serviços prestados pelo Datafolha ficou em xeque.

Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

sábado, 24 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Bom... Já está de bucho cheio, né mesmo? Eu também. E para não haver demoras, entremos de peito outra vez nas passagens da guerra em Canudos. Até aqui, o negócio fedeu demais, conforme o senhor narrou ai em seu caderno, pois não foi? Estamos entendidos e entendidos vamos aos senões de outras desgraceiras.
Quero confessar aqui, a esta altura da narrativa que estamos quase ao seu final, como foi o final do cerco duro e das duras batalhas em Coxomongó, em 15 de setembro de 1897. O cerco durou até o dia 05 de outubro daquele mesmo ano, e foi lá que perdemos o nosso valente companheiro e bravo soldado Chico Danado. Danado o sujeito era. De valentia não se conhecia outra igual. Parecia um desesperado invadindo o redil dos revoltados jagunços à ponta de baioneta, furando, estripando, cortando e esmagando a coronhadas as cabeças de quem lhe caísse aos pés. Mas, infelizmente, Chico Danado no calor da refrega não percebeu que um dos que estavam tombados, gravemente feridos se sentou, e apontando o seu fuzil, roubado a um de nossos soldados, fuzilou pelas costas, quase encostado ao cano da arma, o valente Chico. Reparei ao olhar pra ele que sentiu não dor, mas uma surpresa dessas malditas. Arregalou os olhos, abriu a boca ao máximo, vomitando sangue, e caiu de borco, se misturando aos demais mortos. Naquele instante cruel se ia finando o nosso mais velho companheiro, o mais equilibrado na vida, porém o outro mais louco de todos nós. Corremos três dos seus amigos. Ele ainda nos olhava, pois restava um pouco de vida em seus olhos. A agonia foi grande porque nada pudemos fazer por ele. Antes de se finar em definitivo olhou a cada um de nós como se quisesse fazer uma pergunta, mas só disse, tossindo golfadas de sangue, uma coisa que pra nós foi uma revelação, a, pois se foi:
-To me indo... Me vou... Ai... Que pena... Como ta longe... Longe...
Pensei que o nosso amigo, que se finava, estivesse variando, como é justo a quem morre. Eu, então, arrisquei uma pergunta boba que só, com balas triscantes sobre as nossas cabeças sem proteção.
-O que é que ta longe, amigo?
-O... O para... iso ouviram? O Paraíso... Disse com espanto nos olhos.
E desse modo se calou pra sempre, e pra toda a eternidade, nosso Chico Danado.
Nessa mesma hora, iam por terra os quatro últimos bravos jagunços de Canudos, sendo um apenas molecote de pouca idade.
Estava terminada a última batalha, mas, porém, Canudos não se rendeu!
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F I M

ARREMEDO DE GUERRA

Mas deixe que te conte ainda, pra finalizar. O tal João de Deus, poderoso com a sua Ordem, deu de perseguir a SSS, igreja da qual saiu enxotado. Como fosse benquisto entre as autoridades, por que os pais eram, tinha influência nas eleições. Endinheirado, e dono de muitas terras, botou a polícia pra prender os pastores da SSS, a toazinha, por vingança. Ainda teve na cadeia pra mangar nas caras dos presos religiosos. A tal SSS se dissolveu; os fiéis se calaram de medo; a dois dos pastores foi dado fuga, pra modo do quê? Modo perseguir eles pelos interiores e acabar com eles. Foi. Mataram os dois maiorais. As mãos de João de Deus logo se mancharam de sangue de inocentes. Por fim, como eu já contei, ele se acabou de modo horrível. Marcou ai tudo direitinho? E a tal previsão de São Serapião de Canudos se realizou. Neste mundão de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, acontece cada uma, hein?
Pronto. Já disse tudinho. Não tem mais nada a juntar ai nessas linhas novas. Depois, eu me lembro de outras histórias, que são muitas meu amigo escrivão. Por enquanto, ficamos apenas nessa outra, que a primeira, a do padre mais Alísia foi coisa triste, igualmente. E como morreu o coitado do padre que me perseguia? Lascado em dois, como lenha seca que toma uma foiçada segura.
Só sei que quase todos os bandidos ou malvados acabam em desgraceiras. Lembras-te de Lampião e de seu bando? Morreram furados por todas as balas dos fuzis da volante lá nos esquisitos das caatingas. E tavam todos dançando alegrezinhos. A fuzilaria foi tão de repentemente que eles não tiveram nem tempo de se coçar. Depois de dias, arrancaram suas cabeças e levaram pra Faculdade de Medicina da Bahia. Puseram todas as cabeças, e o braço de Azulão, nuns vidros grandes cheios de um liquido amarelo. Conservaram todos assim, como azeitonas nos óleos próprios a elas.
Agora, senhor meu amigo, quem ta querendo um relaxo sou eu mesmo. A gente, e quando digo a gente, digo apenas pra nós dois, está precisada mesmo de parar por uma coisinha só, modo se comer alguma coisa que nos sustente e beber qualquer bebidinha por mais assadinha que seja. Quero dizer: que tal uma carne de sol frita nas brasas com umas e outras branquinhas? Ou tu preferes caldo de cana com a mesma carne de sol, ou, ainda, suco de alguma fruta ou água mesmo? Ta registrando tudinho o que eu to falando? Ta mesmo? Quero que até a nossa conversa mais particular, minha peroração no sentido de se mandar pro bucho algum comer bom e quente ao meu convite seja como fazendo parte da história. Isso fica bastante original, não? Pois! Todos ficarão sabendo de todas as nossas conversas e de minhas palavras sobre a maldita guerra de Canudos, o que foi como aconteceu, por que e o final que teve, sejam escritas na certeza do momento, ali na bucha! Como uma batida no cravo e outra na bigorna, tas entendendo? Então, sacode de lado o teu lápis, teu caderno aí e vamos pra dentro nos refestelar diante de um prato quente de fruta-pão acebolado, que já lhe sinto o cheirinho por toda a casa. Esta minha mulher merece aparecer na história, hein? Mas a minha vontade e meu bucho pedem é carne seca com qualquer bebida. Eita! Arrelie-se
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ARREMEDO DE GUERRA

Então o desgraçado e violento João de Deus, o que fez? Entrou ele mesmo em choque contra seus pais; se converteu pra uma igreja evangélica que os pais católicos abominavam. Só por birra, no começo. Depois, foi tomando gosto, foi se acomodando, foi vendo que tinha futuro como representante de Deus Nosso Senhor na Terra, foi tomando a frente da direção da igreja “Salve o Senhor Salvador”, a SSS. Então, ai é que dizem que o treco foi feio. Os homens, donos da igreja, não apreciaram o enxerido de João de Deus, que se dizia líder. Levou um pontapé nos fundilhos saindo sem eira nem beira do templo.
Por vingança, fundou a sua Ordem que se chamou “Ordem das Batinas Escarlates dos Santos Anjos”. As batinas eram todas elas naquela cor, pra ser diferente das dos padres romanos. Todos os seus seguidores recebiam novo nome, de anjos. Eram os seus noviços que habitavam o grande Mosteiro da Cacunda erguido há tempos por outros religiosos que foram perseguidos pelos portugueses. Coisa de muitas idades. E esse tal Mosteiro da Cacunda foi erguido num promontório de defronte para o mar alto, na Praia das Onze Horas, na Paraíba. É um localzinho abandonado, uma colônia de pescadores pobres nos cafundós do Judas. Sabe dessas praias desertas. A, pois era acolá.
Pois bem, os dois se separaram indo cada qual para o seu lado, mas dona Emma levou o filho Samuel. Fugiu para Portugal, sem que ele soubesse. Lá viveu até o garoto crescer e chegar a rapazinho. Enquanto isso, João de Deus comandava lá de cima do mosteiro algumas vidas dos moradores da colônia. Mas com o passar dos tempos ele foi fazendo besteiras; engravidou uma servente, que era a única moça no mosteiro, matou um dos noviços e foi morto pelo irmão do noviço finado. Tudo de repente, depois que a mulher lhe fugiu pela segunda vez mais o filho Samuel que não queria ir. Por fim, o moço que acabou com aquilo tudo era o mais fiel seguidor de João de Deus. João de Deus intoxicado pelo veneno poderoso de dois grandes escorpiões que o moço colocou em sua roupa, enquanto ele dormia, desceu promontório abaixo se rasgando todo nas lâminas afiadas das pedras. Em desespero, se jogou no seu bote, mas uma onda forte jogou barco ele e tudo o mais pra riba das rochas. Ele bateu em cheio sobre as pedras afiadas e logo o sangue na água atraiu os tubarões. Foi comido pela metade; a outra metade voltou pra riba das rochas negras jogada por outras ondas. O moço que restou tocou fogo a tudo! Foi uma fogueira de fazer inveja a muitas das festas dos santos.
Quer, por acaso, história mais triste e esquisita do que essa? Não sei que fim levou a tal senhora Emma nem o seu filho Samuel. Se estiverem no Brasil ou se voltaram pra Portugal ignoro. E dizem, até os dias de hoje, que está lá toda a ruína.
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terça-feira, 20 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Pois assim o causo: havia a alguns anos vivendo na grande fazenda dos pais, que eram proprietários de mais duas e de uma usina de cana, um moço de nome João de Deus que era o nome dado em pia batismal em louvor ao maior Espírito Santo, o Senhor Nosso Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. O menino havia nascido numa das fazendas em Pernambuco com sério problema de saúde. Quase morreu o bichinho enquanto ainda era pequerrucho, como saíra da barriga da mãe. Então a fazenda inteira, quero dizer todos os moradores, donos e colonos, e escravos, caíram em rezas diárias com visitas de Santa Maria à casa grande, simpatias de pretos velhos de lá mesmos.
Chegou-se até a uma procissão em dentro das terras. Pois sim, foi mesmo, pelo que soube por um dos conhecidos dos dois sábios profetas dos sertões, sendo um Elias Pantaleão, diz-se o mais letrado dos dois, e o outro Isaias, de mais em idade.
Pois o pequerrucho não é que se saiu bem daquela situação difícil? Ele não conseguia respiração direita ficando roxinho, roxinho, e quase se afogando sem ar. Tu já viste alguém se afogar sem ser na água de um rio, de um lago ou lagoa, ou de um mar? Pois eu nunca que vi, mas o bichinho estava, sim, morrendo. Foram tantas as rezas, as procissões, as simpatias, e os jejuns forçados aos colonos e escravos, que desceu do céu algumas coisas que curou o menininho em poucas semanas. Logo, logo estava saltando por cercas, nadando nos açudes, montando nos lombos puros de cavalos, aporrinhando os filhos da escravatura das fazendas, se enxerindo desavergonhado às mucamas das casas grandes e das menininhas dos colonos. O que parecia defunto, logo se aprumou dando uma de galo e dono do galinheiro. Corisco de garoto, contava-se. Tudo da boca de Elias Pantaleão a um meu companheiro de lutas em Canudos, que eu não disse. O outro profeta, Isaias, carregou consigo no seu embornal uma predição de um outro sujeito profeta que viveu e morreu lá na vila de Canudos. Nunca que se viram tantos profetas nascidos a um só tempo. A, pois foi sim. Bem, o tal menino doente demais se curou de todos os seus males. Diziam que fora o Capeta que pegou ele no ventre ainda da mãe e o tomou pra si.
Acredito não, nadinha nessa história de Demo em luta com o feto no bucho de sua mãe. São coisas de Trancoso, podes crer. Pois vamos adiante. O moço se tornou um homem letrado, forte, belo, figura impávida de homem, rico e logo arranjou paixão de muitas mulheres, muitas mesmo. Dizem que tantas quantas são as estrelas do céu. Também, outra mentira escabrosa. Não dou à mínima. Pois o rapaz escolheu a sua, aquela filha de fazendeiros, ricos também. Juntou, então, a fome com a vontade de comer. Emma, com dois “emes” era o seu nome. Bela mulher, do tipo artista, bela estampa de cabelos longos e de olhos bonitos, e mais longos os olhares para o tal João de Deus. Casaram. Viveram bem uns anos. Depois que lhes nasceu o único filho, nomeado Samuel, começou as desavenças; os ciúmes de João de Deus e as imprecações contra ela e as ameaças, e as pancadas, e as promessas de nada lhe dar de sua fortuna que ele – não pensasse ela – iria sustentar a ela e ao seu vagabundo amante. Era por ela ser linda demais de chamar a atenção dos cabras.
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Vamos fazer uma pausa de novo nesse de guerras, que já sinto calafrios só em pensar nas abelhinhas quentes e brilhosas que nem brasas passando por de riba de nossas cabeças. Tenho um causo a contar de muita seriedade mesmo que se sucedeu numa praia bonita da Paraíba. Se contavam muito por aí pelos nossos sertões do Cariri, Pão de Açúcar, Orós, Mossoró, mesmo em Cabedelo, em Vitória de Santo Antão e num mundéu de lugares esquisitos perdidos por esse mundo afora dos interiores nordestinos. Vejas tu como são ricos de estórias nossos lugares. Não sei se por causo dos calores que dão por lá que endoidecem os miolos dos jagunços, dos negros dos eitos e cafuzos dos engenhos de açúcar. É uma tralha de causos que confundem as gentes. Esse então, puff! É coisa de arrepiar, mas o fundo dele tem um poucochinho de romance de amor mal resolvido, de pendengas, de cornadas, dizem, não sou eu quem ta falando, de raiva de um pai pela mãe de seu filho inocente.
Foi que foi uma coisa feia o final de tudo, mas, porém boto a culpa, um pouco, na mulher do tal que acabou com tudo o que era seu, por bobagem.
Tu podes bem botar aí também nessas linhas de teu caderno que eu quero que faça parte da estória, aliás, história, pois não foi assim que eu disse que seria a minha também? Historia é história, e estória é outra coisa pelo que me parece – uma invencionice tirada muitas vezes das de Trancoso, modo fazer frenesi na mulherada e nas crianças inocentes e que em tudo acreditam como sendo verdade. Mas, porém essa que eu vou narrar foi verdadeira sim. Foi numa praia bonita com um rochedo alto e negro, de rochas afiadas que nem navalhas e de areias branquinhas como sal e o mar azulão, azulão de bonito e areias brancas da Praia das Onze horas.
Tudo se passou numa colônia de pescadores, já disse. Gente fina, esses tais pescadores daquele lugar. Já travei amizades com muitos safados que se fingiam ir pescar, mas levavam escondidos, nas barrigas de seus barcos, quengas sem vergonhas que dali a nove lunações aparecia com os buchos estufados e com os umbigos que mais pareciam cabeços de limão galego de tão grandes que se mostravam por debaixo dos vestidos justos. Era a porcalhada das desocupadas, sem serviço doméstico, a sacudir as varandas das saias pra riba só pra mostrarem aquelas partes cabeludas de entre as coxas. Os bichos bobos dos pescadores ficavam ufanos delas mostrarem tudo a eles assim à luz do dia. Umas, diziam eles, eram lisinhas que nem bundinha de criança nascida de véspera, sem cabelo algum.
Pois bem: foi nesse cenário pacífico, sem lutas feias no entremeio, que se passou o causo que vou te contar. É de se chorar bastante. Teve de tudo: traição dentro do mosteiro, que foi num que se deu o causo, morte matada e morte matada e morrida, ao mesmo tempo. Tu só vais entender quando eu terminar, mas por enquanto tu escrevas ai em teu caderno, que vale à pena sim senhor. Não contaria nada que não valesse à pena aparecer em meu livro. Depois, a gente dá uma marcha à ré e retorna pras batalhas que essas não me esquecem, nunquinha. É pra ficar de vez por todas na cachola.
Até que eu gostaria de nem lembrar mais, pra ter paz de vez e descansar as noites.
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domingo, 18 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Pois é assim, meu amigo. A seca é a maior desgraça que se pode ter sobre nossas cabeças; pior, muito pior, do que uma guerra como essa em que eu estive nos fins do século passado. Os generais faziam uns planos amalucados de se chegar acolá dar uma meia dúzia de tiros de obuses, uma carga em cavalos e de baionetas caladas e, de pronto, tava que tava tudo resolvido. Mas quê! Eles pensavam que seria dessa forma, mas não sabiam se os jagunços e Antonio Conselheiro iam acatar esses planejamentos feitos sobre uma bela mesa de jacarandá, numa sala de muito espaço pra se andar de lá pra cá e de cá pra lá, pensando, aprimorando ataques, estudando os terrenos etc., pra depois estudar tudo de novo, novamente, debaixo das barracas, já então lá nos campos de batalhas, às vezes com a fuzilaria sobre as cabeças nossas.
Por isso afirmo: as gentes de Antonio Conselheiro e seus comandantes estavam a léguas à nossa frente em matéria de combate, de ataques repentinos, de violências e de sangüinolências adoidadas. E as táticas que eles usavam de encontro a nós? Coisa louca de se saber e de se ver.
Então, essas coisas todas acontecidas acolá nas terras da Bahia, bem lá pra cima por onde passa o Rio Vaza-Barris, não são nada em conformidade com as secas. E olhe que foram muitas, sendo a pior a de l898 que foi a mais braba que já tivemos. Ali só faltou um homem comer outro ainda vivo, casca de pau, pedra e o mais que aparecessem por diante dos famintos.
Eu, aqui, ia falar mais sobre Antonio Vicente Mendes Maciel, o talzinho profeta dos jagunços, mas não me aperreia se não fizer porque já ta no outro livro, sem dúvida, do tal jornalista do Rio de Janeiro, que nos mirou de cara feia em quando nos chegamos a ele por um momento de sossego na frente de batalha. Ninguém nunca que viu o cabra Maciel, digo de nós soldados, e nem se viu como ele se finou. Morreu, foi dito, e está bem morto. Soube que a cabeça dele foi cortada do corpo e levada aos doutores de ciência pra estudar o cérebro do dito cujo. Que é que pensaram em achar lá dentro dos miolos murchos? Os pensamentos dele? As idéias que ele tinha pro seu povo? Vejas tu se lá encontraram alguma coisa de raiva contra a República... Encontraram? Puff! Nada que nada. Esses doutores têm cada uma que parecem duas. Onde já se viu o cérebro mostrar as suas verdades e mentiras? Aquilo é igual como o dos bois, dos porcos, das galinhas... Tudo em igual, sim senhor. O que é que se tem dentro daquela massa molenga? Hein? Eu que já vi pelos campos ela saindo dos quengos dos soldados mortos, não via nada. Era um ajuntamento de dobras que se parecia com as nossas tripas, isso lá é verdade. Vi muita, também, saindo devagar pelos buracos que as parnaíbas faziam nos buchos dos nossos soldados. Vi coisa demais da conta, meu, e te juro: quero mais ver nunca não. Você passa dias sem querer botar um comer na boca e se fizer joga tudo em fora numa cascata de fedor que não se agüenta. Vi muitos cabras assim, redobrados por sobre as tripas e de bocarras abertas, jogando o caldo quente pro chão. Nojentos das moléstias. Eu não; eu me preveni. Não comia nada, mesmo por que não tinha no rancho.

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sábado, 17 de julho de 2010

MÍDIA OLIGOPOLIZADA X ZÉ POVINHO

sábado, 17 de julho de 201



Está declarada a guerra. O Partido do Capital (mídia oligopolizada) volta todo o seu aparato contra a candidatura Dilma Rousseff. Mas, O Partido do Capital já não havia declarado essa guerra há algum tempo atrás, desde que Dilma passou a ser reconhecida como a candidata escolhida por Lula e pelo Partido dos Trabalhadores? Sim. Entretanto acontece que agora a campanha, de ambas as partes, é oficial.

Em editorial desse sábado o jornal “O Globo” – intitulado singelamente de “Sindicatos cooptados lutam por votos” – usa o termo neopelegos para tratar as centrais sindicais. Faz todo o sentido, afinal as principais centrais sindicais redigiram no final de semana passado documento cujo teor torna nítida as mentiras decantadas por José Serra, o candidato oficial do Partido do Capital, quando o ex-governador de São Paulo tenta em vão assumir a paternidade do FAT (Fundo de Amparo aos Trabalhadores) e do Seguro-Desemprego. Então para desqualificar as centrais, nada melhor do que tratá-las como pelegas.

Mais. No pano de fundo está à visão turva de quem não sabe o que é democracia ao não aceitar o fato de essas centrais estarem em campanha aberta pela eleição de Dilma Rousseff. Isso é algo inadmissível para “O Globo”, para a família Marinho, para seus asseclas e para a elite nacional, acostumados a uma democracia meramente formal, de plástico, sem alma, enfim, uma democracia sem povo. O que essa elite defende é a antítese da democracia substancial apregoada por pensadores do quilate de Bertrand Russel, Jean Paul Sartre, C. B. Macpherson, Paulo Freire ou José Saramago. Na democracia formal o povo é convocado para apenas referendar as decisões já tomadas pelas elites dominantes, à participação é restrita a mera filiação em sindicatos, partidos políticos ou outras associações e a democracia só existe do portão da fábrica para fora. Associações políticas são aceitas desde que elas próprias reflitam o establishment.

Para o Partido do Capital, personificação dos anseios e preconceitos da elite dominante e da pequena burguesia reacionária, o governo Lula – mesmo possuindo aliança estratégica com alguns dos setores mais atrasados da sociedade brasileira, por exemplo, Sarney, Calheiros, Collor, IURD, agronegócio et caterva – tem o poder simbólico da chegada do povo ao poder e em grande medida a democratização desse poder. Ou não foi no governo Lula que se realizaram milhares de Conferências Nacionais sobre os mais diversos assuntos, algo impensável há poucos anos? Não foi, também, no governo Lula que se verificou maior acesso a terra e moradia digna através de financiamentos só possíveis graças à ação do Estado? Ou não foi o governo Lula que adotou uma política de valorização do salário mínimo? (E nos esqueçamos do discurso de direita que durante décadas viu justamente no salário mínimo o vilão de inflação, mesmo depois de esta ter sido debelada.) Não foi no governo Lula que o acesso à universidade e coisas mais trivias como, por exemplo, luz elétrica e três refeições por dia se tornaram possível para milhões de brasileiros?

Tudo isso é inadmissível para uma elite acostumada a monopolizar o poder e que na última década foi obrigada a engolir ascensão do “Zé Povinho” e a dividir esse poder com ele. É inadmissível a ascensão social de uma antiga classe de miseráveis e todas as consequências, no presente e no futuro, que essa ascensão acarretará consigo.

Na guerra declarada pelo Partido do Capital, o Presidente Lula e as centrais sindicais põem em risco a democracia (formal) brasileira ao tomarem partido e escancarar sem pudor o nome de sua presidenciável. Não à toa que a Folhona Ditabranda destacou afirmação de Alejandro Aguirre, presidente da obscura Sociedade Interamericana de Imprensa, na qual o até então ilustre desconhecido afirma que governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não pode ser chamado de democrático".

Não por acaso o mesmo ilustre desconhecido também compara Lula a Hugo Chávez, Evo Morales e Cristina Kirchner, governantes que de forma similar, embora em maior ou menor intensidade, e pragmática lançaram seus respectivos países num processo inédito de democratização do Estado.
Postado por Hudson Luiz Vilas Boas

ARREMEDO DE GUERRA

Agora nem um só cabra daqueles poderia se desculpar de muito lutar nas frentes, laterais ou nas traseiras dos combates. Estavam todos arregalados de tanto ingerir os bens preparados comer pelos taifeiros que se desdobravam pra aproveitar tudinho sem sobejo que se jogasse em fora ou que se fosse obrigado a dar aos cachorros que zanzavam por lá. Acoitado em lugares escondidos muita vez vi gente caçando cachorro pra fazer um ensopado. Vi sim senhor, pois esses dois olhos não me enganam a ponto de eu julgar mal meus companheiros comendo coisas, acho que proibidas pelos princípios da ciência da higiene. Se pensando bem, muito da conta: nas grandes secas já se comeu até calango, desses de parede, cachorro, gato, papagaio e já ouvi de falar: até urubu. Urubu, sim senhor. O cabra comia e logo depois se finava; a, pois, como não? Urubu é coisa que se mande pros buchos? Mas a fome não rejeita nem enjeita qualquer coisa que respire. Rato da caatinga... Já ouviste falar: Já né? A, pois, então: até os roedores não escaparam das caças. Com cuidados exagerados se limpavam eles, se assavam nos braseiros e se comiam com estalidos das línguas. Não se passou o comer às palmas que apenas são guardadas pros gados? Pois foi. O senhor iria se renegar de um pitéu daqueles num momento em que a barriga encostava lá atrás na coluna vertebral? E as macaxeiras bravias? Era colher, limpar, por pra cozer e mandar pra dentro. As barrigas cresciam tanto que pareciam bexigas de se soprar. E lá se iam os pobrezinhos de barriga entupida, mas sem almas.
Há quem me fale de canibalismo! Sabes o que é? Ah... Então: se comiam uns aos outros, mormente se fosse criança pequenininha de carne macia. Os velhos ficassem sossegados, que não se desejavam as suas carnes enrugadas e duras não. É... A fome faz o homem virar animal, monstro sem raciocínio, desequilibrado. Veja os acasos de uma existência numa terra esturricada sem uma cacimba, sombra ou sem um pé de fruta. Muita gente enlouqueceu, ficou lelé da cuca, depois que comeram os filhos ou algum parente novo nas carnes. Não foi assim em antigamente nos primeiros tempos do homem sobre os chãos deste planeta? Foi não? Foi sim. O cabra dessas novidades tinha o respeito de todos e o que ele falasse era tido e havido como verdadeiro, sem quizumba ou sem descrédito. Foi. Foi sim. Boto a mão no fogo pelo cabra dessas novidades. Tião Tinhoso era o seu chamar – o nome da pia batismal. Contou tão bem contado e com aparência serena que nem os olhos piscavam, mas, porém sempre cheios dágua. Ele contava nos olhando firme dentro dos nossos olhos. Quem havéra de duvidar? A gente via isso nas grandes secas... Falava. E tome sofrer, e tanto, que até Tião Tinhoso, mais a família, comeu o netinho. A mãe, sua filha, não apetecia em principio, mas vendo que se ia acabar o jantar aceitou, e ainda achou que tinha posto no mundo uma coisinha de delícias. Coitadinha. Depois enlouqueceu e, teimosa, preferiu ficar deitada no chão seco sem marchar mais. Muito tempo depois acharam só o esqueleto dela, sim, eles mesmos, na marcha de volta. É assim, a maldição das secas brabas: pra nenhum cabra valente botar defeito. E se fizesse o contrário... Se fizesse! Ah, que era o fim de todos.

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quinta-feira, 15 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Não foi assim em antigamente nos primeiros tempos do homem sobre os chãos deste planeta? Foi não? Foi sim. O cabra dessas novidades tinha o respeito de todos e o que ele falasse era tido e havido como verdadeiro, sem quizumba ou sem descrédito. Foi. Foi sim. Boto a mão no fogo por ele, o dono dessas novidades.
Tião Tinhoso era o seu chamar – o nome de pia batismal. Contou tão bem contado, e com aparência serena que nem os olhos piscavam, mas, porém sempre cheios dágua. Ele contava nos olhando firme dentro dos nossos olhos. Quem havéra de duvidar? A gente via isso nas grandes secas... Falava-se sim senhor... E tome sofrer, e tanto, que até Tião Tinhoso, mais a família, comeu o netinho que já não ia muito bem lá das perninhas a quase entregar a alma a Nosso Senhor. À mãe, sua filha não apetecia, em principio, mas vendo que se ia acabar o jantar aceitou, e ainda achou que tinha posto no mundo uma coisinha de delícias. Coitadinha. Depois enlouqueceu e, teimosa, preferiu ficar deitada no chão seco sem marchar mais. Muito tempo depois ao retornarem ao lugarejo assombrado, que passaram a dizer ser ali lugar de assombrações, foi achado só o esqueleto dela, sim, ele mesmo, na marcha de volta. Era ela sim pelas roupas em trapos espalhadas em derredor. É assim a maldição das secas brabas pra nenhum cabra valente botar defeito. E se fizesse o contrário... Se fizesse! Ah, que era o fim de todos.
Se houvesse comer, as gentes torciam pra morrer logo um deles. Assim o sobejo do que se finou era repartido pelos demais. A fome é pior agrura que uma pessoa pode sentir. Ela te faz virar cão faminto, lobo, lobisomem, tanto que as crianças, já entendidas de fome e de necessidades se botavam longe dos adultos. Iam seguindo os da frente, mas prontinhos a darem nos pés em carreira desabalada pra fugir de virar pitéu.
E os da frente, os que abriam caminho pro restante da família, encompridavam os olhos fundos pro lado das crianças, mas sempre dando preferência por aquelas que além de estarem pesando na economia do bando, tavam já quase batendo as canelas não servindo pra mais nada a não ser pra comer.
Olhes tu que o sofrimento dos pais, irmãos, tios e avós; esse é o mais dorido possível de se suportar. Mas havéra Nosso Senhor de condenar pro fogo eterno dos Infernos essa gente faminta que comem os seus? E em antes, não era assim, como eu já perguntei? Repito: era sim, e não é pra desculpar aqueles homens tipo macacos daquelas épocas de muita fome, poucas armas de caça, que muitas vezes os caçadores viravam os caçados pelas feras.
E não é de se dizer que eram apenas alguns não. Em quase todo sertão logo faltaram os calangos, os gatos, os cachorros, os ratos famintos também, e o que corresse sobre quatro patas, tivesse rabo ou não, comesse comer limpo ou não. Não te já falei dos que comeram urubu? Pois encheram as suas barrigas, mas, porém por outro lado, encheram a pança da terra de defuntos. Valeu à pena o canibalismo? Em épocas de seca vale tudo, assim como os bichos leões papam os seus filhotes sem pena. Ora, pois.
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ARREMEDO DE GUERRA

E quê! No sossego nos fartamos de comer e ainda sobrou um tanto, que era pros generais e coronéis. Os ossos dependuraram pra fazer caldo com farinha, depois. Sabes né: deixavam água a ferver nos panelões. Os tutanos iam se derretendo e engordando os caldos. Era só jogar a farinhada e estava pronto o pirão! Era de se lamber os dedos e os beiços. Ah... Fartamos todos de comer. Assim, sim, podemos pegar numa arma de fogo e morrer pela República. Já que podemos tombar pra sempre, melhor que seja com o bucho cheio e a garganta molhada. Coisa desejo não: é morrer de bucho vazio e com sede. Estando tudo satisfeito nesse forrar de comer e de beber, morro em paz e feliz. O senhor me veja o que somos capazes de falar sem em antes pensar: alguém pode morrer feliz? Em paz até pode, mas feliz? Ó infeliz!
Agora nem um só cabra daqueles poderia se desculpar de muito lutar nas frentes, laterais ou nas traseiras dos combates. Estavam todos arregalados de tanto ingerir os bens preparados comer pelos taifeiros que se desdobrava pra aproveitar tudinho, sem sobejo que se jogasse em fora ou que se fosse obrigado a dar aos cachorros que zanzavam por lá. Acoitado em lugares escondidos, muita vez vi gente caçando cachorro pra fazer um ensopado. Vi sim senhor, pois esses dois olhos não me enganam a ponto de eu julgar mal meus companheiros comendo coisas, acho que proibidas pelos princípios da ciência da higiene. Se pensando em bem muito da conta: nas grandes secas já se comeu até calango; desses de parede, cachorro, gato, papagaio e já ouvi de falar: até urubu. Urubu, sim senhor. O cabra comia e logo depois se finava; a, pois como não? Urubu é coisa que se mande pros buchos? Mas a fome não rejeita nem enjeita qualquer coisa que respire. Rato da caatinga... Já ouviste falar: Já né? A, pois então: até os roedores não escaparam das caças. Com cuidados exagerados se limpavam eles, se assavam nos braseiros e se comiam com estalidos das línguas. Não se passou o comer às palmas que apenas são guardadas pros gados? Pois foi. O senhor iria se renegar de um pitéu daqueles num momento em que a barriga encostava lá atrás na coluna vertebral? E as macaxeiras bravias? Era colher, limpar, por pra cozer e mandar pra dentro. As barrigas cresciam tanto que pareciam bexigas de se soprar. E lá se iam os pobrezinhos de barriga entupida, mas sem almas.
Há quem me fale de canibalismo! Sabes o que é? Ah... Então: se comiam uns aos outros, mormente se fosse criança pequenininha de carne macia. Os velhos ficavam sossegados que não se desejavam as suas carnes enrugadas e duras não. É... A fome faz o homem virar animal monstro sem raciocínio equilibrado. Veja os acasos de uma existência numa terra esturricada sem uma cacimba, sombra ou sem um pé de fruta. Muita gente enlouqueceu, ficou lelé da cuca, depois que comeram os filhos ou algum parente novo nas carnes.
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sexta-feira, 9 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Eu tava que tava agindo e anuindo a eles no afã da refrega endoidecida demais com entrechoques de baionetas e parnaíbas, facões e foices, ancinhos e enxadas, achando no caminho corpos cantis e cartucheiras, furando, sangrando, trespassando, como as carnes de churrascos e o sangue golfando de tudo que era parte. Debaixo dos pés eu me sentia escorregar num monturo de gente gemedora e outras silenciosas. E ia abrindo caminho entre espinhos e gente espinhosa, lesado da cabeça, sem medo algum, mas desejando no calor da luta a sobrevivência, que irmanavam todos ali. Era tudo igual: soldados legalizados e jagunços. Já não se sabia quem era quem, nem o que se desejava em meio a tantos gritos, troar de canhões, “ta-ta-ta-ta-ta” da metralha ensandecida, “boom”, das granadas estraçalhando e dividindo gentes, em antes inteiras pegadas na surpresa das explosões, saraivada e ricochete das sobras dos petardos. Cavalos do exército republicano se esvaindo em sangue, destripados que nem carne de boi nos açougues de olhos assustados e esbugalhados com patas ferindo os que passavam perto. Foi uma desgraceira do diabo! A gente carecia vencer aquela com bravura, e bravamente fomos se infiltrando no meio da jagunçada apalermada e descontrolada, por ver tanta bravura nos cabras fardados. Aí, então, houve uma retirada estratégica dos sertanejos. De repentinamente se sumiram entre as vegetações baixas. Já escurecia e a chegada da noitinha ajudou a maioria deles. Fugiam não por medo, não mais que por ordem de gestos e de sinais dos comandantes enredados nas lutas corpo-a-corpo. Irra! Povinho disciplinado aquele.
Depois se procedeu à contagem dos abatidos deles e dos nossos. Se não foi equilibrado, quase que foi. Muitos dos nossos no chão estavam feridos: uns de leve, mas sem meios de se erguerem; outros já no fim, esticando as canelas. Houve uma confraternização de alegria; sorrisos de bochecha a bochecha; sentimento de vitória pouca, mas pela primeira vez não se bateu em retirada. Era vencer ou morrer, e ninguém pensava em sair dali vivo sem dar vitória ao exército legalizado. Questão de honra bem honrada. Era pra cambada do arraial ver quem eram os soldados: tão valentes como eles. A, pois nos juntamos de novo os quatro companheiros:
–Não dói nada a tal morte, sabes? Comentou Chico Danado.
–Mas você, seu maluco, nunca antes morreu como sabes? Perguntou Antonio.
–Mas pouco me faltou pra me acabar, e se tivesse acontecido eu nem sentiria, te juro.
–O talzinho do padre ficou lá no meio dos finados. Uma foiçada abriu ele do ombro até a cintura. Uma só, que eu vi. O coração chegou a saltar pra fora, ainda batendo. Acho eu que ele descarregou toda a sua raiva de ti, mano Bé, nos homens que matou. Acabou-se. Falou cansado Chico Danado.
Pensei que realmente tinha terminado o sofrimento do padre que era maior do que as balas, chuchadas ou foiçadas que levou. Pois lá ele estava, e carecia de encontrar o pobre e dar uma cova de cristão. Custamos, mas encontramos o desinfeliz. Estava por debaixo de um monturo de corpos dos nossos soldados e dos jagunços. Arrastou-se ele e cavando uma sepultura colocamos o finado dentro e tapamos com pedras e terra batida, bem batida. Quando terminasse aquela guerra do Demo, ninguém mais saberia onde encontrar os restos dele. Mas ninguém conhecia um só seu parente, ou se tinha. Ficaria lá pra sempre. Agora, muitos dos soldados e dos jagunços se secariam de repente, tal o calor e a pouca umidade ali. Os defuntos viravam umas espécies de múmias. Já vistes, por acaso, gado morto na caatinga? Pois é assim, justamente assim, que ficam os defuntos expostos ao Sol. No fim, chegou-nos o comer que saco vazio não fica de pé, né mesmo?
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ARREMEDO DE GUERRA

Agora que ta entendido o negócio das diferenças das línguas e mais das bestas, deixe que eu continue a descrever essa batalha donde morreu o ex-padre e donde que Geraldo Quintão funcionava como uma máquina de matar, de trucidar o inimigo. Muitos dos nossos saíram de lá com as fardas em frangalhos, e braços, e rostos, e peitos e pernas arranhados, como se houvessem brincado com gatos. Os jagunços haviam colocado como anteparos, ou vigilantes alertas, umas ramagens entupidas de espinhos grandes, modo servir de escudo, mas rajadas da metralha abriam caminho pros nossos, e ainda assim muitos se enredaram de tal forma que foram colhidos de surpresa pela soldadesca sertaneja com fúria de um exército grande. Gente esperta aquela. A gente ficava arrepiada só de ouvir os barulhos de ossos quebrando com as foiçadas e enxadadas que apareceram depois, com os porretes cantando nos quengos dos nossos companheiros em surdos e abafados sons. Atrás de Geraldo Quintão seguia Chico Danado pegando à unha o primeiro que surgisse no meio dos espinheiros. O seu rosto se parecia uma papa vermelha, seu fardamento em tiras e ele levando porretada e espetada das parnaíbas; então, ele recuava serelepe e coriscante, do chão atapetado de gente morta, ou por morrer.
Dois loucos: Geraldo e Chico. Do outro lado nosso, mais para a esquerda, José batalhava pertinho do irmão a lhe dar cobertura de um anjo de guarda, guardando a integridade do mano bom; ficou mais amarelo, não sei de por medo ou por problema de saúde, que parecia não ter demais, porém, contudo, se mostrou valente. Antonio Quelé estava embriagado, acredito, pelo cheiro do sangue misturado ao da pólvora que permeava tudo e todos porque o tiroteio raspava as cabeças dos cabras a fim de alcançar os outros jagunços mais atrás. Tão calmos nos momentos de paz, tão alegres e brincalhões, cheios de risos, dentes de fora a fora das bocas, mas nas horas de luta lutavam muito doidamente, compenetrados, sem cuidados como se a morte fosse uma brincadeira de entrudo: “-Saí de banda morte velha pra é não morrer também!” Gritavam eles o grito de em antes combinado previamente. Era certo aquilo, pois os cabras do arraial também urravam palavras de baixo calão, braços pros altos, pernas e barrigas indo sempre pra frente numa espécie de coito infernal. Mas, varados de balas, tombavam sem mais falar. Se aquietavam, pois a Morte lhes tirava os fôlegos, as graças, os sorrisos, em antes inocentes e amorosos com as suas mulheres e filharada.
Eu, de minha parte, lutando bravamente também igual, só lobrigava por instantes as cabeças daqueles dois malucos se misturando aos dos jagunços com urros de apavorar e baixando as foices tomadas das mãos dos que se finaram como armas de reserva, pois os fuzis, grande e pesados, ficavam difíceis manobrar em meio a tantos braços, corpos e pernas. Lá se foram abrindo caminho entre a jagunçada atônita, que não esperavam tanta valentia em só dois soldados. As caras deles não se viam mais: eram manchas vermelhas de sangue puro, dos cabelos, pois perderam os quepes, aos pés. Pisavam nos defuntos como se estivessem pisando uma rua calçada de uma cidade grande. Então, houve uma trégua. Sumiram os inimigos, como sempre: atacando e desaparecendo de vez. Tática de guerrilha, dizia-se entre os oficias.
Guerrilha ou não o fato é que os dois saíram sós, mas levemente feridos nos braços e nas pernas.
Um deles, Chico Danado, levou um chuchado de um inimigo caído, que estava morrendo.
Chuchou a perna de Chico, deu um largo sorriso e se debandou pro infernos depois que Chico Danado afundou sua testa com a coronha do fuzil. Os dois chegaram sem respiração. Antonio se derreou. Seu ferimento na perna esquerda não era grave, mas sangrava bastante. Mas ele não tava nem aí praquilo. Sorria o sorriso da vitória, afinal. Cabras valentes ou doidos.
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quarta-feira, 7 de julho de 2010

A NECESSIDADE DO SILÊNCIO

Há um momento na vida das pessoas em que se faz necessário um recolhimento profundo. Esse recolhimento deve ser acompanhado de total silêncio. É o escopo primordial para um nosso exame ao cerne da Alma. A mim acontece essa necessidade, mas confesso não consegui-lo em toda a sua plenitude. Fico apenas numa espécie de meditação superficial como uma folha que fica boiando em um espelho d água, sem afundar.
Se o recolhimento é bem feito, o silêncio que se busca vem de dentro para fora; envolve o ser numa paz reconstrutora de energia e autocontrole. Estamos, então, em comunicação ao nosso mundo interior, às nossas verdades e aos nossos segredos.
Nessa fase, o silêncio tem que ser absoluto. Ele se torna a própria Alma do recolhimento; é o total e o uno; o material e o abstrato; o substrato da verdadeira personalidade.
Porém, há silêncios que nos incomodam: o da solidão, o da indiferença e o da negação. Para quaisquer deles o remédio se faz difícil, quase impossível.
O da solidão é relativo. Podemos nos encontrar em meio a uma multidão e ainda assim nos sentirmos sozinhos como em uma ilha deserta de vozes e carente do calor humano. Já aconteceu a você alguma vez?
O da indiferença torna-se a coroa de espinhos à nossa fronte exangue; a cruz cujo peso está além de nossa força carregá-la. Torna-se a via amaríssima percorrida por outrem. É a mais clara evidência de que se pôs em movimento um desfalecimento total.
Abre mais e mais chagas à Alma. Inquieta-nos interiormente qual um mundo que se esfacela; uma onda a se esbater nos rochedos da dor. Sacode violentamente o nosso orgulho deixando seqüelas profundas. Suportar é quase impossível. Desnorteia-nos, abatendo-nos sobremaneira. Sentimo-nos vazios até a Morte. Este o da indiferença, se completa ao de Negação, que por sua missão nos coloca como a um zero sem nenhum significado. Ninguém reclama nossa ausência, mas nos sentimos vivos - somos sem ser sendo um ser sem existência, todavia. Sentimos um vazio imensurável. Um ser abismal cresce em nosso interior aonde nem a Luz da piedade alcança. Somos o próprio silêncio que incomoda, que intriga e amedronta: um início que nunca se dará e um fim que jamais há de se configurar. Somos, digamos, o caos antes do Pensamento Criador da Divindade e as Trevas antes do "Fiat-Lux".
Para debelar essas agruras, aquela introspecção deverá servir exclusivamente para que nos encontremos conosco mesmos nos ajudando a construir um novo ser capaz de não se isolar ou de se sentir isolado de outros seres, por mais abjetos possam nos parecer. Deverá ainda nos ensinar a comunicação constante a outras pessoas e a amar ao próximo como a nós mesmos. Aprendamos a não nos negar e a não nos dividir, mas a de nos somar e a de nos transformar num elo entre muitos até completarmos uma corrente humana com capacidade de assimilar todos os problemas: unos na dor, na angústia, no desamparo e no desencanto comum.
Então, maravilha! O milagre acontece para o nosso espanto e para a nossa ressurreição como seres humanos: sentimos um foco de Luz; sentimo-nos esse foco de Luz penetrante a todas as entranhas esconsas da Alma; somos a Luz sublime que mostra a Vida palpitante reverberando no íntimo do nosso mundo interior e a fraternidade, em toda a sua grandeza, como um bálsamo santificado e ungido. Somos Luz e Deuses também.

ARREMEDO DE GUERRA

Sabes o senhor em que eu penso disso tudo? Penso que estou em pesadelo e que não vou conseguir acordar e fugir das coisas ruins desse pesadelo.
Como pode a pátria ser só pra uma meia dúzia? E praqueles que tombaram varados por balas, desmembrados e explodidos por canhões? De que lhes valeu morrerem pela pátria de meia dúzia? Xente! Sabia assim não. Cabia não em meu pensar, e eu me esgoto de ficar imaginando tudo igual pra todos, a mesma justiça, os mesmos trabalhos, as mesmas preocupações e as mesmas esperanças. Vá dizer... Disseram que lá pelas Europa teve uma guerra de cem anos! Vixe! Cem anos, mesmo? Então, os filhos, dos filhos dos filhos dos primeiros oficiais e soldados também tiveram parte naquela guerra? Isto então é que foi guerra!
Com guerra tão delongada que tal, assim não se teria tempo de inventar cargos e posições pra uns poucos, pois que estavam todos na guerra. Não foi? Ah, eu lá mais Antonio Quelé, José, seu mano, Geraldo Quintão e Chico Danado! A gente ia se fazer senhor sim. Podes crer. Nossa, nem que soubesse eu dessa guerra poderia olhar a nossa com outros olhos. Vá se explicar. Vá se debater que muitos vão me crer não senhor. Parece piada de Trancoso, estória assim vaga sem coisa séria. Isso se deu agora há pouco tempo? Ah, não? Faz muitos séculos? Quantos? Teve sobrevivente? O quê? Isto tudo? Nos tempos dos Reis, foi? Daqueles que se vestiam com garbo de aquelas capas com pompons brancos nos altos, botas até os joelhos e com uma coroa na cabeça? Que tempo de boniteza, hein? Aquela gente é que sabia viver e dar valor a uma guerra. Ô vote! Coisas esquisitas se passaram no mundo, hein? Eles lá tinham espingardas, clavinotes, bacamartes e canhões como os Krupps e as metralhadoras como nós tínhamos na República? Já? Então é coisa velha essa de dar tiros pra cá e pra acolá? Mais arco e flecha, e besta. Besta? O quê? Mula tu queres dizer? Não? Jegue, talvez, hein? Ah, bem, arma. Arma com esse nome? Besta...? Que nome para uma arma de guerra. Besta! Besta! Como funcionava essa tal besta?
Eu te escuto, podes falar com detalhes. Aham... Aham... Entendo. Sim, não de outro modo? Entendi. A flecha tinha uma cama; botava ela dentro do sulco e a corda do arco era esticada pra trás e colocada no pé da flecha. Aham... Gatilho? Tinha um? Ele que soltava? A flecha fazia às vezes da bala? Entendo. Ta entendido. Obrigado. Mas não deixaram de ser armas esquisitas, mas, porém mortíferas, pelo que eu entendi. Tu és mesmo homem de conhecimento. Dou graças de não ter caído em mãos outras, que não as tuas. Dá mesmo gosto conversar com quem entende das coisas da história. É com “H” essa história? Ta bom demais, pois a minha também vai ser chamada assim: história, com agá. Bote, bote aí. Se não for certo, lá na prensa da tipografia eles dão uma olhada e corrigem. Eu não vou pagar o trabalho? Tem que ser como eu acho o correto, mesmo errado. É uma pendenga minha com a língua, que não sei por que chama de portuguesa. Devia ser: língua brasileira. E pronto! Bra-si-lei-ra! É isto. O português é arrevesado. Tu mesmo já ouviste esses carvoeiros e donos de boteco e de quitanda falando, pois não são assim? É tudo embrulhado, aos trambolhões, como se tivessem ovos quentes dentro das bocas. Então, essa sim, pode se dizer que é portuguesa. A nossa deveria ser chamada de língua brasileira. Insisto nisso. É limpa, clara, fácil de entender, sem atropelos a não ser nas bocas dos bodejantes, que falam às pressas misturando tudo.
Bom, não to cá pra dar aulas de língua brasileira. Vamos voltar aos assuntos de em antes, que são eles que vão formar meu livro. Tu achas que já chega? Dá pra fazer um bem grosso, com o que tens ai escrito? Não? Vixe! Haja cabeça pra buscar, lá no fundo, o acontecido.
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domingo, 4 de julho de 2010

ARREMEDO DE GUERRA

Pois que seja eu em assim até os dias de então. Não me obrigo a mandar em ninguém não. Dou a mim esse direito não! Sou... Como é a expressão usada, hoje, agora, pra igualar os homens uns com os outros? Cidadania falando: quero saber o termo, que ele existe, mas que eu me lembro não. Me deixe ver... Se eu não soube me explicar, vou te dar um exemplo: digamos... Digamos não, que eu sou pobre mesmo, e analfabeto de pai e de mãe e que eu tenha uma pendenga com um cabra de mais fortuna, letrado e doutor. A, pois, vais me entender agora: aí essa pendenga deixa de ser dada razão ao doutor pra dar a mim. Entendeste? É... Depois de julgada e ajuizada num Tribunal de Justiça. Ah, como que é? Democracia? É mesmo? Pois, isto! Democracia. É em assim que bem penso: não mandar em ninguém. Sou mais de pedir.
Peço, por favor, e se puderem que me atendam agora... Mandar e desmandar, fazer e desfazer... Nunquinha! Todos os cidadãos têm pais e mães, né? Cabe a eles mandar em sua gente. Não é assim, pois, que funcionam as coisas? E como é pelo amor de Nosso Senhor? Nós temos deveres com a pátria? Muito bem. Aceitemos isso. Mas e a pátria não tem deveres pra com nós? Somos sós nós que temos de baixar as cabeças e marchar como gado pro abatedouro?
Ah, que isto nada vale pra mim! Nadinha. Senhor não, meu senhor. Vale a igualdade ou não vale a tal democracia?
Pra que isto? Nós somos usados ao bel prazer dos deputados e senadores, essa casta de gente arrepiada e arreliada em só pensar neles e pouco na pátria? A pátria não somos as gentes? Como é que foram inventar tal posto de grandeza pra essa gente tão pouca? E a grande parte do povo? Como é que fica? Ah... Aqui na cidade é assim? Pois me vou sem mais demora de volta pro meu sertão. Vou arribar de aqui e procurar o arraial de Canudos. Sei que lá não tem mais ninguém. Acabou-se o que era doce. Foi tudo e todos arrasados, mas, porém, nenhum só cabra se rendeu. Canudos? Ela não se rendeu, pra raiva da República que teve que acabar com todos até o fim. Valentia teve lá do lado dos outros, daqueles pobres magricelos famintos de comer e de sangue. A, pois se for assim me vou cedo, cedo, sem mais delongas. Aqui, pensei eu, haveria justiça pra todos igualmente em democracia. Mas, não! Decepção a gente leva até o fim de nossa vida? Muita invencionice é o que é. Muita mentira desavergonhada. Poucos políticos se fazendo de muitos, só pra mandar na gente. Uma minoria mandando na maioria. Donde se viu em antes coisa assim desse jeito?
Ta errado e muito. Só quem tem sangue de barata aceita uma condição às avessas dessas, mas nunca Mariano Bé, que tenho experiência e sofrer pra baixar a cabeça e oferecer o pescoço pro cutelo desses carrascos que ganham pra nada fazer. República... Ah, é isto aí a tal República? Mordomia só pra alguns? Mando só pra uns poucos? E a maioria? Deve de ficar aceitando esses malfeitos, só pra agradar essa raia miúda que nada faz?
Afora, à parte do que estou ditando, devo esclarecer que isto vai ficar assim por anos, isto é: se o povo não pegar em armas e não for pras ruas batalhar os seus direitos de igualdade. Democracia... Cadê ela? É só pra alguns, repito?! É? Que valia tem essa democracia a não ser pros senhores fazendeiros de engenho que viraram deputados e senadores? Por que cargas dágua não foram pras frentes de batalha pra exemplificar e assim mostrar que querem mesmo uma República democrática. Os anos vão se passar e essa tal República democrática vai sendo embrulhada, e bem embrulhada, pra caber nas mãos deles, e só. Marques bem este meu arremedo de profecia. Depois, se ainda viveres, vais saber se mais uma vez tive ou não minhas razões pra reclamar. Ô vote! Coisa mais desconjuntada... É de arrepiar um defunto!
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ARREMEDO DE GUERRA

Nem um só cabra da peste tem o direito de desfazer da vida de outro cidadão desse modo. Foi no calor da guerra, do tiroteio infernal, das mortes que eu presenciei e que me deu vontade de muito falar, de bastante gritar e de me voltar contra os meus comandantes, principalmente contra o coronel Tamarino, que demonstrou covardia após a morte do general, chefe comandante, que se finou na sua tenda sem poder se erguer, querendo ainda guerrear com nós. Quê? Que tu estás a me dizer? Que não era Tamarino? E tu estivesses lá? Era o que então, se não era esse o nome do coronel? Eu já falei desse cabra militar... Como é então, pois? Ah, Tamarindo. Era sim. Era mesmo coronel ou general? Eu mesmo não sei por que a gente só via esses grandes bem de longe, comandando e montados nuns cavalos lindos e garbosos nas atitudes, muito mais que os seus montados. Era, pois, coronel né? Ta bom. Tu sabes por que leu nos jornais. Eu não leio e nem escrevo, mas sei falar e é por causo disso que estou aqui a te relatar os acontecidos pro modo ficar registrado num compêndio desses grossos de capas belas e que passe nas mãos de muitos. É pretender demasiado? É não, é? Então... Sou assim.
Pois eu dizia: a me ver diante de tantos corpos estraçalhados tive vontade, gana mesmo de ódio de cozer o tal coronel Tamarindo com a ponta de minha baioneta até as tripas dele saírem pra fora se esparramando no pó dos chãos já cheios de sangue de inocentes de cá e de lá. Se a tal República tem outros coronéis como aquele, até os dias de agora, então melhor é que se acabe de vez e abram caminho pra monarquia de novo, que os monarcas morriam pela pátria.
Mas muitos daqueles oficiais de galões e platinas brilhosas foram valentes até o fim. Um morreu agarrado ao seu canhão retalhado por foiçadas, lá no morro do Mário. E muito outros deram os seus exemplos de valentia de sertanejos passando pra gente a coragem deles. Numa vezada só morreram três daqueles oficiais graduados, assim, quase que juntos. Hoje me sinto vingado na minha vontade de costurar, sem poder, o tal coronel Tamarindo. Os caboclos do arraial acabaram com ele pendurando o que lhe sobrou do corpo nas varas da cerca do lugar, pro modo servir de exemplo aos outros valentes. Tava lá ele, sem cabeça, que tava no chão, arrumadinha ao lado de outras, tudo enfileirado: soldados rasos, sargentos, tenentes, capitães e coronéis, como esse tal Tamarindo, que desonrou pela covardia e indiferença a farda e os galões da patente. Foi uma visão macabra tão má, que os vivos evitavam passar ou olhar na direção das estacas. Coisa feia é ver um corpo sem cabeça e vice-versa, seu. Vixe! Que aquilo ficou foi tempo em nosso quengo, virando pesadelo, e deixando muitos valentes acordados noites inteiras se revirando nas enxergas, que eram as nossas camas beliches. Não sei até hoje pra que foi que levaram beliches e barracas se a gente ficava a maior parte do nosso tempo ao relento das trincheiras, dos escondidos, dos matos e dos pés de paus arrasados pelos tiroteios nossos e dos jagunços. Pouco me aproveitou a minha ao ponto de um major levar pra sua barraca a tal cama de campanha que usava nos descansos. Nem liguei, pois gostava do tal major que era humano demais a todos. Pois esse foi um dos que morreram na explosão de um dos nossos grandes e desajeitados canhões, pois as pólvoras em barris estavam em derredor deles, dos artilheiros, quando uma chuva de balas inimigas alcançou os barris. Pros altos subiu uma quentura de fogo embrulhado em nuvens como cogumelos, uma por cima de outras, numa multiplicação apavorante. Sobrou nada não das carcaças dos nossos homens. Eram pedaços de fardas, botinas com pés dentro, tripas, olhos, braços e pernas, esparramados entre as ferragens do canhão, que só ficou a base e uma das rodas de ferro. Imagine quanta pólvora se perdeu! Mas ninguém parecia preocupado com os que foram estraçalhados. Juntou-se tudo e se enterrou assim mesmo, que nem fosse um só. Cruzes. Me deu vontade foi muita de correr e nunca parar.
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