DESPESAS COM REFORMAS ESTÁDIOS PARA COPA 2014

Chegou ao meu conhecimento, e muitos devem saber igualmente, que para sediar a Copa de Futebol de 2014 o país gastou verdadeira fortuna em publicidade apelativa. Agora, um PPS recebido de amigos esclarece o montante que se irá gastar para a reconstrução - reformas em estádios já existentes - e construções de novas arenas para a prática futebolística.

O dinheiro não virá dos clubes, pois que a maioria deles anda na "corda bamba", financeiramente falando; muitos agremiações esportivas se acham mesmo no "vermelho": salários atrasados, encargos sociais nas mesmas condições e outros problemas inerentes ao mundo de negócios do futebol. Pois pasmem: o montante dessa despesas com estádios para a Copa de 2014 atingirá, de saída, R$ 5.713 bi. É uma "bagatela", para um país que nada em dinheiro, que distribui entre os países irmãos vultosas somas, que perdoa dívidas elevadíssimas aos países africanos e ainda financia não sei que obras ou situações na Grécia. Melhor é lacrar os cofres da Previdência, a fim de se evitar futuros transtornos àquela instituição e aos seus beneficiários.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

"NOSSA" CASA NO PERISSÊ

Perissê é o bairro em que vivo há dez anos. O endereço é: Rua Campos Salles, 55 sobrado. Das janelas da sala e do meu quarto tenho uma deslumbrante e única vista de parte da cidade e do bairro. À minha frente, duas montanhas rochosas gêmeas nomeadas Duas Pedras, tendo ao topo o antigo Colégio Fundação Getulio Vargas, para filhos de ricos e, mais abaixo, aos seus pés, outro colégio - esse centenário Colégio Anchieta onde estudou Euclides da Cunha e deu aulas Ruy Barbosa! Daqui vislumbro sua vetusta fachada e as muitas palmeiras que nos dão boas vindas. Porém, estou aqui para falar de “nossa” casa querida. Aos 23 de março de 1997 entramos pela segunda vez por sua porta, definitivamente. Ela era o que vínhamos procurando com todo empenho. Nós cabíamos nela, com folga, e ela cabia em nosso orçamento familiar, ou seja: o aluguel não ultrapassava os 30% dos nossos salários, aconselhado por técnicos em economia. Ela nos oferece sala espaçosa com candelabro de cinco pontas; uma das paredes é guarnecida por pedras, esverdeada e acinzentada, de matizes variados. Duas grandes janelas trazem-nos luz soalheira intensamente. À frente - como disse - uma janela a guisa de moldura nos mostra campos distantes. Há paisagens dignas a um Monet; a outra, à parede lateral, leva nossas vistas para um bosque onde um condomínio excelente predomina, adormecendo sob sombras uma população da classe média. A “nossa” casa nos oferece ainda dois quartos e hall de entrada espaçoso; copa-cozinha de ótimo tamanho, banhada de muita luz; banheiro igualmente espaçoso; varanda à ré da casa e uma laje totalmente nossa. Laje imensa que nos serve como "mirante" nos dando deslumbrante vista da nossa cidade centenária e montanhosa e outras paisagens ricas em verdes. Mas foi morando nela que me descobri com sérios problemas de saúde. Em compensação, foi nela que usei a visão privilegiada para pintar paisagens magníficas dali descortinadas. Aqui, nesta casa que nos faz felizes, passei os piores e melhores momentos da atual quadra de minha vida. Não descarto a possibilidade de permanecer nela por mais dez anos, se Deus permitir. Sempre fui muito apegado aos lugares escolhidos para moradia. Não vivi pulando de casa a casa, de bairro a bairro, mas tão somente de cidade a cidade. Valeu a pena escolher essa nova residência para moradia. Demoramos encontrá-la. Esta casa em bairro tranqüilo - bem iluminada espaçosa e acolhedora - era o nosso sonho. Boa vizinhança nos rodeia e sem comércio indesejável perto. Para completar, acredito termos o mais humano e compreensível senhorio de toda a nossa vida. Um nonagenário incomparável como pessoa, mesmo solitário - pela metade - como é. Viúvo faz-lhe companhia excelente criatura até às dezessete horas. Nelcy é o seu nome. Mulher no gênero, mas um "anjo caído do céu" para dissociar a viuvez do meu senhorio, Sr. Cizinio, à sua solidão. Espero seja longa a vida do nosso senhorio, mais do que tem sido. Assim me sentirei duplamente atendido, e a continuidade ou não de nossa presença neste amado sobrado talvez dependa da boa vontade de terceiros, mas, se depender de nós me morrerá, e Léia também, ali, entre as suas paredes, debruçados sobre as paisagens descobertas e amadas desde 1997.

Nenhum comentário: